Blog do Ailton Amélio

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30/07/2014

O esvaziamento é a principal causa das separações

Principais causas das separações

 Os pesquisadores de uma enquete realizada pelo instituto inglês Grant Thornton pediram para 101 dos principais advogados da área de família da Inglaterra que apontassem as principais causas da dissolução dos matrimônios (Veja o link para o relato dessa pesquisa na Nota, no final deste artigo). Essas causas e suas respectivas percentagens de citações pelos advogados foram as seguintes:

Principais causas das separações

1- Distanciamento e deixar de amar (denominarei essas duas causas como "esvaziamento do relacionamento") (27%).

2- Relacionamentos extraconjugais (25%)

3- Comportamentos irrazoáveis (17%)

4- Crises da meia idade (10%)

5- Abusos emocionais / físicos (6%)

6- Excesso de dedicação ao trabalho (4%)

7- Tensões familiares (2%)

8- Estresse (2%)

9- Preocupações econômicas (1%)

10- Problemas com os negócios (1%)

11- Outras causas (1%)

 

Os relacionamentos extraconjugais foram a causa de separações mais citada em todas as ocasiões anteriores que essa pesquisa foi realizada. Nesta última pesquisa, realizada em 2010, pela primeira vez, o esvaziamento do relacionamento superou a traição.

Os resultados dessa pesquisa devem ser considerados com cautela, por dois motivos: (1) os participantes eram advogados e não uma amostra daqueles que se separaram e (2) eles foram coletados na Inglaterra e não aqui no Brasil. Por outro lado, essa não é a primeira pesquisa que aponta o esvaziamento como a principal causa das separações.

Neste artigo, vou apresentar alguns dos principais mecanismos que provavelmente causam o esvaziamento dos relacionamentos conjugais.


O que é o "esvaziamento" do relacionamento

O esvaziamento do relacionamento acontece quando os cônjuges se tornam indiferentes um para o outro: acaba o amor entre eles, a conversa entre eles deixa de ser prazerosa, eles deixam de ser mutuamente estimulantes, perdem o interesse pelo que está acontecendo com o outro, não planejam mais nada juntos e desenvolvem vidas independentes.

Mesmo assim, muitos relacionamentos esvaziados são mantidos por outros interesses: filhos, vantagens econômicas, comodidade, etc.


Principais motivos do esvaziamento do relacionamento

Existem muitos motivos para o esvaziamento dos relacionamentos. Alguns dos principais deles são os seguintes:


Monotonia no relacionamento

Nos primeiros anos do casamento geralmente acontece uma nítida diminuição da satisfação dos cônjuges com o relacionamento conjugal. Isso acontece porque há  decréscimos de vários tipos de comportamentos que anteriormente davam vida para o relacionamento: diminuição do sexo, diminuição das manifestações românticas, diminuição das conversas animadas com o cônjuge, etc.

Três fatores que contribuem para a instalação da monotonia conjugal são os seguintes:

1- Diminuição da novidade que é produzida pelos comportamentos do parceiro. Qualquer situação que vai se tornando conhecida e segura vai perdendo um pouco da sua vitalidade e poder para provocar excitação.

2- Aumento na previsibilidade dos comportamentos do cônjuge. À medida que o tempo vai passando, os comportamentos de cada cônjuge vão ficando cada vez mais previsíveis para o outro. A previsibilidade diminui a excitação e o interesse pelo acontecimento.

3- Aumento da segurança quanto à firmeza do compromisso com o parceiro. À medida que os cônjuges vão entrelaçando suas vidas, vai aumentando a segurança sobre a estabilidade do relacionamento. O aumento da segurança vai desligando os comportamentos de atenção e de alerta para os atos do parceiro.

A dose de novidade que é considerada agradável e benéfica varia de uma pessoa para outra e de uma situação para outra. Novidade demais ou de menos pode arruinar o relacionamento. A dose certa de novidade mantém o relacionamento vivo e interessante indefinidamente.

Variabilidade natural: o melhor remédio contra a monotonia

Os manuais de autoajuda prescrevem vários tipos de medidas para combater a monotonia do relacionamento: ir a motéis, viajar, transar em locais diferentes, apimentar o sexo, etc. Todas essas medidas podem ajudar, mas elas não são necessárias.

Para a maioria das pessoas, é necessário acontecer grandes mudanças para que elas notem que algo diferente está acontecendo com o parceiro. Essas pessoas não têm a sensibilidade para notar variações psicológicas mais sutis, mas não menos importantes, que estão ocorrendo com elas próprias e com seus interlocutores.

Nós variamos bastante de um dia para outro e até de um momento para outro: nossas emoções mudam, nosso humor muda, nossas preocupações mudam, nosso apetite muda, nosso desejo sexual muda. Tomar conhecimento dessas variações e usá-las como informações sobre a realidade psicológica que está presente no relacionamento é a única forma de desenvolver um relacionamento de verdade.

As alterações psicológicas que acontecem com todos nós são suficientes para produzir uma boa dose de variabilidade natural e, por isso, para manter o relacionamento vivo e atraente. Basta levar um pouco dessa variabilidade natural para o parceiro e notar melhor a sua variabilidade.


Engessamento do relacionamento

“Todo o dia, ela faz tudo sempre igual”

Engessar o relacionamento é se portar sempre da mesma forma e deixar de prestar atenção nas alterações que o parceiro apresenta.

Tendemos a repetir o que deu certo. Tendemos a tratar o nosso parceiro da forma que deu certo anteriormente!

Tendemos a tirar conclusões sobre o parceiro e, dai para a frente,  passar a vê-lo sob a ótica dessas conclusões. Essas conclusões, tiradas em um dado momento, atrapalham a percepção das mudanças que o parceiro está mostrando nos momentos seguintes.

É um erro muito sério pensar que já conhecemos o parceiro e que, por isso, não precisamos mais prestar atenção nele. Um estudo verificou que cônjuges que já estavam casados há muitos anos só conheciam cerca de 50% do outro cônjuge. Os pesquisadores pediram para cada cônjuge dizer como o outro reagiria em diversas situações, como ele responderia a diversas questões ou quais seriam os suas preferência pessoais em diversas áreas. Esses cônjuges que participara da pesquisa, em média, só acertaram cerca de 50% das suas respostas. Portanto, a fantasia de que já conhecemos o nosso cônjuge e, por isso, não precisamos prestar atenção nele, não corresponde aos fatos.

As pessoas temem mostrar formas de agir que não foram testadas anteriormente e. por isso, serem rejeitadas ou punidas. A repetição de comportamentos que deram certos anteriormente e o congelamento da imagem do parceiro são formas de agir que possuem pouca  vida. Enquanto estou repetindo o que deu certo também estou deixando de expressar o que está acontecendo comigo agora.

Para combater a monotonia do casamento é necessário ter a coragem de compartilhar com o parceiro a variabilidade que está ocorrendo naturalmente com nossos sentimentos e pensamentos.


Desenvolver o relacionamento em áreas onde há pouca energia intrínseca

Em cada momento do relacionamento, é importante se perguntar: onde está o meu verdadeiro ponto de energia e onde está o verdadeiro ponto de energia do seu interlocutor?

Se você não conseguir identificar onde estão essas energias e não centrar o relacionamento onde elas estão, o relacionamento se desenvolve por obrigação e não porque faz sentido. Quando isso acontece, ele não é envolvente, não é prazeroso e não flui.

Estamos, a todo o momento, correndo o risco de não nos deixarmos guiar por esses pontos genuínos de energia e vitalidade e nos resvalarmos para tópicos sem vida.


Desvitalização de um ou de ambos os cônjuges

Certas pessoas são estimulantes. Quando estamos com elas nunca nos entediamos. O convívio com elas atrai mais a nossa atenção do que outros fatos que estão ocorrendo ao redor. Achamos muito interessante como elas veem a coisas. Elas sempre nos estimulam a agir e a pensar de modo diferente. Essas pessoas sabem manter o relacionamento em áreas onde há energia genuína. Essas pessoas são nutritivas, energéticas, fontes de novidades, criativas e inovadoras.

Outras pessoas são amorfas, previsíveis, não têm nada para acrescentar, só dizem lugares comuns e só dançam conforme a música. Mesmo quando se esforçam para nos agradar, elas nos negam o que de melhor poderiam oferecer: o compartilhamento de seus sentimentos e pensamentos, suas sinceras iniciativas, reações às nossas comunicações. São pessoas que “não têm nada a acrescentar”, “nada a declarar”.


Passividade para expressar o que sente e pensa

As pessoas passivas geralmente se tornam desvitalizadas. Passividade é deixar de agir de acordo com o que está sentindo de pensando. A passividade comunicativa talvez seja a forma mais importante de passividade: pessoas que se calam quando não está satisfeitas ou se calam quando estão satisfeitas. Essas pessoas não se expressam e, pior ainda, agem e se expressam da forma como imaginam que agradaria ao interlocutor e não da forma como estão sentindo ou pensando.


Deixar de ativar a dimensão macho/fêmea quando está com o parceiro

Deixar de agir como macho e fêmea transforma o relacionamento conjugal em relacionamento amistoso ou profissional.

Existem várias maneiras de ativar a dimensão macho/fêmea. Por exemplo, cuidar da aparência para ficar mais atraente (cuidar do vestuário, pilosidade, adornos, etc.) e acentuar os sinais de gênero quando está com o parceiro (acentuar aqueles comportamentos que aumentam a feminilidade ou masculinidade: tom de voz, firmeza, gestos mais sinuosos e suaves, etc.).

Não deixe o seu relacionamento se esvaziar! 

O seu relacionamento está desvitalizado? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Link para o relato completo da pesquisa realizada pelo instituto Grant Thornton:http://www.grant-thornton.co.uk/en/Publications/2011/For-richer-for-poorer-Matrimonial-survey-2011/ (consultado em 26/07/2014)

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Por Ailton Amélio às 09h01

21/07/2014

O amor está vivo! Viva o amor!

Sectários teorizando sobre o amor

Quem só conhece uma teoria ou alguns poucos fatos sobre o amor e seus estilos faz afirmações do tipo:

- O amor romântico foi inventado na idade média (“amor cortês”) e potencializado nos últimos três séculos. Esse tipo de amor está com os dias contados.

- O nosso estilo de amor é moldado pelo estilo de relacionamento que existe entre nossos pais.

- O amor é baseado no estilo de apego de quem tomou conta de nós na nossa infância e adolescência.

- O amor é biológico. Ele está presente em todas as culturas e em todas as épocas históricas. O que varia é se ele é aceito ou não como base para a escolha do parceiro conjugal.

Cada uma dessas teorias tem uma parcela de razão. Cada uma delas funciona como os cegos daquela anedota, que estão apalpando uma parte de um elefante e pensam que este é como a parte que estão apalpando . Os defensores de cada uma dessas teorias, principalmente aqueles que desconhecem as evidências em favor das demais, deliram na defesa exclusiva de suas próprias ideias.

Um erro trágico dos arautos do fim do amor

Todos os dias, vejo na mídia arautos do apocalipse amoroso apregoando aos quatro ventos o fim do amor romântico. Os argumentos que essas pessoas usam são completamente equivocados. Elas parecem ignorar estudos e teorias cientificamente embasados sobre o amor, como os estudos antropológicos e históricos que atestam a presença universal deste sentimento, em todas as regiões do nosso planeta e em todas as épocas históricas! O que existe de ocidental e recente sobre o amor é a retomada do seu uso como critério para iniciar uma parceria conjugal e algumas criações culturais sobre a sua origem, suas propriedades e desejabilidade como base do relacionamento conjugal.

Neste artigo vou apresentar algumas evidências interculturais e históricas que atestam que o amor é universal, goza de boa saúde, está mais vigoroso do que nunca e não está às portas da morte.

Percentagem de pessoas de várias culturas que estão amando em um dado momento

Eu perguntei para 303 estudantes universitários paulistanos (177 mulheres e 126 homens), que tinham, em média, 24 anos de idade, se eles estavam amando  (Veja a citação na Nota 2). Os resultados dessa enquete foram os seguintes:

Mulheres amando: 68,7%

Homens amando: 60,0%


Os resultados dessa enquete que realizei são bastante semelhantes a aqueles relatados por Kenrick e Kenrick, com estudantes americanos (veja a citação na Nota1). 
A maioria dos estudantes paulistanos (64%) declarou que estava amando. Estar amando, portanto, é um estado afetivo presente para a maioria desses estudantes.

Resultados semelhantes aos dessas duas pesquisas citadas acima foram encontrados por um estudo internacional realizado por Sprecher e colaboradores (1994 – Nota 3). Esses autores perguntaram para 1.667 pessoas de três países (russos, japoneses e americanos) se elas estavam amando. As percentagens de respostas dessas pessoas são mostradas na tabela, abaixo.

Tabela 1– Percentagens de pessoas que estavam amando em três países

Baseado em Sprecher e outros (1994)

 

Russos

Japoneses

Americanos

Homens amando

61%

41%

53%

Mulheres amando

73%

63%

63%

Esses resultados mostram que uma grande percentagem de pessoas declarou que estava amando no momento da pesquisa. Esses resultados também  mostram que mais mulheres do que homens fizeram esse tipo de declaração. O amor, portanto, parece ser algo que acontece naturalmente entre os membros da nossa espécie. As mulheres apresentam uma maior dose de  propensão ao amor do que os homens. A cultura também parece ter influência no surgimento do amor, pois as percentagens de pessoas que declaram que estão amando variam bastante entre os países pesquisados.

Tanto eu como os Hendrics apresentamos outros pedidos de informações para os estudantes. Um deles era a quantidade de vezes que já amaram na vida. Na minha pesquisa, apenas 12,5 dos estudantes (7,9% das mulheres e 17,4% dos homens) declararam que nunca haviam amado. Essa percentagem é semelhante à encontrada pelos Hendrics, em duas universidades americanas: 14% declararam que nunca haviam amado. Ou seja, mais de 80% dos estudantes paulistanos e americanos já haviam amado pelo menos uma vez na vida até os vinte e poucos anos (veja as percentagens de estudantes que amaram mais vezes no artigo - link para acesso é fornecido na Nota 2). Claro que, com o passar dos anos, muitos daqueles que ainda não haviam amado acabam amando.

O amor na antiguidade em várias culturas

Aqui estão alguns exemplos que atestam a presença do amor romântico em diversas culturas que existiram muito antes da época do Amor Cortez.

Poesia egípcia do ano 1340 AC (aproximadamente)

“Há sete dias que não vejo a minha bem-amada.

O desalento se abateu sobre mim.

Meu coração tornou-se pesado.

Esqueci até minha vida.

Quando os médicos vêm à minha casa,

Seus remédios não me satisfazem...

Ninguém descobre minha doença.

Mas se me dizem: "Olha! Ei-la",

Isso me restitui a vida.”

Extraída do blog: http://poesiaemtodaparte.blogspot.com.br/2009/03/poema-egipcio-extraido-de-um-papiro-de.html

Carta de amor escrita por uma chinesa por volta do ano 798

“Fomos formalmente apresentados por minha mãe, mas, nas circunstâncias, perdi o domínio de mim mesma e entreguei-me completamente a ti. Bem sabes que, depois de nossa primeira noite juntos, jurei que nunca amaria, senão a ti e que seríamos mutuamente fiéis por toda a vida. Foi essa a nossa esperança, Foi essa a promessa que trocamos. Se cumprires o prometido, tu o está bem e serei a mulher mais feliz do mundo. Mas, se trocares o antigo pelo novo e considerares nosso amor como um caso fortuito, amar-te-ei ainda, baixando, porém, ao túmulo do pesar eterno. Tudo depende de ti e nada mais tenho dizer.”

Texto extraído do blog: http://amulhernachina.blogspot.com.br/2008/03/uma-carta-de-amor.html

Poema de amor da Bíblia, escrito muito antes de Cristo

Cânticos 1

“1  cântico dos cânticos, que é de Salomão.

2 Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.

3 Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.

4 Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.”

Texto extraído do blog: https://www.bibliaonline.com.br/acf/ct/1

O amor, portanto, está presente em culturas bem diferentes da atualidade e em culturas que existiram há centenas ou milhares de anos.

A universalidade do amor, tanto no espaço como no tempo, é uma das evidências que indicam que ele tem um componente genético e, por isso, é inerente à nossa espécie. Portanto, ele não é uma mera invenção cultural, na sua essência, e não será descartado como um mero modismo. O amor está vivo! Viva o amor!

NOTAS

1- Hendrick, C. & Hendrick, S. (1986). A theory and method of love. Journal of Personality and Social Psychology, 50, 392 - 402.

2- Silva, A. A. (2006). O conteúdo da vida amorosa de estudantes universitários. Interação em Psicologia, 10(2), p. 301-312. 301. Disponível em: file:///C:/Users/Ailton/Downloads/7685-21610-1-PB%20(3).pdf

3- Sprecher, S., Aron, A., Hatfield, E., Cortese, A., Potapova, E., & Levitskaya, A. (1994). Love: American style, Russian Style, and Japanese style. Personal Relationship, 1, 349 – 369.

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Por Ailton Amélio às 08h31

15/07/2014

A seleção brasileira é psicologicamente frágil e efeminada?

Homem não chora....tanto?

A expressão de sentimentos geralmente é saudável (pessoas com estilos de apego seguro choram mais do que pessoas com estilo de apego ansioso). Entregar-se incontrolavelmente aos sentimentos, por outro lado, não é um bom sinal. É descontrole emocional.

Chorar muito é um sinal psicológico de gênero (característica psicológica que distingue os homens das mulheres). Um estudo mostrou que as mulheres choram cerca de quatro vezes mais do que os homens (veja a citação na Nota, no final deste artigo). Este era o sinal mais associado ao sexo feminino dentre todos os sinais incluídos na pesquisa. Os motivos para esta diferença seriam biológicos (a testosterona inibiria as lágrimas e a prolactina as incentivariam) e sociais (um estudo realizado em 35 culturas mostrou que as diferenças nas frequências de choro entre homens e mulheres são maiores em culturas que oferecem mais liberdade de expressão. Geralmente pessoas de países mais ricos choram mais do que de países mais pobres). Pelas minhas observações, essa diferença também acontece aqui no Brasil.

A fragilidade emocional em situações de tensão também não é um traço esperado e admirado em homens ocidentais, pelo menos.

Tai: uma seleção de homens sensíveis e emocionalmente frágeis! Claro que essa afirmação não se aplica a todos os jogadores.

As mulheres sempre foram fortes em diversas situações. Agora, elas estão, cada vez mais, se livrando das definições de gênero que as concebiam como frágeis e instáveis. Elas estão, cada vez mais, se mostrando firmes e psicologicamente estáveis em situações onde agir assim era tipicamente masculino. Por exemplo, há muito que elas não desmaiam diante de más notícias ou situações amedrontadoras e precisam ser reanimadas com sais aromáticos! Isso já saiu de moda!

Estaria havendo uma inversão de papéis na nossa sociedade?

Não era isso que as mulheres queriam: homens sentimentais e sensíveis?

Elas também querem que eles se mostrem firmes e façam bonito na Seleção ou, pelo menos, não percam de lavada?

Será essa uma das explicações do 7 a 1, do 3 a 0 e da choradeira?

O que você acha?

NOTA

Collier, L (2014) Why we cry. American Psychological Association. February, Vol 45, No.2, Pag 47 Disponível em:  HTTP://WWW.APA.ORG/MONITOR/2014/02/CRY.ASPX

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Por Ailton Amélio às 10h12

12/07/2014

Você sabe decifrar sinais ambíguos de interesse amoroso?

Responda as cinco questões abaixo. Elas ajudarão a avaliar a sua capacidade para verificar se aquelas pessoas que você está interessado também estão interessadas em você.

1- As pessoas não percebem quando sinto atração amorosa por elas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

 2- Quando sinto atração amorosa por uma pessoa, tenho muita dificuldade para verificar se ela também sente atração por mim.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

3- Não sei como agir para verificar quais são as minhas chances de iniciar um relacionamento amoroso com as pessoas que me interessam.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

4- Eu tenho muito medo de mostrar o meu interesse amoroso pelas pessoas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

5- Geralmente só namoro pessoas que tomam iniciativas muito claras para iniciar relacionamentos amorosos comigo.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

 

Se você assinalou um número maior do que 4 em todas estas cinco questões, você provavelmente tem dificuldades para verificar se o seu interesse amoroso por um parceiro é correspondido. Esse artigo ajudará a entender o que está acontecendo com você.

Verificação do interesse amoroso

Dizemos que um comportamento é amorosamente ambíguo quando existem pelo menos duas hipóteses diferentes para explicar a sua causa, sendo umas delas de natureza amorosa.

A verificação amorosa é constituída por aquelas ações do verificador que o ajudam a esclarecer se a pessoa por quem ele está amorosamente interessado também tem esse tipo de interesse por ele. Estas ações ajudam o verificador a interpretar melhor as razões pelas quais o parceiro está agindo da forma como age em relação a ele. Por exemplo, a verificação ajuda a entender se o parceiro está sendo tão gentil porque ele é assim com todo mundo, porque deseja obter um favor ou porque tem algum interesse amoroso pelo verificador. Ou seja, a verificação diminui a ambiguidade quanto às causas da ação do parceiro.

Este tipo de ambiguidade acontece porque alguns tipos de comportamentos amorosos também aparecem em vários outros tipos de relacionamentos. Por exemplo, ser atencioso, cordial e prestar pequenos favores são comportamentos que aparecem nos relacionamentos profissional, amistoso e amoroso. Por este motivo é difícil interpretar o motivo pelo qual uma pessoa está sendo gentil.

Outro exemplo: uma oferta de carona pode ter uma motivação amorosa (quem oferece a carona está interessado em iniciar um relacionamento amoroso com o carona), amistosa (quem oferece a carona está querendo reforçar a sua ligação amistosa com o carona) ou comercial (quem oferece a carona vai pedir um empréstimo durante o trajeto), ou se trata simplesmente de uma gentileza (“É o jeito dele. Ele faria isso para qualquer um”).

Como podemos aumentar o grau de segurança da nossa interpretação das causas das ações de uma pessoa? Este aumento pode ser obtido através do uso dos seguintes métodos de verificação do interesse amoroso.

Táticas de verificação do interesse amoroso

Existem duas principais estratégias de verificação do interesse amoroso: (1) Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse e (2) comprar informações. Cada uma dessas táticas pode ser posta em prática através de diferentes táticas. Vamos examinar um pouco mais essas estratégias e algumas das suas táticas.

1- Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse. As principais táticas para fazer isso são as seguintes:

a- Interpretar as pistas de interesse amoroso que podem estar sendo exibidas pela outra pessoa. Quem usa esse tipo de pistas são aquelas pessoas que temem se exporem e serem rejeitadas, como os tímidos e pessoas com baixa autoestima. Por isso, essas pessoas querem apenas “ler” os sinais de interesse que são mostrados pela outra pessoa sem mostrar sinal nenhum.

Os interessados nesse tipo de interpretação são aqueles que leem livros de autoajuda e livros de comunicação não verbal que prometem ensinar as pistas do interesse amoroso.

b- Obter informações por meios indiretos. Por exemplo, perguntar para um conhecido em comum se teria chances com a fulana.

2- Comprar informações

Quem adota essa estratégia paga pelas informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa porque assume o risco de mostrar o próprio interesse e ser rejeitado. As três principais maneiras de comprar informações são as seguintes:

a- Perguntas diretas. Por exemplo, dizer “Estou interessado em você. Tenho alguma chance?

b- Mostrar sinais de interesse e observar reação da outra pessoa. Por exemplo, flertar e verificar se é correspondido.

c- Convidar. Ir convidando a outra pessoa para programas cada vez mais típicos de pessoas que têm relacionamento amoroso.

Vantagens da verificação do interesse amoroso

Um dos grandes fatores responsáveis pelo sucesso para iniciar namoros é a disposição, a coragem e a habilidade para verificar se aquelas pessoas pelas quais temos interesse amoroso também têm esse tipo de interesse por nós. Esta verificação, de preferência, deve ir sendo realizada à medida que o nosso interesse vai crescendo, para evitar que ele fique muito grande antes que estejamos seguros de que a outra pessoa vai corresponder.

Desvantagens da verificação tardia do interesse amoroso

Deixar para verificar tardiamente se a outra pessoa corresponde ao nosso interesse amoroso tem dois grandes inconvenientes:

1- Aumenta a nossa timidez e ineficiência para verificar se a outra pessoa corresponde ao nosso interesse amoroso. Quanto mais apaixonados por uma pessoa nós estamos, maior é o nosso medo de sermos rejeitados por ela.

2- A rejeição de uma paixão solidificada produz mais sofrimentos do que a de uma paixão recente. Se, ao contrário do que aconteceu com Helena, uma pessoa verifica logo no início de um relacionamento se o seu interesse amoroso é correspondido e, ao verificar, obtém uma resposta negativa, é mais fácil para ela reverter esse sentimento do que posteriormente, quando o seu amor já cresceu e se solidificou.

                  Vantagens da verificação do interesse amoroso

Existem três grandes vantagens de verificar logo no início se há reciprocidade no interesse amoroso:

1- Verificar assim que vai surgindo nosso interesse faz com que nos apaixonemos apenas por aquelas pessoas que também poderão se apaixonar por nós. Quando uma pessoa, à medida que vai se interessando por outra, também vai verificando se este sentimento está sendo correspondido, ela condiciona a continuidade e o crescimento da sua paixão à reciprocidade da outra pessoa. Quando uma pessoa que está se apaixonando por outra verifica que seu interesse não é recíproco, isto a impede de continuar se apaixonando. Caso a pessoa não verifique e continue esperançosa, tal com aconteceu com Helena na história acima, a sua paixão tende a aumentar e a se solidificar com o tempo, independentemente do que esteja acontecendo com o sentimento da outra pessoa.

2- Verificar aumenta as chances de que a outra pessoa se apaixone. O processo de verificação é também um processo de conquista. As ações que são eficientes para verificar se há interesse amoroso por parte de uma pessoa são igualmente eficientes para despertar e fazer o interesse desta pessoa crescer. Este tipo de efeito colateral da verificação é observado principalmente quando a verificação acontece através da manifestação do interesse do verificador ou quando o este começa a tratar o verificando de uma forma especialmente agradável e positiva (olhar para ele, tocá-lo, ser gentil com ele etc.).

3- Verificar logo no início poupa tempo. Helena não precisava ter perdido tanto tempo com Eduardo. Caso ela soubesse logo no início que ele não correspondia ao seu interesse amoroso, ela poderia ter iniciado o namoro com outra pessoa.

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Por Ailton Amélio às 11h23

04/07/2014

Desalento!

Você sente que há uma boa dose de desalento no ar?
- Que não estamos tão entusiasmados com a Copa do Mundo?
- Que não nos orgulhamos com a forma como o país se preparou para a Copa?
- Que gostaríamos que o Brasil ganhasse a Copa, mas a seleção não está convencendo?
- Que queremos que o Brasil ganhe a Copa, mas, ao mesmo tempo, tememos que isso funcione como um anestésico que atenue a percepção da gravidade dos crimes que vêm sendo denunciados e que essa vitória seja usada para fins eleitorais?
- Que estamos sem heróis e líderes em todos os setores: esportes, política, universidades, etc. 
- Que estamos preocupados com a situação econômica do país?
- Que estamos saturados com os políticos corruptos, cínicos, incompetentes?
- Que estamos saturados com as propagandas enganosas que prometem a felicidade na compra de um novo par de sapatos, de um novo carrão ou de um refrigerante?

Caso você sinta desalento com tudo isso, não sinta-se culpado. Você tem motivos reais para sentir-se assim!

O que podemos fazer? Com podemos virar o jogo?

Por Ailton Amélio às 10h50

01/07/2014

Só os bonitos, bem vestidos e bem sucedidos despertam o amor de parceiros desejáveis e se casam? Claro que não!

Felizmente o sucesso na vida amorosa não depende só desses fatores. Existem outros caminhos para o amor e para os relacionamentos amorosos felizes. É notório que pessoas de qualquer classe social e econômica, que têm diversos graus de beleza e que têm diferentes graus de sucesso social amam, são amadas e podem constituir relacionamentos amorosos bem ou mal sucedidos.

Quase todos os seres humanos possuem atrativos e encontram pessoas que gostem deles

As características mínimas que são necessárias para classificar um ser como humano já fazem que ele seja atraente e apreciado por algum outro ser humano.

Duas boas notícias: (1) quase todo mundo se casa. Existem estimativas que 92% das pessoas de todo o mundo se casam, usando essa palavra em seu sentido amplo (formar parcerias amorosas duradouras), pelo menos uma vez na vida. (2) Muitas dessas pessoas se casam com alguém que amam e por quem sentem atração sexual. Vamos examinar algumas evidências que sustentam essa segunda notícia.

Quando a forma de agir produz sentimentos e comportamentos

Qual é a causa e qual é o efeito: o amor produz os comportamentos que aparecem nos relacionamentos amorosos e sexuais ou estes dois tipos de relacionamentos produzem o amor? Provavelmente há uma relação bicausal entre esses fenômenos: tanto os sentimentos e pensamentos amorosos produzem os comportamentos amorosos, como relacionar-se de forma amorosa produz o amor.

Vamos examinar algumas evidências de que os comportamentos amorosos contribuem para a produção de sentimentos amorosos.

Existem muitos caminhos para o amor

O amor pode nascer através de vários caminhos: amor à primeira vista: é disparado pela aparência e jeito da pessoa (Eros); amor que nasce pela constatação de que o pretendente tem as características que queremos (Pragma); amor que nasce porque gostaríamos de atrair o pretendente, mas ele nos deixa inseguro sobre os seus sentimentos em relação a nós (Mania); amor que nasce devido aos cuidados que dedicamos ao parceiro (Ágape) e amor que nasce a partir de uma amizade (Estorge). Neste artigo, vamos nos concentrar neste último tipo de amor.

Evidências de que o amor pode nascer durante o convívio

O nascimento do amor durante os casamentos arranjados e durante o namoro são duas fortes evidências de que certos tipos de convívio pode produzir esse  sentimento.

O amor geralmente nasce nos casamentos arranjados. Os estudiosos desse tipo de casamento afirmam que grande parte dos cônjuges de casamentos arranjados acaba desenvolvendo um tipo de afeição ou de amor entre eles e que sentimento é semelhante, ou até superior, a aquele desenvolvido no casamento ocidental, onde os cônjuges se escolhem mutuamente.

Geralmente nos casamos e nos apaixonamos por pessoas que não eram as mais desejáveis quando o namoro foi iniciado. Perguntei para casados, se o parceiro era a pessoa mais desejada dentre aquelas do grupo de convívio na época que começou o namoro. Mais de 80% disseram que não. Perguntei, então, se o casamento se deu como uma espécie de conformismo, sem amar o parceiro. Elas disseram que não. Embora o parceiro não fosse o mais desejado, acabaram se apaixonando por ele!

O amor pode nascer durante o namoro. Um levantamento que fiz com pessoas que estavam namorando apresentou duas evidências interessantes: a grande maioria dos namorados consultados afirmou, na época da pesquisa, que estava apaixonada pelo parceiro. Cerca de metade deles, no entanto, também afirmou que não estava apaixonado no início do namoro. O amor nasceu, portanto, durante esse tipo de convívio.

É mais provável que o relacionamento amoroso entre conhecidos ou apresentados sejam iniciados e progridam para níveis mais altos de compromisso. Os relacionamentos que têm mais chance de serem iniciados são aqueles que foram iniciados entre pessoas que já se conheciam ou que foram apresentadas por um conhecido em comum. Um estudo que realizei indicou que 37% dos relacionamentos são iniciados entre pessoas que já se conheciam anteriormente (colegas de escola ou de trabalho, amigos, vizinhos, etc.) e 32% entre pessoas que foram apresentadas por amigos em comum (aparentemente a apresentação tranquiliza os apresentados sobre quem é o outro e facilita o vínculo entre eles).

Um amplo estudo americano verificou que é mais provável que o relacionamento entre pessoas que se já se conhecem ou que são apresentadas progrida para um maior estágio de compromisso do que os relacionamentos que se iniciam entre pessoas que não se conhecem e nem são apresentadas, como acontece, por exemplo, nas baladas.

O tipo de relacionamento que será formado depende do conteúdo do convívio

O tipo de relacionamento que vai surgir entre duas pessoas que convivem depende do que acontece entre elas durante esse convívio.

O convívio pode produzir diversos tipos de sentimentos e relacionamentos. Embora os mecanismos psicológicos que são acionados durante o convívio predisponham para um relacionamento positivo, esse tipo de relacionamento só acontecerá se determinadas condições forem cumpridas. Para que isso ocorra, por exemplo, as pessoas devem se mostrar simpáticas e leais entre si.

O tipo específico de relacionamento positivo que será desenvolvido depende do como são as pessoas e da forma como elas agem entre si a outra. Por exemplo, para que uma amizade seja despertada é necessário que as pessoas que estão se relacionado entre si não despertem, uma na outra, fortes sentimentos românticos e atração sexual. Caso o parceiro tenha atrativos para despertar o amor romântico ou sexual, acentue os sinais da sua aparência e de seus comportamentos que o identificam como  feminino ou masculino e flerte, tudo isso poderá despertar sentimentos amorosos e dar esperanças amorosas para o parceiro e o que será produzido por tudo isso será uma relação amorosa e não uma simples amizade.

Se as pessoas com as quais convivemos são hostis, indiferentes ou não receptivas para nós, isso ajuda a focalizar suas características que não são propícias para despertar a nossa amizade ou o nosso amor. Pelo contrário: poderá despertar a nossa antipatia e hostilidade.

A familiaridade pode aumentar a atração

A simples exposição mútua de duas pessoas através do convívio pode aumentar a atração, afeição e a confiança entre elas. Uma pesquisa verificou que quando vemos algumas vezes uma pessoa desconhecida ou a sua foto, isso já pode ser suficiente para que mudemos positivamente as nossas atitudes em relação a ela. Pessoas que foram vistas algumas vezes passam a ser mais tranquilizadoras e tendemos a ajudá-las em caso de necessidade do que alguém que nunca vimos.

O convívio oferece oportunidade para estabelecer vários tipos de laços

Um estudo internacional verificou que, no ocidente, a grande maioria das pessoas declara que não se casaria com alguém que não amasse, mesmo se essa pessoa tivesse tudo que ela gostaria em um cônjuge.

O mais relevante para a tese que estamos defendendo aqui é que a maior parte dos participantes dessa pesquisa também declarou que se deixasse de amar o parceiro durante o casamento, mesmo assim, não se separaria dele. Essa resposta indica que vários laços que dificultam a separação foram formados durante esse tipo de relacionamento. Esses laços acabaram se tornando suficientemente fortes para manter o relacionamento, mesmo na ausência do amor pelo parceiro. O convívio propicia as oportunidades e pressiona para que esses laços sejam formados.

Transmutação dos sentimentos amistosos em amor

É interessante observar que depois de certo tempo de convívio de natureza amorosa existe uma boa chance de acontecer uma espécie de transmutação daquilo que sentimos pelo parceiro. É essa transmutação que faz que percebamos que agora estamos amando o parceiro e não apenas que gostamos dele ou sentimos amizade por ele.

Alguns dos elementos que talvez precipitem essa transmutação ou que, no mínimo, permitem que percebamos que ela aconteceu, são os seguintes:

- Depois de um ponto crítico de afeto, confiança e comprometimento pelo parceiro, este recebe uma espécie de aceitação incondicional: damos um voto de confiança geral para ele. Quase tudo que ele faça ou deixe de fazer, será olhado com compreensão e simpatia. Mesmo quando ele erra, tendemos a ver o seu erro como menos grave e causado por motivos compreensíveis. Tendemos a ver o seu erro como algo que também poderíamos cometer.

- Distorção positiva da percepção das suas qualidades: tendemos a ver o parceiro como uma pessoa melhor do que ele é visto pelos seus próprios amigos. Trata-se de uma espécie de distorção positiva ou idealização da imagem que temos dele.

- Começamos a pensar mais no parceiro, sentir sua falta, sentir ciúme quando ele está em contato com pessoas que têm qualidades para se tornarem nossas possíveis rivais e disputarem conosco o seu amor.

Quando acontece esse tipo de transmutação, aquilo que era afeto, atração e compromisso se transforma em amor. Esse sentimento altera a nossa percepção da realidade e nosso estado de ânimo: quem está amando fica mais alegre, mais otimista; a vida fica mais convidativa; fazemos planos para conseguir coisas que tornem mais vibrantes e interessantes a nossa vida com o parceiro. Um novo cenário de vida mais interessante se descortina....estamos amando.

Resumindo

O convívio aumenta as chances que as pessoas desenvolvam sentimentos positivos entre si. Durante esse convívio, vários mecanismos psicológicos que provocam o apego entre aqueles que convivem podem ser acionados. A exposição repetida de uma uma pessoa para a outra geralmente gera atitudes positivas entre elas. O convívio propicia a oportunidade para que as pessoas desenvolvam vários tipos de vínculos e alianças que são compatíveis com um relacionamento amoroso entre elas e que impedem que esse tipo de relacionamento seja rompido com facilidade.

Problemas para atrair parceiros? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 08h18

22/06/2014

As mulheres ainda estão muito passivas nos inícios de relacionamentos amorosos

Uma pessoa é passiva quando permanecesse em uma situação que lhe é desconfortável porque deixa de usar ferramentas que estão ao seu alcance para lidar com ela.

Para você fazer uma ideia do seu grau de passividade no início e progresso de relacionamentos amorosos, responda às seguintes questões:

1- Você prefere ficar só ao invés de tomar iniciativas que revelem o seu interesse amoroso?

2- Você não sabe como mostrar interesse amoroso pelo parceiro?

3- Você não toma iniciativas de iniciar ou reiniciar contatos e sempre espera que o parceiro faça isso?

4- Você não sabe como flertar sutilmente (sem ser explícita), ao vivo e durante bate papos virtuais?

5- Você não sabe como instalar um clima amoroso e desviar-se de um clima neutro ou puramente amistoso?

6- Você não sabe como conduzir sutilmente a conversa para criar um clima romântico?

7- Você não sabe como conduzir sutilmente a conversa para produzir um clima erótico?

8- Você não percebe o momento certo para tomar medidas que façam progredir o relacionamento sem que essa progressão fique lenta ou rápida demais?

9- Você não sabe criar um contexto que induza o parceiro a apresentar um convite ou que o faça tomar medidas para fazer o relacionamento progredir?

10- Você prefere ficar só a correr o risco de tomar alguma iniciativa para fazer o relacionamento progredir e ser mal vista ou rejeitada por isso?

Quanto mais respostas afirmativas você apresentou para essas questões, mais passivo você é nos inícios de relacionamentos.

O que você vai ler neste artigo

Existem vários motivos para as dificuldades para iniciar e fazer progredir um relacionamento amoroso: falta de atrativos, timidez, baixa autoestima, ausência de intenções sérias dos parceiros, inabilidades para flertar, etc.

Neste artigo, vou apontar uma das dificuldades que é apresentada por mulheres que não conseguem iniciar e fazer progredir relacionamentos amorosos: elas podem ser muito fracas para tomar iniciativas ou para corresponder às iniciativas que são tomadas pelos seus pretendentes! Muitas delas morrem à míngua, mas se recusam a tomar iniciativas que revelem, de forma mais clara, seus interesses amorosos pelos parceiros. Quando pensam em tomar essas iniciativas, elas sentem que, ao agir assim, poderiam parecer “oferecidas”, “inadequadas” e “muito expostas”, aos próprios olhos, aos olhos do parceiro e aos olhos de outras pessoas. 

Roteiros inconscientes que controlam os relacionamentos amorosos

A nossa sociedade possui inúmeros roteiros (“scripts”) sobre as formas “apropriadas” de homens e mulheres se comportarem na área do relacionamento amoroso. Por exemplo, uma forma “ideal” de cortejamento é aquela onde o cavaleiro galante faz serenata sob a janela da donzela ou escala a trepadeira para chegar ao seu quarto. Você já viu algum filme onde uma mulher se põe a cantar sob a janela do amado ou escala trepadeiras para chegar ao seu quarto? Seria chocante ou hilário, não é? Pois bem, esses são alguns dos milhares de roteiros que existem nesta área, que são seguidos  inconscientemente por quase todo mundo e que, muitas vezes, limitam e prejudicam seus seguidores mais fiéis!

É o homem que deve convidar para sair na primeira vez?

Um estudo americano mostrou que, antigamente, a grande maioria das mulheres interessadas em sair com um homem esperaria que ele a convidasse. Caso não recebesse esse convite, ela não faria nada, mesmo se gostassem muito dele. Ela nem insinuaria e, muito menos, o convidaria para sair. Pois, estas duas últimas opções fariam que ela fosse vista e se visse como “oferecida”, “fácil”, “sem dignidade” ou coisa pior.

Na década de setenta foi constatada uma evolução nesta área: boa parte das mulheres, quando queria sair com alguém, insinuava que tinha esse desejo, como mostra a pesquisa cujo resumo apresento em seguida.

Esperar, insinuar ou convidar?

Uma pesquisa realizada por Muehlenhard e colaboradores nos EUA, na década de setenta, mostrou que a pior coisa que uma mulher poderia fazer é não fazer coisa alguma para verificar se uo seu interesse amoroso estava sendo correspondido (veja a citação deste artigo na Nota, no final desta postagem).

Esses pesquisadores perguntaram para 579 estudantes de um curso introdutório de psicologia (431 homens e 148 mulheres que tinham uma idade média de 19 anos) o que uma mulher deveria fazer, caso ela estivesse interessada em sair com um homem, mas este não a tivesse convidado. Nesta pesquisa foram oferecidas três alternativas de respostas: (1) convidar, (2) apresentar sinais de interesse em sair com ele e (3) esperar que ele tome a iniciativa de convidar.

Tanto os homens como as mulheres afirmaram que o melhor tipo de iniciativa que deveria ser tomado pelas mulheres nesta situação seria a apresentação de sinais de interesse em sair com o parceiro (69,2% deles e 62,7% delas aprovaram essa forma de agir). O segundo tipo de iniciativa, convidar o parceiro, foi fonte de divergência entre os dois sexos: apenas 2,7 das mulheres e 26,5% dos homens acharam que a melhor medida seria convidá-lo. Esta diferença nas percentagens contradiz a crença popular que afirma que os homens não querem que as mulheres tomem esse tipo de iniciativa. Pelo contrário, esses resultados indicam que uma percentagem muito maior de mulheres do que de homens acham inapropriado este tipo de iniciativa.

“Esperar” só recebeu apoio substancial por parte das mulheres: 34,7% delas apoiaram este tipo de inação, contra apenas 4,3% dos homens que também a apoiaram.

Esta pesquisa revelou que quase a totalidade dos homens apoiava algum tipo de iniciativa feminina para marcar encontros (manifestar interesse +  convidar = 95,7%). Embora a grande maioria das mulheres dessa pesquisa também tivesse apoiado algum tipo de iniciativa feminina (manifestar interesse + convidar = 65,4%), cerca de um terço delas ainda achavam que a melhor atitude da mulher seria, simplesmente, esperar a iniciativa masculina!

Já faz um bom tempo que essa pesquisa foi realizada. Além disso, ela foi realizada em outro país. No entanto, creio que ainda hoje, aqui no Brasil, a mulheres são bem mais passivas do que os homens para tomar medidas explícitas para iniciar relacionamentos amorosos. No entanto, elas são muito hábeis em criar situações que facilitem convites amorosos por parte dos homens. Também são hábeis para flertar, o que acaba estimulando e encorajando os homens a convidá-las.

Um estudo exploratório que realizei indicou que os homens aprovam as mulheres que tomam iniciativas amorosas, mas tendem a considerá-las “avançadinhas demais” e, provavelmente, mais “fáceis” para fins sexuais do que as mulheres mais “recatadas”.  Esta forma dos homens encararem este tipo de iniciativa feminina parece explicar porque elas hesitam em apresentar esse tipo de convite: elas não querem ser encaradas como “fáceis” ou como “objetos sexuais”.

Liberação das mulheres na área amorosa

As mulheres vêm se liberando na área amorosa. Elas não precisam mais casar virgens, pelo contrário, isso até é mal visto (Ufa! Até que enfim!), podem “ficar”, não se sentem tão mal quando transam no primeiro encontro, não são consideradas “defeituosas” quando se separam, etc.

Apesar de todos esses avanços, ainda persistem várias diferenças entre os padrões de comportamentos que são socialmente esperados da parte delas e da parte de nós homens: muitas delas ainda consideram como inadequado fazer sexo sem afeto, masturbar-se, tomar iniciativas sexuais no início do relacionamento,  abordar o parceiro após uma paquera à distância, fazer esforço para  agradar o parceiro no primeiro encontro, etc.

A maioria de nós homens sente que é nossa tarefa convidar a mulher para sair e que temos que trabalhar mais que ela para que o relacionamento seja iniciado e progrida. Como cerca da metade dos homens são tímidos, estes sofrem muito quando as mulheres assumem uma postura mais reservada e enigmática no início do relacionamento. Quando isso acontece, existe uma boa chance que eles interpretem tais reservas como rejeição e, por isso, desistam delas.

Algumas iniciativas e reações das mulheres que seriam bem vindas

Muitas mulheres apresentam sinais muito fracos de interesse no parceiro e na conversa e, por isso, perdem oportunidades de iniciar e fazer progredir relacionamentos amorosos.

As seguintes medidas ajudam a conversa a ficar animada e são bem vindas quando são apresentadas tanto por homens como por mulheres:

- Dar os primeiros passos para iniciar o primeiro contato.

- Mostrar receptividade às iniciativas de contato que foram tomadas pelo pretendente. Por exemplo, nas conversas que acontecem através de aplicativos que são usados para iniciar e fazer progredir relacionamentos:

- Responder as mensagens rapidamente.

- Apresentar respostas favoráveis e estimulantes ao que foi dito pelo pretendente.

- Responder aos “ganchos” de assuntos que são lançados pelo pretendente e apresentar “ganchos” para facilitar a continuidade da conversa.

- Não ser sempre a primeira a terminar a conversa.

- Apresentar instigações para próxima conversa.

- Apresentar instigações e insinuações que contribuam para o progresso do relacionamento.

- Mostrar interesse em conhecer pessoalmente o pretendente.

- Mostrar animação com a conversa e com o que o interlocutor disse.

- Apresentar feedback pessoal para aquilo que o interlocutor disse (dizer o que você sentiu e pensou sobre aquilo que o interlocutor disse).

Você não consegue tomar iniciativas para iniciar e fazer progredir um relacionamento amoroso? Procure a ajuda de um psicólogo.

Nota

Muehlenhard, C. L. et al (1986). Verbal and nonverbal cues that convey intereste in dating: Two studies. Behavior Therapy, 17, 404 - 419

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Por Ailton Amélio às 09h12

21/06/2014

As mulheres ainda estão muito passivas nos inícios de relacionamentos amorosos

Para você fazer uma ideia do seu grau de passividade para tomar medidas que contribuam para o início e progresso de relacionamentos amorosos, responda às seguintes questões:

1- Você prefere ficar só ao invés de tomar iniciativas que revelem o seu interesse amoroso?

2- Você não sabe como mostrar interesse amoroso pelo parceiro?

3- Você não toma iniciativas de iniciar ou reiniciar contatos e sempre espera que o parceiro faça isso?

4- Você não sabe como flertar sutilmente (sem ser explícita), ao vivo e durante bate papos virtuais?

5- Você não sabe como instalar um clima amoroso e desviar-se de um clima neutro ou puramente amistoso?

6- Você não sabe como conduzir sutilmente a conversa para criar um clima romântico?

7- Você não sabe como conduzir sutilmente a conversa para produzir um clima erótico?

8- Você não percebe o momento certo para tomar medidas que façam progredir o relacionamento sem que essa progressão fique lenta ou rápida demais?

9- Você não sabe criar um contexto que induza o parceiro a apresentar um convite ou que o faça tomar medidas para o relacionamento progredir?

10- Você prefere ficar só a correr o risco de tomar alguma iniciativa para fazer o relacionamento progredir e ser mal vista ou rejeitada por isso?

11- Você teme tomar alguma iniciativa amorosa e isso dar uma conotação sexual para o relacionamento?

Quanto mais respostas afirmativas você apresentou para essas questões, mais inerte você é nos inícios de relacionamentos.

O que você vai ler neste artigo

Existem vários motivos que explicam as dificuldades para iniciar e fazer progredir um relacionamento amoroso: falta de atrativos, timidez, baixa autoestima, ausência de intenções sérias dos parceiros, inabilidades para flertar, etc.

Neste artigo, vou apontar uma das dificuldades que são apresentadas por mulheres que não conseguem iniciar e fazer progredir este tipo de relacionamento: elas podem ser muito fracas para tomar iniciativas ou para corresponder a iniciativas que são tomadas pelos seus pretendentes! Muitas delas morrem à míngua, mas se recusam a tomar iniciativas que revelem, de forma mais clara, seus interesses amorosos pelos parceiros. Quando pensam em tomar essas iniciativas, elas sentem que, ao agir assim, poderiam parecer “oferecidas”, “inadequadas” e “muito expostas”, aos próprios olhos, aos olhos do parceiro e aos olhos de outras pessoas. 

Roteiros inconscientes que controlam os relacionamentos amorosos

A nossa sociedade possui inúmeros roteiros (“scripts”) sobre as formas “apropriadas” de homens e mulheres se comportarem na área do relacionamento amoroso. Por exemplo, uma forma “ideal” de cortejamento é aquela onde o cavaleiro galante faz serenata sob a janela da donzela ou escala a trepadeira para chegar ao seu quarto. Você já viu algum filme onde uma mulher se põe a cantar sob a janela do amado ou escala trepadeiras para chegar ao seu quarto? Seria chocante ou hilário, não é? Pois bem, esses são alguns dos milhares de roteiros que existem nesta área, que são seguidos  inconscientemente por quase todo mundo e que, muitas vezes, limitam e prejudicam seus seguidores mais fiéis!

É o homem que deve convidar para sair na primeira vez?

Um estudo americano mostrou que, antigamente, a grande maioria das mulheres interessadas em sair com um homem esperaria que ele a convidasse. Caso não recebesse esse convite, ela não faria nada, mesmo se gostassem muito dele. Ela nem insinuaria e, muito menos, o convidaria para sair. Pois, estas duas últimas opções fariam que ela fosse vista e se visse como “oferecida”, “fácil”, “sem dignidade” ou coisa pior.

Na década de setenta foi constatada uma evolução nesta área: boa parte das mulheres, quando queria sair com alguém, insinuava que tinha esse desejo, como mostra a pesquisa cujo resumo apresento em seguida.

Esperar, insinuar ou convidar?

Uma pesquisa realizada por Muehlenhard e colaboradores nos EUA, na década de setenta, mostrou que a pior coisa que uma mulher poderia fazer é não fazer coisa alguma para verificar se uo seu interesse amoroso estava sendo correspondido (veja a citação deste artigo na Nota, no final desta postagem).

Esses pesquisadores perguntaram para 579 estudantes de um curso introdutório de psicologia (431 homens e 148 mulheres que tinham uma idade média de 19 anos) o que uma mulher deveria fazer, caso ela estivesse interessada em sair com um homem, mas este não a tivesse convidado. Nesta pesquisa foram oferecidas três alternativas de respostas: (1) convidar, (2) apresentar sinais de interesse em sair com ele e (3) esperar que ele tome a iniciativa de convidar.

Tanto os homens como as mulheres afirmaram que o melhor tipo de iniciativa que deveria ser tomado pelas mulheres seria a apresentação de sinais de interesse em sair com o parceiro (69,2% deles e 62,7% delas aprovaram essa forma de agir). O segundo tipo de iniciativa, convidar o parceiro, foi fonte de divergência entre os dois sexos: apenas 2,7 das mulheres e 26,5% dos homens acharam que a melhor medida seria convidá-lo. Esta diferença nas percentagens contradiz a crença popular que afirma que os homens não querem que as mulheres tomem esse tipo de iniciativa. Pelo contrário, esses resultados indicam que uma percentagem muito maior de mulheres do que de homens acham inapropriado este tipo de iniciativa.

“Esperar” só recebeu apoio substancial por parte das mulheres: 34,7% delas apoiaram este tipo de inação, contra apenas 4,3% dos homens que também a apoiaram.

Esta pesquisa revelou que quase a totalidade dos homens apoiava algum tipo de iniciativa feminina para marcar encontros (manifestar interesse +  convidar = 95,7%). Embora a grande maioria das mulheres dessa pesquisa também tivesse apoiado algum tipo de iniciativa feminina (manifestar interesse + convidar = 65,4%), cerca de um terço delas ainda achavam que a melhor atitude da mulher seria, simplesmente, esperar a iniciativa masculina!

Já faz um bom tempo que essa pesquisa foi realizada. Além disso, ela foi realizada em outro país. No entanto, creio que ainda hoje, aqui no Brasil, a mulheres são bem mais passivas do que os homens para tomar medidas explícitas para iniciar relacionamentos amorosos. No entanto, elas são muito hábeis em criar situações que facilitem convites amorosos por parte dos homens. Também são hábeis para flertar, o que acaba estimulando e encorajando os homens a convidá-las.

Um estudo exploratório que realizei indicou que os homens aprovam as mulheres que tomam iniciativas amorosas, mas tendem a considerá-las “avançadinhas demais” e, provavelmente, mais “fáceis” para fins sexuais do que as mulheres mais “recatadas”.  Esta forma dos homens encararem este tipo de iniciativa feminina parece explicar porque elas hesitam em apresentar esse tipo de convite: elas não querem ser encaradas como “fáceis” ou como “objetos sexuais”.

Liberação das mulheres na área amorosa

As mulheres vêm se liberando na área amorosa. Elas não precisam mais casar virgens, pelo contrário, isso até é mal visto (Ufa! Até que enfim!), podem “ficar”, não se sentem tão mal quando transam no primeiro encontro, não são consideradas “defeituosas” quando se separam, etc.

Apesar de todos esses avanços, ainda persistem várias diferenças entre os padrões de comportamentos que são socialmente esperados da parte delas e por parte de nós homens: muitas delas ainda consideram como inadequado fazer sexo sem afeto, masturbar-se, tomar iniciativas sexuais no início do relacionamento,  abordar o parceiro após uma paquera à distância, fazer esforço para  agradar o parceiro no primeiro encontro, etc.

A maioria de nós homens sente que é sua tarefa convidar a mulher para sair e que ela tem que trabalhar mais para que o relacionamento seja iniciado e progrida. Como cerca da metade dos homens são tímidos, estes sofrem muito quando as mulheres assumem uma postura mais reservada e enigmática no início do relacionamento. Quando isso acontece, existe uma boa chance que eles interpretem tais reservas como rejeição e, por isso, desistam delas.

Algumas iniciativas e reações das mulheres que seriam bem vindas

Muitas mulheres apresentam sinais muito fracos de interesse no parceiro e na conversa e, por isso, perdem oportunidades de iniciar e fazer progredir relacionamentos amorosos.

As seguintes medidas ajudam a conversa a ficar animada e são bem vindas quando são apresentadas tanto por homens como por mulheres:

- Dar os primeiros passos para iniciar o primeiro contato.

- Mostrar receptividade às iniciativas de contato que foram tomadas pelo pretendente. Por exemplo, nas conversas que acontecem através de aplicativos que são usados para iniciar e fazer progredir relacionamentos:

- Responder as mensagens rapidamente.

- Apresentar respostas favoráveis e estimulantes ao que foi dito pelo pretendente.

- Responder aos “ganchos” de assuntos que são lançados pelo pretendente e apresentar “ganchos” para facilitar a continuidade da conversa.

- Não ser sempre a primeira a terminar a conversa.

- Apresentar instigações para próxima conversa.

- Apresentar instigações e insinuações que contribuam para o progresso do relacionamento.

- Mostrar interesse em conhecer pessoalmente o pretendente.

- Mostrar animação com a conversa e com o que o interlocutor disse.

- Apresentar feedback pessoal para aquilo que o interlocutor disse (dizer o que você sentiu e pensou sobre aquilo que o interlocutor disse).

Você não consegue tomar iniciativas para iniciar e fazer progredir um relacionamento amoroso? Procure a ajuda de um psicólogo.

Nota

Muehlenhard, C. L. et al (1986). Verbal and nonverbal cues that convey intereste in dating: Two studies. Behavior Therapy, 17, 404 - 419

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Por Ailton Amélio às 14h01

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.