Blog do Ailton Amélio

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15/04/2014

O seu relacionamento é desvitalizador?

Veja como Letícia foi desvitalizada por Felipe

Letícia era muito alegre e expansiva. Tinha muita facilidade para fazer amigos, adorava encontros sociais, ia a muitos shows, estava sempre em festas e participava de muitos happy hours com os colegas da sua firma.

Ai, ela conheceu Felipe. Felipe foi atraído pela vitalidade social e alegria de viver de Letícia. No entanto, ele era mais retraído do que ela, muito ciumento e possessivo. Assim que passou aquela fase inicial na qual o novo parceiro faz de tudo para agradar e conquistar aquela que parecer ser a sua cara metade, ele foi manifestando seu desconforto com as amizades e os programas sociais de Letícia. Ficava amuado quando ela dizia que ia sair como com os amigos, odiava quando ela dizia que ia a um happy hour com os colegas de trabalho e ficava muito enciumado quando observava que ela estava se divertindo muito durante uma conversa com amigos.

Felipe também não era nutritivo para Letícia. Ele sempre queria ser o cento das atenções. As conversas entre eles tinham que tratar, quase que exclusivamente, dos assuntos de Felipe. Era ele quem tomava as principais decisões do casal.

Quando contrariado, ele era muito crítico, atacava a personalidade de Letícia e passava um longo tempo sem falar com ela. Além disso, ele quase nunca a elogiava. Ele agia assim porque se sentia ameaçado pelo sucesso profissional dela.

Depois de um período de resistência, Letícia foi gradualmente deixando de comparecer às reuniões sociais, foi restringindo suas amizades e deixando de comentar com Felipe sobre suas realizações profissionais. Ela foi se desvitalizando e, por isso, Felipe foi deixando de achá-la interessante e de admirá-la. Agora ele estava começando a se interessar por outras mulheres.


Pessoas que contribuem para a expansão dos nossos limites psicológicos

Segundo a teoria da expansão do eu, nos apaixonamos por aquela pessoa que tem alguma característica que admiramos e que não temos, (leia mais sobre esta teoria – veja o artigo citado na Nota 1, no final desta postagem). A associação com essa pessoa geraria uma oportunidade para recebermos a sua influência e, assim, desenvolvemos a característica admirada ou, simplesmente, adquirimos essa característica quando formamos uma unidade com a pessoa que a possui.

Algumas pessoas ajudam a expandir os nossos limites psicológicos: quando nos associamos a elas, crescemos e expandimos os nossos horizontes psicológicos: descobrimos que somos mais capazes do que imaginávamos, vamos até onde imaginávamos que não tínhamos condições de ir, progredimos na carreira, aprendemos a aproveitar melhor a vida, diminuímos as nossas inibições, melhoramos a nossa autoestima, ampliamos nossos círculos sociais, etc. Em resumo, nos tornamos pessoas mais evoluídas do éramos antes dessa associação. Quem não se apaixonaria por uma pessoa assim?


Pessoas que contribuem para a retração dos nossos limites psicológicos

A associação com certas pessoas contribui para a retração dos nossos horizontes e provoca um retrocesso no nosso crescimento psicológico. Geralmente evitamos essas pessoas e não nos associamos com elas.

Mas as coisas não são tão simples assim. Geralmente as pessoas não mostram como são assim que as conhecemos. Pelo contrário: no início dos relacionamentos, as pessoas se esforçam para serem legais, mostram apenas suas melhores qualidades e escondem seus defeitos. Por esses motivos, podemos iniciar um relacionamento com alguém que parecer ser nutritivo para nós e, realmente, no começo do relacionamento tal pessoa é assim. Depois que o relacionamento já está estabelecido e vários tipos de vínculos já foram formados (econômicos, sociais, planos de vida, etc.), essas pessoas mostram como realmente são ou se transformam em pessoas bem diferentes daquelas que incialmente conhecíamos.

Para ser justo, em muitos casos não foram os nossos parceiros que mostraram outro jeito de ser ou se transformaram sozinhos em outras pessoas assim que o relacionamento se estabilizou. O que acontece muitas vezes é que a combinação das características dos nossos parceiros com as nossas ou a ocorrência de fatos graves (falecimentos, doenças, insucesso econômico, sérios problemas psicológicos, etc.) faz que tanto eles como nós mudemos e tais mudanças tornaram tal combinação nada nutritiva. Ou seja, ambos os parceiros contribuem para que um relacionamento se torne vitalizador ou desvitalizador.


Pessoas que foram desvitalizadas pelos seus parceiros

Atendo no meu consultório muitas pessoas desvitalizadas. Verdadeiras zumbis ou  mortas-vivas. São pessoas sem energia, apáticas, que perderam a alegria de viver, que perderam a ousadia, que mais reagem do que agem. Isso faz que elas se tornem chatas e sem novidades.

Existem muitos motivos para este tipo de desvitalização: doenças físicas (hipotireoidismo, anemia, etc.), doenças psicológicas (depressão, timidez excessiva, baixa autoestima, etc.) e um relacionamento desvitalizador. Este relacionamento pode ter acontecido ou estar acontecendo com os pais, com os amigos e com o parceiro amoroso.

Essa desvitalização é mais grave, ou está em um estágio mais avançado, quando o desvitalizado já não sabe mais o que quer ou o que sente e acha errado tentar se firmar. Quando isso acontece, a sua autopercepção já está atrofiada e ele já se rendeu aos desejos do desvitalizador! Neste caso, um bom trabalho terapêutico pode ser necessário para reverter esse estado.


Pessoas frágeis se desvitalizaram sozinhas

A desvitalização de certas pessoas não foi provocada por seus parceiros, mas sim por elas próprias. Essas pessoas já eram muito frágeis quando o relacionamento começou e, por isso, acabaram se desnutrindo psicologicamente, apesar de seus parceiros serem razoavelmente nutritivos. Essas pessoas são exageradamente inseguras e sensíveis à rejeição, precisam de aprovação do parceiro para tudo. Pior ainda, são aquelas pessoas que imaginam as reações negativas que o parceiro poderia ter a tudo que elas fazem ou deixam de fazer. Imaginam e imediatamente tentam evitar ações que supostamente seriam condenadas, mesmo antes que o parceiro se manifeste negativamente, o que talvez nunca aconteça. Neste caso, o parceiro não é o desvitalizador, mas sim, as imaginações dessas pessoas frágeis. Estas pessoas só não se desvitalizam gravemente quando encontram parceiros muito maternais que vivem sempre tentando colocá-las para cima.

Você está em um relacionamento desvitalizador? Você é desvitalizador para o seu parceiro? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

1 - Amelio, A.  Expansão do eu: escolha de parceiros, consquista amorosa e relacionamento feliz. 

http://ailtonamelio.blog.uol.com.br/arch2013-11-01_2013-11-30.html

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Por Ailton Amélio às 08h25

07/04/2014

Erotofilia ou erotofobia: você gosta ou teme o sexo?

O sexo pode provocar reações que variam desde um grau extremo de aversão (grau extremo de “erotofobia”) passando por um ponto neutro e chegando até um grau extremo de atração (grau extremo de “erotofilia”).

Os diversos graus de erotofilia e erotofobia de uma pessoa podem ser identificados através de várias das suas atitudes, valores e comportamentos. Por exemplo, os erotofóbicos têm maior propensão para o autoritarismo, apresentam papéis sexuais mais tradicionais, sentem mais culpa quando se envolvem em certas práticas sexuais e têm mais preconceito contra os homossexuais do que os erotófilos. Os erotófilos tendem a se masturbar, a desenvolver fantasias sexuais e a pensar em sexo com mais frequência do que os erotofóbicos. Os erotófilos também iniciam a vida sexual cedo e têm um maior número de parceiros sexuais do que os erotofóbicos. Os erotófilos também tomam mais cuidados com a saúde na área sexual (fazem mais exames preventivos, por exemplo). (Veja mais detalhes no artigo de William A. Fisher e colaboradores – a citação completa é fornecida na Nota 1, no final deste artigo).

O grau de erotofilia pode ser aumentado

William A. Fisher e colaboradores também afirmam que as atitudes quanto ao sexo são em grande parte aprendidas: aqueles indivíduos que foram criados por pessoas que tinham uma atitude positiva e natural quanto ao sexo são aquelas que mais gostam de sexo. Por outro lado, pessoas que foram criadas em um meio repressor, que tiveram uma forte educação religiosa ou que sofreram traumas na área sexual têm mais chance de terem se tornado  erotofóbicos (por exemplo, estas pessoas podem evitar o sexo, falar de sexo e encontros amorosos que aumentem a probabilidade de atividades sexuais) ou, pelo menos, um baixo grau de erotofilia.

O gosto de sexo por sexo pode ser desenvolvido e até superdesenvolvido posteriormente, na idade adulta, como acontece, por exemplo, com aquelas pessoas que se viciaram em sexo. Já entrevistei e atendi muitas pessoas que até certa idade não gostavam de sexo e ai aconteceu algo que despertou seus gostos neste setor. Por exemplo, algumas delas começaram a namorar um parceiro que tinha uma ótima atitude e muito gosto por sexo e que lhes serviu de modelo, incentivador e professor neste setor. A terapia sexual pode ser necessária para aqueles que desenvolveram erotofobia ou para aqueles que têm fortes inibições sexuais e querem aumentar seus graus de erotofilia. Vamos examinar agora um pouco a resposta sexual humana e o desejo sexual para que possamos entender melhor a erotofilia e a erotofobia.

A resposta sexual humana

Um episódio sexual completo e bem sucedido passa por quatro fases: desejo (fantasias acerca da atividade sexual e desejo de ter atividade sexual), excitação (sentimento de prazer e alterações fisiológicas concomitantes. A excitação consiste, por exemplo, na ereção peniana e na lubrificação e na expansão da vagina), orgasmo (clímax sexual, com liberação da tensão sexual e contração rítmica dos músculos do períneo) e resolução (sensação de relaxamento muscular e bem-estar geral). (Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Sexuais – 4a. Edição, pp. 467 - 468).Em seguida vamos abordar mais detalhadamente a primeira destas fases – o desejo sexual.

Determinantes do desejo sexual

Stephen B. Levine, professor da Case Western Reserve University School of Medicine, apresentou uma teoria que ajuda muito a entender o desejo sexual. Segundo este autor, o desejo tem três componentes positivos (aumentam o desejo) -  o impulso, a motivação e o querer - e um negativo (diminui o desejo), os inibidores sexuais . Vamos apresentar agora um resumo desta teoria.

O impulso sexual

O impulso é o componente biológico do desejo. A sua intensidade aumenta à medida que vai passando o tempo desde o último orgasmo. Funciona de forma semelhante à fome: no momento em que há ingestão suficiente de comida, ela é saciada. À medida que vai passando o tempo desde a última refeição, ela vai aumentando novamente. Outros fatores também afetam a fome: a energia gasta (por exemplo, atividades físicas e das tensões psicológicas queimam mais energia e aumentam a fome), a velocidade do metabolismo e o tipo de alimento ingerido na última refeição. Algo semelhante ocorre com o impulso sexual: quando acontece um bom encontro sexual, ele fica temporariamente saciado. À medida que vai passando o tempo após este encontro, a intensidade do desejo vai aumentando novamente.

A intensidade do impulso sexual está relacionada com a quantidade de hormônios sexuais que é produzida pelo organismo. A produção de hormônios sexuais é mínima na infância, atinge o ápice na adolescência, permanece alta até mais ou menos aos quarenta anos e, então, começa a diminuir lentamente. Devido à saturação destes hormônios, os adolescentes, principalmente os homens, são tomados por uma espécie de furor sexual: eles pensam muito em sexo, masturbam-se frequentemente, interessam por pornografia, querem transar com quase tudo que lembre os objetos sexuais de seus interesses. A partir desta idade, a quantidade de hormônios sexuais começa a diminuir. No entanto, felizmente, o desempenho sexual não decresce proporcionalmente à idade ou ao nível hormonal. Esta ausência de proporção acontece devido às contribuições independentes dos outros três componentes do desejo sexual – a motivação, o querer e as inibições.

A motivação

A motivação pode ser comparada ao apetite pela comida. Quando a comida é boa, atraente e gostosa, aumenta a nossa vontade de comer e tendemos a comer mais do que comeríamos caso a comida fosse menos atraente. No caso do apetite sexual, contribui muito o fato de amarmos o parceiro, dele ser bonito e se comportar de uma forma sensual. Diversos outros fatores também ajudam a aumentar o desejo. Por exemplo, estar livre de preocupações e se encontrar com o parceiro em um ambiente apropriado e seguro para sexo pode contribuir para que o desejo se manifeste mais livre e intensamente. Uma das coisas que mais provoca o desejo é a manifestação de desejo por parte do parceiro.

Muitas pessoas também aprendem a “pegar carona” em excitações produzidas por outros acontecimentos que, em si, nada têm de sexual ou erótico. Várias das alterações fisiológicas que são produzidas por estes fenômenos são do mesmo tipo produzido pela excitação sexual e, por isso, podem ser capitalizados para aumentar esta excitação. Por exemplo, transar em locais onde haja o risco de ser flagrado por outras pessoas (elevadores, vestiários de lojas, praia) pode aumentar o ritmo cardíaco e a adrenalina no sangue. Essas alterações também são produzidas pela atividade sexual. Como não dá para distinguir as origens destas alterações, fica mais fácil atribuir tudo à excitação sexual. Por este motivo, algumas pessoas procuram fazer ou dizer coisas “proibidas” ou arriscadas para aumentar seus desejos e excitações.

O querer

O querer é a parte racional do desejo. A analogia com a ingestão de alimentos continua útil aqui: podemos comer algo porque sabemos que faz bem, mesmo quando não estamos com fome e não gostemos daquele alimento. No caso do sexo, podemos transar porque queremos contentar a parceira, porque achamos que é nosso dever conjugal ou para que a parceira “não procure em outro lugar o que está faltando em casa”.

“Pegar no tranco”

Muitas vezes o sexo é iniciado sem desejo ou com pouco desejo, mas o desejo surge durante as práticas sexuais. Este desejo surge ou é aumentado tanto pela estimulação das zonas erógenas como pelas propriedades excitatórias das práticas sexuais (por exemplo, ver os sinais de excitação do parceiro e provocá-lo pode excitar muito certas pessoas). Uma pessoa que conheço deu o nome para o desejo que só depois que as atividades sexuais já começaram “pegar no tranco”. Esta expressão é mais comumente usada quando um carro não pega pelo acionamento da partida, mas só quando é empurrado. Neste caso, o condutor engata uma segunda, o carro é empurrado e quando ganha velocidade, o condutor tira abruptamente o pé da embreagem. Nesta hora o carro dá um tranco e pode pegar. No sexo, esta via para o nascimento do desejo pode ser utilizada de vez em quando como, por exemplo, quando um dos parceiros está dormindo e o outro começa a estimulá-lo sexualmente. No entanto, nunca sentir desejo pelo parceiro sem este tipo de provocação sensorial é um sinal de que ele não é um bom objeto de desejo.

A inibição Sexual

O sexo é carregado de significados em todas as culturas. A sua prática é regulada por normas determinadas principalmente pela religião e pela moral e, muitas vezes pela legislação. Por exemplo, existem leis que determinam quais são as práticas ou tipos de parceiros que são “legais” ou “ilegais” (sedução de menores, assédio, etc.) e passíveis de sanções penais. As pessoas são educadas para sentir culpa, vergonha e outros tipos de desconforto quando o sexo não é praticado segundo as normas aceitáveis pela sociedade.

Poucas pessoas podem afirmar que não têm nenhuma inibição para falar de sexo e para expressar o que sentem, desejam ou não desejam durante a prática sexual. Essas normas também são uma das razões pelas quais muitas pessoas só ficam à vontade para praticar sexo no escuro.

Aumentando o grau de erotofilia

O grau de erotofilia varia muito entre as pessoas. Algumas das causas dessa variação não são psicológicas como, por exemplo, a idade, as doenças crônicas e certos medicamentos.  Outro grupo de causas do baixo grau de erotofilia também não é de origem psicológica, mas depende de motivações psicológicas para que possa ser alterado como, por exemplo, o estresse a exaustão pelo trabalho excessivo e tenso.

Embora os dois grupos de causas acima possam eventualmente ser os mais importantes, geralmente eles não são os principais determinantes da erotofilia ou erotofobia. Os maiores determinantes da erotofilia ou da erotofobia são as atitudes e valores diante das práticas sexuais e as experiências que propiciam o autoconhecimento na área sexual e as habilidades para obter e fornecer prazer.

 Você gosta pouco de sexo? Você teme o sexo? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS

1- Fisher, WA, Byrne, D., White, LA, & Kelley, K. (1988). Erotofobia-erotofilia como uma dimensão da personalidade. Journal of Sex Research, 25, 123-151. Link para um resumo desse artigo: http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00224498809551448#.U0Fo9fldVMQ

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Por Ailton Amélio às 08h43

01/04/2014

Maneiras de identificar a mentira

A mentira pode ser identifica através de tecnologias como o polígrafo (“detector de mentiras”) e aparelhos para medir a frequência da voz, através de comportamentos, através do conteúdo da fala (por exemplo, contradições entre o que uma pessoa diz em um dado momento e outras fontes de comparação sobre o que ela disse), através da forma como as coisas são ditas (alterações nas pausas, na frequência da sua voz, etc.)  e através de rastros que o mentiroso deixa (contas telefônicas, gastos no cartão de crédito, etc.).

O polígrafo mede alterações fisiológicas que geralmente acontecem quando as pessoas mentem: alterações em ondas cerebrais, ritmo cardíaco, pressão sanguínea, resistência da pele à passagem de corrente elétrica.

Quatro maneiras de mentir

Segundo Paul Ekman, o maior estudioso da atualidade das expressões faciais, a verdade pode ser falseada de quatro maneiras:

- Omitir:  Deixar de relatar informações comprometedoras. Uma alegação costumeira para justificar essas omissões é afirmar: “Você não perguntou. Por isso, eu não disse nada”.

- Acentuar. Por exemplo, cumprimentar alguém mais efusivamente do que faria se agisse verdadeiramente. Outro exemplo: dar um belo presente para a esposa, por ocasião da data de início de namoro, para fingir que está muito envolvido com ela, com a finalidade de evitar que ela desconfie que o marido presenteador a está traindo.

- Atenuar. Por exemplo, segurar boa parte da irritação e indignação que sentiu pelo chefe quando ele escalou você para trabalhar entre o Natal e o dia de ano.

- Simular: Por exemplo, simular alegria com a promoção de um colega que foi promovido sem merecer e de quem você não gosta.


Pistas que indicam a mentira

Conteúdo da fala

O conteúdo da fala pode apresentar muitas pistas que indicam que uma mentira está ocorrendo. As principais dessas pistas são as seguintes:

- Contradições.

Existem três tipos de contradições que são indícios de mentira: (1) contradição com os fatos (por exemplo, você passa em frente a casa do seu namorado e verifica que o seu carro não está na garagem. O seu namorado, no entanto, afirma que ficou o tempo todo em casa). Muita gente guarda uma informação confiável sobre um fato e questiona o suspeito para ver se ele fará afirmações que contrariam tal informação, ou seja, se ele mente sobre o fato. Se ele for pego em uma mentira, isso é um indício que está escondendo mais coisas. No caso do namorado que nega que saiu de casa, a sua mentira pode indicar que ele fez coisas que não quer confessar no tempo que esteve fora; (2) contradição com declarações de outras pessoas. Por exemplo, o seu funcionário afirma que fez uma entrega, mas o seu cliente afirma que não a recebeu e (3) contradição com o que a própria pessoa disse antes. Por exemplo, o seu marido afirmou no começo da conversa que havia almoçado com um amigo que você conhece. Quando você lhe disse que ia conferir com o amigo, ele afirmou que, de fato, almoçou com um cliente que também é amigo dele e que foi isso que ele quis dizer.

A polícia usa muito esses três tipos de contradições como evidências que indicam que as declarações de um suspeito são falsas. Por exemplo, um policial interroga o suspeito por muito tempo sobre um acontecimento. Depois refaz o interrogatório. Quando a pessoa inventou muita coisa no primeiro interrogatório, é muito difícil que ela relembre de tudo que falou anteriormente quando é reinterrogada. Ai ela cai em contradição. Outro tipo de contradição é aquele que acontece entre aquilo que a pessoa diz e as declarações de outras pessoas. Por exemplo, o suspeito diz que estava trabalhando na hora do crime, mas os colegas testemunham que ele estava ausente nesse horário. Neste caso, os interrogadores podem realizar uma "acareação": promover um debate face a face entre aqueles que estão se contradizendo).Outro exemplo: contradição entre as declarações do suspeito de que ele estava em um determinado local e as gravações de vídeo do estacionamento do prédio mostram que ele saiu antes daquele horário e só voltou muito tempo depois.

Gastar tempo demais pensando para responder quando deveria ter a resposta pronta.

Por exemplo, você pergunta para o seu filho se ele foi à aula ontem. Ele dá uma enrolada antes de responder. Ele age como se estivesse pensando: “Se fui à aula ontem?” (Repetir a pergunta é uma maneira de ganhar tempo). “Por que você está perguntando?”

- Oferecimento exagerado de detalhes.

Quem está mentindo geralmente exagera na apresentação de detalhes. A finalidade deste tipo de exagero é tentar dar um ar de veracidade para o que está relatando.

Sinais não verbais de mentira

Existem dois tipos de sinais não verbais que podem indicar a mentira:

(1) Sinais produzidos pelo medo de ser pego e pelo desconforto provocado por estar mentindo (muita gente mente sem sentir esse tipo de desconforto) e (2) vazamentos de sinais que indicam qual seria a verdade que está sendo escondida.

Geralmente esses dois tipos de sinais são mais facilmente identificados através da paralinguagem (pode ser definida aqui, grosso modo, como a forma como a pessoa diz algo) e das expressões faciais.

A identificação da mentira através desses dois tipos de sinais, quando é realizada por pessoas treinadas para esta finalidade, atinge maiores índices de acerto do que aqueles que são obtidos através do uso do polígrafo.

Alguns sinais não verbais de mentira são os seguintes:

- A voz se torna mais fina e menos modulada.

- A face mostra sinais de tensão e medo.

- A face mostra expressões micromomentâneas (expressões que duram frações de segundos e que mostram as verdadeiras emoções que estão sendo escondidas).

- A gesticulação que acompanha a fala diminui de frequência e amplitude em relação a aquela que acompanha a fala quando a mesma pessoa está dizendo a verdade.

- Olhar mais tempo ou olhar menos tempo nos olhos do que quando está falando a verdade (os “maquiavélicos” olham mais nos olhos quando mentem. As pessoas comuns olham menos).

Vamos apresentar agora, como exemplo, algumas pistas que indicam que está havendo traição amorosa.

Mentiras para ocultar a traição amorosa

 No meu consultório, um dos tipos de mentira que mais afeta a vida dos pacientes é aquele que visa esconder  a traição amorosa.

A traição é uma das três principais causas da dissolução do relacionamento amoroso (as outras duas são o esvaziamento e as brigas frequentes e intensas). Quem está traindo geralmente lança mão de diversos tipos de mentira como, por exemplo: (1) omitir que está tendo outro relacionamento, (2) explicações mentirosas sobre onde esteve e com quem esteve; (3) mentiras sobre as causas das alterações nos próprios comportamentos (por exemplo, alegar que está muito tenso devido a problemas no trabalho para justificar as alterações na frequência e na qualidade das relações sexuais e as alterações na afetividade demonstradas para companheira que está traindo); (4) quando descoberta a traição mentir para diminuir sua gravidade. Por exemplo, mentir sobre a natureza do relacionamento com a amante. Dizer que as traições ocorreram menos vezes do que de fato aconteceu e que “era só sexo”, quando, de fato, havia envolvimento amoroso.

A identificação de mentiras para ocultar traições amorosas envolve o exame de diversos tipos de pistas. Algumas delas são as seguintes:

Comportamentais

            Além das expressões faciais e das vocalizações, outros tipos de alterações nos comportamentos não verbais podem ser evidências de mentiras relativas à traição. As principais dessas alterações são as seguintes:

- Deixar de mencionar ou mencionar demais alguém

- Ouvir o parceiro usando voz de flerte no telefone

- Alterações na afetividade. Por exemplo, ficar mais ou menos carinhoso do que o usual

- Alterações na sexualidade. Por exemplo, diminuir ou aumentar significativamente as manifestações de desejo sexual.

Rastros

Quem trai geralmente deixa rastros. Quem deixou esses rastros vai ter que explicá-los quando eles são encontrados e poderão tentar mentir quando eles forem evidência de traição. Esses rastros também poderão contradizer alguma mentira do traidor (uma conta de motel, por exemplo, contradiz a sua explicação anterior de que naquelas horas ele estava no trabalho). Alguns desses rastros são os seguintes:

- Bilhetes comprometedores recebidos

- Odores diferentes na roupa

- Contas de restaurantes e motéis

- Horas desaparecidas

- Mudanças nos horários que fica fora de casa ou no trabalho

Nenhuma das pistas acima é suficiente para afirmar que está havendo mentira. Sempre pode haver outra explicação para a presença da pista. Muitas vezes, a mentira que está ocorrendo pode ter um motivo que você não imagina (por exemplo, muitos homens omitem que foram almoçar com uma amiga, não porque esteja havendo traição, mas sim porque suas esposas têm muito ciúmes dessa amiga). Quanto mais pistas, maior a probabilidade que a mentira esteja ocorrendo.

Problemas com mentiras? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h08

29/03/2014

Dia da Mentira está chegando: você já mentiu muito hoje?

O dia da mentira está ai. Neste dia, tentaremos pregar peças nos nossos conhecidos com a finalidade de nos divertimos. Este é um uso da mentira que é relativamente inócuo, mas nem sempre ele é tão inócuo assim. Por exemplo, a mentira pregada por Orson Wells nos americanos em 31/10/1938, ao divulgar no rádio que eles estavam sendo invadidos pelos marcianos, provocou muitos danos naqueles que acreditaram que esta invasão realmente estava acontecendo!


Definição da mentira

Uma definição da mentira que geralmente é aceita pelos seus estudiosos dessa área é a seguinte: “A mentira é a tentativa de enganar o interlocutor através da comunicação de algo que o mentiroso sabe que não é verdade ”.

Essa regra não se aplica, portanto, a aqueles casos onde tanto quem comunica a inverdade como aquele que recebe a comunicação compartilham o conhecimento de que ela não é verdadeira e não há tentativa de enganar, mas sim, de representar papéis e entreter ou divertir.

As inverdades consensuais e certas mentiras são inevitáveis

É possível viver sem apresentar inverdades consensuais ou mentir? Certamente isso não é possível. Os filmes O Mentiroso (estrelado por Jim Carrey) e Um dia um Gato (filme checo, de 1963, dirigido por Vojtech Jasny) mostram o que acontece nos relacionamentos quando as pessoas expressam tudo o que sentem e pensam: um desastre total.

Uma dose de veracidade é necessária e saudável

Por outro lado, quem não expressa o que se passa consigo com um grau mínimo de veracidade não vive, mas apenas representa, e pode ter sérios prejuízos para a sua saúde física e psicológica. Por exemplo, as pessoas que não são assertivas (não agem e não expressam aquilo que sentem e pensam) têm baixa autoestima, maior propensão para a depressão e uma forte sensação de não estar conectado à vida.

Classificações das mentiras

Existem muitas classificações das mentiras (criminosa, branca, manipuladora, etc.) e dos mentirosos (compulsivos, contumazes, patológicos, etc.).

Creio que é bastante útil classificarmos as inverdades como “inverdade consensual”, “mentira” ou “inverdade mista”. A inverdade consensual é aquela onde a alteração da verdade é do conhecimento de todas as partes. Isso acontece, por exemplo, no teatro e no cinema. A mentira é acontece quando o autor da inverdade ou da omissão está tentando enganar o seu interlocutor. Isso acontece, por exemplo, quando uma pessoa é casada, mas está informando a outra que é solteira porque esta informação ajuda o mentiroso a ser aceito como parceiro amoroso da pessoa que ele está enganando. Muitas inverdades são mistas porque contêm certa dose de inverdade consensual e certa dose de mentira.

Neste artigo vamos abordar esses três tipos de inverdades.

Quatro maneiras de falsear a verdade

Segundo Paul Ekman, o maior estudioso da atualidade das expressões faciais, a verdade pode ser falseada de quatro maneiras:

- Omitir:  (agir como se nada estivesse acontecendo)

- Acentuar. Por exemplo, cumprimentar alguém mais efusivamente do que faria se agisse verdadeiramente.

- Atenuar: por exemplo, segurar boa parte da irritação e indignação que sentiu pelo chefe quando ele escalou você para trabalhar entre o Natal e o dia de ano.

- Simular: simular alegria com a promoção de um colega que foi promovido sem merecer e de quem você não gosta.

Funções das mentiras

Alguns dos principais motivos que levam as pessoas a mentir são os seguintes:

- Evitar problemas.

- Preservar a reputação.

- Não prejudicar ou provocar desconforto em outras pessoas.

- Melhorar o próprio status ou reputação.

- Manipular. Levar o interlocutor a se portar de uma determinada forma.

- Obter vantagens e evitar desvantagens. Não permitir que certas informações sejam divulgadas ou divulgar informações falsas

Vamos examinar agora, mais detalhadamente, algumas dessas funções.

Inverdades consensuais e mentiras para melhorar a imagem que projetamos para outras pessoas

É intrigante como quase nunca nos mostramos como realmente somos para as outras pessoas. Queremos ser bem avaliados. Por isso, procuramos melhorar um pouco a forma como somos. Omitimos ou atenuamos os nossos déficits, ostentamos e ampliamos os nossos méritos. Por exemplo, quando vamos procurar um emprego ou participamos de uma campanha eleitoral, planejamos cuidadosamente o nosso vestuário, a forma como nos portamos, o que dizemos e o que omitimos. Tudo isso para “melhorar” a forma como somos avaliados e “criar uma boa impressão”.

Por exemplo, a nossa aparência é cuidadosamente alterada para melhorar vários dos nossos atributos: idade, peso, altura e imperfeições corporais. Calculamos cuidadosamente aquilo que comunicamos para projetar uma imagem pessoal melhorada, para não causar desconfortos no interlocutor e para produzir efeitos que desejamos.

Erving Goffman, no seu livro clássico “Representação do Eu na Vida Cotidiana” (Editora Vozes), compara a vida social com o teatro: procuramos mostrar para as outras pessoas que estão na plateia um espetáculo o mais atraente possível e escondemos nos bastidores todas as tranqueiras. Raras pessoas têm acesso a esses bastidores. Quando convivemos com alguém por muito tempo e em muitas situações fica muito difícil não deixá-la dar uma olhada em vários cômodos desses bastidores.

Mentiras para ser aceito pelo parceiro nos sites de relacionamento

As mentiras mais apresentadas por homens e mulheres nos sites de relacionamento são as seguintes:

- Idade: as mulheres mais velhas tendem a diminuir a idade. Os homens geralmente preferem mulheres mais novas do que eles próprios.

- Estado civil: mais homens do que mulheres falseiam esta informação. Geralmente são os homens já comprometidos que mentem que são descomprometidos para seduzir mulheres e fazer sexo com elas. Eles não seriam aceitos se revelassem que são comprometidos.

- Filhos. Geralmente são as mulheres que mentem mais. Como geralmente são elas que ficam com a guarda do filho quando se separam, isso atrapalha mais elas do que eles na hora de iniciar um novo relacionamento.

- Características físicas. As mulheres geralmente falseiam mais informações sobre seus atributos físicos. Os homens, no entanto, aumentam as suas alturas e diminuem seus pesos quando estão muito acima ou abaixo de desejado

- Situação financeira. Mais homens do que mulheres fornecem informações falsas sobre suas situações financeiras. Os homens “melhoram” os seus rendimentos.

Mentiras contadas por aqueles que estão traindo

A traição é uma das três principais causas da dissolução do relacionamento amoroso (as outras duas são o esvaziamento e as brigas frequentes e intensas). Quem está traindo geralmente lança mão de diversos tipos de mentira como, por exemplo: (1) omitir que está tendo outro relacionamento, (2) explicações mentirosas sobre onde esteve e com quem esteve, (3) mentiras sobre as causas de alterações de comportamentos (porque alterou a frequência e qualidade das relações sexuais e as alterações na afetividade), (4) mentiras sobre a natureza do relacionamento com a amante quando foi descoberto (tentar mostrar que é algo mais leve e passageiro do que realmente foi).

Inverdades e mentiras que aparecem nas conversas

Edição promotora ou restritora de aspectos da conversa

Quase tudo que falamos em uma conversa passa por um processo de edição. Nem tudo aquilo que está sendo sentido ou pensado é expresso na conversa e nem tudo que é expresso está sendo sentido ou pensado. Censuramos, cortamos, adaptamos, formatamos e fabricamos uma boa parte daquilo que falamos.

As edições de conversas podem ser classificadas como promotoras ou restritoras. A edição promotora é aquela que adiciona coisas à conversa. Por exemplo, as regras da polidez podem pressionar para que uma conversa indesejada seja iniciada, certos temas sejam abordados, coisas específicas sobre o tema sejam ditas e determinadas formas e durações de cada parte da conversa sejam adotadas. A edição restritora é aquela que subtrai ou disfarça aspectos da conversa. Ela pode, por exemplo, pode provocar a evitação de uma conversa, de um tema ou de uma forma de conversar. Muitas vezes, uma combinação de edições promotoras e restritivas promove a adoção de formas evasivas e indiretas de apresentar e abreviar assuntos tais como o disfarce (agenda oculta, alusão)

Componentes da conversa que podem ser editados

Geralmente todos os componentes de uma conversa sofrem algum tipo de edição. Os principais componentes editados são os seguintes:

- O grau de interesse em participar da conversa.

- O grau de interesse nos assuntos da conversa.

- A posição pessoal em relação a cada tema e aspectos do tema que está sendo tratado na conversa.

- Profundidade / extensão e detalhamento que gostaria de tratar de cada tema e tópico da conversa

- A forma como a conversa transcorre

Você tem problemas com a mentira? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 14h13

24/03/2014

Você sabe flertar a distância e durante a conversa?

Minha primeira pesquisa na área do relacionamento amoroso foi a respeito do flerte. Nesse estudo, observei muitos flertes em praças públicas, saídas de colégio e shoppings. Apresento em seguida o relato de um dos episódios de flerte que registrei naquela ocasião (esta descrição foi apresentada originalmente no meu livro “O Mapa do Amor”).

Ambos estão em pé. A distância entre eles é pequena. Estão posicionados frente a frente. Eles só têm olhos um para o outro: quase não dão atenção ao que está acontecendo no ambiente ao redor. Falam alto e continuamente. Suas vozes são cheias de vibrações e são entremeadas por muitos risos e sorrisos. Cada um deles parece estar bastante envolvido com a própria fala: quem fala acompanha o que está dizendo com largos movimentos dos braços, da cabeça e do corpo. Eles também parecem estar bastante envolvidos com o que o outro está falando: apresentam muitas expressões faciais em reação ao que o outro está dizendo (usam frequentemente o riso de boca aberta), reagem com o corpo todo ao que o outro está dizendo (arqueiam e contorcem o corpo enquanto riem em reação ao que o outro disse; anuem bastante com a cabeça, etc.). De vez em quando, o rapaz tenta abraçar a moça pela cintura. Estas tentativas não deixam dúvida quanto às suas intenções amorosas. Estes abraços, no entanto, duram pouco tempo porque ela logo se desvencilha deles. Parece que ela considera este gesto ousado demais para o estágio atual do flerte. Ela, no entanto, mostra que está sentindo prazer com essas tentativas de abraço. Aparentemente essas tentativas são uma fonte de conflito para ela: por um lado, são ousadas demais e, por outro, são lisonjeiras, prazerosas e excitantes.

Vamos examinar agora dois dos principais tipos de flerte que ocorrem nos encontros face a face.

Dois tipos de flerte

O flerte pode ocorrer à distância, de forma silenciosa, ou durante a conversa. Quando duas pessoas já conversaram anteriormente, o mais comum é que elas, ao se avistarem, se aproximem, iniciem uma nova conversa e flertem enquanto conversam. O flerte à distância geralmente ocorre entre desconhecidos. Após alguns episódios de flerte à distância pode acontecer uma abordagem e, em seguida, o flerte passa a ocorrer durante a conversa.

Flerte à distância seguido de abordagem

Este tipo de flerte geralmente ocorre em “paqueródromos” (locais especializados em paqueras: boates, danceterias e outros pontos de encontro de pessoas interessadas em flertar). Ao contrário do que muita gente acredita, o flerte seguido de abordagem raramente ocorre em lugares não especializados como supermercados, ruas da cidade, restaurantes e cinemas. O que muitas vezes ocorre nestes lugares é um flerte leve, sem a abordagem subsequente.

O sucesso do flerte em um paqueródromo depende da aparência pessoal, do tipo de uso do local e das iniciativas de contato. A aparência é muito importante nestas circunstâncias porque ela é quase tudo que pessoas desconhecidas entre si, que lá se encontram, possuem para avaliar os outros frequentadores. Saber usar estes locais é decisivo para iniciar com sucesso um encontro amoroso. Por exemplo, quem passa a noite em uma mesa escondida lá no fundo do salão e senta-se de costas para a região onde as coisas acontecem vai ter muito menos chance de flertar do que aqueles que se postam perto das passagens para o toalete, passagem para o bar e perto da pista de dança. Quem se senta nesses locais tem visibilidade daqueles que transitam por ali e pode trocar olhares com essas pessoas. A maneira de se portar, principalmente as iniciativas de contato, talvez seja o fator mais importante que determina o sucesso para iniciar um relacionamento amoroso neste tipo de local. Por exemplo, aqueles que circulam pelo local e vão observando, fazendo contatos de olhos, sorrindo e cumprimentando outras pessoas que dão sinais de receptividade para suas iniciativas de contato têm muito mais chances de iniciar relacionamentos amorosos.

Flerte durante a conversa

Este tipo de flerte é, praticamente, um estágio obrigatório para iniciar relacionamentos amorosos, pois ele ocorre (1) entre conhecidos e recém-apresentados (cerca de 70% dos namoros são iniciados dessas duas formas); (2) entre desconhecidos, após o flerte à distância e abordagem (cerca de 20% dos namoros são iniciados assim); (3)entre pessoas que estão em uma situação que permite e até estimule a conversa entre desconhecidos. Exemplo: isto ocorre quando duas permanecem próximas por certo tempo em uma fila ou sentadas próximas em um avião durante viagens. O flerte durante a conversa ocorre através da comunicação não verbal e da comunicação verbal. Na Internet, a comunicação não verbal é menos usada na troca de mensagens escritas, ela mas tem um papel importante nas conversas à viva voz e muito importante quando são usadas as webcams. (Veja, neste blog, o meu artigo sobre o flerte no Facebook).

Como acontece o flerte

Os principais comportamentos não verbais de flerte que são mostrados durante a conversa são aqueles que aparecem na descrição acima, sobre o casal que foi observado flertando. Esses sinais são os seguintes:

- Os dois jovens parecem estar totalmente absortos um com o outro. 

- Ambos estão em pé (é inconveniente que um permaneça sentado e o outro em pé)

- As partes frontais de seus corpos estão mutuamente orientadas.

- Eles só têm olhos um para o outro: quase não dão atenção ao que está acontecendo no ambiente ao redor.

- Eles falam alto, suas vozes são cheias de vibrações, quase não há momentos de silêncio, sempre um deles está falando.

- Eles riem e sorriem muito. As suas falas são entremeadas de sorrisos e risos. O som de suas vozes frequentemente é o de pessoas que estão falando sorrindo.

- Cada um deles parece estar bastante envolvido com o que está falando: quem fala acompanha o que está dizendo com largos movimentos corporais (quando mais os movimentos corporais de uma pessoa acompanham o que ela própria está dizendo mais envolvida ela está com o que está dizendo).

- Eles parecem estar bastante envolvidos com o que o outro está falando (ouvem ativamente): enquanto ouvintes, apresentam muitas expressões faciais em reação ao que o outro está dizendo (usam frequentemente o riso de boca aberta,) reagem com o corpo todo ao que está sendo dito (por exemplo, arqueiam e retorcem o corpo enquanto riem em reação ao que o outro disse; frequentemente assentem com a cabeça, etc.)

- O rapaz de vez em quando tenta abraçar a moça pela cintura. Este abraço dura pouco porque ela logo se desvencilha dele. Ela, no entanto, mostra que está sentindo prazer diante destas tentativas de abraço.

Outros sinais de interesse amoroso que precedem, acompanham ou fazem parte do flerte são os seguintes:

- Arrumar-se. Quem sai para flertar apresenta uma maior preocupação com a aparência: usa roupas mais elegantes, corta os cabelos, faz regime.

- Prontidão para o cortejamento O corpo sofre grandes transformações na presença do parceiro desejado: aumenta o tônus muscular, as costas ficam mais eretas, somem pequenas rugas, o peito é projetado, a barriga é contraída.

- Rodear. A outra pessoa fica por ali rodeando e usa qualquer pretexto para se aproximar e fazer contato. Por exemplo, ela fica olhando livros na mesma estante de uma livraria enquanto o parceiro estiver fazendo o mesmo; uma pessoa pega a fila do restaurante logo atrás da outra pessoa.

- Prolongar e animar conversas. A prioridade é ficar na companhia da outra pessoa. Quase todas as outras atividades podem ser adiadas.

- Derreter-se na presença do parceiro. Durante o flerte, as pessoas mostram uma grande sensibilidade para os comportamentos do parceiro. Muitas vezes hiper-reagem ao que ele está dizendo: riem exageradamente das suas graças, ficam muito indignadas quando ele relata uma ofensa que sofreu, etc.

- Acentuar os sinais de gênero. Quem flerta acentua os sinais de gênero (as mulheres se tornam mais femininas e os homens mais masculinos em suas formas de falar e se comportar).

- Tentar agradar. Durante o flerte as pessoas ficam gentis, receptivas e empáticas. Evitam críticas ao parceiro.

- Usar a estratégia dos convites. Ir apresentando convites para programas que vão ficando cada vez mais típicos de um relacionamento amoroso.

        Funções do flerte

O flerte desempenha três funções principais: expressiva, sedutora e negociadora. Vamos examinar agora essas três funções.

Função expressiva do flerte

O flerte pode ser encarado como uma expressão de sentimentos por parte de quem flerta. Estes sentimentos causam mudanças corporais (o tronco fica mais ereto, aumenta o tônus muscular, somem pequenas rugas etc.) e comportamentais (olhar nos olhos do parceiro, sorrir muito, inclinar o tronco na direção do parceiro, etc.). Algumas dessas mudanças são captadas por expressões populares do tipo: “derreter-se”, “miar no telefone”, “ficar bobo”, “ficar babando”, “só ter olhos para fulano”.

Função sedutora do flerte

Quem flerta dá esperança para aquele a quem ele é dirigido sobre a possibilidade de um relacionamento amoroso com quem está flertando. A esperança é um dos requisitos do apaixonamento. O flerte, portanto, pode contribuir para a conquista porque preenche este requisito.

As pessoas que flertam ficam mais atraentes. Isto acontece porque, em primeiro lugar, elas se produzem de forma mais elegante quando sabem que se encontrar com pessoas atraentes e que vão flertar com elas. Em segundo lugar, as posturas corporais e os comportamentos de flerte tornam quem flerta mais bonito. Um estudo conduzido por Charlene L. Muehlenhard, da Universidade do Kansas, e por colaboradores, nos Estados Unidos (veja a citação na Nota 2, no final deste artigo), mostrou que as mesmas pessoas eram avaliadas como mais bonitas quando estavam flertando do que quando não estavam flertando.

Função negociadora do flerte

O flerte é a principal forma de negociar o inicio de um relacionamento amoroso. As perguntas e afirmações diretas não são muito apropriadas para esta finalidade. Muitos dos comportamentos que aparecem no flerte também podem ser apresentados na amizade ou na atenção que é dedicada a um parceiro comercial. Por isso, sempre existe uma margem de dúvida quanto aos motivos dos comportamentos que estão sendo apresentados. 

Problemas para iniciar e desenvolver relacionamentos amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS: (1) Este artigo é uma adaptação de um capítulo do meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha.

(2) Muehlenhard, C. L.,  Koralewski, M.A.; Andrews, S.A. & Burdick, C.A..(1986). Verbal and nonverbal cues that convey interest in dating: Two studies. Behavior Therapy17, 404-419.

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Por Ailton Amélio às 09h21

16/03/2014

Os poderosos efeitos da distância interpessoal

Você já deve ter reparado que evitamos o contato físico com as pessoas em geral, com exceção daquelas que são credenciadas para isso ou dos contatos permitidos em certas situações especiais. Ou seja, geralmente procuramos manter uma distância física entre nós e outras pessoas.

A distância que ficamos de outras pessoas pode ser muito informativa sobre a nossa personalidade, nossas intenções, o que sentimos sobre a pessoa e sobre como estamos nos sentindo naquele momento. Este é o tema que vamos tratar neste artigo.

Animais contato e animais não contato

Em relação à preservação do espaço pessoal, os animais podem ser classificados como animais contato - aqueles que não guardam distância entre si (as iguanas, por exemplo, ficam amontoadas) - e animais não contato – aqueles que só permitem contato físico entre si em ocasiões especiais (por exemplo, os pombos mantêm uma distancia entre eles quando estão pousados em um fio de telefone).

Nós humanos, obviamente, somos uma espécie não contato: fazemos questão de manter uma distância entre nós e só permitimos o contato físico em circunstâncias especiais (ritual de cumprimento, cabeleireiro, exame médicos etc.) e com pessoas especiais (namorados, bebês etc.).

Medidas das distâncias interpessoais

Edward T. Hall, famoso antropólogo que realizou várias pesquisas internacionais sobre o espaço pessoal, classificou as distâncias dos norte-americanos em quatro grupos (veja a citação do livro deste autor na NOTA, no final deste artigo):

- Distância íntima: 0-45 cm

Usada para relacionamentos íntimos: namorar, beijar, abraçar

- Distância pessoal: 45-120 cm

É usada para relacionamentos informais entre pessoas que se conhecem

- Distância social: 120-350 cm

É usada para relacionamentos entre conhecidos e relacionamentos profissionais

- Distância pública: acima de 350 cm

É usada para falar em público, como em palestras, por exemplo.

Hall ainda subdividiu cada uma destas distâncias em “perto” e “longe” e catalogou diversos tipos de relacionamentos que eram mais prováveis em cada uma delas.

Devido ao papel direto que a distância íntima e a distância pessoal desempenham nos relacionamentos, elas serão examinadas agora, um pouco mais detalhadamente. Essas são as distâncias nas quais acontecem a maioria dos relacionamentos pessoais e aquelas que foram mais estudadas cientificamente.

Distância íntima

Esta distância é usada tanto para expressar coisas positivas (amor, afeição, por exemplo), como para expressar coisas negativas (a raiva, por exemplo).

Nesta distância, as pessoas não conseguem pensar direito em outras coisas, senão na presença física do outro e em intimidades. Nesta distância pode haver consciência do cheiro e do calor da outra pessoa e surgir, automaticamente, pensamentos sobre a conveniência de fazer um gesto amoroso na sua direção ou sobre como seria bom abraçá-la e beijá-la.

A distância íntima é um dos dois fatores mais eficientes para provocar um alto grau de envolvimento emocional entre duas pessoas (o outro fator é o contato físico). Outros recursos verbais e não verbais (por exemplo, inclinar o tronco na direção da outra pessoa, orientar a parte dianteira do corpo na sua direção e olhar para os seus olhos) são menos eficientes para provocar envolvimento emocional do que ficar a uma distância íntima da outra pessoa ou começar a tocá-la.

Indução do beijo através do encurtamento da distância. Técnica sugerida em um filme para provocar um beijo: um instrutor de relacionamento amoroso sugere ao seu pupilo que aproxime os lábios dos lábios da mulher até que eles fiquem a poucos centímetros de distancia e espere um pouco. Segundo este instrutor, esta aproximação muitas vezes seria suficiente para induzi-la a completar o beijo. Além do encurtamento da distância, esta forma de agir também mostra um gesto de intenção: a aproximação da boca indica a intenção de beijar. Faz sentido!
Distância pessoal

A distância pessoal é denominada erroneamente por muitos autores como “espaço pessoal”. Na realidade, o espaço pessoal abrange todas as quatro distâncias descritas acima, inclusive a pessoal.

A distância pessoal geralmente é representada como uma bolha ao redor do corpo, mas esta representação também não é correta. Este espaço tem um formato irregular: ele é maior na nossa frente do que nas nossas costas ou nas nossas laterais. Por exemplo, no cinema, toleramos a presença de um desconhecido na cadeira ao lado, mesmo que nesta situação o nosso ombro esteja a apenas a alguns centímetros do ombro dele. No entanto, esta distância seria muito desconfortável se estivéssemos frente a frente com a mesma pessoa.

Não existem bons estudos sobre as distâncias interpessoais dos brasileiros. Para ter uma ideia da nossa distância pessoal, realizei um estudo com estudantes universitários. A distância média desses estes estudantes, medida na horizontal na região dos seus ombros, foi de 55 cm, variando entre 30 cm e 98 cm.

Três fatores que afetam as distâncias interpessoais

Constante de intimidade

A distância interpessoal que é confortável para conversar varia em função do quanto sentimos que a nossa intimidade está preservada: a distância que nos é confortável em um dado momento depende também dos outros fatores que são capazes de afetar o grau de intimidade que achamos confortável naquela circunstância. A intimidade depende de outras variáveis não verbais (orientação de corpo, olhares, posturas), características ambientais (iluminação, som ambiente), presença de outras pessoas e de outros motivos que justificam a distância assumida (necessidade da proximidade por motivos profissionais - cortar o cabelo, exame médico, superlotação em um elevador; indisponibilidade de outro lugar para se sentar em um cinema, etc.). 

A simpatia diminui a distância

Vários estudos mostraram que geralmente ficamos a uma distância menor daquelas pessoas com quem simpatizamos. Realizei um estudo para testar essa relação: pedi para estudantes universitários darem uma nota de simpatia para cada um dos colegas de classe. Depois, medi a distância que cada um deles se sentia confortável para conversar informalmente com cada um desses colegas. Verifiquei que estas distâncias estavam fortemente relacionadas com as notas de simpatia: durante a conversa, os estudantes tendiam a ficarem mais próximos daqueles com quem simpatizavam.

O tipo de atividade determina a distância e vice-versa

Vamos ver alguns exemplos que ilustram bem esta mão dupla de influências ente a distância e o tipo de atividade que está sendo desenvolvida.

 Diminuir a distância para provocar um relacionamento mais afetivo

O poder da distância íntima para induzir um clima amoroso é tão grande que ofusca a importância do conteúdo do que está sendo dito. Qualquer coisa que se diga a uma distância íntima poderá ter uma conotação amorosa. O volume e o tom de voz que automaticamente são adotados a esta distância também possuem uma conotação íntima. 

Helena e André estão falando sobre negócios. Em um dado momento, Helena chega mais perto de André. Esta aproximação faz com que os seus rostos fiquem a 20 cm um do outro. Pouco tempo depois eles puseram os negócios de lado: André abraçou Helena e eles começaram a namorar.

Aumentar a distância para induzir relacionamento profissional

Helena e André estão namorando. Eles estão com os olhos nos olhos, rostos próximos e de tempo em tempo se beijam. Após alguns minutos de namoro, André se afasta um pouco de Helena. O clima romântico que havia entre eles é interrompido. Eles começam afalar dos planos para mudar de emprego (ele anda muito preocupado com os negócios!!).

Obviamente o interlocutor pode aceitar bem a distância que está sendo tomada ou tentar mudá-la para que reflita melhor os seus propósitos naquele momento.

A diminuição da distância intima e pessoal para provocar o início de relacionamento amoroso

Como as pessoas diferem na distância que adotam para cada tipo de conversa, uma maneira de deixar o interlocutor mais à vontade é ficar parado e deixá-lo estabelecer a distância que se sente mais à vontade (ele fará isso automática e inconscientemente, se não houver empecilhos como cadeiras pesadas ou fixadas no chão). Caso você queira “esquentar” um pouco o relacionamento, aproxime-se dele mais um pouquinho (puxe a sua cadeira para mais perto ou dê um passinho para frente, mas não exagere). Caso você queira esfriar um pouco o relacionamento, aumente um pouco a distância.

Invasão do espaço pessoal

Ficar mais perto do que é confortável para a outra pessoa produz sensações muito negativas e pode fazer que ela apresente reações defensivas. Em certas circunstâncias, a invasão do espaço pessoal é usada para causar desconforto na outra pessoa e fazê-la abandonar um local (Hall relata que nos locais públicos de Beirute as pessoas usam a invasão do espaço pessoal para tomar os lugares de outras pessoas). Outro exemplo: o interrogador policial fica muito próximo do interrogado para causar-lhe desconforto e levá-lo a confessar.

A sua comunicação pode ser melhorada? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Hall, Edward T. (1966). A Dimensão Oculta. Editora Martins Editora

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Por Ailton Amélio às 08h57

08/03/2014

Não mate as conversas: como desenvolver assuntos e estimular assuntos do seu interlocutor

Parabéns para você, Mulher, pelo seu dia. A você que é perita em comunicação, ofereço esse artigo

“Toquei naquele assunto e ele disparou a falar!”

“Assunto puxa assunto...”

Você é daqueles que temem que a conversa morra por falta do que dizer? Quando vai para um encontro amoroso, o que mais teme é ficar sem assunto? Você não sabe o que dizer quando o seu interlocutor fala alguma coisa que acha importante? Esse artigo vai ajudá-lo a saber o que fazer nessas situações.

Muita gente conversa apenas através de afirmações telegráficas. Outras pessoas não sabem como estimular o interlocutor a desenvolver o que está dizendo. Essas pessoas provavelmente não sabem fazer uso das “conecções”. Essa ferramenta ajuda a desenvolver os temas tanto quanto se deseje e também ajuda a estimular o interlocutor para desenvolver a sua fala.

Conectar novos endereços na internet

Na internet, é muito comum que cada artigo ou matéria ofereça conexões ("links") para outros artigos, sites, blogs e e-mails. Essas conexões geralmente aparecem grafadas em cores contrastantes com as cores da página onde estão inseridas. Elas podem ser acionadas com um simples click do mouse.

Geralmente, o endereço ou local que é aberto através deste clique também oferece novas conexões para outros endereços e locais, e assim por diante. Afirma-se que a pessoa que vai clicando novas conexões que vão aparecendo e visitando as novas páginas se abrindo está “navegando na internet”.

Conectar na conversa

Na conversa acontece algo semelhante à navegação na internet: aquilo que é dito ou pensado por um interlocutor oferece conexões para que ele próprio se lembre de outros detalhes ou assuntos. Aquilo que é dito por um interlocutor permite que o ouvinte também se lembre de outros detalhes ou assuntos. Quando essas conecções vão sendo continuamente acionadas em uma conversa, esta flui e pode se prolongar tanto quanto se queira.

Conectar algo que o interlocutor disse é uma forma de mostrar interesse pelo que ele disse, pela conversa ou por ele próprio. As conecções também podem ser usadas para pedir esclarecimentos ou ajudar a manter o interlocutor no papel de falante. Conectar também pode ser uma forma de questionamento, pedido de explicação ou de mostrar desacordo com aquilo que foi dito pelo interlocutor.

Autoconexão e heteroconexão

Vamos analisar neste artigo o grande papel que dois tipos de conecções exercem nas conversas: (1) principal ferramenta que o falante pode usar para desenvolver o que está dizendo (“autoconexão”) e (2) ferramenta que permite que o ouvinte participe daquilo que o falante está dizendo como, por exemplo, para apontar aquilo que este deve esclarecer ou para estimulá-lo a detalhar ou expandir o que disse(“heteroconexão”).

Qualquer palavra, expressão ou ideia que foi apresentada pela própria pessoa ou pelo seu interlocutor pode servir de conector para novos tópicos. Os pensamentos podem servir como conexões para outros pensamentos da própria pessoa e para aquilo que ela apresenta na conversa (autoconexão). Quando o falante apresenta uma palavra, uma frase, uma ideia ou um conjunto integrado de ideias, aquilo que foi apresentado pode provocar associações tanto nele próprio (autoconexão) quanto no ouvinte (heteroconexão).

Autoconexão

A autoconexão pode ser usada pelo falante para ir identificando e explorando diferentes detalhes ou aspectos de um assunto que ele está apresentando e para acionar outros assuntos relacionados ao que está dizendo.

A autoconexão pode ser acionada apenas mentalmente, sem ser mencionada, ou pode ter o seu conteúdo trazido para a conversa.

A autoconexão ajuda a continuar o assunto porque ela remete a pessoa para outros assuntos associados ao que está sendo abordado.

Heteroconeccão

A heteroconexão é uma das principais ferramentas usadas pelos ouvintes para estimular a fala do falante, dirigir o que ele está falando e ajudá-lo a desenvolver assuntos. O ouvinte pode usar este tipo de ferramenta para indicar os pontos que ele quer que o falante desenvolva ou explique (“clicar” no que foi dito com um ar de dúvida) e para introduzir novos assuntos relacionados com aqueles que estão sendo tratados.

Uso combinado de auto e heteroconecções

A autoconexão e a heteroconexão são os maiores segredos daquelas pessoas que sempre têm assuntos ou são capazes de falar em público por muito tempo sem ter que consultar anotações. Esse essa ferramenta é usada para gerar fluxos contínuos de assuntos, tanto nos discursos onde as pessoas falam por horas ou nas conversas que duram indefinidamente. Quando essa ferramenta é usada, não sabemos antecipadamente que rumo a conversa ou o discurso vão tomar, nem a sequência que das coisas serão ditas: cada coisa dita vai puxando outras. As conversas de fim de semana de um grupo clube que frequentei, que aconteciam em mesinhas colocas ao lado da piscina, se prolongavam pelo dia todo: os participantes faziam uso das conecções (assunto puxa assunto....)

Principais tipos e funções das conexões

Os tipos mais importantes de conexões são os seguintes:

Conexão marcada x não marcada. Marcada: aquela que não passa despercebida (indica uma mudança abrupta e explícita de assunto: “por falar nisso”, “já que você tocou neste ponto”, “isso que você falou me lembra...”).  Não marcada: aquela que passa despercebida pelos interlocutores de uma conversa.

Conexão para solicitar e estimular a expansão de informações sintéticas. Por exemplo, uma pessoa afirma: “Ontem foi um bom dia”. O interlocutor que ouviu essa afirmação responde: “O que aconteceu de bom?”. Essa pergunta é um convite ou pedido para a pessoa expanda a sua afirmação.

Conexão para pedir esclarecimentos. Por exemplo, em um programa televisivo de entrevistas, o entrevistador solicita que o entrevistado esclareça palavras pouco usadas na linguagem comum que ele acabou de dizer. 

 Conexão do tipo “botão quente”: conexão para um assunto que é muito motivador para o interlocutor. Por exemplo, mencionar o jogo recente do time do interlocutor, que é um torcedor fanático. Isso provavelmente vai levá-lo a falar com muita vontade!

A conexão verbal, não verbal e mista. Verbal: uma palavra ou ideia remete a outras palavras ou ideias que a elas estão associadas; não verbal: certa forma de falar ou se comportar desperta lembranças no interlocutor. Mista: algo que foi dito e o jeito de dizer fazem o interlocutor se lembrar do seu professor que falava a mesma coisa de forma semelhante.

 Conecções para lembranças cognitivas (pensamentos estimulam outros pensamentos), emocionais (uma emoção leva a outra), sensoriais (uma sensação provoca certas lembranças). Uma palavra pode evocar outra, um pensamento pode evocar outro, uma emoção pode atrair outras, uma sensação pode evocar pensamentos, emoções, etc.

Conexão inespecífica e específica: as conexões podem: (1) acionar relatar qualquer coisa que for surgindo (livre associação de palavras ou ideias)e (2) acionar e relatar apenas as associações relevantes para o interlocutor e situação presente (ondas que não me afastem muito do tema que está sendo tratado).

Procedimentos para conectar

Existem diversas maneiras de conectar. Muitas dessas maneiras produzem resultados semelhantes. As principais maneiras de conectar são as seguintes:

- Repetir. Repetir algo que foi dito pelo interlocutor, com tom de pergunta ou cara de espanto. Aquilo que foi repetido pode ser uma palavra, frase ou uma ideia.

- Pedir para expandir, esclarecer ou desenvolver. Um pedido pode funcionar da mesma forma que a repetição ou pergunta. Por exemplo, pedir para expandir ou explicar uma palavra, frase, ou ideia.

- Apresentar expressão facial de dúvida. Apresentar cara de dúvida ou incredulidade diante de algo que o interlocutor disse. 

Exemplo de precedimentos para conectar o falante.

 O falante afirma "Vou trabalhar nos feriados".

O seu ouvinte pode adotar um dos seguintes procedimentos:

- Vai trabalhar nos feriados?

- Em todos os feriados daqui para frente?

- Vai trabalhar bastante?

- Esclareça isso que você disse.

- Explique melhor isso.

Use as conecções para desenvolver conversas animadas!

Problemas para conversar? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h12

02/03/2014

Grande frustração dos homens: como é difícil obter sexo casual!

Muitos homens vivem sexualmente frustrados porque sentem muita necessidade desse tipo de sexo, mas se deparam com grandes dificuldades para obtê-lo. Vamos examinar neste artigo várias evidências que embasam esta afirmação. Vamos examinar também como muitos homens tentam lidar com esta frustração e obter este tipo de sexo. Algumas dessas maneiras são muito questionáveis do ponto de vista ético e legal.

Os homens são muito mais propensos para o sexo casual do que as mulheres

            Suponha que uma pessoa desconhecida do sexo oposto se aproxime de você e peça um minuto da sua atenção. Esta pessoa é medianamente atraente, tem aproximadamente a sua idade e, pela sua aparência, pelo seu jeito de falar e pelo local onde vocês se encontram, dá a impressão de ser do mesmo nível socioeconômico que o seu. Após uma breve introdução, esta pessoa convida você para dormir com ela. Você aceitaria? Este e outros tipos de convites foram objetos de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos por Russell Clark e Elaine Hattfield (1989 – veja a citação na Nota 1, no final desse artigo). Vamos examinar agora alguns detalhes desta pesquisa.                 

            Clark e Hattfield pediram para alguns dos seus alunos, rapazes e moças medianamente atraentes, que fizessem convites para colegas desconhecidos do sexo oposto, que estavam no campus da universidade que eles frequentavam. Havia três convites possíveis. Um destes convites era para sair juntos naquela noite, o segundo convite era para o convidado ir ao apartamento do convidador naquela noite e o terceiro convite era para dormir juntos naquela noite. Cada convidador abordava um colega desconhecido e, após uma breve introdução (“Eu já notei você outras vezes aqui no campus. Eu acho você muito atraente”) fazia um dos três convites acima. O convite que era apresentado em cada abordagem era sorteado de antemão. O convite para sair juntos naquela noite foi aceito por aproximadamente 50% dos convidados, independentemente deles serem homens ou mulheres. O convite para ir ao apartamento do convidador foi aceito por aproximadamente 6% das mulheres e por 69% dos homens. O convite para dormir juntos não foi aceito por nenhuma das mulheres, mas foi aceito por 75% dos homens. (As mulheres que recebiam este convite ficavam muito bravas e os homens, mesmo os que não o aceitavam, ficavam lisongeados).

            Um problema da pesquisa acima é que os convidados poderiam suspeitar das verdadeiras intenções dos convidadores e temerem por possíveis consequências negativas caso aceitassem os convites. Bruce Ellis e Donald Symons (1988) realizaram uma pesquisa para tentar contornar este problema. Esses autores pediram aos participantes da pesquisa que imaginassem situações hipotéticas, onde as possíveis consequências negativas pela aceitação do sexo casual não existiriam. Nestas situações hipotéticas ideais, uma pequena percentagem de mulheres e uma grande quantidade de homens declaravam que aceitariam o sexo casual. A maiores percentagens de aceitação verificadas nesta pesquisa (pessoas que responderam que aceitariam “com certeza” o sexo casual) foram 41,1% para os homens e 8,2 % para as mulheres.

            Outro estudo analisou os dados de 177 pesquisas (“metapesquisa”) realizadas nas décadas de 60, 70 e 80, que investigaram as semelhanças e diferenças em 21 atitudes e comportamentos sexuais de homens e mulheres. Participaram destas 177 pesquisas um total de 128 363 pessoas, sendo 58 553 homens e 69 810 mulheres.

            Dez destas 177 pesquisas mediram as atitudes de homens e mulheres em relação ao sexo casual. A análise dos dados dessas 10 pesquisas mostrou que os homens aceitavam muito mais facilmente o sexo casual do que as mulheres. Esta diferença de atitude foi a segunda maior diferença sexual encontrada entre homens e mulheres dentre as 21 variáveis analisadas (a maior diferença entre homens e mulheres foi a incidência de masturbação, mais frequente para os homens, como se poderia imaginar). As diferenças entre homens e mulheres quanto ao sexo casual não diminuíram significativamente entre 1966 e 1983. Esta metapesquisa confirmou, portanto, as diferenças entre homens e mulheres verificadas nas duas pesquisas citadas acima.

Atualmente as mulheres estão mais liberadas, mas nem tanto

A melhor maneira de avaliar quão liberadas estão as pessoas é a quantidade de parceiros sexuais que elas tiveram durante um determinado tempo. Por este critério, quando são analisados os dados de um longo período de tempo, a liberação feminina realmente está ocorrendo, mas até agora ela está muito longe daquilo que poderia ser considerada uma “ verdadeira liberação”.

Por exemplo, um levantamento que realizei com quase quatrocentos estudantes universitários da cidade de São Paulo, na década passada, mostrou que as mulheres, que tinham aproximadamente 25 anos em média, tiveram, até aquela ocasião, cerca de três parceiros sexuais e os homens, que tinham, aproximadamente 24 anos, em média, tiveram cerca de sete parceiras sexuais. A quantidade de parceiros das mulheres era semelhante à quantidade de namorados que elas tiveram, o que indica que boa parte desses parceiros sexuais eram seus namorados e não parceiros casuais.

Esta quantidade de parceiros sexuais está muito longe daquilo que poderia ser considerada uma “liberação sexual”. Para fazer uma ideia do que realmente é uma liberação, os gays de San Francisco, na década de setenta, antes da AIDS, portanto, tinham, em média cerca de 500 parceiros durante a vida. (Veja o link para o meu artigo na Nota 2, no final desse artigo).

Por outro lado, ocorreu uma boa dose de liberação feminina nas últimas décadas: agora não é mais cobrado que as mulheres se casem virgem; basta que elas saiam algumas vezes com um parceiro para poder transar com ele; uma percentagem muito maior de mulheres aceita transar no primeiro encontro e não sente que cometeu nada de grave ao agir assim (muito pelo contrário), etc.

Alguns estudiosos desta área estimaram que cerca de 10% das mulheres estão em condições de praticar o sexo casual. Aqueles mulheres que praticavam esse tipo de sexo, em média, eram mais adaptadas e mais bem sucedidas que outras mulheres que não o praticavam. O grupo de mulheres que praticavam o sexo casual apenas encarava o sexo de uma forma que lembra a masculina. Também existem muitos homens que não gostam de sexo casual.

Os homens são sexualmente frustrados pelas dificuldades para obter sexo casual

A maioria dos homens passa boa parte da vida frustrada sexualmente. Vários estudos apresentaram evidências que eles pensam muito mais frequentemente em sexo que as mulheres, se masturbam mais, pensam em uma maior variedade de parceiras sexuais, aceitariam mais convites sexuais de desconhecidas e, quando reúnem condições, multiplicam a quantidade de parceiras sexuais.

Um aluno gay que frequentou meu curso de pósgradução propôs que não deveríamos classificar uma pessoa como gay ou heterossexual, mas sim, como gay ("alegre") ou sad ("triste"). Quando um outro aluno perguntou o motivo dessa proposta, o aluno proponente respondeu que os gays são alegres porque, para eles, é fácil iniciar um encontro sexual com outro homem. No entanto, os héteros tentam iniciar um encontro desse tipo com uma mulher. Além de ser muito complicado fazer essa negocição com elas, a chance de sucesso é muito pequena e a frustração, muito grande! Realmente, "sad" parece ser um nome apropriado!

Mesmo quando eles têm uma parceira fixa, é mais provável que ela esta sonegue sexo e o use como moeda de troca para obter outras vantagens no relacionamento do que eles. Por exemplo, é mais provável que elas recusem sexo quando estão insatisfeitas como o parceiro do que vice versa. (Uma restrição a essa afirmação: atualmente, no meu consultório, tenho recebido muito mais reclamações das mulheres sobre a falta de interesse sexual dos seus parceiros do que vice-versa).

As mulheres, sabedoras que são desse calcanhar de Aquiles dos homens, usam seus atrativos sexuais como tentações para obter suas atenções.

Estratagemas usados pelos homens para tentar obter sexo casual

Os homens tentam aliviar suas frustrações sexuais inventando artifícios para induzir as mulheres a praticarem sexo casual com eles. Alguns desses artifícios são os seguintes: esconder suas verdadeiras intenções em relação a elas; mentir quanto às suas intenções; tentar embebedá-las; tentar levá-las para locais mais propícios para a prática sexual; tentar desenvolver atividades que possam rapidamente se encaminharem para a prática sexual. Veja abaixo mais detalhes sobre esses dois últimos artifícios.

Frases para levar a mulher a uma situação que favoreça o início do sexo.

A revista Cosmopolitan (veja a citação na Nota 3, no final desse artigo) colecionou uma série de frases enviadas pelas suas leitoras sobre os artifícios que os homens usavam para levá-las para um ambiente ou situação que favorece o início do sexo. Algumas dessas frases são as seguintes:

"'Venha, eu só quero aconchegar."

 "Você deve tirar a roupa. Nós não vamos mesmo ter sexo. Eu adoro a sensação da sua pele contra a minha”

"Eu quase nunca faço sexo no primeiro encontro",

"'Está frio aqui, vamos ficar sob as cobertas?”

"'Eu só quero tomar um bom banho de espuma com você - nada mais"

"'Quer vir conhecer o meu cachorro?” (Convite apresentado às 3 da manhã)

“Deixe-me colocar só a pontinha”

"'Quer ir ver televisão no seu quarto?"

 Forçadinha durante um encontro amoroso

Uma pesquisa americana constatou uma enorme quantidade de forçadinhas sexuais em encontros amorosos (“date and rape”): durante as intimidades sexuais com as mulheres, os homens davam uma forçada para consumar a relação sexual. Essa forçada acontecia na forma de pressão psicológica ou no uso de alguma força física durante as intimidades sexuais com aquelas mulheres que resistiam à penetração. Esse tipo de forçada é condenável, podendo, inclusive ser denunciada como estupro. A maioria das mulheres que sofreu esse tipo de forçada acabou não denunciando o acontecimento devido a uma série de razões, entre as quais a vergonha, a culpa e o fato do parceiro ser conhecido e frequentar o mesmo círculo de relações que o seu.

As mulheres não ficam atrás no uso de estratagemas

 As mulheres, por sua vez, também não são nenhumas santas. Elas também desenvolveram táticas e artifícios para obter o que querem dos homens e para explorar suas carências. Por exemplo, elas usam vários artifícios para aumentar suas atrações sexuais, atiçando os homens, já carentes de sexo (roupas colantes, decotes abissais, sutiãs modeladores, maquiagens sedutoras, sapato de saltos, vozes sensuais, expressões faciais insinuantes, etc.). No entanto, embora esses artifícios aumentem os desejos masculinos por sexo, os homens não terão acesso assim tão fácil ao que está sendo propagandeado. Esse acesso só é permitido para aqueles que satisfizerem as necessidades delas. Nada mais justo!

Problemas na área sexual? procure a ajuda de um psicólogo.

Você é mulher e pratica sexo casual ou conhece alguém que o pratique? Você quer ser entrevistada para me ajudar a preparar um artigo a esse respeito? 

Escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 08h17

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.