Blog do Ailton Amélio

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02/08/2015

Cumprimentos e despedidas: comece e termine suas conversas com o pé direito

Você é daqueles que:

1- Reage imediatamente quando vê um interlocutor querido: olha para ele, sorri, põe de lado o que está fazendo, levanta-se rapidamente e caminha rápido na sua direção, com a mão estendida para o cumprimento? Por exemplo, quando a esposa chega a casa, você para o que está fazendo, caminha rapidamente na sua direção e a beija carinhosamente?

2- Cumprimenta com entusiasmo? Por exemplo, você usa uma voz vibrante para cumprimentar, aperta a mão do interlocutor com energia?

3- Capricha para que as suas conversas terminem de uma forma suave?

Você respondeu sim às três questões? Parabéns. Os seus cumprimentos e despedidas são agradáveis, mostram seu entusiasmo pelas pessoas que você gosta e produzem bons estados de espírito nos seus interlocutores.

Vale a pena apresentar cumprimentos positivos e energéticos. A qualidade do cumprimento pode influenciar fortemente a formação da imagem inicial de interlocutores que estão começando a se conhecer e contribui para a criação de um clima positivo ou negativo que vai influenciar a conversa e, até mesmo, o relacionamento subsequente entre eles.

Normas e expressividade do cumprimento

Diversos aspectos da forma do cumprimento são determinados por regras sociais que levam em conta as circunstâncias (locais formais, a sós, em público, etc.), os papéis dos interlocutores, seus status, o tipo de relacionamento que existe entre eles, hábitos locais e o tempo que passou desde o último encontro.

Além disso, o cumprimento admite nuances que servem para expressar aquilo que cada interlocutor pensa e sente sobre o outro e como se sente sobre o encontro que está ocorrendo. Diversos aspectos do cumprimento também são controlados pelos efeitos que cada interlocutor quer produzir no outro.


Avaliação das reações do interlocutor

O cumprimento é uma ocasião marcante e especial porque, nessa ocasião cada interlocutor pode obter muitas informações mútuas sobre como o outro reage à sua presença. Essas reações indicam como o outro está se sentindo, como está o estado do relacionamento que existe entre eles, o prazer ou o desprazer do encontro, suas disposições para o contato e os efeitos que cada um está tentando produzir no outro. Assim que se avistam e enquanto se cumprimentam, cada pessoa rapidamente avalia como está a outra, como ela reagiu à sua presença, qual a sua disposição e disponibilidade para conversar.

Em um encontro inesperado, as primeiras reações são importantes porque é mais provável que elas sejam genuínas e não fruto do autocontrole e planejamento. Por exemplo, o tempo que uma pessoa demora em reagir quando nos avista é bastante informativo sobre a sua atitude em reação a nós e o que ela está sentindo pela chance inesperada de interagir conosco. Quando ela sorri, assim que nos vê e caminha rapidamente na nossa direção para nos cumprimentar, este é um indicativo bastante forte que ela sentiu prazer em nos ver e quer falar conosco. Da mesma forma, quando a outra pessoa para imediatamente o que está fazendo e corre na nossa direção, este é um ótimo sinal de que ela ficou contente por nos ver e está disponível para falar conosco.

Por outro lado, uma desviada rápida de olhar e a lentidão para reagir à nossa presença indicam desconforto, contrariedade, indisposição para um cumprimento mais elaborado e menos propensão para interagir.

As pessoas costumam observar atentamente os interlocutores para ver como eles estão reagindo às suas presenças. Essa observação atenta é iniciada assim que se avistam e duram, pelo menos, até o final do cumprimento e início da conversa.

Durante um cumprimento positivo, quem cumprimenta pode mostrar, dependendo da circunstância, seus sentimentos e pensamentos positivos sobre o interlocutor, sobre o significado de estar conhecendo-o, sobre a saudade sentida durante o tempo que passaram sem se ver ou, na hora da despedida, sobre o tempo que não se verão e sobre os desejos que coisas boas aconteçam durante esse tempo de ausência.

Os cumprimentos ajudam a determinar o tom do encontro que se seguirá e contribuem para manter, confirmar ou alterar os vínculos entre os interagentes.


Características dos cumprimentos positivos

Os cumprimentos positivos têm as seguintes características:

Tempo de reação

Quando tempo cada pessoa demora em deixar o que está fazendo e começar a reagir ao interlocutor é um bom índice da sua boa receptividade ao interlocutor.

Cumprimento à distância

Como primeiro passo para aproximar-se ou para incentivar a aproximação: sorrir, manter contato de olho, apresentar cumprimentos vocais (“Olá!”, “Oba!”, “Olha quem está ai!”).

O ritual do cumprimento é iniciado no momento que as pessoas envolvidas se avistam. Nesse momento, elas apresentam as primeiras reações que são provocadas pela tomada de conhecimento da presença da outra e negociam se haverá aproximação, parada, contatos físicos, conversa, etc.

Dependendo das circunstâncias, pode ocorrer inicialmente um cumprimento breve, de longe, sem parar e depois, um cumprimento mais demorado quando se aproximarem.

Uma ou ambas as partes pode cumprimentar sumariamente sem fazer menção de desviar-se do caminho e desviar os olhos após um rápido contato.

A parte que desvia o olhar primeiro ou que se recusa a manter o contato de olho, não altera o ritmo da caminhada e não apresenta vocalizações muito efusivas. Tudo isso sinaliza que ela não vai querer parar para conversar.

Afastar-se de obstáculos

Sair de trás da mesa

Sair de dentro do carro quando o outro está fora.

Sair de trás do balcão

Parar o que está fazendo

Este é um sinal claro de disposição e disponibilidade para receber o interlocutor. Desligar a televisão, desligar o computador, fechar o livro e colocá-lo de lado, etc.

Não ficar olhando para outras pessoas que estão passando

Tomar a iniciativa de caminhar na direção do outro

Quando os interlocutores se veem a distancia e haverá uma aproximação para cumprimentos e/ou conversa, um ou ambos interlocutores poderão tomar a iniciativa de se aproximar. Quem não tomou a iniciativa pode, em seguida, também começar a fazer a aproximação.

O autor da iniciativa será visto como mais interessado no contato. Se a intenção é positiva, ele também será visto como mais caloroso que o outro.

Velocidade da aproximação

A rapidez e outras propriedades do movimento ao caminhar na direção do interlocutor revelam o interesse no contato. Quando há entusiasmo nesses movimentos, a mensagem é de calor e amistosidade ou deferência.

Vivacidade da voz

Existem muitas maneiras de apresentar receptividade e entusiasmo na voz: volume mais forte que o usual, maior velocidade para pronunciar as palavras ou, pelo contrário, menor rapidez, prolongando e acentuando as sílabas, modulação da fala mais acentuada do que o normal.

Assumir a mesma posição do interlocutor

Levantar-se para cumprimentar quando o outro está em pé

Encostar-se quando ele tiver encostado a uma superfície

Sentar-se quando ele estiver sentando

Afetividade das ações de cumprimento

Quem apresenta ações mais afetivas (um fala um abraço e o outro um beijo; um faz menção de dar a mão para cumprimentar e o outro de beijar ou abraçar).


Despedidas

O ritual de despedidas é muito importante. Uma despedida abrupta causa estragos. Os padrões do cumprimento inicial são válidos na hora da despedida: contatos físicos produzem efeitos mais fortes do que despedidas puramente verbais.

            Na despedida são esperadas manifestações de satisfações pelo encontro, agendamento de novos encontros, expressão de votos de êxito e bons acontecimentos para o tempo que vão ficar sem se ver. Quanto mais tempo de separação é previsto, mais calorosas e elaboradas são as despedidas.

“Sair à francesa” pode trazer problemas

Ir embora sem se despedir dos amigos, conhecidos e anfitriões podem causar danos futuros aos relacionamentos e a imagem de quem assim procede.

A importância dos rituais de despedida

Os términos abruptos, onde o ritual de cumprimento é omitido o abreviado, são rudes, frustrantes e podem ser ofensivos. Imagine alguém que no meio de uma conversa simplesmente se levanta e vai embora. Quem foi abandonado pode pensar que o outro ficou ofendidíssimo com alguma coisa que aconteceu ou está ficando louco.

É importante deixar o interlocutor executar o fechamento da conversa ou do encontro: terminar de dizer o que estava dizendo, preparar-se psicologicamente para terminar o encontro, etc. Uma tática muito útil para terminar uma conversa é dar sinais que vai terminar a conversa e, em seguida, deixar que o outro tome as iniciativas para executar as ações de fechamento. Algumas maneiras de sinalizar que quer terminar a conversa são: dizer que precisa ir embora, apresentar sinais não verbais que está preparando-se para sair. Parar de estimular a conversa.

Antecipação do fim da conversa

Em geral a conversa deve ter um fim anunciado pelo menos alguns momentos antes. Podem ser tomados vários tipos de medidas para que ela não seja encerrada abruptamente. Algumas destas medidas são as seguintes:

- Mencionar que precisa ir embora

- Usar palavras típicas que deseja encerrar encerramento: “Então está bom”, “Agora vou ter que trabalhar”.

- Deixar de alimentar os assuntos: deixar de pedir expansões do assunto, não iniciar novos assuntos e diminuir a ênfase nas reações como ouvinte.

- Trabalhar para que o tema em pauta caminhe para um encerramento

- Citar motivos específicos para terminar a conversa.

- Caso a conversa tenha deixado assuntos pendentes e motivações insatisfeitas, quem toma a iniciativa de concluí-la deve propor um novo encontro.

- Apresentar sinais que vai terminar o encontro: sentar-se na ponta da cadeira, olhar o relógio, desencostar, levantar-se, orientar-se para a saída.

- Anunciar verbalmente o fim do encontro e encerrar a conversa

Por Ailton Amélio às 10h29

25/07/2015

Identifique a sua história de amor predileta

Uma das mais interessantes teorias sobre o amor é a de Money (1986 – a bibliografia citada nesta postagem é fornecida no artigo original, cujo link é fornecido na Nota, no final desta postagem ). Esta teoria propõe que aquilo que desperta a sexualidade e o que leva o ser humano a escolher um(a) parceiro(a) em detrimento de outro(a) é uma espécie de mapa amoroso inconsciente. Tais mapas seriam desenvolvidos por todas as pessoas entre os cinco e os oito anos de idade e determinam os contornos da imagem do parceiro ideal. Segundo esta teoria, a relação afetiva seria iniciada quando uma pessoa encontra alguém que se encaixe nos parâmetros pré-definidos pelo seu mapa amoroso.

Outra teoria que também propõe a existência de “mapas amorosos” é a “histórias de amor”, de Robert J. Sternberg (1996 e 1998) - professor de Psicologia da Universidade de Yale. Esta teoria interpreta o amor como uma história. Resumidamente, ela propõe que as experiências afetivas, que ocorrem desde o nascimento, fazem com que as pessoas desenvolvam histórias que as ajudam a identificar quando o amor está ocorrendo e determinam o modo como o amor nasce e se desenvolve.

Nestas histórias, os amantes têm características específicas e desempenham papéis bem definidos e complementares, tal como acontece em uma peça de teatro. O grau de complementaridade desses papéis entre os parceiros é um dos principais determinantes do sucesso da relação. Pareceiros que não desempenham papéis complementares ou, pelo menos, compatíveis em seus relacionamentos amorosos provavelmente não constituirão relacionamentos felizes e duradouros.

Esta teoria é muito útil para entender a grande diversidade de fatores que são responsáveis pelo nascimento do amor e como diferentes tipos de relacionamentos amorosos podem produzir uniões que dão certo ou fracassam. No entanto, não basta identificar qual a história de amor que melhor descreve um relacionamento entre duas pessoas. Muitas vezes, as histórias de amor que elas estão vivendo não correspondem à história de amor que cada uma delas mais se identifica (aquela que retrata melhor como cada uma é) e, também, estes dois tipos de história podem não coincidir com aquelas histórias que elas mais gostariam de viver. Fazendo uma analogia, uma pessoa pode não estar profissionalmente realizada, se está trabalhando como empacotador (história que está vivendo), mas acha que tem vocação para a pintura (história que se identifica), mas gostaria de ser uma escritora (história que gostaria de viver). Da mesma forma, as coincidências ou discrepâncias entre estes três tipos de histórias podem ter sérias implicações para suas satisfações e para a duração do relacionamento amoroso entre elas.

           

Amostras das histórias de amor

Uma amostra das 24 histórias de amor identificadas por Sternberg é fornecida abaixo. Para você fazer uma ideia da história de amor que mais descreve a sua história ideal, pense no quanto você gostaria de viver o tipo de amor apresentado em cada uma das vinte e quatro descrições abaixo. (O teste completo é apresentado no meu artigo, cujo link é fornecido na Nota, no final desta postagem).

Quanto você se identifica com cada uma das histórias abaixo?

De uma nota entre zero e cem para o seu grau de identificação com cada uma das seguintes histórias (0 - “Não me identifico nada com esta história” e 100 -“Identifico-me completamente com esta história”).

____1. Vício: relacionamento intenso com sentimentos de ansiedade provocada pelo medo de perder o parceiro e desejo de ficar o mais possível agarrado a ele.

____2. Arte: existe forte atração física, com muita importância atribuída à aparência do parceiro, que deve sempre parecer bem.

____3. Negócios: há papéis e tarefas bem definidos, onde cada parceiro tem o seu lugar. O dinheiro desempenha papel importante e tem a ver com poder.

____4. Coleção: o parceiro se ajusta como uma luva ao meu esquema. Tenho tendência para ter múltiplos parceiros ao mesmo tempo, cada um deles preenchendo papéis um pouco diferentes uns dos outros.

____5. Livro de receitas: tenho uma fórmula sobre como agir e coisas a fazer no relacionamento.  Quando a receita é cumprida, a relação vai bem. Caso contrário, pode desandar.

____6. Fantasia: me sinto como se tivesse encontrado seu príncipe ou princesa encantados.

____7. Jogos e esportes: acho que o amor é um jogo empolgante, divertido e alegre. Afinal, as coisas nem sempre podem ser levadas muito a sério.

___8. Jardinagem: penso que a relação precisa ser bem nutrida, como uma planta.

___9. Governo: acho que o poder pode ser compartilhado ou exercido por um dos parceiros, que controla o outro.

___10. História: acredito que os  bons e os maus momentos estão vivos na memória. Coleciono muitas lembranças e recordações, tais como fotos, gravações, suvenires.

___11. Horror: Acho interessante sentir um pouco de medo do parceiro ou vice-versa.

___12. Casa e Comida: para mim, o centro das atenções é o lar e as coisas relacionadas a ele. A ênfase está em ter um ambiente confortável em casa.

___13. Humor: reconheço  que a vida tem um lado engraçado. Eventualmente, o humor pode mascarar relações tensas.

___14. Mistério: no meu relacionamento há um quê de mistério, uma necessidade constante de saber mais sobre o parceiro, um clima de segredos no ar.

___15. Polícia: tenho a necessidade de manter o parceiro em rédeas curtas, para ter certeza que anda na linha. Tenho forte interesse na sua vida e nas suas atividades.

___16. Pornografia: vejo o amor como algo permissivo, no qual um parceiro é degradado ou degrada o outro. A emoção da relação está nessa degradação.

___17. Recuperação: tenho a consciência que sou um sobrevivente que, depois dos traumas e sofrimentos passados, posso enfrentar qualquer situação.

___18. Religião: vejo o amor como uma devoção intensa ao parceiro.

___19. Ciência: acho que as coisas podem ser compreendidas, analisadas e dissecadas, como qualquer outro fenômeno da natureza. Procuro compreender com objetividade o parceiro e a relação.

___20. Ficção científica: sinto que o parceiro é como um alienígena — incompreensível e muito estranho.

___21. Costurar e tricotar: penso que o amor é aquilo que você quiser fazer com ele, algo que você molda como for melhor. Cada relacionamento é único.

___22. Teatro: no amor, parece haver um roteiro pré-definido, com atos, cenas e falas previsíveis. Há algo de dramático no ar. Às vezes, sinto como se não estivesse me comportando naturalmente e sim, interpretando um papel.

___23. Viagem: tenho a sensação de grande jornada conjunta, uma viagem em conjunto. Planejo para o amanhã. Tenho um pensamento voltado para o futuro.

___24. Guerra: acho que amor é uma série de batalhas sem fim. O conflito parece ser intenso e mantém-se ao longo do tempo.

Quais são as histórias mais comuns? No estudo que realizamos (link fornecido na Nota, no final deste artigo), as histórias mais escolhidas pelos homens foram: viagem; tricotar e costurar e jardinagem. As mais escolhidas pelas mulheres foram: jardinagem; tricotar e costurar; viagem. 

NOTA

Este artigo reproduz e adapta parte do seguinte artigo: Silva, A. A., Mayor, A. S., Almeida, T., Rodrigues, A., Oliveira, L. M., & Martinez, M. (2005). Determinação das histórias de amor mais adequadas para descrever relacionamentos amorosos e identificação das histórias de amor que produzem mais identificação, menos identificação e que as pessoas mais gostariam de viver.Interação em Psicologia, 9(2), 297-311. Link para esta publicação: file:///C:/Users/Ailton/Downloads/4786-10790-1-PB%20(3).pdf

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

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Por Ailton Amélio às 14h25

18/07/2015

O que acontece quando você entre em contato físico com outra pessoa?

O contato físico entre as pessoas tem diversos significados e efeitos profundos. Neste artigo vamos examinar alguns desses significados e efeitos.

O contato físico tem efeitos poderosos e fáceis de constatar. O contato é capaz de provocar fortes reações positivas e negativas. Para constatar isso, basta imaginar como você sentiria caso fosse tocado de uma forma íntima, sem nenhuma justificativa, por estranhos. O contato físico pode ter um forte impacto mesmo que tenha acontecido de forma não intencional ou acidental.

 

 Interpretação dos motivos dos contatos físicos

Os efeitos dos contatos físicos dependem, em grande parte, da interpretação dos seus motivos. Dependendo das justificativas, um mesmo ato pode ser extremamente traumático ou pode ser relativamente inócuo, mesmo que aconteça em uma região muito íntima, como é o caso, por exemplo, do exame ginecológico. Esta relatividade dos impactos deste tipo de contato pode ser resumida pela frase: “Mais importante do que o fato é a sua versão”.

As interpretações e as reações ao contato físico são extremamente dependentes de outros fatores tais como: a natureza do toque, área do corpo tocada, duração do toque, frequência do toque, contexto do toque (circunstâncias nas quais o toque aconteceu), quem toca e quem é tocado (sexo de quem é tocado e sexo de quem toca, natureza do relacionamento entre quem toca e quem é tocado, tipo e estágio do desenvolvimento do relacionamento).

As culturas possuem estatutos que padronizam a forma de interpretar muitos tipos de contatos físicos e suas circunstâncias. A cultura e a história pessoal podem alterar, até certo ponto, os significados, os usos e os efeitos destes contatos.

É provável que existam propensões inatas que ajudam a determinar os efeitos de boa parte dos contatos físicos. Por exemplo, os contatos físicos sexuais têm forte impacto em quase todas as culturas. Em todas culturas, estranhos se tocam menos do que conhecidos, casais em início de relacionamento se tocam mais do que pessoas não relacionadas; todas as crianças precisam de contato físico para apresentar um desenvolvimento psicológico saudável.

 

Tipos de contato físico

Existem muitos tipos de contato físico. Os principais deles são os seguintes: apertar as mãos, abraçar, beijar, carícias, dar palmadas, lamber, segurar, guiar, esbofetear, esmurrar, beliscar, sacudir, enlaçar, chutar, catar e espremer (espinhas, cravos, etc.).

Desmond Morris (1977) identificou os seguintes tipos de contato físico:

1- Aperto de mão, 2- Orientar o caminho tocando alguma parte do corpo, 3- Tapinha, 4- Dar o braço, 5- Abraçar o ombro, 6- Abraço completo, 7- Dar as mãos, 8- Abraço pela cintura, 9- Beijo, 10- Mão na cabeça, 11- Carícia, 12- Cabeça com cabeça, 13- Apoio corporal, 14- Ataque provocativo.

Este autor denominou estes contatos físicos como “signos de ligação” porque eles assinalariam a existência de algum tipo de relacionamento entre os dois participantes.

Cada um destes tipos de contato físico admite uma série de variantes. Por exemplo, um aperto de mão pode ser forte, demorado, sacudir muitas vezes a mão enquanto cumprimenta, apertar firmemente, usar uma ou as duas mãos, usar a outra mão para segurar o antebraço do companheiro, etc. Cada uma destas variações tem um significado especial. Em geral, quanto mais o contato discrepa daquilo que seria esperado para as circunstâncias, maior o seu significado. Quando maior o contato (mais intenso, mais demorado, mais partes do corpo são envolvidas, etc.), mais positiva é a mensagem.

 

Dimensões para avaliar os contatos físicos

Segundo Heslin (1974), os contatos podem variar desde gestos muito impessoais até gestos muito pessoais. De acordo com este critério, os contatos físicos podem ser classificados em cinco classes:

1-    Funcional-Profissional: são contatos “frios” utilizados para realizar alguma tarefa ou serviço. Quem recebe o contato é tratado como não pessoa. Um dos motivos para o contato ser realizado desta forma com o objetivo de não transparecer uma conotação sexual e, por este motivo, interferir na execução da tarefa. Exemplos: toques realizados pelo cabeleireiro e pelo médico.

2-    Social-polido. Este tipo de contato confirma a identidade de quem é tocado como membro da mesma espécie de quem o tocou. Neste tipo de contato existe muito pouco envolvimento pessoal entre quem toca e quem é tocado. Exemplo: o cumprimento através de um aperto de mão.

3-    Amistoso-Caloroso. Neste tipo de contato já existe um reconhecimento da individualidade de quem é tocado. Este tipo de contato também comunica que quem toca gosta de quem é tocado e o considera um amigo. Exemplo: abraçar uma pessoa pelos ombros enquanto caminham.

4-    Amoroso e íntimo. Este tipo de contato expressa intimidade e amor de quem toca por quem é tocado. Este tipo de gesto é menos estereotipado e é mais adaptado para as características pessoais de quem é tocado. Exemplo, beijar ternamente a outra pessoa.

5-    Sexualmente estimulante. Este tipo de contato expressa a atração física de quem toca por quem é tocado. Exemplo, colocar a mão na coxa da outra pessoa.

 

Progressão dos contatos físicos em relacionamentos amorosos

Morris (1971) afirmou que nos relacionamentos amorosos existe uma progressão de intimidades em direção ao relacionamento sexual. Alguns dos elementos desta progressão incluiriam contatos físicos. Esta progressão seria a seguinte: Olho no corpo, olho no olho, voz na voz, mão na mão, braço no ombro, braço na cintura, boca na boca, mão na cabeça, mão no corpo, boca no peito, mão nos genitais, genitais com genitais. Existem muitas exceções, inversões de ordem e omissões a esta progressão. 

Aqueles tipos de contato físico que só são permitidos entre pessoas que têm um relacionamento amoroso entre si podem ser utilizados para iniciar relacionamentos amorosos. Uma forma de iniciar relacionamentos amorosos é ir transformando gradualmente contatos físicos que são permitidos entre pessoas que não tem um relacionamento amoroso naqueles que são exclusivos de relacionamentos amorosos.

 

Quem toca quem e onde toca

Jourard (1966) fez uma pesquisa sobre as partes do corpo que pessoas afirmavam que eram tocadas com maior frequência. Este autor apresentou um questionário com uma figura mostrando 24 partes do corpo. Quem respondia ao questionário tinha a tarefa de apontar regiões do corpo onde foi tocado ou tinha tocado outras pessoas. Esta pesquisa também pedia para quem respondia classificar quem havia tocado: a mãe, o pai, um amigo do mesmo sexo ou um amigo do sexo oposto. Este autor verificou que as mulheres eram mais acessíveis ao toque por todas as pessoas. Amigos do sexo oposto e as mães eram considerados como as que mais tocavam.

Vários estudos mostram que tocar a outra pessoa é um poderoso sinal de intimidade com ela. É tão poderoso que pode facilmente ficar invasivo se não for bem calibrado para as circunstâncias. Por este motivo os contatos físicos são regulados por normas: existem regras rígidas que regulam quem pode tocar quem, em que região do corpo, em que circunstâncias, em que tipo de relacionamento. As zonas mais liberadas para os toques são as mãos, os antebraços e os braços.

 

Funções positivas e negativas dos contatos físicos

Os contatos físicos podem ter funções positivas e negativas. O contato físico nem sempre tem efeitos positivos. Por exemplo, uma pesquisa verificou os efeitos do toque antes de uma cirurgia mostrou que as mulheres tocadas tiveram efeitos positivos e os homens tocados tiveram efeitos negativos: eles ficavam piores do que os operados que não foram tocados.

 

Funções positivas dos contatos físicos

Alguns dos principais efeitos positivos do contato físico são os seguintes:

- É imprescindível para o desenvolvimento físico e psicológico saudáveis

- Ajuda a criar e a solidificar vínculos afetivos

- Pode ajudar a criar uma atitude positiva entre quem toca e quem é tocado

- Pode contribuir para que o relacionamento evolua para estágios mais avançados

- É uma forma importante de confortar emocionalmente a outra pessoa

- Pode ajudar a manter o relacionamento

- Pode ajudar a revigorar o relacionamento

- É um meio eficiente de demonstrar amor;

- É uma maneira eficaz para iniciar rapidamente um relacionamento amoroso.

Tocar a outra pessoa pode produzir efeitos mais poderosos do que muitas palavras e gestos. O contato físico adequado pode ser um dos caminhos mais rápidos para a reconciliação, após um desentendimento, quando há receptividade por parte daquele que é tocado, evidentemente.

 

Funções negativas dos contatos físicos

O contato físico pode ter efeitos muito negativos. Quando ele não é bem vindo, acontece em momentos inapropriados, ocorre entre pessoas que não têm um tipo de relacionamento que o permite ou é realizado em regiões do corpo que só podem ser tocadas por certas pessoas e em certas circunstâncias, pode ser extremamente aversivo e implicar inclusive em sanções legais.

NOTA

Se você quiser a citação completa da bibliografia cita neste artigo, escreva para o meu email: ailtonamelio@uol.com.br

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

Público Alvo

- Curso indicado para todos que estejam cursando ou tenham concluído algum curso superior.

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TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Apaixonamento

Desapaixonamento

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Vamos montar um grupo de estudo para desenvolver conhecimentos teóricos e estudo de casos hipotéticos para tratar desses problemas?

Caso você tenha interesse em participar desse grupo, escreva para o meu e-mail: inscrever.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 15h08

12/07/2015

Três tipos de assuntos que não podem faltar nas suas conversas informais

A conversa é o principal tipo de relacionamento social. Ela é um dos principais fatores que contribuem para que os relacionamentos sejam iniciados, tenham boa qualidade e progridam ou, por outro lado, tenham má qualidade e terminem.

O assunto é um dos principais determinantes do sucesso ou fracasso das conversas. Quando alguém menciona qualidades e defeitos da conversa, tais como “interessante”, “envolvente”, “edificante”, “engraçada” ou, por outro lado, “chata”, “estéril”, “ofensiva” etc. pensamos imediatamente no assunto que foi tratado. Conversar sobre assuntos agradáveis ou que tenham função positiva para os interlocutores é crucial para que a conversa seja bem sucedida.

Vamos tratar aqui de três tipos de assuntos que devem estar presentes nas conversas informais: (1) Assuntos leves das conversas-contato, (2) assuntos ativados e (3) assuntos em andamento.


Assuntos leves das conversas contatos

Conversa contato é aquela conversa leve que geralmente ocorre no início dos encontros, ou durante a conversa propriamente dita, quando falta assunto ou existem inibições para conversar sobre outros assuntos.

Na conversa contato são abordados temas como as características do local e acontecimentos que estão ocorrendo no local onde os interlocutores estão (“Bonito local!”, “Festa animada!”, “Gostei da sua roupa!”) ou o que aconteceram um pouco antes (“Difícil estacionar aqui, não é?”, “Pegou essa chuva forte para chegar até aqui?”).

Não menospreze os assuntos leves que são tratados nas conversas contato. É importante conversar sobre esses assuntos. Por exemplo, um estudo recente mostrou que os homens que estabelecem este tipo de conversa antes de um encontro comercial têm mais sucesso nos negócios que são tratados em seguida do que aqueles que não têm esse tipo de conversa. Esse tipo de conversa é uma manifestação de consideração e amistosidade pelo interlocutor. Essa manifestação ajuda a criar um clima positivo que favorece a conversa posterior, que trata dos negócios.


Porque tratamos de assuntos leves nas conversas contato

Tratar de assuntos leves durante a conversa contato envia as seguintes mensagens para os interlocutores:

- Tenho tempo para conversar

- Estou motivado para conversar com você. Quero conversar com você, embora ainda não tenhamos encontrado assuntos relevantes para conversar.

- Estamos nos sondando para ver quais assuntos são importantes para conversar neste encontro.

- Estamos dando espaço para o outro trazer para a conversa fatos importantes que estejam lhe afetando.

- Estamos nos esquentando para conversar. Estamos ativando assuntos que ambos tenhamos interesse e nos desligando de outros assuntos para nos concentrarmos em nossa conversa.


Assuntos Ativados

Assunto ativado em um dado momento é aquele que está presente nos pensamentos ou nos sentimentos da pessoa.

Sempre existe algo nos afetando. Por isso, sempre existe algum assunto ativado na nossa mente. Somos afetados por tudo aquilo que nos diz respeito materialmente, socialmente, corporalmente e por tudo aquilo que confirme ou desconfirme nossa forma de ver as coisas, os acontecimentos e a nós mesmos.

Para que a conversa tenha sucesso, é necessário estar atento, o tempo todo, para aquilo que está afetando a si próprio e aos interlocutores em todos os momentos da conversa. Tudo que está afetando a pessoa, acima do seu limiar de consciência, é um assunto ativado para ela. Ignorar o que está afetando os participantes da conversa é ignorar aquilo que eles estão motivados para conversar e tentar conversar sobre outros assuntos.

Quando uma pessoa conversa sobre um assunto que é menos motivador para ela do que outros assuntos que já estão presentes na sua cabeça é porque ela não pode falar do que a está afetando ou porque não quer contrariar o interlocutor. Ou seja, ela se força para conversar sobre assuntos que, no momento, são menos motivadores para ela.


Trazer os próprios assuntos ativados para a conversa

Não trazer os próprios assuntos ativados ou em andamento para a conversa tem custos e benefícios. Por exemplo, quem não traz seus próprios assuntos se envolve menos na conversa e pode esfriar o relacionamento com este interlocutor. Vantagem: abster-se dos próprios assuntos dá mais espaço para o interlocutor falar mais de si, o que pode deixa-lo mais contente com a conversa.


Medidas para identificar assuntos ativados para o interlocutor

Três medidas principais para saber se há algum assunto fortemente ativado para o interlocutor:

1- Lançar perguntas sobre o que está se passando com ele. Por exemplo, perguntar e insistir em perguntas semelhantes: “Tudo bem com você?”, “O que você conta de novo?”, “Quais são as novidades?”.

2- Desenvolver conversa contato para lhe dar a oportunidade ou pressioná-lo a introduzir assuntos

3- Propor assuntos e observar se o interlocutor adere a um deles com entusiasmo. Caso não adira, ou ele tem outro assunto na cabeça, ou ele não está motivado para conversar ou não está motivado para conversar sobre os assuntos que estão sendo tratados.


Ignorar assuntos fortemente ativados atrapalha a abordagem de outros assuntos

Geralmente temos dificuldade para conversar sobre um assunto quando outro assunto está nos afetando mais fortemente. Além disso, a conversa sobre o outro assunto menos ativado fica menos prazerosa e fluente para quem está fazendo tal esforço.

O seguinte relato ilustra a influência que um assunto ativado oculto pode ter em quem está tentando conversar sobre outro assunto:

“Eu estava com aquele assunto na cabeça e, por isso, não conseguia pensar direito em mais nada. O assunto que estava em minha cabeça não podia abordado com aquele interlocutor. Eu estava torcendo para que aquela conversa terminasse logo, pois assim, eu poderia ficar só para voltar a pensar naquele assunto que estava me preocupando”.

É possível, sim, introduzir novos assuntos que superem os assuntos que já estavam ativados para o interlocutor. Para que isto seja feito com sucesso, basta que o novo assunto tenha mais importância ou urgência do que o assunto que já estava ativado para ele. Por exemplo, uma pessoa está pensando em ir ao banco pagar uma conta. Um conhecido se aproxima e fala que bateram no seu carro que estava estacionado. Os pensamentos sobre o pagamento da conta são imediatamente substituídos pelos pensamentos e sentimentos provocados pela notícia da batida. O novo assunto que foi trazido pelo interlocutor ficou mais ativado do que o assunto anterior.

Assuntos em andamento

Assuntos em andamento são aqueles que dizem respeito a acontecimentos importantes que:

1- Estão ocorrendo, mas no momento não estão totalmente ativados nos pensamentos ou sentimentos da pessoa. Por exemplo, a pessoa tem que cumprimentar um amigo que está aniversariando hoje, mas, no momento, ela está envolvida em uma conversa agradável com uma colega de trabalho. Assim que o envolvimento com essa conversa diminuir, ela voltará a se lembrar do aniversário.

2- Já ocorreram, continuam a afetar, mas não estão ativados no momento. A pessoa foi cumprimentada pelo chefe porque realizou um excelente trabalho. A satisfação por ter realizado tão bem esse trabalho e pelo reconhecimento por parte do chefe estão deixando-a contente. Isso, no entanto, não está em primeiro plano na sua cabeça. Ela está participando de uma reunião de diretoria para traçar as metas da firma para o próximo mês. Assim que esta reunião deixar de ser prioridade, ele voltará a pensar no sucesso do seu trabalho e no cumprimento do chefe!

3- Estão programados para ocorrer e, por isso, já começam a ficarem presentes nos pensamentos e/ou sentimentosSempre existem vários acontecimentos importantes em andamento para as pessoas. Por exemplo, elas geralmente têm contas a pagar, exames de saúde para realizar, algo agradável que lhes ocorreu recentemente e que, por isso, ainda não foi assimilado e lhes trazem lembranças de tempo em tempo. Os assuntos em andamento ficam no subconsciente enquanto outros assuntos mais urgentes estão ativados.  Por exemplo, prestamos atenção na televisão, mas sabemos que a tarde vamos a uma entrevista. Neste momento, o que se passa na televisão é um assunto ativado. A entrevista é um assunto em andamento. 


É importante perguntar pelos assuntos em andamento dos interlocutores

Os seguintes exemplos mostram a importância de trazer para a conversa os assuntos em andamento dos interlocutores:

Adolfo sempre pergunta pelos assuntos em andamento dos seus interlocutores

Adolfo é muito gentil. Mesmo que passe meses sem ver uma pessoa, ele vai lembrar daquilo que estava ocorrendo com ela na época do último encontro que tiveram. Por exemplo, quando reencontra a pessoa, ele vai perguntar sobre os resultados do checkup que ela ia realizar; sobre o primeiro encontro que ela ia ter com aquela moça; sobre o trabalho que ela ia apresentar na escola. Todos aqueles que se relacionam com ele sentem-se queridos e considerados.

Julieta ficou ressentida porque seu namorado não perguntou sobre seu primeiro dia no novo emprego

Quando encontrou o namorado, Julieta estava muito contente e excitada porque ela estava chegando do seu primeiro dia no novo emprego. Há muito tempo que ela queria trabalhar naquela firma. Assim que se encontraram, o namorado começou a falar da briga que teve com a sua irmã e nem perguntou sobre a sua estreia no novo trabalho. Julieta se sentiu muito desprestigiada. Parecia que as coisas que aconteciam com ela não tinham importância para ele.


Tomada de conhecimento do assunto em andamento gera a obrigação de perguntar

Quando uma pessoa revela para um interlocutor os seus acontecimentos em andamento, esse interlocutor fica na obrigação de acompanhar esses acontecimentos. Esse interlocutor deve, no mínimo, perguntar por eles na próxima conversa. Se esses acontecimentos forem importantes, quem tomou conhecimento deve tomar outras iniciativas para saber como eles estão evoluindo. Por exemplo, o interlocutor deve ligar para pedir notícias de alguém que está convalescendo de uma doença grave. Caso não haja essas mostras de interesse, essa pessoa se sentirá desconsiderada.

As suas conversas são desvitalizadas e chatas? Procure a ajuda de um psicólogo.

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

Público Alvo

- Curso indicado para todos que estejam cursando ou tenham concluído algum curso superior.

- Curso indicado para psicólogos que trabalham com relacionamento amoroso e que pretendam cursar o nosso próximo grupo de estudos: “Terapia do Relacionamento Amoroso”. 

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Apaixonamento

Desapaixonamento

Amor e apego

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

Amor e desapaixonamento

Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Vamos montar um grupo de estudo para desenvolver conhecimentos teóricos e estudo de casos hipotéticos para tratar desses problemas?

Caso você tenha interesse em participar desse grupo, escreva para o meu e-mail: inscrever.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 10h53

05/07/2015

Você tem facilidade ou dificuldade excessiva para se apaixonar?

As capacidades para sentir atração, apaixonar e amar variam bastante entre as pessoas. Algumas sentem atração, apaixonam e amam com muita facilidade, enquanto outras dificilmente experimentam estes sentimentos. Felizmente, a grande maioria das pessoas está entre estes dois extremos. As pessoas que têm disfunções nessas capacidades são aquelas que têm facilidade excessiva ou dificuldades para se envolver afetivamente.

 

Facilidade excessiva para se envolver afetivamente

Uma parte daqueles que têm facilidade excessiva para se envolver amorosamente sente atração por inúmeras pessoas, apaixona-se a todo o momento e relata um grande número de amores. Esta facilidade excessiva também tem consequências negativas. A primeira delas é que estas pessoas são muito pouco exigentes na escolha de parceiros amorosos e, por isso, acabam mal acompanhadas. Em segundo lugar, elas são socialmente mal vistas. São rotuladas pejorativamente como “galinhas” e “fáceis”. Isso dificulta encontrar bons parceiros que se interessem por elas. Em terceiro lugar, muitos possíveis parceiros evitam se envolver com quem tem este tipo de facilidade excessiva. Isto ocorre porque esses parceiros sentem que não são especiais quando recebem atenção de quem tem esse tipo de problema.


Dificuldade excessiva para se envolver afetivamente 

Quando suspeito que um paciente tem dificuldade para se envolver amorosamente, faço três perguntas (sugiro que você responda agora essas perguntas):

1- Quantas pessoas existem no seu círculo de relações pelas quais você sente atração amorosa que seria pelo menos suficiente para iniciar um relacionamento amoroso? (Para responder esta questão desconsidere o fato de você ou de estas pessoas já estarem comprometidos).

2- Quantas vezes você já se apaixonou na vida?

3- Quantas vezes você já amou na vida?

Quando a pessoa que procura o meu consultório relata que está tendo dificuldades para iniciar relacionamentos amorosos, sempre considero a possibilidade de ela estar com algum tipo de distúrbio da capacidade para se envolver amorosamente. Esta hipótese se torna mais provável caso ela tenha mais de vinte anos, relate que ninguém ou quase ninguém a atrai, que ela está neste limbo afetivo há muito tempo, que talvez nunca tenha se apaixonado ou que tenha dúvidas sobre isso e que ela nunca amou na vida ou que haja dúvidas sobre isso.

Por outro lado, se ela revela um quantidade muito grande de todos estes tipos de envolvimento amoroso, o mais provável é que ela tenha facilidade para iniciar relacionamentos, mas que estes não durem muito tempo. Para você ter uma ideia do que seria uma quantidade muito pequena ou muito grande de cada um destes tipos de envolvimento afetivo, considere as duas seguintes pesquisas que eu realizei.

A primeira pesquisa foi realizada com 51 universitários da cidade de São Paulo, 27 mulheres e 24 homens. A idade média destes estudantes era 20,4 anos, variando entre 17 e 29 anos. Solicitei a este grupo de estudantes que respondesse à seguinte questão:

“Neste momento, no meu círculo de relações existem _________ (colocar o número) pessoas que me atraem, com as quais eu poderia ter, no mínimo, um belo caso de amor, caso não houvesse nenhum impedimento (comprometimento com outra pessoa etc.)”

Em média, as mulheres relataram que havia 2 pessoas pelas quais sentiam este tipo de atração e os homens relatam que sentiam este tipo de atração por 2,4 pessoas.

A segunda pesquisa identificou as quantidades de paixões e amores que 368 estudantes universitários tiveram durante suas vidas. A média de amores que estes universitários tiveram na vida era 1,3. A média de paixões que tiveram na vida era 3,6. Apenas 4% destes estudantes nunca haviam se apaixonado e apenas 13% deles nunca haviam amado até esta idade. No outro extremo, apenas 10% deles tinham se apaixonado 7 ou mais vezes e apenas 4% deles tinham amado 4 ou mais vezes. As pessoas que incidiram nestes dois extremos, ausência ou uma quantidade muito grande de amores e paixões, provavelmente são aquelas que tinham muita dificuldade e muita facilidade, respectivamente, para desenvolverem estes dois tipos de envolvimentos amorosos.

É esperado, por motivos óbvios, que as pessoas com menos de 24 anos tiveram uma quantidade menor de amores e paixões do que a relatada por estes estudantes universitários e que aquelas acima desta idade tiveram uma quantidade maior de ocorrência destes sentimentos.

 

Funções das capacidades para sentir atração amorosa e amar

A capacidade moderada para o envolvimento amoroso facilita o início e desenvolvimento dos relacionamentos amorosos. Algumas das contribuições deste tipo de capacidade são as seguintes:

(a) A atração romântica e sexual é um bom critério para escolher um parceiro.

Os amigos e os parceiros amorosos possuem várias características semelhantes. Este tipo de atração ajuda a distinguir aquelas pessoas pelas quais sentimos apenas amizade daquelas que nos atraem amorosamente. 

(b) A atração, a paixão e o amor são requisitos para o envolvimento em um relacionamento amoroso.

Sentir atração é um requisito para iniciar um relacionamento amoroso: as pessoas geralmente procuram desenvolver uma relação amorosa com aqueles por quem estão apaixonadas, amam ou, pelo menos, sentem atração amorosa. Só naquelas culturas onde o casamento é arranjado é que estes sentimentos não são considerados requisitos essenciais para iniciar um relacionamento amoroso. 

(c) O envolvimento amoroso mobiliza recursos para atrair o parceiro.

O envolvimento amoroso funciona como uma fonte de energia para as ações amorosas. Por exemplo, quando sentimos atração por alguém, esta atração faz com que nos sintamos motivados para tentar agradar, conquistar e iniciar um namoro com esta pessoa

(d) A expressão do envolvimento amoroso dá esperança para o parceiro de que ele será bem-sucedido para iniciar e desenvolver este tipo de relacionamento. Segundo Stendhal, autor do livro “Do Amor”, que trata do apaixonamento, a esperança é um dos requisitos para o nascimento do amor.

 

Causas das disfunções para se envolver amorosamente

Muitas daquelas pessoas que se dizem “exigentes” têm dificuldades para o envolvimento amoroso. Existem diversos tipos de causas para a dificuldade de sentir atração amorosa. Os principais são os seguintes:

(1) Possuir estilos de apego evitativo. Quem tem este estilo geralmente teve uma mãe distante, pouco protetora e pouco afetiva. Essas pessoas têm dificuldades para estabelecer vínculos afetivos que impliquem em proximidade e confiança mútua.

(2) Trauma em relacionamento amoroso anterior. Por exemplo, se essa pessoa foi traída e agredida por um parceiro.

(3) Exposição a modelos inadequados de relacionamento amoroso. Por exemplo, se essa pessoa foi criada por pais que não se amavam.

(4) Falta de esperança para atrair um parceiro adequado. Algumas pessoas se acham incapazes de atrair os parceiros adequados porque se acham feias e sem graça.

(5) Coração ocupado. Quem já tem um amor, correspondido ou não, tem dificuldade para se apaixonar por outra pessoa.

A maioria destas dificuldades pode ser corrigida com boas novas experiências. Os casos mais severos necessitam de tratamento psicológico. 

Nota: este artigo é uma adaptação de um capítulo do meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha.

PROCEDIMENTOS TERAPÊUTICOS PARA PREVENIR E LIDAR COM PROBLEMAS NO RELACIONAMENTO AMOROSO

Você é psicóloga(a) e está interessada no estudo de procedimentos terapêuticos para tratar dos seguintes problemas amorosos: 
- Dificuldade para sentir atração amorosa
- Dificuldade para amar
- Dificuldade para flertar
- Dificuldade para escolher parceiros
- Dificuldade para desenvolver bons relacionamentos amorosos
- Dificuldade manter clima amoroso e atração sexual no relacionamento.
- Dificuldade para manter a intimidade
- Dificuldade para dialogar com o parceiro amoroso

Como tratar cada um desses casos.

Vamos montar um grupo de estudo para desenvolver conhecimentos teóricos e métodos terapêuticos para tratar desses problemas?

Caso você tenha interesse em participar desse grupo, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 10h49

28/06/2015

Quais mensagens você envia através da produção da sua aparência?

A palavra “produção” é usada aqui para nomear o conjunto de cuidados que alteram rapidamente a aparência: vestuário, adornos, tratamento da pilosidade, acessórios, maquilagem, tatuagem, etc.


Funções da Produção

Desmond Morris afirma no seu livro “Você” (veja a citação na Nota 1, no final desse artigo) que as principais funções da produção são as seguintes:

Comodidade

Esta função é fácil de ser constatada: basta observar como o vestuário da maioria das pessoas é diferente em um dia frio em relação a um dia quente.

Pudor

Ocultar partes do corpo que a cultura considera despudorado exibir em público. Esta função também é bastante óbvia. Na nossa cultura, as regras do recato são onipresentes: os seios e os genitais devem ser cobertos. A produção sensual consiste, em grande parte, em cobrir estas partes, mas, ao mesmo tempo, sugerir e estimular a imaginação sobre o que está por baixo da cobertura.

Exibição/camuflagem

O nosso corpo funciona como uma espécie de outdoor que é usado pelas pessoas para postar diferentes mensagens através da produção.

A “exibição” é a comunicação de mensagens para outras pessoas. Esta função é uma das principais responsáveis pela existência da moda e dos múltiplos tipos de mensagens que podem ser enviados através da produção (sinais de gênero, sinais expressivos (humor, emoção), sinais afiliativos, conformismo, status, poder, riqueza, traços de personalidade, conformidade com o grupo; camuflagem, para não ser notado, etc.).

As três funções acima são atendidas, em maior ou menor grau, por diferentes itens da produção. Por exemplo, a proteção contra variações na temperatura é mais bem atendida pelo vestuário. A proteção contra os excessos de luz solar pode ser obtida através do vestuário, loções protetoras contra raios solares e óculos de sol.

Um mesmo item da produção geralmente tem várias funções. Por exemplo, um mesmo vestuário funciona para fins de recato, comodidade e exibição.


Funções do vestuário

Mark Hickson e colaboradores (2004 – veja a Nota 2) apontaram as seguintes funções do vestuário: proteção, atração sexual, autoafirmação, autonegação, esconder partes do corpo, identificação com o grupo, indicador de status e papel, identificação e a auto apresentação. Dentre estas funções, segundo estes autores, as mais importantes seriam estas duas últimas. O manual sobre comunicação não verbal destes dois autores apresenta os seguintes tópicos que podem ser considerados como funções ou efeitos do vestuário: vestuário e status, vestuário e características do usuário, vestuário e seus efeitos sobre o comportamento interpessoalvestuário e sucesso.

William Thourlby (1980 – ver a Nota 3, no final desse artigo) apresentou evidências de que as pessoas tiram dez conclusões a respeito das outras pessoas a partir de suas roupas. Estas conclusões são as seguintes:

      1.    Background econômico
2.    Nível econômico
3.    Background educacional
4.    Nível educacional
5.    Nível de sofisticação
6.    Nível de sucesso
7.    Caráter moral
8.    Background social
9.    Posição social
10. Confiabilidade


Porque vale a pena se produzir?

A produção tanto serve para ressaltar atributos físicos (por exemplo, o decote ressalta os seios) como para melhorá-los (por exemplo, o sutiã pode empinar e aumentar o volume dos seios).

A produção também pode ajudar seu usuário a se apropriar e a exercer com mais eficácia certas funções sociais. Por exemplo, a toga de um juiz ou a farda de um militar ajuda seus usuários a investirem as autoridades desses cargos e se tornarem mais poderosos do que estariam se não estivem paramentados. Neste sentido, o hábito faz o monge e o monge faz o hábito. Ambas estas afirmações estão corretas.

Por este motivo, aqueles que ascendem socialmente ficam mais motivados para usar os símbolos da nova classe social à qual querem se integrar do que aqueles que já estão nesta classe há mais tempo. Por exemplo, os “emergentes”, são mais inseguros de suas novas posições sociais e, por isso, cuidam mais das produções que as representam ou as distanciam da classe social que ocupavam anteriormente. Este fenômeno foi constatado por um estudo que verificou que professores que estavam iniciando a carreira se vestiam de forma mais diferenciada do que aqueles que já estavam há muito tempo no cargo. Por exemplo, usam mais gravatas e paletós que estes. Os “emergentes” aqueles que ascenderam socialmente recentemente podem até mesmo exagerar no uso de símbolos do novo status. Querem, por tudo, se identificarem com os “quatrocentões” e acabam usando uma profusão de símbolos do novo status - um “over”.

“Banho de loja”, no entanto, só funciona até certo ponto. Outros fatores podem fornecer pistas sobre as origens sociais das pessoas (“berço”). Isto complica as coisas. Por exemplo, quem tem origem social menos valorizada do que a posição social que ocupa atualmente, mesmo que use a mesma produção daqueles desse novo meio social com o qual quer se identificar, pode deixar transparecer suas origens. Duas pessoas que estejam produzidas exatamente da mesma forma, ainda assim, podem transparecer suas diferentes origens sociais. Como isso é codificado? Talvez, pela forma de se portar: como seus comportamentos indicam como elas estão se sentindo com aquela produção, com os locais que frequentam e com as pessoas que se encontram nesses locais.

Estes estudos mostram, portanto, que o vestuário pode produzir diversas impressões e conclusões sobre os seus usuários.

A produção pode ampliar sinais secundários de gênero

Uma parte da produção tem a função de ampliar os sinais secundários de gênero. Os sinais secundários de gênero são aqueles que distinguem os homens das mulheres, como, por exemplo, a barba, os seios, a proporção entre a cintura e o quadril, etc. Muitas vezes a moda nada mais faz do que destacar certos sinais secundários de gênero. Por exemplo, em certas épocas, a moda destaca as nádegas (uso da crinolina e das anquinhas para ampliar o tamanho das nádegas). Em outras épocas destaca pés (ou chineses enfaixavam o pés para diminuir seus tamanhos), ou os lábios (em certas épocas, o uso de batom vira moda) ou as pernas (uso da minissaia).

Teoria eco genital.  Esta teoria afirma que, muitas vezes, a moda copia ou ressalta sinais de gênero que estão presentes em outras partes do corpo (por exemplo, os batons usados para acentuar o vermelho e aparência de umidade dos lábios contribuem para que estes se pareçam com os grandes lábios vaginais).

Ocultação de sinais indesejáveis

A produção também é útil para ampliar ou ocultar sinais corporais cujos efeitos são indesejáveis como sinais de idade ou sinais de infantilidade indesejáveis.

Você não usa a sua produção em seu próprio benefício? Procure a ajuda de um psicólogo.


NOTAS

1- Morris, D. (1977). Você: um Estudo Objetivo do Comportamento HumanoSão Paulo, Círculo  do Livro.

2- Hickson, M., Moore, N, and Stacks, D. W. (2004). Nonverbal Communication: Studies and Applications. Communication Books.

3- William, T. (1980). You Are What You Wear. New American Library.

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Por Ailton Amélio às 09h33

22/06/2015

As maravilhas e funções da paixão romântica

A paixão provoca transformações perceptuais, motivacionais e comportamentais no apaixonado: o dia fica mais lindo, as músicas românticas se tornam mais pungentes, o canto dos pássaros se torna mais belo, o entusiasmo pela vida aumenta, ficamos mais corajosos e mais dispostos a enfrentar os desafios da vida, conversamos por horas com a amada e nos tornamos mais atenciosos e gentis com ela. Essas transformações podem ser tão prazerosas que muita gente acaba se viciando em paixão: o que mais querem na vida é estar apaixonado. Esse prazer perdura, é claro, quando a paixão é correspondida!


            A paixão é uma espécie de artifício que a natureza inventou para unir romanticamente, rápida e fortemente, duas pessoas.

A paixão une fortemente duas pessoas, mesmo quando não existem bases sólidas para explicar tanta atração entre elas. Ou seja, a paixão é baseada na idealização do parceiro. Stendhal, proponente de uma das mais respeitadas teorias sobre o nascimento da paixão, observou gravetos que caíam em minas de sal. Depois de certo tempo, o sal aderia aos gravetos. O resultado dessa combinação, sal e gravetos, ficava parecendo uma joia cravejada de brilhantes. Stendhal propõe que algo semelhante acontece com a paixão: aos olhos do apaixonado, o parceiro parece uma joia cravejada de brilhantes, mas, de fato, pode não passar de um graveto coberto por cristais de sal.


Por que a natureza inventou a paixão?

Eu imagino que a paixão era muito útil nos primórdios da nossa história evolutiva, na época que a nossa espécie era constituída por bandos nômades de caçadores coletores. Esses bandos tinham entre 100 e 1000 membros, aproximadamente. Eles ficam um tempo caçando e coletando alimentos em um lugar. Quando esses tipos de comida escasseavam no local, eles se mudavam para outro. Mais ou menos o que acontece com as nossas tribos de índios.

Para evitar a endogamia, casamento entre cosanguíneos, que inevitavelmente ocorreria, caso os membros de cada grupo só se casassem com outros membros do mesmo grupo, a natureza inventou a paixão: quando dois grupos se encontravam, pessoas de um grupo poderiam se interessar, muito rápida e intensamente, por pessoas do outro grupo. Esse interesse teria que acontecer muito rapidamente porque o contato entre os grupos durava muito pouco tempo. Logo cada um deles seguia seu caminho.

Essa atração teria que ser muito intensa para motivar um dos apaixonados para largar tudo e ir embora com o novo parceiro. Teria que largar família, amigos, segurança, aliados, etc.

Ainda hoje, a paixão produz esse enorme efeito: pessoas fazem loucuras quando estão apaixonadas - largam tudo, movem céu e terra para se unirem ao amado que mal conhecem ("Viva Las Vegas!": casamentos instantâneos entre recém-conhecidos!).

Ainda hoje, a paixão é útil: muitas vezes nos envolvemos com alguém que mal conhecemos, que encontramos por acaso, e que provavelmente não veríamos de novo, se não sentíssemos algo muito forte que nos leva a tomar providências para encontrar tal pessoa outra vez. Isso acontece em várias situações: viagens, congressos, restaurantes e, principalmente, nas baladas. Os sites e aplicativos para encontrar parceiros também fazem uso dessa capacidade para nos envolvermos rápida e fortemente com alguém que praticamente não conhecemos: podemos ficar fortemente interessados em uma desconhecida que só vimos a foto e lemos algumas frases de apresentação!

            Esta ligação semi-instantânea de alta intensidade pode unir pessoas semidesconhecidas durante o tempo suficiente para que o envolvimento entre elas se estabeleça em outras bases mais sólidas - através da intimidade e compromisso (saber que pode confiar e contar com o outro; compartilhar preocupações, problemas e alegrias; receber e oferecer apoio; assumir compromissos externos e internos; unir forças; desenvolver e compartilhar experiências excitantes; depender mutuamente para atingir metas; divisão de encargos, etc.).

Claro, nem sempre a paixão deságua no amor. Muitas vezes, quando a idealização diminui, a princesa que víamos através da lente da paixão adquire a sua verdadeira aparência: uma sapa!

Outras vezes, a princesa adquire outro formato que também é atraente: uma plebeia cheia de atrativos que são mais do que suficientes para provocar e solidificar o nosso amor.

Em outros casos, ainda, a princesa é realmente uma princesa e, além disso, exibe outras qualidades que despertam o nosso amor. Neste caso, ganhamos na loteria do amor!


Princípios gerais que regem os apaixonamentos

            A teoria do apaixonamento mais aceita por aqueles que estudam o fenômeno do apaixonamento é a de Stendhal. Esta teoria afirma que são necessárias três condições para que ocorra o apaixonamento: admiração, esperança e certa dose de insegurança.

Admiração

A admiração por uma pessoa pode ser provocada tanto pelas suas qualidades gerais (inteligência, cultura, princípios morais, etc.) como pelas suas qualidades diretamente relevantes para o apaixonamento (beleza, comportamentos típicos de cada gênero, etc.). Geralmente as pessoas que estão tentando conquistar procuram uma forma sutil e socialmente aceita de exibir estes dois tipos de qualidades para quem querem conquistar. Por exemplo, contam casos que ressaltam sutilmente seus atributos admiráveis; cuidam da beleza física e da produção (principalmente as mulheres) e exibem recursos econômicos, como para pagar jantares em restaurantes da moda, desfilar em carros caríssimos (principalmente os homens).

Outra teoria que também afirma que a admiração é necessária para o apaixonamento é a Teoria da Expansão do Eu. Segundo esta teoria, as qualidades que admiramos em outra pessoa são aquelas que gostaríamos de ter. Esta teoria afirma também que a associação amorosa com uma pessoa que possua tais qualidades seria uma forma de nos apropriarmos delas e, desta forma, expandirmos o nosso eu.

Uma pesquisa encontrou resultados que confirmam esta teoria: casais que participaram de atividades desafiadoras de seus limites psicológicos (expansoras do eu) relataram um maior fortalecimento de suas ligações afetivas do que casais que participaram de atividades agradáveis, mas não desafiadoras. (Pense nisso quando estiver escolhendo um programa para fazer com alguém que você deseja conquistar).

Esperança

Existem dois tipos de esperança. A primeira é que tenhamos qualidades suficientes para atrair a pessoa que queremos conquistar. Quem não atende a este requisito incorre naquele ditado popular que afirma que o parceiro “é muita areia para o seu caminhãozinho”. Atendido este primeiro requisito, ainda é necessário que haja um segundo tipo de esperança: a  esperança da reciprocidade do interesse amoroso. Este tipo de esperança é alimentado por aqueles sinais que são apresentados, principalmente, através da paquera verbal e não verbal (“derreter-se na presença do outro”, “ficar rodeando a outra pessoa”, apresentar a “dança do acasalamento” – caras, bocas, posturas, vozes, etc.).

Insegurança

Segundo Stendhal, a insegurança é o catalisador do amor: certa dose de insegurança contribuiria para o nascimento deste sentimento. Quando algo é importante para nós, mas não estamos seguros da sua posse, tendemos a valorizá-lo mais e mantê-lo por mais tempo na nossa consciência (“Não consigo parar de pensar nela.”) do que quando há muita segurança prematura desta posse. A insegurança também faz que comemoremos mais intensamente cada sinal de que estamos conquistando a parceira desejada. Coerente com este princípio, uma técnica de conquista popular prescreve o uso do “tratamento quente-frio” para conquistar alguém. Segundo esta técnica, é bom alternar as “horas de dar bola" com horas de mostrar indiferença pela pessoa, com a finalidade de não dar segurança excessiva para ela. Este princípio também é aplicado por aquelas pessoas que “ficam subindo pelas paredes” após ter saído com alguém interessante, porque não querem tomar a iniciativa de telefonar  para não parecerem interessadas demais.


Nem todo mundo consegue se apaixonar

Algumas pessoas não conseguem se apaixonar e são bastante céticas sobre esse sentimento. Provavelmente essas pessoas são aquelas que têm, em alto grau, um ou uma combinação dos seguintes estilos de amor: Pragma, Ágape ou Estorge. Aqueles que conseguem se apaixonar são aqueles que têm um dos seguintes estilos de amor: Eros, Mania ou Ludos. (Estilos de amor definidos  por John Alan Lee – veja o meu artigo, neste blog, “Estilos de Amor”).

 

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Amor e apego

Apaixonamento

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

Amor e desapaixonamento

Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Como são os ingredientes do seu amor 

(intimidade, paixão e comprometimento)?


Tratamento de problemas amorosos

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Montando um grupo de estudos no meu consultório para estudar os temas acima sobre paixão e amor!

Interessada(o)? Escreva para o email:

ailtonamelio@uol.com.br

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Por Ailton Amélio às 10h12

13/06/2015

Confira se você é um matador de conversas

"Transar é fácil, difícil é achar alguém para conversar", diz Miley Cyrus1

A conversa e o assunto podem ser mortos de duas formas principais:

1- Morte passiva. Deixar de fazer aquilo que pode ser feito para manter e dar brilho para a conversa é uma maneira de matá-la por desnutrição: não alimentar a conversa, não se mostrar animado e não animar o interlocutor, não desempenhar bem o papel de ouvinte ou de falante, não respeitar as regras dos turnos e das mudanças de turnos são algumas das maneiras de desnutrir a conversa

2- Morte ativa: impossibilitar a conversa ou o assunto; indispor o interlocutor para conversar ou tratar daquele assunto (tapar os ouvidos): portar-se de tal forma que o interlocutor ficará zangado ou sentir-se-á desrespeitado e interromperá a conversa. Outra maneira e matar a conversa ativamente: fazer coisas para diminuir a motivação do interlocutor ou inviabilizar a conversa pela quebra de suas regras fundamentais ou estragar sua motivação para tratar de certos assuntos, para conversa conosco.

Um motivo externo, de força maior, também pode impor a morte justificada da conversa. Por exemplo, um compromisso sério e inadiável pode fazer a conversa ser encerrada.

Existem muitas publicações que trataram das medidas para animar ou alimentar a conversa. Para matar passivamente a conversa ou assunto basta não tomar essas medidas. Neste artigo, vamos tratar apenas das formas ativas de matar a conversa ou o assunto.


Maneiras ativas de matar a conversa

As principais maneiras ativas de matar a conversa são as seguintes:

1- Mostrar hostilidade generalizada contra o interlocutor

2- Roubar os holofotes

3- Agir impolidamente. Ameaçar a face do interlocutor: ser rude demais verbal e não verbalmente

4- Desenvolver temas chatos e desagradáveis

5- Assumir o papel de Dr. Sabe Tudo

6- Anular o interlocutor

7- Tomar todo o poder sobre os componentes da conversa para si

8- Contestar sistematicamente o interlocutor

9- Sair abruptamente do papel de ouvinte ou de falante: virar as costas, mudar de assunto

10- Não dar o tom certo para a conversa: brincar quando não deve, ironizar, etc.

11- Forçar conversas e temas

12- Monopolizar o papel de ouvinte ou de falante

13- Interromper demais

14- Dar conselhos não solicitados

15- Discordar de tudo

16- Interrogar

Agora, vamos abordar mais detalhadamente as ultimas seis maneiras de liquidar conversas mostradas na lista acima. Elas serão abordadas porque, acredito, que são as maneiras mais frequentes e graves de matar as conversas.


Principais maneiras ativas de matar conversas

Forçar conversas e temas

Nem sempre é possível conversar com uma determinada pessoa ou tratar de um determinado tema com ela em um dado momento. Existem vários motivos para esta impossibilidade: pelo menos uma das pessoas que poderiam conversar considera que outra não é uma interlocutora adequada (por exemplo, a outra pessoa é uma desconhecida que acabou de fazer uma abordagem na rua e quer falar de coisas íntimas); o momento não é adequado (por exemplo, uma delas está sem tempo); as circunstâncias não são adequadas (por exemplo, uma festa não é a ocasião adequada para conversar sobre negócios); existem dificuldades para identificar assuntos adequados e envolventes naquele momento (“Não ter nada para conversar naquele momento”), etc.

Quando não há condições para conversar, insistir na conversa é forçar a situação.

Quem faz uma ligação telefônica deve certificar se está interrompendo.

O telefonema em momentos inconvenientes é um caso frequente de conversas forçadas. Quando ligamos para uma pessoa não sabemos se ela está disponível naquele momento para falar ao telefone. Por isso, é prudente começar a conversa perguntando: “Estou interrompendo alguma coisa?” ou algo equivalente. Caso a pessoa chamada apresente algum sinal de desconforto com a ligação, quem ligou deve dizer: “Te ligo outra hora”, “Quando você puder, me ligue”. Também ajuda muito quando quem recebe uma ligação inconveniente diz, assim que atender ao telefone: “Olá, fulano. Tudo bem? É urgente? Posso te ligar daqui a pouco?” ou algo do gênero.


Monopolizar os papéis de falante ou de ouvinte

Para que uma conversa aconteça é necessário que haja alternância nos papéis de ouvinte e falante. Caso isto deixa de ocorrer, o acontecimento não é um diálogo. Pode ser um monólogo, uma palestra, uma declaração ou algo do gênero. A falha na alternância de papéis pode ocorrer porque um dos interlocutores não quer abrir mão do seu papel de falante ou de ouvinte. O primeiro caso (“pessoas que falam demais”) é mais do conhecimento público do que o segundo (pessoas que “ouvem demais” ou “pessoas que falam de menos”).

Falar demais. O falante compulsivo se dá ao direito de fazer todas as associações e desenvolver todos os assuntos que vão lhe passando pela cabeça. Ele só está interessado em se exibir, desabafar ou produzir determinadas reações no ouvinte. Não está interessado no que se passa com este. Falar demais anula o ouvinte e impõe-lhe um problema: ou suporta aquele falante desagradável ou age de uma forma rude para interrompê-lo. Uma boa medida para evitar falar demais é mencionar os temas e só desenvolvê-los á medida que o interlocutor manifeste interesse por eles.

Recusar a palavra. Algumas pessoas se recusam sistematicamente a ocupar o papel de falante. Quando são pressionadas a fazê-lo, falam o mínimo possível e da forma menos comprometedora possível. Isto cria uma conversa assimétrica e, geralmente, pouco interessante. A pessoa que fala pouco contribui menos, deixa de expor a sua posição, dá a impressão de pouco interesse na conversa ou no assunto e de falta de confiança em si mesmo e no interlocutor.


Interromper demais

Certa vez fiz a seguinte experiência com meus alunos: apresentei uma pergunta para um deles. Assim que esta pessoa começou a responder eu apresentei outra pergunta. Assim que ele começou a responder esta segunda pergunta eu apresentei uma terceira, e assim por diante. Geralmente três ou quatro perguntas e interrupções de respostas deste tipo eram suficientes para fazer o aluno ferver de raiva. Ela se mostrava perturbado, frustrado e agressivo comigo. Só se acalmava um pouco quando eu explicava para ele que este procedimento estranho e rude tinha o objetivo de demonstrar os efeitos da interrupção.

A interrupção pode acontecer em diversos contextos: no meio de uma palavra, no meio de uma frase, no meio de uma ideia ou de um tema. Uma quantidade moderada de certos tipos de interrupção de pode ser bem vinda. Por exemplo, as interrupções para fins esclarecimento (de um termo ou ideia), mostram o interesse e envolvimento do ouvinte no que está sendo dito. As interjeições ou comentários breves, que não exijam respostas elaboradas, podem indicar envolvimento do ouvinte com a conversa, o que é motivador para o falante.


Dar conselhos não solicitados

Muita gente confunde quando o interlocutor quer apenas relatar ou desabafar sobre um acontecimento com pedido de conselhos. Os homens, especialmente, cometem muito este tipo de erro. Por exemplo, as mulheres odeiam quando começam a relatar um fato aborrecido que ocorreu no trabalho e o marido logo começa a sugerir medidas que ela deveria tomar para resolver a situação. Este tipo de conselho na hora errada encerra o relato ou desabafo. Fica pior ainda quando o conselheiro espera que o aconselhado acate e ponha em prática seus conselhos e fica irritado quando este indica que não vai acatá-los.


Roubar os holofotes

O ladrão de holofotes sempre quer ser o foco das atenções na conversa. Naquelas ocasiões que o interlocutor teria as atenções, o ladrão dá um jeito de atrai-las para si.

O ladrão de holofotes segue as seguintes regras: “O que aconteceu comigo é mais importante do que o que aconteceu com você”. “A minha notícia é mais interessante do que a sua”. “O que tenho a dizer é mais importante do que você tem a dizer”.

Ladrão de temas: a pessoa que introduziu o tema não consegue obter o impacto que queria na conversa. Quando isso acontece, embora o tema continue na conversa, agora é o ladrão que trata dele e atraiu a atenção dos ouvintes para si.

O ladrão tem várias maneiras de se apossar do tema: ele discorre sobre um acontecimento similar ao que relatado com o interlocutor o afetou; como ele vê o acontecimento; como lidou com o acontecimento; como a sua relação com o tema é mais importante do que a relação daquele que o introduziu, etc. O ladrão se apropria do controle do tempo, do conteúdo e da forma de conduzir o tema da conversa.


Discordar de tudo

Ser do contra. Facilita muito a conversa quando existem demonstrações de boa vontade em relação ao que o interlocutor está dizendo. Quando alguém começa a discordar do seu interlocutor de uma forma muito frequente e sistemática, isto pode indicar uma atitude negativa de quem discorda em relação ao seu interlocutor. Neste caso, é natural que quem esteja sendo contradito perca o interesse ou se esquive de continuara a conversa ou brigue.


Interrogar

Certas pessoas se portam na conversa como se fossem interrogadores da polícia.

Essa forma de se portar é completamente autoritária: o interrogador escolhe a pergunta, a maneira de o interrogado participar da conversa, o conteúdo e a extensão da resposta.

Pior ainda, quando as perguntas são fechadas. Para este tipo de pergunta, as opões do interrogado ainda se tornam mais restritas: o conteúdo e a extensão da sua resposta são predeterminados pela pergunta.

Neste tipo de conversa, o interrogado perde rapidamente a motivação: ele não pode seguir suas próprias motivações para falar: a sua fala é determinada por quem pergunta. O seu papel na conversa também é muito restrito: ele deve se limitar a responder o que foi perguntado. O nível de intimidade daquilo que ele diz depende em boa parte daquilo que lhe foi perguntado.

Geralmente, quando uma pessoa não puxa assunto, responde só o que foi perguntado e não mostra entusiasmo na voz de nos gestos, esses sinais indicam que esta pessoa não está querendo conversar. 

As perguntas são poderosas para induzir respostas. Quem recebe perguntas, geralmente foi educado para respondê-las.

Este tipo de interrogatório acontece frequentemente quando o interrogador quer conversar e o interrogado não quer. Acontece também quando o interrogador quer abordar um determinado assunto e o interrogado não quer. Em ambos esses casos, as perguntas são usadas para pressionar a participação do interrogado.

Você é um matador de conversas? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: 1- http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/16/transar-e-facil-dificil-e-achar-alguem-para-conversar-diz-miley-cyrus.htm

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Por Ailton Amélio às 12h42

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.