Blog do Ailton Amélio

Busca

23/10/2014

Quanto de intimidade, paixão e compromisso existe entre você e seu parceiro amoroso?

A paixão mútua atrai os parceiros amorosos para o relacionamento. A intimidade dá sentido, conteúdo e estabilidade para este relacionamento e ajuda a paixão a se transformar em amor! Os compromissos vão selando essa evolução (namoro, noivado, casamento).

Neste artigo vamos examinar a teoria triangular de Sternberg para descobrir quais são os três ingredientes do amor e quais são os tipos de amor que acontecem quando apenas um, dois ou os três ingredientes do amor estão presentes.

Uso muito essa teoria no meu consultório para fazer uma espécie de radiografia do conteúdo amoroso dos pacientes individuais e casais que procuram terapia.

Ingredientes do amor

Existem muitas teorias que tentam explicar o que é o amor, como ele nasce e quais são os seus tipos. A teoria triangular de Robert J. Sternberg, famoso pesquisador do amor e editor do livro “Psychology of Love” faz algo diferente. Esta teoria apresenta os ingredientes do amor. Segundo essa teoria, o amor é composto por três ingredientes: intimidade, paixão e decisão/compromisso.

O seguinte resumo dessa teoria vai ajudar você a entender o conteúdo do seu amor.


Intimidade

Segundo Sternberg, a intimidade tem os seguintes componentes:

1. Desejo de promover o bem estar do amado

2. Ficar feliz quando está com o amado

3. Ter muita consideração pelo amado

4. Ser capaz de contar com o amado em caso de necessidade

5. Ter compreensão mútua com o amado

6. Compartilhar o que se passa consigo

7. Compartilhar as posses com o amado.

7. Receber e dar suporte emocional para o amado quando há necessidade

8. Cumunicar-se íntimamente com o amado

9. Valorizar a presença do amado na própria vida


Paixão

Sternberg usa o termo “paixão” para se referir aos sentimentos românticos e ao desejo e prazer sexual. As seguintes questões vão ajudar a avaliar quanto de romantismo e atração e desejo sexual você sente pelo seu parceiro:

Paixão romântica

1- Quão romântico você se sente em relação ao parceiro?

2- Quão frequente você fica imaginando momentos românticos entre vocês dois? Quando você vê um filme romântico, lê um livro romântico ou ouve uma música romântica você fica se imaginando com ele?

3- Quantas vezes você fica olhando para os olhos do seu parceiro e trocando juras de amor com ele?

4- Você gosta de dançar de rosto colado com ele?

Paixão sexual

1- Quanto você deseja sexualmente o seu parceiro?

2- Quanto você gosta do contato físico com ele?

3- Quanto você gosta de fantasiar intimidades sexuais com ele?

4- Quanto de prazer sexual você sente nas relações sexuais com ele?


Decisão/Compromisso

As seguintes questões vão ajudar a avaliar o seu grau de compromisso com seu parceiro:

1- Você espera que o compromisso com o parceiro dure pelo resto da vida?

2- Quão determinada você está para se esforçar para manter esse compromisso?

3- Quão certo você está do seu amor pelo parceiro?

4- Você não consegue se imaginar fora deste relacionamento?

5- Você evita situações que poderiam por em risco o compromisso com seu parceiro?

6- Você imagina que o seu compromisso com o seu parceiro é tão forte que resistiria a grandes provas?

Aspectos importantes da teoria triangular

As intensidades dos três ingredientes do amor variam muito entre os relacionamentos.  Eles podem ser quase nulos, entre duas pessoas que acabaram de se conhecer e não sentem muita atração ou simpatia inicial até imensos, entre duas pessoas que estão apaixonadas, sentem muita atração  sexual mútua, sentem muita amizade uma pela outra e acabaram de se casar com o propósito de permanecerem juntas “até que a morte nos separe”. Sternberg representou essas variações de intensidade através de variações nas áreas e nos comprimentos relativos dos lados do triangulo que representam cada um desses ingredientes (triângulos equiláteros, obtusos, etc.). Um triângulo com uma pequena área representa uma intensidade muito pequena desses três ingredientes. Um triângulo com uma área muito grande representa uma grande intensidade desses três ingredientes.

As intensidades absoluta e relativa dos ingredientes podem ser diferentes para os dois parceiros de um mesmo relacionamento.  Por exemplo, um deles pode sentir muito mais amor romântico e desejo sexual pelo outro do que vice versa. No meu consultório, tenho encontrado muitos casais que reclamam que oferecem mais intimidade e que expressam mais sentimentos românticos pelo outro do que recebem. Muitas vezes também alegam que o outro só quer sexo e que não deseja se separar.

Essa teoria é muito útil para entender o que se passa em diversos tipos de relacionamentos. Vamos examinar agora os tipos de relacionamentos nos quais estão presentes apenas um, dois ou esses três ingredientes do amor.

Tipos de relacionamentos amorosos

Leia as seguintes descrições e veja qual delas mais se aproxima do que se passa entre aquelas pessoas cujo estilo de amor você quer entender.

Nenhum dos três ingredientes do amor está presentes (“Não amor”)

Por exemplo: relações impessoais entre um vendedor e comprador que são neutros em relação ao outro, em termos dos sentimentos de simpatia e atração interpessoal.

Só intimidade (“Gostar”)

Só o ingrediente intimidade está presente. Por exemplo, uma pessoa gosta da outra, quer o seu bem, aceita-a como ela é, fornece-lhe apoio e gosta de conversar com ela, mas não sente nada na área romântica e sexual por ela e não tem nenhum compromisso amoroso com ela.

A intimidade pode estar presente em diversos tipos de relacionamento como, por exemplo, na amizade e em relacionamentos entre parentes. Vários dos seus aspectos também estão presentes no relacionamento entre psicólogos e seus pacientes: estes compartilham suas intimidades com aqueles. O vice versa não está previsto neste tipo de relacionamento.

Só paixão (“Paixão”)

Para Sternberg, o termo “paixão” inclui tanto o romantismo como o desejo sexual. Há paixão quando uma pessoa tem fortes sentimentos românticos por outra: pensa nela o tempo todo, fantasia que está namorando com ela e passa horas analisando os detalhes dos encontros. Uma pessoa tem desejo sexual por outra quando desenvolve fantasias sexuais nas quais ela está envolvida  e sente excitação sexual na sua presença ou quando antecipa que vai encontrá-la.

Só compromisso (“Amor vazio”) 

Curiosamente, o compromisso pode ser o único desses três ingredientes do amor que está presente tanto no início (menos comum) como no fim dos relacionamentos. Por exemplo, ele é o primeiro que está presente nos casamentos arranjados onde os noivos não se conheciam anteriormente. 

O compromisso é o último ingrediente que ainda está presente em certos relacionamentos onde a intimidade, o romantismo e o desejo sexual, que existiram um dia, acabaram, mas os parceiros ainda permanecem casados.

Intimidade e paixão ("Amor romântico" )

O compromisso está ausente neste tipo de amor. São relacionamentos onde os encontros são intensos, cheios de romance, sexo e intimimidades. O casal, no entanto, não faz planos, não age de forma comprometedora (por exemplo, os parceiros não apresentam o outro para os amigos e familiares e não marcam quando vão se encontrar novamente).

Intimidade e compromisso (“Amor companheiro”)

Neste tipo de amor só existem a intimidade e o compromisso. O romantisco e o desejo sexual não ocupam papéis muito importantes neste tipo de amor.

Este tipo de amor é aquele que ocorre com os “estórgicos” (amor cujo cerne é a amizade, segundo a classificação de John Alan Lee – veja o meu artigo a este respeito, publicado neste blog). Este tipo de amor também ocorre bastante com pessoas casada há muito tempo: a paixão e o desejo sexual foram ficando cada vez mais fracos.

Paixão e compromisso (“Amor fulgaz”)

Amor fugaz pode ser exemplificado por um repentino namoro e casamento. Este tipo de amor ocorre com aquelas pessoas que assim que conheceram foram tomadas por uma intensa paixão mútua e se casaram (Em Las Vegas, nos EUA, acontecem muitos casamentos deste tipo). Com muita sorte, esta paixão se transforma em amor. Em uma grande quantidade de casos, a idealizaçao do parceiro que deu margem à paixão não resiste ao convívio e, ai então, a intimidade não se desenvolve, a paixão não deságua no amor e deixa de existir e o compromisso é rompido.  

Intimidade, paixão e compromisso (“Amor completo”)

Todos os três ingredientes do amor estão presentes em uma boa intensidade neste tipo de amor.

O amor completo é considerado como o tipo ideal. De acordo com Sternberg, aqueles casais que têm esse tipo de amor também têm muito mais chances de serem felizes, são amigos entre si, têm muitos anos de relações sexuais, não conseguem se imaginar felizes com qualquer outra pessoa, ultrapassam dificuldades, e ambos se encantam no relacionamento com o outro.

NOTA

Para ler mais sobre essa teoria e fazer um teste para avaliar os ingredientes do seu amor, leia o artigo: “Versão brasileira da escala triangular do amor de Sternberg” de Vicente Cassepp-Borges e Maycoln L. M. Teodoro:http://www.scielo.br/pdf/prc/v20n3/a20v20n3.pdf

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 08h33

17/10/2014

Como levar em conta as qualidades e defeitos de candidatos ao seu coração

Como escolher parceiros amorosos ( ou políticos!) levando em conta suas qualidades e defeitos? Como levar em conta as importâncias que cada um dessas qualidades e defeitos tem para nós? O princípio da médias algébricas ponderadas de qualidades e defeitos fornece uma resposta aproximada para essas perguntas.

O princípio das médias algébricas ponderadas das qualidades e defeitos

 Este princípio afirma que, para avaliar o grau de atração dos nossos pretendentes amorosos, levamos em conta suas qualidades e defeitos. Para fazer esta avaliação, também levamos em conta as importâncias que cada um destas qualidades e defeitos.

Certos defeitos são eliminatórios: se o pretendente tiver um ou mais que um deles,  isto o desclassificará , independentemente das suas qualidades. Por exemplo, se uma pessoa é desonesta, ela será desclassificada pela grande maioria das pessoas como parceira amorosa, independentemente das suas qualidades.

Vamos examinar agora um exemplo fictício de escolha entre dois parceiros.

Exemplo da escolha entre dois pretendentes segundo o princípio das médias algébricas ponderadas de qualidades e defeitos

André e Moacir estão querendo iniciar um namoro com Vanessa. Vanessa também está interessada nos dois.

A Tabela abaixo mostra, de uma forma simplificada, como Vanessa escolheu um dos dois para namorar. Esta tabela mostra apenas as qualidades dos dois pretendentes. Vanessa também construiu outra tabela com os defeitos dos pretendentes. Em seguida, ela subtraiu as médias dos defeitos das médias das qualidades de cada um dos dois pretendentes.

Nas suas avaliações, Vanessa atribuiu notas de 0 (“Nenhum valor”)  e 100 (“Extremamente valioso”) para cada um das qualidades e defeitos que estavam sendo avaliados e para quanto cada pretendente possuia cada um deles.

Exemplo da escolha de um parceiro de acordo com o princípio das médias algébricas ponderadas de defeitos e qualidades

Atributos importantes para Vanessa

Pesos dos atributos para Vanessa

Notas de Vanessa para os  atributos de cada pretendente

Notas ponderadas (pesos x notas) de cada pretendente

 

 

 

ANDRÉ

(Notas simples)

MOACIR

(Notas Simples)

ANDRÉ

(Notas ponderadas)

MOACIR

(Notas ponderadas)

Confiabilidade

9

7

7

63

63

 

Educação e inteligência

5

6

9

30

45

 

Boa aparência

4

8

4

32

16

 

Ambição e dedicação ao trabalho

10

6

10

60

100

 

Bom status social

4

6

9

24

36

 

SOMA

 

 

 

209

260

         

A primeira coluna desta tabela mostra seis atributos positivos que Vanessa considera importantes em um namorado. A segunda coluna mostra os pesos relativos de cada um destes atributos para Vanessa. Por exemplo, para ela a confiabilidade é muito importante (deu peso 9). O “Bom status” é o menos importante desses atributos (ela deu peso 4) . A terceira coluna mostra quanto ela acha que André possui de cada um desses atributos e a quarta destas colunas mostra quanto ela acha que Moacir possui de cada um destes atributos (quanto maior a nota, mais ela acha que quem está sendo avaliado possui o atributo). A quinta e a sexta colunas desta tabela mostram, respectivamente, os resultados das multiplicações da segunda coluna (peso de cada atributo para Vanessa) pelas terceira e quarta colunas, respectivamente  (notas que André e Moacir obtiveram em cada um dos atributos). A última linha inferior desta tabela mostras as somas da quinta coluna (notas ponderadas de André) e da sexta coluna (notas ponderadas de Moacir), ou seja, as “notas finais” de cada um destes dois pretendentes.

Estas duas notas finais indicam que Moacir será o namorado escolhido por Vanessa, pois ele teve 260 pontos nesta avaliação, ao passo que André só obteve 209 pontos. A qualidade de Moacir que mais pesou nesta nota final foi Ambição e Dedicação ao Trabalho. Ele nota 10 nesta qualidade que também foi considerada como a mais importante por Vanessa (peso 10). 

Dificuldades para escolher parceios amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo. 

Leia mais sobre a escolha de parceiros no meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 12h19

13/10/2014

Como levar em conta qualidades e defeitos de candidatos ao seu coração

Como escolher parceiros amorosos ( ou políticos!) levando em conta suas qualidades e defeitos? Como levar em conta as importâncias que cada um dessas qualidades e defeitos tem para nós? O princípio da médias algébricas ponderadas de qualidades e defeitos fornece uma resposta aproximada para essas perguntas.

O princípio das médias algébricas ponderadas das qualidades e defeitos

 Este princípio afirma que, para avaliar o grau de atração dos nossos pretendentes amorosos, levamos em conta suas qualidades e defeitos. Para fazer esta avaliação, também levamos em conta as importâncias que cada um destas qualidades e defeitos.

Certos defeitos são eliminatórios: se o pretendente tiver um ou mais que um deles,  isto o desclassificará , independentemente das suas qualidades. Por exemplo, se uma pessoa é desonesta, ela será desclassificada pela grande maioria das pessoas como parceira amorosa, independentemente das suas qualidades.

Vamos examinar agora um exemplo fictício de escolha entre dois parceiros.

Exemplo da escolha entre dois pretendentes segundo o princípio das médias algébricas ponderadas de qualidades e defeitos

André e Moacir estão querendo iniciar um namoro com Vanessa. Vanessa também está interessada nos dois.

A Tabela abaixo mostra, de uma forma simplificada, como Vanessa escolheu um dos dois para namorar. Esta tabela mostra apenas as qualidades dos dois pretendentes. Vanessa também construiu outra tabela com os defeitos dos pretendentes. Em seguida, ela subtraiu as médias dos defeitos das médias das qualidades de cada um dos dois pretendentes.

Nas suas avaliações, Vanessa atribuiu notas de 0 (“Nenhum valor”)  e 100 (“Extremamente valioso”) para cada um das qualidades e defeitos que estavam sendo avaliados e para quanto cada pretendente possuia cada um deles.

Exemplo da escolha de um parceiro de acordo com o princípio das médias algébricas ponderadas de defeitos e qualidades

Atributos importantes para Vanessa

Pesos dos atributos para Vanessa

Notas de Vanessa para os  atributos de cada pretendente

Notas ponderadas (pesos x notas) de cada pretendente

 

 

 

ANDRÉ

(Notas simples)

MOACIR

(Notas Simples)

ANDRÉ

(Notas ponderadas)

MOACIR

(Notas ponderadas)

Confiabilidade

9

7

7

63

63

 

Educação e inteligência

5

6

9

30

45

 

Boa aparência

4

8

4

32

16

 

Ambição e dedicação ao trabalho

10

6

10

60

100

 

Bom status social

4

6

9

24

36

 

SOMA

 

 

 

209

260

         

A primeira coluna desta tabela mostra seis atributos positivos que Vanessa considera importantes em um namorado. A segunda coluna mostra os pesos relativos de cada um destes atributos para Vanessa. Por exemplo, para ela a confiabilidade é muito importante (deu peso 9). O “Bom status” é o menos importante desses atributos (ela deu peso 4) . A terceira coluna mostra quanto ela acha que André possui de cada um desses atributos e a quarta destas colunas mostra quanto ela acha que Moacir possui de cada um destes atributos (quanto maior a nota, mais ela acha que quem está sendo avaliado possui o atributo). A quinta e a sexta colunas desta tabela mostram, respectivamente, os resultados das multiplicações da segunda coluna (peso de cada atributo para Vanessa) pelas terceira e quarta colunas, respectivamente  (notas que André e Moacir obtiveram em cada um dos atributos). A última linha inferior desta tabela mostras as somas da quinta coluna (notas ponderadas de André) e da sexta coluna (notas ponderadas de Moacir), ou seja, as “notas finais” de cada um destes dois pretendentes.

Estas duas notas finais indicam que Moacir será o namorado escolhido por Vanessa, pois ele teve 260 pontos nesta avaliação, ao passo que André só obteve 209 pontos. A qualidade de Moacir que mais pesou nesta nota final foi Ambição e Dedicação ao Trabalho. Ele nota 10 nesta qualidade que também foi considerada como a mais importante por Vanessa (peso 10). 

Dificuldades para escolher parceios amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo. 

Por Ailton Amélio às 16h51

09/10/2014

Oito dicas para melhorar sua conversa

Porque algumas pessoas são bem-sucedidas profissional, social e amorosamente, enquanto outras têm muitas dificuldades nestas áreas? Certamente existem muitos motivos para isso. Vamos falar de um deles: a habilidade para conversar. Através da conversa podemos produzir tremendos benefícios ou malefícios para nossos interlocutores. A satisfação dos relacionamentos é fortemente determinada pelo que as pessoas dizem ou deixam de dizer para a outra e sobre a outra.

É difícil exagerar a importância da conversa para o sucesso dos relacionamentos amorosos. Ela é importante para atrair, cativar, conquistar, desenvolver e manter este tipo de relacionamento.

Oito dicas para melhorar sua conversa

Vamos examinar agora oito maneiras de melhorar a sua conversa.


1- Seja polido

A polidez consiste na tomada dos seguintes cuidados:

1-    Contribuir para que nossos interlocutores se sintam melhor

2-    Evitar ações que poderão fazê-los sentirem-se pior.

3-    Tomar medidas para amenizar aquelas intervenções que poderão ser ameaçadoras para a autoestima do interlocutor  

Uma das principais áreas onde a polidez tem que estar sempre presente é na comunicação. Tudo pode ser dito, dependendo da maneira como é dito. O ser humano é muito melindroso, sensível e delicado em relação à forma como os outros se dirigem a ele. Dizer as coisas da forma certa pode ser tão ou mais importante do que aquilo que é dito.

A polidez diz respeito às palavras que são usadas, à contextualização que é criada para emoldurar adequadamente as comunicações e a comunicação não verbal que antecede, acompanha ou segue o que é dito (tom de voz suave ou ríspido, cara sorridente ou de escárnio, etc.). Imagine, por exemplo, os diferentes efeitos na sensibilidade de quem recebe os seguintes pedidos ou ordens: “Abra a janela.”; “Você se incomodaria de abrir a janela?” e “Está quente aqui, não é? A janela está fechada...” O objetivo de quem apresenta esses pedidos, insinuações e ordens é abrir a janela. As maneiras que esta pessoa está usando para alcançar seu objetivo podem ser rudes, impositivas ou delicadas.

Uma grande parte dos problemas de relacionamento acontece devido à forma como as pessoas se tratam. Um relacionamento amoroso pode ir em frente ou fracassar devido à polidez ou falta de polidez entre o casal.


2- Mostre atenção e envolvimento com a conversa através da comunicação não verbal

Através da comunicação não verbal emitimos e captamos mensagens que têm as seguintes propriedades: confirmar, negar, enfatizar ou enfraquecer o que está sendo dito; indicar o grau de envolvimento, a animação, a veracidade, a simpatia e as emoções em relação ao que está sendo dito.

Sinais de atenção e envolvimento.

O falante e o ouvinte que estão atentos e envolvidos com a conversa apresentam pelo menos alguns dos seguintes tipos de comunicação não verbal: frente do corpo orientada na direção do interlocutor; distância apropriada para conversar; leve inclinação do tronco na direção do interlocutor (quando sentados); ausência de obstáculos físicos ou corporais entre os interlocutores; olhares dirigidos para a face do interlocutor durante  boa parte do tempo; as tarefas são explicitamente deixadas de lado para mostrar dedicação total à conversa.


3- Ouça ativamente

Quem ouve ativamente mostra sinais de atenção ao interlocutor, reage ao que está sendo dito, apresenta sinais que quer continuar a ouvir, mostra afetação pelo que está sendo dito, contribui para a continuidade da conversa. O ouvinte ativo faz questão de entender, não se mostra ansioso para tomar a palavra e não se apressa em concordar ou discordar. Ser ouvido desta forma é muito motivador, prazeroso e benéfico. É muito bom quando o outro oferece espaço e interesse para expressarmos os nossos sentimentos e o nosso ponto de vista.

O ouvinte ativo apresenta frequentemente sinais do seguinte tipo: anuências frequentes com a cabeça; emissão frequente de sons guturais e pequenos comentários que indicam “Estou acompanhando”, “Estou entendendo”, “Nossa!”, “Que interessante”, “Fiquei em dúvida”, etc.


4-    Fale na dose certa

Saber quando e quanto falar é importante para o sucesso da conversa. A “dose certa” varia com as circunstâncias. Uma regra “cega” para evitar falar demais é manter a palavra por no máximo cinco minutos.

Melhor que esta regra é falar de acordo com as motivações de ambas que estão presentes em cada momento. Para saber quais são as motivações presentes, os interlocutores têm que ser capazes de emitir e ler os sinais que indiquem os seus interesses em manter seus respectivos papéis de ouvinte e falante.

Uma terceira estratégia, muito boa para calibrar quanto se fala, é propor os temas de uma forma resumida e só os desenvolver à medida em que o interlocutor vai manifestando interesse por mais informações. A técnica das informações gratuitas, que apresentaremos abaixo, é um tipo de aplicação desta estratégia.


5- Use a conversa contato para sondar e preparar o terreno para a conversa

A conversa-contato é aquela conversa leve, não comprometedora e relativamente impessoal, que as pessoas muitas vezes desenvolvem assim que se encontram: “Está quente hoje, não é?”.

Muita gente acha bobagem falar sobre estes temas superficiais e querem ir direto para coisas mais importantes. No entanto, é um erro pensar assim. As conversas-contatos possuem diversas funções muito importantes. Elas indicam que uma pessoa fez questão de falar com a outra, mesmo quando não tinha algo muito importante para dizer. Por este motivo, este tipo de conversa ajuda a reforçar os vínculos. Além disso, ela mantém as pessoas conectadas enquanto elas sondam se a outra está disponível e disposta a conversar e quais são os assuntos que podem interessar.

Os assuntos abordados na conversa-contato geralmente são os seguintes: (1) aquilo que pode ser percebido pelos interlocutores no ambiente presente (“A festa está animada, não é?”) ou aquilo que aconteceu momentos antes (“Pegou muito trânsito?”); (2) se tem amigos ou histórias em comum; (3) os fatos (jogar um assunto isca para ver se o outro pega). Falar sobre fatos é mais seguro porque há pouco risco de ofender ou entrar em conflito e (4) coisas divertidas.


6- Forneça e aproveite informações gratuitas

Tive um paciente muito tímido que achava que para conversar bem era necessário fazer cursos de música popular, viajar, assistir novelas etc. Assim ele teria assuntos interessantes para as mulheres. Tudo isto certamente ajuda. No entanto, saber fornecer e aproveitar informações gratuitas é um dos principais segredos das boas conversas informais.

Uma informação gratuita é aquela que é fornecida sem que tenha sido solicitada. Por exemplo: quando você pergunta para uma pessoa onde ela mora e ela dá o endereço (informação solicitada) e acrescenta que gosta muito daquele local e a sua família mora no mesmo bairro, ela apresenta duas novas informações gratuitamente. Geralmente quem apresenta a informação gratuita tem interesse em conversar sobre ela. O fornecimento e o aproveitamento das informações gratuitas também indicam interesse em conversar.


7 - Apresente feedback pessoal para a comunicação do seu interlocutor

Diga o que você sentiu e pensou em relação a aquilo que foi comunicado pelo seu interlocutor. Esse tipo de feedback vai motivar o seu interlocutor, ajudá-lo a direcionar o que está dizendo e mostrar que você está atento e interessado na conversa e no assunto. Este tipo de feedback também vai ajudar você a se envolver com o que está sendo dito.


8 - Não mate a conversa

Algumas pessoas desestimulam qualquer conversa. Algumas das principais maneiras de fazer isso são as seguintes:

(1) Não estimular o interlocutor a falar sobre nada: não reagir; não mostrar interesse em nada que ele está dizendo;

(2) Interromper o interlocutor e mudar de assunto repetidamente;

(3) Só falar dos seus assuntos;

(4) Apontar o lado negativo de tudo;

(5) Dar uma de doutor sabe-tudo;

(6) Não levar a sério nada do que o outro diz (bancar o galhofeiro ou “gozador”);

(7) Ser indiscreto ou discreto demais.

 

Você tem dificuldade para conversar? Procure a ajuda de um psicólogo.

Nota

Este artigo foi baseado em um capítulo do meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 09h41

01/10/2014

A síndrome que toma conta daqueles que descobrem que estão sendo traídos

"Prefiro continuar ouvindo suas mentiras /Do que viver sem você"

(Tradução livre dos versos da música: Are You Lonesome Tonight? Elvis Presley)

A traição amorosa acontece quando o parceiro é enganado na área romântica ou na área sexual. Não é o ato em si que caracteriza a traição, mas sim o engano. Por exemplo, flertar na internet com uma terceira pessoa, sem o conhecimento do parceiro, é um tipo leve de traição. Transar com outra pessoa na frente do parceiro, com a sua anuência e cumplicidade, não é traição.

Embora as reações à descoberta da traição variem bastante, geralmente ela é muito traumática para o traído. Grande parte dos relacionamentos não sobrevive à traição (Betzig, 1989 - veja a Nota, no final deste artigo), . Muitos dos traídos ficam precisam ser medicados devido à intensidade dos distúrbios que os acometem quando ficam sabendo da traição.

É importante conhecer os distúrbios causados pela descoberta da traição porque cada um deles requer cuidados adequados para abreviar o sofrimento, evitar cicatrizes graves e aumentar as chances de salvação do relacionamento, quando isso é desejável e possível.

Vamos examinar neste artigo alguns dos principais distúrbios que são causados na pessoa traída pela descoberta da traição. Vamos abordar também alguns dos fatores que aumentam as chances de sobrevivência do relacionamento após a descoberta da traição.

A síndrome que acomete aqueles que descobrem que estão sendo traídos

Quem é traído geralmente passa por diversos estados psicológicos muito intensos e desagradáveis. Logo que a traição é descoberta, os estados emocionais do traído se alteram muito no decorrer de um único dia. Em certos momentos, a pessoa traída é tomada pela dor da perda, pelo sofrimento diante da possibilidade de terminar o relacionamento e pela baixa da autoestima. Em outros momentos, prevalecem a raiva pelo traidor, a indignação de ter sido enganado e os pensamentos sobre as medidas que vai tomar para lidar com a situação. Em outros momentos, ainda, o traído pode sentir alívio por estar se livrando do relacionamento com o traidor e com a possibilidade de começar uma nova vida. 

Os principais estados psicológicos que se alternam nas pessoas que descobriram recentemente que foram traídas são os seguintes:

1- Necessidade de informações sobre a traição. Quem foi traído quer saber tudo sobre a traição. Os homens e as mulheres traídos têm diferentes graus de necessidade quanto aos dois seguintes tipos de informações: as mulheres traídas querer saber se houve envolvimento emocional entre o traidor e a rival. Elas dão mais importância para isso do que os homens. Quanto mais envolvimento do traidor, maior o sofrimento. Os homens traídos querem sabe se houve sexo e se ele foi bom. As confirmações dessas informações funcionam como punhaladas em seus corações!

Tanto os homens como as mulheres têm necessidade de informações sobre as circunstancias da traição: quando, como, onde começou o caso e onde aconteceram as traições. Houve provocação por parte da rival?

2- Necessidade de confrontar o traidor. Quem foi traído sente a necessidade de  expressar raiva e indignação e de mostrar o seu sofrimento para o traidor.

3- Procura por evidências que indiquem o término ou a continuidade da traição. Aqueles que foram traídos procuram arduamente por evidências que indiquem se a traição cessou ou se ela continua. Não ter certeza sobre isso é uma das maiores causas da insegurança e do sofrimento que acometem quem foi traído.

4- Obsessão por pistas que indiquem novas traições. Todo mundo faz coisas que poderiam ser interpretadas como sinais de traição: conversas com pessoas atraentes, tentar agradar pessoas que poderiam ser parceiras amorosas, adicionar no Facebook pessoas que poderiam ser possíveis amantes, etc. Essas coisas que acontecem cotidianamente na vida de todo mundo passam a ser alarmantes para quem já foi traído quando observa que estão acontecendo com o traidor.

5- Vigilância contínua. A pessoa traída fica com a sensação de que o traidor pode estar traindo de novo e a qualquer momento. Por isso, ela está continuamente vigilante para as pistas que possam indicar o que o traidor está fazendo. Examina seus e-mails, fica atenta para o que ele diz que vai fazer ou estava fazendo, etc. Só sossega quando ele está à vista.

6 – Perda da confiança no traidor.  Perdoar não é a maior dificuldade para voltar a relacionar-se com o traidor. O mais difícil é voltar a confiar nele.

7- Sentimentos de culpa pela possibilidade de ter empurrado o traidor para a traição. O traído sente a necessidade de examinar a sua história com o traidor para verificar se teve parte da responsabilidade pela ocorrência da traição. O primeiro movimento é culpar o traidor. Posteriormente, quando as emoções amainam, o traído começa a se perguntar o que fez ou deixou de fazer para ser traído.

8- Necessidade de identificar os sentimentos do traidor. Quem foi traído é assaltado por sérias dúvidas sobre os sentimentos do traidor. Existe uma crença de que quem ama não trai. Essa crença é parcialmente verdadeira. Quem ama pode trair, sim, por vários motivos: privação sexual, vingança, variação de parceiro, melhorar autoestima, etc.

Devido a esta dúvida sobre os sentimentos do traidor, a pessoa traída procura arduamente por pistas que indiquem quais são os motivos que o levaram a não querer deixar o relacionamento: a maior dúvida é se ele faz isso porque ainda ama quem traiu ou, na pior das hipóteses, porque para ele é mais cômodo ou vantajoso continuar o relacionamento.

9 – Ciúme. O ciúme atinge duramente aqueles que foram traídos. Por exemplo, imaginar a parceira transando ou trocando beijos apaixonados com o rival é muito dolorido. Saber detalhes da traição pode acentuar e prolongar o sofrimento.

10 - Baixa na autoestima. A pessoa traída se sente preterida. Logo, ela deve ser pior do que o rival. A pessoa traída se pergunta continuamente: “O que a rival tem que eu não tenho?” “Não sou tão atraente para a minha parceira como eu imaginava?” Na realidade, o que o rival tem de diferente, na maioria das vezes, é o fato de ser novidade.

Mesmo a traição por uma parceira que já não era muito querida pode provocar profundos distúrbios. É parecido com o que acontece com uma pessoa  que ia pedir demissão do emprego, mas é despedida antes do seu pedido. Esta dispensa traz várias mensagens desagradáveis sobre o próprio valor e imagem da pessoa despedida.  

11- Recuperação da atração pelo traidor. A traição pode revigorar temporariamente os sentimos e o desejo sexual do traído pelo traidor. Parece aquela história popular da criança que não brinca mais com um brinquedo até que outra criança se interesse por ele. Ai o brinquedo desprezado volta a ser muito interessante para ela. Passa a ser foco da atenção. O interesse de outra pessoa pelo traidor funciona como uma espécie de certificado de valor do traidor (“Iso 9000”) que foi fornecido pelo rival: se este se interessou por ele, é porque ele é interessante.

Pode ocorrer um aumento do desejo sexual do traído pelo traidor. Geralmente este aumento de desejo é temporário. Os motivos deste aumento não são claros.

12- Perda de motivação por todas as outras áreas da vida. O trabalho, a conversa com os amigos, os planos, o convívio com os filhos, tudo isso perde boa parte do sentido.

13- Distúrbios do sono, do apetite e dos vícios. O sono fica agitado, leve, abreviado e não descansa direito. Isso contribui para que as tarefas que têm que ser realizadas se transformem em torturas. As alterações do apetite seguem as tendências que já existiam antes da descoberta da traição: aqueles que tinham tendência para comer pouco, definham; aqueles que tinham tendência para comer muito atacam a comida e engordam! Os vícios que estavam sob controle desandam: fumar, beber, etc. disparam.

14- Perda do senso da confiança na própria capacidade de avaliar os atos do traidor. A pessoa que foi traída passa a duvidar da própria capacidade para perceber os significados dos atos do traidor. Tudo que ele faz pode ter vários significados. O passado com o traidor também pode ser visto sob outros ângulos. Tudo pode ter sido uma bela enganação!

Fatores que aumentam as chances de sobrevivência do relacionamento após a descoberta da traição

A traição é uma das principais causas da separação em quase todas as culturas (outras duas causas importantes são o esvaziamento do relacionamento e as brigas).

Atualmente, uma boa percentagem dos relacionamentos onde aconteceram traições sobrevive. Vamos apontar aqui alguns dos fatores que contribuem para que o relacionamento sobreviva à traição.

1- Indissolubilidade do relacionamento. Dependendo das crenças, principalmente das crenças religiosas, o casamento pode ser visto como indissolúvel ou dissolúvel. Aqueles que acreditam na indissolubilidade têm menor probabilidade de separarem-se devido a uma traição.

2- Grau de compromisso dos cônjuges com o relacionamento. À medida que o relacionamento vai se solidificando, geralmente vai aumentando o grau de compromisso dos parceiros com a sua manutenção. Por isso, um relacionamento que está sendo iniciado tem menos chance de sobreviver á traição do um casamento do que um relacionamento que já está bem estabelecido. Quando os sentimentos ainda não estão solidificados e poucas áreas da vida dos parceiros estão integradas, as chances de rompimento são maiores quando a traição é descoberta.

3- As condições econômicas do traído que permitem que ele saia do relacinamento? Um dos principais preditores da separação são as condições econômicas daqueles que gostariam de sair dele. Quanto maior as dificuldades econômicas que alguém vai ter que enfrentar devido a separação, menor a sua chance de separar-se.

4- Estrutura do relacionamento. Da mesma forma que certos prédios resistem melhor a terremotos do que outros, certos casamentos resistem melhor à traição do que outros. Um dos fatores que mais contribui para a sobrevivência dos relacionamentos quando acontece uma traição é o quanto ele proporciona de coisas boas em relação ao que ele proporciona de coisas ruins para quem está pensando em deixa-lo.

5- Quão excepcional foi a traição. A traição que aconteceu uma única vez e ocorreu em circunstâncias excepcionais (durante uma viagem ou quando o traidor havia bebido muito, por exemplo), com uma pessoa inexpressiva (um desconhecido ou com uma garota de programa, por exemplo) geralmente é considerada bem menos grave do que a traição continuada e que aconteceu durante um romance com uma pessoa muito qualificada.

6- Quanto a pessoa traída contribuiu para a traição. A traição é considerada menos grave quando a pessoa traída se convence da sua parcela de culpa na sua ocorrência. Por exemplo, a pessoa traída reconhece que descuidou do relacionamento, recusava sexo, deixou de cuidar da aparência, etc. Essa sua maneira de agir “empurrou” o traidor para a traição.

7- A maneira de lidar com os distúrbios causados pela traição é eficiente. Quanto melhor o traidor e o traído conseguem lidar com as causas e com os distúrbios provocados pela traição, maior as chances de sobrevivência do relacionamento. Por exemplo, quando o traidor mostra arrependimento, aceita penitencias, ouve pacientemente tudo que o traído tem para falar e mostra que entendeu os danos que causou, tudo isso contribui para aumentar as chances de sobrevivência do relacionamento.

A ajuda de um psicólogo contribui para diminuir o sofrimento e para abreviar os danos provocados por uma traição.

Venha participar do "Psicoteatro". Leia neste blog, o meu artigo postado em 28/08/2014,  "Psicoteatro: método para desenvolvimento de papéis e características pessoais, sociais e profissionais". Escreva para o meu email (abaixo) e manifeste o seu interesse.

Nota 

Betzig, L. (1989). Causes of conjugal dissolution: A cross cultural study. Current Anthropology, 30, 654 - 676.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 08h26

24/09/2014

Você é bem sucedido ou fracassa nas suas conversas amorosas?

Você é daqueles que:

1- Não consegue ser atraente nos bate-papos, tanto naqueles que acontecem cara a cara, como naqueles que acontecem através de aplicativos para iniciar e desenvolver relacionamentos?

2- Atrai de longe, mas quando vai conversar logo leva um fora?

3- Os inícios dos seus relacionamentos não passam do primeiro encontro?

4- Não sabe usar a conversa para trazer satisfação para os seus relacionamentos?

5- Não sabe usar a conversa para desenvolver e manter relacionamentos?

Você respondeu "Não" para todas essas perguntas? Parabéns! Você deve ser muito bom de papo. Leia este artigo e confira as suas habilidades!

Você respondeu "Sim" para uma ou mais que uma dessas perguntas? Leia esse artigo e tente identificar o tipo de erro que você está cometendo nas suas conversas.

A conversa é o principal tipo de relacionamento social

A maioria das interações humanas acontece através da conversa. Além disso, a conversa é capaz de proporcionar grandes satisfações ou grandes sofrimentos para os interlocutores. Por esses dois motivos, a boa conversa é um dos principais pilares de todos os tipos de relacionamentos pessoais.

Para haver uma boa conversa, é necessário que a comunicação não verbal seja eficiente, ouvir ativamente, falar coisas interessantes e agradáveis e não falar coisas inapropriadas.

Neste artigo, vou tratar dos principais acertos e erros verbais e não verbais que podem acontecer durante uma conversa. Os acertos contribuem para o sucesso do relacionamento. Os erros podem gerar consequências muito desagradáveis como, por exemplo, a reprovação durante as tentativas para iniciar relacionamentos amorosos ou o fracasso das tentativas para manter e desenvolver relacionamentos amorosos.

O teste da conversa para iniciar relacionamentos amorosos

Um relacionamento amoroso pode começar de três formas:

1- Flertar à distância e ser correspondido. Parabéns! Depois disso, é hora de fazer a abordagem e começar a conversar.

2- Ser apresentado para alguém atraente. Que ótimo! Esta é uma boa oportunidade para impressionar bem essa pessoa e, assim, iniciar um relacionamento com ela. Para que isso aconteça, é muito importante sair-se bem na conversa que está sendo iniciada com ela.

3- Já conhecer uma pessoa que seja atraente na área amorosa. Quando surge uma boa oportunidade para conversar com ela, é possível flertar durante a conversa para tentar iniciar um relacionamento amoroso com ela.

Pois bem, nestas três situações descritas acima, a conversa funciona como “teste” obrigatório para passar de fase, ferramenta para cativar a parceira e meio para flertar com ela. Caso a conversa seja bem sucedida, o relacionamento pode passar para o estágio seguinte: foi dado início ao relacionamento amoroso.

O que fazer para desenvolver uma boa conversa

Algumas das principais medidas para desenvolver uma boa conversa são as seguintes:

Mostrar disponibilidade para conversar. Maneiras de fazer isso: dizer ou dar a entender que está com tempo disponível para conversar; pedir para conversar com o interlocutor; parar o que está fazendo para dar atenção para o interlocutor; acomodar-se para conversar confortavelmente por um bom tempo (sentar-se, encostar-se a uma parede, etc.).

Mostrar disposição para conversar: mostrar entusiasmo para conversar, introduzir assuntos, assumir a mesma posição do interlocutor (por exemplo, sentar-se quando ele estiver sentado ou ficar em pé, caso ele esteja em pé), assumir distância apropriada para este tipo de atividade, orientar a frente do corpo na direção do interlocutor.

Apresentar sinais que indicam que você está acompanhando e entendendo o que o interlocutor está comunicando: anuir com a cabeça nas horas certas; emitir vocalizações que indicam que está acompanhando o que o interlocutor está dizendo (hum, hum,), apresentar perguntas pertinentes, etc.

Ajudar o falante a gerenciar a sua comunicação. Para isso, o ouvinte deve apresentar mensagens do tipo: fale mais, fale menos, apresente mais detalhes, explique melhor.

Ajudar o falante a desenvolver a sua comunicação: pedir exemplos, pedir esclarecimentos, resumir o que ele disse (o resumo mostra que o ouvinte entendeu o que o interlocutor comunicou, estimula novos desenvolvimentos dos tópicos já apresentados, fornece “ganchos” para que ele continue a falar, etc.).

Motivar o falante para continuar a falar. Quanto mais o falante verifica que a sua comunicação está produzindo os efeitos pretendidos no ouvinte, maior a sua motivação. Aqueles ouvintes que ajudam a comunicação do falante, que estimulam a sua criatividade e inteligência, são aqueles que mais contribuem para o sucesso do falante.

Erros passivos e ativos cometidos durante a conversa

Um erro é cometido quando a maneira de agir não é coerente com os objetivos de quem age. Por exemplo, um interlocutor está motivado para continuar a conversa, mas age de modo a desestimulá-la.

Os erros cometidos durante o relacionamento podem ser classificados como passivos ou ativos.

Erro passivo: deixar de fazer algo que deveria ser feito. Por exemplo, deixar de reagir a algo interessante que o interlocutor disse e, por isso, desestimulá-lo a prosseguir com o assunto ou com a conversa.

Erro ativo: fazer algo que não deveria ser feito. Exemplos: falar o tempo todo e pressionar o interlocutor para agir em um nível de intimidade que é desconfortável para ele.

Erros passivos

Alguns dos principais erros passivos que são cometidos na conversa são os seguintes:

Conversar em um lugar que não dê para interagir satisfatoriamente com o interlocutor: um lugar barulhento, por exemplo. Para completar o desastre, vá a um lugar que não tenha atrativos. Ai a tortura será completa. Por exemplo, marcar a conversa em um lugar onde não é possível sentar, não dá para comer, não dá para conversar, não há nada interessante para se fazer. Ou seja, neste lugar não é possível conversar por causa do barulho, é desconfortável e não há nada agradável para fazer.

Não estimular a conversa. Não repercutir o que foi dito pelo interlocutor; não fazer o papel de ouvinte ativo (por exemplo, não apresentar perguntas); monopolizar a fala, os assuntos e a forma da conversa; não compartilhar pensamentos e sentimos no nível adequado de intimidade para o relacionamento e para as circunstância presentes.

Não propor assuntos. Isso vai dar a impressão que você não quer prolongar a conversa, que você não há nada que esteja afetando você e que você não tem  gosto pessoal pelas coisas e pela vida.

Responder o mínimo possível: dê respostas mais curtas possíveis, monossilábicas, de preferência. Assim você vai desestimular novas perguntas e dar sinais que não quer conversar. Assim, também, se o interlocutor insistir em apresentar novas perguntas, a conversa vai se tornar um interrogatório muito desagradável para ambas as partes.

Não apresentar informações gratuitas (informações fornecidas sem que tenham sido solicitadas): responda só o que foi perguntado. Assim o interlocutor não vai ter ganchos para continuar a conversa

Só apresentar informações gratuitas impessoais. Por exemplo, quando o interlocutor perguntar onde você mora, dê o nome da rua, bairro um ponto de referência conhecido, ao invés de dar o nome da rua e dizer que gosta do local, que está lá desde que nasceu. Assim a conversa ficará impessoal e superficial.

Não apresentar feedback para a comunicação. Não deixe o seu interlocutor saber como aquilo que ele comunicou afetou você (o feedback para a comunicação do interlocutor é a expressão dos sentimentos e pensamentos que foram provocados pela comunicação que ele apresentou antes). Assim, ele vai ficar sem saber o que você a respeito do que ele disse e o qual impacto a sua comunicação teve em você.

Só falar coisas convencionais e socialmente aprovadas. “Bons tempos aqueles”, “Faz tempo que não chove”, etc. Esta forma de agir vai tornar a conversa e a sua comunicação totalmente sem graça e insípidas.

Não mostrar interesse e prazer em conhecer o seu interlocutor. Não pergunte nada sobre ele ( o que ele faz, o que acha das coisas, etc.). O que importa é você e o seu ponto de vista.

Erros ativos

Adotar um nível inadequado intimidade: adotar um nível muito alto ou muito baixo de intimidade para aquele interlocutor e para aquela circunstância.

Ser rápido ou lento demais nas tentativas para estabelecer intimidade. Por exemplo, tentar, muito rapidamente, ver se ela topa sexo. Procurar sondar, muito rapidamente, se ele topa um relacionamento sério ou se ele só quer ficar.

Apresentar muitas perguntas fechadas - aquelas perguntas cujas respostas são “Sim” ou “Não”, “Hoje” ou “Depois”, “Dez anos”, etc.

Monopolizar a fala: o tempo de fala (você fala mais tempo do que o interlocutor), o modo da fala (por exemplo, perguntas e respostas).

Ser desagradável. Por exemplo, seja irônico com o interlocutor, contradiga-o sempre que possível; procure intimidá-lo e ridicularizar seus pontos de vista. Mostre-se superior

Você tem dificuldades para passar nos testes da conversa e para usar a conversa para manter e estimular seus relacionamentos? Procure a ajuda de um psicólogo.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 09h18

19/09/2014

O seu relacionamento amoroso está oco, mas você não consegue terminá-lo?

Dê uma nota de 0 a 10 para o quanto você concorda com cada uma das afirmações abaixo (0 = não concordo nada; 5 = concordo mais ou menos; 10 = concordo totalmente). Elas ajudarão a verificar se o seu relacionamento perdeu boa parte do seu conteúdo e está sendo mantido por conveniências ou por comodismo.

1- O amor entre você e a sua parceira minguou: agora, ele nem se compara com o que já foi um dia: nada de olhos nos olhos, beijos românticos prolongados, telefonemas só para ouvir a sua voz, mil mensagens só para dizer que está pensando nela...

2- A sua atração sexual pela parceira diminuiu muito. Fazer sexo com ela deixou de ser extremamente prazeroso e passou a ser uma obrigação ou, até mesmo, um momento temido e evitado.

3- A amizade entre você e a sua parceira está muito fraca. Aquele prazer em contar as boas novidades para ela já não existe. Conversar com ela deixou de ter aquele encanto. Você deixou de contar para ela muitas coisas que são importantes para você. Agora só dá para sair com ela se houver um programa muito bom que prenda a atenção dos dois ou amigos que animem a conversa.

Se você deu nota maior que cinco para qualquer uma das três questões acima, o seu relacionamento está oco no tipo de conteúdo que trata a questão.

Se você deu mais que cinco para duas ou para as três questões acima, o seu relacionamento está muito oco. Quanto mais próximas de 10 foram as suas notas, mais oco ele está. Leia o texto abaixo e reflita sobre o que está acontecendo.

Neste artigo, vou usar a expressão “relacionamentos ocos” para me referir aos relacionamentos amorosos que são mantidos mesmo quando o amor, a atração sexual e a amizade já terminaram. São relacionamentos mantidos por uma estrutura externa, mas não pelo que acontece nas interações cara a cara entre o casal. Por isso, o nome “oco”.

Existem evidências que indicam que o esvaziamento é a principal causa das separações, tendo superado as traições (segundo lugar) e as brigas (terceiro lugar).

Muitos casais, no entanto, não se separam mesmo quando seus relacionamentos já se esvaziaram. Isto acontece porque existem outras amarras externas que mantêm esses relacionamentos sem conteúdo interno.

Em um artigo anterior, examinei algumas das principais causas do esvaziamento do relacionamento (veja a citação deste artigo, na Nota 1, no final deste artigo).

Neste artigo vamos examinar: (1) alguns dos principais tipos de esvaziamentos que um relacionamento pode sofrer (esvaziamento do amor, do sexo e da amizade) e (2) alguns dos motivos que ajudam a manter esses relacionamentos ocos.

Um exemplo de relacionamento oco

O seu relacionamento entre Marlene e o André, seu esposo, estava oco. Ele havia perdido toda a cumplicidade: eles não tinham mais nada para dizer um para o outro. O conteúdo das suas conversas agora consistia em cumprimentos formais, lembretes das obrigações que cada um tinha que cumprir, notícias imprescindíveis e comentários desanimados sobre fatos do cotidiano. A presença do outro não trazia nada de significativo. Era chato. Nada que o outro fizesse ou dissesse era muito interessante ou prendia atenção. Só era possível permanecer na companhia do outro cônjuge quando havia algo externo para prender a atenção: assistir um programa de televisão que interessava a ambos, visitar alguém, viajar para locais onde que tivessem atrações para manter suas atenções. Era um casal do tipo que um cônjuge lê o jornal no café da manhã enquanto o outro assiste televisão. Outro exemplo: aquele casal que sai para jantar, mas durante o tempo, os cônjuges  ficam manipulando seus celulares.

Marlene e André deixaram de compartilhava seus sentimentos, apreensões, satisfações. Nas raras ocasiões que um deles compartilhava algo que era significativo para si, fazia isso de forma desvitalizada e telegráfica.  Tal compartilhamento geralmente era recebido com monossílabos igualmente desvitalizados pelo outro.

Há muito, cada um deles havia deixado de querer impressionar o outro e a opinião do outro não era procurada como era fonte de validação ou de alívio. Eles não mais se admiravam, não sentiam atração mútua e não se sentiam estimulados pela presença do outro.

Claro que cada um deles continua a sentir e a pensar continuamente em coisas que era significativa: fatos, objetivos para serem alcançados, incômodos, preocupações, acontecimentos que traziam alegria e decepções no dia a dia, pessoas que encontraram e que lhes disseram coisas que os afetaram. Mas, cada um deles passou a achar que não valia a pena falar do que estava se passando consigo para o outro.

Esvaziamento do amor

Robert Levine, professor da Universidade Estadual da Califórnia, e colaboradores (veja a citação deste artigo na Nota 2, no final deste artigo),  perguntou para pessoas de 11 países (o Brasil era um deles) se elas casariam sem amor com um parceiro que tinha tudo que elas queriam. Os participantes tinham três opções de resposta: “Sim”, “Ficaria em dúvida” e “Não”. As respostas variaram bastante dependendo se o país era “individualista” (os interesses dos indivíduos eram considerados mais importantes do que os coletivos) ou “coletivista” (os interesses do grupo eram considerados mais importantes do que os interesses dos indivíduos). Nos países individualistas (geralmente países ocidentais ou ocidentalizados) mais de 80% das pessoas disseram que não se casariam sem amor (no Brasil, 86% disseram que não casariam, 10% que ficariam em dúvida e 4% que se casariam sem amor com um pretendente bem qualificado). Nos países coletivistas, uma percentagem bem maior de pessoas disse que se casaria ou ficariam em dúvida com tal pretendente do que nos países individualistas.

Em seguida, os autores dessa pesquisa apresentaram outra pergunta: Após o casamento, se você deixasse de amar o parceiro, você se separaria? A grande maioria das pessoas de todos esses países, inclusive daqueles que eram individualistas disse que não se separaria. Ou seja, nos países ocidentais, o  amor não é um requisito muito importante para manter um casamento.

Esvaziamento da atração sexual

Geralmente, quando há o esvaziamento do amor, também há um esvaziamento do interesse sexual. Isso é verdade principalmente por parte das mulheres.

Elas até podem continuar a fazer sexo, mas as atividades sexuais geralmente são iniciadas por pressão dos maridos e elas cooperam porque elas sabem que o sexo é necessário para manter a harmonia do relacionamento e para evitar traições por parte deles.

Muitas dessas mulheres até acabam se excitando durante o sexo e chegando ao orgasmo. As mulheres que se excitam dessa forma são aquelas cujos desejos “pegam no tranco” (veja o meu artigo, neste Blog, “Mulheres que pegam no tranco”, que trata deste assunto). Também estou convencido que existem muitos homens que “pegam no tranco”: são aqueles que não sentem desejo antes do início das atividades sexuais. Para despertar o desejo, estes homens usam artifícios (ver filmes pornôs, masturbação, pensar em outra pessoa, etc.) e também podem usar algum tipo de artifício para ajudar a manter a ereção (medicações que têm esse efeito).

Esvaziamento da amizade

A amizade é bastante complexa. Ela é regida por uma espécie de contrato que estipula muitos direitos, deveres e sentimentos.

Um estudo realizado por Robert Sternberg e Grajek (Veja a citação deste artigo na Nota 3, no final deste artigo) verificou que a amizade amorosa é constituída pelos seguintes elementos:

1- Desejar promover o bem estar do amado

2- Ficar feliz por ter aquela pessoa como parceiro amoroso

3- Ter alta consideração pelo amado

4- Ser capaz de contar com o amado em tempos de necessidade

5- Haver compreensão mútua com o amado

6- Compartilhar a intimidade e as posses com o amado

7- Receber suporte emocional por parte do amado.

8- Dar suporte emocional para o amado

9- Ter uma boa comunicação íntima com o amado

10- Valorizar o relacionamento que existe com o amado

Não existe bem material que supere a satisfação que a intimidade proporciona.

Esvaziamento da amizade: desinteresse pelo que se passa com o cônjuge

Um relacionamento onde o cada cônjuge deixou de se interessar pela vida psicológica do outro (o que ele anda sentindo, pretendendo, preocupado, satisfeito, etc.) está oco. Muitas vezes, neste tipo de relacionamento, ainda persiste uma preocupação e cuidados com o bem estar físico e material do outro cônjuge. Mas quando o que o cônjuge pensa e sente deixou de ser interessante para o outro, ele se tornou uma casca e perdeu a sua visibilidade psicológica. É como possuir um objeto de arte: ele não fala, não tem desejos, não tem preocupações, não faz planos, etc., mas é bom de ser visto, tem que ser cuidado e exibido.

Fatores que seguram os relacionamentos ocos 

Muitos casamentos são mantidos mesmo sem amor, amizade e interesse sexual porque, depois de um tempo de vida de casado, o casal estabeleceu outra estrutura para mantê-lo.

Fatores externos que podem segurar relacionamentos ocos

O relacionamento pode se enraizar em diversas direções. Algumas delas são  as seguintes:

- Fatores econômicos: o casal constitui uma unidade econômica: os custos e benefícios econômicos de um cônjuge afetam o outro.  Os custos para manter um casal que vive junto geralmente são menores do que a soma para manter cada um dos dois cônjuges que vivem em casas separadas (por exemplo, não é necessário pagar dois condomínios ou acender duas luzes para iluminar a mesma  sala).

- Filhos: o futuro genético do casal fica definitivamente interligado através dos filhos. As obrigações e o amor pelos filhos podem ajudar a segurar um relacionamento oco.

- Relacionamentos com familiares dos dois lados. O relacionamento com os familiares do cônjuge podem ajudar a manter ou a acabar com o casamento.

- Sentido na vida. Geralmente há uma redefinição psicológica e social daqueles que se casam. Cada cônjuge, em certa medida, incorpora o outro ao seu eu: eles deixam de ser “eu” e “tu” e passam a ser “nós”.

- Identidade pessoal: cada cônjuge passa a definir-se conceber-se como “marido” ou “esposa”, “pai”, “genro” ou “nora”. Essas definições têm consequências psicológicas e práticas (ajuda mútua, lazer, apoio psicológico e social, etc.).

- Consequências legais: o casal passa a funcionar como uma unidade jurídica: assume direitos e deveres legais.

- Divisão de tarefa: muitos esposos acabam se especializando em atividades práticas e sociais complementares: pagar as contas, supermercado, levar os filhos à escola, lembrar datas comemorativas, etc.

- Unidade social: o casal passa a ser visto como uma unidade social: por exemplo, ninguém pensaria em convidar apenas um deles para uma festa ou viagem.

- Companhia. Só a presença do outro cônjuge, mesmo quando o relacionamento já está oco, ainda faz diferença: sensação que está casado, segurança de poder contar com alguém em caso de muita necessidade, etc.

- Medo de não conseguir outro relacionamento.

O seu relacionamento está oco? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS

1- AMÉLIO, A. O esvaziamento é a principal causa das separações. ailtonamélio.blog.uol.com.br (postado em 30/07/2014)  

2- LEVINE, R.; SATO, S.; HASHIMOTO, T.; VERMA, J. Love and marriage in eleven cultures. Journal of Cross-Cultural Psychology, v. 26, No. 5, p. 554-71,1995.

3-  STERNBERG, R. J. and GRAJEK, S. (1984). The nature of love. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 312 – 329.

Por Ailton Amélio às 08h47

11/09/2014

Para melhorar o sexo: homens mais cúmplices e românticos e mulheres mais eróticas

Pouca cumplicidade, pouco romantismo, pouca sensualidade e poucas preliminares sexuais são reclamações frequentes das mulheres sobre os homens.

Exigências excessivas para iniciar sexo (jantares, longas conversas, etc.) e restrições excessivas para variações sexuais são algumas das reclamações frequentes dos homens sobre as mulheres.

Os homens geralmente não aprenderam a apreciar boas conversas, sensualidade, erotismo e preliminares sexuais prolongadas. As mulheres geralmente não gostam de erotismo puro. Quando os homens tentam fazer sexo por sexo, elas se sentem "usadas", "como um pedaço de carne" e acham que eles têm algum problema para querer tal coisa. A vida sexual pode ser muito melhorada se ambas as partes aprenderem a apreciar um pouco mais o que a outra parte gosta.

Tenho escrito bastante sobre a qualidade do relacionamento fora da cama. Por isso, neste artigo vou tratar mais do relacionamento sexual: como homens e mulheres podem melhorar seus relacionamentos na cama e, assim, também melhorar seus relacionamentos fora da cama.

Os homens e as mulheres podem mudar

Não devemos considerar que a nossa forma de ser e agir é imutável. Essa afirmação se aplica também à área sexual. Podemos modificar bastante aquilo que gostamos e que achamos excitante no sexo. Os homens podem aprender a apreciar e a contribuir para que o relacionamento seja amistoso, romântico e sensual e as mulheres, a encarar sexo por sexo como algo prazeroso e legítimo.

Seria muito útil que homens e mulheres se afinassem melhor, se tornassem mais semelhantes tanto no relacionamento fora da cama como na cama.

Cada dupla de parceiros amorosos pode e deve ajustar muitas coisas para melhorar a vida sexual. Quando as práticas sexuais que trazem satisfação para um cônjuge são muito diferentes daquelas que trazem satisfação para o outro, um ou ambos sairão frustrados.

Os homens podem aprender a apreciar mais a cumplicidade, a eroticidade e as preliminares

Vou usar aqui o termo “eroticidade” para me referir ao clima que é produzido por olhares sedutores, insinuações sexuais, declarações e expressões de desejo e conversas pessoais sobre temas sexuais.

Vou usar aqui o termo “preliminares” para me referir às práticas sexuais que antecedem aquelas que levam ao orgasmo.

Claro que muitos homens gostam da eroticidade e das preliminares. No entanto, a grande maioria deles gosta mais das práticas sexuais que levam ao orgasmo e, por isso, abrevia os momentos de eroticidade e preliminares. 

Apreciadores da eroticidade e das preliminares

Os verdadeiros apreciadores da eroticidade e das preliminares são aquelas pessoas que acham a eroticidade tão ou mais prazerosa do que as práticas sexuais que levam diretamente ao orgasmo.

Embora os apreciadores da eroticidade também acabem pondo em ação as práticas que levam ao orgasmo, estas práticas, no entanto, têm para eles importâncias relativamente reduzidas e funcionam mais como a cereja em cima do bolo: é deliciosa, mas pequena e dura pouco tempo na boca.

Os homens que não aprenderam a produzir e a apreciar a eroticidade são toscos na área sexual: depois de poucos minutos de clima erótico e de preliminares, iniciam as práticas sexuais que levam ao orgasmo. Essa maneira de proceder é comparada, pejorativamente, com a cópula dos galos: sem preparação, rápida e direta ao ponto.

Esta forma de proceder também lembra aquelas pessoas que tomam de uma só golada um copo de um vinho excelente ou enchem a boca e engolem sem sequer mastigar uma comida deliciosa.

Essa forma tosca de proceder geralmente não satisfaz as parceiras.

Vantagens dos apreciadores da eroticidade

Saber estabelecer, prolongar e usufruir a eroticidade proporciona muitos benefícios. Alguns deles são os seguintes:

- Prazer intenso e prolongado. Como a eroticidade não leva ao orgasmo, os momentos de eroticidade podem ser prolongados e apreciados indefinidamente.

- Firma o desejo pela parceira. Experimentar, repetida e demoradamente, a eroticidade que é produzida ou inspirada pela parceira ajuda a estabelecer e a desenvolver o desejo por ela.

- Firma e aumenta o desejo sexual. Permanecer um bom tempo em um clima erótico faz que o desejo cresça e permaneça firme.

- Proporciona momentos de intimidade física entre os parceiros. Este tipo de clima erótico geralmente estimula troca de carinhos e beijos.

- Proporciona momentos de intimidade psicológica entre os parceiros. O clima de eroticidade estimula o compartilhamento de sentimentos e pensamentos íntimos através da comunicação verbal  e da comunicação não verbal. Esse tipo de compartilhamento e o seu acolhimento adequado ajudam a fortalecer a ligação entre o casal.

- Melhora a autoestima: verificar o próprio poder para provocar o desejo da parceira aumenta a confiança nos próprios méritos e na própria capacidade para atrair.

As mulheres podem aprender a apreciar por sexo por sexo

Vou usar aqui a expressão “sexo por sexo” para me referir ao desejo sexual que é provocado por atividades e situações sexuais e não pelo envolvimento ou pelo sex appeal do parceiro. Este tipo sexo geralmente começa diretamente, sem uma historinha que lhe dê contexto. Este tipo de sexo geralmente é impessoal, mesmo quando praticado com o cônjuge: as práticas sexuais são mais importantes do que a identidade dos parceiros com quem elas estão acontecendo. Esse tipo de sexo pode ser realizado com estranhos ou em grupo.

O desejo de sexo por sexo, por exemplo, é aquele desejo que é provocado observação de vídeos pornográficos, pela adoção de certas práticas como amarrar o parceiro ou observar a parceira usar um vibrador.

Para praticar sexo por sexo é necessário desvincular a ligação entre o desejo e o contexto afetivo do relacionamento.

Os estudos sobre fantasias e práticas sexuais geralmente indicam que o sexo por sexo é um dos tipos de fantasias que são mais frequente entre os homens do que entre as mulheres. A maioria das mulheres não gosta muito desse tipo de sexo. Uma autora americana afirma que os vídeos que mostram esse tipo de sexo e as conversas sobre esse tipo de sexo geralmente não são muito eficientes para excitar as mulheres. Para elas, as propostas de sexo por sexo pode ser bem vindo depois que elas já estão excitadas e não como uma forma inicial de provocar a excitação. Essa autora sugere para os homens que só tentem introduzir esse tipo de prática sexual quando as mulheres já estiverem bastante excitadas.

Benefícios do sexo por sexo

É inevitável que a vida sexual decline à medida que o tempo de relacionamento vai aumentando, que a idade vai aumentando, que o romantismo entre o casal vá diminuindo, que as obrigações vão aumentando, que nascem os filhos e o tempo disponível para intimidades entre o casal vá diminuindo?

 Todos esses motivos contribuem para diminuir a motivação e a disposição física para o sexo e para encher a cabeça com preocupações. Esses acontecimentos são incompatíveis com pensamentos sensuais e eróticos.

Existe alguma coisa que possa ser feita para combater ou atenuar os efeitos negativos desses fatores sobre a sexualidade? Uma certa dose de sexo por sexo parece ter esse efeito.

O sexo por sexo pode tornar todo o circuito sexual mais robusto e imune a uma série de acontecimentos que geralmente enfraquecem a atividade sexual.

Além disso, o gosto por sexo por sexo ajuda a prevenir e a reparar vários tipos de problemas sexuais. Quando estamos muito motivados por uma coisa, ela se torna menos perturbável por outras. Por exemplo, quando estamos assistindo um programa de televisão ou lendo um livro que gostamos muito, mantemos muito mais facilmente a nossa atenção na atividade que nos agrada. Isso acontecer mesmo em condições relativamente perturbadoras: sono, barulho, temperatura desagradável.

Quando o sexo por sexo tem efeitos positivos

O desenvolvimento de um bom grau de desejo por sexo por sexo beneficia:

- Homens e mulheres que têm pouco desejo sexual.

- Homens que têm dificuldade para manter a ereção porque temem desagradar a parceira caso falhem ou não mostrem um ótimo desempenho.

- Homens e mulheres que têm parceiros que não são muito atraentes.

- Homens e mulheres que só chegam ao orgasmo através de um procedimento rígido (determinada sequencia sexual, determinada posição, determinadas práticas).

- Mulheres e homens que associaram demais seus desejos com o bom estado do relacionamento (por exemplo, para aquelas que não aceitam sexo quando estão experimentando um pequeno grau de insatisfação com o parceiro).

Como desenvolver o gosto por sexo por sexo

Os caminhos para o desenvolvimento do gosto por sexo por sexo ainda não são bem conhecidos.  A literatura desta área, no entanto, apresenta várias sugestões para esta finalidade. Algumas delas são as seguintes:

- Expor-se a material que mostra práticas sexuais: ver filmes eróticos, ler romances eróticos, praticar sexo descontextualizado.

- Praticar sexo mais frequentemente. Antes, durante e depois do sexo, o organismo produz várias substâncias que conduzem a estados prazerosos. É possível viciar-se nessas substâncias e passar a fazer sexo para produzi-las (tal como acontece com a ginástica, onde o organismo produz endorfinas e, por isso, muita gente vicia em esportes).

- Conversar sobre sexo. Geralmente esse tipo de conversa produz excitação, estimula a fantasia e libera inibições.

- Capitalizar a excitação produzida por outros eventos para fins sexuais. Por exemplo, diversas situações não sexuais fazem que o organismo produza adrenalina. A adrenalina aumenta o ritmo cardíaco, o ritmo respiratório e a pressão sanguínea. Os estados fisiológicos e psicológicos produzidos por estas situações têm vários componentes que também aparecem em situações eróticas. Certas pessoas aprendem a usar essas situações como potencializadores  do desejo  sexual. Por exemplo, aprendem a usar a excitação que é produzida por transar nas escadas do prédio, em banheiros de bares, etc. O risco de ser pego produz diversas alterações fisiológicas e psicológicas que são da mesma natureza que as alterações produzidas pelo desejo e excitação sexual e podem ser confundidos com esta.

- Resposta vicariante. Ver outras pessoas excitadas ou praticando sexo geralmente excita os observadores porque temos a capacidade de experimentar coisas “por tabela”: sentir aquilo que outras pessoas estão sentindo. Os filmes comerciais exploraram muito isso: o expectador sente algo parecido com aquilo que o personagem está “sentindo” na tela: medo, tristeza, alegria. Por isso, ver outras pessoas ou filmes onde pessoas estão praticando sexo pode aumentar o desejo sexual.

Perigos do sexo por sexo

O sexo por sexo, quando se torna o principal tipo de sexo praticado pelo casal, pode esfriar o relacionamento afetivo entre os cônjuges. O sexo com afeto e com amor fortalece esses sentimentos. O sexo é um momento de fusão com a pessoa amada. O sexo por sexo despersonaliza um pouco o relacionamento. Assim sendo, o sexo por sexo deve ser combinado com o sexo com amor e com afeto para produzir o máximo de efeitos positivos e não estabelecer muitos efeitos negativos.

Problemas sexuais? Procure a ajuda de um psicólogo.

Venha participar do "Psicoteatro". Leia neste blog, o meu artigo "Psicoteatro: método para desenvolvimento de papéis e características pessoais, sociais e profissionais". Escreva para o meu email (abaixo) e manifeste o seu interesse.

Use as ferramentas abaixo para compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 08h22

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.