Blog do Ailton Amélio

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21/08/2014

Desligue o celular e a televisão e comece a conversar de verdade

Neste artigo vamos apontar como a presença dos celulares mais sofisticados (“smarthphones”) e da televisão estão acabando com as “boas conversas” cara a cara. Também vou sugerir uma nova etiqueta para regular o uso adequado desses dois tipos de tecnologia e, por fim, vou lembrar alguns tipos de comunicação não verbal e comunicação verbal que devem estar presentes em uma boa conversa.

As conversas cara a cara estão perdendo espaço para o celular e televisão

O relacionamento social cara a cara está, cada vez mais, perdendo espaço para o relacionamento virtual. Foi-se a época que as pessoas se encontravam para conversar. Agora, boa parte dos papos rola através da internet.

A mídia está cheia de fotos que mostram pessoas, em todos os tipos de locais,  que, embora juntas, aparecem digitando nos seus aparelhinhos, ao invés de prestar atenção aos seus interlocutores: mesas de bar, pátios de escolas e salas de espera.

Os "selfies" acontecem nos locais mais indiscretos e inadequados como velórios e funerais (até o presidente Obama fez o seu durante o velório de Mandela!) e, até, durante assaltos, onde ladrão e vítima posam para a fotografia!

Também rodou na internet uns vídeos que mostra uma professora tomando o celular do aluno que está recendo uma ligação durante a aula e jogando-o no chão.

Alguns bares estão tomando a louvável iniciativa de instalar bloqueadores de celular com o objetivo de eliminar este distrativo de seus ambientes e dar a chance dos frequentadores conversarem entre si.

Conversas telegráficas

Como digitar é trabalhoso, estamos, cada vez mais, desenvolvendo a arte de abreviar as mensagens. Neste aspecto, parece que voltamos à época do telégrafo, onde as mensagens eram cobradas por palavras e, por isso, seus tamanhos eram reduzidos ao mínimo possível, para economizar.

Interferências contínuas

Não é só a redução na quantidade de horas de conversas cara a cara que está acontecendo como consequência do uso da internet e televisão.  Agora, durante as parcas horas de interação cara a cara, ocorrem mil interrupções pelas chamadas do celular e pelos sonzinhos típicos de cada tipo de mensagem ou ruídos de vibração que avisam sobre a chegada de novas mensagens.

Vantagens e desvantagens da conectividade total

É bom poder comunicar com pessoas distantes. Isso aproximou muito mais aquelas pessoas que estão fisicamente distantes. No entanto essa mesma conectividade 24 horas por dia está afastando as pessoas que estão fisicamente presentes.

A televisão é outra grande fonte de interferência nas conversas

Com a popularização da televisão, foi-se boa parte atenção que antes era dedicada à família e aos amigos que nos visitavam.

A disposição do mobiliário mostra quais são as prioridades: o aparelho de televisão reina:os assentos são orientados mais para a televisão do que para os interlocutores. Agora, a conversa fica restrita aos momentos de comerciais. Os breves comentários durante a programação sempre são proferidos com aquela sensação de medo de estar interrompendo a atenção que o interlocutor está dedicando ao seu programa favorito.

Nova etiqueta para conversar

Estamos precisando criar uma nova etiqueta que regule o uso do celular e da televisão. Por exemplo, essa etiqueta poderia estipular que seria muito rude e intolerável ficar assistindo televisão durante o jantar familiar.

Quanto ao celular, ficar olhando para ele durante a conversa seria considerado rude e ficar digitando mensagens seria considerado grosseiro.

Nesta nova etiqueta, o celular deverá ser deixado no “guarda celulares”, um local que passará a existir logo na entrada de estabelecimentos finos, onde é esperado que as pessoas conversem. Nestes locais, também haveria uma sala reservada para aqueles viciados que não conseguem se abster deste vício por um mínimo  de tempo: uma espécie de "celuródromo".

Nada contra a tecnologia.

Nada de saudosismos. A tecnologia trouxe muitos benefícios e veio para ficar. Agora, conseguimos ficar psicologimente mais próximos de pessoas que estão fisicamente distantes e psicologicamente distantes de pessoas que estão fisicamente próximas.

 

Relembrando como é uma conversa de verdade

Vamos relembrar agora alguns comportamentos e posturas que facilitam, aumentam a eficiência e motivam uma boa conversa.

A comunicação não verbal que facilita a conversa

- Mostrar sinais que está disponível para conversar.

Por exemplo, dizer que está com tempo livre; encostar-se a uma superfície; convidar para sentar; interromper o que estiver fazendo (desligar a tevê, desligar o computador); colocar a pasta ou a bolsa que está portando sobre a mesa; fechar a porta para evitar interrupções.

- Assumir uma distância propícia para conversar.

Não ficar nem muito longe nem muito perto do seu interlocutor. Quando ambos estão em pé, deixar o interlocutor estabelecer a sua distância preferida. Depois que ele fizer isso, caso você queira “esquentar” um pouco o relacionamento, se aproxime dele mais um pouquinho (puxe a sua cadeira para mais perto ou dê um passinho na sua direção, mas não exagere).

- Evitar barreiras físicas ente si e o interlocutor.

Barreira é a presença de um obstáculo entre os interlocutores. Existem dois tipos de barreiras: (1) corporal. Por exemplo, as pernas cruzadas de um interlocutor estão interpostas entre ele e o outro; (2) objeto: os interlocutores ficam separados por uma mesa um balcão. É comum colocar uma pasta ou bolsa entre si e outra pessoa quando ambas sentam-se em um mesmo sofá.

- Assumir posições semelhantes às do interlocutor.

Por exemplo, os dois interlocutores permanecem sentados ou os dois ficam em pé; ambos se encostam a uma parede. É importante manter os olhos na mesma altura dos olhos do interlocutor. Assumir posições diferentes daquela adotada pelo interlocutor contribui para quebrar o clima positivo da conversa. Por exemplo, quando um está sentado e o outro em pé, isso contribui para esfriar a conversa.

- Apresentar padrão típico de olhar do ouvinte atento: o ouvinte geralmente olha mais para o falante do que vice versa; olhar para o rosto do interlocutor (olhos, testa, boca); não ficar muito tempo olhando para o ambiente ou outras pessoas.

- Evitar dar atenção para outros acontecimentos que estão ocorrendo no ambiente. Por exemplo, não ficamos olhando demais para as outras pessoas que estão passando próximo do local onde você está conversando. Quando algo absorve a nossa atenção, deixamos de prestar atenção a outros fatos e acontecimentos presentes.

- Orientar a frente do corpo na direção do interlocutor.

Voltar toda a frente do corpo (rosto, peito, púbis, joelhos e pés) na direção do interlocutor. Caso fique desconfortável essa orientação, devido ao excesso de intimidade que ela produz, mantenha um pequeno ângulo entre a frente do seu corpo e o interlocutor.

- Inclinar o tronco na direção do interlocutor (quando estiver sentado).

Quando sentado, o tronco do bom ouvinte deve ser ligeiramente inclinado na direção do interlocutor (inclinado para frente ou para a lateral quando o ouvinte está ao lado ou à frente, respectivamente).

- Sincronizar a emissão dos sinais de recepção e outras intervenções com momentos oportunos da fala do interlocutor. Por exemplo, esperar ele terminar de expor uma ideia antes de posicionar-se a favor ou contra ela.

- Não atrapalhar a comunicação do interlocutor

- Anuir frequentemente com movimentos de cabeça.

Este é um dos principais comportamentos que indicam que o ouvinte está acompanhando, entendendo e concordando com o que está sendo dito.  Este comportamento geralmente é apresentado periodicamente e, principalmente, assim que o falante termina de apresentar uma ideia ou quando esse olha para o ouvinte.

- Emitir vocalizações curtas em reação ao que está ouvindo.

Por exemplo, o ouvinte emite grunhidos e exclamações que indicam que ele está acompanhando o que está sendo dito e que informam como ele está reagindo ao que está sendo dito.

A comunicação verbal durante uma boa conversa

O ouvinte ativo faz pequenas intervenções verbais que contribuem para motivar, direcionar e fornecer feedback para o falante sem atrapalhar muito o que este está dizendo. As principais destas intervenções são as seguintes.

-    Repetir, com um tom de interrogação, palavras chaves, frases e ideias apresentadas pelo falante de maneira sintética para estimulá-lo a expandi-las (Fazer perguntas e pedir para explicar tem efeitos similares à esse tipo de repetição). Por exemplo, o falante diz: “Ontem peguei o maior congestionamento quando cheguei da viagem.” O ouvinte diz “Viagem?”. Este procedimento induz o falante a expandir, corrigir ou aperfeiçoar completar o que disse.

-  Ajudar o falante a elaborar o que está dizendo.

-   Pedir esclarecimentos de pontos obscuros. Não entender o que está sendo dito provoca a perda do envolvimento com a conversa, impossibilita reações corretas ao que foi dito e causa embaraços. Pedir esclarecimento também é um sinal de interesse no que está sendo dito e um sinal que deseja continuar ouvindo. Por exemplo, diga: “não entendi”; “explique melhor isso”, “dê um exemplo”.

- Pedir mais detalhes sobre o que foi dito. Por exemplo, diga: “fale um pouco mais sobre este fato”.

-  Mostrar empatia pelo ponto de vista do falante e pelas suas emoções. Uma maneira de fazer isso é refletir os sentimentos do falante. Por exemplo, faça comentários do tipo: “Isto deve ser muito chato para você.”, “Parece que você ficou muito contente com esta notícia”, “Você deve estar feliz com isso.”

- Usar palavras de compreensão que não comprometam com aprovação do conteúdo do que está sendo dito e usar um tom positivo de voz. Por exemplo, “vejo que você está muito convencido desta ideia”, “Parece que você ainda não se decidiu”.

- Resumir as principais ideias e conceitos sobre aquilo que ele ouviu. Você está em um dilema: ficar em um emprego que paga melhor ou ir para um emprego que paga menos, mas que você gosta mais.” É muito motivador para o falante ouvir um resumo do que ele disse. Mostra que o ouvinte estava motivado para ouvi-lo, prestou atenção, entendeu e quer continuar a conversar.

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Por Ailton Amélio às 09h06

10/08/2014

Um bom casamento vale mais do que bens materiais

Você sabia que um bom casamento traz um aumento na felicidade que equivale a aumentar quatro vezes o tamanho do salário?

Você sabia que uma boa amizade traz um aumento na felicidade que equivale a aumentar três vezes o salário?

Quem faz essas afirmações e outras mais é Robert Putnam, professor de políticas públicas da Universidade de Harvard (ver o link para uma entrevista deste autor na Nota, no final desse artigo).

As duas afirmações acima provavelmente são válidas para pessoas que já ganham, pelo menos, o suficiente para satisfazer suas necessidades básicas. Para aquelas pessoas cujos ganhos são insuficientes para satisfazer essas necessidades, o aumento dos rendimentos contribui, sim, bastante para o aumento da felicidade. Por exemplo, quando alguém está passando fome, passando frio, não tem onde dormir, não tem vestuário adequado ou seus parentes estão doentes e não podem se tratar por falta de dinheiro, o aumento de rendimento aumenta significativamente a sua felicidade.

Como vamos ver neste artigo, não é o casamento em si que traz felicidade. Tem que ser um bom casamento. Um mau casamento pode trazer muita infelicidade. Além disso, o nível de felicidade depende mais da personalidade do que do casamento: quem já era feliz antes do casamento tem maior chance de continuar feliz durante o casamento. Quem já era infeliz antes do casamento tem mais chance de continuar infeliz no casamento!


Possuir mais bens materiais não aumenta a felicidade

Entre 1950 e 2005 os bens dos americanos aumentaram cerca de três vezes. Em 2005, por exemplo, o americano médio possuía computador, celular, ar condicionado e televisão a cores. Muitas dessas coisas nem existiam nos anos 50.  As medições do nível de felicidade, que foram periodicamente realizadas durante este espaço de tempo, mostram que ela não se alterou neste período.

Geralmente a aquisição de bens materiais só aumenta consideravelmente a nossa satisfação na época da aquisição. Por exemplo, quem compra um carrão ou uma casa muito melhor que a anterior fica muito contente antes da compra, com ainda está sonhando com o bem, e logo depois da compra. Tempo depois, aquilo que foi adquirido vai saindo da consciência e deixando de trazer tanta satisfação: a pessoa que fez a compra vai deixando de notar o carro ou a casa. Ela se acostuma com esses bens e começa a pensar em uma nova aquisição. Todos já tivemos a experiências de comprar uma bela roupa e ficarmos muito contente na época da aquisição e, logo após usá-la uma vez ou outra, vamos deixando de pensar nela e podemos até esquecê-la no fundo do guarda roupa.

Outro exemplo: quem ganha na loteria fica muito feliz na ocasião. Depois de certo tempo, o seu nível de felicidade vai voltando ao que era antes, e cerca de um ano depois da premiação, a pessoa que ganhou está tão feliz ou infeliz quanto antes.


Relações sociais podem proporcionar prazer renovado

Claro que também nos acostumamos com as pessoas e elas deixam de ser novidades. Por exemplo, no início de um relacionamento amoroso achamos o parceiro muito excitante e interessante e, após algum tempo, ele perde muito da capacidade para despertar nossa atenção e de nos excitar (este é o famoso “efeito novidade” ou “efeito Coolidge”).

Certas pessoas, no entanto, são capazes de trazer para nós, de forma continuada, uma boa dose imprevisibilidade, vitalidade, e desafio. Outras pessoas passam a nos roubar energia e nos colocar para baixo. A maioria das pessoas fica entre esses dois extremos, neste quesito. Por isso, é bom escolher bem o parceiro e cuidar para que ele continue sempre com a mesma vitalidade que mostrava no início do relacionamento.

Pessoas que não são vitalizadoras

Certas pessoas não contribuem direta ou pessoalmente para dar sentido e energia para nossa vida. Ou elas estão ausentes ou, quando presentes, não são nada energéticas, ou ainda, não estão interessadas em nós. É muito comum ouvirmos afirmações do seguinte tipo sobre essas pessoas ou por parte delas:

- “Ele me dá tudo, mas não presta atenção em mim”.

- “Ele é capaz de fazer qualquer coisa por mim e pelos filhos, mas é muito chato!”

-“Ele não sabe conversar. Não repercute o que eu digo, não compartilha o que está pensando e não inicia assuntos!”

- “Ele não tem sede de viver: não é muito curioso, adora rotinas e odeia surpresas e coisas arriscada”.

- “Ele me ama, mas é impaciente para ouvir minhas opiniões”.

- “Ele me trata como uma obra de arte: gosta de me ver, ama me possuir, cuida de mim, tem orgulho de estar comigo em público, mas não se interessa pela forma como penso, sobre minhas preocupações ou sobre o que gostaria de realizar na vida”.

- “Estou o tempo todo trabalhando e quase não tenho tempo para a família. Faço isso para que proporcionar para eles o melhor conforto possível e segurança econômica”.

Essas frases dizem respeito a pessoas que proporcionam coisas, mas elas próprias não são fontes de vitalidade para seus familiares.

Contribuições de um bom parceiro para a nossa satisfação

Algumas pessoas são verdadeiros espetáculos contínuos. Quando estamos perto delas, não experimentamos o aborrecimento e o desânimo. O cotidiano ao lado delas parece sempre renovado porque elas agem sempre de forma inesperada e viva ao que está acontecendo. Elas são cheias de iniciativas e reagem aos nossos comportamentos de forma verdadeira e, por isso, criativa. Elas usam menos clichês do que outras pessoas para responder ao que dizemos e sempre nos estimulam a ver as coisas de forma diferente do habitual. São verdadeiras usinas de vida.

Quem não gostaria de ter um parceiro que proporcionasse pelo menos algumas das seguintes dádivas:

- Companheiro para tudo na jornada da vida.

- Conversas envolventes, criativas e nutritivas.

- Transmutador da realidade: a paixão amorosa que ele inspira transforma magicamente a nossa realidade.

- Prazer enlouquecedor através do sexo criativo, envolvente e competente.

- Ampliador dos limites do eu: a sua forma de ver a realidade, a todo o momento, amplia a minha forma de perceber as coisas e estimula continuamente o meu crescimento psicológico.

- Apoio ilimitado: “Na saúde e na doença”, “Na alegria e na tristeza” ...

- Fã incondicional: fonte inesgotável de admiração pela minha forma de ser, pensar e agir.

- Sócio nos lucros e perdas: estamos no mesmo barco na luta para conquistar aquilo que a vida oferece de melhor.

- Bem sucedido: bem sucedido na área econômica e social.

- Sempre lutando ombro a ombro: sempre dispostos a assumir os afazeres e obrigações que são necessários para a manutenção do lar e a educação dos filhos.

 

Ter um parceiro que proporcione os benefícios citados acima realmente afeta muito mais o nosso nível de felicidade do que possuir muitos bens ou obter um aumento significativo do nosso rendimento econômico. Da mesma forma, proporcionar essas coisas para o parceiro é extremamente importante.

O nosso tempo e a nossa energia são limitados. Temos que investi-los da melhor forma possível. Temos que decidir quanto tempo e quanta energia vamos usar para tentar obter bens materiais ou para cultivar bons relacionamentos. 

Problemas para valorizar o parceiro amoroso ou o casamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Putnam, R. Putnam: ‘Strongest predictors of happiness are social relationships. http://chqdaily.com/2013/07/23/putnam-strongest-predictors-of-happiness-are-social-relationships (Consultado em 10/08/2014).

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Por Ailton Amélio às 08h26

07/08/2014

Análise sexual: uma maneira de tirar a vida sexual do "feijão com arroz"

As seguintes questões vão ajudar você a refletir sobre como anda a sua vida sexual.

1.    Você conversa com o parceiro sobre suas práticas sexuais?

2.    Você conversa com o parceiro sobre sexo, em momentos não eróticos?

3.    Durante o sexo, você orienta o parceiro sobre o que quer que ele faça e sobre o que você quer fazer?

4.    Durante o sexo você se expressa através de sons não articulados que revelam a sua satisfação?

5.    Você conversa com o seu parceiro sobre suas fantasias e tenta colocá-las em prática?

6.    Você sente-se segura e desinibida para conversar com o seu parceiro sobre sexo?

7.    Você e seu parceiro estão sempre inventando novas maneiras de se expressarem durante o sexo?

8.    Você e seu parceiro temem fazer qualquer coisa diferente e isso ser considerado errado ou pervertido?

9.    No sexo, você sabe distinguir o que não gosta do que está inibido ou reprimido?

10. Você sabe produzir um clima sensual e erótico, que pode durar muito tempo e ser tão bom quanto o sexo em si?

11. Você sente desejo antes do sexo e fica esperando ansiosamente o momento que vai transar com seu parceiro?

Quanto mais questões você respondeu positivamente, mais desenvolvido, solto e sofisticado você é na área sexual.

 

Como você desenvolveu a sua sensualidade e sexualidade?

A maioria das pessoas responde essa pergunta com a palavra "naturalmente". Essa palavra geralmente indica que quem respondeu não recebeu nenhuma educação formal sobre esse tema, e o pouco que sabe sobre ele, aprendeu através de conversas com amigos, filmes, leituras e experiências práticas com outras pessoas que também sabiam muito pouco sobre essa área.

Na nossa sociedade é assim que acontece: desenvolvemos "naturalmente", ou seja, “improvisadamente”, essa área tão importante de nossas vidas.

Não é de se admirar que a vida sexual seja tão infestada por tabus, seja tão subaproveitada e seja uma grande fonte de problemas para muita gente.

Cerca de um terço das mulheres nunca teve orgasmo, outro terço só tem orgasmo de vez em quando e o outro terço geralmente tem orgasmo. O problema mais frequente entre as mulheres é a falta de desejo.

Muitos homens têm problemas de ereção. Muitos homens não sabem criar e aproveitar o clima sexual. A grande maioria dos homens não entende como o relacionamento fora da cama afeta profundamente o desejo feminino.

A grande maioria dos homens e mulheres não sabe como criar um clima sensual, erótico e sexual, que dure horas e que seja muito prazeroso.

Já ouvi inúmeras desculpas completamente não convincentes que tentam atribuir a fraqueza da vida sexual do casal ao excesso de trabalho, às interferências dos filhos pequenos ou ao estresse. Essas desculpas não convencem. Quando o desejo é grande, o casal arranja um jeito de satisfazê-lo.


Aprendendo como quem não sabe

Aprender com quem tem conhecimento limitado é como aprender a escrever com pessoas que mal sabem assinar o próprio nome, ou aprender a tocar violão com alguém que mal sabe dedilhar as cordas deste instrumento.

O fato de dominarmos apenas o básico impede que tiremos o máximo proveito de muitas áreas. Por exemplo, todos nós apreciamos a comida do dia a dia,  apreciamos um vinho, apreciamos música e nos arriscamos a falar algumas frases em outras línguas. No entanto, aqueles que se desenvolveram em cada uma dessas áreas podem usufrui-la muito melhor. Por exemplo, quem fez curso de culinária, de enologia, teve educação musical e frequentou uma boa escola de idiomas, respectivamente, tem muito mais condições de apreciar o que se passa em cada um desses setores. Com o sexo também é assim: male e male, quase todo mundo é capaz de fazer o básico. Outra coisa é quem realmente teve a oportunidade de se desenvolver nesta área.

 

Pobreza sexual no casamento

Já atendi muitos casais onde a sexualidade era muito rara, muito básica e muito rápida. O sexo, quando acontecia, tinha mais o objetivo de satisfazer, tão direta e rapidamente quanto possível, as necessidades biológicas ou era feito para atender ao “dever conjugal”, ou ainda, para aliviar a preocupação de que a sua ausência poderia ameaçar o relacionamento e  aumentar a vulnerabilidade à traição.

Os casais geralmente não conversam sobre a sensualidade, eroticidade e o sexo que ocorre ou deixa de ocorrer entre eles. Geralmenteeles  não conversam sobre suas fantasias, suas insatisfações, aquilo que gostam ou que não gostam de fazer na cama. Esse tipo de conversa é tabu. Ela pode revelar coisas desagradáveis sobre si e sobre  outro e, ao mesmo tempo, pode ser excitante.


Porque vale a pena desenvolver-se na área sexual

O motivo imediato para praticar sexo ("causa proximal") não é a procriação. Esta é apenas a sua consequência mais remota (causa distal). A causa imediata mais importante do sexo é o prazer que ele proporciona. Aliás, quando o sexo não é prazeroso, os órgãos sexuais não funcionam direito (não há lubrificação, dilatação da vagina, intumescimento, ereção, etc.). Outra consequência mais imediata da prática sexual é o fortalecimento do vínculo entre aqueles que a praticam. A prática sexual ainda possui muitas outras funções como ajuda para relaxar, melhorar a saúde e recreativa.

 

Os cursos atuais sobre sexo ensinam muito pouco

Os cursos sobre sexo geralmente ensinam muita pouca coisa! A maioria desses cursos ensina um pouco sobre anatomia e fisiologia dos órgãos sexuais. Ensina também um pouco sobre prevenção de filhos e prevenção de doenças sexuais.

Esses cursos não ensinam quase nada sobre como encarar, sem receios, a sexualidade; como maximizar o prazer sexual; como prolongar o prazer sexual; como desenvolver um ótimo clima sensual e erótico com o parceiro...

Imagine uma autoescola que explicasse muito bem como funciona o motor do carro, onde ficam os controles (freio, embreagem, acelerador, setas, luzes, etc.) e os significados dos sinais de trânsito, mas que nunca, nunca mesmo, pusesse você dentro de um automóvel e lhe ensinasse como guiar nas ruas da cidade e nas estradas! Neste caso, você não aprenderia nada de muito prático. Poderia fazer anos de curso de pilotagem teórica e, ainda assim, não saberia guiar. Nada substitui as aulas práticas ministradas por quem realmente como fazer as coisas.

 

Qual escola de desenvolvimento sexual você cursou?

No futuro, as pessoas ficarão abismadas quando encontrarem alguém que não cursou uma escola de desenvolvimento sexual. Se fosse hoje, seria como encontrar alguém que diz que sabe ler, mas é incapaz de interpretar um texto ou alguém que não sabe o nome do governador ou do presidente do local onde vive.


A educação sexual deve ir muito além da aprendizagem de práticas sexuais e evitação de filhos e doenças

A educação sexual é muito mais do que aprender teorias, localizações de zonas erógenas, técnicas para estimular zonas erógenas, posições sexuais e algumas variações sexuais. Além desses conhecimentos, também é  necessário aprender a se envolver, a se permitir sentir,a perceber o que é cabível em cada momento, saber como progredir para um estágio sexual de maior envolvimento, perceber o que ocorre com a parceira e aprender como formar uma unidade geradora de prazer com a parceira.

No estado atual dessa área, antes de qualquer coisa, é necessário combater os descaminhos que já afetaram a maioria das pessoas. Antes de aprender qualquer coisa nova, pode ser necessário limpar o terreno:  trabalhar para eliminar as culpas, constrangimentos, inconsciências e proibições que impedem que as pessoas se soltem, desejem, apreciem, explorem e variem naquilo que lhes dá prazer nesta área.

Esse trabalho não pode ser feito por qualquer um. É necessária uma excelente formação em psicologia para ser capaz de identificar o que se passa com a sexualidade de cada um e, em seguida, saber como dissolver os obstáculos e como estimular o desenvolvimento de uma nova maneira de ser, perceber e se comportar nesta área.

Análise sexual: técnicas terapêuticas para dissolver inibições e desenvolver a sexualidade

Estou desenvolvendo técnicas terapêuticas para promover a consciência do que se passa na área sexual e para desenvolver  atitudes, habilidades e conhecimentos que ajudem as pessoas a usufruírem plenamente de suas sexualidades e a promoverem uma maior ligação e intimidade com seus parceiros.

Você quer desenvolver a sua sexualidade para além do "feijão com arroz"? Faça análise sexual.

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Por Ailton Amélio às 08h19

30/07/2014

O esvaziamento é a principal causa das separações

Principais causas das separações

 Os pesquisadores de uma enquete realizada pelo instituto inglês Grant Thornton pediram para 101 dos principais advogados da área de família da Inglaterra que apontassem as principais causas da dissolução dos matrimônios (Veja o link para o relato dessa pesquisa na Nota, no final deste artigo). Essas causas e suas respectivas percentagens de citações pelos advogados foram as seguintes:

Principais causas das separações

1- Distanciamento e deixar de amar (denominarei essas duas causas como "esvaziamento do relacionamento") (27%).

2- Relacionamentos extraconjugais (25%)

3- Comportamentos irrazoáveis (17%)

4- Crises da meia idade (10%)

5- Abusos emocionais / físicos (6%)

6- Excesso de dedicação ao trabalho (4%)

7- Tensões familiares (2%)

8- Estresse (2%)

9- Preocupações econômicas (1%)

10- Problemas com os negócios (1%)

11- Outras causas (1%)

 

Os relacionamentos extraconjugais foram a causa de separações mais citada em todas as ocasiões anteriores que essa pesquisa foi realizada. Nesta última pesquisa, realizada em 2010, pela primeira vez, o esvaziamento do relacionamento superou a traição.

Os resultados dessa pesquisa devem ser considerados com cautela, por dois motivos: (1) os participantes eram advogados e não uma amostra daqueles que se separaram e (2) eles foram coletados na Inglaterra e não aqui no Brasil. Por outro lado, essa não é a primeira pesquisa que aponta o esvaziamento como a principal causa das separações.

Neste artigo, vou apresentar alguns dos principais mecanismos que provavelmente causam o esvaziamento dos relacionamentos conjugais.


O que é o "esvaziamento" do relacionamento

O esvaziamento do relacionamento acontece quando os cônjuges se tornam indiferentes um para o outro: acaba o amor entre eles, a conversa entre eles deixa de ser prazerosa, eles deixam de ser mutuamente estimulantes, perdem o interesse pelo que está acontecendo com o outro, não planejam mais nada juntos e desenvolvem vidas independentes.

Mesmo assim, muitos relacionamentos esvaziados são mantidos por outros interesses: filhos, vantagens econômicas, comodidade, etc.


Principais motivos do esvaziamento do relacionamento

Existem muitos motivos para o esvaziamento dos relacionamentos. Alguns dos principais deles são os seguintes:


Monotonia no relacionamento

Nos primeiros anos do casamento geralmente acontece uma nítida diminuição da satisfação dos cônjuges com o relacionamento conjugal. Isso acontece porque há  decréscimos de vários tipos de comportamentos que anteriormente davam vida para o relacionamento: diminuição do sexo, diminuição das manifestações românticas, diminuição das conversas animadas com o cônjuge, etc.

Três fatores que contribuem para a instalação da monotonia conjugal são os seguintes:

1- Diminuição da novidade que é produzida pelos comportamentos do parceiro. Qualquer situação que vai se tornando conhecida e segura vai perdendo um pouco da sua vitalidade e poder para provocar excitação.

2- Aumento na previsibilidade dos comportamentos do cônjuge. À medida que o tempo vai passando, os comportamentos de cada cônjuge vão ficando cada vez mais previsíveis para o outro. A previsibilidade diminui a excitação e o interesse pelo acontecimento.

3- Aumento da segurança quanto à firmeza do compromisso com o parceiro. À medida que os cônjuges vão entrelaçando suas vidas, vai aumentando a segurança sobre a estabilidade do relacionamento. O aumento da segurança vai desligando os comportamentos de atenção e de alerta para os atos do parceiro.

A dose de novidade que é considerada agradável e benéfica varia de uma pessoa para outra e de uma situação para outra. Novidade demais ou de menos pode arruinar o relacionamento. A dose certa de novidade mantém o relacionamento vivo e interessante indefinidamente.

Variabilidade natural: o melhor remédio contra a monotonia

Os manuais de autoajuda prescrevem vários tipos de medidas para combater a monotonia do relacionamento: ir a motéis, viajar, transar em locais diferentes, apimentar o sexo, etc. Todas essas medidas podem ajudar, mas elas não são necessárias.

Para a maioria das pessoas, é necessário acontecer grandes mudanças para que elas notem que algo diferente está acontecendo com o parceiro. Essas pessoas não têm a sensibilidade para notar variações psicológicas mais sutis, mas não menos importantes, que estão ocorrendo com elas próprias e com seus interlocutores.

Nós variamos bastante de um dia para outro e até de um momento para outro: nossas emoções mudam, nosso humor muda, nossas preocupações mudam, nosso apetite muda, nosso desejo sexual muda. Tomar conhecimento dessas variações e usá-las como informações sobre a realidade psicológica que está presente no relacionamento é a única forma de desenvolver um relacionamento de verdade.

As alterações psicológicas que acontecem com todos nós são suficientes para produzir uma boa dose de variabilidade natural e, por isso, para manter o relacionamento vivo e atraente. Basta levar um pouco dessa variabilidade natural para o parceiro e notar melhor a sua variabilidade.


Engessamento do relacionamento

“Todo o dia, ela faz tudo sempre igual”

Engessar o relacionamento é se portar sempre da mesma forma e deixar de prestar atenção nas alterações que o parceiro apresenta.

Tendemos a repetir o que deu certo. Tendemos a tratar o nosso parceiro da forma que deu certo anteriormente!

Tendemos a tirar conclusões sobre o parceiro e, dai para a frente,  passar a vê-lo sob a ótica dessas conclusões. Essas conclusões, tiradas em um dado momento, atrapalham a percepção das mudanças que o parceiro está mostrando nos momentos seguintes.

É um erro muito sério pensar que já conhecemos o parceiro e que, por isso, não precisamos mais prestar atenção nele. Um estudo verificou que cônjuges que já estavam casados há muitos anos só conheciam cerca de 50% do outro cônjuge. Os pesquisadores pediram para cada cônjuge dizer como o outro reagiria em diversas situações, como ele responderia a diversas questões ou quais seriam os suas preferência pessoais em diversas áreas. Esses cônjuges que participara da pesquisa, em média, só acertaram cerca de 50% das suas respostas. Portanto, a fantasia de que já conhecemos o nosso cônjuge e, por isso, não precisamos prestar atenção nele, não corresponde aos fatos.

As pessoas temem mostrar formas de agir que não foram testadas anteriormente e. por isso, serem rejeitadas ou punidas. A repetição de comportamentos que deram certos anteriormente e o congelamento da imagem do parceiro são formas de agir que possuem pouca  vida. Enquanto estou repetindo o que deu certo também estou deixando de expressar o que está acontecendo comigo agora.

Para combater a monotonia do casamento é necessário ter a coragem de compartilhar com o parceiro a variabilidade que está ocorrendo naturalmente com nossos sentimentos e pensamentos.


Desenvolver o relacionamento em áreas onde há pouca energia intrínseca

Em cada momento do relacionamento, é importante se perguntar: onde está o meu verdadeiro ponto de energia e onde está o verdadeiro ponto de energia do seu interlocutor?

Se você não conseguir identificar onde estão essas energias e não centrar o relacionamento onde elas estão, o relacionamento se desenvolve por obrigação e não porque faz sentido. Quando isso acontece, ele não é envolvente, não é prazeroso e não flui.

Estamos, a todo o momento, correndo o risco de não nos deixarmos guiar por esses pontos genuínos de energia e vitalidade e nos resvalarmos para tópicos sem vida.


Desvitalização de um ou de ambos os cônjuges

Certas pessoas são estimulantes. Quando estamos com elas nunca nos entediamos. O convívio com elas atrai mais a nossa atenção do que outros fatos que estão ocorrendo ao redor. Achamos muito interessante como elas veem a coisas. Elas sempre nos estimulam a agir e a pensar de modo diferente. Essas pessoas sabem manter o relacionamento em áreas onde há energia genuína. Essas pessoas são nutritivas, energéticas, fontes de novidades, criativas e inovadoras.

Outras pessoas são amorfas, previsíveis, não têm nada para acrescentar, só dizem lugares comuns e só dançam conforme a música. Mesmo quando se esforçam para nos agradar, elas nos negam o que de melhor poderiam oferecer: o compartilhamento de seus sentimentos e pensamentos, suas sinceras iniciativas, reações às nossas comunicações. São pessoas que “não têm nada a acrescentar”, “nada a declarar”.


Passividade para expressar o que sente e pensa

As pessoas passivas geralmente se tornam desvitalizadas. Passividade é deixar de agir de acordo com o que está sentindo de pensando. A passividade comunicativa talvez seja a forma mais importante de passividade: pessoas que se calam quando não está satisfeitas ou se calam quando estão satisfeitas. Essas pessoas não se expressam e, pior ainda, agem e se expressam da forma como imaginam que agradaria ao interlocutor e não da forma como estão sentindo ou pensando.


Deixar de ativar a dimensão macho/fêmea quando está com o parceiro

Deixar de agir como macho e fêmea transforma o relacionamento conjugal em relacionamento amistoso ou profissional.

Existem várias maneiras de ativar a dimensão macho/fêmea. Por exemplo, cuidar da aparência para ficar mais atraente (cuidar do vestuário, pilosidade, adornos, etc.) e acentuar os sinais de gênero quando está com o parceiro (acentuar aqueles comportamentos que aumentam a feminilidade ou masculinidade: tom de voz, firmeza, gestos mais sinuosos e suaves, etc.).

Não deixe o seu relacionamento se esvaziar! 

O seu relacionamento está desvitalizado? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Link para o relato completo da pesquisa realizada pelo instituto Grant Thornton:http://www.grant-thornton.co.uk/en/Publications/2011/For-richer-for-poorer-Matrimonial-survey-2011/ (consultado em 26/07/2014)

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Por Ailton Amélio às 09h01

21/07/2014

O amor está vivo! Viva o amor!

Sectários teorizando sobre o amor

Quem só conhece uma teoria ou alguns poucos fatos sobre o amor e seus estilos faz afirmações do tipo:

- O amor romântico foi inventado na idade média (“amor cortês”) e potencializado nos últimos três séculos. Esse tipo de amor está com os dias contados.

- O nosso estilo de amor é moldado pelo estilo de relacionamento que existe entre nossos pais.

- O amor é baseado no estilo de apego de quem tomou conta de nós na nossa infância e adolescência.

- O amor é biológico. Ele está presente em todas as culturas e em todas as épocas históricas. O que varia é se ele é aceito ou não como base para a escolha do parceiro conjugal.

Cada uma dessas teorias tem uma parcela de razão. Cada uma delas funciona como os cegos daquela anedota, que estão apalpando uma parte de um elefante e pensam que este é como a parte que estão apalpando . Os defensores de cada uma dessas teorias, principalmente aqueles que desconhecem as evidências em favor das demais, deliram na defesa exclusiva de suas próprias ideias.

Um erro trágico dos arautos do fim do amor

Todos os dias, vejo na mídia arautos do apocalipse amoroso apregoando aos quatro ventos o fim do amor romântico. Os argumentos que essas pessoas usam são completamente equivocados. Elas parecem ignorar estudos e teorias cientificamente embasados sobre o amor, como os estudos antropológicos e históricos que atestam a presença universal deste sentimento, em todas as regiões do nosso planeta e em todas as épocas históricas! O que existe de ocidental e recente sobre o amor é a retomada do seu uso como critério para iniciar uma parceria conjugal e algumas criações culturais sobre a sua origem, suas propriedades e desejabilidade como base do relacionamento conjugal.

Neste artigo vou apresentar algumas evidências interculturais e históricas que atestam que o amor é universal, goza de boa saúde, está mais vigoroso do que nunca e não está às portas da morte.

Percentagem de pessoas de várias culturas que estão amando em um dado momento

Eu perguntei para 303 estudantes universitários paulistanos (177 mulheres e 126 homens), que tinham, em média, 24 anos de idade, se eles estavam amando  (Veja a citação na Nota 2). Os resultados dessa enquete foram os seguintes:

Mulheres amando: 68,7%

Homens amando: 60,0%


Os resultados dessa enquete que realizei são bastante semelhantes a aqueles relatados por Kenrick e Kenrick, com estudantes americanos (veja a citação na Nota1). 
A maioria dos estudantes paulistanos (64%) declarou que estava amando. Estar amando, portanto, é um estado afetivo presente para a maioria desses estudantes.

Resultados semelhantes aos dessas duas pesquisas citadas acima foram encontrados por um estudo internacional realizado por Sprecher e colaboradores (1994 – Nota 3). Esses autores perguntaram para 1.667 pessoas de três países (russos, japoneses e americanos) se elas estavam amando. As percentagens de respostas dessas pessoas são mostradas na tabela, abaixo.

Tabela 1– Percentagens de pessoas que estavam amando em três países

Baseado em Sprecher e outros (1994)

 

Russos

Japoneses

Americanos

Homens amando

61%

41%

53%

Mulheres amando

73%

63%

63%

Esses resultados mostram que uma grande percentagem de pessoas declarou que estava amando no momento da pesquisa. Esses resultados também  mostram que mais mulheres do que homens fizeram esse tipo de declaração. O amor, portanto, parece ser algo que acontece naturalmente entre os membros da nossa espécie. As mulheres apresentam uma maior dose de  propensão ao amor do que os homens. A cultura também parece ter influência no surgimento do amor, pois as percentagens de pessoas que declaram que estão amando variam bastante entre os países pesquisados.

Tanto eu como os Hendrics apresentamos outros pedidos de informações para os estudantes. Um deles era a quantidade de vezes que já amaram na vida. Na minha pesquisa, apenas 12,5 dos estudantes (7,9% das mulheres e 17,4% dos homens) declararam que nunca haviam amado. Essa percentagem é semelhante à encontrada pelos Hendrics, em duas universidades americanas: 14% declararam que nunca haviam amado. Ou seja, mais de 80% dos estudantes paulistanos e americanos já haviam amado pelo menos uma vez na vida até os vinte e poucos anos (veja as percentagens de estudantes que amaram mais vezes no artigo - link para acesso é fornecido na Nota 2). Claro que, com o passar dos anos, muitos daqueles que ainda não haviam amado acabam amando.

O amor na antiguidade em várias culturas

Aqui estão alguns exemplos que atestam a presença do amor romântico em diversas culturas que existiram muito antes da época do Amor Cortez.

Poesia egípcia do ano 1340 AC (aproximadamente)

“Há sete dias que não vejo a minha bem-amada.

O desalento se abateu sobre mim.

Meu coração tornou-se pesado.

Esqueci até minha vida.

Quando os médicos vêm à minha casa,

Seus remédios não me satisfazem...

Ninguém descobre minha doença.

Mas se me dizem: "Olha! Ei-la",

Isso me restitui a vida.”

Extraída do blog: http://poesiaemtodaparte.blogspot.com.br/2009/03/poema-egipcio-extraido-de-um-papiro-de.html

Carta de amor escrita por uma chinesa por volta do ano 798

“Fomos formalmente apresentados por minha mãe, mas, nas circunstâncias, perdi o domínio de mim mesma e entreguei-me completamente a ti. Bem sabes que, depois de nossa primeira noite juntos, jurei que nunca amaria, senão a ti e que seríamos mutuamente fiéis por toda a vida. Foi essa a nossa esperança, Foi essa a promessa que trocamos. Se cumprires o prometido, tu o está bem e serei a mulher mais feliz do mundo. Mas, se trocares o antigo pelo novo e considerares nosso amor como um caso fortuito, amar-te-ei ainda, baixando, porém, ao túmulo do pesar eterno. Tudo depende de ti e nada mais tenho dizer.”

Texto extraído do blog: http://amulhernachina.blogspot.com.br/2008/03/uma-carta-de-amor.html

Poema de amor da Bíblia, escrito muito antes de Cristo

Cânticos 1

“1  cântico dos cânticos, que é de Salomão.

2 Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.

3 Suave é o aroma dos teus unguentos; como o unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.

4 Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.”

Texto extraído do blog: https://www.bibliaonline.com.br/acf/ct/1

O amor, portanto, está presente em culturas bem diferentes da atualidade e em culturas que existiram há centenas ou milhares de anos.

A universalidade do amor, tanto no espaço como no tempo, é uma das evidências que indicam que ele tem um componente genético e, por isso, é inerente à nossa espécie. Portanto, ele não é uma mera invenção cultural, na sua essência, e não será descartado como um mero modismo. O amor está vivo! Viva o amor!

NOTAS

1- Hendrick, C. & Hendrick, S. (1986). A theory and method of love. Journal of Personality and Social Psychology, 50, 392 - 402.

2- Silva, A. A. (2006). O conteúdo da vida amorosa de estudantes universitários. Interação em Psicologia, 10(2), p. 301-312. 301. Disponível em: file:///C:/Users/Ailton/Downloads/7685-21610-1-PB%20(3).pdf

3- Sprecher, S., Aron, A., Hatfield, E., Cortese, A., Potapova, E., & Levitskaya, A. (1994). Love: American style, Russian Style, and Japanese style. Personal Relationship, 1, 349 – 369.

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Por Ailton Amélio às 08h31

15/07/2014

A seleção brasileira é psicologicamente frágil e efeminada?

Homem não chora....tanto?

A expressão de sentimentos geralmente é saudável (pessoas com estilos de apego seguro choram mais do que pessoas com estilo de apego ansioso). Entregar-se incontrolavelmente aos sentimentos, por outro lado, não é um bom sinal. É descontrole emocional.

Chorar muito é um sinal psicológico de gênero (característica psicológica que distingue os homens das mulheres). Um estudo mostrou que as mulheres choram cerca de quatro vezes mais do que os homens (veja a citação na Nota, no final deste artigo). Este era o sinal mais associado ao sexo feminino dentre todos os sinais incluídos na pesquisa. Os motivos para esta diferença seriam biológicos (a testosterona inibiria as lágrimas e a prolactina as incentivariam) e sociais (um estudo realizado em 35 culturas mostrou que as diferenças nas frequências de choro entre homens e mulheres são maiores em culturas que oferecem mais liberdade de expressão. Geralmente pessoas de países mais ricos choram mais do que de países mais pobres). Pelas minhas observações, essa diferença também acontece aqui no Brasil.

A fragilidade emocional em situações de tensão também não é um traço esperado e admirado em homens ocidentais, pelo menos.

Tai: uma seleção de homens sensíveis e emocionalmente frágeis! Claro que essa afirmação não se aplica a todos os jogadores.

As mulheres sempre foram fortes em diversas situações. Agora, elas estão, cada vez mais, se livrando das definições de gênero que as concebiam como frágeis e instáveis. Elas estão, cada vez mais, se mostrando firmes e psicologicamente estáveis em situações onde agir assim era tipicamente masculino. Por exemplo, há muito que elas não desmaiam diante de más notícias ou situações amedrontadoras e precisam ser reanimadas com sais aromáticos! Isso já saiu de moda!

Estaria havendo uma inversão de papéis na nossa sociedade?

Não era isso que as mulheres queriam: homens sentimentais e sensíveis?

Elas também querem que eles se mostrem firmes e façam bonito na Seleção ou, pelo menos, não percam de lavada?

Será essa uma das explicações do 7 a 1, do 3 a 0 e da choradeira?

O que você acha?

NOTA

Collier, L (2014) Why we cry. American Psychological Association. February, Vol 45, No.2, Pag 47 Disponível em:  HTTP://WWW.APA.ORG/MONITOR/2014/02/CRY.ASPX

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Por Ailton Amélio às 10h12

12/07/2014

Você sabe decifrar sinais ambíguos de interesse amoroso?

Responda as cinco questões abaixo. Elas ajudarão a avaliar a sua capacidade para verificar se aquelas pessoas que você está interessado também estão interessadas em você.

1- As pessoas não percebem quando sinto atração amorosa por elas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

 2- Quando sinto atração amorosa por uma pessoa, tenho muita dificuldade para verificar se ela também sente atração por mim.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

3- Não sei como agir para verificar quais são as minhas chances de iniciar um relacionamento amoroso com as pessoas que me interessam.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

4- Eu tenho muito medo de mostrar o meu interesse amoroso pelas pessoas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

5- Geralmente só namoro pessoas que tomam iniciativas muito claras para iniciar relacionamentos amorosos comigo.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3     4     5     6      7

 

Se você assinalou um número maior do que 4 em todas estas cinco questões, você provavelmente tem dificuldades para verificar se o seu interesse amoroso por um parceiro é correspondido. Esse artigo ajudará a entender o que está acontecendo com você.

Verificação do interesse amoroso

Dizemos que um comportamento é amorosamente ambíguo quando existem pelo menos duas hipóteses diferentes para explicar a sua causa, sendo umas delas de natureza amorosa.

A verificação amorosa é constituída por aquelas ações do verificador que o ajudam a esclarecer se a pessoa por quem ele está amorosamente interessado também tem esse tipo de interesse por ele. Estas ações ajudam o verificador a interpretar melhor as razões pelas quais o parceiro está agindo da forma como age em relação a ele. Por exemplo, a verificação ajuda a entender se o parceiro está sendo tão gentil porque ele é assim com todo mundo, porque deseja obter um favor ou porque tem algum interesse amoroso pelo verificador. Ou seja, a verificação diminui a ambiguidade quanto às causas da ação do parceiro.

Este tipo de ambiguidade acontece porque alguns tipos de comportamentos amorosos também aparecem em vários outros tipos de relacionamentos. Por exemplo, ser atencioso, cordial e prestar pequenos favores são comportamentos que aparecem nos relacionamentos profissional, amistoso e amoroso. Por este motivo é difícil interpretar o motivo pelo qual uma pessoa está sendo gentil.

Outro exemplo: uma oferta de carona pode ter uma motivação amorosa (quem oferece a carona está interessado em iniciar um relacionamento amoroso com o carona), amistosa (quem oferece a carona está querendo reforçar a sua ligação amistosa com o carona) ou comercial (quem oferece a carona vai pedir um empréstimo durante o trajeto), ou se trata simplesmente de uma gentileza (“É o jeito dele. Ele faria isso para qualquer um”).

Como podemos aumentar o grau de segurança da nossa interpretação das causas das ações de uma pessoa? Este aumento pode ser obtido através do uso dos seguintes métodos de verificação do interesse amoroso.

Táticas de verificação do interesse amoroso

Existem duas principais estratégias de verificação do interesse amoroso: (1) Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse e (2) comprar informações. Cada uma dessas táticas pode ser posta em prática através de diferentes táticas. Vamos examinar um pouco mais essas estratégias e algumas das suas táticas.

1- Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse. As principais táticas para fazer isso são as seguintes:

a- Interpretar as pistas de interesse amoroso que podem estar sendo exibidas pela outra pessoa. Quem usa esse tipo de pistas são aquelas pessoas que temem se exporem e serem rejeitadas, como os tímidos e pessoas com baixa autoestima. Por isso, essas pessoas querem apenas “ler” os sinais de interesse que são mostrados pela outra pessoa sem mostrar sinal nenhum.

Os interessados nesse tipo de interpretação são aqueles que leem livros de autoajuda e livros de comunicação não verbal que prometem ensinar as pistas do interesse amoroso.

b- Obter informações por meios indiretos. Por exemplo, perguntar para um conhecido em comum se teria chances com a fulana.

2- Comprar informações

Quem adota essa estratégia paga pelas informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa porque assume o risco de mostrar o próprio interesse e ser rejeitado. As três principais maneiras de comprar informações são as seguintes:

a- Perguntas diretas. Por exemplo, dizer “Estou interessado em você. Tenho alguma chance?

b- Mostrar sinais de interesse e observar reação da outra pessoa. Por exemplo, flertar e verificar se é correspondido.

c- Convidar. Ir convidando a outra pessoa para programas cada vez mais típicos de pessoas que têm relacionamento amoroso.

Vantagens da verificação do interesse amoroso

Um dos grandes fatores responsáveis pelo sucesso para iniciar namoros é a disposição, a coragem e a habilidade para verificar se aquelas pessoas pelas quais temos interesse amoroso também têm esse tipo de interesse por nós. Esta verificação, de preferência, deve ir sendo realizada à medida que o nosso interesse vai crescendo, para evitar que ele fique muito grande antes que estejamos seguros de que a outra pessoa vai corresponder.

Desvantagens da verificação tardia do interesse amoroso

Deixar para verificar tardiamente se a outra pessoa corresponde ao nosso interesse amoroso tem dois grandes inconvenientes:

1- Aumenta a nossa timidez e ineficiência para verificar se a outra pessoa corresponde ao nosso interesse amoroso. Quanto mais apaixonados por uma pessoa nós estamos, maior é o nosso medo de sermos rejeitados por ela.

2- A rejeição de uma paixão solidificada produz mais sofrimentos do que a de uma paixão recente. Se, ao contrário do que aconteceu com Helena, uma pessoa verifica logo no início de um relacionamento se o seu interesse amoroso é correspondido e, ao verificar, obtém uma resposta negativa, é mais fácil para ela reverter esse sentimento do que posteriormente, quando o seu amor já cresceu e se solidificou.

                  Vantagens da verificação do interesse amoroso

Existem três grandes vantagens de verificar logo no início se há reciprocidade no interesse amoroso:

1- Verificar assim que vai surgindo nosso interesse faz com que nos apaixonemos apenas por aquelas pessoas que também poderão se apaixonar por nós. Quando uma pessoa, à medida que vai se interessando por outra, também vai verificando se este sentimento está sendo correspondido, ela condiciona a continuidade e o crescimento da sua paixão à reciprocidade da outra pessoa. Quando uma pessoa que está se apaixonando por outra verifica que seu interesse não é recíproco, isto a impede de continuar se apaixonando. Caso a pessoa não verifique e continue esperançosa, tal com aconteceu com Helena na história acima, a sua paixão tende a aumentar e a se solidificar com o tempo, independentemente do que esteja acontecendo com o sentimento da outra pessoa.

2- Verificar aumenta as chances de que a outra pessoa se apaixone. O processo de verificação é também um processo de conquista. As ações que são eficientes para verificar se há interesse amoroso por parte de uma pessoa são igualmente eficientes para despertar e fazer o interesse desta pessoa crescer. Este tipo de efeito colateral da verificação é observado principalmente quando a verificação acontece através da manifestação do interesse do verificador ou quando o este começa a tratar o verificando de uma forma especialmente agradável e positiva (olhar para ele, tocá-lo, ser gentil com ele etc.).

3- Verificar logo no início poupa tempo. Helena não precisava ter perdido tanto tempo com Eduardo. Caso ela soubesse logo no início que ele não correspondia ao seu interesse amoroso, ela poderia ter iniciado o namoro com outra pessoa.

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Por Ailton Amélio às 11h23

04/07/2014

Desalento!

Você sente que há uma boa dose de desalento no ar?
- Que não estamos tão entusiasmados com a Copa do Mundo?
- Que não nos orgulhamos com a forma como o país se preparou para a Copa?
- Que gostaríamos que o Brasil ganhasse a Copa, mas a seleção não está convencendo?
- Que queremos que o Brasil ganhe a Copa, mas, ao mesmo tempo, tememos que isso funcione como um anestésico que atenue a percepção da gravidade dos crimes que vêm sendo denunciados e que essa vitória seja usada para fins eleitorais?
- Que estamos sem heróis e líderes em todos os setores: esportes, política, universidades, etc. 
- Que estamos preocupados com a situação econômica do país?
- Que estamos saturados com os políticos corruptos, cínicos, incompetentes?
- Que estamos saturados com as propagandas enganosas que prometem a felicidade na compra de um novo par de sapatos, de um novo carrão ou de um refrigerante?

Caso você sinta desalento com tudo isso, não sinta-se culpado. Você tem motivos reais para sentir-se assim!

O que podemos fazer? Com podemos virar o jogo?

Por Ailton Amélio às 10h50

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.