Blog do Ailton Amélio

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21/03/2015

Rodear é uma maneira de mostrar interesse na outra pessoa

O termo “Rodear” é usado aqui para nomear os esforços de uma pessoa para manter-se próxima a uma segunda pessoa, com a finalidade de facilitar contatos com ela. Por exemplo: ir até o local onde a segunda pessoa se encontra e ficar por lá; empenhar-se na mesma atividade que ela; permanecer na atividade ou no local, enquanto a outra pessoa permanecer ali, e segui-la quando ela mudar de local ou de atividade. 

Essas sincronicidades vão revelando o verdadeiro motivo de quem está rodeando: o interesse na pessoa que está sendo rodeada e não nas atividades que estão sendo realizadas.

Permanência nas proximidades, atividades injustificadas e sincronicidade de ações

Muitas vezes, o tempo de permanência em uma atividade ou local é um bom indicador de que o interesse de alguém está mais na outra pessoa, que também está presente, do que em qualquer outra coisa. Por exemplo, uma moça está examinando livros em uma prateleira. Um rapaz se aproxima e começa a olhar os livros da mesma prateleira. Depois de um tempo, ela deixa esse local e começa a examinar os livros de uma gôndola. Pouco tempo depois, o rapaz se aproxima e também começa a fazer o mesmo. Ai ela vai até o café da livraria. Alguns minutos depois, lá está o rapaz. Começa a ficar cada vez mais claro para a moça que o rapaz, de fato, está rodeando-a e tem algum interesse por ela.

Timothy Perper, autor do livro Sex Signals: The Biology of Love, afirmou que as mulheres que se aproximam de um homem e permanecem na sua proximidade geralmente estão dando uma oportunidade para que ele tome algum tipo de iniciativa.

Muitas vezes, ambas as pessoas estão rodeando uma à outra. Quando isso acontece, pode ser que ambas fiquem muito tempo ocupadas em atividades que nenhuma delas está interessada. Este desinteresse, muitas vezes, pode ser percebido pela forma como se comportam (por exemplo, uma pessoa desinteressada na leitura fica com o livro aberto na mesma página por muito tempo ou o livro está de cabeça para baixo!).

É claro que nem sempre a aproximação e permanência do local onde a outra se encontra acontece porque que ela tem interesse nesta outra. É prudente verificar se existe outro motivo para ela estar ali. Por exemplo, uma pessoa pode ficar muito tempo em um lugar apenas porque marcou encontro com outra pessoa naquele local e está “matando o tempo” enquanto a outra não chega. (Já vi isso acontecer!).

Oportunidades geradas pela proximidade física

Quando nos colocamos nas proximidades de outra pessoa, geramos dois tipos de oportunidade de para contato:

1- Tornamo-nos aptos para aproveitar oportunidades de iniciar contatos que surjam (comentar algo que aconteceu no local, passar um talher, pegar um objeto que caiu, etc.).

2- Facilitamos a iniciativa de contato por parte da outra pessoa: a nossa proximidade pode induzir ou dar a oportunidade para que a outra pessoa inicie o contato conosco. Ela pode, por exemplo, dirigir-nos a palavra ou fazer algum comentário em voz alta que nos dê a chance de responder.

Exemplos de rodeadas

Aproximar-se de um mostruário próximo do local onde outra pessoa se encontra

Uma moça está examinando os CDs de um cantor famoso. Um rapaz se aproxima e começa a examinar esses mesmos CDs. Daí a pouco ela muda para outra prateleira. O rapaz faz o mesmo. Em seguida, o rapaz inicia o seguinte diálogo com ela:

“Desculpe-me! Por acaso você conhece as músicas deste cantor? Eu estou querendo comprar um CD dele para presentear um amigo que é seu fã e não sei qual comprar”.

A moça se dispõe a aconselhá-lo e, daí, nasce uma boa conversa.

Ler o mesmo quadro de avisos e falar em voz alta

Uma moça se aproxima de um colega que está lendo um quadro de avisos e também começa a ler os avisos. De repente, ela comenta em voz alta:

 “Outro aumento!”

O rapaz olha na sua direção e responde:

“É revoltante! Não sei onde isto vai parar!”

Após trocarem alguns comentários a este respeito, eles podem começar a conversar sobre outros temas.

Pegar uma fila logo atrás da outra pessoa

Kleber e Helena estão em um restaurante tipo self-service. Eles não se conhecem. Após sentarem-se em mesas próximas, trocaram alguns olhares interessados. Kleber fica esperando o momento que Helena irá pegar a fila para servir-se. Ele planeja, quando isso acontecer, segui-la e pegar a fila logo atrás dela. Desta forma, ele terá uma chance de aproveitar alguma oportunidade para entrar em contato com ela, como, por exemplo, prestar algum auxílio, comentar sobre alguma das comidas que estão disponíveis ou fazer a gentileza de deixar que ela se sirva primeiro.

Ocupar o lugar ao lado da pessoa em eventos de longa duração

Júlia e Pedro não se conheciam anteriormente. Eles foram convidados para um jantar em comemoração ao aniversário de um amigo em comum. Durante o coquetel, Júlia sentiu muita atração por Pedro e decidiu que aproveitaria a hora do jantar para aprofundar os contatos com ele.  Para conseguir isso, ela pediu para uma amiga que estava sentada na cadeira mais próxima à dele, que trocasse de lugar com ela.

 

Postar-se a uma distância que seria apropriada para conversar

Causação mútua

Existe uma faixa de distâncias interpessoais que é apropriada para conversar informalmente.

Tanto o tipo de relacionamento que está sendo desenvolvido influencia a distância interpessoal que é assumida, como assumir uma determinada distância influencia o tipo de relacionamento que é desenvolvido.

Quando queremos conversar, assumimos automaticamente a distância apropriada para essa atividade. Quando assumimos essa distância, aparece a vontade, e até a pressão, para conversar. A distância apropriada para conversar instiga essa atividade. Nesta distância, é desconfortável não dizer nada. Por exemplo, é difícil pegar o elevador com outra pessoa que mora no mesmo andar e não dizer nada.

A distância apropriada para que uma pessoa permaneça próxima da outra varia de uma situação para outra. Segundo, E.T. Hall, famoso estudioso das distâncias interpessoais, ficar aquém da da apropriada para conversar aumenta a pressão para as pessoas iniciarem um relacionamento íntimo. Ficar além dessa distância, aumenta a tendência para as pessoas tratarem-se impessoalmente: cada uma das pessoas toma conhecimento da presença da outra, mas não fica tentada a falar com ela por influência da distância. Por outro lado, é estranho e inapropriado quando uma pessoa fica próxima demais da outra sem que haja um motivo aceitável para isso. Essa distância pode parecer suspeita e provocar reações defensivas.

Criar oportunidade de contato

Uma boa maneira de aumentar a sociabilidade, fazer amigos e iniciar relacionamentos amorosos é criar oportunidades para aumentar as chances de contato. Por exemplo, chegar um pouco antes do início do trabalho ou da aula e ficar um pouco depois destas atividades, começar a participar do cafezinho em grupo, etc. para criar a chance de encontrar alguém.

Criar semipretextos para facilitar iniciativas de contatos

Dizemos que alguém criou um pretexto para iniciar um contato quando essa pessoa inventa uma desculpa com a finalidade de justificar a sua iniciativa e, assim, não deixar explícito o seu verdadeiro motivo.

O semipretexto é um pretexto intencionalmente não muito convincente, o que dá margem para que o receptor da abordagem desconfie que, realmente, aquilo o que o autor do pretexto está querendo é iniciar o contato.

Uma vantagem do semipretexto é que ele “salva a cara” dos interlocutores. O semipretexto lhes dá uma justificativa para começar a conversar sem ter que assumir o interesse no contato em si. Outra vantagem do semipretexto é que ele oferece um tema para iniciar a conversa.

Ao usar semipretextos os interlocutores poderão “negociar” a continuidade enquanto usam o pretexto para conversar. Por exemplo, uma pessoa aborda outra e pergunta por uma loja. Enquanto elas tratam desse pedido de informação, elas podem avaliar a atração e a receptividade mútua para começar outro tipo de conversa e relacionamento.

De fato, quando há interesse recíproco, é melhor que o semipretexto não seja muito convincente. Ele deve se usado apenas salvar a cara de ambos interlocutores. Quando o semipretexto é muito convincente, fica difícil para quem recebeu a iniciativa perceber o motivo oculto do iniciador e, posteriormente, quando ele é descoberto, pode se sentir enganado.

Existem vários tipos de semipretextos que podem ser utilizados para iniciar contatos. Exemplos:

- Pedir uma informação desnecessária. Por exemplo: perguntar para uma pessoa que está tomando uma bebida se ela é boa ou ele a recomenda (de fato, quem pergunta já conhece a tal bebida).

- Criar um pequeno incidente: por exemplo, dar um esbarrão na pessoa e pedir desculpa; deixar cair um objeto para a outra pessoa possa pegar.

- Fingir que está confundindo uma pessoa com outra conhecida: “Conheço você de algum lugar”.

Inconvenientes da técnica dos pretextos e semipretextos

O uso de pretextos e semipretextos apresentam os seguintes inconvenientes:

- Anulam o principal efeito da iniciativa de contato que é mostrar o desejo de contato com a outra pessoa e a satisfação causada pelo contato.

- Quem utiliza o pretexto pode se sentir um farsante ou acovardado e, por isso, se mostrar menos confiante e culpado.

- Quando o pretexto é obviamente falso ou é descoberto, quem o utiliza pode perder credibilidade. Em geral, quem tem a coragem de tomar uma iniciativa direta de contato é mais valorizado do que quem usa pretextos para iniciar relacionamentos.

- Muitas vezes, fica difícil mudar o conteúdo da conversa ou do relacionamento que foi estabelecido entre os interlocutores com base no pretexto. Por exemplo, pode ser difícil mudar a conversa para assuntos mais pessoais com um desconhecido que foi abordado através de um pedido de informações. O desconhecido não se sente obrigado a conversar sobre outros assuntos e  pode suspeitar das tentativas da outra pessoa para puxar conversa.

- Quando é esperada uma iniciativa explícita de contato, como acontece nos locais de flerte, o uso de um semipretexto após um flerte bem sucedido é considerado sinal de fraqueza ou falta de coragem e, por isso, inapropriado.

Dificuldade para iniciar contatos sociais e amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h37

15/03/2015

Quando a rejeição dispara o "amor"

"Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio"

(Groucho Marks)

 

"Quem eu quero não me quer

Quem me quer, mandei embora”.

(Canção “Quem eu quero não me quer”, de Elymar Santos)

 

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém” (Poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade).

 

As pessoas em geral e as inseguras e que têm baixa autoestima, em particular, têm a tendência para valorizar mais aqueles que as rejeitam ou que lhes são indiferentes do que aqueles que as valorizam e as aceitam. A rejeição e a indiferença podem abalar suas autoimagens e autoestimas.

Na área amorosa, a rejeição pode desencadear sentimentos  no rejeitado, em relação ao rejeitador, que são confundidos com o amor. É discutível se tais sentimentos realmente são de natureza amorosa. Por isso, as aspas no título desse artigo.

Este é o tema que será examinado neste artigo.


Demitido do emprego quando ia pedir demissão

Você vai pedir demissão do emprego. Você está seguro e sentindo-se bem com essa decisão.

No entanto, um dia antes de apresentar seu pedido, você é demitido. Isso deixa você mal e produz um belo estrago na sua autoestima. Neste caso, não é a perda do emprego que faz você se sentir mal e com baixa autoestima, obviamente: você já ia pedir demissão e estava satisfeito com isso!

O que provoca suas reações negativas são as mensagens de desvalorização e rejeição que estão implícitas no recebimento da demissão. Ser demitido faz você sentir-se desvalorizado e perceber que não era tão imprescindível para firma quanto imaginava antes. Ser despedido desperta comparações: “Por que você? Por que fulano e sicrano, que são muito menos competentes e dedicados que você, permaneceram no emprego e você foi despedido? Será que você não está percebendo alguma coisa neste fato? Será que você estava superestimando seu próprio valor? Será que você anda distorcendo a sua autopercepção em outras áreas?

Um caso parecido é aquele onde uma pessoa vai pedir demissão e o empregador aceita imediatamente sem pedir para o demissionário considerar o seu pedido. Essa aceitação imediata do pedido de demissão também tem um efeito negativo em quem pediu a demissão semelhante ao efeito de ser demitido antes de pedir demissão, mas a intensidade desse efeito é maior neste caso do que naquele.

Algo análogo à demissão de um emprego também acontece no relacionamento amoroso: levar um fora pouco antes de tomar a iniciativa de terminar um relacionamento amoroso produz efeitos negativos em quem levou o fora. De forma semelhante, a aceitação imediata de um pedido para terminar um relacionamento amoroso provoca efeitos negativos em quem fez o pedido que foi aceito tão fácil e prontamente. Esse tipo de efeito é ilustrado na história abaixo.


Marieta volta atrás quando o seu pedido para terminar o relacionamento foi prontamente aceito por Dráuzio

Diálogo entre Marieta e Dráuzio, seu namorado:

- Acho que nosso relacionamento não está dando certo.

Você não é a pessoa que quero como namorado. Devemos terminar nosso relacionamento.

- Tudo bem! Está terminado!

- Como assim? Você está maluco? Não vai pedir uma chance, não vai questionar se devemos mesmo terminar?

- Não. Obrigado!

- Ah, seu sem vergonha! Não vai se livrar assim tão fácil de mim! Acho que você anda me traindo! Vamos ter que discutir isso muito bem! Agora, quem não quer terminar sou eu! Sabe que sinto uma boa dose de atração por você?

- Pois bem. Mas, para continuar, vamos ter que redefinir nosso relacionamento.

- Tudo bem! Como você quiser!

Este diálogo fictício mostra uma reversão nas manifestações de desejo de terminar o relacionamento por parte de Marieta. Essa reversão pode ter acontecido porque ela ficou insegura diante da pronta aceitação do término apresentada por Dráuzio ou porque ela só estava ameaçando terminar como estratégia para obter concessões por parte dele e para sentir quanto realmente ele a amava! 


Amor ou tentativa de recuperação da autoestima?

Quando algo ameaça a confiança na nossa autopercepção ou rebaixa a nossa autoestima, ficamos muito abalados e, por isso, podemos investir alto para recuperar o nosso equilíbrio psicológico.

As pessoas inseguras e que têm baixa autoestima podem ser muito afetadas pela rejeição. Essa forte afetação pode conectá-las ao rejeitador e fazê-las querer, com toda a força, serem admiradas e desejadas por aqueles que as rejeitaram. Essa forte conecção ao rejeitador acontece não porque o rejeitado ame o rejeitador, mas sim, porque conquistá-lo ou reconquistá-lo é uma maneira de recuperar a autoestima!

Quem é inseguro pode dar menos valor para aqueles os aceitam do que para aqueles que os rejeitam.

Quando a rejeição leva ao apaixonamento

Para muitas pessoas, a rejeição é o mecanismo principal do apaixonamento e não a atração pelos dotes do parceiro.

Essas pessoas só se apaixonam por aqueles por aqueles que elas têm que batalhar bastante para conquistar. Ter dificuldade para conquistar o parceiro significa que este está se julgando como mais atraente que elas. Muita gente se sente inferior quando alguém se mostra superior a elas. Ou seja, essas pessoas “compram” a avalição do outro.

Certas pessoas usam largamente a tática de se mostrar difícil para conquistar a atenção daqueles são inseguros e têm baixa autoestima. Essa tática é usada não só no campo amoroso, mas em todos os campos da vida social. As pessoas que usam essa tática são aquelas que se mostram difíceis de contentar: elas nunca ficam maravilhadas com você. Elas podem até cumprimentar quando você faz algo excepcional, mas são econômicas nos seus cumprimentos. Sempre fica parecendo que ainda faltou um pouco mais para elas ficarem mais entusiasmadas com você.

Você tem a tendência para amar aqueles que lhe rejeitam? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h17

08/03/2015

Você tem uma lista de espera para substituir seu parceiro atual?

Você, certamente, já ouviu alguma afirmação do tipo:

“Acabou de sair de um relacionamento e já está em outro”,

“Largou ele pelo outro”,

“Ela está casada, mas tem um fã clube fiel”.

“Se ela sair desse relacionamento, não fica um mês sozinha. Muitos homens estão na fila para se casar com ela”.

Essas frases indicam que muitas pessoas que estão em um relacionamento amoroso têm ciência de outros possíveis parceiros que poderão substituir o atual, caso este relacionamento fracasse.

Neste artigo vamos examinar a famosa “lista de espera para iniciar um relacionamento amoroso”.


Pesquisa do OnePoll sobre listas de espera das inglesas

Você tem uma lista de espera daquelas pessoas que gostariam de iniciar um relacionamento amoroso com você, caso o seu relacionamento atual termine?

O instituto de pesquisa inglês OnePoll apresentou uma pergunta parecida com essa para mil mulheres inglesas. Metade delas afirmou que sabiam sim quais eram as pessoas que gostavam delas e que poderiam substituir seus parceiros atuais, caso seus relacionamentos com eles terminassem (os principais resultados dessa pesquisa foram publicados pelo Mail Online - veja o link para essa publicação na Nota, no final deste artigo).


A lista de espera é mais frequente entre mulheres casadas do que entre mulheres menos comprometidas

A percentagem de casadas que possuía lista de espera era maior do que a percentagem mulheres que estavam em outros tipos de relacionamento.

Provavelmente isso acontece por vários motivos. Dois deles são os seguintes:

- As casadas tiveram mais tempo para construírem tal lista.

- As solteiras precisam menos dessa lista. Para elas, se o parceiro atual deixar de agradar ou se outra pessoa passar a atrair mais do que o atual, é mais fácil terminar o relacionamento e iniciar um novo com a outra pessoa. Existem menos razões para colocar outro parceiro que agrada em uma lista de espera. Sair do relacionamento e começar outro é mais fácil para quem ainda não está seriamente comprometido do que para quem já está casado. Por exemplo, as pessoas que ainda não se casaram provavelmente ainda não tem filhos e não integraram suas vidas econômicas e familiares com parceiro.


Alguns resultados interessantes da pesquisa do OnePoll

O instituto de pesquisa OnePoll coletou outras informações daquelas mulheres que afirmaram que tinham uma lista de espera. Alguns resultados interessantes dessa pesquisa são os seguintes:

- Os homens foram incluídos na lista de espera há sete anos, em média.

- Cerca de quarenta por cento dos homens foram incluídos na lista de espera antes do relacionamento atual ser iniciado. Aproximadamente a mesma percentagem de homens foi incluída nesta lista durante o relacionamento atual.

- O grau de certeza das donas da lista sobre os sentimentos daqueles que constavam da lista ou quanto podiam contar com eles para um novo relacionamento variava. Uma mulher em cada cinco afirmou que tinha certeza de que o parceiro da lista aceitaria um relacionamento com ela, caso o seu relacionamento com o parceiro atual terminasse.

- Uma mulher em cada dez afirmou que o parceiro da lista já havia revelado o seu amor eterno por ela.

- Um quarto das mulheres afirmou que tinha sentimentos tão fortes pelo parceiro da lista de espera quanto pelo atual parceiro

- 12% das mulheres afirmaram que tinham sentimentos mais fortes pelo parceiro da lista do que pelo atual parceiro

- Sete em cada dez mulheres afirmam que tinham contato frequente com o parceiro da lista.


Quem são os incluídos na lista de espera

De acordo com a pesquisa do OnePoll, esses parceiros da lista eram antigos amigos, ex-namorados, ex-maridos, colegas de academia de ginástica.

Existem vários motivos e pretextos que ajudam a manter contato frequente com as pessoas da lista de espera: amizade, participação em equipes de trabalho, amigos em comum, etc.

O convívio justificado pela existência desses outros tipos de relacionamento permite cultivar, administrar e desfrutar, pelo menos parcialmente, os prazeres da presença e do convívio com as aqueles que estão nas listas de espera.


Lista daqueles que devem “esperar sentado”

Não basta ter muito interesse em alguém para estar na sua lista de espera. Muitas pessoas que têm esse tipo de interesse não têm a menor chance de se tornarem titulares do relacionamento porque a dona da lista não tem nenhum interesse por elas! O inverso também acontece: a dona da lista teria o maior interesse em incluir alguém na sua lista, mas essa pessoa não sente nada por ela! Em ambos esses casos, os interessados não correspondidos podem "esperar sentados, porque vão cansar se esperarem em pé!"

Para ser incluído na lista de espera tem que haver interesse recíproco.


Vantagens e desvantagens das listas de espera

Possuir uma lista de espera tem vantagens e desvantagens para a dona da lista.


Vantagens da lista de espera

- Mesmo quando estamos comprometidos, sentimos atração por outras pessoas e nos faz muito bem perceber que também atraímos essas pessoas.

Existe um motivo bastante óbvio para a existência dessas listas de espera: sentimos atração por outras pessoas mesmo quando já estamos comprometidos e amamos alguém.

Quando nos comprometemos, não nos tornamos cegos, surdos e anósmicos para os atrativos de outras pessoas. O compromisso que assumimos é para não deixemos que essas atrações guiem nossos comportamentos. É impossível assumir o compromisso de não sentir atração por mais ninguém!

Também temos necessidade de verificar se somos atraentes para outros possíveis parceiros. Essa necessidade é mais acentuada quando a outra pessoa é atraente para nós: vale mais ser atraente para quem nos atrai do que para quem não nos atrai.

Quando ambas as coisas acontecem, somos atraídos e atraímos uma pessoa, e essas atrações perduram, ai está o embrião de uma lista de espera!

- Fica mais fácil repor a perda do parceiro quando temos uma lista de espera.

Helen Fisher, famosa bióloga americana, afirma no seu livro “A Anatomia do Amor”, que durante a evolução da nossa espécie, aquelas mulheres que tinham lista de espera podiam repor com mais facilidade e rapidez os seus parceiros amorosos. Durante a evolução da nossa espécie a perda de parceiros era muito mais frequente do que agora, porque havia mais chances deles morrerem em lutas contra rivais, inimigos de outros bandos, predadores e doenças.


Desvantagens da lista de espera

Algumas pessoas que consultei declararam, com muito orgulho, que não tinham nenhuma lista de espera e que estavam com os dois pés na canoa do relacionamento atual. Elas tinham apostado tudo neste relacionamento.

- A lista de espera superficializa o relacionamento atual. Aquelas pessoas que não têm lista de espera provavelmente estão mais envolvidas no relacionamento. Como elas apostaram todas as fichas neste relacionamento, elas têm mais a perder caso ele não dê certo! Por isso, elas têm mais motivação para lutar pela qualidade e durabilidade desse relacionamento.

- A lista aumenta as chances de traição. Quando uma pessoa sabe do interesse amoroso de outra e cultiva esse interesse, as chances de traição aumentam: saber, admitir e cultiva incentivam a persistência e ousadias do interessado.


E as listas de espera dos homens?

E a lista de espera dos homens? Infelizmente a pesquisa inglesa tratou apenas da lista das mulheres. Parece óbvio que muitos de nós homens também temos listas de espera. Vamos esperar que elas sejam pesquisadas!

Você tem dificuldade para repor seus parceiros amorosos? Peça a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Link para a matéria do Mailonline sobre a pesquisa das listas de espera das mulheres inglesas:

Half of women have a fall-back partner on standby who has always fancied them, in case their current relationship turns sour

By Deni Kirkova for MailOnline

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2769593/HALF-women-fall-partner-standby-fancied-case-current-relationship-turns-sour.html

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Por Ailton Amélio às 10h47

01/03/2015

Você sabe executar a dança do acasalamento (flerte)?

A maioria das espécies sexuadas exibe uma espécie de dança do acasalamento no início dos seus ciclos reprodutivos. Em várias dessas espécies, como a nossa, essa dança tem a função de estabelecer vínculos entre os parceiros e a preparação da cópula. Quem falha na apresentação dessa dança ou não sabe reconhecê-la quando ela está sendo apresentada por pretendentes corre o risco de não estabelecer relacionamentos amorosos e procriar.

O que é o flerte?

O flerte é uma espécie de dança do acasalamento. Para executar essa dança, o dançarino abdica da maneira mais simples e direta de fazer coisas práticas: os seus comportamentos se tornam sinuosos e floreados. Por exemplo, durante o flerte, o pescoço, os ombros, o pulso e a cabeça das mulheres adquirem mais mobilidade e sinuosidade do que seriam necessárias para fazer coisas práticas. Outro exemplo: a voz se torna cheia de “florzinhas” e “coraçãozinhos”. Essas sinuosidades e floreamentos têm a função de apresentar as mensagens de interesse amoroso.

O flerte pode ser unilateral ou bilateral; pode ser sutil ou explícito; pode ter conotação sexual ou romântica; pode ser usado para iniciar um relacionamento amoroso ou apenas para conferir o próprio poder de atração.

  Sinais dirigidos para todos e sinais dirigidos para uma pessoa específica

Sinais de flerte dirigidos para todos

Estes sinais não são dirigidos a todos os presentes e funcionam como uma espécie de recado “a quem possa interessar” ou “aviso aos navegantes”. Os dois principais sinais desse tipo são o “olhar de varredura” (o olhar percorre todo o ambiente sem se deter em ninguém em particular), e o “dançar sozinha”. Quem os emite sinaliza que está disponível e “procurando”.

Sinais de flerte para uma pessoa específica

Este tipo de sinal é dirigido para uma pessoa específica. Por exemplo, sustentar o olhar da outra pessoa e fazer caras e bocas para ela sinaliza firmemente um interesse por ela.

 Abaixo são apresentados os principais sinais desses dois tipos de sinais que foram observados em uma pesquisa realizada Mônica Moore. Estes sinais são aqueles que tinham mais sucesso para atrair parceiros.

Funções do flerte

O flerte pode ser descrito como um conjunto organizado de comportamentos que tem pelo menos seis funções:

- Expressar interesse amoroso pela outra pessoa.

- Comunicar para a outra pessoa o interesse amoroso (o flertador faz questão que a outra pessoa tome conhecimento do seu interesse amoroso. Faz que ela note os seus olhares... interage com ela à distância através de olhares, expressões faciais, pequenos sinais, etc.).

- Verificar se há reciprocidade por parte da outra pessoa, ou seja, se ela retribui e participa do desenvolvimento do flerte.

- Aumentar a própria atração (quem flerte fica mais bonito: transformações físicas - Scheflen; exibição de sinais de gênero; exibição de posturas mais elegantes, comportamentos mais graciosos, etc.).

- Motivar a outra pessoa para iniciar um relacionamento amoroso. Tal como um filme erótico pode despertar o interesse sexual, o flerte de uma pessoa charmosa pode despertar a via amorosa.

- Negociar a permissão e a desejabilidade de ambas as partes para se aproximarem e iniciarem um contato verbal. Após um flerte bem sucedido, quando uma pessoa aborda a outra e pede permissão para falar com ela, esta permissão já foi negociada antes. O pedido é redundante e tem uma função mais retórica.

- Testar a própria atração como possível parceiro amoroso. Muita gente dá uma flertada só testar o próprio valor como possível parceiro amoroso.

Flerte à distância e flerte durante a conversa

Existem dois principais tipos de flerte: (1) à distância (geralmente acontece entre desconhecidos) e (2) durante a conversa (geralmente acontece entre pessoas que estão começando a se conhecerem após um flerte à distância, após uma apresentação por conhecidos em comum ou entre pessoas que já se conhecem).

Flerte à distância

            O flerte a distância geralmente só ocorre entre pessoas que não se conhecem. Quando já houve uma conversa entre duas pessoas, o flerte a distância entre elas tende a ser substituído pelo flerte durante a conversa. Isto não significa dizer que não haja sinais á distância que indiquem interesse entre duas pessoas conhecidas entre si. Por exemplo, tanto pessoas conhecidas ou desconhecidas entre si, que estão amorosamente interessadas na outra procuram manter a outra pessoa dentro dos seus campos de visão.

Comportamentos femininos que atraem à distância os homens

Monica Moore, uma pesquisadora da Universidade de Missouri, catalogou 52 tipos de comportamentos que quando eram exibidos por mulheres atraiam a atenção dos homens (na definição desta autora “atrair a atenção” significa: aproximar da pessoa, falar com ela, inclinar-se em direção a ela, se aproximar dela, convidá-la para dançar, tocá-la ou beijá-la). 

Alguns dos comportamentos femininos mais eficientes para despertar as iniciativas masculinas que foram observados por Monica Moore são os seguintes:

- Sorrir (mostrando ou não os dentes. Algumas mulheres apresentam um sorriso quase que permanente).

- Olhar de varredura (o olhar percorre todo o ambiente).

- Dança solitária. Dançar sozinha era muito eficiente para provocar a abordagem de pretendentes.

- Rir (geralmente após algum comentário de uma amiga).

- Olhar dardo (olhar nos olhos de uma pessoa por menos de 2 segundos).

- Ajeitar os cabelos (geralmente os cabelos já estão arrumados. Portanto esse ajeitamento é apenas simbólico);

- Fixar o olhar (olhar para os olhos da outra pessoa por mais que 3 segundos).

- Lançar a cabeça para trás (a cara fica voltada para cima, por menos do que 5 segundos).

- Dar permissão para o pretendente fazer a abordagem (a mulher através de gestos concede permissão para o homem aproximar-se e iniciar a conversa).

Flerte durante a conversa

No meu livro, O Mapa do Amor, apresento 14 comportamentos de flerte durante a conversa. Estes 14 comportamentos foram classificados em dois grupos: (1) comportamentos simples de flerte: aqueles que envolvem apenas um tipo de comunicação não verbal (os primeiros seis tipos de comportamento de flerte da lista abaixo) e (2) comportamentos complexos de flerte: aqueles que envolvem dois ou mais tipos de comunicação não verbal  e/ou comunicação verbal. Estes comportamentos são os seguintes:

Comportamentos simples de flerte

1- Orientação da parte dianteira do corpo na direção do interlocutor.

2- Adotar posturas corporais receptivas (inclinar o tronco na direção do interlocutor, manter os braços abertos, etc.).

3- Tocar a outra pessoa. Tocar frequentemente, tocar demoradamente, tocar carinhosamente.

4 - Ficar a uma pequena distância da outra pessoa.

5 – Sorrir muito

6 - Olhar muito para a outra pessoa. “Só tenho olhos para você”.

Comportamentos complexos de flerte

1- Tomar a iniciativa de contato. Ir até a onde a outra pessoa se encontra. Mandar mensagem, ligar para ela.

2- Mostrar afetação pela presença da outra pessoa.

3- Prestar muita atenção na outra pessoa. Parar todas as atividades, não ficar olhando para o que está acontecendo no ambiente.

4- Tentar agradar a outra pessoa. Elogiá-la, concordar com ela, reagir forte e positivamente ao que ela está dizendo.

5- Procurar, criar e ressaltar as similaridades com o interlocutor. “Temos algo em comum”: gostos, hobbies, valores, formação, etc.

6- Facilitar a conversa. Reagir ao que o outro diz, perguntar, iniciar assuntos, repercutir o que ela diz.

7- Não ter pressa em terminar o encontro. “Perder a hora”, dispensar outros compromissos só para continuar a conversa.

8- Mostrar disponibilidade para aceitar um convite para um encontro. Mostrar interesse por programas (filme, teatro, exposições, caminhadas, etc.). Dizer que tem tempo para a atividade, que está interessado, que só falta a companhia, etc.

Você tem dificuldade para flertar ou para reconhecer sinais de flerte? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h56

22/02/2015

Como escolhemos nossos parceiros amorosos

No campo amoroso, a seleção de parceiros segue um conjunto de normas ou princípios. As pessoas usam estes princípios para escolher parceiro que têm as qualidades que elas querem e que não tenham os defeitos que elas não querem.

As pessoas têm pouca consciência do que estão usando esses princípios. Se perguntarmos para elas, quais as regras que estão seguindo para escolher um parceiro amoroso, a maioria delas terá muita dificuldade para falar sobre isso e poderá, inclusive, negar que siga qualquer regra com esta finalidade.

Os princípios que têm mais influência na maioria das seleções de parceiros são os seguintes: princípio da admiração, princípio da homogamia, princípio da heterogamia, princípio das médias ponderadas das qualidades e defeitos e o princípio dos defeitos graves. Vamos examinar agora esses princípios (O meu livro “O Mapa do Amor”, Editora Gente, apresenta mais detalhadamente esse assunto).

 

O Princípio da Admiração

“A admiração é um requisito para o amor.” (Stendhal)

Para nos apaixonarmos por uma pessoa é necessário que a admiremos. Segundo o escritor Stendhal, a admiração é um dos requisitos essenciais para o nascimento do amor (Stendhal, 1999).

Quando uma pessoa é admirada, isto significa que possui qualidades que o admirador valoriza e gostaria de ter em si ou para si. Segundo a teoria da expansão do ego, ter um relacionamento amoroso com uma pessoa admirada é uma forma de incorporá-la, juntamente com as suas qualidades desejadas, ao ego do admirador.  Ou seja, esta é uma forma de o amante adquirir as qualidades admiradas do amado (Aron e Aron, 1996).

Em geral, preferimos um parceiro amoroso que tenha o maior número possível de qualidades e a intensidade máxima de cada uma destas qualidades.  Suponhamos que vamos escolher um dentre dois pretendentes, os quais diferem apenas quanto ao grau que possuem de uma determinada qualidade como, por exemplo, a beleza. Qual deles seria o escolhido? Quase todo mundo escolheria, sem pestanejar, o mais bonito.

Algumas vezes, o atributo que é considerado “o melhor possível” independe de quem está fazendo a escolha (por exemplo, uma pessoa gentil e atenciosa é valorizada por quase todo mundo) e, outras vezes, depende de quem está fazendo a escolha (por exemplo, a altura ideal de uma mulher depende, pelo menos em parte, da altura do parceiro).


O Princípio da Homogamia

“Temos algo em comum.” (Frase popular)

Este princípio afirma que os relacionamentos amorosos têm mais chance de dar certo quando os parceiros são semelhantes entre si.

Este talvez seja o princípio mais importante que rege a seleção de parceiros. Os estudos científicos vêm mostrando, cada vez mais claramente, que nos relacionamentos amorosos que dão certo (são iniciados mais facilmente, têm um grau maior de satisfação, duram mais etc.), os parceiros são semelhantes entre si em um número muito grande de características.

            A história de André, que vamos relatar agora, é uma história real que ilustra bem algumas das razões que levam uma pessoa a optar por um parceiro que lhe seja semelhante.

 As consequências negativas de arranjar uma namorada de outro nível econômico

(Caso real. Os nomes e alguns detalhes foram trocados para não permitir a identificação dos personagens).

André apresentou a sua nova namorada, Anne, para os amigos. No outro dia, quando André voltou a encontrar os amigos, sem a presença da namorada, recebeu pesadas críticas. Os amigos lhe disseram coisas do tipo:

“Esta moça não é para você. Ela está acostumada com as coisas boas da vida e você não vai ter dinheiro para fornecer tais coisas para ela.”

“Você vai gastar todo o seu dinheiro em restaurantes, boates e locais de férias, e depois, ela vai abandonar você.”

“Ela não é do nosso meio. Ela vai te fazer sofrer.”

“Ela só tem amigos que moram em mansões e que têm Mercedes e BMWs. Estes caras não vão se entrosar com a gente.”

André ficou bastante abalado com esta reação dos amigos. Afinal, a namorada havia sido tão simpática com eles. Surgiu a dúvida na sua cabeça: “Será que vou conseguir ser feliz com Anne?”.

Tempos depois, André e Anne começaram a ter atritos, geralmente relacionados com os hábitos caros de Anne, e se separaram.

Esta história de André e Anne mostra bem algumas das razões pelas quais o relacionamento amoroso entre duas pessoas muito diferentes tem pouca chance de dar certo.

O Princípio da Heterogamia

“Os opostos se atraem.” (Frase popular)

Este princípio afirma que certas diferenças entre os parceiros contribuem para que um relacionamento amoroso entre eles dê certo.

Realmente, existem certas diferenças entre os parceiros amorosos que são bem-vindas. Por exemplo, as diferenças físicas entre os homens e as mulheres são consideradas ingredientes fundamentais da beleza feminina e masculina.

Muitas vezes, a direção e a intensidade da diferença desejável são especificadas. Por exemplo, geralmente é desejável que o homem seja mais alto e mais velho do que a mulher e não o contrário. Estas diferenças de altura e idade, no entanto, não devem exceder certo limite: é indesejável ou até mesmo ridículo que um homem seja muito mais alto ou muito mais velho do que a sua parceira amorosa.

Mesmo quando uma diferença não é desejável, ela pode ser mais tolerável quando ocorre num determinado sentido. Por exemplo, na nossa cultura, é mais tolerado que o homem seja mais rico e tenha um status social um pouco mais alto do que o da sua parceira do que vice-versa.

Todas as diferenças em atributos importantes entre os membros de um casal podem ser considerados débitos que terão que ser saldados em algum momento. Por exemplo, se a aparência de um cônjuge é muito melhor do que a do outro, esta discrepância fica registrada como um crédito que deverá ser compensado, de alguma forma, pelo parceiro de pior aparência (o Princípio das Médias Ponderadas de Defeitos e Qualidades, apresentado mais à frente, vai explicar como se realiza esta compensação).

 

O Princípio da Complementaridade

 “Quem é tímido geralmente arranja uma namorada extrovertida.” (Frase popular)

Este princípio afirma que a complementaridade entre certas características dos parceiros contribui para que o relacionamento amoroso entre eles se inicie mais facilmente e seja mais satisfatório e duradouro.

A complementaridade em certas características realmente propicia as condições para que os parceiros possam funcionar como uma equipe, o que aumenta as suas eficácias para atingir objetivos em comum.

A teoria da complementaridade foi apresentada formalmente por Winch (1955). Segundo esta teoria, as pessoas procuram satisfazer as suas necessidades casando-se com parceiros que as preencham, com os quais não entrem em conflito ou que as “complementem”. Quando dois parceiros se complementam em vários aspectos, eles satisfazem várias necessidades mútuas.

Embora esta teoria seja muito atraente, sua comprovação empírica é pequena: as pesquisas realizadas para testá-la não conseguiram mostrar que ela realmente funciona nas escolhas de parceiros. Por exemplo, Sinderber e outros (1972) realizaram um estudo para verificar que tipos de complementaridade nos traços de personalidade e nos interesses contribuíam para o sucesso da formação de casais em agências de casamento. Este estudo só encontrou num único traço de personalidade que contribuía neste sentido: “espirituoso-plácido”. A complementaridade em outros traços de personalidade incluídos neste estudo (por exemplo, submissão-domínio, sensato-irrefletido, confiante-apreensivo, indisciplinado-disciplinado, calmo-nervoso etc.) não contribuía para a formação de casais. No caso de alguns destes traços, o que realmente predispunha ao casamento eram as semelhanças entre os membros do casal. Para muito outros traços, era irrelevante o fato de dos membros do casal serem semelhantes, diferentes ou complementares entre si: isto não afetava as chances de casamento.

O Princípio das Médias Ponderadas dos Defeitos e Qualidades

 “Este cara feio deve ser muito rico para conseguir namorar uma bela mulher como aquela.”(Frase popular)

 Este princípio afirma que as pessoas avaliam o grau de atração dos seus parceiros amorosos levando em conta as suas qualidades e defeitos. Nesta avaliação, as pessoas também levam em conta as importâncias de cada um destes defeitos e qualidades.

Quando há discrepância muito grande entre os valores médios de atração de duas pessoas, é menos provável que elas iniciem um relacionamento amoroso entre si e, naqueles casos onde elas iniciam, é menos provável que esse relacionamento seja satisfatório e que dure muito tempo.

O escore de atração de uma pessoa depende dos critérios de cada avaliador: diferentes avaliadores podem atribuir diferentes pesos para cada uma das qualidades e defeitos de uma pessoa que está sendo avaliada.

Os critérios levados em conta para selecionar um parceiro amoroso também podem variar de acordo com o estágio do relacionamento. Por exemplo, a beleza pode pesar mais nos primeiros encontros do que na hora de tomar a decisão a decisão de casar com a pessoa.

 

O princípio dos defeitos graves

Para que um parceiro amoroso seja considerado atraente e adequado deve, além de possuir as qualidades que enumeramos anteriormente, não ter muito defeito e estar livre de defeitos graves.

Muitos dos defeitos graves são os inversos das qualidades desejáveis. Isto pode ser facilmente constatado colocando-se as locuções negativas “Não ter” ou “Não ser” na nossa lista das qualidades valorizadas em parceiros amorosos. Os inversos dessas qualidades geralmente são considerados defeitos muito sérios. Quanto mais importante for uma qualidade, maior é a gravidade do defeito decorrente da sua ausência ou da presença de um atributo que é o seu oposto. 

Tal como no caso das qualidades, o que é considerado um defeito é determinado por fatores universais, culturais e individuais.

Em relação aos defeitos graves, não funciona o Princípio das Médias Ponderadas dos Defeitos e Qualidades, apresentado acima. Ou seja, estes defeitos não são compensáveis por qualidades. Por exemplo, mesmo que uma pessoa seja gentil, atenciosa, bonita, rica e afetuosa, ainda assim, ela não despertará o amor da grande maioria dos seus pares, caso tenha uma inteligência muito limitada. Não há qualidade ou grupo de qualidades que compense este tipo de defeito.

NOTA

Este artigo foi baseado no capítulo 4 do meu livro "Relacionamento Amoroso", Editora Gente. As referências completas das bibliografias citadas acima são fornecidas neste livro.

Você escolhe parceiros amorosos errados? Procure a ajuda de um psicólogo

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Por Ailton Amélio às 09h28

15/02/2015

Como verificar se alguém tem interesse amoroso por você

Você é eficiente para verificar se aquelas pessoas pelas quais você se interessa amorosamente também têm esse tipo de interesse por você?

Muitos relacionamentos amorosos não são iniciados simplesmente porque ambas as partes não verificam eficientemente se seus interesses são correspondidos.

Um dos principais fatores responsáveis pelo sucesso para iniciar namoros é a disposição, a coragem e a habilidade para verificar se aquelas pessoas por quem nós temos interesse amoroso também têm esse tipo de interesse por nós.

 

Teste da capacidade para verificar se há reciprocidade do interesse amoroso

Responda ao seguinte teste para fazer uma ideia da sua capacidade para verificar se as pessoas sentem atração amorosa por você.

Para responder, assinale com um X sobre a linha de cada escala.

Quanto mais para a direita você coloca o X mais você concorda com a afirmação. Quanto mais para a esquerda você coloca o X menos você concorda com a afirmação. Quando você coloca o X no meio da escala você nem  concorda nem discorda da  afirmação.

 

1- As pessoas não percebem quando sinto atração amorosa por elas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3      4     5     6     7

2- Quando sinto atração amorosa por uma pessoa, tenho muita dificuldade para verificar se ela também sente atração por mim.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3      4     5     6     7

3- Não sei como agir para verificar quais são as minhas chances de iniciar um relacionamento amoroso com as pessoas que me interessam.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3      4     5     6     7

4- Eu tenho muito medo de mostrar o meu interesse amoroso pelas pessoas.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3      4     5     6     7

5- Geralmente só namoro as pessoas que tomam a iniciativa de iniciar relacionamentos amorosos comigo.

Discordo totalmente |------|------|------|------|------|------| Concordo totalmente

                             1     2     3      4     5     6     7

Se você assinalou um número maior do que 4 em todas estas questões, você provavelmente tem dificuldades para verificar se o seu interesse amoroso por um parceiro é correspondido. Este artigo ajudará você a entender o que está acontecendo.


Vantagens da verificação eficiente da reciprocidade do interesse amoroso

Existem três grandes vantagens de verificar logo no início se há reciprocidade no interesse amoroso:

1- Verificar logo no início faz com que nos apaixonemos apenas por aquelas pessoas que também poderão se apaixonar por nós. Quando uma pessoa, à medida que vai se apaixonando por outra, também vai verificando se este sentimento está sendo correspondido, ela condiciona a continuidade e o crescimento da sua paixão à reciprocidade da outra pessoa. Quando uma pessoa está se apaixonando por outra e verifica que este interesse não é recíproco, isto a impede de continuar se apaixonando.

2- Verificar aumenta as chances de que a outra pessoa se apaixone. O processo de verificação é também um processo de conquista. As ações que são eficientes para verificar se há interesse amoroso por parte de uma pessoa são igualmente eficientes para despertar e fazer o interesse desta pessoa crescer. Este tipo de efeito colateral é observado principalmente quando a verificação inclui a manifestação de interesse do próprio verificador ou quando o verificador começa a tratar o verificando de uma forma especialmente agradável e positiva (olhar para ele, tocá-lo, ser gentil com ele etc.).

3- Verificar logo no início poupa tempo. Quando uma pessoa descobre rapidamente que a outra não está interessada por ela, ao invés de prolongar o caso, ela pode “fazer a fila andar” e começar a se interessar por outra pessoa.


Maneiras de verificar se há reciprocidade do interesse amoroso

“Quem não arrisca não petisca.”(Ditado popular)

 

A verificação amorosa é constituída por aquelas ações do verificador que o ajudam a esclarecer se um possível parceiro está amorosamente interessado por ele. Estas ações ajudam o verificador a interpretar melhor as razões pelas quais o parceiro está agindo da forma como age. Por exemplo, a verificação ajuda a entender se o parceiro está sendo tão gentil porque ele é assim com todo mundo, porque deseja obter um favor ou porque tem algum interesse amoroso. Ou seja, a verificação diminui a ambiguidade quanto às causas da ação do parceiro.

Dizemos que um comportamento é amorosamente ambíguo quando existem pelo menos duas hipóteses diferentes para explicar a sua causa, sendo que uma destas possíveis hipóteses é que a sua causa é de natureza amorosa.

Esta ambiguidade acontece porque alguns tipos de comportamentos amorosos também aparecem em vários outros tipos de relacionamento. Por exemplo, ser atencioso, cordial e prestar pequenos favores são comportamentos que aparecem nos relacionamentos profissional, amistoso e amoroso. Por este motivo é difícil interpretar o motivo pelo qual uma pessoa está sendo gentil.

Outro exemplo ainda mais concreto: uma oferta de carona pode ter uma motivação amorosa (quem oferece a carona está interessado em iniciar um relacionamento amoroso com o carona), amistosa (quem oferece a carona está querendo reforçar a sua ligação amistosa com o carona) ou comercial (quem oferece a carona vai pedir um empréstimo durante o trajeto), ou se trata simplesmente de uma gentileza (“É o jeito dele. Ele faria isso para qualquer um”).


Estratégias de Verificação

Existem dois tipos básicos de estratégias de verificação da reciprocidade do interesse amoroso: (1) A estratégia da minimização de riscos e (2) a estratégia da troca de informações por riscos.


Estratégia da minimização de riscos,

Nesta estratégia o verificador procura saber se há interesse amoroso por parte do parceiro sem revelar o seu próprio interesse.

Este tipo de estratégia é usado, por exemplo, quando uma pessoa tenta obter informações sobre os interesses amorosos de alguém através de um amigo em comum.

Outro exemplo do uso desta estratégia: o verificador não emite nenhum sinal de interesse amoroso pelo parceiro, mas tenta ler os sinais deste interesse que emite na sua direção.

As pessoas que querem adotar esta tática geralmente são as mais interessadas em aprender quais os sinais verbais e não verbais que indicam que alguém está amorosamente interessado por elas.

Estes sinais, no entanto, não são totalmente claros, nem mesmo para quem tem prática na leitura dos sinais verbais e não verbais de interesse amoroso. Uma das razões desta falta de clareza é que as pessoas muitas vezes omitem, pelo menos parcialmente, o que estão sentindo. Raramente as pessoas emitem sinais inequívocos dos seus interesses no início de um relacionamento amoroso.  Muitos destes sinais inequívocos são extremamente inadequados e podem, inclusive, ofender o parceiro. Alguns destes sinais inequívocos são os seguintes:

- Dizer:

“Eu te amo.”

“Quero namorar com você”

- Ficar conversando com a outra pessoa frente a frente e com o rosto a menos que um palmo do rosto dela e olhar fixamente para os seus olhos.


Estratégia da troca de informações por riscos

Nesta estratégia, o verificador dá sinais do seu próprio interesse amoroso pelo parceiro e observa as suas reações para verificar se há reciprocidade da sua parte, ou seja, o verificador assume os riscos decorrentes deste tipo de revelação.

Este tipo de verificação pode acontecer de uma forma abrupta e direta ou de uma forma sutil e gradual. A forma abrupta e direta ocorre, por exemplo, naqueles casos onde o verificador comunica verbalmente o seu interesse amoroso pelo parceiro e pergunta se ele sente a mesma coisa. A forma sutil e gradual dessa estratégia ocorre quando o verificador vai revelando cautelosamente os seus sentimentos e intenções amorosas, através da comunicação não verbal e/ou da comunicação verbal, e, ao mesmo tempo, vai observando como o parceiro está reagindo às suas revelações. Por exemplo, o verificador vai tocando cada vez mais frequente e demoradamente a mão do parceiro cujo interesse amoroso ele quer verificar e vai observando se este reage positiva ou negativamente aos seus toques. 

Você tem dificuldades para verificar quem está amorosamente interessado em você? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Este artigo foi baseado em um capítulo do meu livro "O Mapa do Amor", Editora Gente.

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Por Ailton Amélio às 09h22

08/02/2015

Ouvir de verdade: uma dádiva!

Pense na última conversa que você teve com três pessoas próximas (parente, amigo, cônjuge, etc.) e responda a seguinte pergunta (responda três vezes, uma para cada pessoa).

No último encontro com cada uma dessas pessoas, quanto tempo você realmente prestou atenção no que se passava com ela e conversou com ela a esse respeito?

Ao responder essa pergunta, temo que a maioria das pessoas afirme que passou pouco tempo atento para o que estava acontecendo com cada um dos três interlocutores e conversando a esse respeito com cada um deles.

Nos nossos encontros pessoais, geralmente não gastamos muito tempo procurando saber como nossos interlocutores estão se sentindo, quais assuntos estão presentes nas suas cabeças, quais acontecimentos importantes estão ocorrendo com eles, o que eles andam planejando, com o que andam preocupados, etc.

Na melhor das hipóteses, passamos rapidamente por esses temas e, quando nada de muito óbvio é constatado, logo começamos a falar sobre outras pessoas, atualidades, etc. e a nos esforçar para projetar uma imagem lisonjeira da nossa pessoa para nossos interlocutores. Cada um dos participantes da conversa está tão preocupando consigo próprio e com aquilo que o afeta que nem presta atenção ou dedica muito esforço para tomar conhecimento do que se passa com o interlocutor.

 

Ouvir de verdade: uma dádiva!

Ouvir sem esforço, sem resistência, com total interesse, muita disponibilidade para compreender e sem nenhum desejo de modificar o interlocutor. Essas são algumas das características de um ouvinte totalmente disponível, solidário e interessado.

Ouvir dessa forma é a principal maneira de validar a existência e modo de ser da outra pessoa. Essa pessoa é aceita como única. Quem ouve desse modo acredita que existe muita beleza, arte e sabedoria nessa unicidade. É a maneira mais profunda de fazermos contato com outro ser humano.

Essa forma de ouvir é extremamente acolhedora e ajuda o interlocutor a ver a si próprio, a se desenvolver e a se aperfeiçoar. Essa forma de ouvir tem propriedades curativas e estabelece e fortalece os vínculos entre o ouvinte e quem o ouve.

Quem ouve assim também se beneficia: ouvir dessa forma ensina muito porque permite ao ouvinte entrar em contato real com outro ser humano e descobrir a sua forma de lidar com a realidade. Isto é benéfico para o ouvinte porque o que ele aprendendo enquanto ouve dessa forma permite que ele reflita pensar sobre a sua própria maneira de ver as coisas, que também é peculiar.

Quem consegue ouvir assim o outro, também consegue ouvir a si próprio!

O seguinte exemplo ilustra a importância que tem ouvir plenamente outra pessoa.


Nenhum outro benefício compensa não ser ouvido

Guilherme fala para Helena:

Sou apaixonado por você. Penso em você frequentemente e sou muito romântico com você: adoro olhar nos seus olhos e, quando faço isso, perco a noção do tempo e quase entro em êxtase.

Tenho o maior orgulho de ser seu marido. Você é linda e carismática. Onde quer que eu apareça na sua companhia, sou invejado.

Tenho a maior atração sexual por você.

Eu faço tudo por você: ajudo em casa, você tem o melhor carro da família, faço questão que você se vista muito bem, more bem e coma do bom e do melhor. Faço todas as suas vontades: vou buscar você onde quer que esteja e a qualquer hora; sempre viajamos para onde você quer...

Helena responde para Guilherme:

- Você realmente me ama, tem orgulho de estar casada comigo e faz por mim tudo isso que você disse!

No entanto, você não gosta de conversar comigo, não se interessa pelo que penso, não sabe o que me realiza e o que me preocupa na vida.  Acho que você não gosta dos meus assuntos, não valoriza o que penso e não se interessa pelos meus sentimentos.

Sempre que estamos juntos, você está com a atenção e outra coisa: mexendo no computador, assistindo TV, dando mais atenção para os seus amigos do que para mim...

Você não me conhece mais. Só cuida do meu bem estar físico e do meu conforto material, e isso não é suficiente. Para você, sou como um carro de luxo: você adora o seu brinquedinho, tem orgulho dele, cuida muito bem dele, mas, por motivos óbvios neste caso, não conversa com ele.

Quero alguém que me valorize como pessoa e não, apenas, que cuide de mim como cuidaria de um objeto de luxo.

[Essa história foi publicada originalmente no seguinte artigo deste blog: “Relacionamento sem intimidade é como saco vazio que não para em pé” em 01/11/2014].

Você tem dificuldade para ouvir de verdade as outras pessoas? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h35

01/02/2015

O olhar pode despertar o amor

O relacionamento amoroso pode ser iniciado de muitas formas (convites, conversas telefônicas, um beijo durante uma dança, etc.). No entanto, quando no início deste relacionamento há flerte através de trocas de olhares, isto aumenta a segurança de que há uma atração romântica genuína entre o par e enfraquece a hipótese de que este namoro está sendo iniciado por outras razões (carência, oportunidade, provocar ciúmes em outras pessoas, etc.).

O olhar é importante em todos os estágios do relacionamento amoroso. Por exemplo, ele é importante para: (1) chamar a atenção do possível parceiro amoroso (tendemos a prestar atenção em quem está olhando para nós), (2) mostrar os primeiros sinais de interesse amoroso, (3) confirmar este interesse, (4) dar permissão para que um desconhecido faça uma abordagem e inicie uma conversa, (5) negociar a passagem de um relacionamento extra-amoroso para um para um relacionamento amoroso, (5) manifestar e despertar afeto no parceiro durante o namoro e (7) sinalizar para o parceiro que ele, ou aquilo que ele está dizendo, é muito importante.

Neste artigo, vamos examinar alguns desses efeitos do olhar no início e no desenvolvimento de relacionamentos amorosos.

O olhar aprofunda os sentimentos

Olhar silenciosamente

Exercício:

Duas pessoas ficam frente a frente e recebem instruções para ficarem em silêncio e se olharem nos olhos durante alguns minutos.

Durante esse exercício, elas acabam “vendo” uma à outra. Vendo sem os estereótipos usuais. É um contato profundo. Cada uma viu a outra como um ser humano. Elas deixaram de usar os filtros, as imagens que tinham sobre as pessoas em geral e sobre aquela pessoa que está ali na sua frente, em particular.

Ser é visto desta forma é tocante: a outra pessoa olhou para mim de verdade. Ela abriu mão de estereótipos, imposições, expectativas a meu respeito e permitiu que “aquilo que sou de verdade” chegasse até ela. Ser visto desta forma é ser visto de verdade e sem reservas.  

Muitas pessoas choram durante esse exercício. Muitas pessoas se abraçam e se afagam.

Somos altamente sensíveis a este tipo de olhar. Quando acontece, ele nos atinge profundamente. Infelizmente é muito raro as pessoas se olharem desta forma no dia a dia.

Como desencadear um relacionamento amoroso através do modo de olhar

Uma forma relativamente eficaz, mas muito pouco usada, de desencadear um relacionamento amoroso é olhar demoradamente para a região dos olhos da outra pessoa, ou seja, encarar tal pessoa. Quando encaramos uma pessoa, olhamos para a região dos seus olhos e deixamos que ela perceba isso.

Quando começamos a fazer isso com uma pessoa, ela geralmente olha de volta, pelo menos para certificar-se de que está sendo encarada.

Quando ela lança este olhar certificador e quem a está encarando continua a olhar para os seus olhos, ela interpreta isso como sinal de interesse por parte de quem está encarando, possivelmente um interesse amoroso. Quando uma pessoa é encarada, ela pode corresponder e também encarar de volta a pessoa que a está encarando.

Olhar entre as sobrancelhas.

Quando uma pessoa tem dificuldade para olhar diretamente nos olhos de quem ela está interessada, como geralmente acontece com os tímidos, ela pode olhar na região próxima aos olhos da outra pessoa, como entre as suas sobrancelhas ou na raiz do seu nariz. Olhar nesta região pode ser mais confortável do que olhar diretamente nos olhos da outra pessoa e é igualmente eficiente. (Quando a distância entre as duas pessoa é de pelo menos um metro quem está sendo olhado não sabe distinguir se a outra pessoa está olhando nos seus olhos ou nestas regiões próximas aos olhos).

Olhar demoradamente nos olhos pode disparar paixão instantânea

Recentemente Arthur Aron, um grande pesquisador e teórico do amor, propôs um método para provocar o apaixonamento instantâneo (Veja um link para esta publicação no final deste artigo). Este método consiste em dois procedimentos:

1- Compartilhar pensamentos e sentimentos íntimos: cada pessoa apresenta 36 perguntas para a outra. Essas perguntas têm o objetivo de produzir rapidamente o compartilhamento da intimidade.

2- Olhar nos olhos da outra pessoa por quatro minutos, sem falar nada. Olhar demoradamente e em silêncio nos olhos da outra pessoa geralmente produz uma grande dose de proximidade psicológica.

Existem algumas evidências que indicam que essa maneira de despertar o amor pode ser bem sucedida. Claro que o seu sucesso depende do grau de compatibilidade entre os parceiros em vários outros setores (faixa etária, nível socioeconômico, beleza, etc.).

Costumo usar esse tipo de olhar no meu consultório para tentar reavivar o amor entre casais.

O olhar ajuda a localizar desconhecidos interessados em flertar com você

Monica Moore, uma pesquisadora americana do flerte em locais públicos, identificou três tipos de olhar que eram lançados por interessados em começar um flerte:

1- Olhar de varredura. Quando existem diversas pessoas em um ambiente percorrem o olhar pelo ambiente repetida vezes e verificam aqueles que também estão olhando de volta.

2- Olhar dardo. Fazer contato de olhos por menos que três segundos. Olhar para os olhos da pessoa um tempo um pouquinho maior do usual - aquele esperado para cruzamentos casuais de olhares.

Se a pessoa olhada desviar o olhar no tempo regulamentar (tempo usual para este tipo de evento), isto funciona como se ela dissesse: “Só olhei para ver quem era você ou se você estava olhando para mim” (esta já é certa manifestação de interesse).

3- Fixação do olhar. Se, nesta ocasião, a outra pessoa faz contato de olho com você, o tempo suficiente para que ambos verifiquem que o outro está olhando e deixando ver que está olhando isto significa que ela está aberta para um relacionamento.

Se a outra pessoa olhar de volta, não desvie o olho imediatamente. Também não fique olhando fixamente um tempo exageradamente grande. Olhe até ela perceber o seu olhar. Se ela corresponder, o seu flerte foi bem sucedido. Pode se aproximar para conversar com ela.

Mesmo estando longe, só tenho olhos para você

A seguinte história mostra a importância do olhar na manifestação do interesse amoroso.

O apaixonado tenta manter a pessoa amada dentro do seu campo de visão

 Mariana era a convidada especial da festa de André. André era muito tímido. Na festa, todos sabiam do seu interesse por Mariana. No entanto, a sua timidez impedia-o de tirá-la para dançar ou ficar conversando com ela. Ele não queria conversar ou dançar com mais ninguém. Toda vez que Mariana se aproximava dele, ele ficava praticamente mudo ou falava coisas que eram irrelevantes para expressar o que realmente ele estava sentido e gostaria de dizer. A única pista que denuncia claramente o seu forte interesse por Mariana era o seu olhar: a qualquer instante que ela olhava na sua direção, lá estava ele estava olhando para ela. Onde quer que ela estivesse, a face dele sempre estava voltada na sua direção. Ele só tinha olhos para ela. (História real. Certos detalhes que permitiriam a identificação dos personagens foram alterados).

Esta história mostra como é difícil tirar os olhos da pessoa por quem sentimos muito interesse amoroso. Para o enamorado, esta pessoa é o que existe de mais atraente no local onde ambos se encontram.

A paixão ou o amor romântico por alguém é um dos fenômenos mais importantes que podem existir para um ser humano. Por este motivo, é natural que olhemos para quem nos atrai amorosamente e deixemos de olhar para outras pessoas, objetos ou eventos que também estão presentes no mesmo ambiente. Assim sendo, a maneira de olhar é uma pista muito importante sobre a existência ou não de um interesse amoroso por parte de quem olha ou deixa de olhar.

Flerte durante a conversa: só tenho olhos para você

“Traz mais uma, por favor,” diz o enamorado, apontando para a garrafa vazia de cerveja, sem tirar os olhos da companheira, sem olhar para o garçom.

“Ela era filha do dono de uma farmácia e, naquele dia, estava substituindo um caixa que faltou. Passei lá para comprar uma loção de barba. Na hora que fui pagar, notei que ela queria conversar. Começamos a conversa. Ela só olhava para mim. Ela não notava a presença outros clientes que chegavam para efetuar seus pagamentos. Eu é que tinha que chamar a sua atenção para a chegada desses clientes. Ela também não estava prestando atenção nos trocos: errou várias vezes! Eu tive que alertá-la ou os clientes reclamavam (sempre que eles recebiam a menos, é claro!!)”.

(História real. As características pessoais e profissionais dos personagens foram alteradas para não permitir suas identificações). [história real, dados identificadores fictícios].

Durante a conversa, deixar de olhar para o ambiente ao redor é um poderoso sinal de interesse amoroso

Uma das melhores pistas que indicam o interesse amoroso de uma pessoa por outra é “só tem olhos” para esta pessoa. A história da filha do dono da farmácia apresentada acima ilustra bem isso. Quando o rapaz em quem ela estava interessada chegou à farmácia, ela só tinha olhos para ele: não conseguia olhar nem mesmo os clientes que vinham efetuar os seus pagamentos. Na hora de fazer o troco, ela cometeu muitos erros grosseiros. Toda a sua atenção estava canalizada para o rapaz que estava ali na sua frente.

Quando se trata de alguém em quem temos interesse amoroso, olhamos quase que continuamente para a pessoa esteja ou não ela fazendo algo interessante. Ela é interessante de qualquer forma. Ela é mais interessante do que os outros fatos que estão ocorrendo.

Você não consegue usar o olhar para iniciar e fazer progredir relacionamentos amorosos? Consulte um psicólogo.

NOTA

Aron, A et al. The Experimental Generation of Interpersonal Closeness: A Procedure and Some Preliminary Findings. http://psp.sagepub.com/content/23/4/363.full.pdf+html 

(Consultado em 31/01/2015)

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Por Ailton Amélio às 09h12

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.