Blog do Ailton Amélio

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30/08/2015

Entenda porque você está passando tempo demais na internet

“O que está acontecendo comigo? Fico cada vez mais tempo na internet. Isto está prejudicando o meu trabalho, minhas amizades, o relacionamento com minha família, o meu sono...”. No meu consultório, tenho ouvido, cada vez mais, esse tipo de pergunta e pedido de ajuda.

Por que, cada vez mais, a internet está monopolizando o tempo das pessoas em detrimento de outras atividades essenciais?

Esse é o tema que vamos abordar nesse artigo.


Tipos de uso da internet

A internet pode ser usada com várias finalidades. Quatro dos tipos mais importantes de usos da internet são os seguintes:

1- Uso profissional: propaganda, contatos profissionais, etc.

2- Uso educacional: acesso a textos técnicos, realização de cursos online, etc.

3-  Uso recreacional: assistir filmes, participar de jogos, etc.

4-  Uso social: participar de bate papos, divulgar e tomar conhecimento de eventos sociais, etc.

Todos esses usos são uteis. A nossa vida foi extremamente beneficiada e facilitada com o advento da internet.  O problema acontece quando um, ou mais que um, desses usos começa a ocupar muito tempo e a prejudicar outras áreas importantes da nossa vida.

Exemplos:

Uma pessoa pode adquirir o hábito de trocar mensagens durante o jantar com a família e com os amigos. Isso implica em pouca participação no que está ocorrendo ao redor. As outras pessoas se sentem desprezadas e desprestigiadas pela falta de atenção do viciado em internet.

Algumas pessoas prejudicam suas vidas profissionais porque passam tempo demais em sites sociais e recreacionais quando deviam estar trabalhando. Certas pessoas interrompem, a todo o momento, suas tarefas para ver o que está se passando na internet.

Algumas pessoas prejudicam suas horas de sono porque ficam noite adentro na internet ou porque acordam durante a noite para checar se chegou alguma mensagem ou para fiscalizar se o parceiro amoroso está online!

Para todas essas pessoas, a internet virou uma espécie de compulsão.

 

Porque a internet é viciante?

Como explicar a quantidade de tempo que dedicamos à internet, mesmo quando essa dedicação causa sérios prejuízos em outras áreas importantes de nossas vidas, existem riscos inerentes à exposição pública da vida pessoal e os outros tantos custos e, por outro lado, esse tipo de participação quase nada trás de positivo?

Alguns mecanismos psicológicos que contribuem para esse tipo de vício são os seguintes:


Participar da internet pode ser muito agradável

Participar da internet pode produzir consequências que variam desde extremamente positivas até extremamente negativas. Por exemplo, praticar sexo virtual pode ser extremamente agradável para algumas pessoas. Ser rejeitado e agredido verbalmente pode ser extremamente desagradável.

Acontecimentos extremamente agradáveis ou extremamente desagradáveis são mais raros na internet. O mais comum são os momentos ligeiramente positivos ou, seja, mornos. No entanto, esses pequenos prazeres estão sempre ao alcance da mão (ou dos dedos, literalmente falando! Rs). Difícil resistir!

Muita gente participa da internet para receber este fluxo contínuo de entretenimento e recompensas ligeiramente agradáveis e intrigantes.


Facilidades de acesso

A internet oferece dois tipos de facilidades de acesso: pouco trabalho para acessar e baixo custo. É muito fácil acessar os diversos sites e aplicativos da internet. Como atualmente trabalhamos muito no computador e no celular, a internet está sempre a um ou dois cliques do trabalho que estamos desenvolvendo.

O custo econômico para acessar diversos sites e serviços e para usar diversos tipos de aplicativos geralmente é muito baixo.

Assim, fica mais difícil resistir. É como fazer regime com a geladeira cheia de tentações ou se abster de drogas e continuar a frequentar grupos de usuários que estão sempre oferecendo ou parar de fumar com o maço de cigarros bem à nossa frente!


Fuga de coisas desagradáveis

A mudança de uma atividade para outra mais agradável ou para outra menos desagradável que a anterior funciona como recompensa. Essa mudança produz um saldo positivo de resultados.

Muita gente foge para a internet, não porque lá aconteça algo muito agradável, mas sim, porque os momentos na internet funcionam como uma pausa em algo desagradável que estava fazendo! Essas pausas podem se tornar muito frequentes.

Prejuízos causados pelas fugas frequentes. Certas atividades, que exigem atenção e concentração, são altamente prejudicadas por essas pausas frequentes: quando uma pessoa volta para a sua atividade, após passar um tempo na internet, ela demora um bom tempo para re-esquentar, relembrar o ponto que estava na atividade abandonada e concentrar-se de novo nesta atividade. Logo em seguida, quando volta a concentrar-se de novo na atividade, ela faz outra pausa e o processo se repete!

 

Por que as pessoas se expõem excessivamente ao público sem muito constrangimento.

Na maioria das vezes, expor-se em público e ser foco da atenção produz resultados positivos (prazer de ser notado, capacidade de prender a atenção, ser admirado, divertir, etc.) e negativos (constrangimento e temores de rejeição, medo parecer inadequado).

Em condições naturais, temos inibições que dificultam a nossa comunicação direta com muitas pessoas: ficaríamos constrangidos em fazer isso (quem fala para um auditório e não tem prática nisso geralmente fica constrangido).

A tecnologia moderna produziu um fenômeno estranho e ausente na natureza: quando escrevemos para um grande público, falamos no rádio ou diante de uma câmera não vemos e não ouvimos nossos aqueles que estão recebendo nossas mensagens. Por isso, não sentimos a sensação que estamos falando para muitos, o que diminui o constrangimento que é produzido pela atenção de muitas pessoas e pela observação de suas reações imediatas.


Conclusões

Os meios de comunicação atuais são inovações para as quais não temos mecanismos naturais de autorregulação. Isso implica em perigos e temos que nos preparar para fazer bom uso deles e para que eles não nos prejudiquem seriamente.

Algo análogo aconteceu com o açúcar refinado, drogas (álcool, nicotina, cocaína, etc.), sexo na internet (não existe na natureza tantos atrativos sexuais concentrados em tão pouco tempo e com tantas parceiras), etc. Por isso, muitas pessoas perdem facilmente o controle quando entram em contato com essas substâncias e atividades e se viciam, o que acaba prejudicando seriamente suas saúdes e sanidade!


Você está viciado em internet? Procure a ajuda de um psicólogo.


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Por Ailton Amélio às 10h02

24/08/2015

"Ghosts": por que os homens somem nos inícios dos relacionamentos?

Tenho ouvido muitas reclamações sobre um tipo de desconsideração que está cada vez mais frequente nos inícios dos relacionamentos amorosos: os homens somem de repente, “Dão um perdido”, como se diz por ai, ou viram “Ghosts”, como está na moda dizer.

É claro que certas mulheres também dão perdidos nos homens. No entanto, como aparentemente são eles que agem mais frequentemente desta forma, neste artigo, vou me referir somente a eles como autores desta prática lastimável.

Esse sumiço pode ocorrer durante o primeiro encontro (“Vou ali e já volto”), após o primeiro encontro (“Dê-me o seu telefone. Ligo para você amanhã”), após a primeira ou primeiras relações sexuais (“Ele só queria aquilo. Depois que obteve, sumiu!”) ou após algumas semanas de relacionamento (“Era só paixão”).

Alguns desses ghosts somem e depois reaparecem muitas vezes, como se nada houvesse acontecido.

Neste artigo vamos examinar os principais motivos desses sumiços.


Motivos do desaparecimento do parceiro

Mau-caratismo juramentado

Neste caso, o homem sabe, desde o início, que só quer sexo com aquela mulher. No entanto, ele calcula que não pode deixar isso muito claro. São raras as mulheres que aceitam transar logo de cara com um recém-conhecido, ainda mais quando ele deixa claro que o seu interesse é puramente sexual.

Para obter o que quer, ele mente, simula e dissimula: insinua que gosta dela e que pode vir a ter um compromisso com ela. Depois que obtém o que queria, como diziam nossas avós, ele some!

Agir assim é mau-caratismo juramentado, como diria Odorico Paraguaçu, o saudoso prefeito de Sucupira!


Confusão ente desejo e paixão instantânea aguda

Primeiro encontro. O rapaz está fascinado por você. Ele passa boa parte do tempo executando esplendorosamente a dança do acasalamento: mostra muito envolvimento com a conversa, não tira os olhos de você, exalta repetidamente a sua beleza, reage fortemente a tudo que você diz, se desmancha de tanto rir para qualquer coisa engraçada que você fale, faz planos para o futuro de vocês e mostra muito romantismo! Logo, logo, vocês estão aos abraços e beijos. Vão para outro lugar mais reservado, começam as intimidades sexuais e logo vão para a cama. Transam diversas vezes. Em seguida, ele murcha: perde a animação, não puxa assuntos, responde ao que você diz com monossílabos, não toca mais em você, dá sinais que quer ir embora, apresenta uma desculpa e logo vai embora. Nunca mais ligou para você, não responde às suas mensagens e não atende suas ligações! Evaporou-se, virou um fantasma!

Teoria sobre a origem da confusão entre paixão e desejo

A confusão entre desejo e paixão é mais frequente entre os homens do que entre as mulheres. Algumas pesquisas mostraram que os homens se apaixonam mais rápido do que a mulher. Uma teoria para explicar essa confusão e o motivo dela ser mais frequente entre os homens do entre as mulheres é oferecida em seguida.

Geralmente, para que as mulheres aceitem fazer sexo, elas apresentam duas condições: (1) que sintam atração pelo homem e (2) que ele dê sinais que gosta delas.  Também ajuda bastante quando ele dá sinais que pode vir a ter um compromisso com elas.

Pois bem, já que as mulheres apresentam essas exigências, a natureza preparou os homens para sentirem que gostam delas e que poderiam se comprometer com elas, mesmo quando não estão predispostos para nenhuma dessas duas coisas e tudo que eles querem é sexo: a natureza fez que eles confundissem atração sexual com paixão. Depois que eles praticam sexo, ai fica claro se era só isso que queriam ou se realmente sentem mais alguma coisa por elas.

Quando tudo o que querem é sexo, após o sexo, eles perdem o entusiasmo, dormem ou querem ir embora rapidamente e não voltam a ligar para ela.... até que o desejo volte e eles concluíram que ela não se apaixonou por eles e que não vai ficar pressionando-os para se envolverem em um relacionamento.

Essa confusão ente desejo e paixão só ocorre quando existe alguma atração romântica pela mulher. Nos outros casos, quando a mulher realmente atrai ou, pelo contrário, quando ela está muito distante daquela mulher por quem ele se apaixonaria, não acontece essa confusão entre atração sexual e apaixonamento.

As mulheres raramente confundem desejo sexual com paixão. Elas são mais propensas a confundir status elevado ou boa condição econômica do parceiro com paixão (quem é rico ou poderoso fica mais atraente e fascinante para elas! Alô!, alô! Mister Gray!).


Atração pela novidade ou efeito Coolidge

Muitas pessoas sentem uma grande atração pela primeira, ou primeiras, relação sexual com um novo parceiro.

 Essa atração acontece, em parte, porque a primeira relação sexual tem outros significados, além do prazer sexual em si. Por exemplo, para consegui-la, o homem passa por grandes riscos (parecer inconveniente, ser rejeitado, etc.). O homem que conseguiu ser aceito para sexo foi aprovado em um grande teste (muito lisonjeiro ser aprovado como parceiro sexual) e foi admitido em um novo tipo de relacionamento. A autoestima vai lá para cima. Além disso, o novo relacionamento é cheio de novidades: no sexo, o que a parceira gosta? O que ela proporciona? Como devo agir?

Efeito Coolidge

Calvin Coolidge foi o 30º presidente americano. Existe uma anedota famosa a respeito desse presidente, que nunca foi confirmada ou desconfirmada, que ilustra bem o desejo sexual por novas parceiras ou parceiros.

Um dia esse presidente visitava uma granja, na companhia da sua esposa e de uma comitiva. Durante a visita, o presidente ia à frente, acompanhado por um grupo, e a sua mulher, logo atrás, acompanhado por outro grupo. Em certo momento da visita, a sua esposa viu um galo transando incansavelmente. Ela então perguntou para alguém que estava próximo:

- Quantas vezes este galo transa por dia?

- Cerca de 40.

- Diga isso para o meu marido, lá na frente!

 A pessoa que ouviu esse pedido foi até o Presidente e disse: “Olha, Presidente, a energia desse galo!”. O presidente observou por um tempo a atividade incansável da imponente ave, e, com um ar admirado, perguntou:

- Quantas vezes ele transa por dia?

- Cerca de 40.

- Com a mesma galinha?

- Não. Uma vez com cada uma.

- Diga isso para a minha mulher, lá atrás!

Este efeito da renovação da motivação sexual que é provocado pela presença de uma nova parceira foi denominado, em “homenagem” a este presidente, de “Efeito Coolidge”.

Mais recentemente, o efeito Coolidge foi constatado em várias espécies de aves e mamíferos.


A paixão acabou. O parceiro, que se comprometeu demais, escafedeu-se

Ele sumiu depois de algumas semanas ou meses de relacionamento intenso! A duração da paixão é muito variada. Alguns autores afirmam que ela dura aproximadamente três meses, em média. Aquelas pessoas que se deixam levar pelo entusiasmo da paixão e assumem vários compromissos logo no início de seus relacionamentos (casamento instantâneo em Las Vegas, por exemplo) se veem mais comprometidas, além do que gostariam, quando a paixão diminui.

Algumas dessas pessoas, ao se verem excessivamente comprometidas, somem! É uma espécie de “saída à francesa” do relacionamento. Quem foi deixado fica sem entender nada, alimenta mil hipóteses e sofre muito!


Estilo de amor "ludos": perda do interesse após a conquista

Quem tem esse estilo de amor, só fica interessado na parceira até conquistá-la. Na literatura e no cinema, esse estilo de amor é representado pelo “Don Juan”.

Quem tem esse estilo não se entrega afetivamente, têm várias namoradas simultâneas e tem interesse não apenas em sexo, mas também, na entrega emocional por parte da vítima. Quando ela se entrega, perde a graça e o conquistador parte para outra.

Injustificável

Quero enfatizar que sumir, como forma de encerrar um relacionamento, qualquer que seja o seu motivo, é um tipo de grosseria injustificada, uma falta de firmeza e um tipo de covardia para encarar a parceira e para tomar uma atitude às claras para encerrar ou modificar o relacionamento.

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Por Ailton Amélio às 10h37

20/08/2015

Você deve compartilhar suas senhas com o seu parceiro amoroso?

Ouça a minha entrevista na Rádio Globo a esse respeito:

"Psicólogo fala sobre uso de mídias sociais

Ailton Amelio Silva, psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da USP, diz que para os parceiros terem acesso as senhas de emails, celular e redes sociais um do outro, é importante distinguir o motivo que levou o casal a compartilhar a senha. "Muitas vezes o que está por trás disso é o ciúme, a insegurança, o medo da traição", diz. "O relacionamento tem que ser baseado na confiança mútua e não na suspeita mútua", completa."

http://radioglobo.globoradio.globo.com/gente-como-a-gente/2015/08/14/PSICOLOGO-FALA-SOBRE-USO-DE-MIDIAS-SOCIAIS.htm

Por Ailton Amélio às 14h46

15/08/2015

Você é agressivo nas suas relações sociais?

“Bateu levou” (Ditado popular)

“Olho por olho, dente por dente.” (Bíblia: Velho Testamento)

Uma ação agressiva é aquela que tem como objetivo, consciente ou inconsciente, provocar ferimento psicológico e/ou físico no interlocutor.

Frederico age agressivamente

Frederico estava participando de uma reunião na firma onde trabalha. Nesta reunião, ele começou a apresentar um pedido de verba para comprar novos equipamentos para a sua seção. Eduardo, o diretor da área econômica, interviu e disse que, embora a reivindicação de Frederico fosse justa, aquela não era a hora de fazer gastos com equipamentos. Frederico respondeu: “Ao invés de fazer objeções genéricas deste tipo, você deveria ler os relatórios da minha seção. Ao invés de ser tão cauteloso, para não usar outro termo, você deveria ter um pouco mais de ousadia.” A sua voz e a sua face mostravam muita raiva enquanto ele dizia isso. Afinal, Eduardo sempre objetava ao que ele dizia. Ele estava muito zangado e queria “desmontar” não apenas as objeções de Eduardo, mas a ele próprio.

A agressão pode acontecer através: (1) do conteúdo daquilo que é dito (por exemplo, dizer ou escrever coisas ofensivas, detratoras), (2) da comunicação não verbal (por exemplo, apresentar expressões faciais e vocais de raiva, desprezo, nojo, etc.) e (3) de ações físicas (por exemplo, bater, morder, atirar coisas, agir grosseiramente).

As agressões psicológicas mais graves são as seguintes: acusações à personalidade e mostrar nojo e mostrar desprezo pelo interlocutor. A expressão da raiva e críticas dirigidas a comportamentos específicos da outra pessoa são formas mais amenas de expressar agressividade contra ela.

MOTIVOS DA AGRESSÃO

Embora a raiva seja uma das principais motivações da agressão, existem outras motivações para esta forma de agir. Por exemplo, o boxeador, o soldado que está travando uma batalha e os assaltantes agressivos iniciam suas agressões devido às consequências positivas que elas geram e não porque estejam, necessariamente, com raiva da pessoa que agridem.

A agressividade geralmente é multicausada. Por exemplo, um mesmo ato agressivo pode ser provocado pela forma de agir do interlocutor, motivos ofensivos atribuídos à sua ação ou por uma irritação acumulada que foi provocada por acontecimentos anteriores. Neste último tipo de motivação, a agressividade e a sua intensidade não podem ser explicadas apenas pelo exame direto da situação que a disparou.

MÁS CONSEQUÊNCIAS DA AGRESSIVIDADE

A agressividade pode produzir danos irreversíveis no relacionamento

A agressividade pode destruir, em poucos segundos, um relacionamento que demorou muito tempo para ser construído. Isso pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa faz uma revelação inesperada e depreciativa sobre o que sente sobre a outra pessoa ou sobre relacionamento comunicação ela (por exemplo, ela diz “Você é muito chata. Só me relaciono com você por motivos profissionais”). Comentários desse tipo podem danificar definitivamente os relacionamentos, até mesmo aqueles mais sólidos. Depois de um relacionamento desse tipo, pode ser possível haver certa dose de reconciliação, mas, geralmente, as coisas nunca voltam a serem as mesmas que antes (“Cristal quebrado...”).

No início de um relacionamento, a agressividade pode ser ainda mais danosa do que durante relacionamentos já solidificados. No início, os vínculos ainda são frágeis, as pessoas estão coletando informações mútuas para decidirem se vale a pena conhecer melhor a outra e sobre qual o tipo de relacionamento é possível ter com ela. Nesta altura do relacionamento, ainda não existe afetividade forte entre os recém-conhecidos e nem investimentos importantes que não possam ser perdidos com a interrupção ou com a superficialização da relação. Por isso, as pessoas podem ser menos tolerantes com as manifestações de agressividade nesta etapa do relacionamento. 

As emoções podem ser más conselheiras

A raiva podem ser uma má conselheira por dois motivos: em primeiro lugar, ela pode mudar, temporariamente, a percepção dos fatos, fazendo parecer razoável uma forma de agir que, posteriormente, quando ela não está mais presente, parecerá totalmente desmedida e inadequada. Em segundo lugar, a expressão da raiva pode produzir pesadas consequências, que dificilmente poderão ser revertidas ou são irreversíveis.

As emoções mudam a percepção daquilo que é razoável. Depois que elas passam, volta a percepção usual da realidade retorna. No entanto, as consequências das ações tomadas sob suas influências podem ser duradouras. Por exemplo, muitas mortes acontecem durante brigas de trânsito provocadas por pequenas colisões. As pessoas envolvidas descem de seus carros enfurecidas, se ofendem mutuamente e, em certas ocasiões, partem para a agressão física. Posteriormente, tanto as vítimas da agressão quanto o agressor ficam com boas razões para lamentar o ocorrido. As vítimas podem sofrer ferimentos, períodos de convalescência prolongados, sequelas e, às vezes, a morte. O agressor, por sua vez, além dos dramas de consciência, pode ter que arcar com indenizações, condenações na justiça, medo de vingança por parte da vítima e seus familiares, etc.

As emoções são boas quando ajudam a pessoa a fazer aquilo que ela já queria quando estavam sem elas. Só faltava a coragem ou a motivação adicional que é proporcionada pelas emoções.

Estigmatização de pessoas exageradamente agressivas

            A sociedade estigmatiza aqueles que usam a agressividade muito frequentemente e de forma desproporcional aos fatos causadores.  Alguns dos rótulos aplicados a estas pessoas são os seguintes: “Agressivo”, “Pavio curto”, “Temperamental”,“Galo de briga”, “Esquentado”, “Sem jogo de cintura”

            Ser rotulado desta forma produz consequências sociais. Aqueles que recebem estes rótulos podem ser evitados e excluídos de vários tipos de atividades profissionais e sociais. Quem vai querer contratar um executivo que é conhecido como “agressivo” e que, por isso, poderá se indispor facilmente com outras pessoas (“Não tem jogo de cintura”)? Quem vai querer viajar na companhia de uma pessoa que briga por qualquer coisa?

Quando a agressividade é a melhor forma de agir

A agressividade é uma reação natural e útil que é apresentada por quase todas as espécies de animais. Existem fortes evidências que indicam que diversos mecanismos da agressividade são determinados geneticamente. Uma delas é que o sentimento de raiva e a capacidade de expressá-lo não verbalmente se manifestam logo após o nascimento, antes, portanto que houvesse tempo de aprendê-los. Por exemplo, recém-nascidos mostram as expressões faciais típicas de raiva e as vocalizações típicas desta emoção quando tomam uma injeção. Se a natureza nos dotou com esta habilidade complexa é porque ela deve ser muito útil para a nossa espécie. Assim sendo, não é prudente querer eliminá-la das nossas relações.

A agressividade é útil quando é expressa nas situações adequadas e nas proporções adequadas. Ela pode ser um bom recurso para lidar com pessoas inadequadas, que são pouco sensíveis à assertividade. Exemplos: a agressividade pode afastar do nosso convívio uma pessoa que não gostamos e que nos causa prejuízos. Ela serve para estancar rapidamente certos tipos e ações alheias que nos incomodam. O sistema penal legal é um exemplo de uso da imposição de consequências aversivas para punir inflações cometidas e prevenir ações futuras desse tipo (“punição exemplar”).

Quatro Cavaleiros do apocalipse

Brigas entre casais não são necessariamente más. Muitos casais brigam muito e, mesmo assim, têm relacionamentos felizes e duradouros. Segundo John Gottman, autor de vários estudos e livros sobre o casamento, o mais importante é haver preponderância dos fatos positivos sobre os negativos e evitar brigas que produzam danos profundos e duradouros. Segundo esse autor, quatro tipos de atuação produzem sérios danos ao relacionamento e, por isso, devem ser evitados. Esses quatro tipos de atuação são os seguintes:

1- Defensividade: nunca admitir que esteja errado. Enquanto o parceiro está apresentando uma reclamação, o defensivo só está pensando em como se defender ou se desculpar aquilo que está sendo apresentado. Ele não está pensando se realmente agiu errado e ou sobre como reparar o seu erro e evitar que ele se repita. 

Os três dos principais tipos de defensividade são os seguintes: (1) crítica cruzada (responder crítica com crítica -- “Eu fiz isso, mas você fez aquilo”), (2) despersonalização da forma errada de agir (usar expressões como “as pessoas...”, “todo mundo”, “todos os meus colegas” agem assim, para relativizar a responsabilidade do erro que cometeu) e (3) justificativas (defender-se sistematicamente de qualquer crítica, sem admitir incorreções).

2- Desrespeito: atacar características pessoais e duradouras do parceiro, como a sua personalidade, a sua moral, a sua honra. Mostrar desprezo e sarcasmo pelo parceiro é outra forma de desrespeitar. Essa forma produz efeitos muito tóxicos e duradouros. A maneira correta de criticar é apontar comportamentos específicos que desagradam ao reclamante, os efeitos que esses comportamentos tiveram nele e como ele gostaria que o ofensor se comportasse da próxima vez. Exemplo: “Não gostei disto que disse. Isso me deixou triste. Gostaria que, da próxima vez, você não usasse esse tom agressivo”.

3- Criticismo: apresentar, de uma vez só, uma enorme quantidade de reclamações sobre o parceiro. Essas reclamações podem apontar coisas que aconteceram desde o início do relacionamento. Esse tipo de reclamação visa apenas ferir o parceiro. Não é construtiva.

4- Insensibilidade: desistir de ouvir as reclamações do parceiro. Já concluiu que não vale a pena ouvir as suas reclamações. “Entra por um ouvido e sai pelo outro”. Quem apresenta as reclamações se sente como “estivesse falando para as paredes”. 

Por Ailton Amélio às 09h14

08/08/2015

Passividade: você é um engolidor de sapos?

Quando somos contrariados, podemos omitir (passividade), reagir agressivamente (agressividade), reagir disfarçadamente (alusões, sarcasmo, tropo comunicacional, lítotes, etc. - mistura de passividade com agressividade) ou manifestar assertivamente (assertividade) aquilo que sentimos e pensamos. Da mesma forma, quando sentimos e pensamos coisas positivas, os nossos estilos de ação podem ser passivos ou assertivos. Por exemplo, podemos omitir ou expressar adequadamente a nossa satisfação quando gostamos das ações do nosso interlocutor. Cada um destes estilos de ação pode apropriado ou inadequado dependendo das circunstâncias.

Neste artigo vamos examinar o estilo passivo de ação.

A passividade é a omissão de pensamentos e sentimentos

Considere a seguinte história de um casal passivo que frequentou durante anos um restaurante que nenhum dos dois gostava:

Certa vez atendi um casal que estava se separando de uma forma conflituosa. Em uma das muitas brigas que travaram no meu consultório, eles discutiram sobre quem cedia mais para o outro. Em certa altura da briga, a esposa disse para o marido: “Eu faço tudo o que você quer”. Ele contestou-a através de um pedido: “Dê um exemplo.” Ela respondeu: “Só comemos naquele restaurante que você gosta.” O marido, muito surpreso, perguntou: “Que restaurante?” Ela respondeu: ”Lá naquele restaurante indiano”. O marido, cada vez mais surpreso, disse: “Que é isso? Eu comia lá porque pensava que você gostava. Eu não gosto daquela comida.” Ela, também muito surpresa, respondeu: “Imagine”! Eu odeio aquela comida. Eu sugeria esse restaurante, dentre outros, porque achava que você gostava!

Ou seja, os dois comeram durante anos em um restaurante que ambos não gostavam porque cada um supunha que o outro gostava. Esse casal não tinha a iniciativa ou a coragem de conversar sobre isso!

Passividade: Passividade é a omissão de desejos e pensamentos, tanto nas comunicações quanto na sua forma de agir. Quem costuma ser passivo é “engolidor de sapos”.

Quando age passivamente, uma pessoa se anula e se inutiliza como interlocutor. Só os falantes compulsivos e desrespeitosos, que são capazes de falar até com uma mensagem automática de uma secretária eletrônica, gostam de interlocutores passivos.

Muitas vezes, o passivo não consegue ser assertivo porque teme perder pontos na imagem pessoal, ser grosseiro, pressionar ou constranger os interlocutores.

Vantagens da passividade apropriada

Muitas vezes, a maneira agir que é socialmente esperada contém certo grau de passividade cooperativa ou a disfarçada. Nesses casos, uma resposta muita assertiva pode ser menos preferida por ser considerada muito direta ou rude.

Certa dose de passividade é necessária para o convívio social.

A passividade pode ser considerada uma forma de reação moderada que é apresentada diante de uma ação indesejada do interlocutor. Este tipo de uso da passividade foi identificado por um estudo canadense que constatou que este tipo de reação era usado como primeira medida para lidar com comportamentos indesejáveis, na área amorosa. Neste estudo, as pessoas que recebiam uma iniciativa amorosa indesejável preferiam, como primeira reação, ignorá-la, ou seja, agir passivamente. Elas só rejeitavam ativamente tal iniciativa – através de uma atuação assertiva ou agressiva - quando ignorá-la não era suficiente para fazê-las cessar.

            Passividade usada para lidar com pessoas que estão em estados psicológicos alterados. (muito irritado, transtornado, bêbado, em surto psicótico, etc.). Quando uma pessoa se que se encontra em um destes estados faz algo que não gostamos, tendemos a não levá-la tão a sério, ou seja, não reagimos da forma como o faríamos caso ela estive em seu estado normal. (“Eu relevei o que ele disse por que estava fora de mim”). Muitas vezes esperamos que a pessoa saia deste estado para tratar de assuntos mais sérios com ela. Por exemplo, conheço uma secretária que sabe as horas de falar com o chefe para conseguir o que quer dele. Ela evita fazer pedidos quando ele mostra sinais que está irritado.

            Passividade diante de pequenas contrariedades. Em todos os encontros sociais, as pessoas têm que relevar muitas pequenas imposições, restrições e contrariedades. Seria inviável contestar cada um destes pequenos confrontos, imposições ou desacordos. É melhor seguir o princípio: você tolera as minhas pequenas bobagens, eu tolero as suas, porque existem coisas muito mais importantes para tratar e gostamos um no outro (“Dar os anéis para não perder os dedos”).

As pessoas também têm diferentes personalidades, frequentemente estão em estados emocionais diferentes cada vez que se encontram, têm papéis e funções sociais diferentes, etc. Devido a estas diferenças, certa dose de tolerância é imprescindível para que o convívio social seja possível. Goffman, um famoso estudioso das relações interpessoais, afirmou que durante a maior parte do tempo guiamos as nossas ações de acordo com os efeitos que prevemos que elas terão nas outras pessoas. Ele comparou a nossa atividade social com um teatro: aquilo que é representado palco é planejado para conseguir os melhores efeitos possíveis na plateia. Os bastidores dos teatros, por outro lado, são feios e escondem todas as sobras e refugos daquilo que foi usado para a apresentação do espetáculo. Segundo esse autor, a nossa atividade social é similar ao teatro: calculamos aquilo que vai produzir os efeitos desejados na nossa audiência. Só aqueles que são mais íntimos é que tem acesso aos nossos bastidores. Quando mais íntimos entre si são duas pessoas, mais acesso cada uma delas têm àquilo que a outra sente e pensa realmente. Os menos íntimos só veem o espetáculo que ela apresenta.

A passividade é indicada naquelas situações onde agir de outra forma pode trazer danos que não podem ser suportados. Por exemplo, sabemos que não devemos:

- Reagir a assaltos

- Reagir quando isso vai fazer o interlocutor agir de forma grave e irreparável. Quando o interlocutor está em um estado alterado e, por isso, vai agir de forma que vai se arrepender depois.

Desvantagens da passividade excessiva

Os principais efeitos negativos da passividade são os seguintes:

- Pouca consciência da própria passividade.

- Não conseguir imaginar o que poderia fazer para sair da situação.

- Sensação de que está sem controle sobre áreas importantes da própria vida. Quem está nesta situação diz frases do tipo: “Não posso fazer nada. A situação é mais forte do que eu.” “Estou sendo levada pela correnteza”. “Estou sem forças para agir”.

- Perda da motivação. “Nada desperta muito o seu entusiasmo”. A tarefa parece ser imensa.

- Diminuição da atratividade: as pessoas passivas são menos atraentes e interessantes do que as pessoas ativas. Elas têm menos vitalidade, reagem mais fracamente aos seus ouvintes, são companheiros menos entusiasmados, etc.

A passividade desvitaliza a conversa

O falante passivo só fala coisas não comprometedoras e não assume o que pensa e sente sobre o que tema que está sendo tratado. Tende a falar sobre coisas neutras e de uma forma neutra. Por exemplo, o passivo prefere fazer relatos de fatos e acontecimentos e repetir coisas que outras pessoas disseram.

O ouvinte passivo não estimula a conversa. Ele não contribui com seus sentimentos e pensamentos. Não reage de forma personalizada: recorre demais a frases feitas e lugares comuns. As reações pessoais enriquecem o que é dito, acrescem informações, motivam quando os interlocutores, etc.

Se o passivo é do tipo cooperativo, só reage da forma que seria esperada: concorda com tudo, ri onde é para rir, balança a cabeça nos locais certos. No entanto, nada disso é muito convincente: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

O passivo deixa de obter aquilo que é importante para si.

Se a pessoa não age como sente e pensa, ela está se abstendo de existir. Está se restringindo e está agindo como acha que deveria ou como os outros acham que deveriam.

O passivo é socialmente desvalorizado.

Aqueles que são exageradamente passivos são estigmatizados e rotulados. Alguns destes rótulos são os seguintes:

“Sem atitudes”, “Sem presença”, “Apagado”, “Em-cima-do-muro”, “Maria-vai-com-as-outras”, Pau-mandado, “Café-com-leite”, “Inexpressivo”, “Bundão”, “Lacaio”, “Cachorrinho” (“basta assoviar...”), “Zero à esquerda”.

Excesso de passividade deteriora a autoestima e pode levar à depressão

A passividade excessiva e continuada é uma condição psicológica insalubre e indigna.

A passividade excessiva implica em negociar além dos próprios limites.

A passividade crônica suprime a capacidade para saber o que sente e o que quer

A passividade crônica em uma situação ou com um determinado interlocutor faz com que os sentimentos e pensamentos ativos se enfraqueçam e até mesmo desapareçam. Por exemplo, o passivo contumaz pode deixar de sentir amizade ou deixar de amar uma pessoa para quem ele nunca consegue expressar o que sente e pensa ou agir de forma espontânea. Quando isso acontece, fica difícil recuperar os sentimentos.

A passividade crônica provoca danos psicológicos sérios

A passividade excessiva e prolongada em áreas muito importantes pode produzir cicatrizes difíceis de reverter e provocar a agressividade repentina: “A gota d’água que entornou o copo”.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 11h52

02/08/2015

Cumprimentos e despedidas: comece e termine suas conversas com o pé direito

Você é daqueles que:

1- Reage imediatamente quando vê um interlocutor querido: olha para ele, sorri, põe de lado o que está fazendo, levanta-se rapidamente e caminha rápido na sua direção, com a mão estendida para o cumprimento? Por exemplo, quando a esposa chega a casa, você para o que está fazendo, caminha rapidamente na sua direção e a beija carinhosamente?

2- Cumprimenta com entusiasmo? Por exemplo, você usa uma voz vibrante para cumprimentar, aperta a mão do interlocutor com energia?

3- Capricha para que as suas conversas terminem de uma forma suave?

Você respondeu sim às três questões? Parabéns. Os seus cumprimentos e despedidas são agradáveis, mostram seu entusiasmo pelas pessoas que você gosta e produzem bons estados de espírito nos seus interlocutores.

Vale a pena apresentar cumprimentos positivos e energéticos. A qualidade do cumprimento pode influenciar fortemente a formação da imagem inicial de interlocutores que estão começando a se conhecer e contribui para a criação de um clima positivo ou negativo que vai influenciar a conversa e, até mesmo, o relacionamento subsequente entre eles.

Normas e expressividade do cumprimento

Diversos aspectos da forma do cumprimento são determinados por regras sociais que levam em conta as circunstâncias (locais formais, a sós, em público, etc.), os papéis dos interlocutores, seus status, o tipo de relacionamento que existe entre eles, hábitos locais e o tempo que passou desde o último encontro.

Além disso, o cumprimento admite nuances que servem para expressar aquilo que cada interlocutor pensa e sente sobre o outro e como se sente sobre o encontro que está ocorrendo. Diversos aspectos do cumprimento também são controlados pelos efeitos que cada interlocutor quer produzir no outro.


Avaliação das reações do interlocutor

O cumprimento é uma ocasião marcante e especial porque, nessa ocasião cada interlocutor pode obter muitas informações mútuas sobre como o outro reage à sua presença. Essas reações indicam como o outro está se sentindo, como está o estado do relacionamento que existe entre eles, o prazer ou o desprazer do encontro, suas disposições para o contato e os efeitos que cada um está tentando produzir no outro. Assim que se avistam e enquanto se cumprimentam, cada pessoa rapidamente avalia como está a outra, como ela reagiu à sua presença, qual a sua disposição e disponibilidade para conversar.

Em um encontro inesperado, as primeiras reações são importantes porque é mais provável que elas sejam genuínas e não fruto do autocontrole e planejamento. Por exemplo, o tempo que uma pessoa demora em reagir quando nos avista é bastante informativo sobre a sua atitude em reação a nós e o que ela está sentindo pela chance inesperada de interagir conosco. Quando ela sorri, assim que nos vê e caminha rapidamente na nossa direção para nos cumprimentar, este é um indicativo bastante forte que ela sentiu prazer em nos ver e quer falar conosco. Da mesma forma, quando a outra pessoa para imediatamente o que está fazendo e corre na nossa direção, este é um ótimo sinal de que ela ficou contente por nos ver e está disponível para falar conosco.

Por outro lado, uma desviada rápida de olhar e a lentidão para reagir à nossa presença indicam desconforto, contrariedade, indisposição para um cumprimento mais elaborado e menos propensão para interagir.

As pessoas costumam observar atentamente os interlocutores para ver como eles estão reagindo às suas presenças. Essa observação atenta é iniciada assim que se avistam e duram, pelo menos, até o final do cumprimento e início da conversa.

Durante um cumprimento positivo, quem cumprimenta pode mostrar, dependendo da circunstância, seus sentimentos e pensamentos positivos sobre o interlocutor, sobre o significado de estar conhecendo-o, sobre a saudade sentida durante o tempo que passaram sem se ver ou, na hora da despedida, sobre o tempo que não se verão e sobre os desejos que coisas boas aconteçam durante esse tempo de ausência.

Os cumprimentos ajudam a determinar o tom do encontro que se seguirá e contribuem para manter, confirmar ou alterar os vínculos entre os interagentes.


Características dos cumprimentos positivos

Os cumprimentos positivos têm as seguintes características:

Tempo de reação

Quando tempo cada pessoa demora em deixar o que está fazendo e começar a reagir ao interlocutor é um bom índice da sua boa receptividade ao interlocutor.

Cumprimento à distância

Como primeiro passo para aproximar-se ou para incentivar a aproximação: sorrir, manter contato de olho, apresentar cumprimentos vocais (“Olá!”, “Oba!”, “Olha quem está ai!”).

O ritual do cumprimento é iniciado no momento que as pessoas envolvidas se avistam. Nesse momento, elas apresentam as primeiras reações que são provocadas pela tomada de conhecimento da presença da outra e negociam se haverá aproximação, parada, contatos físicos, conversa, etc.

Dependendo das circunstâncias, pode ocorrer inicialmente um cumprimento breve, de longe, sem parar e depois, um cumprimento mais demorado quando se aproximarem.

Uma ou ambas as partes pode cumprimentar sumariamente sem fazer menção de desviar-se do caminho e desviar os olhos após um rápido contato.

A parte que desvia o olhar primeiro ou que se recusa a manter o contato de olho, não altera o ritmo da caminhada e não apresenta vocalizações muito efusivas. Tudo isso sinaliza que ela não vai querer parar para conversar.

Afastar-se de obstáculos

Sair de trás da mesa

Sair de dentro do carro quando o outro está fora.

Sair de trás do balcão

Parar o que está fazendo

Este é um sinal claro de disposição e disponibilidade para receber o interlocutor. Desligar a televisão, desligar o computador, fechar o livro e colocá-lo de lado, etc.

Não ficar olhando para outras pessoas que estão passando

Tomar a iniciativa de caminhar na direção do outro

Quando os interlocutores se veem a distancia e haverá uma aproximação para cumprimentos e/ou conversa, um ou ambos interlocutores poderão tomar a iniciativa de se aproximar. Quem não tomou a iniciativa pode, em seguida, também começar a fazer a aproximação.

O autor da iniciativa será visto como mais interessado no contato. Se a intenção é positiva, ele também será visto como mais caloroso que o outro.

Velocidade da aproximação

A rapidez e outras propriedades do movimento ao caminhar na direção do interlocutor revelam o interesse no contato. Quando há entusiasmo nesses movimentos, a mensagem é de calor e amistosidade ou deferência.

Vivacidade da voz

Existem muitas maneiras de apresentar receptividade e entusiasmo na voz: volume mais forte que o usual, maior velocidade para pronunciar as palavras ou, pelo contrário, menor rapidez, prolongando e acentuando as sílabas, modulação da fala mais acentuada do que o normal.

Assumir a mesma posição do interlocutor

Levantar-se para cumprimentar quando o outro está em pé

Encostar-se quando ele tiver encostado a uma superfície

Sentar-se quando ele estiver sentando

Afetividade das ações de cumprimento

Quem apresenta ações mais afetivas (um fala um abraço e o outro um beijo; um faz menção de dar a mão para cumprimentar e o outro de beijar ou abraçar).


Despedidas

O ritual de despedidas é muito importante. Uma despedida abrupta causa estragos. Os padrões do cumprimento inicial são válidos na hora da despedida: contatos físicos produzem efeitos mais fortes do que despedidas puramente verbais.

            Na despedida são esperadas manifestações de satisfações pelo encontro, agendamento de novos encontros, expressão de votos de êxito e bons acontecimentos para o tempo que vão ficar sem se ver. Quanto mais tempo de separação é previsto, mais calorosas e elaboradas são as despedidas.

“Sair à francesa” pode trazer problemas

Ir embora sem se despedir dos amigos, conhecidos e anfitriões podem causar danos futuros aos relacionamentos e a imagem de quem assim procede.

A importância dos rituais de despedida

Os términos abruptos, onde o ritual de cumprimento é omitido o abreviado, são rudes, frustrantes e podem ser ofensivos. Imagine alguém que no meio de uma conversa simplesmente se levanta e vai embora. Quem foi abandonado pode pensar que o outro ficou ofendidíssimo com alguma coisa que aconteceu ou está ficando louco.

É importante deixar o interlocutor executar o fechamento da conversa ou do encontro: terminar de dizer o que estava dizendo, preparar-se psicologicamente para terminar o encontro, etc. Uma tática muito útil para terminar uma conversa é dar sinais que vai terminar a conversa e, em seguida, deixar que o outro tome as iniciativas para executar as ações de fechamento. Algumas maneiras de sinalizar que quer terminar a conversa são: dizer que precisa ir embora, apresentar sinais não verbais que está preparando-se para sair. Parar de estimular a conversa.

Antecipação do fim da conversa

Em geral a conversa deve ter um fim anunciado pelo menos alguns momentos antes. Podem ser tomados vários tipos de medidas para que ela não seja encerrada abruptamente. Algumas destas medidas são as seguintes:

- Mencionar que precisa ir embora

- Usar palavras típicas que deseja encerrar encerramento: “Então está bom”, “Agora vou ter que trabalhar”.

- Deixar de alimentar os assuntos: deixar de pedir expansões do assunto, não iniciar novos assuntos e diminuir a ênfase nas reações como ouvinte.

- Trabalhar para que o tema em pauta caminhe para um encerramento

- Citar motivos específicos para terminar a conversa.

- Caso a conversa tenha deixado assuntos pendentes e motivações insatisfeitas, quem toma a iniciativa de concluí-la deve propor um novo encontro.

- Apresentar sinais que vai terminar o encontro: sentar-se na ponta da cadeira, olhar o relógio, desencostar, levantar-se, orientar-se para a saída.

- Anunciar verbalmente o fim do encontro e encerrar a conversa

Por Ailton Amélio às 10h29

25/07/2015

Identifique a sua história de amor predileta

Uma das mais interessantes teorias sobre o amor é a de Money (1986 – a bibliografia citada nesta postagem é fornecida no artigo original, cujo link é fornecido na Nota, no final desta postagem ). Esta teoria propõe que aquilo que desperta a sexualidade e o que leva o ser humano a escolher um(a) parceiro(a) em detrimento de outro(a) é uma espécie de mapa amoroso inconsciente. Tais mapas seriam desenvolvidos por todas as pessoas entre os cinco e os oito anos de idade e determinam os contornos da imagem do parceiro ideal. Segundo esta teoria, a relação afetiva seria iniciada quando uma pessoa encontra alguém que se encaixe nos parâmetros pré-definidos pelo seu mapa amoroso.

Outra teoria que também propõe a existência de “mapas amorosos” é a “histórias de amor”, de Robert J. Sternberg (1996 e 1998) - professor de Psicologia da Universidade de Yale. Esta teoria interpreta o amor como uma história. Resumidamente, ela propõe que as experiências afetivas, que ocorrem desde o nascimento, fazem com que as pessoas desenvolvam histórias que as ajudam a identificar quando o amor está ocorrendo e determinam o modo como o amor nasce e se desenvolve.

Nestas histórias, os amantes têm características específicas e desempenham papéis bem definidos e complementares, tal como acontece em uma peça de teatro. O grau de complementaridade desses papéis entre os parceiros é um dos principais determinantes do sucesso da relação. Pareceiros que não desempenham papéis complementares ou, pelo menos, compatíveis em seus relacionamentos amorosos provavelmente não constituirão relacionamentos felizes e duradouros.

Esta teoria é muito útil para entender a grande diversidade de fatores que são responsáveis pelo nascimento do amor e como diferentes tipos de relacionamentos amorosos podem produzir uniões que dão certo ou fracassam. No entanto, não basta identificar qual a história de amor que melhor descreve um relacionamento entre duas pessoas. Muitas vezes, as histórias de amor que elas estão vivendo não correspondem à história de amor que cada uma delas mais se identifica (aquela que retrata melhor como cada uma é) e, também, estes dois tipos de história podem não coincidir com aquelas histórias que elas mais gostariam de viver. Fazendo uma analogia, uma pessoa pode não estar profissionalmente realizada, se está trabalhando como empacotador (história que está vivendo), mas acha que tem vocação para a pintura (história que se identifica), mas gostaria de ser uma escritora (história que gostaria de viver). Da mesma forma, as coincidências ou discrepâncias entre estes três tipos de histórias podem ter sérias implicações para suas satisfações e para a duração do relacionamento amoroso entre elas.

           

Amostras das histórias de amor

Uma amostra das 24 histórias de amor identificadas por Sternberg é fornecida abaixo. Para você fazer uma ideia da história de amor que mais descreve a sua história ideal, pense no quanto você gostaria de viver o tipo de amor apresentado em cada uma das vinte e quatro descrições abaixo. (O teste completo é apresentado no meu artigo, cujo link é fornecido na Nota, no final desta postagem).

Quanto você se identifica com cada uma das histórias abaixo?

De uma nota entre zero e cem para o seu grau de identificação com cada uma das seguintes histórias (0 - “Não me identifico nada com esta história” e 100 -“Identifico-me completamente com esta história”).

____1. Vício: relacionamento intenso com sentimentos de ansiedade provocada pelo medo de perder o parceiro e desejo de ficar o mais possível agarrado a ele.

____2. Arte: existe forte atração física, com muita importância atribuída à aparência do parceiro, que deve sempre parecer bem.

____3. Negócios: há papéis e tarefas bem definidos, onde cada parceiro tem o seu lugar. O dinheiro desempenha papel importante e tem a ver com poder.

____4. Coleção: o parceiro se ajusta como uma luva ao meu esquema. Tenho tendência para ter múltiplos parceiros ao mesmo tempo, cada um deles preenchendo papéis um pouco diferentes uns dos outros.

____5. Livro de receitas: tenho uma fórmula sobre como agir e coisas a fazer no relacionamento.  Quando a receita é cumprida, a relação vai bem. Caso contrário, pode desandar.

____6. Fantasia: me sinto como se tivesse encontrado seu príncipe ou princesa encantados.

____7. Jogos e esportes: acho que o amor é um jogo empolgante, divertido e alegre. Afinal, as coisas nem sempre podem ser levadas muito a sério.

___8. Jardinagem: penso que a relação precisa ser bem nutrida, como uma planta.

___9. Governo: acho que o poder pode ser compartilhado ou exercido por um dos parceiros, que controla o outro.

___10. História: acredito que os  bons e os maus momentos estão vivos na memória. Coleciono muitas lembranças e recordações, tais como fotos, gravações, suvenires.

___11. Horror: Acho interessante sentir um pouco de medo do parceiro ou vice-versa.

___12. Casa e Comida: para mim, o centro das atenções é o lar e as coisas relacionadas a ele. A ênfase está em ter um ambiente confortável em casa.

___13. Humor: reconheço  que a vida tem um lado engraçado. Eventualmente, o humor pode mascarar relações tensas.

___14. Mistério: no meu relacionamento há um quê de mistério, uma necessidade constante de saber mais sobre o parceiro, um clima de segredos no ar.

___15. Polícia: tenho a necessidade de manter o parceiro em rédeas curtas, para ter certeza que anda na linha. Tenho forte interesse na sua vida e nas suas atividades.

___16. Pornografia: vejo o amor como algo permissivo, no qual um parceiro é degradado ou degrada o outro. A emoção da relação está nessa degradação.

___17. Recuperação: tenho a consciência que sou um sobrevivente que, depois dos traumas e sofrimentos passados, posso enfrentar qualquer situação.

___18. Religião: vejo o amor como uma devoção intensa ao parceiro.

___19. Ciência: acho que as coisas podem ser compreendidas, analisadas e dissecadas, como qualquer outro fenômeno da natureza. Procuro compreender com objetividade o parceiro e a relação.

___20. Ficção científica: sinto que o parceiro é como um alienígena — incompreensível e muito estranho.

___21. Costurar e tricotar: penso que o amor é aquilo que você quiser fazer com ele, algo que você molda como for melhor. Cada relacionamento é único.

___22. Teatro: no amor, parece haver um roteiro pré-definido, com atos, cenas e falas previsíveis. Há algo de dramático no ar. Às vezes, sinto como se não estivesse me comportando naturalmente e sim, interpretando um papel.

___23. Viagem: tenho a sensação de grande jornada conjunta, uma viagem em conjunto. Planejo para o amanhã. Tenho um pensamento voltado para o futuro.

___24. Guerra: acho que amor é uma série de batalhas sem fim. O conflito parece ser intenso e mantém-se ao longo do tempo.

Quais são as histórias mais comuns? No estudo que realizamos (link fornecido na Nota, no final deste artigo), as histórias mais escolhidas pelos homens foram: viagem; tricotar e costurar e jardinagem. As mais escolhidas pelas mulheres foram: jardinagem; tricotar e costurar; viagem. 

NOTA

Este artigo reproduz e adapta parte do seguinte artigo: Silva, A. A., Mayor, A. S., Almeida, T., Rodrigues, A., Oliveira, L. M., & Martinez, M. (2005). Determinação das histórias de amor mais adequadas para descrever relacionamentos amorosos e identificação das histórias de amor que produzem mais identificação, menos identificação e que as pessoas mais gostariam de viver.Interação em Psicologia, 9(2), 297-311. Link para esta publicação: file:///C:/Users/Ailton/Downloads/4786-10790-1-PB%20(3).pdf

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

Público Alvo

- Curso indicado para todos que estejam cursando ou tenham concluído algum curso superior.

- Curso indicado para psicólogos que trabalham com relacionamento amoroso e que pretendam cursar o nosso próximo grupo de estudos: “Terapia do Relacionamento Amoroso”. 

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Apaixonamento

Desapaixonamento

Amor e apego

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

Amor e desapaixonamento

Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Vamos montar um grupo de estudo para desenvolver conhecimentos teóricos e estudo de casos hipotéticos para tratar desses problemas?

Caso você queira mais informações e tenha interesse em participar desse grupo, escreva para o meu e-mail: inscrever.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 14h25

18/07/2015

O que acontece quando você entre em contato físico com outra pessoa?

O contato físico entre as pessoas tem diversos significados e efeitos profundos. Neste artigo vamos examinar alguns desses significados e efeitos.

O contato físico tem efeitos poderosos e fáceis de constatar. O contato é capaz de provocar fortes reações positivas e negativas. Para constatar isso, basta imaginar como você sentiria caso fosse tocado de uma forma íntima, sem nenhuma justificativa, por estranhos. O contato físico pode ter um forte impacto mesmo que tenha acontecido de forma não intencional ou acidental.

 

 Interpretação dos motivos dos contatos físicos

Os efeitos dos contatos físicos dependem, em grande parte, da interpretação dos seus motivos. Dependendo das justificativas, um mesmo ato pode ser extremamente traumático ou pode ser relativamente inócuo, mesmo que aconteça em uma região muito íntima, como é o caso, por exemplo, do exame ginecológico. Esta relatividade dos impactos deste tipo de contato pode ser resumida pela frase: “Mais importante do que o fato é a sua versão”.

As interpretações e as reações ao contato físico são extremamente dependentes de outros fatores tais como: a natureza do toque, área do corpo tocada, duração do toque, frequência do toque, contexto do toque (circunstâncias nas quais o toque aconteceu), quem toca e quem é tocado (sexo de quem é tocado e sexo de quem toca, natureza do relacionamento entre quem toca e quem é tocado, tipo e estágio do desenvolvimento do relacionamento).

As culturas possuem estatutos que padronizam a forma de interpretar muitos tipos de contatos físicos e suas circunstâncias. A cultura e a história pessoal podem alterar, até certo ponto, os significados, os usos e os efeitos destes contatos.

É provável que existam propensões inatas que ajudam a determinar os efeitos de boa parte dos contatos físicos. Por exemplo, os contatos físicos sexuais têm forte impacto em quase todas as culturas. Em todas culturas, estranhos se tocam menos do que conhecidos, casais em início de relacionamento se tocam mais do que pessoas não relacionadas; todas as crianças precisam de contato físico para apresentar um desenvolvimento psicológico saudável.

 

Tipos de contato físico

Existem muitos tipos de contato físico. Os principais deles são os seguintes: apertar as mãos, abraçar, beijar, carícias, dar palmadas, lamber, segurar, guiar, esbofetear, esmurrar, beliscar, sacudir, enlaçar, chutar, catar e espremer (espinhas, cravos, etc.).

Desmond Morris (1977) identificou os seguintes tipos de contato físico:

1- Aperto de mão, 2- Orientar o caminho tocando alguma parte do corpo, 3- Tapinha, 4- Dar o braço, 5- Abraçar o ombro, 6- Abraço completo, 7- Dar as mãos, 8- Abraço pela cintura, 9- Beijo, 10- Mão na cabeça, 11- Carícia, 12- Cabeça com cabeça, 13- Apoio corporal, 14- Ataque provocativo.

Este autor denominou estes contatos físicos como “signos de ligação” porque eles assinalariam a existência de algum tipo de relacionamento entre os dois participantes.

Cada um destes tipos de contato físico admite uma série de variantes. Por exemplo, um aperto de mão pode ser forte, demorado, sacudir muitas vezes a mão enquanto cumprimenta, apertar firmemente, usar uma ou as duas mãos, usar a outra mão para segurar o antebraço do companheiro, etc. Cada uma destas variações tem um significado especial. Em geral, quanto mais o contato discrepa daquilo que seria esperado para as circunstâncias, maior o seu significado. Quando maior o contato (mais intenso, mais demorado, mais partes do corpo são envolvidas, etc.), mais positiva é a mensagem.

 

Dimensões para avaliar os contatos físicos

Segundo Heslin (1974), os contatos podem variar desde gestos muito impessoais até gestos muito pessoais. De acordo com este critério, os contatos físicos podem ser classificados em cinco classes:

1-    Funcional-Profissional: são contatos “frios” utilizados para realizar alguma tarefa ou serviço. Quem recebe o contato é tratado como não pessoa. Um dos motivos para o contato ser realizado desta forma com o objetivo de não transparecer uma conotação sexual e, por este motivo, interferir na execução da tarefa. Exemplos: toques realizados pelo cabeleireiro e pelo médico.

2-    Social-polido. Este tipo de contato confirma a identidade de quem é tocado como membro da mesma espécie de quem o tocou. Neste tipo de contato existe muito pouco envolvimento pessoal entre quem toca e quem é tocado. Exemplo: o cumprimento através de um aperto de mão.

3-    Amistoso-Caloroso. Neste tipo de contato já existe um reconhecimento da individualidade de quem é tocado. Este tipo de contato também comunica que quem toca gosta de quem é tocado e o considera um amigo. Exemplo: abraçar uma pessoa pelos ombros enquanto caminham.

4-    Amoroso e íntimo. Este tipo de contato expressa intimidade e amor de quem toca por quem é tocado. Este tipo de gesto é menos estereotipado e é mais adaptado para as características pessoais de quem é tocado. Exemplo, beijar ternamente a outra pessoa.

5-    Sexualmente estimulante. Este tipo de contato expressa a atração física de quem toca por quem é tocado. Exemplo, colocar a mão na coxa da outra pessoa.

 

Progressão dos contatos físicos em relacionamentos amorosos

Morris (1971) afirmou que nos relacionamentos amorosos existe uma progressão de intimidades em direção ao relacionamento sexual. Alguns dos elementos desta progressão incluiriam contatos físicos. Esta progressão seria a seguinte: Olho no corpo, olho no olho, voz na voz, mão na mão, braço no ombro, braço na cintura, boca na boca, mão na cabeça, mão no corpo, boca no peito, mão nos genitais, genitais com genitais. Existem muitas exceções, inversões de ordem e omissões a esta progressão. 

Aqueles tipos de contato físico que só são permitidos entre pessoas que têm um relacionamento amoroso entre si podem ser utilizados para iniciar relacionamentos amorosos. Uma forma de iniciar relacionamentos amorosos é ir transformando gradualmente contatos físicos que são permitidos entre pessoas que não tem um relacionamento amoroso naqueles que são exclusivos de relacionamentos amorosos.

 

Quem toca quem e onde toca

Jourard (1966) fez uma pesquisa sobre as partes do corpo que pessoas afirmavam que eram tocadas com maior frequência. Este autor apresentou um questionário com uma figura mostrando 24 partes do corpo. Quem respondia ao questionário tinha a tarefa de apontar regiões do corpo onde foi tocado ou tinha tocado outras pessoas. Esta pesquisa também pedia para quem respondia classificar quem havia tocado: a mãe, o pai, um amigo do mesmo sexo ou um amigo do sexo oposto. Este autor verificou que as mulheres eram mais acessíveis ao toque por todas as pessoas. Amigos do sexo oposto e as mães eram considerados como as que mais tocavam.

Vários estudos mostram que tocar a outra pessoa é um poderoso sinal de intimidade com ela. É tão poderoso que pode facilmente ficar invasivo se não for bem calibrado para as circunstâncias. Por este motivo os contatos físicos são regulados por normas: existem regras rígidas que regulam quem pode tocar quem, em que região do corpo, em que circunstâncias, em que tipo de relacionamento. As zonas mais liberadas para os toques são as mãos, os antebraços e os braços.

 

Funções positivas e negativas dos contatos físicos

Os contatos físicos podem ter funções positivas e negativas. O contato físico nem sempre tem efeitos positivos. Por exemplo, uma pesquisa verificou os efeitos do toque antes de uma cirurgia mostrou que as mulheres tocadas tiveram efeitos positivos e os homens tocados tiveram efeitos negativos: eles ficavam piores do que os operados que não foram tocados.

 

Funções positivas dos contatos físicos

Alguns dos principais efeitos positivos do contato físico são os seguintes:

- É imprescindível para o desenvolvimento físico e psicológico saudáveis

- Ajuda a criar e a solidificar vínculos afetivos

- Pode ajudar a criar uma atitude positiva entre quem toca e quem é tocado

- Pode contribuir para que o relacionamento evolua para estágios mais avançados

- É uma forma importante de confortar emocionalmente a outra pessoa

- Pode ajudar a manter o relacionamento

- Pode ajudar a revigorar o relacionamento

- É um meio eficiente de demonstrar amor;

- É uma maneira eficaz para iniciar rapidamente um relacionamento amoroso.

Tocar a outra pessoa pode produzir efeitos mais poderosos do que muitas palavras e gestos. O contato físico adequado pode ser um dos caminhos mais rápidos para a reconciliação, após um desentendimento, quando há receptividade por parte daquele que é tocado, evidentemente.

 

Funções negativas dos contatos físicos

O contato físico pode ter efeitos muito negativos. Quando ele não é bem vindo, acontece em momentos inapropriados, ocorre entre pessoas que não têm um tipo de relacionamento que o permite ou é realizado em regiões do corpo que só podem ser tocadas por certas pessoas e em certas circunstâncias, pode ser extremamente aversivo e implicar inclusive em sanções legais.

NOTA

Se você quiser a citação completa da bibliografia cita neste artigo, escreva para o meu email: ailtonamelio@uol.com.br

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

Público Alvo

- Curso indicado para todos que estejam cursando ou tenham concluído algum curso superior.

- Curso indicado para psicólogos que trabalham com relacionamento amoroso e que pretendam cursar o nosso próximo grupo de estudos: “Terapia do Relacionamento Amoroso”. 

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Apaixonamento

Desapaixonamento

Amor e apego

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

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Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Vamos montar um grupo de estudo para desenvolver conhecimentos teóricos e estudo de casos hipotéticos para tratar desses problemas?

Caso você tenha interesse em participar desse grupo, escreva para o meu e-mail: inscrever.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 15h08

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.