Blog do Ailton Amélio

Busca

07/02/2016

Você é escravo ou senhor dos seus estados psicológicos?

Responda às seguintes questões para ter uma ideia sobre as suas atitudes frente aos seus estados psicológicos.

Sou uma pessoa que:

1- Não sei o que fazer para mudar meus estados de espírito e, por isso, sou prisioneiro deles!

2- Sinto que meus estados de espírito são “realidades” sobre as quais não tenho controle e, por isso, sou aprisionado e dominado por eles.

3- Confundo os avisos que são fornecidos pelos meus sentimentos com aquilo que eles avisavam. Para mim, esses sinais de aviso se tornaram mais importante do que aquilo que eles avisam.

4- Sei que meus estados de espírito são apenas maneiras de me sentir frente a situações e que poderia haver outros estados de espírito frente às mesmas situações.

5- Sei dizer quais situações mudam os meus estados de espírito. Sei criar ou acessar essas situações para mudar o que está acontecendo comigo

6- Uso substâncias que mudam meus estados de espírito.

7- Procuro pensar em coisas que mudam meus estados de espírito.

Quantos estados psicológicos habitam em nós?

Experimentamos vários tipos de estados: emoções, poder, fraqueza, esperança, desilusão, amor, saudades, medo, raiva, etc.

Esses estados podem ter sido provocados por acontecimentos e outros nos tomam sem terem sido claramente provocados ou convidados.

Gostamos de alguns, rejeitamos outros... Hesitamos em nos entregarmos a todos eles.

Um psicólogo curioso deixa que eles venham, entrega-se a eles, deixa que eles fiquem e que vão embora.

Uma riqueza maravilhosa de estados.

Alguns foram experimentados pela primeira vez lá atrás. Estes, às vezes, trazem lembranças anexadas.

Outros são tão fortes que não deixam muito espaço para pensamentos.

Esses estados só se mostram com toda a força quando não são temidos ou desejados, quando podem aparecer e ir embora sem que sejam rejeitados ou tente-se detê-los.

Autoconhecimento

Uma excelente maneira de se conhecer é tomar conhecimento dos estados psicológicos que estão presentes em cada momento.

Ao invés de tentar mudar esses estados quando são ruins ou de tentar retê-los quando são bons, é mais produtivo ficarmos interessados em conhecer como eles são.

Este estado é o que somos naquele momento: nossos valores, motivações, padrões de julgamento, temores, desejos, identificações, autorrejeições, etc.

Auto-observação sem censura

Dentro de certos limites:

- Não há um estado psicológico "mestre" que saiba classificar os outros e considerá-los "desejáveis" ou "indesejáveis". Podemos sim, constatar se eles são agradáveis ou desagradáveis, apaziguadores ou amedrontadores, etc.

- Não existem bons critérios para saber quais estados psicológicos são "corretos" ou "saudáveis". Cada estado psicológico que aparece é legítimo e tem as suas causas.

- Quem busca o autoconhecimento deve ter mais curiosidade e respeito por qualquer estado psicológico que apareça e menos desejo de alterá-los. Ficar com este estado, não ter pressa em se livrar dele ou desejar retê-lo. Deixar que ele mostre as suas dimensões...

- Qualquer estado que surja em reação ao estado inicial deve ser o novo estado a ser observado.

- Não é a tentativa de análise ou raciocínios, nem o uso de conhecimentos psicológicos que vão ajudar a entender esses estados. O que ajuda a entendê-los é simplesmente observá-los sem escolha ou julgamentos

- Por natureza, os nossos estados psicológicos são transitórios e fluidos.

Podemos estar seguros em uma hora e, na hora seguinte, nos sentirmos inseguros. Podemos ser assaltados por uma paixão resistível por alguém na parte da manhã nem pensar na pessoa na parte da tarde.

- A vida fica bem interessante quando você permite que esses estados se alternem na sua mente e você não tenta lutar contra eles, mas sim entender a cada momento o estado que está presente!

Se souber fazer isso, você estará navegando pelos seus estados psicológicos e tomando conhecimento dos seus mecanismos, motivações, temores, afetos, expectativas, atitudes, etc. Parabéns, você estará se conhecendo.

Este autoconhecimento gera mudanças e aperfeiçoamentos automáticos.

Porque rejeitamos certos estados e buscamos outros

A religião, a cultura, pessoas crédula, pessoas que queriam nos controlar para que atendêssemos determinadas finalidades classificam os nossos estados como desejáveis, indesejáveis.

Esses estados psicológicos podem trazer boas ou más sensações. Queremos nos livrar daqueles que trazem más sensações e prolongar aqueles que trazem boas sensações. Queremos reter aqueles que identificamos como compatíveis com os nossos objetivos e nossa boa autoimagem e nos livrar daqueles que são incompatíveis com nossos objetivos e boa autoimagem.

Você sabe carregar e descarregar estados psicológicos?

Muitas vezes temos que nos "preparar psicologicamente" para agir.

Por exemplo, às vezes, quando decidimos lidar com alguém que está abusando da nossa boa vontade, procuramos ganhar coragem e segurança lembrando os vários motivos que temos para deixar de tolerar aqueles abusos.

Outras vezes, temos que fazer o contrário como, por exemplo, esperar a raiva passar antes de conversarmos com uma pessoa que nos irritou.

Existem várias maneiras de carregar ou descarregar estados psicológicos. Os atletas, por exemplo, precisam "se concentrar" antes de participarem de uma prova. Músicas e filmes podem provocar estados psicológicos favoráveis ou desfavoráveis a determinados modos de agir.

Boa parte dos efeitos da terapia também pode ser atribuída às mudanças nas motivações e nas percepções que são produzidas na sessão terapêutica. Essas mudanças, como todas as outras, vão perdendo parte de seus efeitos à medida que o tempo vai passando. Dai a necessidade de carregar ou recarregar de novo até, pelo menos, que velhas percepções sejam alteradas e novas atitudes passem a ser mantidas pelos seus efeitos na vida real!

Providências para alterar diretamente o estado psicológico ou providências para alterar suas causas?

Podemos tentar alterar diretamente o estado de espírito ou alterar suas causas. Para tentar combater diretamente o estado de espírito, podemos pensar ou dizer coisas encorajadoras para nós mesmos (“Sou uma pessoa bem sucedida socialmente”, “Não preciso do sucesso nesta situação”, etc.), produzir alterações corporais para alterar o estado de espírito (por exemplo, adotar uma postura corporal típica de alguém seguro e dominante) ou lançar mão de substâncias que acalmem ou combatam o medo (álcool, calmantes, etc.).

Por exemplo, para diminuir o medo de enfrentar uma situação social, podemos adotar, por alguns minutos, uma postura corporal dominante (queixo para cima, costas eretas, barriga para dentro) ou tentar combater as causas desse medo: mudar a nossa percepção da situação ameaçadora; melhorar nossa autoestima, etc.

Atuar no corpo para alterar o estado psicológico

Os adeptos da ginástica, da corrida, da yoga, das massagens, do shiatsu, da acupuntura, da sensibilização sistemática, das técnicas de relaxamento atuam no corpo para alterar estados de espírito.

A atuação no organismo para afetar o psicológico tem seus limites. Por exemplo, por mais que as técnicas de relaxamento ajudem a acalmar o tímido, essas técnicas não o ensinarão a conversar melhor, a não deixar o assunto morrer. Da mesma forma, medicação, yoga ou ginástica poderão acalmar um homem que está sendo abandonado pela esposa, mas essas medidas não vão lhe ensinar como melhorar o relacionamento.

O que você faz para alterar seus estados psicológicos?

(Algumas dessas ações são as mesmas usadas para sair de maus estados psicológicos).

1- Sabe procurar situações animadoras e motivadoras: viaja, vai a programas culturais, se encontra com os amigos, permite-se desfrutar de coisas boas da vida.

2- Tem autocontrole para começar atividades pouco motivadoras que se tornarão motivadoras (“pegar no tranco”): sai para correr sem vontade, começa a estudar sem vontade, começa a trabalhar sem vontade, levanta da cama sem vontade.

3- Vai fazer compras

4- Come coisas saborosas

5- Veste uma roupa que lhe cai muito bem

6- Posta no Facebook coisas que são bem recebidas pelos seus amigos

7- Procura sair com amigos

8- Tem um encontro romântico ou sexual

9- Assume posturas corporais que aumentam a autoconfiança

10- Pensa em coisas que melhoram a autoimagem

11- Ouve música que alteram o seu estado de espírito

12- Conversa com alguém que “põe você para cima”

13- Executa atos que colocam você para cima.

14- Age assertivamente em situações pouco importantes para mudar seu estado de espírito.

Autocontrole para expor-se a situações motivadoras

Obrigar-se a desenvolver atividade que é insuficientemente motivada intrinsecamente. Ao desenvolver esse tipo de atividade cria-se a chance de envolver-se nela mais intensamente.

No dia a dia, o nosso cérebro possui mecanismos que podem nos levar ao envolvimento no que estamos fazendo e afastar o envolvimento em outras coisas. Esse mecanismo funciona dentro de certos limites: não conseguimos nos afastar de atividades que despertam emoções e / ou motivações muito fortes.

A urgência potencializa a força do envolvimento: por exemplo, uma prova para um concurso ou uma cirurgia que vai ocorrer em poucas horas não impede que a pessoa se concentre o suficiente para guiar até o local. Um tímido que está morrendo de medo de abordar uma linda mulher consegue se concentrar no caminho e na caminhada até onde ela se encontra. Só cabe uma coisa por vez na consciência.

Por Ailton Amélio às 15h43

30/01/2016

Vivendo pequeno em uma realidade imensa!

Vivemos formatados e limitados por inúmeras crenças, expectativas e, principalmente pela incapacidade de nos examinarmos.

Vivemos também, dentro de um sistema que nos controla através das consequências. Saiu da linha? Rejeição! Andou na linha? A débil aprovação reservada aos medíocres!

Vivemos, ainda, regidos pelo medo: medo de perder o mundinho que nós dá certo conforto e evita encrencas.

No futuro, se o mundo psicológico ficar mais compreensível, as pessoas ficarão estarrecidas quando examinarem muitas das concepções que regem nossas vidas nos dias de hoje.

Dançamos as músicas para receber a aceitação, evitar a rejeição e, com muita sorte, alguns aplausos débeis das pessoas que nos cercam.

Vivemos dentro de um mundo psicológico restrito e, muitas vezes, bobos, mas que, para os menos avisados, permite uma existência insípida e desvitalizada!

Melhor que desafiar aquilo que cremos e sentimos e desafiar o sistema de consequências internas e externas que nos controlam é entender tudo isso. O entendimento mostrará como transformar tudo isso sem incorrer em consequências atribuídas pelos guardiões dos parâmetros do reino das fantasias limitantes.

A fantasia e a ilusão fazem parte da natureza humana. Nada contra! Tudo a favor. Contra apenas aquelas que nos apequenam e cristalizam a beleza da mutação inteligente!

O entendimento vai mostrando que os nossos mecanismos têm seus motivos. Mas, que existem formas alternativas e mais inteligentes de lidar com o mundo externo e interno. Melhor que isso, vai mostrando que muitas coisas que condenamos são boas, que muitas coisas que aceitamos são irrazoáveis.

O conhecimento dá, acima de tudo, flexibilidade e propicia a mutação contínua. Tudo isso está ai e torna a vida fascinante pela sua complexidade e libera uma energia fantástica.

Esse conhecimento não está nos livros. Vem do autoconhecimento que floresce quando nos observamos e observamos as pessoas à nossa volta com muita curiosidade e sem rejeição de tudo que surgir.

 

Esse tipo de conhecimento vem da percepção desarmada do que está ocorrendo e não do raciocínio baseado em outros conhecimentos adquiridos anteriormente.

Por Ailton Amélio às 10h26

24/01/2016

Quando é sábio queimar pontes atrás de si

Júlio Cesar, quando desembarcou na costa britânica, mandou queimar todos os navios que haviam trazido seus soldados. Dessa forma, eles não poderiam recuar. Só podiam ir em frente!
De forma análoga, os alemães mandavam queimar pontes atrás de seus exércitos para que os soldados não pudessem recuar e, por isso, só lhes restavam lutar com todas as forças!

Na nossa vida, muitas vezes temos que queimar os nossos navios ou as pontes atrás de nós para que só possamos ir em frente!

Por exemplo, às vezes não conseguimos encerrar uma situação maléfica. Vamos e voltamos. Uma forma de liquidar definitivamente a fatura é fazer algo que elimine a possibilidade de permanecer ou voltar ao estado pernicioso.

Pouca gente tem coragem de queimar seus próprios navios ou de queimar pontes atrás de si. Mas, essa pode ser a melhor solução!

Neste artigo vamos examinar os motivos para queimar pontes atrás de si no relacionamento amoroso.


Queimar pontes para matar as esperanças e desapaixonar

Segundo Stendhal, para que o amor nasça e permaneça vivo é necessária a presença de três ingredientes: admiração, esperança de reciprocidade e certa dose de insegurança

Quando o amor não é correspondido ou não é possível, o sofrimento é grande! Por isso, desenvolvi um método para ajudar o desapaixonamento. Esse método envolve trabalhos terapêuticos em várias frentes: diminuir a admiração pelo parceiro; diminuir a esperança de reciprocidade, melhorar a autoestima, ajudar a preencher a vida com novas atividades, novas relações, novos papéis; criar as condições para dar chances para um novo amor, etc. (Veja o meu vídeo a esse respeito, postado neste blog em 11/04/2011).

O nosso interesse neste artigo é mostrar um pouco como a esperança de reciprocidade amorosa pode ser testada e, se não confirmada, destruída através de uma queima de pontes. O amor não sobrevive sem esperanças!


Queimar pontes para destruir a esperança de reciprocidade quando o amor é inviável

Para diminuir a esperança, em primeiro lugar, trabalho para que o paciente faça testes para verificar se há realmente chances do parceiro retribuir seu amor ou viabilizar o tipo de relacionamento desejado. Se o resultado do teste for positivo, o relacionamento com o amado é iniciado e o caso está resolvido! Quando o teste dá resultados negativos, aparece a frustração e o sofrimento. O resultado negativo, quando é claro e definitivo, já reduz a esperança e mata o amor.

Quando o resultado do teste é ambíguo (por exemplo, a outra pessoa faz questão de deixar ambíguo porque tem interesse apenas em sexo ou não quer magoar quem está pondo o teste em prática), quem ama continua com seu coração ocupado e a vida empatada, sem ir em frente na área amorosa.

A esperança sobrevive indefinidamente para aquelas pessoas que vivem de fantasias sobre suas chances com o amado. Elas passam a vida se iludindo. Um olhar diferente ali, uma palavra ambígua aqui, um contato que pode ser apenas amistoso acolá mantém as esperanças de reciprocidade. Geralmente as pessoas distorcem as pistas para continuarem a acreditar que os parceiros ainda as amam ou que poderá vir a amá-las ou amá-las de novo. Essas pessoas temem checar claramente as intenções do parceiro e se decepcionarem, serem rejeitadas e perderem o minguado relacionamento que existe no momento.

Um exemplo

Uma paciente que tratei mantinha as esperanças de que era correspondida por um rapaz que era ambíguo nas suas intenções sobre ela. Ele era ambíguo talvez porque queria apenas sexo com ela, não percebia o seu interesse ou não queria magoá-la.

Ela já tinha quarenta e poucos anos e já estava neste chove não molha com o rapaz durante dois anos. De vez em quando ela via sinais animadores e ficava muito feliz. Em outras ocasiões, os sinais eram desanimadores e ela ia para o fundo do poço.

Trabalhamos para que ela aumentasse a eficácia das checagens das intenções do rapaz sobre ela e sobre o relacionamento com ela. Depois de algumas sessões de terapia, ela se armou de coragem e abordou com ele o assunto relacionamento amoroso. Descobriu então, que ele ia se casar com outra dali a dois meses!

[Alguns dados foram alterado para não permitir identificações das pessoas]



Queimar pontes para sair de maus relacionamentos

Muitas vezes não há forças suficientes para terminar ou para deixar de retornar a um mau relacionamento. Neste caso, queimar pontes pode tornar definitiva a saída do relacionamento.

Por exemplo, quando o teste de realidade da esperança de reciprocidade do amor não é possível ou não traz resultados claros ou quando o amor é correspondido, o relacionamento acontece, mas é de péssima qualidade e mesmo assim, os parceiros não conseguem terminá-los, deve ser considerada a hipótese da queima de pontes.

Uma maneira de liquidar as esperanças é queimar pontes que possibilitam tais esperanças: fazer algo que inviabilize as chances de qualquer relacionamento futuro.

Exemplos de coisas que podem queimar pontes:

 - Contar segredos da parceira para terceiros que a prejudiquem seriamente

 - Contar para a parceira alguma coisa que você fez que fará que nunca mais ela olhe na sua cara, como revelar uma traição

 - Fazer algo que prejudique a vida social ou profissional da parceira

- Dizer para a parceira como o seu corpo é artificial: seios de silicone, nariz de plástica e altura aumentada pelos saltos altos

Esses atos deixarão a parceira tão magoada e destruirão a imagem de quem o pratica. Eles são incompatíveis com a natureza do relacionamento que a pessoa tem com ela, o que inviabilizará qualquer volta futura.


Critérios para decidir se vale a pena queimar pontes

A decisão de queimar pontes pode ser muito séria e ter grandes implicações. Alguns critérios que podem ser considerados para tomar a decisão de queimar pontes são os seguintes:

- Quando as chances de reciprocidade no amor e no relacionamento foram testadas, mas os resultados continuam ambíguos

- Quando a pessoa está convencida que o relacionamento é ruim e não pode ser melhorado, mas não consegue sair dele

- Quando o amor é correspondido e o relacionamento acontece, mas há muitas reincidências de períodos muito ruins ou reincidências de fatos graves

- Quando há uma quebra irreversível de confiança

- Quando o relacionamento esvaziou e não foi possível resgatar sua energia, por mais que se tentasse.

- Mas há barreiras internas ou externas fortes para deixar o relacionamento: razões econômicas, conveniências, compartilhamento de amizades, etc.

Queima parcial de pontes

No dia a dia tomamos inúmeras decisões que implicam na tomada de um caminho e exclusão de outros. A vida é assim mesmo.  Fazemos isso sem a consciência de que para cada opção que adotamos abrimos mãos de muitas outras.

Às vezes é possível retomar uma opção que antes foi deixada de lado.

Certas pessoas hesitam em tomar decisões sem volta. Acreditam que, agindo assim, estão mantendo todas as opções em aberto. Essa crença pode ser pura ilusão. Em muitos casos, não tomar as decisões na hora certa pode ser um tipo de decisão que também terá suas consequências que são também irreversíveis. É aquela história de deixar passar o cavalo selado....


Queima desnecessária e inadequada de pontes

Certas pessoas estão sempre queimando pontes. Tanto aquelas que já atravessaram, quanto aquelas que ainda não atravessaram, como aquelas que estão atravessando. Agir assim pode trazer sérios inconvenientes e dar margem para muitos arrependimentos.

Por exemplo, pessoas que têm pavio curto, correm o risco de queimar desnecessariamente pontes úteis: brigam com pessoas significativas sem necessidade.

Também correm o risco de se meter em encrencas por brigar com pessoas perigosas como em uma briga de trânsito, por exemplo.

 

Quando necessário e razoável, você é capaz de queimar pontes? Não? Procure a ajuda de um psicólogo!

Use as ferramentas abaixo para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br


VAMOS COMEÇAR O PSICOTEATRO?

- Desenvolvimento de papéis para você se tornar como gostaria de ser.

- Treinamento teatral para desenvolver e treinar esses papéis

- Análise psicológica de obstáculos para interiorizar esses papéis e uso de técnicas psicológicas para superar esses obstáculos

(A cooperação de um diretor teatral será bem vinda!)

COMEÇANDO A FORMAR UM GRUPO EXPERIMENTAL DE INTERESSADOS

DATA DA PRIMEIRA REUNIÃO: 18/02/2016 (quinta feira)
LOCAL: Rua Realengo, 214, Alto de Pinheiros, tel (11) 3021 5833 (Consultório)
Horário: 20h15min - 22h15min
Valor simbólico para cobertura de despesas: R$ 150,00 por més.

INTERESSADOS: ligue para o meu consultório (11 3021 5833) ou mande mensagem para meu e-mail: 
ailtonamelio@uol.com.br

PARA SABER MAIS SOBRE O PSICOTEATRO, LEIA, NESTE BLOG, O MEU ARTIGO, PUBLICADO EM 28/09/2014:

"Psicoteatro: método para o desenvolvimento de papéis e características pessoais, sociais e profissionais

Por Ailton Amélio às 12h19

17/01/2016

Você adotou o estilo aguado?

Politicamente correto
Despersonalizado

 

Medo de desagradar
Pânico de mal impressionar

Jogo para a plateia
O que você quer que eu pense?

Jamais decepcionarei você

 

Sou uma pessoa legal

Sou do bem

Nunca baixo astral

Isso só pode fazer mal

 

Já esqueci o que quero, o que gosto

O que agrada você está bom para mim

 

Adoro frases feitas

Não faço um exame para ver se realmente concordo com elas.

Aliás, nem sei como fazer isso

 

Difícil imaginar que pensamentos divergentes

possam ser inteligentes

Muito medo de ser diferente

Peculiar e gente!

 

Sou aguado, despersonalizado

Pau mandado

Um pobre coitado!

Por Ailton Amélio às 10h30

07/01/2016

Quando a raiva é boa e quando é ruim

A raiva, como as outras emoções, têm funções extremamente úteis para a nossa espécie e para outras espécies.
Ela é tão importante que já nascemos com seus mecanismos fisiológicos, perceptuais e expressionais prontos. O recém-nascido já mostra tudo isso. Por exemplo, recém-nascidos que nascem cegos e surdos mostram as expressões faciais e vocais típicas de raiva. Não tiveram tempo nem a visão e audição para aprender tais expressões! Já estavam prontas ao nascer!

É BOA porque faz parte dos mecanismos de regulação social. Por exemplo, impede abusos devido às possíveis represálias.
Ela tem propriedades motivacionais: aumenta as chances de certos tipos de ação como, por exemplo, a agressão verbal e física e o esfriamento do relacionamento com quem a provocou.

É BOA, também, quando dá energia adicional para por em prática decisões amadurecidas já tomadas, que não eram colocadas em prática devido à motivação insuficiente e às inibições. Na hora da raiva, você faz aquilo que já sabia que devia fazer.

É RUIM quando você age no impulso e comete atos graves. Por exemplo, agride alguém que deu uma batidinha no seu carro. Vai se arrepender por um bom tempo.

A nossa cultura reprime os sentimentos e expressões de raiva. Por exemplo, criou mecanismos para que sintamos culpa ou vergonha quando sentimos e expressamos raiva! Isso é considerado "de mau tom"! As culturas pregam muitas bobagens! Dá raiva....(rs).

Sentir raiva proporcional e adequada aos fatos é legítimo. Dar vazão à raiva pode ser bom ou ruim.
Expressar raiva proporcional aos fatos e às consequências é uma sabedoria!


EXPRESSÃO FACIAL DE RAIVA

Foto de Ailton Amélio mostrando um dos tipos de expressões de raiva.


Descrição deste tipo de expressão facial de raiva.

Existem diversos tipos de expressões faciais de raiva. Em uma delas, a que aparece acima, na foto deste autor, são mostrados os seguintes sinais: rugas verticais entre as sobrancelhas; as sobrancelhas são abaixadas e aproximadas (por isso as rugas verticais na testa) ; as pálpebras são tensionadas e semicerradas; o olhar fica fixo ("olhar fuzilante"); os lábios ficam tensos e comprimidos um contra o outro.

Este tipo de expressão é mostrado e reconhecido em todas as culturas, o que é uma evidência em favor dos seus determinantes genéticos (esta e outras evidências indicam que a capacidade para mostrar e reconhecer essas expressões são, em boa parte, inatas).

Uma parte deste artigo foi publicada originalmente no meu Facebook: Ailton Amelio: https://www.facebook.com/ailton.amelio.1?fref=ts

NOTA

A descrição dessa expressão facial mostrada na foto foi baseada nos estudos de Paul Ekman.

Use as ferramentas abaixo para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

 

Por Ailton Amélio às 10h37

04/01/2016

Para o ano novo, livre-se dos maus relacionamentos

(Para não ficar repetivo e por uma questão de estilo, vou me referir aqui apenas a "ela", "namorada", "daquelas" e assemelhados. Claro que tudo que vou dizer se aplica também, ou principalmente, aos homens).

- Livre-se dos "amigos" e "namoradas" que não integram você às suas vidas. Só são amigos no trabalho ou só namoram nos fins de semana! Essas pessoas não querem um relacionamento de verdade com você!

- Daquelas que escondem informações básicas de você. Esconde de você e de outros amigos uma mudança de emprego ou o endereço da nova casa, por exemplo. Essas pessoas não confiam em você e em ninguém! Paranoia!

- Daquelas que nunca assumem você espontaneamente . Só assumem a conta gotas e sob pressão. Comprometer-se é a base de um bom relacionamento! Não se comprometem porque querem deixar um bom espaço para manobras escusas!

- Daquelas que nunca foram capazes de desenvolver um bom relacionamento amoroso. São pessoas psicologicamente limitadas.

Daquelas que namoram você, mas mantêm relacionamentos secretos suspeitos ou continuam no msn com pessoas que conheceram em sites de relacionamentos e só querem sexo. São namoradas desonestas!

- Daquelas que persistem em seus erros e continuam com suas percepções distorcidas. Não aprendem nada com os revezes da vida! Nunca terão um relacionamento de verdade! Melhor ser amigo ou namorar uma walking dead.

- Daquelas que quase nunca mostram afetividade espontânea. Rarissimamente enviarão uma mensagem afetiva, por exemplo. Nada têm a oferecer. Melhor ser amigo ou namorar uma walking dead!

NÃO PERCA TEMPO. LIVRE-SE DELES. SÓ BANHO DE SAL GROSSO NÃO ADIANTA! RS.


Publicado originalmente no meu Facebook:

 

  1. www.facebook.com/ailton.amelio.1?fref=tsi

 

Por Ailton Amélio às 10h18

27/12/2015

Faltou assunto? Veja como proceder!

A conversa é a principal forma de relacionamento humano. Embora a conversa tenha essa importância, não recebemos nenhuma instrução formal sobre como conversar bem.

Um dos principais fatores que contribuem para uma boa conversa é a eficiência para encontrar e induzir assuntos motivadores para conversar. Não adianta muito ter uma lista fixa de bons assuntos ou estar informado sobre as últimas novidades. Os assuntos que interessam variam de um momento para outro. Se está acontecendo algo importante conosco, esse é o assunto que mais interessa naquele momento.

Também não adianta muito repetir assuntos que fizeram sucesso anteriormente (a não ser que este assunto seja um “assunto predileto” do interlocutor). Um assunto que fez sucesso ontem pode não ter a menor energia hoje.

Neste artigo vamos examinar alguns procedimentos que ajudam a identificar ou induzir bons assuntos para conversar.

 

ESTABELECER CONVERSA CONTATO

A conversa contato é uma conversa onde são abordados assuntos leves e convencionais. Ela geralmente aparece enquanto os interlocutores ainda não se envolveram em assuntos mais motivadores ou quando falta assunto, mas o silêncio é desconfortável.

A conversa contato bem conduzida cria condições favoráveis para a conversa propriamente dita (desliga interlocutores de assuntos anteriores, esquenta a conversa e assuntos, induz emoções, provoca autoexposições, apresenta assuntos isca, links, indutores, etc.) e serve como oportunidade para descobrir assuntos que já estão ativados para o interlocutor (já estão na sua cabeça), assuntos em andamento para o interlocutor (acontecimentos importantes para ele que ocorreram, estão ocorrendo ou vão ocorrer proximamente) e induz novos assuntos.

 

PROPOR DIRETAMENTE ASSUNTOS

A maneira mais simples de introduzir um assunto na conversa é começá-lo e verificar se o interlocutor se interessa por ele. Quando é o nosso interlocutor que propõe, ficamos mais tranquilos porque é mais provável que ele se interesse pelo assunto do que quando somos nós que o propomos!

Quando somos nós que propomos assuntos, temos que monitorar as reações do interlocutor para verificar se ele está envolvido com o tema que propusemos.

 

Maneiras espontâneas de propor assuntos

- Propor diretamente assuntos

- Apresentar informações gratuitas (informações não solicitadas pelo interlocutor) sobre assuntos que queremos abordar.

- Apresentar informações sintéticas sobre o assunto e esperar que o interlocutor peça para expandi-las.

- Apresentar perguntas retóricas para introduzir o que quer falar (Por exemplo, dizer: “Você não sabe o que me aconteceu!”).

- Apresentar assuntos preparatórios para o assunto de interesse. Por exemplo, perguntar: “E ai, como está o final de ano? Muitas festas? Para mim está feio....”

- Perguntar se o interlocutor se interessa pelo tema que você pretende introduzir (“Você gosta de política internacional?”).

 

PROPOR ASSUNTOS ISCA

- Mencionar vários assuntos de interesse de quem menciona para verificar se o interlocutor manifesta interesse por algum deles.

Por exemplo:

Dizer: “Fim de ano, tempo quente e chuvoso, crise financeira e muito trânsito. Tirando o que está mau, o resto está bom”, e esperar para ver se o interlocutor mostra interesse por algum desses temas.

- Mencionar várias novidades e verificar se o interlocutor se interessa por alguma delas.

- Mencionar assuntos abordados em conversas anteriores para ver se o interlocutor se interessa em continuar algum deles.

PERGUNTAR PELOS ASSUNTOS QUE ESTÃO AFETANDO O INTERLOCUTOR

Esse tipo de pergunta aciona quase todos os tipos de assuntos: ativados (já estão na cabeça do interlocutor), instrumentais (coisas práticas que ele quer entender ou resolver naquele momento), entorno (conversar sobre o que está presente no ambiente ou acabou de acontecer), prediletos (assuntos que o interlocutor sempre está motivado para abordar).

Perguntar diretamente por assuntos do interlocutor

A melhor maneira de saber se existem assuntos que o interlocutor quer trazer para a conversa é perguntar direta ou indiretamente e genericamente por eles

Por exemplo:

1- Perguntar de forma direta e genérica: “O que se passa na sua cabeça?” (Pergunta genérica, aberta e direta).

2- Perguntar de forma indireta: “O que você conta?”, “Quais são as novidades?”.

Esses dois tipos de pergunta aumentam a motivação do interlocutor para vasculhar os assuntos que estão na sua cabeça ou aqueles acontecimentos que ocorreram, estão ocorrendo ou vão ocorrer proximamente, para identificar aqueles que ele gostaria e acha adequado tratar na conversa.

No entanto, a pergunta direta por assuntos pode soar estranha para quem a recebe.

O Facebook apresenta uma pergunta direta por assuntos na primeira caixa de diálogo que aparece no topo da sua página de entrada:

“No que você está pensando?”

Essa pergunta é uma instigação para que o usuário compartilhe os seus pensamentos com os seus amigos virtuais.

No meu consultório, costumo usar perguntas para instigar os meus pacientes a apresentarem os assuntos que estão presentes em suas cabeças:

- “Que assuntos estão presentes agora na sua cabeça?”

- “Diga-me o que está na sua cabeça neste momento”

- “Quais assuntos estão pegando você agora?”

Na vida real, geralmente, não podemos ser tão diretos assim. Por isso, temos que lançar mão de perguntas indiretas ou de outras ferramentas para saber se o nosso interlocutor está com algum tema importante na cabeça, que ele quer e pode abordar na conversa.

 

Diferença entre perguntas que são apenas cumprimento daquelas que são manifestações de interesse real em saber as novidades

Uma das maneiras de tentar descobrir os assuntos que estão presentes na cabeça do nosso interlocutor, (assuntos ativados e semiativados) é perguntar como ele está. Quem recebe essa pergunta tende a pensar não apenas no como está no momento, mas também no que ocorreu com ele nos últimos tempos, naquilo que está ocorrendo e naquilo que está previsto para ocorrer.

No entanto, no início dos encontros, esse tipo de pergunta pode ser confundido com perguntas que fazem parte do ritual do cumprimento.

Por exemplo, quando um “Como vai?” é respondido com outro “Como vai?”, fica claro que a primeira pergunta foi encarada apenas como um cumprimento e não como um interesse real em saber como a outra está. Devido à interpretação da pergunta como cumprimento, a pessoa que ouve a pergunta inicial nem se dá ao trabalho de respondê-la e apresenta a mesma pergunta como forma de cumprimento recíproco.

 

INSISTIR NAS PERGUNTAS PARA MOSTRAR INTERESSE GENUÍNO

Insistir em saber o que se passa com o interlocutor indica um interesse real neste tipo de informação e esclarece que as perguntas não são apenas fórmulas usadas para cumprimentar.

Uma forma de insistir é reapresentar a pergunta. Outra forma, mais sutil, é apresentar várias perguntas que tenham o mesmo significado. No início do exemplo abaixo, “P” está insistindo em saber as novidades, e “R” está apresentando respostas típicas de cumprimento. Após alguma insistência por parte de P, R responde de verdade e revela uma informação sobre algo que lhe aconteceu:

P - Como estão as coisas?

R - Tudo bem. E com você?

P – Tudo. Quais são as novidades?

R - Tudo normal. Nada de novo.

P - O que você conta de novo?

R- Acabei de ser aprovado em um concurso!

P- Que legal! Parabéns! Qual concurso?

 

RESPOSTAS A CUMPRIMENTOS QUE DÃO PISTAS SOBRE ASSUNTOS ATIVADOS, EM ANDAMENTO E ATUALIDADES

Certas respostas para as perguntas apresentadas durante o cumprimento fornecem pistas sobre a existência de assuntos ativados. Por exemplo, quando uma pessoa pergunta “Como vai?” e recebe como resposta algo do tipo “Vamos indo” ou “Mais ou menos”, isso indica que algo negativo está acontecendo com quem responde assim. Indica também que essa pessoa provavelmente está interessada em falar do que está acontecendo, caso quem perguntou confirme seu interesse em saber. 

As respostas do tipo “Muito bem!”, “Legal!”, “Melhor estraga!”, quando apresentadas com uma ênfase maior do que o usual, indicam que existem assuntos ativados positivos que quem responde poderia abordar, caso quem perguntou confirme o seu interesse em saber.

ESQUENTAR A CONVERSA E OS ASSUNTOS

O termo “esquentamento” é usado aqui para nomear o aumento na motivação para realizar uma atividade (por exemplo, participar de uma conversa ou tratar de um assunto) que vai ocorrendo à medida que essa atividade vai acontecendo. Exemplo de referência ao esquentamento:

“No início da conversa, eu não estava interessado. Só respondia e fazia pequenos comentários por educação. Depois, comecei a me envolver e acabei me entusiasmando com o nosso papo”.

“Eu havia prometido a mim mesmo que não ia tocar naquele assunto. No entanto, ela ficou me perguntando coisas referentes a ele e fazendo insinuações. Eu não resisti: acabei falando tudo aquilo que havia prometido não falar”.

 

Porque o esquentamento ajuda a motivar a conversa

- Apresenta amostra de conversa motivada. Falar por alguns minutos sobre algum assunto que seja motivador para quem fala: mostrar-se envolvido em algum assunto e conversar de forma envolvida pode provocar envolvimento no interlocutor.

- Fornece licenças: essa amostra de conversa autoriza o outro a agir da mesma forma.

- Indica disponibilidade e disposição para conversar. Apresentar amostra de comportamentos de falante e ouvinte ativos indicam disponibilidade e disposição para conversar.

- Aciona lembranças e emoções no interlocutor, impele o interlocutor a se posicionar sobre o que está sendo dito, depois que o interlocutor fala alguma coisa, ele fala fica na obrigação de esclarecer, defender, verificar as impressões que causou etc. 

Por Ailton Amélio às 09h48

20/12/2015

Você é realmente um bom ouvinte? Confira!

Ouvir bem é muito mais do que ser capaz repetir o que o interlocutor disse, embora esta capacidade já seja um bom passo. Vamos examinar aqui as principais tarefas que um bom ouvinte desempenha na conversa.


Funções das ações de um bom ouvinte

Para funcionar como bom ouvinte é necessário:

1- Apresentar sinais que está disponível e disposto para conversar

São sinais que indicam que tem tempo e está motivado para conversar. Por exemplo:

- Dizer que tem tempo para conversar

- Convidar o interlocutor para conversar

- Acomodar-se para conversar por longo tempo: encostar-se a uma superfície, convidar para sentar, colocar a pasta ou a bolsa que está portando sobre a mesa.

- Interromper claramente o que estiver fazendo para dar atenção ao interlocutor (desligar a tevê, desligar o computador);

- Preparar o ambiente para garantir uma boa conversa: fechar a porta para evitar interrupções; pedir para secretária não interromper.

2- Posicionar-se corporalmente para conversar

Este tipo de posicionamento proporciona as condições físicas para que a conversa aconteça de forma eficiente.

Os principais posicionamentos corporais apropriados para conversar são os seguintes:

- Assumir distância propícia para conversar.

Não ficar nem muito longe nem muito perto do seu interlocutor. Quando ambos estão em pé, deixar o interlocutor estabelecer a distância entre vocês que ele prefere. Depois que ele fizer isso, caso você queira “esquentar” um pouco a conversa, se aproxime dele mais um pouquinho (puxe a sua cadeira para mais perto ou dê um passinho na sua direção, mas não exagere). Caso queira “esfriar” um pouco a conversa, se afaste um pouquinho dele.

- Evitar barreiras físicas ente si e o interlocutor.

Barreira física é a presença de um obstáculo físico entre os interlocutores.

Evitar barreiras físicas contribui para que a conversa fique mais pessoal e calorosa.

Existem dois tipos de barreiras:

(1) Corporal. Uma ou mais partes do corpo é interposta entre os interlocutores. Por exemplo, as pernas cruzadas de um interlocutor estão interpostas entre ele e o outro.

(2) Material: interposição de um objeto entre os interlocutores. Por exemplo, interpor uma mesa ou um balcão entre os interlocutores. É comum colocar uma pasta ou bolsa entre si e outra pessoa, quando ambas sentam-se em um mesmo sofá. Também é comum segurar uma pasta ou uma bolsa contra o peito, de modo que ela fique entre si e o interlocutor.

- Assumir posições semelhantes às do interlocutor.

Exemplos:

- Os dois interlocutores permanecem sentados ou os dois ficam em pé. Assumir posições diferentes daquela adotada pelo interlocutor contribui para quebrar o clima positivo da conversa. Por exemplo, quando um está sentado e o outro em pé, isso contribui para esfriar a conversa. É importante manter os olhos na mesma altura dos olhos do interlocutor.

- Ambos encostam-se a uma parede.

- Orientar a frente do corpo na direção do interlocutor

Voltar toda a frente do corpo (rosto, peito, púbis, joelhos e ponta dos pés) na direção do interlocutor.

A orientação totalmente frontal de todas as partes do corpo pode ser desconfortável devido ao excesso de intimidade que ela produz. Caso a orientação totalmente frontal fique desconfortável, mantenha um pequeno ângulo entre a frente das partes do seu corpo e o interlocutor.

- Olhar atentamente para o rosto do interlocutor. Por exemplo, olhar para seus olhos, testa ou boca enquanto ele fala ou para observar como ele está reagindo ao que você está falando. O ouvinte geralmente olha mais para o falante do que vice versa.

- Não dar muita atenção a outros acontecimentos que estão ocorrendo ao redor. Por exemplo, não ficar olhando demais para outras pessoas que estão passando próximo do local onde você está conversando. Quando a conversa absorve a nossa atenção, deixamos de prestar atenção ao que está acontecendo ao redor.

- Inclinar o tronco na direção do interlocutor

Quando os interlocutores estão sentados, o tronco do bom ouvinte deve ser ligeiramente inclinado na direção do interlocutor (inclinado para frente ou para a lateral, quando o interlocutor está ao lado ou à frente, respectivamente).

3- Ajudar a administrar o fluxo da fala

Apresentar sinais que contribuam para regular o fluxo da fala. Por exemplo:

- Apresentar sinais que indicam que está acompanhando a comunicação do interlocutor: anuir com a cabeça nas horas certas; emitir vocalizações que indicam que está acompanhando o que está sendo dito (hã!, hã!,)

- Apresentar sinais de compreensão/incompreensão daquilo que o interlocutor está dizendo: anuir com a cabeça, emitir vocalizações breves e condizentes com o que ele disse.

- Ajudar o falante a gerenciar a sua fala. Apresentar mensagens do tipo: fale mais, fale menos, apresente mais detalhe, explique melhor.

 Neste aspecto, muitas vezes, o ouvinte é mais ativo/dominante do que o falante. O ouvinte pode funcionar como uma espécie de regente de orquestra: o regente não toca nenhum instrumento enquanto rege, mas determina o que os músicos estão tocando. O ouvinte ativo influencia os comportamentos dos falantes.

- Indicar que quer continuar a ouvir ou que quer a palavra

4- Ajudar o falante a desenvolver os seus assuntos

Apresentar comportamentos que estimulem e auxiliem a comunicação do falante:

- Pedir exemplos

- Pedir esclarecimentos

- Resumir o que o falante disse para estimular novos desenvolvimentos dos tópicos que ele já apresentou

- Apresentar ganchos para ajudar o interlocutor a lembrar de novos tópicos que poderá abordar e para ajuda-lo a organizar a sua fala.

5- Mostrar que está motivado para conversar

Apresentar sinais que indicam que você está motivado para conversar. Por exemplo:

- Mostrar disponibilidade para conversar (também indica que está motivado)

- Mostrar animação para conversar: mostrar entusiasmo, energia na voz e gestos.

- Mostrar empenho em conversar: ir até a onde a pessoa está, puxar conversa, ligar, introduzir novos assuntos

- Mostrar interesse pelos assuntos do interlocutor

- Assumir posição espacial propícia para conversar

6- Motivar o falante

- Mostrar afetação pela comunicação do interlocutor. É motivador para o falante verificar que a sua comunicação está produzindo os efeitos que desejava no ouvinte. Alguns dos efeitos que geralmente são desejáveis para todas as pessoas são os seguintes: conseguir a atenção do interlocutor, conseguir que o interlocutor invista o seu tempo para conversar, verificar que sua comunicação está afetando o interlocutor, verificar que o interlocutor está sentindo prazer ou admiração pelo que está sendo comunicado.

- Contribuir para o sucesso da comunicação do interlocutor. Aqueles ouvintes que ajudam o falante a se apresentar da forma que ele pretende, que estimulam a sua criatividade e inteligência contribuem fortemente para ele se sinta bem. Ouvintes que confirmam a autoimagem positiva do falante são muito gratificantes.

- Ouvir ativamente motiva o falante.  Essa forma de ouvir mostra interesse pelo que o falante está dizendo e pela pessoa do falante. Ser ouvido ativamente é muito estimulante e prazeroso. O falante fica mais motivado quando o ouvinte mostra entusiasmo com a conversa, é alguém que o ele considera importante para ele e quer ouvi-lo. Isto é muito diferente do que falar para alguém que só está ali para bajular, para dizer o que o falante quer ouvir, que omite o que está pensando e tenta esconder a sua verdadeira atitude. Nada é mais desanimador do que ter um ouvinte que não reage ao está sendo dito.

7- Respeitar a si próprio e ao interlocutor

Ouvir ativamente é uma forma de respeitar a si próprio: é uma maneira de dizer “eu estou aqui”, “eu tenho sentimentos e pensamentos que vou compartilhar porque quero que sejam considerados”.

O ouvinte ativo não permite que o falante o ignore como pessoa ou que o trate desrespeitosamente. Por isso, esse ouvinte se manifesta.

- Manifestar-se no momento certo e da forma certa para não interromper o falante. Por exemplo, esperar ele fazer uma pausa ou terminar de expor uma ideia antes de posicionar-se a favor ou contra ela.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 09h27

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico