Blog do Ailton Amélio

Busca

22/05/2016

Você sabe recrutar motivações para sentir prazer no seu relacionamento?

LEIA E COMENTE O MEU NOVO ARTIGO:


Você ama seu marido, gosta da família dele, sente muita satisfação durante encontros com os amigos dele? Você adora seu emprego, sente prazer na ginástica, adora festas de família, etc.? Sim? Parabéns, você é uma felizarda! Participa dessas coisas que são muito importantes na sua vida com a maior satisfação! Você sente prazer em atividades que muitas pessoas encaram como obrigações chatas!
Você não gosta tanto do seu marido, de ginástica, do seu trabalho, de participar de festas de família, de jogo de futebol…. Não se preocupe demais por isso! Muita gente não gosta dessas situações e atividades.
Muita gente odeia uma ou mais dessas situações e atividades e, por isso, pensa em deixar de participar delas. Essa pode ser uma opção. No entanto, é possível encontrar outras fontes de motivação para participar delas com menos sofrimento e até com prazer!
Dentre essas pessoas que não gostam do que fazem, algumas sofrem menos que outras quando participam delas ou até participam com prazer porque encontraram outras motivações para participar.
Dentro de certos limites, é natural que participemos de atividades quando o conjunto de benefícios recebidos supera o conjunto dos custos que elas apresentam. Outra coisa que é levada é conta são os custos implicados no processo de sair da situação (“Temo os sofrimentos que ocorrem na época da separação. Gostaria de já estar muitos anos depois dessa época. Não estou pronto para enfrentar tanto desgaste e estresse”).

Multimotivações para permanecer no relacionamento amoroso

Para a maior parte das pessoas, o amor é necessário para iniciar um relacionamento amoroso, mas deixar de amar pode não ser suficiente para terminá-lo.
Aqui no Ocidente, a porta de entrada para o casamento é a atração, a paixão e o amor pelo parceiro. No entanto, deixar de amar o cônjuge não é considerado motivo suficiente para terminar o casamento pela grande maioria das pessoas. Com o passar do tempo, essas motivações iniciais vão amainando e, simultaneamente, outras vão crescendo: novas raízes vão sendo desenvolvidas: as vidas dos parceiros vão se entrelaçando: companhia, atividades econômicas, planos, famílias, círculos de relacionamento.
Essas novas motivações fazem que as pessoas permaneçam nos casamentos mesmo quando já não amam seus parceiros com a mesma intensidade do início. Agora, em compensação, existem outras motivações compensadoras!
(Leia mais sobre isso no meus artigo postado no meu blog anterior, www.ailtonamelio.blog.uol.com.br, em 27/09/2015, “Dificuldade para sentir atração atrapalha inícios de relacionamentos”).

Condições e pseudocondições necessárias para atividades amorosas

Você já deve ter ouvido afirmações como as seguintes:
“Se deixo de amar, separo-me!”
“Esse emprego não paga o suficiente. Vou sair!”
“Não vou a festas de família. É só hipocrisia!”
“Não o acompanhei o meu marido naquele evento porque não gosto desse tipo de coisa!”
“Cada um foi fazer suas coisas. Temos gostos diferentes”.
Aqueles que fazem essas afirmações podem estar sendo guiados por dois acontecimentos diferentes: (1) Não sabem recrutar outras motivações para participar de eventos pouco prazerosos e (2) o prazer é realmente uma condição muito importante para participar daquele tipo de evento ou para permanecer naquela situação
Não participar de eventos importantes deve ser a opção preferida apenas quando não tiver graves consequências para o relacionamento ou quando o prazer na participação for muito importante para quem participa (“condição necessária”).
Condições necessárias
É importante saber que certos motivadores não podem ser compensados por outros motivadores ou conjunto de motivadores. Ou seja, eles são condições necessárias para desenvolver ou permanecer em certas atividades e relacionamentos.
Por exemplo, para certas pessoas, um bom grau de prazer sexual é uma condição necessária para o relacionamento conjugal. Nenhuma outra vantagem que possa haver no relacionamento compensa a ausência de boa qualidade das relações sexuais.
Outros exemplos de condições necessárias para certas pessoas:
Haver amor romântico.
Haver uma boa dose de amizade
Haver uma boa dose de comprometimento com o relacionamento
A cultura do parceiro.
Ausência de certos fatores: não haver agressividade, controle, ciúme.
Pseudocondições necessárias
É necessária cautela para concluir que algo é realmente uma condição necessária para si, senão há o risco de conclusões errôneas e ações custosas e equivocadas. Por exemplo, algumas pessoas concluíram erroneamente que não podem viver sem paixão romântica porque isso é apregoado pelas novelas. Por isso, assim que a paixão esmaece, terminam o relacionamento e partem para outro.
Uma parte das pessoas que chegaram a essa conclusão sobre a necessidade da paixão poderia viver feliz sem a presença desse sentimento intenso. A conclusão sobre essa necessidade aconteceu devido ao que se passa nas novelas e não foi fruto do autoexame competente.

Outros exemplos sobre a importância das multimotivações

O que motiva as pessoas que trabalham em empresas?
Quem houve essa pergunta, logo pensa no salário, não é? Realmente ele é importante

CONTINUE A LER NO MEU NOVO BLOG:

 http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/2016/05/21/voce-sabe-recrutar-motivacoes-para-sentir-prazer-no-seu-relacionamento/

Por Ailton Amélio às 14h10

14/05/2016

Apaziguamento e reconciliação são essenciais para os bons relacionamentos

LEIA E COMENTE O MEU NOVO ARTIGO:

 

A boa capacidade para produzir o apaziguamento da agressividade e a capacidade de reconciliação contribuem para que as brigas não se agravem e para que a recuperação do bom clima entre os parceiros aconteça mais rapidamente.

Essas capacidades são muito importantes, senão imprescindíveis para manter e desenvolver relacionamentos felizes e duradouros.

Em todo relacionamento, as divergências e brigas são comuns e esperados.

As discussões, se comedidas, podem contribuir para saúde do relacionamento. O que deve ser evitado são as brigas muito frequentes e destrutivas (Leia o meu artigo, “Código de conduta que rege as brigas proveitosas entre casais'', postado no meu blog anterior, www.ailtonamelio.blog.uol.com.br, em 30/092012).

).

A deterioração do clima positivo

Quando gostamos de uma pessoa, lhe concedemos crédito: tendemos a olhar tudo que lhe diga respeito com um olhar positivo e benévolo. Isso acontece com amigos, filhos, maridos. Tendemos a ser empáticos com eles. Colocamo-nos facilmente nas suas perspectivas, tendemos a ver os motivos dos seus erros e a diminuir a gravidade desses erros (“Errar é humano”).

Quando acontecem coisas graves e ruins, podemos retirar esse crédito e passar a avaliar ato a ato. Quando as coisas ficam piores ainda, podemos olhar tudo por um viés negativo: a demonização do parceiro.

Esse clima ruim pode ser revertido algumas vezes. Mas pode ser difícil revertê-lo.

As brigas, desentendimentos, ressentimentos estão entre as principais causas das separações (as outras duas principais causas são o esvaziamento do relacionamento e a traição). Isso acontece porque, além dos danos infringidos durante a briga, após um episódio desagradável, as atitudes mútuas ficam alteradas, a percepção do parceiro pode passar de simpatia, confiança e boa vontade para a percepção de antipatia, desconfiança e má vontade.

Este estado negativo aumenta as chances de novas brigas e favorece uma reconfiguração negativa da imagem mútua dos parceiros.

Aumenta a chance de novas brigas porque os ânimos ficam negativamente alterados. O copo já está cheio. Basta uma nova gota d’água para que ele transborde novamente.

O que estamos sentindo por uma pessoa dispara a busca por evidências confirmatórias e assemelhadas. Por exemplo, quando estamos fascinados por alguém, passamos o tempo todo lembrando de coisas positivas que aconteceram no relacionamento com ela. Também ficamos fantasiando outras coisas positivas que poderiam acontecer. Esses pensamentos reforçam a imagem da pessoa e do relacionamento com ela de forma semelhante à ocorrência de novos eventos positivos. Infelizmente, nos estados negativos acontece o contrário: ficamos o tempo todo relembrando fatos negativos sobre a pessoa. Essas relembranças vão solidificando a imagem negativa dessa pessoa!

Quanto mais rapidamente acontece a reconciliação, menor a deterioração da imagem do parceiro que foi iniciada com os desentendimentos.

Algumas atitudes dificultam a reconciliação: algumas pessoas não querem dar o braço a torcer. Quem se acha com a razão, espera que a outra parte tome a iniciativa de reconciliação.

Apaziguadores

Todos os animais que são capazes de infringir danos sérios aos seus conspecíficos (possuem garras, dentes, força física, etc.) possuem comportamentos que são eficientes para apaziguar e diminuir as chances da continuidade e para diminuir a intensidade das agressões.

Exemplos de apaziguadores

O cãozinho se depara com um adulto grandão. O grandão avança rapidamente na sua direção. O cãozinho deita-se de barriga para cima e solta algumas gotas de urina. Esses comportamentos do cãozinho inibem a agressividade do cão adulto.

Comunicação não verbal apaziguadora

A mãe pega o chinelo e vai na direção de Robertinho. Robertinho levanta os braços, as palmas das mãos abertas estão voltadas na direção da mãe, ele baixa cabeça e inclina o tórax e flexiona as pernas, o que o faz parecer bem menor do que é, torce o tronco de tal forma que quase dá as costas para a mãe (oferecer o trazeiro é um apaziguador em várias espécies de primata). Evita encará-la, mas olha de esguelha para ela (encarar geralmente é desafiador e provoca mais agressões).

Todos esses comportamentos inibem a agressividade da mãe e ela perde o ímpeto de agredi-lo. Se houver alguma agressão física, ela será atenuada em relação ao que ocorreria caso o apaziguamento não tivesse acontecido. Quando isso acontece, a mãe pode se limitar a fazer-lhe ameaças verbais e proferir xingamentos.

Nas brigas entre adultos, o apaziguamento pode ser produzido por comportamentos semelhantes e mais discretos do que aqueles exibidos por Robertinho: diminuição do volume do corpo, não encarar, afinar a voz….

Apaziguadores e reconciliadores

Ouvir

Na nossa espécie, um santo remédio para aplacar a ira e desarmar os espíritos é ouvir o parceiro de forma especial: ouvir sem se defender, com empatia, interesse e sem pressa.

CONTINUE A LER NO MEU BLOG:

http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/2016/05/14/apaziguamento-e-reconciliacao-sao-essenciais-para-bons-relacionamentos/

Por Ailton Amélio às 13h21

09/05/2016

Desânimo? Libere energia interna e conecte-se à situações estimuladoras

A seguinte história mostra como certas pessoas perdem a capacidade de acionar energias internas e externas para animar suas vidas:

A vida de Juliana estava bem monótona e nada animadora. Parecia que a sua sorte já havia sido lançada e que, agora, a vida seguiria seu curso inexorável rumo à velhice. Ela não havia se casado, não tinha filhos e nunca teve um bom relacionamento amoroso. O que era pior, havia formado a convicção que na sua idade as chances de sucesso no terreno amoroso eram muito reduzidas.
Só lhe restava se conformar e matar suas expectativas de realizar-se amorosamente.
A sua autoestima neste terreno era baixa. Havia concluído que, certamente, havia algo de muito errado com ela, o que explicaria o seu insucesso nesta área.
Os fracassos anteriores no campo amoroso, a imagem que formou de si mesma como desinteressante ou desastrosa na área amorosa e a falta de acontecimentos nesta área fizeram que ela se sentisse muito desanimada e desmotivada para qualquer nova tentativa neste terreno. Esse desânimo, baixa motivação e descrença aumentavam suas chances de insucesso: ela não tinha forças internas para tomar novas iniciativas e para procurar situações que aumentassem suas chances de encontrar parceiros que se interessassem por ela e, assim, lhe dessem uma injeção de ânimo.
Esse conjunto de fatores desestimulantes abatia o seu ânimo, desestimulava novas tentativas neste setor e, por tudo isso, realmente causavam a diminuição de suas chances de sucesso no campo amoroso.
Esta espiral descendente de expectativas e falta de iniciativas funcionava como “expectativas autorrealizadoras”: suas crenças contribuíam fortemente para que aquilo que ela cria realmente ocorresse – não teria sucesso no campo amoroso. Se mantivesse essa perspectiva, ela podia jogar a toalha e render-se ao curso do envelhecimento celibatário.

 

Aprendendo a liberar energia interna e conectar-se à situações estimulantes
Simplificando as coisas, podemos imaginar que somos parecidos com carros flex que funcionam com dois tipos de energia.
No nosso caso, funcionamos com energia “interna'' e com energia “externa''.
Fonte interna: certas pessoas encontram muita energia dentro delas próprias: se entusiasmam com suas ideias, imaginações, propósitos, etc.
Fonte externa: certas pessoas são abastecidas de energia pelo que ocorre fora delas: encontros com outras pessoas, viagens, festas, namoros, negócios, prestígio, etc.
De fato, todos nós trabalhamos com uma mistura desses dois tipos de energia.
A proporção de cada energia nessa mistura varia desde alto grau de energia interna e baixo grau de energia externa até o inverso.
O uso desses dois tipos de energia também pode variar de acordo com o tipo de situação. Por exemplo, pode haver muito aproveitamento de energia externa durante uma conversa animada com uma pessoa atraente e carismática e muita geração energia interna quando estamos nos esforçando e persistindo para concluir uma tarefa chata.
Estou trabalhando no desenvolvimento de procedimentos terapêuticos para ajudar pessoas pouco energéticas a aprenderem a gerar e liberar energia interna e a se conectarem com situações e acontecimentos externos que produzem energia.
Para liberar energia interna é necessário livrar-se de cicatrizes, repressões e concepções castradoras.
Desbloqueando energias internas
O medo e a necessidade de segurança fazem que sejamos muito cautelosos e nos mantenhamos nos trilhos do que deu certo anteriormente. Manter-se nos trilhos aumenta a segurança imediata, mas mata a criatividade e a vitalidade.

CONTINUE A LER NO MEU NOVO BLOG:

http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/2016/05/07/desanimo-libere-energias-internas-e-conecte-se-a-situacoes-estimuladoras/

Desânimo e desmotivação? Procure a ajuda de um psicólogo

Por Ailton Amélio às 12h04

20/04/2016

Como apressar o desapaixonamento

Atendo no meu consultório muitas pessoas que estão sofrendo desesperadamente por amor. São pessoas que se apaixonaram e não foram correspondidas, pessoas que eram correspondidas anteriormente e o amor do parceiro terminou ou, ainda, pessoas que foram traídas ou muito magoadas por outros motivos e que, por isso, não podem permanecer amando a parceira.
O sofrimento por amor pode ser terrível: tira a motivação para tudo, provoca a perda do sono, provoca a desregulação de todos os setores da vida, abaixa a autoestima, etc.
O sofrimento pode ser tão atroz que o paciente tem que ser encaminhado para receber medicação.
Venho desenvolvendo procedimentos para ajudar a aliviar esses sofrimentos e para ajudar essas pessoas a retomarem suas vidas. (Veja outras informações no video, postado no meu blog, em 11/04/2011, “Terapia do Desapaixonamento: www.ailtonamelio.blog.uol.com.br).
Esses procedimentos parecem simples, mas geralmente são bastante complexos e trabalhosos e exigem a assistência de um psicólogo para serem implementados com eficiência.
Os resultados geralmente são bons, mas nada mágicos. O grau de eficiência varia de acordo com o caso.
Apresentarei aqui alguns dos procedimentos que utilizo para combater o apaixonamento que produz o sofrimento. No consultório, além desses e de outros procedimentos, também procuro ajudar o paciente em outros setores como recuperar a autoestima, interessar-se amorosamente por outra pessoa, reprogramar sua vida.

ALGUNS PROCEDIMENTOS PARA COMBATER O AMOR QUE PRODUZ SOFRIMENTOS

Fortalecendo variações negativas naturais da percepção
Quando levamos um fora, a nossa mente e as nossas emoções entram em uma espécie montanha russa: em certos momentos, amamos perdidamente a parceira. Em outros momentos, sentimos pena dela, a odiamos, a desprezamos…
O desapaixonamento acontece quando a visão negativa da amada que aparece nesses momentos vai se tornando mais frequente, mais duradoura e mais intensa e a visão positiva dela vai se tornando mais rara, menos duradoura e menos intensa.
O terapeuta tenta descobrir as imagens, pensamentos e sensações que ficam presentes nesses momentos negativos e ajuda a fortalecê-los e a torná-los disponíveis para serem recuperados naquelas horas que a paixonite aguda toma conta.
Por exemplo, o terapeuta sugere que, nas horas que a paixonite ataca, o apaixonado procure pensar vividamente nas cenas e fatos mais poderosos que o levam a sentir raiva ou a desprezar a amada.
Combatendo a idealização da amada
O apaixonado rejeitado chega ao consultório. Eu lhe peço para enumerar as qualidades da amada. Ele, mais que depressa, descarrega uma lista enorme de qualidades.
Em seguida, peço a ele que enumere os seus defeitos. Tarefa muito difícil para ele: ela é perfeita! Nada de defeitos. Alguns defeitinhos que ele consegue achar, após muito esforço, até que são bonitinhos e contribuem para o charme que ela tem!
Essa cena é a padrão: no começo da terapia o “programa” “mulher maravilhosa” está funcionando a todo vapor. O programa “mulher defeituosa” está muito minguado.
Durante a terapia, vou usando vários recursos para “abrir os olhos” do amante e ajudá-lo a ver a amada de uma forma mais realística. Não se trata, obviamente de denegri-la ou distorcer a sua imagem, mas sim, de desidealizá-la.
Para ajudá-lo nessa tarefa, por exemplo, peço a ele para dizer o nome de alguém que conheça bem o casal. Dai para frente, peço ao paciente para assumir a identidade da pessoa que ele mencionou e a passar a falar dos aspectos negativos da amada e do relacionamento do casal. Se necessário, peço ao paciente para apontar alguém que antipatiza com a amada. Em seguida, peço a ele passa a fazer o papel dessa pessoa e a apontar e discorrer sobre seus defeitos. Também ajuda muito pedir para o amante funcionar como advogado de acusação e tentar convencer jurados imaginários sobre as más qualidades da amada.
Diminuição da esperança
Segundo Stendhal, sem esperança o amor não sobrevive. Quem foi rejeitado acha um jeito de manter as esperanças: “Ela vai se arrepender”, “Ela estava em um mau momento quando terminou o relacionamento”, “Isso já aconteceu outras vezes e, em seguida, o relacionamento foi retomado”.
Para corrigir as esperanças infundadas, o terapeuta ajuda o amante a repassar os sinais de que indicam o desamor e a desistência da amada.
Quando, de fato existem sinais que autorizam a esperança, o terapeuta pode incentivar o amante a fazer uma tentativa de reconciliação para testar a veracidade e a força desses sinais. Caso tais sinais sejam reais, a reconciliação pode acontecer e o amor é retomado.
Condicionamento clássico: associar estímulos neutros com estímulos evocadores de reações fisiológicas.
O experimentador toca um sino na presença do cão. O cão não apresenta nenhuma reação notável. Então, ele começa a tocar o sino e, em seguida, oferece comida apetitosa para esse cão, que está esfomeado. Algumas associações depois entre esses acontecimentos, o cão começa a salivar assim que ouve o sino. Ou seja, o som do sino adquiriu a propriedade de eliciar a salivação. Isso aconteceu porque esse som foi temporalmente associado com a comida.
Associação da imagem do parceiro com mal-estares

No filme Laranja Mecânica, de Kubrick, o jovem criminoso recebe uma injeção que provoca náuseas. As suas pálpebras são mantidas abertas por um fixador para impedir que ele feche os olhos. Ele, então, é obrigado a assistir um filme que mostra aquelas coisas criminosas que lhe davam tanto prazer: ultraviolência e sexo promíscuo. Ao mesmo tempo, ele é obrigado a ouvir músicas do seu amado Beethoven (linda por sinal, principalmente a Ode a Alegria). Essa associação com a música foi programada por pura maldade e sadismo das autoridades.
O mal-estar que ele está sentindo devido à injeção vai se associando com as imagens prazerosas e com a música tão querida. Depois de algum tempo essas imagens e a música passam a evocar sensações ruins. O condicionamento clássico foi bem sucedido.
Da mesma forma, para fins de desapaixonamento, ajuda muito quando o amante aprende a evocar em si mesmo sensações desconfortáveis e, enquanto experimenta tais sensações, lembra-se da amada. Tais sensações ruins acabarão sendo associadas com as imagens da amada que, antes, evocavam a paixonite.

Use as ferramentas para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail:ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 11h43

Sentimentos poderosos estão paralisando sua vida?

"Não adianta chorar o leite derramado!" (Ditado popular)

Um risco que corremos frequentemente é a paralisia ou a prática de ações inadequadas provocadas por sentimentos muito intensos e negativos.

Nestes casos, os sentimentos, que deveriam servir como alertas contra danos e servir como motivadores para ações eficientes para lidar com as situações, tomam toda a atenção e desmobilizam ações efetivas.

Por exemplo, o medo intenso pode nos congelar e impedir que reajamos a uma agressão ou a um carro desgovernado que vem na nossa direção.

Outro exemplo: quem está deprimido fica tão impregnado pela desesperança que não consegue fazer mais nada.

Alguns sentimentos intensos fazem que a pessoa que está tomada por eles só pense naquilo que sente e não nas medidas que poderia tomar para resolver a situação. Por exemplo, quem foi abandonado pela amada, muitas vezes, perde a vontade e as forças para fazer qualquer coisa que ajudaria a parar de pensar nela e a se ligar em outras pessoas.

A saída de muitas situações doloridas, amedrontadoras ou enfurecedoras exige que não nos deixemos guiar pelos sentimentos, mas sim que vejamos as formas de lidar com elas e, apesar dos sentimentos, aplicar as medidas para sair delas.

Deixar-se controlar por sentimentos que são maus conselheiros

Os sentimentos geralmente são úteis e adaptativos: eles existem porque melhoraram as chances de sobrevivência individual e da nossa espécie. Eles, no entanto, podem se voltar contra o próprio organismo, tal como acontece com o sistema imunológico: geralmente este sistema protege o organismo, mas pode se tornar disfuncional e passar a atacá-lo ou atacar alguns dos seus órgãos (doenças “autoimunes”). Da mesma forma, as emoções podem se tornarem disfuncionais, tal como acontece nos casos de fobias e de timidez. Nestes casos, o medo se torna desproporcional ao risco e a pessoa pode ser altamente prejudicada porque deixa de fazer coisas que lhes seriam benéficas nessas situações.

As disfunções emocionais e perceptuais são muito mais frequentes do que imaginamos. A todo o momento, deixamos de fazer muitas coisas úteis e fazemos muitas coisas inúteis porque estamos sendo guiados por sentimentos, percepções e expectativas distorcidas ou totalmente erradas.

Muitas vezes, estamos vendo tudo negro, ficamos pessimistas. Pode ser que até tenhamos algumas boas razoes para isso, para estarmos desanimados ou tristes, mas não para desistirmos. Quando há boas razões para os sentimentos ruins, temos que admiti-los. Eles são legítimos. Mas quando a nossa parte racional indica claramente que existe uma boa chance que as coisas deem certo, apesar de tudo que estamos sentindo de mau, temos que colocar a faca nos dentes e seguir em frente.

Com a faca nos dentes

Recentemente assisti a um filme na TV a cabo sobre a história de sobreviventes de um acidente de avião no Alaska (“A Perseguição”. Um filme de Joe Carnahan com Liam Neeson, Dallas Roberts). Mais no final desse filme, três deles saem à procura de ajuda. O que interessa aqui é a persistência deles para lutar contra aquela situação bastante desesperadora: continuam a caminhar embora sintam fome, dor, cansaço, sono e medo. Todos esses sentimentos e sensações pressionam para que desistam da caminhada. A área racional de seus cérebros, no entanto, concluiu clara e acertadamente, que se fizessem isso morreriam em pouco tempo porque, como já se afastaram do local da queda do avião, provavelmente não seriam localizados com vida: sobreviveriam por pouco tempo naquelas condições hostis.

Esta maneira agir em face de sentimentos e sensações negativas não ocorre apenas em situações dramáticas como esta dramatizada no filme. Ela também está presente no nosso dia a dia: levantamos da cama quando o sono ainda nos diz para ficar; enfrentamos o trânsito para encarar um trabalho pouco atraente, mesmo quando gostaríamos de ficar em casa ou de passear; comemos aquela saladinha meio sem sabor quando o nosso apetite nos faz sonhar com aquela comida gordurosa e altamente calórica; corremos em uma esteira para ficar no mesmo lugar para fazer ginástica, etc.

Muitas vezes, no entanto, nos rendemos e abandonamos muitas batalhas que poderiam, perfeitamente, serem ganhas. Alguns dos motivos desse abandono são os seguintes:

- Os sentimentos negativos são muito fortes: desânimo, revolta, raiva pelas coisas não darem certo.

- Os frutos da batalha só podem ser colhidos após muitos esforços.

- É necessário um bom tempo de persistência para colher os frutos dos esforços.

- As recompensas pelos maus comportamentos são imediatas e certas (mas danosas em médio e longo prazo) e as recompensas pelos bons comportamentos são apenas prováveis e só virão em médio e longo prazo.

Por esse e outros motivos, muita gente já desistiu do controle do peso, de encontrar um trabalho prazeroso e desafiador, de viver um grande amor...

Cada vez que desistimos de algo que é significativo para nós e que tem uma boa chance de ser realizado morremos um pouco (a depressão é a sensação que perdemos o controle sobre áreas importantes de nossas vidas). Cada vez que não nos livramos de algo que já ficou no passado, de algo que não pode ser refeito ou que realmente não pode ser feito, colocamos uma pedra naquele saco que está nas nossas costas.

Áreas importantes da sua vida estão paralisadas porque seus sentimentos tomaram toda a sua atenção e não ficou espaço para lidar com eles eficientemente? Procure a ajuda de um psicólogo.

Por Ailton Amélio às 11h36

02/04/2016

Hedonismo ou asceticismo: você sabe aproveitar a vida?

Levando-se em conta suas tendências para se entregarem ou para se absterem do prazer imediato, as pessoas podem ser classificas em algum ponto do contínuo que vai do hedonismo ao asceticismo.
Aquelas tipicamente hedonistas não resistem à boa comida, praticam muito sexo, estão sempre viajando, não têm dó de gastar dinheiro, desfrutam do relacionamento social, etc.
Aquelas tipicamente ascetas são poupadoras, só adquirem o essencial, levam uma vida simples, são regradas na comida e na bebida, etc.

Causas do hedonismo e do ascetismo

Algumas das principais causas do hedonismo e do ascetismo são: (1) a maior força de controle das consequências imediatas em relação a menor força de controle das consequências distantes e (2) a capacidade de resistência à frustração.

As consequências imediatas controlam mais do que as consequências distantes
Quando outras condições são semelhantes, as consequências imediatas controlam mais nossos comportamentos do que as consequências mais distantes. Por exemplo, o prazer de comer é imediato e, por isso, controla mais nossos comportamentos do que o prazer de ficar magro e de ter uma boa saúde, que só acontecem em médio ou longo prazo, através do controle da comida.
Outro exemplo: o prazer de navegar na internet é imediato. O prazer de concluir um bom trabalho e ser recompensado por isso demora mais tempo. Por isso, podemos perder muito tempo na internet ao invés de trabalhar.
O desprazer de fazer ginástica é imediato para algumas pessoas. Os prazeres de ter um corpo bonito e uma boa saúde só acontecem após um bom tempo de boa ginástica. Por isso, muitas pessoas não conseguem fazer ginástica!

Diferentes graus de resistência à frustração
Certas pessoas têm mais “resistência à frustração” do que outras. Aquelas que têm maior grau desse tipo de resistência toleram melhor o desconforto provocado pela frustração do que aquelas que têm menor grau de resistência à frustração. Em outras palavras, aquelas pessoas que têm mais resistência à frustração conseguem tolerar melhor o desconforto provocado por atividades desagradáveis que geram benefícios futuros (trabalhar duro, fazer ginástica, estudar arduamente, etc.) e conseguem se abster de atividades que geram benefícios imediatos, para obter uma quantidade maior de benefícios no futuro (por exemplo, se abstêm do prazer imediato de fumar para terem mais saúde no futuro; renunciam ao prazer imediato do descanso para fazer ginástica e ficarem mais saudáveis e bonitas no futuro).
Um estudo americano mostrou que, aos quatro anos de idade, as crianças já são bastante diferentes entre si na capacidade para adiar um prazer imediato para ganhar outro maior, mais tarde. Neste estudo, os experimentadores colocaram crianças sentadas em cadeiras em frente a uma mesa. Na mesa, na frente de cada criança, havia um marshmallow dentro de um prato. Os experimentadores informaram essas crianças que, se não comessem aquele marshmallow até eles voltarem, elas ganhariam mais um e, ai, poderiam comer os dois. Em seguida eles saiam da sala. As crianças eram filmadas o tempo todo. Esse estudo mostrou que algumas crianças conseguiram adiar o prazer imediato de comer o marshmallow que já estava ali na sua frente para conseguir ganhar dois algum tempo depois.
Vários aspectos dos desempenhos dessas crianças foram monitorados durante muitos anos após esse experimento inicial. Esse monitoramento mostrou que aquelas crianças que conseguiram adiar a gratificação tendiam a ser mais eficientes em diversas tarefas como nos seus desempenhos acadêmicos e sucesso na vida adulta.

Vantagens e desvantagens do hedonismo e do asceticismo

Tanto o hedonismo quanto o ascetismo apresentam vantagens e desvantagens. Os exageros em qualquer uma dessas duas formas de se entregar ou de se abster do prazer é que causam problemas.

Vantagens e desvantagens do hedonismo
Invejamos aquelas pessoas que sabem aproveitar a vida. Existem vários ditados que mostram a o reconhecimento por pessoas que aproveitam os prazeres da vida. Por exemplo:
“Não vale nada ter dinheiro guardado no banco e levar uma vida chata e pobre”.
“Para ser rico não basta ter dinheiro, também é preciso saber gastá-lo”.

Por outro lado, recriminamos as pessoas que não pensam no futuro. Sabemos que aqueles que se entregam demais aos prazeres imediatos colocam-se em risco e comprometem seus futuros. A seguinte anedota ilustra bem a visão negativa que as pessoas têm daqueles que são regidos apenas pelos prazeres imediatos:
Um entrevistador estava visitando asilos para descobrir as causas da longevidade. Em certa ocasião estava entrevistando uma senhora que parecia ser muito idosa: cabelos ralos e brancos, pele enrugada e emaciada, dentes mal conservados, costas encurvada, pouca energia, etc. O entrevistado perguntou para essa senhora: como foi a sua vida? Ela começou a contar: “Bebi tudo que podia, tomei drogas, fiz sexo sem proteção, não fiz ginástica”... O entrevistador então lhe perguntou: quantos anos a senhora tem? Ela respondeu: "Trinta e dois!”

Vantagens e desvantagens do asceticismo
Por outro lado, a abstenção exagerada dos prazeres imediatos em prol de condições melhores no futuro também apresenta seus riscos. A seguinte anedota, de autoria desconhecida, ilustra bem esse ponto de vista:
“Ele passou a vida toda economizando”. Absteve-se de tudo que não era necessário e acabou acumulando um grande patrimônio. Quando já estava velho e caiu em si e percebeu que era muito tarde para começar a aproveitar muitas coisas boas da vida: não tinha disposição para viajar, não atraia mais as mulheres, seus filhos eram ressentidos porque ele não facilitou suas vidas tanto quanto podia. E o pior de tudo, tinha que andar com aquelas canícula enfiada no nariz para receber mais oxigênio.

Qual a sua propensão, hedonismo ou asceticismo?

Problemas para se entregar ou para se abster do prazer imediato? Procure a ajuda de um psicólogo.

Por Ailton Amélio às 14h24

25/03/2016

Você não sabe o que está perdendo: uma delícia de amor!

Neste artigo, vou apresentar um exemplo que ressalta as manifestações de um tipo de amor que é uma mistura de Estorge (amor companheiro) e Eros (amor sensual, intenso e realista). (Veja a descrição desses estilos de amor no meu artigo, publicado neste Blog, em 24/03/2013: “Qual é o seu estilo de amor?”).

Ingredientes dos relacionamentos

O relacionamento amoroso conjugal é composto por diversos ingredientes: amor, amizade, cumplicidade, consideração, lealdade, prazer, conversas prazerosas e nutritivas, compartilhamento de tarefas, comprometimento, romantismo, sexo, etc.

Muitos desses ingredientes também estão presentes em outros tipos de relacionamentos, como, por exemplo, na amizade e nas relações parentais. Para que um relacionamento seja amoroso e conjugal é necessário que os parceiros tenham sentimentos românticos e atração sexual mútua. A ausência desses dois ingredientes faz que o relacionamento seja de outra natureza: amistoso, profissional, indiferença, etc. dependendo da presença de outros ingredientes.

Ingredientes do amor conjugal

Segundo Robert J. Sternberg, autor de a Teoria Triangular do Amor, o amor conjugal tem três ingredientes principais: intimidade (amizade, cumplicidade, apoio, etc.), paixão (romântica e sexual) e compromisso (decisão de permanecer no relacionamento e cuidados apresentados no dia a dia para que ele tenha boa qualidade e dure). (Leia mais sobre esses ingredientes no meu artigo, publicado neste Blog, em 23/10/2014, “Quanto de intimidade, paixão e compromisso existe entre você e seu parceiro amoroso?”).

Faltam exemplos que mostrem as exibições dos ingredientes do amor

Na vida real ou na mídia raramente vemos bons exemplos de cada um desses três ingredientes: raramente vemos alguém exibindo uma dose ótima e clara de cada um deles durante o relacionamento.

Algumas exceções: alguns filmes e novelas apresentam exemplos de intimidade e amor romântico nos inícios dos namoros. Exemplos de comprometimento são mostrados apenas durante os pedidos de noivado e festas de casamento, mas não nos atos do dia a dia.

A mídia está saturada de artigos sobre a importância do bom sexo para a satisfação do relacionamento. Abundam os cursos sobre as práticas sexuais. Programas de televisão abordam exaustivamente esse tema. Realmente sexo é importante, mas ele é só um dos ingredientes essenciais dos relacionamentos amorosos e conjugais.

Na mídia, há um silêncio ensurdecedor sobre a importância e o conteúdo do relacionamento nutritivo e prazeroso para a qualidade e durabilidade do relacionamento.

Um exemplo de amor romântico e de atração sexual pela parceira

Neste artigo, vamos apresentar um exemplo da exibição dos seguintes ingredientes do bom relacionamento amoroso e conjugal: gostar da parceira, deliciar-se com a sua presença, sentir atração romântica e sexual por ela e demonstrar tudo isso através de atos.

O namorado mostra seu amor por Vênus

O seguinte relato ilustra muito bem o que é gostar e sentir atração romântica e sexual por alguém:

"Ele adorava a companhia de Vênus. Não importava o seu estado de espírito, ao encontrá-la a alegria se fazia presente. Ele ficava entusiasmado durante seus encontros. Um sorriso largo estava sempre presente no seu rosto. Tornava-se animado e brincalhão. Todos os acontecimentos, dos menores até os maiores, eram coloridos pelo prazer que sentia pela presença dela: cinemas, teatros, restaurantes, exposições, etc. eram muitos prazerosos na sua companhia.

De fato, a natureza dos programas tinha uma importância menor. Era a companhia dela que o encantava onde quer que estivessem. Nunca antes, ele havia sentido tanto prazer pela companhia de alguém. O programa que estavam fazendo podia contribuir para o sucesso do encontro. No entanto, o que mais contribuía para esse sucesso era a presença dela.

Adorava olhar para ela. Nos restaurantes, por exemplo, ele fazia de tudo para sentar-se ao seu lado. Quando isso não era possível, colocava-a em um lugar onde ela ficava com a visão do ambiente. Ele, do outro lado da mesa, ficava olhando para a parede e, o melhor de tudo, para ela.

Quando estava com ela, nada que passava em volta atraia a sua atenção. Por exemplo, quando estava com ela nada que estava passando na televisão chamava a sua atenção. Outro exemplo, em um show de dança do ventre, a bailarina, por mais bonita que fosse, não era páreo para ela, nem de longe! O prazer de olhar para ela e conversar com ela superava isso tudo!

Em algumas ocasiões, ela tinha ciúmes dele. Ciúmes completamente infundados. Ele não pensava e não precisava de mais ninguém. Ela era tudo que ele queria!

Ele também sentia muita atração por ela: via-a como mulher o tempo todo. Não era uma atração 100% romântica, mas era uma grande atração pelo seu lado feminino e sensual.

Quando estava com ela, as horas passavam rápido. Sempre ficava aquela "sensação de quero mais".

Todos esses sentimentos resistiam à passagem do tempo. A magia se instalava toda vez que saiam, embora o namoro já durasse quase um ano!

Ele a aceitava incondicionalmente: ela não tinha que provar nada para ser aceita.”.


Você gostaria de um amor assim? Essas exibições de amor estão presentes no seu relacionamento?

NOVO ENDEREÇO DESSE BLOG: 

http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/

Por Ailton Amélio às 13h11

19/03/2016

Dedo podre: quando os méritos do parceiro só existem na sua cabeça

As pessoas variam muito quanto aos cuidados que tomam para escolher parceiros amorosos. Algumas são impulsivas e escolhem muito rapidamente; outras necessitam de um bom tempo de convivência para desenvolver a intimidade e, só quando isso acontece, envolvem-se amorosamente; outras necessitam de um bom tempo de convivência para examinarem meticulosamente o parceiro para ver se ele preenche seus requisitos.

Aqui vou tratar apenas de pessoas que se envolvem quando apenas alguns dos seus poucos requisitos são preenchidos, mesmo quando outros grandes inconvenientes estão presentes.


Você tem dedo podre?

Para ajudar a avaliar se você tem dedo podre na hora de escolher parceiros amorosos responda as seguintes questões:

- Você sempre se apaixona por alguém que pode ser considerado inconveniente e insignificante segundo os parâmetros sociais vigentes?

- Você sempre se apaixona por alguém que lhe traz muitas encrencas?

- Você sempre se apaixona por alguém que é "relativamente" infiel?

- Você sempre se apaixona por alguém que não se abre com você e, por isso, é um mistério.

- Você não procura conhecer o parceiro antes de se apaixonar ou ignora os sinais que indicam a presença desses inconvenientes antes de se apaixonar?

 Se você respondeu positivamente a uma ou mais que uma dessas questões fique atento: você tem a propensão para se apaixonar pela pessoa errada!

Quando já está tudo na sua cabeça e o parceiro é só é um detalhe

Um conhecido relatou como era a sua amada:

Conheceu-a através de um aplicativo.

Na foto, ela era bonitinha, mas nada excepcional.

Através das poucas informações que ela fornecia no seu perfil, ele criou uma história muito fantasiosa a seu respeito.

Quando a conheceu pessoalmente, assim que a viu, ficou fascinado por ela! No entanto, ela era relativamente insignificante, segundo suas palavras. Em pouco tempo de conversa, ele pode constatar que a história que havia imaginado a respeito dela era uma ficção. Ela era bem menos do que ele havia imaginado.

Apesar de tudo isso, o seu fascínio por ela persistiu.

Era muito bom conversar com ela. Não que ela fosse boa de conversa, mas o seu fascínio por ela promovia o entusiasmo.

Sexualmente, ela era muito travada. Mas, até isso, movido pelo desafio de ajudá-la a progredir, se tornou muito prazeroso para ele!

Ela apresentava vários problemas psicológicos. Isso também contribuiu positivamente para que ele se ligasse a ela: despertou o seu lado agápico: ele tinha prazer em ajudar as pessoas.

Ou seja, cada encrenca que ele descobria, se transformava em um atrativo para ele. Ele tinha certo tipo de toque de Midas: transformava em atrativos os problemas que identificava na parceira"

Claro que não deu certo!

 

Algumas pessoas já trazem dentro de si, antes de começar qualquer relacionamento amoroso, todas as concepções e expectativas sobre como vão se sentir, o que vão fazer, o mundo que vão viver etc. O outro, o amado, é apenas um detalhe no meio dessa imensidão de concepções.

Assim que encontram alguém que aciona seus gatilhos amorosos, elas despejam tudo que já estava pré-formado dentro de si!

 

Estou ficando cada vez mais cético quanto àquelas listas de atributos que tornam um parceiro desejável. Cada vez mais, estou tentado a crer que o amor pode nascer e durar através de vários caminhos. O local de chegada é bastante fictício e pré-existente na mente dos futuros amantes!

Você geralmente escolhe parceiros amorosos errados? Procure a ajuda de um psicólogo!

NOVO ENDEREÇO DESSE BLOG:

http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/

 

Use as ferramentas abaixo para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 09h40

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico