Blog do Ailton Amélio

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15/05/2012

Você é um solteirão convicto e não sabe disso?

Você, no fundo do seu coração, se vê como alguém que poderia viver melhor “solteiro” (sem relacionamento amoroso fixo) do que “casado” (vivendo com alguém em um relacionamento amoroso fixo) ou imagina que estaria melhor em um tipo de relacionamento que combina aspectos desses dois primeiros tipos?

Recentemente Bella DePaulo, uma pesquisadora americana da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, autora de vários artigos e livros sobre solteiros convictos, vem apresentando relatos preliminares de uma pesquisa que está desenvolvendo com a finalidade de identificar as características de pessoas que se sentem melhor sozinhas na área amorosa ou sem uma companhia amorosa fixa (“solteiros convictos” ou “single at heart”) do que com esse tipo de companhia.

Nessa pesquisa, DePaulo, pediu para 1200 pessoas classificarem-se em uma das seguintes quatro categorias:

I- Identificado com os solteiros convictos

II - Muito identificado com os solteiros convictos

III- Pouco identificado com os solteiros convictos

IV- Não identificado com os solteiros convictos.

Essa pesquisadora também pediu para essas pessoas que respondessem às questões apresentadas abaixo. Essas questões ajudam a identificar essas quatro propensões para a solteirice convicta ou para o casamento (responda agora essas questões e veja quanto você se identifica com os solteiros convictos):

(1) Você é autossuficiente – você gosta de resolver os problemas e desafios sem pedir auxílio?

(a) Sim

(b) Não

 2 – Se você tivesse que escolher entre um trabalho significativo que não paga muito e um trabalho pouco inspirador que paga bastante, qual você escolheria?

(a) Trabalho significativo que não paga muito.

(b) Um trabalho pouco inspirador que paga bem.

3-  Você tem a sensação  de eficácia pessoal (personal mastery) – uma attitude do tipo “eu posso fazer qualquer coisa que eu decida fazer”?

(a) Sim

(b) Näo

4- Eu estava em um relacionamento amoroso que acabou e, por isso, me senti:

(a) Aliviado

 (b) Tristeza e dor.

5 - Quando penso em fazer uma grande mudança na minha vida, como iniciar uma nova carreira ou viajar por todo o país, prefiro:

(a) Tomar a decisão que é boa para mim, sem se preocupar com a aprovação do seu parceiro, ou se sua decisão se contraporia aos objetivos do parceiro.

 (b) Tomar uma decisão junto com meu parceiro, mesmo que isso signifique que não porei em prática a minha opção favorita.

6- Imagine que quando você vai dormir à noite, não há mais ninguém na cama com você ou que você pode ter pessoas diferentes em noites diferentes na sua cama. Como você se sentiria

(a) Ficaria bem com isso

(b) Você não gostaria disso

7 - Quando você penso em passar um tempo sozinho, o  pensamento vem à mente em primeiro lugar é o seguinte: 

(a) Ah, doce solidão!

(b) Oh, não, eu não estar sozinho!

8- Quando penso em procurar um parceiro romântico para um relacionamento duradouro:

(a) Sinto que é algo que "deveria" fazer, mas isso não é realmente tudo o que interessa na vida.

(b) O processo pode ou não pode ser emocionante e divertido, mas um bom resultado seria ótimo!

9- Quando tenho algum contratempo menor, como ter um para lama do meu carro amassado em uma pequeno acidente, sinto que:                                         

(a) Ficaria aliviado por não ter que explicar para a outra pessoa

(b) Gostaria de ter um parceiro para ir para casa e contar tudo sobre ele.

10- Muitos casais esperam que em certas ocasiões, cada um dos cônjuges funcione apenas como companhia. Em relação a isso, sinto que:

(a) Prefiro ter mais opções, às vezes participando sozinho dos meus próprios eventos, às vezes com outras pessoas, e às vezes apenas ficando em casa quando o evento não me interessar.

(b) Fico confortável em ter uma pessoa na minha vida para a qual me sinto obrigado a servir como companhia quando ela quiser ir a algum lugar que eu preferiria não comparecer.

11- Quando estou a permitir-me uma indulgência favorita, como comer  “porcarias” ( junk food) ou assistir um programa bobo de televisão:

(a) Sinto-me encantado quando posso fazer exatamente o que quero, sem ninguém por perto.

(b) Prefiro um cônjuge ao meu lado, seja para participar comigo dessas pequenas transgressões, seja para me ajudar a evitá-las.

12. Quando quero buscar metas grandiosas, como comer direito, fazer muita ginástica ou ler livros inspiradores prefiro....

 Alternativas de resposta:

(a) Tentar realizar esses planos por conta própria ou com a ajuda de amigos.

(b) Ter um parceiro para perseguir esses planos junto comigo, ou fornecer uma desculpa para que eu faca outra coisa.

13. Quando estou em um relacionamento romântico e ele termina, sinto:

Alternativas de resposta:

(a) Tristeza e dor

(b) Talvez sinta alguma dor, mas também me sento aliviado. O pensamento de estar livre de novo me enche de alegria.

 

Avaliação

Quanto mais vezes você optou pela alternativa (a) para responder essas questões, mais você se identifica com os solteiröes/solteironas convictos.

Observações

Neste artigo, adaptei e simplifiquei bastante as questões usadas na pesquisa de DePaulo. Caso você queira ter uma ideia mais precisa dessa pesquisa e das suas propensões para a solteirice convicta leia o artigo dessa autora:

DePaulo, B. What Does It Mean to Be Single at Heart?

http://www.psychologytoday.com/blog/living-single/201003/are-you-single-heart (acessado em 15/05/2012).

 

RESPONDA A NOSSA PESQUISA SOBRE OS CAMINHOS PARA INICIAR RELACIONAMENTOS AMOROSOS


UFPR - Dep. de Psicologia, Núcleo de Análise do Comportamento (NAC) e Instituto de Psicologia da USP

Quem tem ou teve um relacionamento amoroso, por favor, responda nossa pesquisa!! Participem para podermos entender a "seleção de parceiros amorosos", é totalmente anônima e cai em uma banco de dados... :)

Basta clicar no link e participar!!
https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dEZMUjNRTXdkTjBoREtub0sycU41anc6MQ 

 

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Por Ailton Amélio às 17h12

08/05/2012

Medidas para superar uma traição e salvar o relacionamento

A traição amorosa é cada vez mais comum. As estatísticas vêm mostrando que as mulheres, que antes traiam menos do que os homens, agora se igualando a eles nesta “proeza”.

Existem diversos motivos para esse aumento na incidência de traições: liberação sexual, aumento na facilidade para terminar relacionamentos e o fato de homens e mulheres trabalharem juntos, o que gera muitas oportunidades de envolvimento e traição.

Devido a esse aumento na incidência de traições, é cada vez mais provável que ela aconteça em relacionamentos duradouros: ela poderá acontecer com um ou com ambos os parceiros. Muitas vezes, no entanto, quem trai e quem é traído não estão dispostos a terminar esse relacionamento. Isso acontece principalmente quando o relacionamento já existe há muito tempo e as vidas dos parceiros estão interligadas de muitas formas.


Descoberta da traição

Você traiu e foi pego ou confessou a traição. Esse fato causou um tremendo impacto na sua parceira e, agora, o seu relacionamento com ela pode terminar. Você não quer isso e está disposto a fazer o que for possível para salvá-lo.  Vamos examinar neste artigo algumas medidas que podem ser tomadas por quem traiu e por quem foi traído que aumentam as chances do relacionamento sobreviver à traição e voltar a ter um bom nível de qualidade.


Medidas para tentar salvar o relacionamento

Vamos apresentar em seguida algumas medidas que foram usadas com sucesso para recuperar seus relacionamentos por pessoas que traíram ou que foram traídas e que foram atendidas no meu consultório.


Mostrar que a traição cessou

Esta é uma grande preocupação de quem acaba de saber de uma traição: ela continua ou terminou? Muita gente exige provas e ações que comprovem o seu termino: ligar para a outra pessoa na frente e destratá-la, despedi-la quando é uma subordinada, denunciá-la para o marido quando é casada, etc.

Quem traiu vai ter que tomar algumas dessas medidas. Por outro lado, quem traiu tem que evitar fazer algo mais grave que está sendo exigido pelo traído porque este está com a percepção alterada pelo calor das emoções.


Colocar-se à disposição para que o traído cheque a interrupção da traição

É natural que o traído perca a confiança em quem o traiu. Esse é um dos maiores problemas que surgem no período que se segue à descoberta da traição. Como o traído perde a confiança no traidor, todos os tipos de relacionamento, envolvimento e comprometimento que dependem dessa confiança ficam abalados.  

Essa perda da confiança torna suspeita todas as ações e inações por parte de quem traiu: tudo que é feito ou que deixa de ser feito por essa pessoa pode ser visto como evidência de que a traição continua a ocorrer.

Uma das medidas mais importantes para ajudar o traído a superar as suas desconfianças é convidá-lo a checar, sempre que tiver dúvidas, todo aquilo que o traidor anda fazendo.  Quem traiu, por exemplo, pode convidar o traído para “dar incertas”: sem avisar, aparecer no local de trabalho, ir até o local do happy hour onde ele se encontra, conferir as suas ligações telefônicas e e-mails.

Muita gente que traiu se sente muito incomodada com esse tipo de checagem. Infelizmente, esse é um dos preços a pagar pela traição. Essa permissão é temporária e só dura até a pessoa  traída conseguir ultrapassar fase aguda da insegurança que é causada pela traição.

Além disso, quando esse tipo de permissão é concedido, geralmente o traído não fará uso dela ou fará pouco uso. Só o fato de poder checar já é muito tranquilizador.


Mostrar que a traição foi circunstancial ou justificada

Quem foi traído pode ser perdoado, mas a sua imagem ficou alterada. O traidor agora é visto como alguém que é capaz de trair. Isso só pode ser atenuado quando fica demonstrado que a traição foi algo excepcional e bastante justificável pelas circunstâncias onde ela ocorreu: quem traiu estava bêbado, foi seduzido, foi coagido, o relacionamento estava muito mau, o parceiro traído estava negando sexo há muito tempo, etc.


Atenuar a importância da terceira pessoa envolvida na traição  

Ajuda muito quando o homem apresenta evidências de que a pessoa com quem ele traiu não significa quase nada para ele e que “foi só sexo”. Ajuda muito quando a mulher alega que traiu porque o marido a estava tratando mal e que o sexo com a outra pessoa foi péssimo e que ela está muito arrependida e decepcionada com o amante.


Ouvir pacientemente o traído

Uma das medidas que ajuda a aliviar a dor provocada pela traição em quem foi traído é ouvir a pessoa traída sempre que ela tiver necessidade de falar e remoer o acontecimento. Essa necessidade vai aparecer muitas vezes.

A melhor maneira de ouvir é mostrar interesse pelo que o traído está sentindo e pensando, mostrar solidariedade com a sua dor e pesar por tê-la causado, reconhecer a culpa e mostrar que está ciente da bobagem que fez.


Evitar informações muito detalhadas sobre a traição

Certo grau de informação sobre o que se passou é necessário para ajudar que quem foi traído a entender e avaliar o ocorrido e certificar-se que as condições que levaram à traição não continuam presentes. No entanto, não é bom esmiuçar muito os muitos detalhes da traição. Quem foi traído pode ficar obcecado por esse tipo de informação. No entanto, tomar conhecimento dos detalhes só contribuem para ampliar a sua gravidade e podem marcar a imaginação de quem foi traído.


Cinco por um

Diversos autores afirmam que a qualidade de um relacionamento depende da proporção entre coisas boas e ruins que cada parceiro leva para o outro. John Gottman, por exemplo, afirma que um relacionamento que deixa os parceiros satisfeitos é aquele onde cada um produz para o outro cinco unidades de coisas boas para cada unidade de coisa ruim. Agora que o traidor levou um caminhão de coisas ruins para o traído por ter feito isso, é hora dele caprichar nas coisas boas para, pelo menos, mostrar que está empenhado em manter o relacionamento e diminuir o sofrimento daquele que foi traído. Existem mil formas de levar coisas boas para o parceiro. Nada mais importante, no entanto, do que se importar com aquilo que ele pensa, validar o que ele pensa e ajudá-lo em tarefas e a aliviar os problemas que ele está tendo devido ao transtorno psicológico causado pela traição.


Cooperar para a recomposição da estrutura psicológica do traído

A traição pode fazer faltar o chão sob os pés do traído: todo aquilo que o fazia sentir-se seguro e que dependia da vida com o parceiro fica abalado. Quanto da vida de duas pessoas que têm um relacionamento entre si varia muito indo desde algumas esperanças e uma paixão no início até um entrelaçamento de identidades, vida econômica, compartilhamento de relacionamentos, filhos em comum, planos para o futuro.

A traição pode abalar tudo isso. Algumas medidas que podem amenizar esse abalo:

- Garantir que não pensa em terminar o relacionamento.

- Fazer planos para o futuro com o traído.

- Tomar medidas que demonstrem que continuam juntos

- Apresentar demonstrações repetidas que ama quem foi traído: aumentar o romantismo, apresentar declarações, oferecer flores, olhar nos olhos, etc


Reparação de danos à autoestima

Uma das primeiras coisas que preocupa quem descobre uma traição é saber quem é o rival e se ele representa uma ameaça para a autoestima. A comparação com o rival é automática: “ O que ele tem que eu não tenho”. As apreensões são atenuadas quando existem evidências de que o motivo da traição não foi a atração pelo pelos atributos mais nobres do parceiro e, sim, que ela foi causada pelo mau estado do relacionamento com o parceiro traído (o sexo era muito raro e de má qualidade, estava tratando mal a parceira, etc.) ou que a atração pelo rival é apenas físicas ou ainda que circunstâncias fortuitas tiveram uma boa parcela de responsabilidade pela traição (bebida, oferta da outra, viagem a sós com ela, etc. 

Você não  está conseguindo superar uma traição e, por isso, pode perder o seu relacionamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

Um psicólogo especializado neste tipo de problema poderá ajudar você a: 

- Avaliar se realmente está ocorrendo uma traição

- Se vale a pena manter o relacionamento com o parceiro que traiu

- Caso decida manter esse relacionamento, como recuperar o mais brevemente possível boa parte da sua qualidade

- Como diminuir as chances que ocorram outras traiçöes 

- Se for o caso, como terminar o relacionamento e recuperar-se o mais brevemente possível

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Por Ailton Amélio às 12h32

05/05/2012

Intimidade e cumplicidade: elementos primordiais dos relacionamentos pessoais

Um casal está discutindo:

- Eu faço tudo por você: ajudo você em casa; você tem o melhor carro da família; faço questão que você se vista muito bem, more bem e coma do bom e do melhor; vou buscar você onde quer que esteja e em qualquer hora; sempre viajamos para onde você quer...

- Você realmente faz tudo isso! No entanto, você não gosta de conversar comigo e não me apoia. Sempre que estamos juntos você está fazendo outra coisa: mexendo no computador, assistindo TV, dando mais atenção para os seus amigos do que para mim... Acho que você não valoriza o que penso e não se interessa pelos meus sentimentos. Você não me conhece mais e não está interessado em saber as coisas que valorizo e que me preocupam. Só cuidar do meu bem estar físico e do meu conforto material não é suficiente. Quero alguém que me valorize como pessoa!


Diálogos com conteúdos semelhantes a esse podem ser facilmente observados entre pessoas que têm entre si relacionamentos que prevêm um bom grau de intimidade (casamento, pais e filhos, amigos), mas, nos quais, um dos participantes só está oferecendo cuidados materiais e quase nada de cumplicidade. Por exemplo, esse tipo de diálogo acontece frequentemente entre pais e filhos, quando os pais se enfiam no trabalho e tentam compensar suas ausências com presentes caros, boas escolas, roupas e viagens para locais badalados. Nada disso substitui o relacionamento pessoal, as conversas animadas, o interesse, o respeito e o apoio para outra pessoa e  pelo que ela está sentindo e pensando. Muita gente tenta oferecer compensações para tentar reparar a falta de intimidade onde ela deveria existir!


Intimidade nas ligações telefônicas e mensagens de texto

Acabou de sair uma pesquisa que analisou as ligações telefônicas e mensagens enviadas no dia a dia por alguns milhões de homens e mulheres de diferentes idades. Essa pesquisa foi realizada por Vasil Palchykov, da Aalto University School of Science (Finlândia) e colaboradores1. Esses autores examinaram alguns milhões de ligações telefônicas e mensagens de texto e encontraram evidências que indicam que são as mulheres que determinam mais fortemente o início e o andamento dos relacionamentos pessoais. Esse estudo também verificou que as mulheres, durante seus períodos reprodutivos, trocam mensagen e telefonemas principalmente com pessoas do sexo oposto (“primeiro amigo”) e, em menor escala, com pessoas do mesmo sexo (“segundo”, “terceiro”...amigos). Quando elas vão saindo de seus períodos reprodutivos, depois dos quarenta anos, essas mensagens vão sendo cada vez mais dirigidas para pessoas do mesmo sexo, provavelmente para as suas filhas, que já estão começando a ter seus filhos. Estas variações mostrariam, segundo esses autores, a função adaptiva desse tipo de investimento no relacionamento. Os autores dessa pesquisa citam outros estudos que indicam que as frequências dessas ligações e mensagens são correlacionadas com as intensidades da intimidade que existe entre as pessoas que as enviam e as recebem. Esses autores, no entanto, não analisaram os conteúdos dessas comunicações, ou seja, a natureza dessas “intimidades”.

Neste artigo vamos examinar a natureza dos relacionamentos íntimos e a importância desse tipo de relacionamento para os indivíduos e para a manutenção e desenvolvimento dos relacionamentos pessoais.


Três ingredientes do amor

Segundo a teoria triangular de Robert Sterneberg2, o amor é constituído por três ingredientes: intimidadepaixão (romântica e sexual) e compromisso. A intimidade é o tema desse artigo e o seu conceito é apresentado mais detalhadamente nos outros parágrafos. A paixão se subdivide em dois tipos: a romântica (olhar nos olhos prolongadamente, trocar juras de amor, ouvir a “música tema do casal” e se emocionar, ligar várias vezes por dia só para dizer que estava pensando no outro e para ouvir a sua voz) e a sexual (quanto deseja sexualmente o parceiro, quanto anseia por transar com ele, quão boa é a relação sexual com ele). Compromisso: quão determinado está para permanecer com o parceiro, quão determinado está para lutar contra as ameaças à estabilidade do relacionamento, quanto sente que pode contar com o parceiro “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”...

O termo intimidade é usado na literatura dessa área com quatro sentidos diferentes: (1) intimidade cognitiva (prazer e fluência para trocar idéias com o parceiro sobre diversos assuntos como política, futebol, música, etc.), intimidade experiencial (entrosamento para realizar coisas juntos: participar de jogos em equipe, dançar, etc.), (3) intimidade física ou sexual (bom entrosamento para trocar carinhos físicos e nas práticas sexuais) e (4) intimidade emocional ou cumplicidade (cumplicidade para conversar, apoiar, aceitar). Neste artigo, vou usar este termo apenas neste último sentido.


Casais que perderam a intimidade

Quando atendo casais no meu consultório, costumo pegar três almofadas e monto um triângulo com elas. Digo ao casal que cada uma delas representa um dos três ingredientes do amor. Peço então para um cônjuges que dê uma nota, de zero a cem, para o quanto oferece de cada um desses ingredientes para o outro e, em seguida, que dê uma nota para o quanto recebe de cada um deles por parte do parceiro. Peço então para o outro cônjuge fazer o mesmo.

Através desse exercício é possível fazer uma ideia do estado do relacionamento entre o casal e do seu conteúdo amoroso. Todas as possibilidades de combinações de intensidades desses três ingredientes são observadas: alguns casais quase não têm intimidade entre si. Outros não possuem paixão; outros estão sentindo um grau muito pequeno de compromisso e pensando em terminar o relacionamento. Frequentemente também observo relações assimétricas: um dos cônjuges oferece mais um dos ingredientes do que os outros dois e também pode oferecê-lo mais do que recebe por parte do parceiro. Por exemplo, a esposa ouve e apoia o marido, mas esse não se interessa pelo que se passa com ela. A paixão sexual também é frequentemente assimétrica: o homem quer sexo com a mulher, mas essa quase não o deseja mais porque ele não lhe oferece cumplicidade e romance.

Tipicamente, quando um relacionamento amoroso começa, o grau de intimidade é pequeno. Em seguida, a intimidade pode ir crescendo e demora um tempo para atingir um bom nível. Ai ela se estabiliza por um período. Passado mais um tempo, infelizmente, ela começa a decrescer. Quando ela fica pequena, claro que o casal pode continuar a conversar sobre “coisas importantes”. No entanto, no dia a dia, os cônjuges deixam de comunicar para um para o outro boa parte daquilo que estão sentindo e pensando. Isso provoca um distanciamento do casal, o que acaba afetando o romantismo e o sexo. Perceber que o outro não “se abre mais” e não “se interessa pelo que se passa comigo” causa ressentimentos, hostilidades e acaba afetando o romatismo e o desejo sexual específico pelo parceiro (o desejo por outras pessoas pode continuar presente), principalmente por parte da mulher (“Ele só quer me usar”).


Elementos da intimidade

Para haver intimidade é necessário haver amor entre os parceiros. Só há intimidade entre pessoas que se gostam e sentem que serão amadas, independentemente do que fizerem e disserem, embora o parceiro possa discordar de aspectos específicos das suas acões e idéias. Além disso, deve haver respeito, diálogo, transparência, vulnerabilidade e reciprocidade entre os parceiros. Também é necessário haver um bom grau de independência entre eles. A dependência excessiva gera uma espécie de simbiose e pode produzir mais efeitos negativos do que positivos.


Efeitos da intimidade

As pessoas que possem relações íntimas são mais saudáveis fisicamente e psicologicamente. As pessoas que têm relacionamentos íntimos ficam menos doentes e, quando ficam, permanecem hospitalizadas por menos tempo.Existem evidências que indicam que essas pessoas são mais felizes, sentem-se menos solitárias, e têm melhores relacionamentos com seus filhos, menores taxas de suicídio e vivem mais tempo. Os filhos dessas pessoas têm mais saúde psicológica, menos problemas comportamentais e menores taxas de vícios em drogas e relacionamentos íntimos mais bem sucedidos na vida adulta. Além disso, a intimidade é a cola interna e o estofo dos relacionamentos pessoais.


A intimidade é a cola interna e o estofo dos relacionamentos pessoais

As pessoas que participam de relacionamentos estão “coladas” entre si externa e internamente. A cola externa é constituída pelos fatores externos aos indivíduos que os mantêm atados a outros indivíduos com os quais compartilham interesses e objetivos que exigem, para que sejam atingidos, a coordenação de esforços de suas partes . Por exemplo, em muitos casamentos, os principais fatores externos que mantêm a união são os filhos, as vantagens econômicas e o compartilhamento de um network que poderia se deteriorar em caso de separação.

Outro exemplo. Muitos relacionamentos são estabelecidos e mantidos sem que os participantes se envolvam muito pessoalmente. Isso acontece principalmente quando os participantes se juntam por um motivo externo (trabalham juntos, estão cooperando para realizar uma tarefa e para alcançar objetivos em comum, como ganhar um jogo, organizar um evento, realizar uma tarefa que exige cooperação).

Os fatores internos aos indivíduos que contribuem para a manutenção da união entre eles são de natureza psicológica e podem ser divididos em negativos e positivos. Muitos dos negativos são os medos como, por exemplo, medo de ficar só e o medo da insegurança econômica decorrente de uma separação. Outros fatores negativos são a dor do afastamento de entes queridos (por exemplo, na separação muitos homens perdem boa parte do convívio com os filhos, que geralmente ficam com a mãe), a dor por provocar sofrimento naqueles que serão diretamente afetados pela separação, principalmente os filhos. Alguns dos fatores positivos que contribuem para o apego entre parceiros são os seguintes: gostar da companhia do parceiro, gostar de conversar com ele e a sensação de pertencimento social proporcionada pelo vínculo com ele.

Você está com dificuldade para estabelecer relacionamentos íntimos? Procure a ajuda de um psicólogo.

Notas

1- Palchykov, V. et al. Sex differences in intimate relationships:

http://www.nature.com/srep/2012/120419/srep00370/full/srep00370.html (Acessado em 29/04/2012)

2- Sternberg, R. J. (1988). Triangulating love. Em R. Sternberg and M. L. Barnes (Editors): The Psychology of Love. Birghamton, Yale University Press.  (Capítulo 6).

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Por Ailton Amélio às 11h54

24/04/2012

As mulheres são mais exigentes para aceitar sexo casual

Todo mundo já está cansado de ouvir que os homens procuram mais sexo casual do que as mulheres. No entanto, os motivos para essa diferença sempre foram objeto de polêmica. Vamos rever neste artigo um estudo intercultural que confirmou essa diferença e mais dois estudos que indicam duas das suas causas: (1) as mulheres recusam mais sexo casual porque são mais exigentes para escolher os parceiros e (2) após esse tipo de sexo, elas têm mais chance de sentirem-se desconfortáveis do que eles.


O estudo clássico de Clark III e Hatfild sobre aceitação de convites amorosos

Em 1989, Russell D. Clark III e Elaine Hatfield1 publicaram um artigo sobre as percentagens de aceitação de três tipos de convites amorosos apresentados para desconhecidos no campus de uma universidade americana.

Nesta pesquisa, estudantes universitários formularam convites para colegas desconhecidos do sexo oposto que encontravam nas dependências desta universidade. Estes estudantes foram instruídos para só abordarem colegas que achassem atraentes, com os quais estariam inclinados a dormir, caso houvesse condições apropriadas.

Ao abordar os colegas, os estudantes, faziam uma breve introdução ("Já notei você anteriormente aqui no campus. Acho você muito atraente”) e apresentavam um dos seguintes convites:

- Convite para um encontro: aceito por 50% dos homens e 53% das mulheres

- Convite para ir ao apartamento: aceito por 69% dos homens e 3% das mulheres

- Convite para dormir juntos: aceito por 72% dos homens e 0% das mulheres.


Motivos das diferenças entre homens e mulheres

As mulheres são mais exigentes

 Kenrick e colaboradores (1990)2 pediram que homens e mulheres avaliassem a quantidade mínima de vinte e uma qualidades (inteligência, beleza, sociabilidade, etc.) que exigiriam de um parceiro para cada uma das seguintes cinco finalidades: encontro, sexo casual, namorar, noivar e casar. Esses pesquisadores verificaram que as mulheres eram mais exigentes do que os homens para relacionamentos amorosos que tinham baixo grau de compromisso (encontro, sexo casual), mas os graus de exigência entre os dois sexos ia se tornando maiores e mais semelhantes à medida que o grau de compromisso ia aumentando (noivar, casar). Para o casamento, os graus de exigência dos dois sexos era muito semelhantes.

Este estudo mostrou que as mulheres que aceitam sexo casual são mais exigentes do que os homens em muitas qualidades. Esse, portanto, é um dos motivos pelos quais as mulheres aceitam sexo casual muito mais raramente do que os homens.


As mulheres dão mais importância para a atração do parceiro como critério para aceitar sexo casual

Mais recentemente (2009), Dr. Achim Schützwohl3, pesquisador da Universidade de Brunel (Reino Unido) e colaboradores pediram para estudantes italianos, americanos e alemães que imaginassem que estavam recebendo os mesmos três convites estudados na pesquisa acima. Pediram também que esses estudantes imaginassem que cada um desses convites estava sendo apresentado por três pessoas  do sexo aposto que possuíam diferentes graus de atração: “levemente não atraente”, moderadamente atraente” e “excepcionalmente atraente”. Após cada um desses convites, os estudantes avaliaram a probabilidade de aceitá-lo.

Este estudo confirmou os estereótipos bem conhecidos sobre a aceitação de sexo casual por parte de homens e mulheres: de um modo geral, os homens afirmaram que aceitariam mais sexo casual do que as mulheres.

Os resultados deste estudo mostraram também que a probabilidade das mulheres aceitarem esses convites era maior quando o homem era excepcionalmente atraente do que quando ele era ligeiramente pouco atraente ou moderadamente atraente.

Os homens eram um pouco mais propensos a aceitar os convites para ir para a cama quando quem convidava era moderadamente atraente ou excepcionalmente atraente do que quando essa pessoa era ligeiramente não atraente. No entanto, não fazia diferença se quem convidava era ligeiramente ou excepcionalmente atraente.

Os alemães foram os menos propensos a aceitar o convite para sair e para ir ao apartamento do que americanos e italianos. Os alemães também foram menos propensos a aceitar o convite para ir para a cama do que os americanos. Era mais provável que os italianos aceitassem o convite para ir para a cama com o desconhecido do que os americanos.


As mulheres sentem-se mal no dia seguinte

Um estudo realizado por Professora Anne Campbell, da Durham University, apresentou evidências de que as mulheres praticam sexo casual mais raramente porque elas têm mais chances de sentirem-se desconfortáveis no dia seguinte do que os homens.

Essa professora,  em uma pesquisa realizada através da internet, pediu para 1743 homens e mulheres que há haviam praticado sexo casual que avaliassem os seus sentimentos positivos e negativos que estavam presentes na manhã seguinte a esse acontecimento.

No dia seguinte, os sentimentos das mulheres eram mais negativos do que os homens. Oitenta por cento dos homens e 54% tinham sentimentos gerais positivos sobre essa experiência.

Os homens também relataram maior satisfação sexual após o evento, bem como uma maior sensação de bem-estar e confiança em si mesmo. As mulheres se sentiam usadas.

Esses estudos indicam, portanto, que as mulheres praticam menos sexo casual porque: (1) são mais exigentes do que os homens para escolher parceiros para essa finalidade e (2) têm mais chance do que eles de sentirem-se mal depois que praticam esse tipo de sexo.

 Notas

1. Clark, Russell D., Hatfield, Elaine (1989). Gender differences in receptivity to sexual offers. Journal of Psychology & Human Sexuality, 2, 39-55.

2- Kenrick, D. T., Sadalla, E. K., Groth, G. & Trost, M. R. (1990). Evolution, traits and the stage of human: Qualifying the parental investment model. Journal Personality and Social Psychology, 58(1), 97-116.   

3-  Veja os comentários de Nick Nauert sobre essa pesquisa:" Venus and Mars on One-Night Stands":  http://psychcentral.com/news/2009/08/12/venus-and-mars-on-one-night-stands/7697.html (acessado em 24/04/2012).

4- Veja os comentários de Rick Naubert sobre essa pesquisa "Gender Difference on Sexual Encouters"  : http://psychcentral.com/news/2008/06/26/gender-difference-on-sexual-encounters/2509.html (acessado em 24/04/2012).

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Por Ailton Amélio às 12h20

17/04/2012

Quando o sexo entre amigos beneficia a amizade

Recentemente li na internet dois artigos muito interessantes, publicados na revista Psychology Today, escritos por Heidi Reeder, professora de comunicação da Boise State University (Idaho, EUA).

No primeiro deles1, Reeder entrevistou diversas pessoas sobre suas amizades com parceiros do sexo oposto. Com base nestas entrevistas, essa autora classificou as amizades em quatro grupos e apresentou as percentagens de pessoas que já haviam experimentado cada uma delas (cada entrevistado podia ter experimentado mais que um tipo de amizade. Por isso, a soma das percentagens excede os 100%).

Esses quatro tipos de amizade são os seguintes:

1- Atração amistosa: você gosta da pessoa e de estar com ela. Não há sentimentos românticos nem desejo sexual por ela. Esse é o mesmo tipo de amizade que heterossexuais sentem por amigos do mesmo sexo. É o tipo mais frequente de amizade intersexual: 96% das pessoas afirmaram que possuíam esse tipo  de amizade. Dentre estas pessoas, mais de 2/3 afirmaram que esta amizade estava se intensificando com o tempo.

2- Atração romântica. Aquele que sente a atração romântica gostaria de transformar a amizade em namoro. 14% das pessoas declararam ter sentimentos românticos pelo amigo. A atração romântica tende a diminuir com o tempo. Quando ela é unilateral e a parte que não tem esse tipo  de atração pelo amigo descobre os sentimentos deste, ela pode querer esfriar o relacionamento com este. 

3- Atração subjetiva física/sexual. Sentir atração sexual pelo amigo e, talvez, querer fazer sexo com ele. Quase um terço dos entrevistados já sentiu esse tipo de atração pelo amigo. É mais provável que esse tipo de atração diminua (30%) do que aumente com o tempo de amizade (20%).

4- Atração objetiva física sexual. Há o reconhecimento de que o amigo deve ser atraente para os outros, mas não para si (“Eu posso entender que outras pessoas achem o meu amigo fisicamente atraente”). Esse tipo de atração já foi experimentado por mais da metade das pessoas.

No outro artigo2, essa mesma autora entrevistou cerca de 300 pessoas. Dessas, 20% dos homens e mulheres revelaram que já haviam transado com um amigo, pelo menos uma vez na vida. Dentre esses que já haviam transado, 76% afirmaram que o relacionamento ficou melhor após o sexo. Metade destas pessoas começou a namorar o amigo. A outra metade afirmou que a ligação com o amigo melhorou.

Reeder confessa a sua surpresa com este ultimo resultado, uma vez que, antes dessa pesquisa, ela acreditava que o sexo entre amigos estragava a amizade.

A nossa cultura está preparada para que o sexo entre amigos vire rotina?

Pois bem, como se diz por ai, os costumes evoluíram muito recentemente: as mulheres podem ter alguns parceiros sexuais antes do casamento, podem praticar sexo casual de vez em quando, é aconselhável que tenham alguns namorados antes de se casarem e falam livremente de suas práticas sexuais.

Com todos esses avanços, estaríamos preparados para dar mais um passo, a adoção generalizada da “amizade com benefícios” ou “amizade colorida”?

Creio que a amizade com benefícios seria muito bem vinda para a maioria dos homens e mulheres. No entanto, creio também que as mulheres teriam mais temores ou desconfortos para implementar essa ideia. Um dos motivos dessa dificuldade é a discriminação sexual que elas sempre sofreram e que vêm sofrendo, embora recentemente tenha sido amenizada. O outro motivo é biológico: na nossa história evolutiva, o sexo sempre teve maiores consequências para elas do que para nós: a gravidez e todas as suas implicações. Por isso, elas ficaram mais criteriosas para aceitar sexo fora de um relacionamento conjugal. Creio, no entanto, que essa restrição possa ser superada através do preparo psicológico (por exemplo, as mulheres foram preparadas para ir ao ginecologista sem se sentirem violadas pelo exame ginecológico).

Quando o sexo beneficia ou prejudica a amizade?

Embora sejam necessárias pesquisas para responder com mais segurança à pergunta acima, creio que:

- Sexo entre amigos faz bem para a amizade quando: há interesse sexual mútuo; não há muito interesse romântico de nenhuma das partes; ambos os amigos encaram sexo com naturalidade e eles conversaram bastante a esse respeito ou interpretaram corretamente as intenções mútuas antes de iniciarem as práticas sexuais entre si.

- Quando há interesse romântico recíproco existe uma grande chance do sexo entre amigos transformar a amizade em namoro (isso acontece muito quando ambos os amigos têm o amor do tipo “Estorge” – veja o meu artigo “Estilos de Amor”, aqui no Blog)

- Quando o interesse romântico é unilateral, o sexo provavelmente trará problemas para a amizade: o sexo provavelmente aumentará o envolvimento do romântico daquele que sentia esse tipo de atração e essa pessoa vai querer transformar o relacionamento em namoro, o que constrangerá a outra.

- Quando só há atração sexual por uma das partes, existem duas possibilidades: se a parte menos interessadas é o homem, é possível que o sexo e não traga problemas para o relacionamento. Se a parte que não sente esse tipo de atração for a mulher, provavelmente não haverá sexo. Caso haja, por pressão da outra parte, provavelmente haverá danos para a amizade.

Você pratica sexo com amigos ou sente que tem condicöes  psicológicas para desenvolver esse tipo de relacionamento? Caso você tenha respondido “Sim” a uma ou ambas perguntas e queira ser entrevistada, mande um email para mim: . ailtonamelio@uol.com.br

Notas

Artigos de Heidi Reeder citados acima:

1- Can You "Love" Your Friend?

http://www.psychologytoday.com/blog/i-can-relate/201202/can-you-love-your-friend (acessado em 12/04/2012)

2- Sex With Friends: Are There Benefits?

http://www.psychologytoday.com/blog/i-can-relate/201204/sex-friends-are-there-benefits (acessado em 12/04/2012)

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Por Ailton Amélio às 11h45

10/04/2012

Quando o hábito faz o monge!

Muitas vezes os comportamentos ou os seus produtos têm efeitos tão  grandes sobre quem que os apresentou quanto aqueles provocados em outras pessoas:

- Quem senta na cadeira que está na cabeceira de uma mesa retangular de reuniões tem mais chance de participar e de ser eleito líder do que quem senta em cadeiras que estäo em outros locais da mesa.

- Relaxar a musculatura corporal pode ter efeito calmante em uma pessoa tensa.

- Produzir intencionalmente expressões faciais de emoções (raiva, alegria, tristeza) pode provocar as emoções correspondentes em quem as produziu (lembra-se dos efeitos do riso na satisfação de quem ri, que foram amplamente divulgados pela mídia há algum tempo atrás?)

- Autoavaliacao da beleza facial tem tanto ou mais efeito no autoavaliador do que a avaliação apresentada por outras pessoas.

As pessoas também são afetadas psicologicamente pela própria produção (vestuário, acessórios, tratamento da pilosidade, maquilagem, etc.). Neste artigo vamos abordar mais detalhadamente os efeitos psicológicos que o vestuário pode ter no próprio usuário.

O vestuário tem três tipos de funções:

- Recato: ocultar as partes pudendas

- Conforto: fornecer proteção contra o frio, calor, chuva, etc.

- Exibição: apresentar e ressaltar status, sinais de gênero, condições econômicas, etc.

Vários estudos anteriores já mostraram que roupa usada por uma pessoa influencia a percepção e os comportamentos das outras em relação a ela. Por exemplo, o tipo de roupa que uma pessoa está usando influencia a forma como ela é percebida por outras pessoas em áreas tão diversas como o partido político que ela costuma votar nas eleições; se ela é usuária de drogas; a sua opção sexual e  se  ela é religiosa. A roupa também influencia as ações de outras pessoas em relação ao usuário: por exemplo,  o tempo que uma pessoa caída demora para ser socorrida e as chances de conseguir trocar dinheiros na rua dependem do tipo de roupa que ela está usando. Infelizmente os assaltantes sabem muito bem disso: frequentemente a mídia divulga notícias do tipo “assaltantes bem vestidos conseguiram entrar e assaltar um prédio de alto padrão” ou “fizeram-se passar por clientes de uma joalheria antes de assaltá-la”!

Vamos examinar agora uma pesquisa que mostra que o vestuário também pode ter grande influência psicológica no próprio usuário.

Recentemente a mídia nacional e internacional alardeou a notícia de que uma pesquisa chefiada por Adam D. Galinsky, (professor da  Kellogg School of Management, Northwestern University, E.U.A) obteve evidências de que a roupa pode influenciar psicologicamente quem a usa.1

Essa pesquisa foi constituída por três experimentos. No primeiro deles, 58 estudantes foram designados aleatoriamente para dois grupos. Os experimentadores pediram aos participantes de um desses grupos que usassem um avental branco e ao outro, que continuasse a usar suas roupas do dia a dia. Os experimentadores aplicaram, então, aos participantes destes dois grupos um teste para medir atenção seletiva. Esse teste consistia na identificação de incongruências como, por exemplo, o nome vermelho escrito sobre uma cor verde. O grupo do avental branco cometeu apenas cerca da metade dos erros de identificação de incongruência que foram cometidos pelo grupo da roupa do dia a dia!

No segundo experimento, os pesquisadores dividiram aleatoriamente 74 estudantes em três grupos. Eles pediram aos participantes de um desses grupos que usasse um “avental branco de médico”, ao outro que usasse um “avental branco de pintor” e ao terceiro grupo observasse um “avental branco de médico” (de fato todos esses aventais dos três grupos eram iguais).

Os experimentadores aplicaram, então, um teste de atenção a esses três grupos. Este teste consistia na identificação, o mais rapidamente possível, de quatro diferenças entre duas telas que eram muito similares. O grupo que achava que estava usando avental de medico identificou muito mais diferenças do que os outros dois grupos.

No terceiro experimento, os estudantes foram divididos em três grupos. Tal como no segundo, dois grupos usaram o avental branco e o terceiro, apenas observou tal “avental de médico”. Neste terceiro experimento, no entanto, os estudantes dos três grupos tiveram que escrever os seus pensamentos sobre o avental branco.

Em seguida, os três grupos foram submetidos ao mesmo teste de atenção usado na segunda pesquisa. Novamente, o grupo que estava usando o “avental de médico” cometeu muito menos erros do que os outros dois grupos.

Dr.  Galinsky concluiu, então, que para a roupa produzir efeito psicológico é necessário que seja usada e que aquele que a usa acredite que ela simboliza uma profissão onde os seus membros têm mais poder de observação e maior grau de atenção. (Isso, no caso dos aventais brancos, é claro!)

Quando você for cuidar da sua produção, leve em conta os efeitos que ela pode ter nas outras pessoas e em você mesmo!

1-  1.   Adam, H. & Galinsky, A. D. (2012). Enclothed cognition. Journal of Experimental Social Psychology. Available online 21 February 2012, In Press, Corrected Proof (acessado em 10/04/2012)

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0022103112000200

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Por Ailton Amélio às 11h59

03/04/2012

Experiências de segunda mão: porque assistimos filmes e novelas

Você quer passar por uma experiência emocional ou participar de uma aventura, mas teme os riscos excessivos que isso pode ocasionar? Então, recorra a uma das muitas formas de obter essas experiências através de experiências alheias: alugue um filme, leia um livro, assista uma peça de teatro.

Lembro-me de um filme estrelado por Arnold Schwarzenegger onde o personagem interpretado por esse autor compra memórias de uma viagem que não fez: uma firma especializada implanta nos cérebro de seus clientes memórias de viagens. Após esse implante, essas pessoas passam a se lembrar da viagem escolhida, tal como se realmente a tivessem realizado. A nossa tecnologia ainda não chegou a esse ponto! No entanto, enquanto esse progresso não se concretiza, todos nós já lançamos mão de experiências alheias para criarmos a sensação de que estamos vivendo aventuras e dramas: recorremos a filmes, pecas de teatro e livros com essa finalidade. O rapaz tímido e franzino pode se sentir na pele de James Bond, a moça que leva uma vida apagada e chata pode viver o sonho da menina que progrediu e se casou com o galã  famoso e rico.

Nesse artigo vamos examinar um mecanismo psicológico que permite este tipo de experiência de segunda mão: as experiências vicariantes.

Você provavelmente já se deparou com termos ou locuções tais como “empatia”, “contágio emocional” e “compaixão”. Esses termos e expressões são usados para nomear a capacidade de nos afetarmos pelos sentimentos expressos por outras pessoas ou pelo que está se passando com elas (coisas boas e tragédias).

Muitos empreendimentos comerciais fazem uso dessa capacidade. Por exemplo, certas propagandas lançam mão dos testemunhos de pessoas apreciadas pelo público para fazerem propaganda de seus produtos. A mensagem que fica é algo assim: “Fulano que admiro acha bom e chic tomar o xarope tal. Me senti na sua pele tomando tal xarope na companhia daquelas pessoas lindas.” Por associação, tal xarope adquire a propriedade de evocar parte dessas sensações evocadas pelo comercial.  Outro exemplo: muitas entidades e campanhas filantrópicas que dependem da generosidade alheia para arrecadar fundos apelam para anúncios comoventes que mostram pessoas em má situação precisando de auxílio

Porque as pessoas assistem filmes que nos fazem chorar?

Nesta semana que passou a mídia divulgou uma pesquisa sobre os motivos das pessoas verem filmes que as fazem chorar. Essa pesquisa foi realizada pela professora Silvia Knobloch-Westerwick e três laboradores (Yuan Gong, Holly Hagner e Laura Kerkeybian, todos da universidade Estadual de Ohio).

Neste estudo, a pesquisadora Elisa e seus colaboradores pediram a estudantes universitários que assistissem uma versão abreviada de um filme triste, "Atonement" ("Desejo e Reparação", em português). Antes, durante e após o filme, estes estudantes foram entrevistados sobre o que estavam pensando e sentindo. Aqueles estudantes que se mais envolveram com o filme, também foram os que mais pensaram nos seus familiares e sentiram alivio porque a tragédia mostrada no filme não tinha acontecido com estes. Esses pesquisadores concluíram que é o alivio sentido pela tragédia mostrada no filme não estar acontecendo como os familiares foi a maior responsável pelo aumento da felicidade dos estudantes. (Aquelas pessoas que pensaram apenas nelas próprias não apresentaram melhoria na felicidade). Esse alívio, concluem os pesquisadores, seria o motivo que faria as pessoas assistirem filmes tristes.

Outros motivos para assistir filmes

Este alívio realmente parece explicar porque as pessoas tiveram um aumento na felicidade após assistirem o filme. Ele, no entanto, não explica porque assistimos filmes de aventura, filmes policiais, ficções científicas e novelas que não nos levam a pensar nos nossos familiares.

Creio que existem pelo menos quatro grandes motivos para assistirmos filmes e novelas e lermos livros de aventura e romances: (1) podemos aprender com a experiência alheia; (2) motivos estéticos: essas obras säo gratificantes porque oferecem estimulações estéticas e intelectuais; (3) elas provocam emoções (por exemplo, os sustos provocados por certos filmes de terror). É esse mesmo tipo de efeito que faz que procuremos montanhas russas e saltos buddie jumping. (4) as emoções e vivências que são provocadas em nós quando observamos pessoas expressando emoções ou passando por situações que provocam emoções. Este efeito é conhecido como experiência vicariante: a capacidade sentir coisas que estão sento sentidas por outras pessoas.

Podemos sentir o que outras pessoas estão sentido ou que acreditamos que elas estariam sentindo. Essa semana, vi a notícia que a famosa apresentadora de televisão americana Oprah Winfrey, que veio ao Brasil gravar um programa com um médium, sentiu-se mal quando viu um paciente sendo operado, com uma tesoura enfiada no nariz, em uma das operações mediúnicas.

Ferramenta terapêutica

As experiências vicariantes são muito usadas como ferramenta terapêutica na clinica psicológica. Por exemplo, quando o paciente observa o terapeuta em uma situação que ele, paciente, sente muito medo, sem que o terapeuta mostre que está sentindo tal emoção ou desconforto (este simula que está falando com desenvoltura e relaxamento para um público fictício), isso contribui para diminuir o medo do paciente e para que ele imite o seu desempenho.

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Ps

Veja a seguinte notícia publicada no Ciência e Saúde, que ilustra bem esse nosso artigo:

 

·    ·         http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2012/04/09/amantes-de-bale-de-fato-sentem-que-estao-dancando-ao-ver-uma-apresentacao-diz-estudo.jhtm

09/04/2012 - 10h26

Amantes de balé de fato sentem que estão dançando ao ver uma apresentação, diz estudo

 

Por Ailton Amélio às 12h27

27/03/2012

O seu amor definhou? O que fazer?

Pense nos casais que você conhece e que estão juntos há mais de vinte anos e responda às seguintes perguntas:

- Eles geralmente andam de mãos dadas ou abraçados?

- Cada um  deles mostra muita animação e se “derrete” quando o outro está presente?

- Você já os viu olhando romântica e demoradamente nos olhos do outro e trocando beijos apaixonados?

- Eles telefonam varias vezes por dia para o outro só para dizer que o ama, para ouvir sua voz ou para dizer que estava pensando nele?

Provavelmente você respondeu “Não” para essas quatro perguntas. É relativamente raro que os parceiros que já estão juntos há muito tempo ainda mostrem muito romantismo e grande entusiasmo pela presença do outro.

Mas, não tiremos conclusões apressadas. Essas manifestações de amor estão, sim, presentes entre mais que dez por certo dos cônjuges que  têm um compromisso amoroso há mais que vinte anos.


Quando o amor esfria

Certa vez eu e meus alunos filmamos casais em locais públicos com uma câmera oculta. Após cada filmagem, abordávamos a dupla e pedíamos permissão para usar o filme para fins cientificos (quando um ou ambos membros de uma dupla não concedia a permissão, o vídeo era imediatamente apagado)  e entrevistávamos cada um deles em separado. As entrevistas mostraram que essas duplas eram formadas por flertantes, casais amorosos (namorados, casados), amigos, e colegas. A finalidade dessas gravações era obter material para estudar os comportamentos de flerte entre os casais.

Outra coisa, no entanto, que é relevante para o tema que estamos abordando aqui, chamou muito a nossa atenção. Quando vimos os vídeos, ficou muito claro a animação e a quantidade de atenção que apareciam entre as duplas que estavam iniciando seus relacionamentos (casais que estavam no primeiro encontro e ainda não tinham começado um relacionamento amoroso ou namorados no início do namoro). No entanto, quem via os vídeos e não tinha lido a entrevista não conseguia distinguir  entre dois tipos de duplas: aquelas cujos participantes não tinham interesse amoroso recíproco (eram apenas amigos ou colegas de escola ou de trabalho) e aquelas constituídas por casais que já estavam juntos há muito tempo juntos. Em ambos esses casos, não estavam presentes os sinais típicos de inicio de relacionamento amoroso (animação, olhares demorados, etc.) nem os sinais que indicam um relacionamento amoroso estável (sinais de vinculo como mãos dadas, andar abraçado e manifestações amorosas como o beijo na boca). Ambos esses tipos de duplas exibiam sinais que mostravam que estavam juntos ali no local, mas não mostravam comportamentos que diferenciassem a natureza de seus relacionamentos: se ele era amoroso ou não amoroso. Essa ausência de romantismo, afetividade e sinais de vínculo amoroso, infelizmente, pode ser notada em muitos casais que já estão juntos há muito tempo.

É inevitável, então, que o amor enfraqueça á medida que vai passando o tempo? A resposta é um sonoro NÃO! Certa dose de enfraquecimento é esperada: mesmo aquilo que é importante, mas conhecido, estável e seguro inevitavelmente requer menos atenção, desperta menos emoção e motiva menos do que aquilo que é importante e pouco conhecido.


Efeito novidade

Quase tudo que é novo, importante e imprevisível atrai mais a atenção do que aquilo que já é conhecido e estável. Ao receber um brinquedo novo, a criança se encanta e quer brincar com ele o tempo todo. Depois o coloca de lado. O novo projeto sempre entusiasma, mas, depois de um tempo, fica difícil manter o nosso interesse nele.  O novo amor faz o coração bater forte; na sua companhia as horas passarem rápido demais. Depois existe o risco dele cair na rotina e passar a despertar pouco interesse.

O interesse sexual pelo novo parceiro geralmente é maior do que pelo parceiro antigo. Existem estudos que mostram, por exemplo, que um rato que já está saciado sexualmente volta a copular quando uma nova parceira receptiva é introduzida no seu território. Verificou-se que este fenômeno, o “efeito novidade”, acontece com varias espécies.

Entre nós, humanos, algo mais curioso ainda acontece com certas pessoas: elas só sentem atração pela novidade. Assim que conquistam alguém, perdem o interesse. Elas encaram o amor mais como um jogo de conquista: Assim que ele é ganho, perde a graça. Essas pessoas são aquelas que têm o estilo de amor Ludos, segundo a classificação de John Alan Lee (veja o eu artigo aqui no Blog, “Estilos de Amor”, que descreve esta classificação).


Amor para sempre

Há pouco tempo atrás vi um vídeo que mostrava casais que após vinte anos de casados ainda reagiam aos parceiros de forma apaixonada. Os pesquisadores mediram vários fenômenos fisiológicos que, no início do relacionamento, costumam se alterar na presença da pessoa amada. Por exemplo, eles pediram para cada um dos membros desses casais que olhasse a foto do parceiro enquanto mediam a quantidade de irrigação de cada de cada uma das suas áreas cerebrais, a sua pressão sanguínea, o seu ritmo cardíaco, etc. Essas medidas mostraram padrões muito semelhantes entre os casais que já estavam juntos há muito tempo e os casais de apaixonados que estavam começando seus relacionamentos.

Esse vídeo também mostrava o dia a dia desses casais de apaixonados. Eles agiam da mesma forma que os casais que estavam se começando a sair e se conhecendo: se produziam para ficar mais bonitos e atraentes para o parceiro, só tinham olhos para o parceiro e cobriam o parceiro de atenção e gentilezas!


Um dos segredos daqueles que conseguem manter o amor forte durante toda a vida

Como o amor pode permanecer intenso durante muito tempo? Não foi dito acima que aquilo que é conhecido atrair menos atenção e interesse?

Nunca somos totalmente conhecidos para o outro e para nós mesmos. Um estudo mostrou que casais que estavam juntos há mais que dez anos só conseguiam prever cerca de 50% das respostas dos respectivos cônjuges. Essa fantasia de que já conhecemos o parceiro contribui para que diminuamos a atenção que prestamos nele.

Somos naturalmente variáveis. O ser humano é naturalmente mutável. Ele pode se alterar bastante durante um mesmo dia, e até de um momento para outro, em muitos aspectos que exigem atenção devido às suas importâncias para aqueles que convivem com ele. Essas alterações, quando não abafadas, são mais do que suficiente para manter o relacionamento vivo e vibrante. Existem pessoas que estão sempre nos surpreendendo, pois nunca sabemos exatamente como vai agir e reagir. São pessoas que não se deixam guiar totalmente pelas regras e por aquilo que se espera delas. Para continuar a atrair a atenção e o interesse basta deixar transparecer uma parte das nossas variações naturais.

Esse engessamento do relacionamento acontece porque as pessoas acham mais seguro ou mais cômodo repetir padrões de comportamento que deram certo no passado. Um dos motivos desse engessamento é o medo de se arriscar e mostrar coisas inesperadas que possam decepcionar ou desgostar o parceiro.

Você age todo dia sempre igual com o seu parceiro? Você acha que já sabe tudo do seu parceiro e que por isso não precisa mais prestar muita atenção nele? Você acha que o seu relacionamento está seguro e que, por isso, pode descuidar dele? Caso tenha respondido sim a estas três perguntas é provável que o seu amor vá definhar com o tempo. Procure a ajuda de um psicólogo para tentar reverter esse quadro.

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Por Ailton Amélio às 11h46

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.