Blog do Ailton Amélio

Busca

28/06/2015

Quais mensagens você envia através da produção da sua aparência?

A palavra “produção” é usada aqui para nomear o conjunto de cuidados que alteram rapidamente a aparência: vestuário, adornos, tratamento da pilosidade, acessórios, maquilagem, tatuagem, etc.


Funções da Produção

Desmond Morris afirma no seu livro “Você” (veja a citação na Nota 1, no final desse artigo) que as principais funções da produção são as seguintes:

Comodidade

Esta função é fácil de ser constatada: basta observar como o vestuário da maioria das pessoas é diferente em um dia frio em relação a um dia quente.

Pudor

Ocultar partes do corpo que a cultura considera despudorado exibir em público. Esta função também é bastante óbvia. Na nossa cultura, as regras do recato são onipresentes: os seios e os genitais devem ser cobertos. A produção sensual consiste, em grande parte, em cobrir estas partes, mas, ao mesmo tempo, sugerir e estimular a imaginação sobre o que está por baixo da cobertura.

Exibição/camuflagem

O nosso corpo funciona como uma espécie de outdoor que é usado pelas pessoas para postar diferentes mensagens através da produção.

A “exibição” é a comunicação de mensagens para outras pessoas. Esta função é uma das principais responsáveis pela existência da moda e dos múltiplos tipos de mensagens que podem ser enviados através da produção (sinais de gênero, sinais expressivos (humor, emoção), sinais afiliativos, conformismo, status, poder, riqueza, traços de personalidade, conformidade com o grupo; camuflagem, para não ser notado, etc.).

As três funções acima são atendidas, em maior ou menor grau, por diferentes itens da produção. Por exemplo, a proteção contra variações na temperatura é mais bem atendida pelo vestuário. A proteção contra os excessos de luz solar pode ser obtida através do vestuário, loções protetoras contra raios solares e óculos de sol.

Um mesmo item da produção geralmente tem várias funções. Por exemplo, um mesmo vestuário funciona para fins de recato, comodidade e exibição.


Funções do vestuário

Mark Hickson e colaboradores (2004 – veja a Nota 2) apontaram as seguintes funções do vestuário: proteção, atração sexual, autoafirmação, autonegação, esconder partes do corpo, identificação com o grupo, indicador de status e papel, identificação e a auto apresentação. Dentre estas funções, segundo estes autores, as mais importantes seriam estas duas últimas. O manual sobre comunicação não verbal destes dois autores apresenta os seguintes tópicos que podem ser considerados como funções ou efeitos do vestuário: vestuário e status, vestuário e características do usuário, vestuário e seus efeitos sobre o comportamento interpessoalvestuário e sucesso.

William Thourlby (1980 – ver a Nota 3, no final desse artigo) apresentou evidências de que as pessoas tiram dez conclusões a respeito das outras pessoas a partir de suas roupas. Estas conclusões são as seguintes:

      1.    Background econômico
2.    Nível econômico
3.    Background educacional
4.    Nível educacional
5.    Nível de sofisticação
6.    Nível de sucesso
7.    Caráter moral
8.    Background social
9.    Posição social
10. Confiabilidade


Porque vale a pena se produzir?

A produção tanto serve para ressaltar atributos físicos (por exemplo, o decote ressalta os seios) como para melhorá-los (por exemplo, o sutiã pode empinar e aumentar o volume dos seios).

A produção também pode ajudar seu usuário a se apropriar e a exercer com mais eficácia certas funções sociais. Por exemplo, a toga de um juiz ou a farda de um militar ajuda seus usuários a investirem as autoridades desses cargos e se tornarem mais poderosos do que estariam se não estivem paramentados. Neste sentido, o hábito faz o monge e o monge faz o hábito. Ambas estas afirmações estão corretas.

Por este motivo, aqueles que ascendem socialmente ficam mais motivados para usar os símbolos da nova classe social à qual querem se integrar do que aqueles que já estão nesta classe há mais tempo. Por exemplo, os “emergentes”, são mais inseguros de suas novas posições sociais e, por isso, cuidam mais das produções que as representam ou as distanciam da classe social que ocupavam anteriormente. Este fenômeno foi constatado por um estudo que verificou que professores que estavam iniciando a carreira se vestiam de forma mais diferenciada do que aqueles que já estavam há muito tempo no cargo. Por exemplo, usam mais gravatas e paletós que estes. Os “emergentes” aqueles que ascenderam socialmente recentemente podem até mesmo exagerar no uso de símbolos do novo status. Querem, por tudo, se identificarem com os “quatrocentões” e acabam usando uma profusão de símbolos do novo status - um “over”.

“Banho de loja”, no entanto, só funciona até certo ponto. Outros fatores podem fornecer pistas sobre as origens sociais das pessoas (“berço”). Isto complica as coisas. Por exemplo, quem tem origem social menos valorizada do que a posição social que ocupa atualmente, mesmo que use a mesma produção daqueles desse novo meio social com o qual quer se identificar, pode deixar transparecer suas origens. Duas pessoas que estejam produzidas exatamente da mesma forma, ainda assim, podem transparecer suas diferentes origens sociais. Como isso é codificado? Talvez, pela forma de se portar: como seus comportamentos indicam como elas estão se sentindo com aquela produção, com os locais que frequentam e com as pessoas que se encontram nesses locais.

Estes estudos mostram, portanto, que o vestuário pode produzir diversas impressões e conclusões sobre os seus usuários.

A produção pode ampliar sinais secundários de gênero

Uma parte da produção tem a função de ampliar os sinais secundários de gênero. Os sinais secundários de gênero são aqueles que distinguem os homens das mulheres, como, por exemplo, a barba, os seios, a proporção entre a cintura e o quadril, etc. Muitas vezes a moda nada mais faz do que destacar certos sinais secundários de gênero. Por exemplo, em certas épocas, a moda destaca as nádegas (uso da crinolina e das anquinhas para ampliar o tamanho das nádegas). Em outras épocas destaca pés (ou chineses enfaixavam o pés para diminuir seus tamanhos), ou os lábios (em certas épocas, o uso de batom vira moda) ou as pernas (uso da minissaia).

Teoria eco genital.  Esta teoria afirma que, muitas vezes, a moda copia ou ressalta sinais de gênero que estão presentes em outras partes do corpo (por exemplo, os batons usados para acentuar o vermelho e aparência de umidade dos lábios contribuem para que estes se pareçam com os grandes lábios vaginais).

Ocultação de sinais indesejáveis

A produção também é útil para ampliar ou ocultar sinais corporais cujos efeitos são indesejáveis como sinais de idade ou sinais de infantilidade indesejáveis.

Você não usa a sua produção em seu próprio benefício? Procure a ajuda de um psicólogo.


NOTAS

1- Morris, D. (1977). Você: um Estudo Objetivo do Comportamento HumanoSão Paulo, Círculo  do Livro.

2- Hickson, M., Moore, N, and Stacks, D. W. (2004). Nonverbal Communication: Studies and Applications. Communication Books.

3- William, T. (1980). You Are What You Wear. New American Library.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 09h33

22/06/2015

As maravilhas e funções da paixão romântica

A paixão provoca transformações perceptuais, motivacionais e comportamentais no apaixonado: o dia fica mais lindo, as músicas românticas se tornam mais pungentes, o canto dos pássaros se torna mais belo, o entusiasmo pela vida aumenta, ficamos mais corajosos e mais dispostos a enfrentar os desafios da vida, conversamos por horas com a amada e nos tornamos mais atenciosos e gentis com ela. Essas transformações podem ser tão prazerosas que muita gente acaba se viciando em paixão: o que mais querem na vida é estar apaixonado. Esse prazer perdura, é claro, quando a paixão é correspondida!


            A paixão é uma espécie de artifício que a natureza inventou para unir romanticamente, rápida e fortemente, duas pessoas.

A paixão une fortemente duas pessoas, mesmo quando não existem bases sólidas para explicar tanta atração entre elas. Ou seja, a paixão é baseada na idealização do parceiro. Stendhal, proponente de uma das mais respeitadas teorias sobre o nascimento da paixão, observou gravetos que caíam em minas de sal. Depois de certo tempo, o sal aderia aos gravetos. O resultado dessa combinação, sal e gravetos, ficava parecendo uma joia cravejada de brilhantes. Stendhal propõe que algo semelhante acontece com a paixão: aos olhos do apaixonado, o parceiro parece uma joia cravejada de brilhantes, mas, de fato, pode não passar de um graveto coberto por cristais de sal.


Por que a natureza inventou a paixão?

Eu imagino que a paixão era muito útil nos primórdios da nossa história evolutiva, na época que a nossa espécie era constituída por bandos nômades de caçadores coletores. Esses bandos tinham entre 100 e 1000 membros, aproximadamente. Eles ficam um tempo caçando e coletando alimentos em um lugar. Quando esses tipos de comida escasseavam no local, eles se mudavam para outro. Mais ou menos o que acontece com as nossas tribos de índios.

Para evitar a endogamia, casamento entre cosanguíneos, que inevitavelmente ocorreria, caso os membros de cada grupo só se casassem com outros membros do mesmo grupo, a natureza inventou a paixão: quando dois grupos se encontravam, pessoas de um grupo poderiam se interessar, muito rápida e intensamente, por pessoas do outro grupo. Esse interesse teria que acontecer muito rapidamente porque o contato entre os grupos durava muito pouco tempo. Logo cada um deles seguia seu caminho.

Essa atração teria que ser muito intensa para motivar um dos apaixonados para largar tudo e ir embora com o novo parceiro. Teria que largar família, amigos, segurança, aliados, etc.

Ainda hoje, a paixão produz esse enorme efeito: pessoas fazem loucuras quando estão apaixonadas - largam tudo, movem céu e terra para se unirem ao amado que mal conhecem ("Viva Las Vegas!": casamentos instantâneos entre recém-conhecidos!).

Ainda hoje, a paixão é útil: muitas vezes nos envolvemos com alguém que mal conhecemos, que encontramos por acaso, e que provavelmente não veríamos de novo, se não sentíssemos algo muito forte que nos leva a tomar providências para encontrar tal pessoa outra vez. Isso acontece em várias situações: viagens, congressos, restaurantes e, principalmente, nas baladas. Os sites e aplicativos para encontrar parceiros também fazem uso dessa capacidade para nos envolvermos rápida e fortemente com alguém que praticamente não conhecemos: podemos ficar fortemente interessados em uma desconhecida que só vimos a foto e lemos algumas frases de apresentação!

            Esta ligação semi-instantânea de alta intensidade pode unir pessoas semidesconhecidas durante o tempo suficiente para que o envolvimento entre elas se estabeleça em outras bases mais sólidas - através da intimidade e compromisso (saber que pode confiar e contar com o outro; compartilhar preocupações, problemas e alegrias; receber e oferecer apoio; assumir compromissos externos e internos; unir forças; desenvolver e compartilhar experiências excitantes; depender mutuamente para atingir metas; divisão de encargos, etc.).

Claro, nem sempre a paixão deságua no amor. Muitas vezes, quando a idealização diminui, a princesa que víamos através da lente da paixão adquire a sua verdadeira aparência: uma sapa!

Outras vezes, a princesa adquire outro formato que também é atraente: uma plebeia cheia de atrativos que são mais do que suficientes para provocar e solidificar o nosso amor.

Em outros casos, ainda, a princesa é realmente uma princesa e, além disso, exibe outras qualidades que despertam o nosso amor. Neste caso, ganhamos na loteria do amor!


Princípios gerais que regem os apaixonamentos

            A teoria do apaixonamento mais aceita por aqueles que estudam o fenômeno do apaixonamento é a de Stendhal. Esta teoria afirma que são necessárias três condições para que ocorra o apaixonamento: admiração, esperança e certa dose de insegurança.

Admiração

A admiração por uma pessoa pode ser provocada tanto pelas suas qualidades gerais (inteligência, cultura, princípios morais, etc.) como pelas suas qualidades diretamente relevantes para o apaixonamento (beleza, comportamentos típicos de cada gênero, etc.). Geralmente as pessoas que estão tentando conquistar procuram uma forma sutil e socialmente aceita de exibir estes dois tipos de qualidades para quem querem conquistar. Por exemplo, contam casos que ressaltam sutilmente seus atributos admiráveis; cuidam da beleza física e da produção (principalmente as mulheres) e exibem recursos econômicos, como para pagar jantares em restaurantes da moda, desfilar em carros caríssimos (principalmente os homens).

Outra teoria que também afirma que a admiração é necessária para o apaixonamento é a Teoria da Expansão do Eu. Segundo esta teoria, as qualidades que admiramos em outra pessoa são aquelas que gostaríamos de ter. Esta teoria afirma também que a associação amorosa com uma pessoa que possua tais qualidades seria uma forma de nos apropriarmos delas e, desta forma, expandirmos o nosso eu.

Uma pesquisa encontrou resultados que confirmam esta teoria: casais que participaram de atividades desafiadoras de seus limites psicológicos (expansoras do eu) relataram um maior fortalecimento de suas ligações afetivas do que casais que participaram de atividades agradáveis, mas não desafiadoras. (Pense nisso quando estiver escolhendo um programa para fazer com alguém que você deseja conquistar).

Esperança

Existem dois tipos de esperança. A primeira é que tenhamos qualidades suficientes para atrair a pessoa que queremos conquistar. Quem não atende a este requisito incorre naquele ditado popular que afirma que o parceiro “é muita areia para o seu caminhãozinho”. Atendido este primeiro requisito, ainda é necessário que haja um segundo tipo de esperança: a  esperança da reciprocidade do interesse amoroso. Este tipo de esperança é alimentado por aqueles sinais que são apresentados, principalmente, através da paquera verbal e não verbal (“derreter-se na presença do outro”, “ficar rodeando a outra pessoa”, apresentar a “dança do acasalamento” – caras, bocas, posturas, vozes, etc.).

Insegurança

Segundo Stendhal, a insegurança é o catalisador do amor: certa dose de insegurança contribuiria para o nascimento deste sentimento. Quando algo é importante para nós, mas não estamos seguros da sua posse, tendemos a valorizá-lo mais e mantê-lo por mais tempo na nossa consciência (“Não consigo parar de pensar nela.”) do que quando há muita segurança prematura desta posse. A insegurança também faz que comemoremos mais intensamente cada sinal de que estamos conquistando a parceira desejada. Coerente com este princípio, uma técnica de conquista popular prescreve o uso do “tratamento quente-frio” para conquistar alguém. Segundo esta técnica, é bom alternar as “horas de dar bola" com horas de mostrar indiferença pela pessoa, com a finalidade de não dar segurança excessiva para ela. Este princípio também é aplicado por aquelas pessoas que “ficam subindo pelas paredes” após ter saído com alguém interessante, porque não querem tomar a iniciativa de telefonar  para não parecerem interessadas demais.


Nem todo mundo consegue se apaixonar

Algumas pessoas não conseguem se apaixonar e são bastante céticas sobre esse sentimento. Provavelmente essas pessoas são aquelas que têm, em alto grau, um ou uma combinação dos seguintes estilos de amor: Pragma, Ágape ou Estorge. Aqueles que conseguem se apaixonar são aqueles que têm um dos seguintes estilos de amor: Eros, Mania ou Ludos. (Estilos de amor definidos  por John Alan Lee – veja o meu artigo, neste blog, “Estilos de Amor”).

 

================xxxxxxxxxxxxx============

VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Amor e apego

Apaixonamento

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

Amor e desapaixonamento

Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Como são os ingredientes do seu amor 

(intimidade, paixão e comprometimento)?


Tratamento de problemas amorosos

================xxxx============

Montando um grupo de estudos no meu consultório para estudar os temas acima sobre paixão e amor!

Interessada(o)? Escreva para o email:

ailtonamelio@uol.com.br

ou ligue para o meu consultório: (11) 3021 5833

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 10h12

13/06/2015

Confira se você é um matador de conversas

"Transar é fácil, difícil é achar alguém para conversar", diz Miley Cyrus1

A conversa e o assunto podem ser mortos de duas formas principais:

1- Morte passiva. Deixar de fazer aquilo que pode ser feito para manter e dar brilho para a conversa é uma maneira de matá-la por desnutrição: não alimentar a conversa, não se mostrar animado e não animar o interlocutor, não desempenhar bem o papel de ouvinte ou de falante, não respeitar as regras dos turnos e das mudanças de turnos são algumas das maneiras de desnutrir a conversa

2- Morte ativa: impossibilitar a conversa ou o assunto; indispor o interlocutor para conversar ou tratar daquele assunto (tapar os ouvidos): portar-se de tal forma que o interlocutor ficará zangado ou sentir-se-á desrespeitado e interromperá a conversa. Outra maneira e matar a conversa ativamente: fazer coisas para diminuir a motivação do interlocutor ou inviabilizar a conversa pela quebra de suas regras fundamentais ou estragar sua motivação para tratar de certos assuntos, para conversa conosco.

Um motivo externo, de força maior, também pode impor a morte justificada da conversa. Por exemplo, um compromisso sério e inadiável pode fazer a conversa ser encerrada.

Existem muitas publicações que trataram das medidas para animar ou alimentar a conversa. Para matar passivamente a conversa ou assunto basta não tomar essas medidas. Neste artigo, vamos tratar apenas das formas ativas de matar a conversa ou o assunto.


Maneiras ativas de matar a conversa

As principais maneiras ativas de matar a conversa são as seguintes:

1- Mostrar hostilidade generalizada contra o interlocutor

2- Roubar os holofotes

3- Agir impolidamente. Ameaçar a face do interlocutor: ser rude demais verbal e não verbalmente

4- Desenvolver temas chatos e desagradáveis

5- Assumir o papel de Dr. Sabe Tudo

6- Anular o interlocutor

7- Tomar todo o poder sobre os componentes da conversa para si

8- Contestar sistematicamente o interlocutor

9- Sair abruptamente do papel de ouvinte ou de falante: virar as costas, mudar de assunto

10- Não dar o tom certo para a conversa: brincar quando não deve, ironizar, etc.

11- Forçar conversas e temas

12- Monopolizar o papel de ouvinte ou de falante

13- Interromper demais

14- Dar conselhos não solicitados

15- Discordar de tudo

16- Interrogar

Agora, vamos abordar mais detalhadamente as ultimas seis maneiras de liquidar conversas mostradas na lista acima. Elas serão abordadas porque, acredito, que são as maneiras mais frequentes e graves de matar as conversas.


Principais maneiras ativas de matar conversas

Forçar conversas e temas

Nem sempre é possível conversar com uma determinada pessoa ou tratar de um determinado tema com ela em um dado momento. Existem vários motivos para esta impossibilidade: pelo menos uma das pessoas que poderiam conversar considera que outra não é uma interlocutora adequada (por exemplo, a outra pessoa é uma desconhecida que acabou de fazer uma abordagem na rua e quer falar de coisas íntimas); o momento não é adequado (por exemplo, uma delas está sem tempo); as circunstâncias não são adequadas (por exemplo, uma festa não é a ocasião adequada para conversar sobre negócios); existem dificuldades para identificar assuntos adequados e envolventes naquele momento (“Não ter nada para conversar naquele momento”), etc.

Quando não há condições para conversar, insistir na conversa é forçar a situação.

Quem faz uma ligação telefônica deve certificar se está interrompendo.

O telefonema em momentos inconvenientes é um caso frequente de conversas forçadas. Quando ligamos para uma pessoa não sabemos se ela está disponível naquele momento para falar ao telefone. Por isso, é prudente começar a conversa perguntando: “Estou interrompendo alguma coisa?” ou algo equivalente. Caso a pessoa chamada apresente algum sinal de desconforto com a ligação, quem ligou deve dizer: “Te ligo outra hora”, “Quando você puder, me ligue”. Também ajuda muito quando quem recebe uma ligação inconveniente diz, assim que atender ao telefone: “Olá, fulano. Tudo bem? É urgente? Posso te ligar daqui a pouco?” ou algo do gênero.


Monopolizar os papéis de falante ou de ouvinte

Para que uma conversa aconteça é necessário que haja alternância nos papéis de ouvinte e falante. Caso isto deixa de ocorrer, o acontecimento não é um diálogo. Pode ser um monólogo, uma palestra, uma declaração ou algo do gênero. A falha na alternância de papéis pode ocorrer porque um dos interlocutores não quer abrir mão do seu papel de falante ou de ouvinte. O primeiro caso (“pessoas que falam demais”) é mais do conhecimento público do que o segundo (pessoas que “ouvem demais” ou “pessoas que falam de menos”).

Falar demais. O falante compulsivo se dá ao direito de fazer todas as associações e desenvolver todos os assuntos que vão lhe passando pela cabeça. Ele só está interessado em se exibir, desabafar ou produzir determinadas reações no ouvinte. Não está interessado no que se passa com este. Falar demais anula o ouvinte e impõe-lhe um problema: ou suporta aquele falante desagradável ou age de uma forma rude para interrompê-lo. Uma boa medida para evitar falar demais é mencionar os temas e só desenvolvê-los á medida que o interlocutor manifeste interesse por eles.

Recusar a palavra. Algumas pessoas se recusam sistematicamente a ocupar o papel de falante. Quando são pressionadas a fazê-lo, falam o mínimo possível e da forma menos comprometedora possível. Isto cria uma conversa assimétrica e, geralmente, pouco interessante. A pessoa que fala pouco contribui menos, deixa de expor a sua posição, dá a impressão de pouco interesse na conversa ou no assunto e de falta de confiança em si mesmo e no interlocutor.


Interromper demais

Certa vez fiz a seguinte experiência com meus alunos: apresentei uma pergunta para um deles. Assim que esta pessoa começou a responder eu apresentei outra pergunta. Assim que ele começou a responder esta segunda pergunta eu apresentei uma terceira, e assim por diante. Geralmente três ou quatro perguntas e interrupções de respostas deste tipo eram suficientes para fazer o aluno ferver de raiva. Ela se mostrava perturbado, frustrado e agressivo comigo. Só se acalmava um pouco quando eu explicava para ele que este procedimento estranho e rude tinha o objetivo de demonstrar os efeitos da interrupção.

A interrupção pode acontecer em diversos contextos: no meio de uma palavra, no meio de uma frase, no meio de uma ideia ou de um tema. Uma quantidade moderada de certos tipos de interrupção de pode ser bem vinda. Por exemplo, as interrupções para fins esclarecimento (de um termo ou ideia), mostram o interesse e envolvimento do ouvinte no que está sendo dito. As interjeições ou comentários breves, que não exijam respostas elaboradas, podem indicar envolvimento do ouvinte com a conversa, o que é motivador para o falante.


Dar conselhos não solicitados

Muita gente confunde quando o interlocutor quer apenas relatar ou desabafar sobre um acontecimento com pedido de conselhos. Os homens, especialmente, cometem muito este tipo de erro. Por exemplo, as mulheres odeiam quando começam a relatar um fato aborrecido que ocorreu no trabalho e o marido logo começa a sugerir medidas que ela deveria tomar para resolver a situação. Este tipo de conselho na hora errada encerra o relato ou desabafo. Fica pior ainda quando o conselheiro espera que o aconselhado acate e ponha em prática seus conselhos e fica irritado quando este indica que não vai acatá-los.


Roubar os holofotes

O ladrão de holofotes sempre quer ser o foco das atenções na conversa. Naquelas ocasiões que o interlocutor teria as atenções, o ladrão dá um jeito de atrai-las para si.

O ladrão de holofotes segue as seguintes regras: “O que aconteceu comigo é mais importante do que o que aconteceu com você”. “A minha notícia é mais interessante do que a sua”. “O que tenho a dizer é mais importante do que você tem a dizer”.

Ladrão de temas: a pessoa que introduziu o tema não consegue obter o impacto que queria na conversa. Quando isso acontece, embora o tema continue na conversa, agora é o ladrão que trata dele e atraiu a atenção dos ouvintes para si.

O ladrão tem várias maneiras de se apossar do tema: ele discorre sobre um acontecimento similar ao que relatado com o interlocutor o afetou; como ele vê o acontecimento; como lidou com o acontecimento; como a sua relação com o tema é mais importante do que a relação daquele que o introduziu, etc. O ladrão se apropria do controle do tempo, do conteúdo e da forma de conduzir o tema da conversa.


Discordar de tudo

Ser do contra. Facilita muito a conversa quando existem demonstrações de boa vontade em relação ao que o interlocutor está dizendo. Quando alguém começa a discordar do seu interlocutor de uma forma muito frequente e sistemática, isto pode indicar uma atitude negativa de quem discorda em relação ao seu interlocutor. Neste caso, é natural que quem esteja sendo contradito perca o interesse ou se esquive de continuara a conversa ou brigue.


Interrogar

Certas pessoas se portam na conversa como se fossem interrogadores da polícia.

Essa forma de se portar é completamente autoritária: o interrogador escolhe a pergunta, a maneira de o interrogado participar da conversa, o conteúdo e a extensão da resposta.

Pior ainda, quando as perguntas são fechadas. Para este tipo de pergunta, as opões do interrogado ainda se tornam mais restritas: o conteúdo e a extensão da sua resposta são predeterminados pela pergunta.

Neste tipo de conversa, o interrogado perde rapidamente a motivação: ele não pode seguir suas próprias motivações para falar: a sua fala é determinada por quem pergunta. O seu papel na conversa também é muito restrito: ele deve se limitar a responder o que foi perguntado. O nível de intimidade daquilo que ele diz depende em boa parte daquilo que lhe foi perguntado.

Geralmente, quando uma pessoa não puxa assunto, responde só o que foi perguntado e não mostra entusiasmo na voz de nos gestos, esses sinais indicam que esta pessoa não está querendo conversar. 

As perguntas são poderosas para induzir respostas. Quem recebe perguntas, geralmente foi educado para respondê-las.

Este tipo de interrogatório acontece frequentemente quando o interrogador quer conversar e o interrogado não quer. Acontece também quando o interrogador quer abordar um determinado assunto e o interrogado não quer. Em ambos esses casos, as perguntas são usadas para pressionar a participação do interrogado.

Você é um matador de conversas? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: 1- http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/16/transar-e-facil-dificil-e-achar-alguem-para-conversar-diz-miley-cyrus.htm

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 12h42

08/06/2015

Porque vale a pena comemorar o dia dos namorados

Os antropólogos encontraram muitas evidências que confirmam a importância dos ritos de passagem, dos ritos comemorativos de aniversários e dos ritos comemorativos de datas importantes. Esses ritos, por exemplo, fortalecem os vínculos, renovam os compromissos e dão conteúdo para a vida. Sem esses ritos, ficaríamos com a sensação que a nossa vida é vazia e que estamos fora dos acontecimentos sociais. O dia dos namorados é uma ocasião para a prática de um desses ritos e, por isso, merece ser comemorado.


Tipos de ritos

Em todas as sociedades existem ritos que marcam datas importantes como, por exemplo, as celebrações do nascimento, do início da adolescência, do início da idade adulta, do casamento e da morte. Essas celebrações são conhecidas genericamente como “ritos de passagem” (esse nome foi popularizado no início do século passado pelo antropólogo alemão Arnold van Gennep). Existem vários tipos de ritos. Três deles são os ritos de passagem, os ritos comemorativos de aniversários e os ritos comemorativos de fatos importantes.

Os ritos de passagem, como o próprio nome indica, marcam as datas das mudanças de papéis. Na nossa sociedade, o primeiro rito de passagem geralmente acontece quando a gravidez é confirmada: os parentes comemoram o início da nova vida. Mais frequentemente ainda são as comemorações de nascimento. Esta comemoração marca o início da vida do indivíduo como um ser independente do corpo da mãe. O último rito de passagem é o da morte.

Os ritos de aniversário marcam a passagem de tempo transcorrido a partir de um acontecimento importante: comemorações de aniversários de nascimento, aniversários de casamento, aniversários da independência do país, aniversários da canonização de santos.

Os ritos comemorativos de fatos importantes marcam fatos importantes para a sociedade como, por exemplo, “Dia da árvore”, “Dia da Mulher” e “Dia dos Namorados”.


Funções dos ritos

Algumas das principais funções dos ritos de passagem são as seguintes:

Facilitar a mudança de papéis sociais.

Os ritos facilitam o abandono dos papéis anteriores e a adoção dos novos papéis. Estes ritos geralmente envolvem a estipulação de uma data para mudança de papel, a presença de pessoas que investirão tempo e recurso para estarem presentes e testemunhar a passagem, uma cerimônia elaborada para marcar a passagem e a investidura no novo papel. Tudo isso contribui para que a mudança de papéis seja encarada mais seriamente do que o seria, caso essa mudança ocorresse sem o rito como, por exemplo, através de uma passagem privada, sem pompa, emoções e testemunhas.

Fortalecer vínculos entre os participantes do evento.

Por exemplo, participar de um rito com outros convidados fortalece a sensação de pertencimento ao mesmo grupo que eles.

- Proporcionar conteúdo e significado para a vida.

As comemorações marcam a vida. Uma vida sem ritos é uma vida vazia e linear. A vida pode ser marcada e relembrada através de acontecimentos importantes. Esses acontecimentos ficam mais marcados quando é necessário se preparar para eles, esperar por eles, participar deles, falar deles, pensar neles e sentir fortes emoções nessas ocasiões.

- Reforçar os status dos participantes

Durante os ritos, os participantes exibem, testam e confirmam as suas importâncias sociais e os seus vínculos: centralidade em relação aos anfitriões, vestuários especiais, cumprimentos, honrarias, etc.


Para comemorar bem o Dia dos Namorados

Para que essa comemoração produza efeitos benéficos, é importante comemorá-la devidamente. Algumas medidas que ajudam a marcar essa data são as seguintes:

Produza-se. Vista-se de forma elegante e especial, capriche no penteado, use maquilagem.

- Vá a um lugar apropriado para esse tipo de comemoração

Produza um clima especial para a ocasião: seja gentil, capriche no romantismo, destaque os bons momentos do relacionamento.

- Dê um presente que, embora não custe muito, seja do agrado da amada e mostre que você pensou nela ao escolhê-lo.

Apresente algum tipo de cerimônia para marcar a data. É importante haver um momento mais cerimonioso, onde algumas palavras afetivas e vinculadoras sejam apresentadas.

Dê flores. As flores não têm utilidade prática e, por isso mesmo, acentuam o aspecto comemorativo da data.

Namorar é mostrar-se romântico, carinhoso e atraente

Para comemorar o Dia dos Namorados, tão ou mais importante do que trocar presentes é a maneira carinhosa e romântica de tratar a amada. Essa maneira pode valorizar a data ou, pelo contrário, invalidá-la. Por exemplo, adianta muito pouco comprar um belo presente, levar a amada para jantar e tratá-la como uma simples amiga ou, pior ainda, de forma fria e distante.


O namoro deve estar presente em todas as fases do relacionamento amoroso

Na nossa língua, o substantivo “namoro” é usado em dois sentidos:

(1) Substantivo usado para nomear um dos estágios iniciais do relacionamento amoroso. Este estágio geralmente está situado depois do flerte ou, algumas vezes, depois de uma “ficada” ou de um “rolo”, e antes do noivado ou do “morar juntos”.

(2) Substantivo usado para nomear uma maneira de sentir, pensar e agir típicos das pessoas que têm uma relação romântica entre si. O namoro, neste segundo sentido, deve estar presente em todas as fases do relacionamento amoroso como, por exemplo, durante o “rolo”, o namoro (no sentido anterior), o noivado, a união consensual e o casamento.

O “namoro”, nesse segundo sentido, inclui olhares prolongados nos olhos da amada, declarações de amor, troca de carinhos românticos, abraços de tirar o fôlego, beijos na boca, etc. A presença desses comportamentos é um sinal de que há amor romântico entre o casal e que o relacionamento entre eles é positivo e está vivo.  

Quando um casal deixa de namorar, o relacionamento amoroso entre eles está em perigo. Ou ele está morrendo ou está se transformando, quando muito, em amizade e, quando pouco, em indiferença ou ódio. Infelizmente, muita gente que tem parceiro amoroso deixou de namorar. Essas pessoas podem estar casadas, podem transar, podem ser amigas entre si, podem ser fieis e comprometidas, mas deixaram de namorar. Muito triste!


Maneiras de namorar

Para namorar é necessário agir como duas pessoas apaixonados que estão no inicio do relacionamento amoroso. Algumas dessas formas de agir são as seguintes:

- Cuidar da aparência para impressionar a parceira, para fazê-la se interessar e se orgulhar de você.

- Tratá-la como a pessoa mais importante que está presente em qualquer lugar onde estejam.

- Ser atenciosíssimo com ela

- Durante o encontro, só ter olhos para ela

- Repercutir com entusiasmo o que ela diz 

- Beijá-la romanticamente

- Abraçá-la com ternura

- Andar de mãos dadas com ela

- Parar tudo que está fazendo para ouvi-la

- Ficar olhando prolongadamente nos seus olhos e entrar em êxtase

- Considerar o seu ponto de vista pelo menos tão importante quanto o seu


Vale a pena comemorar o Dia dos Namorados

O dia 12 de junho deveria ser considerado o Dia do Namoro e não, apenas, o Dia dos Namorados. Só não é o “Dia de Namoro” porque namorar deve acontecer 365 dias por ano!

Não invalide essa data só porque ela se tornou muito comercial: “Não jogue fora a criança junto com a água suja”. 

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 10h32

30/05/2015

Vampiro, doador ou refletor de energia, qual o seu tipo?

Como é a sua "energia pessoal"? Você motiva as pessoas, empresta-lhes vida, anima-as, liga-as ou, pelo contrário, coloca-as para baixo, deprime-as, adormece-as, desvitaliza-as?

Você recebe ou doa pouca energia para outras pessoas?  

A sua energia pessoal geralmente é emprestada de outras pessoas: essa energia depende muito de quem está na sua companhia?

Curiosamente, temos muitas preocupações com os efeitos que produzimos em outras pessoas através da nossa aparência, do conteúdo daquilo que dizemos e das coisas que fazemos por elas ou contra elas, mas não nos preocupamos com o tipo de energia que lhes transmitimos com nossa presença e maneira de agir. Esse é o tema tratado neste artigo.


Como a energia pessoal contagia outras pessoas?

Esse tipo de "energia" é passada de uma forma muito sutil, verbal e não verbalmente. O que dizemos, acredito, tem um papel menor na transmissão dessa energia!

Essa energia é passada, principalmente, pela vivacidade dos movimentos, pela vibração da voz, pela proatividade, pelo dinamismo, pela forma de encarar o que está se passando, pela participação ativa nos acontecimentos!


Astro, planeta ou buraco negro?

Levando em conta a origem da energia irradiada, as pessoas podem ser classificadas como “astro”, “planeta” ou “buraco negro”.

Aquelas pessoas que são do tipo “astro” possuem energia própria. A energia que irradiam contagia e vitaliza outras pessoas.

As pessoas do tipo “planeta”, não possuem energia própria. Elas dependem da energia de outras pessoas.

As pessoas do tipo “buraco negro” são aquelas que sugam a energia alheia. Depois de um tempo em contato com elas, seus interlocutores se sentem exaustos e desvitalizados.

Astro: Juliana

Juliana é doadora de energia! Ela chama a atenção onde quer que vá. Basta a sua presença para qualquer evento social ganhar vida.

Ela libera energia positiva, que contagia todos ao seu redor. Ela é interessante. Atrai a atenção. Dá para ficar olhando para ela continuamente. É bom observar como ela sorri, como ela reage às outras pessoas e aos acontecimentos. É interessante observar as iniciativas que ela toma.

As suas atitudes e intervenções sociais geralmente têm uma boa dose de criatividade e imprevisibilidade. Ela dá um colorido pessoal para tudo que faz e diz.

Ela parece esperar que sua presença cause impacto positivo nas outras pessoas e também espera que as outras pessoas ajam de forma positiva em relação a ela.

Embora agradável e polida, Juliana não é o tipo "boazinha": ela não fica usando clichês nas suas afirmações. Ela é honesta quando expressa suas opiniões.

Ela não se deixa intimidar facilmente. As pessoas não conseguem induzi-la a dizer o que querem ouvir, se isso não estiver de acordo com o que ela sente e pensa.

Nas reuniões sociais, ela não está presente apenas para constar. Ela mantêm-se em contato com aquilo que lhe é significativo em cada momento.

Olha de verdade para você. Considera de verdade o que você diz. Isso traz vida para os relacionamentos.

Ela marca presença onde quer que esteja. Ela é o centro das atenções. Onde quer que esteja, logo se forma uma rodinha de amigos. Todos mostram interesse em ouvir o que ela pensa sobre os mais diversos assuntos.

Expressões e termos usados para se referira a Juliana:

Alto astral, tem presença, charmosa, carismática, proativa, íntegra, ficar ao seu lado carrega as baterias, não é dissimulada, é autêntica.

André: Planeta

André reflete a energia daqueles que se relacionam com ele.

O ânimo de André depende muito de quem está na sua companhia. Se a companhia é animada, ele ficava animado; se é desanimada, ele ficava desanimando...

O seu brilho, ou falta de brilho, depende de quem esteja perto. Ele é muito influenciável. Por isso, ele tem que tomar muito cuidado com quem anda.

Dizem que ele é um “camaleão motivacional”: a sua motivação passa de 0 a 100 em um minuto, dependendo de quem está na sua companhia. Dizem também que ele dança a música e que absorve como uma esponja a animação ou desanimação do clima social.

André não tem muito brilho próprio. Ele geralmente não lidera, é liderado. Não é proativo. É reativo. Faz parte da plateia e não daqueles que oferecem o espetáculo. É liderado e não líder. Não tem muitas ideias próprias. É um reprodutor daquilo que os outros dizem. Gosta de ler biografias para se inspirar. Não se atreve a criar o próprio caminho. Precisa sempre de um guru para guiar os seus passos. Não é o tipo empreendedor. Contenta-se com o trabalho para empreendimentos alheios.

Frases e expressões usadas para se referir a André

“Camaleão social”, “influenciável”, “esponja emocional”, “Maria vai com as outras”, “Medíocre”, “Sem luz própria”; “Tipo comum”; “Pouco proativo”, “Liderado”, “Coadjuvante”.

Bons refletores

Bons refletores são aqueles que seguem com entusiasmo a liderança ou as ideias alheias. São aquelas pessoas que vestem a camisa do time! São os fanáticos que aderem cegamente todos os tipos de crenças e as praticam com entusiasmo e intolerância!

Maus refletores

Você está morto, Jim!

Maus refletores são aqueles que seguem os ditames alheios sem muito entusiasmo. São parecidos com mortos vivos.

Buraco negro

Aqueles que são “buraco negro” funcionam como vampiros de energia: sugam a energia das pessoas que estão à sua volta!

Existem dois tipos de buracos negros. Os ativos e os passivos. Vamos examiná-los.

Luciana: buraco negro ativo

Ficar ao lado de Luciana é tenso e cansativo. Para ela, o copo está sempre meio vazio. Passar um tempo com ela faz o humor piorar. As pessoas fogem dela. Sempre falando coisas negativas: ela tende a ver o pior ângulo de tudo. Mostra descrença de tudo e de todos. Sempre pronta para mostrar o seu desprezo pelas outras pessoas e por tudo que elas fazem.

Andrea: buraco negro passivo

Andrea não se responsabiliza pelo sucesso da conversa. O seu interlocutor tem que procurar animá-la: ela não propõe assuntos, não mostra interesse pelos assuntos propostos pelo interlocutor, mostra poucas emoções e pouco envolvimento com a conversa.

É muito difícil animá-la. Os seus interlocutores lutam desesperadamente para que a conversa tenha sucesso e para evitar que o silêncio logo se instala entre eles. É torturante ficar na sua companhia por muito tempo.

Parece que ela tem preguiça de conversar.

Frases e expressões usadas para se referir a Luciana

Baixo astral, energia negativa, cansativa, sem entusiasmo, sem vida.

 

Geralmente somos tipos mistos

As pessoas possuem graus de cada um desses tipos de energia. Elas também podem funcionar de uma maneira em certos momentos (por exemplo, podem irradiar energia quando estão felizes e sugarem energia quando estão para baixo). Joana, por exemplo, é predominantemente astro, embora em certas ocasiões e na presença de certas pessoas, ela funcione em parte como planta ou como buraco negro.

Impermeável ou Influenciável

As pessoas também podem ser classificadas quanto ao grau que elas absorvem a energia de outras pessoas. As pessoas que são astros e as que são buracos negros são as menos influenciáveis por outras pessoas. Embora polos opostos no que diz respeito à irradiação de energia, esses dois tipos são bastante impermeáveis. Aquelas que são “planetas”, por definição são as mais afetadas pelas energias alheias.

A quantidade de absorção de energias alheias também varia de acordo com a ocasião e com o tipo de interlocutores. Em certas ocasiões estamos abertos e sensíveis às influências alheias. Em outras ocasiões estamos refratários a esse tipo de influência. Podemos ser bastante seletivos à captação de energia: confiamos, damos ouvidos e somos sensíveis àquelas pessoas que admiramos e refratários e arredios a outras pessoas.

 

Como a energia pessoa contagia outras pessoas

Existem várias teorias para explicar os efeitos do contágio de emoções, sentimentos e estados psicológicos. As principais delas são as seguintes:

Contágio emocional:

Copiamos no nosso corpo e rosto as posturas, expressões e movimentos de outras pessoas. Aquilo que foi copiado produz, via autoaferência (existem receptores e nervos que informam o cérebro o que está se passando nestas partes do corpo), um estado semelhante ao da pessoa que está sendo copiada. Por exemplo, ao ver um sorriso, tendemos a copiar no nosso rosto, mesmo que de forma sutil. Essa cópia informa o cérebro que estamos sorrindo e isso induz estados de alegria.

Foi evidenciado que possuímos células que disparam quando vemos movimentos de outras pessoas. Estas células são do mesmo tipo que disparam quando fazemos o movimento.

Experiência vicariante:

Temos a capacidade de experimentar as mesmas coisas que outras pessoas estão sentindo quando as observamos, ouvimos contar o que se passou por ela e como elas se sentiram. Os filmes que passam na televisão ou no cinema e as histórias que ouvimos ou lemos fazem sucesso devido a essa capacidade vicariante de sentir aquilo que os personagens presumivelmente estão sentido.

Expansão do eu

A tomada de conhecimento da forma como as pessoas sentem e encaram situações expande os nosso arsenal para agir nessas mesmas para aperfeiçoar a forma como percebemos e interpretamos essas situações. Esta expansão do eu traz sentimentos positivos. As reações que diminuem os limites do nosso eu trazem sentimentos negativos.

Você está desvitalizado, sem energia? Procure a ajuda de um psicólogo!

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 13h23

24/05/2015

A autorrevelação é a cola dos relacionamentos

A palavra composta “autorrevelar” é usada aqui para nomear as revelações de pensamentos e sentimentos do revelador. Por exemplo, ela é usada para nomear as revelações de sensações, opiniões, emoções, aspirações, frustrações e acontecimentos importantes que ocorreram ou estão ocorrendo com quem está fazendo autorrevelações.

Deixar de se abrir, não falar das tensões, dos acontecimentos do dia a dia que estão lhe afetando, dos seus desejos, temores, satisfações e insatisfações é alienar o parceiro daquilo que existe de mais profundo e verdadeiro em você .

É apresentar para o parceiro uma versão pasteurizada e superficial de si e do que se passa consigo.

Não acolher, não ficar motivado para ouvir e acolher as revelações do parceiro é ter perdido o interesse no que existe de mais vivo nele. É menosprezar a sua vida interna, é achar que já sabe tudo a seu respeito e que o que ele vai dizer são repetições daquilo que ele já vem dizendo.


Consequências da autorrevelação para a saúde física e psicológica

Os principais benefícios das autorrevelações para a saúde física e psicológica são os seguintes:


Melhora a saúde física e mental

            A autorrevelação tem efeitos na saúde física e mental. Pesquisas mostraram que quem autorrevela adequadamente é mais feliz, adaptado, competente, receptivo, extrovertido, confiável e positivo do que aquelas pessoas que autorrevelam insuficientemente. Pesquisas também mostraram que a autorrevelação previne a incidência de doenças orgânicas e, quando elas acontecem, a recuperação é mais rápida (por exemplo, as pessoas que autorrevelam ficam muito menos dias no hospital do que aquelas que não se autorrevelam).


Tem efeito catártico

Quando um acontecimento nos afeta profundamente, positiva ou negativamente, sentimos a necessidade de falar a seu respeito com um interlocutor adequado e receptivo. Quando conversamos a respeito de sentimentos ou pensamentos que nos atormentam e somos ouvidos com respeito e compreensão, sentimos um grande alívio.

Tudo que precisamos é alguém que tenha as qualificações para ouvir o que temos a dizer, que nos queira ouvir e que dê uma dica como, por exemplo: “O que se passa? Você parece ...... (preocupado, alegre, triste, etc.). Conte-me o que está acontecendo”.

No meu trabalho clínico já presenciei inúmeras vezes o alívio que os pacientes sentem quando expressam algo que estavam escondendo, se envergonhavam ou temiam a condenação do interlocutor.

Este alívio acontece principalmente quando peço para eles expressarem para uma almofada, ou para mim mesmo, que fazemos o papel da pessoa para quem eles gostariam de dizer alguma coisa, mas que, na vida real, sentem inibição para tal pessoa.


Aumenta o autoconhecimento

            Revelar aumenta o autoconhecimento à respeito da relação entre as ideias, emoções, opiniões que está sentindo com aquilo que as provocou e com as reações alheias. Ao autorrevelar a pessoa tem que observar-se para relatar. Quem relata também tem que organizar o que está relatando para apresentar uma versão compreensível para o interlocutor. 

O interlocutor também pode contribuir para o autoconhecimento de quem revela. Quando você se revela para um bom interlocutor, ele fará intervenções que ajudarão você a explorar mais detalhadamente aquilo que está sentindo e pensando. Ele poderá resumir, fazer perguntas e sugerir alguma hipóteses que a ajudarão quem se revela a ganhar conhecimento sobre o que está sentindo e pensando e sobre suas possíveis causas e ligações com outros fatos. 


Melhora a autoestima

A autorrevelação bem acolhida pelo interlocutor ajuda quem revela a gostar mais de si próprio.

Ser aceito do jeito que somos é uma grande satisfação, é um grande trunfo. Ter que simular para ser aceito ou, pelo menos, para não ofender/ser rejeitado pode ser danoso. Muito do que somos tem a ver com o que pensamos e sentimos e que revelamos através da comunicação.

Uma das coisas mais motivadoras ou desmotivadoras da comunicação é a reação do interlocutor. Esta reação é motivadora quando ele nos aprova, se envolver com a nossa conversa, apresenta sinais que está gostando, ri, mostra admiração, mostra empatia.


A autorrevelação produz consequências positivas para o relacionamento

A autorrevelação produz vários efeitos positivos para o relacionamento. Alguns desses efeitos são os seguintes:


A autorrevelação funciona como cola dos relacionamentos

A autorrevelação é uma das principais “colas” dos relacionamentos. Trocar autorrevelações aumenta as chances de aprofundar ou mudar o tipo de relacionamento (por exemplo, revelar o amor pelo interlocutor pode transformar uma amizade em namoro). Isso acontece principalmente com revelações especiais, que exigem um bom grau de confiança ou um tipo especial de relacionamento para que possam ser apresentadas.

Ao revelar-se, você cria a oportunidade para aperfeiçoar aquilo que está sentindo e pensando sobre seu interlocutor e dá a mesma oportunidade para que este também aperfeiçoe seus pensamentos e sentimentos à seu respeito. A autorrevelação dá a oportunidade para que você e seu interlocutor melhorem o relacionamento que existe entre vocês: cada um de vocês informa ao outro como é, como se sente, o que pensa e o que espera que aconteça.


A autorrevelação ajuda a estabelecer, aprofundar e manter a amizade.

Cada tipo de relacionamento dá direito a certos tipos de informação que devem ser fornecidas pelo parceiro. Por exemplo, quando deixamos de falar sobre algo importante que está acontecendo conosco para um amigo, ele pode ficar muito ressentido e até terminar a amizade – de certa forma, a relação de amizade pressupõe que os amigos fornecerão espontaneamente certos tipos de informação.

A autorrevelação é uma maneira de aprofundar os vínculos. Todo mundo sabe que quando alguém começa a falar mais de si, isto significa que o relacionamento está se tornando mais próximo, mais amigável, mais pessoal. É um sinal que a pessoa que está aumentando suas revelações está querendo um maior nível de proximidade.

Só é possível haver relacionamento intimo entre duas pessoas se elas  se conhecerem, confiarem uma na outra, se aceitarem mutuamente, gostarem uma da outra e  ajudarem uma à outra. O conhecimento mútuo é desenvolvido principalmente através da autorrevelação.


A autorrevelação estimula o amor

Faz com que o relacionamento aconteça em bases verdadeiras. Quando temos algo importante para falar com alguém, mas não o fazemos a conversa fica sem energia.

Compartilhar a intimidade é uma das três bases do amor e da amizade (Sternberg). Você tende a se ligar mais fortemente àquelas pessoas que lhe ajudam a sentir-se melhor com o que está sendo e pensando.


A autorrevelação estimula a conversa

Dois dos principais tipos de autorrevelações que estimulam as conversas são as informações gratuitas (informações apresentadas sem que fossem solicitadas pelo interlocutor) e os feedbacks para a comunicação do interlocutor (dizer o que sente e pensa sobre aquilo que o interlocutor comunicou).

Segundo Tucker-Ladd, um importante estudioso das autorrevelações:

- Se a sua conversa é superficial por hábito (não por medo), faça um esforço para encontrar experiências superficiais, opiniões e sentimentos para discutir

- Quando os interlocutores não revelam as suas opiniões pessoais sobre o que está sendo dito, a conversa fica técnica ou cheia de lugares comuns  (“em cima do muro”).

- Quando as pessoas que revelam suas posições ou, pelo menos, dão esta impressão, desenvolvem uma conversa personalizada.

- Revelar coisas positivas ajuda a aprofundar o relacionamento. Indica que a pessoa está confiando, querendo impressionar positivamente e ser conhecida.


A transparência total é desastrosa

A pretensão de ser totalmente transparente, do tipo “A minha vida é um livro aberto”, é ingênua e insustentável. Vários filmes já abordaram este tema. Por exemplo, há uns vinte anos atrás, fez muito sucesso o filme “Um Dia, um Gato”,do diretor tcheco-eslovaco Wojtech Jasny . Este filme conta uma história sobre a aparição em uma aldeia tcheca de um mágico e seu gato, que usava óculos. Quando o gato tirava os óculos, os olhos das pessoas que o viam ficavam de uma determinada cor que revelava aquilo que sentiam. É fácil imaginar as tremendas encrencas que isso causou na aldeia!

Outro filme mais recente, que também trata deste assunto, é “O Mentiroso”, estrelado pelo Jimmy Carrey. Este filme conta a história de um advogado que recebeu um encantamento que fez com que ele, durante um dia, não conseguisse mentir e só dissesse o que realmente estava sentindo e pensando.

Esses dois filmes apontam alguns dos desastres que aconteceriam caso as pessoas realmente revelassem tudo o que sentem e pensam.

Pessoas que revelam demais:

- São consideradas inadequadas

- Deixam o interlocutor desconfortável

- Correm mais riscos. Podem sofrer sanções.

Problemas para autorrevelar ou para acolher revelações? Procure a ajuda de um psicólogo.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 12h25

16/05/2015

Iniciativa de contato: uma maneira de melhorar a vida amorosa e social

“Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha.”

“Porque eu é que tenho que procurá-lo e não o contrário? A distância é a mesma.”

Os dois ditados populares acima sugerem duas atitudes opostas em relação à iniciativa de contato: o primeiro sugere que é bom tomá-la, e o segundo, que isso não é bom.  Neste artigo, vamos examinar evidências que indicam que iniciativas de contato positivamente motivadas e bem utilizadas são um ótimo recurso para iniciar, melhorar e transformar relacionamentos.

A iniciativa de contato consiste na tomada de medidas que mostrem o desejo de interagir com outra pessoa como, por exemplo, flertar de longe, caminhar na sua direção, mandar um e-mail e dirigir-lhe a palavra.


Uso cotidiano das iniciativas de contatos entre conhecidos

As pessoas estão sempre atentas para as origens das iniciativas: quantas vezes elas tomaram e quantas vezes os outros tomaram a iniciativa. Existem vários tipos de iniciativa como procurar, ligar, visitar, enviar mensagem e propor assuntos durante a conversa. Essas iniciativas funcionam como recheios, calibradores, conectores e alimentadores do interesse mútuo.

Considere as afirmações abaixo. Elas podem ser ouvidas muito frequentemente no dia a dia e indicam que as pessoas em geral têm um bom grau de consciência da importância e do significado das iniciativas de contato:

“Já liguei três vezes para ela, mas ela nunca toma a iniciativa de me ligar. No entanto, quando ligo, ela me recebe bem. Claro, pode ser só por educação. Por isso, estou ficando inseguro. Será que ela tem algum interesse em mim?”

“Só eu que a procuro. Se eu passar semanas sem ir até a sala dela, mesmo assim, ela nunca vai até a minha.”

“Só eu que a convido para almoçar. De vez em quando, ela vai almoçar com outros colegas e nem me avisa.”


Por que tomar iniciativas de contato

Nesse momento que você está lendo este artigo, existem muitas pessoas que gostariam de iniciar ou aprofundar um relacionamento com você. Muitos desses relacionamentos poderiam ser prazerosos, reconfortantes e proveitosos para ambas as partes. O início e o aprofundamento de relacionamentos podem acontecer na área pessoal, amorosa, social e profissional.

No entanto, muitas vezes, você e essas pessoas não tomam iniciativas para iniciar ou intensificar seus relacionamentos e, por isso, cada um de vocês fica dentro do seu mundinho. Esta falta de iniciativa ocorre porque não queremos passar pelo desconforto temporário de sair do nosso casulo e nos aventurarmos em um terreno mais inseguro, onde temos que nos adaptar a novas pessoas e novas situações e onde corremos o risco de sermos rejeitados.  O exemplo apresentado em seguida mostra como as pessoas podem tomar iniciativas de contato e os efeito benéficos que isso pode produzir.

Atendi um rapaz (“Eduardo”) que tinha muita dificuldade para iniciar contatos. Ele estava frequentando um cursinho preparatório para concursos públicos. Esse tipo de cursinho geralmente permite que os alunos optem pelas matérias que querem cursar e, por isso, os colegas de cada aula eram diferentes dos colegas de outras aulas. Ou seja, ele tinha muitas oportunidades de contato com pessoas diferentes.

Já fazia um bom tempo que Eduardo frequentava esse tipo de cursinho. Apesar disso, ele não tinha feito nenhum amigo e não tinha iniciado nenhum relacionamento amoroso. O principal motivo do seu isolamento é que ele nunca tomava nenhuma iniciativa de contato e também não facilitava a tomada desse tipo de iniciativa por parte de outras pessoas. Eu dizia para ele, em tom de brincadeira, que ele tinha o dom da invisibilidade social e que poderia vender os seus segredos para os serviços secretos de diversos países.

Trabalhamos para que ele tomasse a decisão de começar a intensificar as suas iniciativas de contato. Tempos depois, a sua vida social começou a mudar radicalmente quando ele adotou a seguinte regra: “A cada dia, vou fazer um pouco mais do que já vinha fazendo no setor das iniciativas de contatos. Por exemplo, se já cumprimento alguém com um aceno de cabeça, vou passar a lhe dizer “bom dia”. Se já cumprimento com um “Bom dia”, vou passar a dar mais ênfase na voz e a sorrir. Se já cumprimento alguém dessa forma, vou passar a cumprimentar com um aperto de mão, e assim por diante!”.

Ele também se comprometeu a chegar um pouco antes do início das aulas e a ficar na escola um pouco depois que elas terminassem. Ele também tomou a decisão de, nos intervalos das aulas, aproximar-se das pessoas e participar dos grupos de conversa.

Tempos depois, Eduardo fez alguns amigos, estava sempre conversando nos intervalos de aula e estava começando a sair com uma colega.


Ocasiões e motivos das iniciativas e intensificações de contato

As iniciativas de contato podem acontecer em três circunstâncias:

1- Iniciativa do primeiro contato entre desconhecidos

A iniciativa do primeiro contato indica o desejo, por parte de quem a tomou, de iniciar um relacionamento com a pessoa para quem ela foi dirigida.

A iniciativa de contato é muito agradável e motivadora para quem a recebe quando fica claro que a maior motivação é interagir com o outro e, não, interesse prático, a pressão para responder às iniciativas prévias do interlocutor ou a força hábito.

2- Iniciativa para começar um novo encontro com um conhecido

Após algum tempo sem contato, um dos interlocutores toma a iniciativa de reiniciá-los. Quem toma essa iniciativa mostra o seu desejo de rever o conhecido e indica que gosta dele, salvo se mostrar que tem algum outro objetivo para esse contato (por exemplo, pedir um favor ou reclamar de algo).

3- Iniciativa para intensificar o relacionamento com um conhecido

Este tipo de iniciativa pode ser tomado de diferentes formas:

Aumentar a frequência de iniciativas de contatos

Esse tipo de iniciativa pode ser tomado tanto pelo aumento da frequência do mesmo tipo de contato como pelo aumento na frequência de vários tipos de contato. Por exemplo, uma pessoa pode mandar vários e-mails para uma amiga ou pode mandar e-mails, telefonar e ir visitá-la. Tudo isso em uma frequência muito maior do que a usual.

            O oposto desse tipo de iniciativa, uma diminuição da frequência de iniciativas, é um sinal de esfriamento do relacionamento e pode ter sido causado por ressentimento, desejo de afastamento ou desejo de rebaixar o tipo de relacionamento (era amigo e agora vai tratar como um simples colega).

A proporção de iniciativas de contatos entre duas pessoas indica qual delas está mais interessada ou valoriza mais o relacionamento com a outra: geralmente aquela que toma mais iniciativas está mais interessada no relacionamento ou em fazê-lo progredir para um nível superior de intimidade e compromisso.

Iniciativa de melhorar a qualidade ou a intensidade dos contatos

A percepção da qualidade ou intensidade de um contato é influenciada pela forma e pelo conteúdo da comunicação apresentada na interação.

Existem várias formas de melhorar a qualidade e intensidade dos contatos: torná-lo mais amistoso, mais proveitoso para o interlocutor, mais íntimo, mais caloroso, mais demorado, etc.

Estou convencido que podemos transformar nossa vida amorosa, familiar e social tomando iniciativas de contato.

A iniciativa de aumentar a frequência ou de melhorar a qualidade dos contatos pode ser tão ou mais importante do que acontece durante a interação

Muita gente me pergunta o que deve falar ao abordar uma pessoa desconhecida, após um flerte à distância (na maioria das vezes esse tipo de pergunta é apresentado por homens tímidos). Eu sempre respondo que o mais importante já foi feito: a iniciativa de caminhar até a outra pessoa e dirigir-lhe a palavra. A paquera mútua, que aconteceu antes da abordagem, já deixou claro que essa iniciativa é de natureza amorosa. Neste contexto, o conteúdo daquilo que é dito pode não ser tão importante quanto a iniciativa de abordagem que foi tomada. Pelo contrário, o conteúdo da conversa que acontece após a abordagem deve ser ameno e delicado. É importante, apenas, não destoar do “normal”, como dizer coisas absurdas ou ofensivas.

A iniciativa de contato é importante por si mesma, independentemente do seu conteúdo, principalmente quando existem bons indícios que o seu motivo principal é o prazer de interagir com a pessoa para quem ela é dirigida.

Boas iniciativas desse tipo enviam mensagens claras para quem a recebeu do tipo:

“Você é importante para mim”

“Faço questão de me aproximar de você”

“Acho importante conversar com você” 

Você está com dificuldade para melhorar seus relacionamentos sociais e amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: Uma versão deste artigo foi publicada no meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 11h35

10/05/2015

A defensividade impede o autoaperfeiçoamento e destrói os relacionamentos

Defensividade é o uso exagerado de defesas para lidar com críticas e reclamações. Essas defesas são apresentadas antes da consideração da pertinência das críticas e das reclamações. A defensividade é uma espécie de “não tolero críticas e reclamações”.

O ouvinte defensivo não quer tomar conhecimento, não tem paciência para ouvir críticas e quer descartar logo, invalidar ou apresentar justificativas que desculpem aquilo que fez e que está sendo criticado.

A defensividade prejudica o defensivo, o queixoso e o relacionamento entre eles. Esses prejuízos acontecem porque o defensivo, ao não examinar a pertinência da reclamação, deixa de corrigir seus comportamentos inapropriados. A defensividade prejudica o queixoso porque torna o defensivo insensível ao ponto de vista e necessidade de quem apresenta as queixas. Quando a defensividade é frequente, ela inviabiliza o relacionamento: não é possível relacionar-se com uma pessoa que se mostra impermeável aos pontos de vista do seu parceiro, que não admite a influência dessa pessoa e nem vai fazer ajustes para melhorar o relacionamento entre elas.

Segundo John Gottman, autor de vários livros e estudos científicos sobre o casamento, a defensividade é um dos "quatro  cavaleiros do apocalipse" do casamento: acontecimentos que indicam o fim desse tipo de  relacionamento (os outros três são o criticismo, o desrespeito e a indiferença).


Acusação cruzada: um tipo de defensividade

A acusação cruzada, nome adotado por John Gottman para este fenômeno, é um tipo de defensividade na qual o defensivo, ao invés de justificar o seu comportamento que está sendo criticado, contra-ataca o crítico: é o contra-ataque como forma de defesa.

Afirmações típicas de contra-ataques:

“Eu fiz isso, mas você também fez aquilo”.

“Eu sou assim, mas você é assado”.

“Eu cheguei atrasado, mas você nunca valoriza quando chego na hora”.

“Eu não sou carinhoso porque você nunca me dá atenção”.

Vejamos uma descrição de uma pessoa defensiva:


Carmem é muito defensiva

Carmem não admite nunca seus erros ou nenhuma falta que possa ter cometido. Ela nunca pede desculpas e, quando ouve alguma reclamação, parte logo para as justificativas e, frequentemente, apresenta alguma contra acusação.

Ela também se defende de qualquer comentário que aponte alguma diferença entre ela e seus interlocutores, mesmo que essa diferença não indique qualquer falha ou imperfeição da sua parte. Ela tem a mania de defender com unhas e dentes a sua maneira de ver e fazer as coisas. Ela se recusa a ver o outro lado das coisas. Qualquer objeção contra ela, suas ações ou afirmações são consideradas como um ataque pessoal e essa objeção é pronta e firmemente combatida.

Carmem não para, nem um segundo, para analisar se aquilo que o interlocutor está reclamando tem alguma chance de ser verdadeiro ou, pelo menos, se é outra forma de ver as coisas.

Seu marido está desistindo de apresentar qualquer reclamação ou crítica para ela. Cada vez mais, ele sente que tem que suportar calado e aceitar, sem qualquer objeção, tudo que ela diz, quer e faz. Qualquer objeção é inútil, frustrante e pode disparar brigas.

Ele está cada vez mais frustrado e desesperançoso. Só lhe resta se tornar indiferente a todos os comportamentos de Carmem que o afetam negativamente. Isolar-se e distanciar-se dela é uma maneira de não se irritar com a sua total incapacidade para aceitar críticas. Adotar essa atitude, no entanto, está fazendo que ele se distancie dela.

Problemas causados pela defensividade

A defensividade exagerada e contínua leva ao afastamento do parceiro e esfriamento do relacionamento.

Defensividade frustra o reclamante

Defensividade impede o defensivo de progredir na solução do problema

Defensividade compromete a imagem do defensivo para o reclamante. É uma pessoa menos admirável

Aceitar tudo também não resolve. São aceitações falsas!


Qualquer relacionamento precisa de correções

Qualquer relacionamento precisa de correções contínuas. Muitas coisas que fazemos afetam negativamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Assim sendo, é inevitável que as pessoas que se relacionam entre si reclamem e tentem corrigir umas às outras. Quando elas aceitam críticas pertinentes, seus relacionamentos vão se tornando cada vez melhores.

Muitas vezes os comportamentos as pessoas tentam corrigir não são diretamente dirigidos a elas, mas sim a outras pessoas ou ao mundo material. Por exemplo, quem gosta de nós tenta nos dizer quando estamos agindo desnecessariamente de modo ofensivo com outras pessoas. Neste caso, as ações ofensivas não são dirigidas a quem tenta nos corrigir. No entanto, como o corretor quer nosso bem, ele tenta nos corrigir para que não soframos consequências negativas desnecessárias advindas do nosso modo inadequado de agir.


É desagradável ouvir críticas

É desagradável quando outras pessoas apontam nossos erros.

Errar significa que não somos suficientemente espertos para ver o que seria correto, que fomos displicentes ou que temos más intenções. Qualquer uma dessas possibilidades é desagradável.

Quando uma pessoa nos corrige, fica implícito que ela percebeu alguma imperfeição em nós e essa percepção pode diminuir sua consideração por nós.


Quando é difícil aceitar críticas

Alguns tipos de críticas ou de críticos são mais difíceis de aceitar.

Geralmente é mais difícil aceitar críticas quando:

- Acreditamos que o crítico não nos aceita como pessoa

- A crítica é voltada para a nossa forma de ser e não para nossos comportamentos

- A crítica é apresentada por pessoas que queremos muito que nos admirem.

- A crítica é apresentada por pessoas que podem impor grandes consequências para nossos erros e acertos

- É muito ameaçador para nós entrar em contato com nossos erros.


Conselhos como forma de crítica

Uma forma de criticar alguém é lhe dar conselhos para mudar sua maneira de agir.

 Um estudo recente encontrou evidências de que a melhor maneira de dar conselhos é fornecer informações ao invés de prescrever soluções. As informações abrem espaço para que o aconselhado participe da análise do seu problema. A prescrição de soluções exclui o aconselhado do processo de encontrar soluções e da decisão de coloca-las em prática. Quando uma solução é prescrita, o aconselhado pode simplesmente acatá-la ou rejeitá-la sem entender direito por que ela foi proposta. Para acatá-la, ele tem que confiar na percepção e capacidade de análise do aconselhador. Isso significa reconhecer que é inferior ao aconselhador para analisar o problema. Nestas circunstâncias, aceitar conselhos rebaixa a autoestima.

O conselho não ameaça a nossa autoestima quando não é depreciativo ser incapaz de tomar um determinado tipo de decisão. Por exemplo, se não somos médicos, não ameaça nossa autoestima não saber diagnosticar uma doença e tratá-la. Neste caso, podemos receber os conselhos médicos sem qualquer ameaça à nossa autoestima ou autoimagem.


Ouvir atenta e profundamente: maneira de agir contrária à defensividade

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário de ouvir defensivamente. O ouvinte defensivo rejeita o que reclamante falou assim que ele termina de falar ou, muitas vezes, até antes que ele termine de falar.

O defensivo não quer dar espaço para o reclamante. Não tem paciência para ouvir a reclamação, não quer entender a reclamação. Quer mesmo é se defender e contestar mais rapidamente possível a reclamação.

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário da defensividade. O ouvinte receptivo mostra sinais que quer entender perfeitamente a reclamação do interlocutor. Esse tipo de ouvinte pede mais detalhes, estimula o reclamante para explorar detalhes da sua reclamação, apoia as emoções que o reclamante vai mostrando enquanto expõe a sua reclamação e vai mostrando receptividade para o que está sendo dito. O ouvinte receptivo quer entender o ponto de vista do reclamante, mesmo quando, depois que entendeu perfeitamente, discorde parcial ou totalmente da reclamação.

Mesmo quando o ouvinte receptivo discorda, após ouvir plenamente a reclamação, essa discordância não pode ser considerada defensiva porque não houve defesa antecipada nem sistemática da reclamação. Neste caso, não houve acolhimento da reclamação porque ela foi examinada com isenção e boa vontade, mas o reclamado não concordou com ela.

Além da irritação provocada pelo motivo da reclamação, a recusa do defensivo para ouvir a reclamação e o ponto de vista do reclamante causa irritação.

Saber que o reclamado está tentando ouvir, que ele está aberto para entender o que fez e para se corrigir tem um grande efeito calmante no reclamante.

Defender-se bloqueia o relacionamento. O reclamante passa a descrer que dá para diminuir as diferenças entre ele e o reclamado que atrapalham o relacionamento.

É irritante se relacionar com alguém que não dá importância para o que estamos dizendo, que não aceita e nem considera o nosso ponto de vista.

A defensividade está prejudicando o seu relacionamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 08h35

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.