Blog do Ailton Amélio

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16/05/2015

Iniciativa de contato: uma maneira de melhorar a vida amorosa e social

“Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha.”

“Porque eu é que tenho que procurá-lo e não o contrário? A distância é a mesma.”

Os dois ditados populares acima sugerem duas atitudes opostas em relação à iniciativa de contato: o primeiro sugere que é bom tomá-la, e o segundo, que isso não é bom.  Neste artigo, vamos examinar evidências que indicam que iniciativas de contato positivamente motivadas e bem utilizadas são um ótimo recurso para iniciar, melhorar e transformar relacionamentos.

A iniciativa de contato consiste na tomada de medidas que mostrem o desejo de interagir com outra pessoa como, por exemplo, flertar de longe, caminhar na sua direção, mandar um e-mail e dirigir-lhe a palavra.


Uso cotidiano das iniciativas de contatos entre conhecidos

As pessoas estão sempre atentas para as origens das iniciativas: quantas vezes elas tomaram e quantas vezes os outros tomaram a iniciativa. Existem vários tipos de iniciativa como procurar, ligar, visitar, enviar mensagem e propor assuntos durante a conversa. Essas iniciativas funcionam como recheios, calibradores, conectores e alimentadores do interesse mútuo.

Considere as afirmações abaixo. Elas podem ser ouvidas muito frequentemente no dia a dia e indicam que as pessoas em geral têm um bom grau de consciência da importância e do significado das iniciativas de contato:

“Já liguei três vezes para ela, mas ela nunca toma a iniciativa de me ligar. No entanto, quando ligo, ela me recebe bem. Claro, pode ser só por educação. Por isso, estou ficando inseguro. Será que ela tem algum interesse em mim?”

“Só eu que a procuro. Se eu passar semanas sem ir até a sala dela, mesmo assim, ela nunca vai até a minha.”

“Só eu que a convido para almoçar. De vez em quando, ela vai almoçar com outros colegas e nem me avisa.”


Por que tomar iniciativas de contato

Nesse momento que você está lendo este artigo, existem muitas pessoas que gostariam de iniciar ou aprofundar um relacionamento com você. Muitos desses relacionamentos poderiam ser prazerosos, reconfortantes e proveitosos para ambas as partes. O início e o aprofundamento de relacionamentos podem acontecer na área pessoal, amorosa, social e profissional.

No entanto, muitas vezes, você e essas pessoas não tomam iniciativas para iniciar ou intensificar seus relacionamentos e, por isso, cada um de vocês fica dentro do seu mundinho. Esta falta de iniciativa ocorre porque não queremos passar pelo desconforto temporário de sair do nosso casulo e nos aventurarmos em um terreno mais inseguro, onde temos que nos adaptar a novas pessoas e novas situações e onde corremos o risco de sermos rejeitados.  O exemplo apresentado em seguida mostra como as pessoas podem tomar iniciativas de contato e os efeito benéficos que isso pode produzir.

Atendi um rapaz (“Eduardo”) que tinha muita dificuldade para iniciar contatos. Ele estava frequentando um cursinho preparatório para concursos públicos. Esse tipo de cursinho geralmente permite que os alunos optem pelas matérias que querem cursar e, por isso, os colegas de cada aula eram diferentes dos colegas de outras aulas. Ou seja, ele tinha muitas oportunidades de contato com pessoas diferentes.

Já fazia um bom tempo que Eduardo frequentava esse tipo de cursinho. Apesar disso, ele não tinha feito nenhum amigo e não tinha iniciado nenhum relacionamento amoroso. O principal motivo do seu isolamento é que ele nunca tomava nenhuma iniciativa de contato e também não facilitava a tomada desse tipo de iniciativa por parte de outras pessoas. Eu dizia para ele, em tom de brincadeira, que ele tinha o dom da invisibilidade social e que poderia vender os seus segredos para os serviços secretos de diversos países.

Trabalhamos para que ele tomasse a decisão de começar a intensificar as suas iniciativas de contato. Tempos depois, a sua vida social começou a mudar radicalmente quando ele adotou a seguinte regra: “A cada dia, vou fazer um pouco mais do que já vinha fazendo no setor das iniciativas de contatos. Por exemplo, se já cumprimento alguém com um aceno de cabeça, vou passar a lhe dizer “bom dia”. Se já cumprimento com um “Bom dia”, vou passar a dar mais ênfase na voz e a sorrir. Se já cumprimento alguém dessa forma, vou passar a cumprimentar com um aperto de mão, e assim por diante!”.

Ele também se comprometeu a chegar um pouco antes do início das aulas e a ficar na escola um pouco depois que elas terminassem. Ele também tomou a decisão de, nos intervalos das aulas, aproximar-se das pessoas e participar dos grupos de conversa.

Tempos depois, Eduardo fez alguns amigos, estava sempre conversando nos intervalos de aula e estava começando a sair com uma colega.


Ocasiões e motivos das iniciativas e intensificações de contato

As iniciativas de contato podem acontecer em três circunstâncias:

1- Iniciativa do primeiro contato entre desconhecidos

A iniciativa do primeiro contato indica o desejo, por parte de quem a tomou, de iniciar um relacionamento com a pessoa para quem ela foi dirigida.

A iniciativa de contato é muito agradável e motivadora para quem a recebe quando fica claro que a maior motivação é interagir com o outro e, não, interesse prático, a pressão para responder às iniciativas prévias do interlocutor ou a força hábito.

2- Iniciativa para começar um novo encontro com um conhecido

Após algum tempo sem contato, um dos interlocutores toma a iniciativa de reiniciá-los. Quem toma essa iniciativa mostra o seu desejo de rever o conhecido e indica que gosta dele, salvo se mostrar que tem algum outro objetivo para esse contato (por exemplo, pedir um favor ou reclamar de algo).

3- Iniciativa para intensificar o relacionamento com um conhecido

Este tipo de iniciativa pode ser tomado de diferentes formas:

Aumentar a frequência de iniciativas de contatos

Esse tipo de iniciativa pode ser tomado tanto pelo aumento da frequência do mesmo tipo de contato como pelo aumento na frequência de vários tipos de contato. Por exemplo, uma pessoa pode mandar vários e-mails para uma amiga ou pode mandar e-mails, telefonar e ir visitá-la. Tudo isso em uma frequência muito maior do que a usual.

            O oposto desse tipo de iniciativa, uma diminuição da frequência de iniciativas, é um sinal de esfriamento do relacionamento e pode ter sido causado por ressentimento, desejo de afastamento ou desejo de rebaixar o tipo de relacionamento (era amigo e agora vai tratar como um simples colega).

A proporção de iniciativas de contatos entre duas pessoas indica qual delas está mais interessada ou valoriza mais o relacionamento com a outra: geralmente aquela que toma mais iniciativas está mais interessada no relacionamento ou em fazê-lo progredir para um nível superior de intimidade e compromisso.

Iniciativa de melhorar a qualidade ou a intensidade dos contatos

A percepção da qualidade ou intensidade de um contato é influenciada pela forma e pelo conteúdo da comunicação apresentada na interação.

Existem várias formas de melhorar a qualidade e intensidade dos contatos: torná-lo mais amistoso, mais proveitoso para o interlocutor, mais íntimo, mais caloroso, mais demorado, etc.

Estou convencido que podemos transformar nossa vida amorosa, familiar e social tomando iniciativas de contato.

A iniciativa de aumentar a frequência ou de melhorar a qualidade dos contatos pode ser tão ou mais importante do que acontece durante a interação

Muita gente me pergunta o que deve falar ao abordar uma pessoa desconhecida, após um flerte à distância (na maioria das vezes esse tipo de pergunta é apresentado por homens tímidos). Eu sempre respondo que o mais importante já foi feito: a iniciativa de caminhar até a outra pessoa e dirigir-lhe a palavra. A paquera mútua, que aconteceu antes da abordagem, já deixou claro que essa iniciativa é de natureza amorosa. Neste contexto, o conteúdo daquilo que é dito pode não ser tão importante quanto a iniciativa de abordagem que foi tomada. Pelo contrário, o conteúdo da conversa que acontece após a abordagem deve ser ameno e delicado. É importante, apenas, não destoar do “normal”, como dizer coisas absurdas ou ofensivas.

A iniciativa de contato é importante por si mesma, independentemente do seu conteúdo, principalmente quando existem bons indícios que o seu motivo principal é o prazer de interagir com a pessoa para quem ela é dirigida.

Boas iniciativas desse tipo enviam mensagens claras para quem a recebeu do tipo:

“Você é importante para mim”

“Faço questão de me aproximar de você”

“Acho importante conversar com você” 

Você está com dificuldade para melhorar seus relacionamentos sociais e amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: Uma versão deste artigo foi publicada no meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha

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Por Ailton Amélio às 11h35

10/05/2015

A defensividade impede o autoaperfeiçoamento e destrói os relacionamentos

Defensividade é o uso exagerado de defesas para lidar com críticas e reclamações. Essas defesas são apresentadas antes da consideração da pertinência das críticas e das reclamações. A defensividade é uma espécie de “não tolero críticas e reclamações”.

O ouvinte defensivo não quer tomar conhecimento, não tem paciência para ouvir críticas e quer descartar logo, invalidar ou apresentar justificativas que desculpem aquilo que fez e que está sendo criticado.

A defensividade prejudica o defensivo, o queixoso e o relacionamento entre eles. Esses prejuízos acontecem porque o defensivo, ao não examinar a pertinência da reclamação, deixa de corrigir seus comportamentos inapropriados. A defensividade prejudica o queixoso porque torna o defensivo insensível ao ponto de vista e necessidade de quem apresenta as queixas. Quando a defensividade é frequente, ela inviabiliza o relacionamento: não é possível relacionar-se com uma pessoa que se mostra impermeável aos pontos de vista do seu parceiro, que não admite a influência dessa pessoa e nem vai fazer ajustes para melhorar o relacionamento entre elas.

Segundo John Gottman, autor de vários livros e estudos científicos sobre o casamento, a defensividade é um dos "quatro  cavaleiros do apocalipse" do casamento: acontecimentos que indicam o fim desse tipo de  relacionamento (os outros três são o criticismo, o desrespeito e a indiferença).


Acusação cruzada: um tipo de defensividade

A acusação cruzada, nome adotado por John Gottman para este fenômeno, é um tipo de defensividade na qual o defensivo, ao invés de justificar o seu comportamento que está sendo criticado, contra-ataca o crítico: é o contra-ataque como forma de defesa.

Afirmações típicas de contra-ataques:

“Eu fiz isso, mas você também fez aquilo”.

“Eu sou assim, mas você é assado”.

“Eu cheguei atrasado, mas você nunca valoriza quando chego na hora”.

“Eu não sou carinhoso porque você nunca me dá atenção”.

Vejamos uma descrição de uma pessoa defensiva:


Carmem é muito defensiva

Carmem não admite nunca seus erros ou nenhuma falta que possa ter cometido. Ela nunca pede desculpas e, quando ouve alguma reclamação, parte logo para as justificativas e, frequentemente, apresenta alguma contra acusação.

Ela também se defende de qualquer comentário que aponte alguma diferença entre ela e seus interlocutores, mesmo que essa diferença não indique qualquer falha ou imperfeição da sua parte. Ela tem a mania de defender com unhas e dentes a sua maneira de ver e fazer as coisas. Ela se recusa a ver o outro lado das coisas. Qualquer objeção contra ela, suas ações ou afirmações são consideradas como um ataque pessoal e essa objeção é pronta e firmemente combatida.

Carmem não para, nem um segundo, para analisar se aquilo que o interlocutor está reclamando tem alguma chance de ser verdadeiro ou, pelo menos, se é outra forma de ver as coisas.

Seu marido está desistindo de apresentar qualquer reclamação ou crítica para ela. Cada vez mais, ele sente que tem que suportar calado e aceitar, sem qualquer objeção, tudo que ela diz, quer e faz. Qualquer objeção é inútil, frustrante e pode disparar brigas.

Ele está cada vez mais frustrado e desesperançoso. Só lhe resta se tornar indiferente a todos os comportamentos de Carmem que o afetam negativamente. Isolar-se e distanciar-se dela é uma maneira de não se irritar com a sua total incapacidade para aceitar críticas. Adotar essa atitude, no entanto, está fazendo que ele se distancie dela.

Problemas causados pela defensividade

A defensividade exagerada e contínua leva ao afastamento do parceiro e esfriamento do relacionamento.

Defensividade frustra o reclamante

Defensividade impede o defensivo de progredir na solução do problema

Defensividade compromete a imagem do defensivo para o reclamante. É uma pessoa menos admirável

Aceitar tudo também não resolve. São aceitações falsas!


Qualquer relacionamento precisa de correções

Qualquer relacionamento precisa de correções contínuas. Muitas coisas que fazemos afetam negativamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Assim sendo, é inevitável que as pessoas que se relacionam entre si reclamem e tentem corrigir umas às outras. Quando elas aceitam críticas pertinentes, seus relacionamentos vão se tornando cada vez melhores.

Muitas vezes os comportamentos as pessoas tentam corrigir não são diretamente dirigidos a elas, mas sim a outras pessoas ou ao mundo material. Por exemplo, quem gosta de nós tenta nos dizer quando estamos agindo desnecessariamente de modo ofensivo com outras pessoas. Neste caso, as ações ofensivas não são dirigidas a quem tenta nos corrigir. No entanto, como o corretor quer nosso bem, ele tenta nos corrigir para que não soframos consequências negativas desnecessárias advindas do nosso modo inadequado de agir.


É desagradável ouvir críticas

É desagradável quando outras pessoas apontam nossos erros.

Errar significa que não somos suficientemente espertos para ver o que seria correto, que fomos displicentes ou que temos más intenções. Qualquer uma dessas possibilidades é desagradável.

Quando uma pessoa nos corrige, fica implícito que ela percebeu alguma imperfeição em nós e essa percepção pode diminuir sua consideração por nós.


Quando é difícil aceitar críticas

Alguns tipos de críticas ou de críticos são mais difíceis de aceitar.

Geralmente é mais difícil aceitar críticas quando:

- Acreditamos que o crítico não nos aceita como pessoa

- A crítica é voltada para a nossa forma de ser e não para nossos comportamentos

- A crítica é apresentada por pessoas que queremos muito que nos admirem.

- A crítica é apresentada por pessoas que podem impor grandes consequências para nossos erros e acertos

- É muito ameaçador para nós entrar em contato com nossos erros.


Conselhos como forma de crítica

Uma forma de criticar alguém é lhe dar conselhos para mudar sua maneira de agir.

 Um estudo recente encontrou evidências de que a melhor maneira de dar conselhos é fornecer informações ao invés de prescrever soluções. As informações abrem espaço para que o aconselhado participe da análise do seu problema. A prescrição de soluções exclui o aconselhado do processo de encontrar soluções e da decisão de coloca-las em prática. Quando uma solução é prescrita, o aconselhado pode simplesmente acatá-la ou rejeitá-la sem entender direito por que ela foi proposta. Para acatá-la, ele tem que confiar na percepção e capacidade de análise do aconselhador. Isso significa reconhecer que é inferior ao aconselhador para analisar o problema. Nestas circunstâncias, aceitar conselhos rebaixa a autoestima.

O conselho não ameaça a nossa autoestima quando não é depreciativo ser incapaz de tomar um determinado tipo de decisão. Por exemplo, se não somos médicos, não ameaça nossa autoestima não saber diagnosticar uma doença e tratá-la. Neste caso, podemos receber os conselhos médicos sem qualquer ameaça à nossa autoestima ou autoimagem.


Ouvir atenta e profundamente: maneira de agir contrária à defensividade

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário de ouvir defensivamente. O ouvinte defensivo rejeita o que reclamante falou assim que ele termina de falar ou, muitas vezes, até antes que ele termine de falar.

O defensivo não quer dar espaço para o reclamante. Não tem paciência para ouvir a reclamação, não quer entender a reclamação. Quer mesmo é se defender e contestar mais rapidamente possível a reclamação.

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário da defensividade. O ouvinte receptivo mostra sinais que quer entender perfeitamente a reclamação do interlocutor. Esse tipo de ouvinte pede mais detalhes, estimula o reclamante para explorar detalhes da sua reclamação, apoia as emoções que o reclamante vai mostrando enquanto expõe a sua reclamação e vai mostrando receptividade para o que está sendo dito. O ouvinte receptivo quer entender o ponto de vista do reclamante, mesmo quando, depois que entendeu perfeitamente, discorde parcial ou totalmente da reclamação.

Mesmo quando o ouvinte receptivo discorda, após ouvir plenamente a reclamação, essa discordância não pode ser considerada defensiva porque não houve defesa antecipada nem sistemática da reclamação. Neste caso, não houve acolhimento da reclamação porque ela foi examinada com isenção e boa vontade, mas o reclamado não concordou com ela.

Além da irritação provocada pelo motivo da reclamação, a recusa do defensivo para ouvir a reclamação e o ponto de vista do reclamante causa irritação.

Saber que o reclamado está tentando ouvir, que ele está aberto para entender o que fez e para se corrigir tem um grande efeito calmante no reclamante.

Defender-se bloqueia o relacionamento. O reclamante passa a descrer que dá para diminuir as diferenças entre ele e o reclamado que atrapalham o relacionamento.

É irritante se relacionar com alguém que não dá importância para o que estamos dizendo, que não aceita e nem considera o nosso ponto de vista.

A defensividade está prejudicando o seu relacionamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h35

02/05/2015

Não é necessário ser perfeito para despertar o amor

Você acha que é necessário possuir várias características admiráveis para que alguém se apaixone por você?

Você procura cuidadosamente um parceiro que preencha os requisitos que você acha importante antes de iniciar um relacionamento amoroso com ele?

Atender essas expectativas ajuda, mas pode não ser necessário: o amor nasce de outras formas.

Este é o tema que vamos abordar neste artigo.

...................

Responda às seguintes perguntas:

1- A pessoa que com a qual você tem um relacionamento amoroso neste momento é aquela que você mais queria na época que o relacionamento começou?

2- Você amava essa pessoa na época que o relacionamento entre vocês foi iniciado?

2- Você ama essa pessoa agora?

A maioria das pessoas responde com um “Não” à primeira dessas perguntas; cerca de metade delas responde com um “Sim” à segunda delas e boa parte das pessoas responde com um “Sim” à terceira pergunta.

Este artigo vai ajudar a esclarecer melhor essas perguntas e suas respostas.

Vamos examinar dois mecanismos de envolvimento: (1) certo tipo de convívio pode despertar o amor e (2) amar o amor.


Certo tipo de convívio produz o amor


Cerca de metade das pessoas se apaixona durante o namoro

Perguntei para dezenas de estudantes que namoravam se eles amavam a/o namorada/o na época que o namoro começou. Cerca de metade deles respondeu que “Não”. Em seguida, perguntei se atualmente eles amavam a/o namorada/o. A grande maioria respondeu “Sim”.

Ou seja, dentre aqueles que namoram quando responderam essas perguntas, metade não amava o namorado na época que o namoro foi iniciado. No entanto quase todos que permaneceram namorando se apaixonaram pelo parceiro. O amor nasceu durante o namoro.


O cônjuge atual não era o preferido na época da escolha

Durante uma palestra que realizei, perguntei para os presentes se o marido ou a esposa era a pessoa que eles preferiam como parceiro amoroso na época anterior ao início do relacionamento. A grande maioria respondeu “Não”.

Isso faz todo o sentido. Em qualquer lugar, seja no trabalho, na sala de aula ou na vizinhança, sempre tem algumas pessoas que são admiradas e desejadas por quase todo mundo. Essas pessoas são poucas. Por exemplo, em uma sala de aula de faculdade com 30 homens e 30 mulheres existem duas ou três pessoas de cada sexo que seriam as preferidas de quase todos os colegas do outro sexo. Claro que poucos dentre eles conseguirão namorar e se casar com essas pessoas preferidas. Suponde que namorem entre si, só três dos trinta colegas namorarão os preferidos. Os outros namorarão e se casarão com parceiros menos desejados.

Será que as 27 pessoas que não conseguiram se relacionamento com seus parceiros preferidos têm que se conformar e se relacionar com parceiros menos desejados ou acabam se apaixonando por eles?

A paixão realmente acontece entre pessoas que não se escolheriam entre si como primeira opção. A natureza criou outros caminhos para o amor que não passam por aquela listinha dos parceiros mais desejados.


Casamento Arranjado

Em alguns países como a Índia, uma boa parte dos casamentos é arranjada: embora os noivos possam ter certa participação na escolha mútua, são os parentes que localizam e selecionam aqueles que vão se casar entre si.

A informação que interessa aqui é que a taxa de sucesso desses casamentos é pelo menos igual às das culturas como a nossa, nas quais as escolhas dos cônjuges são realizadas por eles próprios. Nestas culturas o amor mútuo é o principal critério de escolha.

Outras evidências indicam que boa parte dos cônjuges dos casamentos arranjados acaba desenvolvendo uma afetividade mútua tão intensa como aquela existente entre os cônjuges que se escolheram mutuamente. Ou seja, existem diversos caminhos para Roma, digo, para o amor!


Mães se vinculam à quase todos os tipos de filhos

Certa vez, um grupo de alunos de pós-graduação de um curso que eu ministrava pediu para mulheres grávidas que citassem as características que mais gostariam que o futuro filho tivesse. Em seguida, essas características foram tabuladas. Os resultados indicaram claramente que as mães imaginam muito bem as características de seus futuros filhos. A grande maioria dessas características eram as mesmas que todas elas queriam nos filhos: saudáveis, inteligentes, afetivos, bonitos, etc.

Embora as mães tenham preferências sobre as características de seus futuros filhos, sabemos que elas se apegam a quase todos eles, quase sem levar em conta as características que de fato eles terão quando nascerem.

Da mesma forma, para fins de um relacionamento amoroso, sabemos citar muito bem o que queremos no cônjuge. No entanto, o preenchimento dessas características não garante que o amor nasça e, vice-versa, o não preenchimento de várias dessas características não impede o nascimento do amor.

A lição que pode ser tirada desses estudos é a seguinte: existem vários caminhos para o amor.


Outras evidências sobre o desenvolvimento da afetividade entre aqueles que convivem

São inúmeras as evidências de que certo tipo de convívio pode disparar a afetividade e o amor. Por exemplo:

- Amizades são formadas em classes de aula e entre colegas de trabalho.

- Um estudo mostrou que é mais provável o nascimento da amizade entre pessoas que vivem no mesmo andar e compartilham as mesmas saídas de prédios de apartamentos ou que moram próximas em condomínios de casas!

- Afeiçoamo-nos aos animaizinhos que cuidamos por um tempo.

Neste artigo vamos examinar várias evidências que indicam que o amor pode nascer através do convívio entre pessoas que tenham um mínimo de compatibilidade e que mantenham o relacionamento dentro de uma perspectiva conjugal.


Amar o amor

Para muitas pessoas, as características do parceiro e do convívio não importam muito! Essas pessoas já estão propensas para o amor e se apaixonam facilmente por desconhecidos e por pessoas que futuramente poderão lhes trazer problemas. Vejamos uma história ilustrativa:

Marly se apaixonava muito facilmente. Frequentemente se apaixonava por pessoas que acabava de conhecer e logo se comprometia com elas.

Logo que a paixão inicial amainava, ela começava a descobrir quem realmente era o seu grande amor recente. Nem sempre o que ela descobria era uma surpresa agradável!

No entanto, quando essa descoberta acontecia, ela já estava muito envolvida e comprometida: já sentia muita coisa pelo parceiro, tinha feito muitos planos, havia apresentando-o para os amigos e familiares...

Geralmente, ela não desenvolvia intimidade psicológica com a pessoa antes de se entusiasmar por ela. O seu entusiasmo era mais baseado na chama da paixão do que nas afinidades e amizade com essa pessoa.

Ela era daquelas que conhecia pessoas em cruzeiros marítimos e se casava no navio, ou daquelas que se casavam em Las Vegas, com alguém que tinha acabado de conhecer.

Ela não precisava conhecer a outra pessoa para se apaixonar. Apaixonava-se após uma conversa na internet, após ter dançado algumas vezes com o parceiro ou após umas poucas ficadas.

Ela tinha muita facilidade para completar o desenho das figuras a partir de uns poucos pontos.

Ela já tinha na sua cabeça a maioria das condições que eram necessárias para se apaixonar. Bastava encontrar alguém que desse o empurrão inicial e que fosse um pouco ambíguo para que ela preenchesse todos os outros pontos da figura do amor!

Marly amava o amor. O parceiro era apenas um detalhe!

Problemas para amar e para despertar o amor? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 10h53

26/04/2015

Autocontrole: você consegue atingir seus objetivos?

Por que é difícil:

- Parar de fumar?

- Perder peso?

- Fazer ginástica?

- Fazer regime?

- Estudar para passar em um concurso?

- Se esforçar para ser promovido em um emprego?   

- Economizar para se prevenir contra tempos difíceis?

            Duas das principais respostas para todas essas perguntas são as seguintes:

1- “As consequências imediatas controlam mais nossos comportamentos do que as consequências mais distantes”. Quanto mais imediata é uma consequência, maior o seu poder de controle sobre o comportamento que a produz.

2- Certas pessoas têm mais “resistência à frustração” do que outras. Ou seja, certas pessoas toleram um grau maior do desconforto do que outras para fazer esforços para atingir seus objetivos. Em outras palavras, certas pessoas conseguem tolerar melhor o desconforto que é provocado por fazer coisas desagradáveis para obter benefícios futuros (trabalhar duro, fazer ginástica, estudar arduamente, etc.) ou conseguem se abster de benefícios imediatos para obter uma quantidade maior de benefícios no futuro (por exemplo, se abstêm do prazer imediato de fumar para terem mais saúde no futuro; renunciam ao prazer imediato do descanso e fazem regime e ginástica para ficarem mais saudáveis e bonitas no futuro, etc.).

Neste artigo vamos examinar esses dois fatores que controlam os nossos comportamentos.


“Força de vontade”

Vontade férrea para cumprir promessas

Carmem tinha uma vontade férrea! Nas festas de fim de ano, ela sempre engordava um pouquinho. Mas, logo em seguida, ela dizia: “Em poucos dias, voltarei à forma”. Dito e feito! Poucos dias depois, lá estava ela com aquele corpinho de sempre. A sua força de vontade também aparecia em outras áreas: estudou sozinha, durante dois anos, para um concurso público muito concorrido. E passou! Para conseguir passar, ela, todos os dias, seis dias por semana, estudava três horas aquelas malditas apostilas que havia comprado na internet. Durante todo esse tempo, não quebrou esse hábito nenhuma vez. Quando tentavam convencê-la para abrir uma exceção, ela sempre dizia “Primeiro o dever e, depois, o prazer”. Vá ser determinada assim naquele lugar.

Pouca determinação para cumprir promessas

Davi não conseguia largar o cigarro e agora estava ficando obeso. Já havia tentado várias vezes largar o cigarro e perder peso. No começo, ia bem. Logo em seguida, admitia uma exceção, depois outra...mais algumas e ...pronto: os maus hábitos haviam voltados e os bons, interrompidos! Em outras épocas da sua vida, Davi já havia conseguido parar de fumar e perder muitos quilos. Esses sucessos, no entanto, só foram conseguidos à base de remédios. Ele não conseguia fazer esses tipos de mudanças só com base na sua força de vontade.


As consequências imediatas controlam mais nossos comportamentos do que as consequências distantes

Nós, como todos os outros animais, somos mais controlados pelas consequências imediatas de nossos comportamentos do que pelas suas consequências mais distantes. Quando ambas essas consequências são convergentes, tudo certo, o útil se junta ao agradável. No entanto uma grande quantidade de problemas surge quando as consequências em curto prazo são más conselheiras, ou seja, elas influenciam os nossos comportamentos em uma direção que produzirá males em médio e longo prazo. Isso acontece com todos os vícios, preguiça, protelações, falta de persistência. Por exemplo, fumamos e comemos demais porque o prazer imediato é um mau conselheiro e produz grandes problemas estéticos e de saúde em médio e longo prazo.

Com a faca nos dentes

Recentemente assisti um filme na televisão apresenta a história de sobreviventes de um acidente de avião no Alasca (“A Perseguição”, dirigido por Joe Carnahan). Mais no final desse filme, alguns dos sobreviventes saem à procura de ajuda. O que interessa aqui é a persistência deles para lutar contra aquela situação bastante desesperadora: continuavam a caminhar na neve, embora sentissem fome, dor, cansaço, sono e medo. Todos esses sentimentos e sensações pressionavam para que desistissem da caminhada. A área racional de seus cérebros, no entanto, havia concluido, clara e acertadamente, que se pararem morreriam em pouco tempo: como já haviam se afastado do local da queda do avião, provavelmente não seriam localizados com vida e sobreviveriam por pouco tempo naquelas condições hostis. As consequências imediatas mandavam que parassem de caminhar, mas as consequências mais distantes eram mais sofrimento e a morte! (Não vou contar o final. Caso você se interesse, assista o filme! Rs).

Ter força para agir contra aquilo que é indicado por sentimentos e sensações negativas imediatas não ocorre apenas em situações dramáticas como estas mostradas no filme. Essa motivação para agir está presente no nosso dia a dia: levantamos da cama quando o sono ainda nos diz para ficar; enfrentamos o trânsito para encarar um trabalho pouco atraente, quando gostaríamos de ficar em casa ou de passear; comemos aquela saladinha meio sem sabor, quando o nosso apetite nos faz sonhar com aquela comida gordurosa e altamente calórica; corremos em uma esteira para ficar no mesmo lugar só para fazer ginástica, etc.

Muitas vezes, no entanto, nos rendemos e abandonamos muitas batalhas que poderiam, perfeitamente, serem ganhas. Neste caso, agimos assim porque as recompensas pelos maus comportamentos são imediatas e certas (mas danosas em médio e longo prazo) e as recompensas pelos bons comportamentos são apenas prováveis e só virão em médio e longo prazo.


Resistência à frustração

Um estudo americano mostrou que aos quatro anos de idade, as crianças já são bastante diferentes entre si na capacidade de adiar um prazer imediato para ganhar outro maior, mais tarde. Neste estudo, os experimentadores colocaram cada uma dessas crianças sentadas em uma cadeira em frente a uma mesa. Na mesa havia um marshmallow dentro de um prato.  Os experimentadores informaram essas crianças que, se não comessem aquele marshmallow até eles voltarem, elas ganhariam mais um e, ai, poderiam comer os dois. Em seguida eles saiam da sala. As crianças eram filmadas o tempo todo. Esse estudo mostrou que algumas crianças conseguiram adiar o prazer imediato de comer o marshmallow que já estava ali na sua frente para conseguir ganhar dois algum tempo depois.

Vários aspectos dos desempenhos dessas crianças foram monitorados durante muitos anos após esse experimento inicial. Esse monitoramento mostrou que aquelas crianças que conseguiram adiar a gratificação tendiam a ser mais eficientes em diversas tarefas como nos seus desempenhos acadêmicos e sucesso na vida adulta.

A educação é a principal causa do desenvolvimento da resistência à frustração.

Aqueles pais que satisfazem imediatamente todos os desejos de seus filhos estão contribuindo fortemente para que eles não desenvolvam uma boa capacidade para tolerar a frustração.


Autocontrole: controle por consequências distantes

Alguns estudiosos veem o autocontrole como um conjunto de procedimentos que uma pessoa adota em um momento, quando está sob efeito de determinadas percepções e motivações, para se controlar em outros momentos, quando ela está sob efeito de outras percepções e motivações. Por exemplo, uma pessoa coloca o despertador longe da cama para aumentar as chances de se levantar no horário previsto, no outro dia.


Fatores que afetam as chances das promessas serem cumpridas

Existem pelo menos quatro fatores que afetam as chances de que as promessas sejam ou não cumpridas:

1- Avaliação do grau de exequibilidade da promessa

Muitas promessas são apresentadas antes da realização de uma boa avaliação das dificuldades para cumprir o compromisso que ela apresenta. O grau de dificuldade da tarefa pode ser mal avaliado, tanto para mais ou para menos.

Após a promessa ter sido apresentada, ela pode ser avaliada por quem a apresentou como muito difícil de ser cumprida. Este tipo de avaliação é desmotivador e reduz drasticamente as chances de que ela seja cumprida.

2-  Habilidade para programar o cronograma de execução da tarefa

Um erro muito comum que é cometido por quem assume tarefas difíceis ou muito trabalhosas é marcar uma data para e completá-las integralmente. Esse tipo de compromisso pode levar ao desânimo porque é necessário muito esforço e esperar muito tempo antes da obter a recompensa que virá em uma dose única com o término bem sucedido da tarefa.

O melhor é assumir um cronograma de execução que preveja que pequenas partes da tarefa total devem ser concluídas e recompensadas em pequenos intervalos de tempo. Isso garante a motivação para um esforço continuado e que é recompensado frequentemente, ao invés de um esforço imenso e demorado que só recebe sua recompensa no final da tarefa.

Por exemplo, vamos supor a meta final de uma pessoa é perder dez quilos. Neste caso é melhor ela comprometer-se a perder meio quilo por semana e programar recompensas para acontecerem no final de cada um desses períodos de sucessos parciais como cumprimentar-se, comunicar o sucesso para outras pessoas que a cumprimentarão e mostrarão respeito e admiração por cada um desses sucessos parciais (os Vigilantes do Peso adotam um sistema parecido).

3- Assumir publicamente a promessa. Geralmente o cumprimento de uma promessa assumida em público implica no reconhecido por parte daqueles que ficaram cientes da sua formulação e o seu descumprimento, na perda de credibilidade perante essas pessoas, o que produz consequências desagradáveis para quem a descumpriu.

4- Assumir intimamente a promessa. Algumas pessoas sentem-se muito realizadas quando cumprem o que prometeram e muito frustradas e culpadas quando não o cumprem. Essas pessoas possuem um sistema interno de comprometimento muito poderoso porque aprenderam a liberar consequências psicológicas internas severas para o cumprimento de compromissos.

Além disso, todos nós também experimentamos bons sentimentos quando terminamos as tarefas que nos propusemos realizar e frustração quando tais tarefas são abandonadas e ficam inconclusas.

Problemas para atingir suas metas? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 09h22

19/04/2015

O que você faz para mudar seus estados psicológicos?

Algumas pessoas não sabem o que fazer para alterar seus estados psicológicos e ficam prisioneiras deles. Outras sabem o que fazer para se livrar de maus estados e para induzirem estados positivos. Esse é o assunto que vamos tratar neste artigo.

O que você faz para alterar seus estados psicológicos?

Para ter uma ideia do que você faz para alterar seus estados psicológicos, responda as seguintes perguntas:

Quando estou em um dos seguintes estados de espírito, tomo as seguintes providências para alterá-lo:

1- Estou desanimado. Faço.....

2- Estou com medo de enfrentar uma determinada situação social. Faço....

3- Estou desmotivado para iniciar uma tarefa que, uma vez iniciada, poderá tornar-se motivadora. Faço.....

4- Estou infeliz, embora nada grave tenha ocorrido. Faço.....

5- Estou com muita raiva. Faço.....

6- Estou de mau humor. Faço.....

Providências para alterar diretamente o estado psicológico ou providências para alterar suas causas?

Podemos tentar alterar diretamente o estado de espírito ou alterar suas causas. Para tentar combater diretamente o estado de espírito, podemos pensar ou dizer coisas encorajadoras para nós mesmos (“Sou uma pessoa bem sucedida socialmente”, “Não preciso do sucesso nesta situação”, etc.), produzir alterações corporais para alterar o estado de espírito (por exemplo, adotar uma postura corporal típica de alguém seguro e dominante) ou lançar mão de substâncias que acalmem ou combatam o medo (álcool, calmantes, etc.).

Por exemplo, para diminuir o medo de enfrentar uma situação social, podemos adotar, por alguns minutos, uma postura corporal dominante (queixo para cima, costas eretas, barriga para dentro) ou tentar combater as causas desse medo: mudar a nossa percepção da situação ameaçadora; melhorar nossa autoestima, etc.

No futuro, aprenderemos a alterar nossos estados psicológicos

No futuro, desde a infância, aprenderemos vários métodos para lidar com nossos estados psicológicos mais leves e cotidianos. Aprenderemos métodos para diminuir ou sair de estados psicológicos negativos e métodos para produzir estados psicológicos positivos. Aprenderemos a fazer isso em nós mesmos e em outras pessoas.

Será considerado um ato de impolidez e falta de educação induzir desnecessariamente estados negativos em outras pessoas, deixar de contribuir para introduzir e para manter estados positivos em outras pessoas ou deixar de tomar medidas para reduzir nossos estados negativos e para aumentar nossos estados positivos que afetam outras pessoas.

Os estados psicológicos mais graves e duradouros, para que sejam mudados substancialmente, exigem intervenção profissional. Essa intervenção é necessária, por exemplo, para alterar características de personalidade, combater traumas psicológicos, modificar estilos de apego, aperfeiçoar a capacidade para conversar e para combater a depressão.

Conhecimentos atuais para alterar estados psicológicos

Todo mundo conhece algumas medidas para diminuir a intensidade de estados psicológicos negativos, os próprios  e os de outras pessoas. Também conhecemos algumas maneiras de induzir estados psicológicos positivos.

No entanto, em muitas situações, não sabemos como agir, ou agimos erroneamente, para alterar esses estados. Por exemplo, muita gente não sabe o que dizer para apoiar ou consolar uma pessoa que acabou de receber uma notícia grave.

Algumas medidas para alterar estados psicológicos

Acabei de localizar na internet vários “métodos” para alterar estados psicológicos. Embora ainda não existam comprovações científicas sobre a eficácia desses métodos, aqui estão alguns deles:

1- Gargalhar

Há alguns anos, virou moda rir durante um tempo para provocar mudanças em nosso estado de espirito. Segundo os proponentes dessa medida, gargalhar, mesmo que forçadamente, produz alterações bioquímicas que muda.

2- Respirar profunda e pausadamente

A inspiração profunda tem efeitos calmantes: inspirar profundamente usando os músculos do abdômen e expirar lentamente acalma!

3- Praticar Yoga

Existe certo consenso que a prática do yoga contribui para diminuir a tensão.

4 – Ginástica leve

As pessoas que praticam ginástica relatam que isso lhes faz muito bem.

Certos exercícios podem trazer modificações psicológicas imediatas. Por exemplo, usar certas técnicas de “esquentamento” antes do envolvimento em interações sociais melhora esse tipo de envolvimento e o grau de satisfação com a participação.

4- Tirar uma soneca

Quando dormimos, o nosso cérebro dá uma desligada ou atenuada nos “programas” que estavam rondando no estado de vigília. Pessoas que estão em um mau estado psicológico podem se sentirem aliviadas e começar a pensar em outras coisas após a soneca.

5- Adotar posturas corporais dominantes e confiantes

Assumir essas posturas pode contribuir para sentir-se mais dominante e confiante.

6- Recitar fórmulas positivas

 Por exemplo, repetir três vezes a seguinte sentença: “Cada dia, em todos os sentidos, vou cada vez melhor” – mantra adotado por pessoas que creem no “poder do pensamento positivo”.

Como você faz para produzir um bom estado psicológico?

(Algumas dessas ações são as mesmas usadas para sair de maus estados psicológicos).

1- Sabe procurar situações animadoras e motivadoras: viaja, vai a programas culturais, se encontra com os amigos, permite-se desfrutar de coisas boas da vida.

2- Tem autocontrole para começar atividades pouco motivadoras que se tornarão motivadoras (“pegar no tranco”): sai para correr sem vontade, começa a estudar sem vontade, começa a trabalhar sem vontade, levanta da cama sem vontade.

3- Vai fazer compras

4- Come coisas saborosas

5- Veste uma roupa que lhe cai muito bem

6- Posta no Facebook coisas que são bem recebidas pelos seus amigos

7- Procura sair com amigos

8- Tem um encontro romântico ou sexual

9- Assume posturas corporais que aumentam a autoconfiança

10- Pensa em coisas que melhoram a autoimagem

11- Ouve música que alteram o seu estado de espírito

12- Conversa com alguém que “põe você para cima”

13- Executa atos que que colocam você para cima.

14- Age assertivamente em pequenas situações para mudar seu estado de espírito. 

Agir para mudar o estado psicológico

William James, famoso psicólogo americano do século 19, dizia que as ações é que provocam as emoções e não o vice-versa. Ele dizia, por exemplo, que ao ver um urso, “Tenho medo porque corro e, não, corro porque tenho medo”.

Sabemos hoje, que as ações e as emoções funcionam em uma via de dupla mão: tanto as emoções alteram os comportamentos como os comportamentos alteram as emoções.

As pessoas que concordam com William James tentam mudar suas formas de agir para provocar mudanças em seus estados psicológicos. Elas procuram se portar como se estivessem em outro estado de espírito para ver se, de fato, passam a se sentir da forma como estão se portando.

Atuar no corpo para alterar o estado psicológico

Os adeptos da ginástica, da corrida, da yoga, das massagens, do shiatsu, da acupuntura, da sensibilização sistemática, das técnicas de relaxamento atuam no corpo para alterar estados de espírito.

A atuação no organismo para afetar o psicológico tem seus limites. Por exemplo, por mais que as técnicas de relaxamento ajudem a acalmar o tímido, essas técnicas não o ensinarão a conversar melhor, a não deixar o assunto morrer. Da mesma forma, medicação, yoga ou ginástica poderão acalmar um homem que está sendo abandonado pela esposa, mas essas medidas não vão lhe ensinar como melhorar o relacionamento.

Diferentes graus de alterações dos estados psicológicos

Os estados psicológicos são complexos e constituídos por muitos componentes: temperamento, características de personalidade, hormônios, bioquímica cerebral, estados fisiológicos (sono, cansaço), acontecimentos externos ao organismo (termino de um casamento, perda do emprego, perda de um ente querido, sucesso profissional).

As durações dos estados psicológicos são muito variadas. Alguns duram a vida toda, outros mudam lentamente e outros ainda mudam em segundos.

Exemplo de estado que pode variar em segundos: você recebe uma má notícia. Nota, em seguida, que foi um engano! A mensagem não era para você. O susto provocado por essa má interpretação dura pouco e é substituído pelo alívio.

Certos estados podem ser alterados em uma hora de terapia: quando a pessoa vê claramente o que tem que fazer, quando ela desabafa e é acolhida com compreensão e desabafo o seu estado psicológico pode mudar significativamente. Outros estados podem demandar anos de terapia para serem alterados significativamente.

Alguns estados só podem ser mudados através de muita terapia. Outros são mudados através de medicamentos, outros ainda, através do autocontrole.

Escreva para nós e relate o que você faz para mudar o seu estado psicológico!

Na sua vida existem mais estados psicológicos negativos do que positivos? Procure um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 10h45

12/04/2015

Por que muitas mulheres têm dificuldade com o orgasmo e muitos homens, com a ereção?

Segundo a professora Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudo da Sexualidade (ProSex), 51% dos homens e 56% das mulheres daqui do Brasil estão insatisfeitos com suas vidas sexuais. Segundo essa professora, cerca de 25% dos homens sofrem de ejaculação precoce. Os problemas de ereção atingem de 30% a 45% da população masculina, dependendo da faixa etária. Entre as mulheres, um terço nunca chegou ao orgasmo e muitas reclamam da falta de desejo sexual.

Neste artigo vamos examinar algumas das principais causas desses problemas.

Causas dos problemas sexuais

Segundo Helen Singer Kaplan, famosa autora e estudiosa dos problemas sexuais, o sexo funciona satisfatoriamente quando não há interferências negativas.

Medo, preocupações e expectativas distorcidas são interferências que atrapalham o desejo e o desempenho sexual de homens e mulheres. Essas interferências prejudicam, principalmente, o desejo das mulheres e suas capacidades para o orgasmo e a ereção masculina e, consequentemente, seus desempenhos sexuais subsequentes.

Essas interferências geram problemas e diminuem o prazer sexual, mesmo quando o funcionamento orgânico é “normal”.

As duas seguintes histórias ilustram algumas dessas interferências sexuais e os problemas que elas causam.

André se preocupa com o seu desempenho e não consegue ereção

André foi para um encontro com Marina.

Ele estava louco por ela. Por isso, tinha muito medo de não agradá-la. Além disso, em outros relacionamentos, ele já teve problemas de ereção.

Durante o encontro, o clima entre eles começou a esquentar. Ele estava com muito desejo sexual por ela e, ao mesmo tempo, com muito medo de desagradá-la. Ele tinha esse tipo de medo porque tinha dúvidas quanto ao seu desempenho sexual e, o pior de tudo, porque tinha medo de não conseguir uma ereção firme o suficiente para penetrá-la ou, ainda, perder a ereção durante o relacionamento sexual.

Todos esses medos impediam a sua entrega ao prazer que as intimidades, cada vez mais intensas, com ela poderiam estar proporcionando.

Como não conseguia se entregar, a sua excitação não era muito grande e a sua ereção deixava muito a desejar. Falhou!

Janaina sentia mais apreensão e obrigação do que atração

Janaina é cheia de pré-requisitos para se envolver com sexo:o relacionamento tem que estar muito bom, tem que haver um bom tempo de preparo antes do início das atividades sexuais, etc.

Para Janaina, não é nada simples se entregar aos prazeres sexuais. Na hora do sexo, a sua cabeça fica cheia de apreensões, obrigações e regras. Por exemplo:

- Para ela, o prazer sexual do seu namorado é mais importante do que o seu.

- Ela tem medo de demorar muito para chegar ao orgasmo e essa demora cansar e aborrecer o namorado. Por isso, finge mais prazer do que está sentindo e, muitas vezes, finge que chegou ao orgasmo.

Fingir é uma tarefa que atrapalha muito se entregar ao prazer: essa tarefa exige atenção e esforço. Além disso, fica com medo de ser pega, sente culpa por estar fingindo,

- Ela sente medo de estar com problemas de desejo e medo de não ter muita atração pelo namorado.

- Tem medo de o namorado perceber que ela não está com muito desejo, não está muito excitada.

Todos esses temores e obrigações equivocadas não permitem que Janaina relaxe se entregue aos excitantes que estão presentes no encontro.


Maneiras de combater as interferências negativas na sexualidade

As interferências negativas na hora do sexo não deixam muito espaço para a ação dos excitantes sexuais. Por exemplo, ficar com medo do julgamento do parceiro sobre algum detalhe do corpo ou sobre o desempenho sexual não é nada excitante e atrapalha a entrega ao clima erótico e acontecimentos sexuais.

Três ótimas maneiras de combater as interferências negativas na sexualidade são as seguintes:

- Tomar conhecimento delas e admitir que elas estão presentes.

- Corrigir as distorções das percepções das importâncias dos fatos que geram temores, preocupações e expectativas distorcidas.

- Conversar com o parceiro sobre as práticas sexuais que acontecem entre eles, suas fantasias, temores e inibições. Vamos abordar agora, um pouco mais, esse tipo de conversa.

Muita gente não consegue conversar sobre sexo com o parceiro

Raros casais conversam minuciosa e frequentemente sobre as seus desejos e fantasias sexuais, sobre suas inibições e sobre o que se passa em seus relacionamentos sexuais.  Conversar sobre “sexo em geral” ajuda, mas não substitui conversar minuciosamente sobre o que está se passando no momento das relações sexuais.

É mais fácil fazer sexo do que conversar sobre ele

Conheço muita gente casada há muito tempo e que praticamente nunca conversou detalhadamente sobre sexo com o parceiro. Conversar frequentemente com ele sobre isso é muito mais raro ainda. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo!

Muitas dessas pessoas levam uma vida sexual medíocre porque deixam de lado esse tipo de conversa que é o meio mais importante para tomar e dar conhecimento daquelas coisas que as atraem ou as constrangem sexualmente e um meio para aperfeiçoar suas vidas sexuais. Além disso, esse tipo de conversa pode ser excitante!

Não é muito útil falar sobre sexo em geral. O mais produtivo é falar sobre si e sobre o que acontece consigo durante as relações sexuais com o parceiro. Também é muito importante saber ouvir o parceiro.

Falar com estranhos, neste nível de detalhes, é tabu. Falar com o parceiro pode ser muito delicado porque muita coisa está em jogo para quem fala, para quem ouve e para o relacionamento entre eles.

Os parceiros escondem um do outro coisas boas e ruins. Eles escondem seus desejos, suas fantasias. Escondem que não gostam e o que não gostam de fazer com e pelo parceiro. Eles mantêm em segredo mil medos, mil desejos, mil fantasias e mil suposições sobre o outro e sobre sexo.

O medo e o constrangimento para conversa sobre a própria vida sexual é muito maior do que se imagina. Esse tipo de inibição é a causa de grande parte dos problemas sexuais. Ele é a causa do prazer sexual ser subaproveitado.

A revelação de desejos dá variabilidade para a vida sexual. Cada dia, estamos de um jeito diferente nesta área. A comunicação para o parceiro dessa variabilidade afasta a monotonia e enriquece a vida sexual.


Porque as mulheres fingem orgasmo

A pressão sobre as mulheres na hora do sexo é tamanha que muitas delas fingem o orgasmo. O relato de pesquisa resumido em seguida dá uma ideia do que se passa na cabeça daquelas mulheres fingem orgasmo.

Motivos que levam as mulheres a fingir orgasmo

 “Uma pesquisa conduzida por publicado na revista científica Journal of Sex Research afirma que mais de 70% das mulheres não atingem o orgasmo durante as relações sexuais. Outro estudo verificou que entre 53 a 65% das mulheres fingem orgasmo durante as relações sexuais.”

Um estudo recente levantou alguns dos principais motivos que levam uma boa percentagem de mulheres a fingir orgasmo. Este estudo foi realizado com pequenos grupos de discussão cujos participantes eram homens e mulheres americanos na faixa dos vinte anos. (Veja uma apresentação mais completa dessas estatísticas e dessa publicação no artigo cujo link é oferecido na Nota 1, no final deste artigo).

Algumas das principais conclusões desse estudo são os seguintes:

1. A mulher é responsável por se preparar psicologicamente para o orgasmo.

O homem é responsável pela estimulação física das zonas erógenas da mulher.

2. O orgasmo feminino não é necessário para a mulher ficar sexualmente satisfeita.

Essa crença empurra as mulheres para se preocuparem mais com o orgasmo masculino do que com seus próprios orgasmos.

3. A mulher precisa cuidar do ego masculino durante o sexo.

Quando a mulher não tem orgasmo, isso afeta a autoimagem do homem. Ele sente que não é tão desejável ou tão hábil para excitar a mulher. Por isso, ela tem que tomar cuidado para que ele não se sinta ameaçado. Fingir prazer e orgasmo tranquiliza o homem.

4. A mulher pressupõe que está sendo julgada pelo homem, mas raramente comunica essa preocupação.

Ela se preocupa com o que ele está pensando a seu respeito e a respeito do seu desempenho sexual. Ela evita falar sobre isso. Essas preocupações afetam a sua capacidade para sentir desejo, ficar excitada e chegar ao orgasmo.

5. A mulher valoriza mais o prazer do homem do que o seu próprio prazer

Para ela, a intimidade já é bastante satisfatória. O orgasmo é um privilégio mais difícil e raro.

6. É mais aceitável fingir orgasmo em um encontro casual.

Fingir orgasmo com o parceiro fixo é menos aceitável do que em um encontro casual. Como ela espera pouco do encontro casual e sente menos culpa com os fingimentos, fica mais fácil fingir nesta situação.

Você tem tem pouco desejo, dificuldade para chegar ao orgasmo ou problemas de ereção?

Você não consegue conversar com o parceiro (a) sobre sexo? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA 1

AlyssaGraceMagsano. Fake It ‘till You Make It: Lust, Language, and Talking to Turn You On. http://alyssagracemagsano.com/category/archive/ (Consultado em 11/04/2015).

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Por Ailton Amélio às 13h23

10/04/2015

A construção de relacionamentos prazerosos e duradouros

Um relacionamento amoroso bem sucedido é aquele que traz satisfação, é vibrante e duradouro.

Você está satisfeito com o seu relacionamento amoroso atual? Ele produz mais satisfações ou mais aborrecimentos? Você vê mais atrativos fora do seu relacionamento do que nele? Você investe muito para construí-lo? Quais são os obstáculos psicológicos, sociais e materiais que impedem você de deixá-lo? Cada uma destas perguntas diz respeito a um dos cinco fatores que diversos estudos apontaram como essenciais para o sucesso de um relacionamento amoroso.

Relacionamento é muito mais que amor e sexo

O relacionamento amoroso envolve muito mais coisas do que romantismo e  sexo, ao contrário do que as novelas, os romances e as letras das músicas românticas querem nos fazer crer. Existem diversos fatores que podem contribuir para que este tipo de relacionamento seja iniciado, progrida para maiores graus de envolvimento e compromisso e traga satisfação para os envolvidos.

Três desses fatores foram identificados por Caril E. Rusbult e B. P. Buunk, dois importantes pesquisadores desta área: satisfação, alternativas e investimentos (Veja a citação dessa publicação na NOTA 2, no final deste artigo). As importâncias de dois outros fatores, a escolha de um parceiro adequado e as barreiras contra a dissolução do relacionamento, foram apontadas por diversos outros estudos. Estes cinco fatores são apresentados detalhadamente no meu livro “Para Viver um Grande Amor”. Vou resumi-los aqui.

Fatores que contribuem para a qualidade, estabilidade e durabilidade do relacionamento amoroso

1. Escolher bem o parceiro

Algumas características pessoais, que são muito importantes para um relacionamento amoroso, são muito difíceis de mudar. Portanto, é melhor selecionar parceiros que as possuam do que tentar mudá-los depois. Uma analogia ajuda a entender este fator: nenhuma empresa que necessite de um engenheiro contrataria alguém que tenha apenas o primeiro grau e investiria longamente na sua formação.

Da mesma forma, nos relacionamentos amorosos, é melhor selecionar um parceiro que já tenha as características desejadas, e trabalhar apenas nos ajustes finos, do que apostar em alguém que inicialmente seja muito diferente do desejado.

Também é desaconselhável aceitar alguém condicionalmente. Por exemplo, é desaconselhável aceitar uma pessoa como parceira amorosa contando que ela vai se tornar mais sociável, deixar um vício, ficar rica, cursar uma faculdade etc. Um parceiro que é aceito condicionalmente já inicia o relacionamento como devedor.

2. Satisfação

John Gottman, autor de vários livros e pesquisas sobre os fatores que contribuem para o sucesso do casamento, afirma que para um relacionamento dar certo é necessário que cada parceiro proporcione para o outro cinco benefícios para cada custo. Embora esta proporção possa ser questionada, parece bastante óbvio que preferimos a companhia daqueles que nos proporcionam mais benefícios do que custos.

A satisfação é importante em todas as fases do relacionamento: escolha do parceiro, início, progresso, estabilidade e término do relacionamento e na sua revitalização. Ela também é importante para diversos tipos de relacionamentos: amizade, relacionamento entre parentes, relacionamento entre pessoas que trabalham juntas e relacionamento amoroso.

O grau de satisfação de um relacionamento é determinado pela proporção entre custos e benefícios. Vários fatores podem ser fontes de custos e benefícios, entre eles:

- Características fixas ou dificilmente mutáveis das pessoas Inteligência, personalidade, sociabilidade, certas características físicas etc.

- Características do relacionamento com o parceiro: desempenho sexual, qualidade e quantidade de comunicação, compartilhamento de pensamentos, humor, etc.

- Compartilhamento de tarefas e responsabilidades Ajudar em tarefas caseiras e nas tarefas de manutenção da casa (fazer supermercado, efetuar pagamento de contas etc.).

- Criação e manutenção de relações sociais Amizades, relacionamentos com parentes etc.

Ilusão positiva. Alguns estudos indicaram que importa mais para a satisfação, a forma como o parceiro é percebido do que como ele é na realidade. Este fenômeno foi denominado de “ilusão positiva”. Neste sentido, um estudo mostrou que aqueles que viam o parceiro melhor do que os amigos o viam estavam mais satisfeitos com os seus relacionamentos. Esta ilusão pode ser bastante ampla, uma vez que nunca chegamos a conhecer bem a pessoa com quem convivemos. Um estudo revelou que as pessoas casadas há muito tempo só conheciam cerca de 50% das características do parceiro. Portanto, há muito espaço para distorções positivas e negativas na percepção das suas características.

3. Alternativas a ficar no relacionamento com o parceiro

Existem melhores opções fora do relacionamento do que nele? Geralmente são considerados dois tipos de opção:

1- Ficar só. Muitas vezes é “melhor ficar só do que mal acompanhado”.

2- Trocar de parceiro. A traição uma das principais causas da separação, segundo um estudo realizado em 186 culturas pela antropóloga Laura Betzig, da Universidade de Michigan.

Como não é possível enfraquecer as atrações que existem fora do relacionamento, o que dá para fazer é melhorar as atrações que existem dentro dele e as forças que dificultam sair dele. Ou seja, devemos cuidar dos outros fatores abordados neste artigo que ajudam o relacionamento ser mais satisfatório e estável.

- Selecionar um parceiro compatível.

- Aumentar as satisfações no relacionamento atual.

- Investir no relacionamento.

- Selecionar parceiros que possuam barreiras contra a dissolução do relacionamento e desenvolvê-las.

4. Investimentos

O juramento apresentado pelos noivos na cerimônia do casamento católico afirma: “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza...”.

Esta fórmula, sintetiza o princípio que afirma que para um relacionamento dar certo é necessário investir, acreditar e apostar nele. É necessário “entrar com os dois pés na canoa”. Agir desta forma é o oposto do imediatismo do “toma lá, dá cá”. Isto, obviamente, não significa ser ingênuo e apostar em relacionamentos com baixas chances de sucesso.

Cada vez mais acreditamos menos no casamento e, por isso, tentamos nos proteger das consequências do seu fracasso. Esta falta de crença e excesso de proteção contribui para que ele não dê certo. Antigamente o casamento era concebido como uma união plena e duradoura. Por exemplo, o regime do compartilhamento de bens era a comunhão total e ele era considerado indissolúvel. Atualmente o casamento padrão acontece com a comunhão parcial de bens e ele é visto como relativamente descartável. Muitos casais estão optando pela separação total de bens através de um pacto antenupcial.

Existem várias formas de investir em um relacionamento. Psicologicamente isto acontece quando os cônjuges “deixam de ser “eu” e “tu e se tornam um pouco “nós”. Outra forma é a aceitação incondicional do parceiro (o que não significa concordar com tudo o que ele faz). Outras formas de investimento: desenvolver projetos conjuntos (casa, carreira), amparar o outro nos maus momentos, defender o outro publicamente etc.

5. Barreiras

Existem dois tipos de barreiras contra a dissolução de um relacionamento amoroso: as internas e as externas.

As barreiras internas são constituídas pelos valores, crenças e inibições psicológicas que se contrapõem aos términos dos relacionamentos amorosos. Por exemplo, uma pessoa que tenha fortes sentimentos e valores que a impeçam de tomar decisões que causem sofrimentos para a sua família terá mais inibições para sair de um relacionamento amoroso e lutará mais para que ele dê certo do que alguém que tenha um grau menor destas duas características.

Existem duas maneiras de trabalhar com este tipo de barreira para aumentar as chances de que um relacionamento perdure:

- Selecionar parceiros que tenham este tipo de atitudes e valores.

- Fortalecê-las. Por exemplo, dialogar com o parceiro com o objetivo de aumentar a visibilidade das consequências negativas das separações.

As barreiras externas são constituídas por aqueles obstáculos impostos por outras pessoas e pelas estruturas sociais contra a dissolução do relacionamento amoroso. Alguns exemplos deste tipo de barreira são a opinião pública e as consequências legais e econômicas.

Creio que o grande aumento nas percentagens de separações que estão ocorrendo se deve, principalmente, ao enfraquecimento de diversos tipos de barreiras externas, entre elas:

- A lei facilitou as separações.

- A opinião pública está aceitando muito melhor os separados e recasados.

- As mulheres se integraram ao mercado de trabalho e não dependem mais dos maridos economicamente.

 

A grande vantagem do enfraquecimento destas barreiras é que ninguém mais é obrigado a ficar em um relacionamento altamente insatisfatório. A desvantagem é que ficou muito mais fácil sair de relacionamentos, o que leva muita gente a descartá-los prematuramente e não investir nas suas melhorias.

As barreiras externas que ajudam a proteger o relacionamento estão relativamente fora do controle individual. O que dá para fazer é escolher pessoas que pertençam a grupos sociais que aprovem e implementem as barreiras desejadas.

Acredito que é possível ter um relacionamento amoroso vivo, criativo e prazeroso com o mesmo parceiro durante toda a vida. Vale a pena construir e viver um relacionamento assim. Não conheço nenhum outro setor da vida que pode nos afetar de forma tão profunda e tão ampla quanto este.

NOTA

1- Este artigo é uma adaptação de um capítulo do meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha.

2- Rusbult CE, Buunk BP. Commitment processes in close relationships: An interdependence analysis.Journal of Social and Personal Relationships. 1993;10:175–204.

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Por Ailton Amélio às 10h34

30/03/2015

Como é um rosto bonito?

A ciência oferece algumas respostas parciais para esta pergunta. Vamos examinar neste tópico alguns dos fatores que contribuem para a beleza do rosto. Existem várias hipóteses sobre o que contribui para que um rosto seja julgado belo: o conjunto do rosto, a beleza dos elementos constituintes do rosto, a simetria entre o lado direito e lado esquerdo do rosto, a ausência de sinais de envelhecimento, o fato de o rosto ter características médias em relação aos rostos da população onde vivem os avaliadores.

O rosto que tem partes bonitas é belo 

Existem vários métodos para avaliar a importância dos componentes faciais. Alguns estudos contam o número de vezes que cada componente é mencionado por pessoas que estão falando da beleza da face. Outros estudos pedem para pessoas avaliarem a beleza de cada um dos componentes faciais; outros estudos medem as dimensões de cada um dos componentes de faces, pedem para pessoas julgarem a beleza das faces completas de onde estes componentes foram selecionados e calculam as correlações entre as dimensões de cada componente e as avaliações de beleza das faces de onde eles foram selecionados. Vamos ver abaixo um exemplo de cada um destes tipos de estudo.

Um autor pediu para as pessoas avaliarem vários componentes faciais isolados. Em seguida avaliou as faces completas que continham estes componentes. Os cálculos estatísticos mostraram a seguinte ordem decrescente de importância dos componentes faciais para a avaliação da beleza: boca, olhos, cabelos e nariz. É possível que os olhos tenham uma importância maior do que a mostrada neste estudo. Esta importância aparentemente foi depreciada neste estudo pelo uso dos óculos por parte de participantes.

Um estudo realizado por Cross e Cross (1971) tabulou a frequência que pessoas de 7 a 57 anos citaram diversos componentes faciais como sendo importantes para a beleza facial. A ordem de importância desses componentes, encontrada neste estudo, foi a seguinte: olhos (34%), boca e/ou sorriso (31%), proporções faciais ou configuração geral da face (15%) cabelos (10%), cor da pele (5%) e formato do nariz (5%).

Michael F. Cunningham, professor do Elmshust College, realizou dois quase-experimentos para investigar a relação entre características faciais de mulheres adultas e a atração, atribuição e respostas altruísticas de homens adultos. Este autor mediu 24 características faciais de uma amostra internacional de fotografias de 50 mulheres. Homens avaliaram a atração de cada uma das 50 mulheres. As características faciais mais atraentes eram as seguintes: características de neonatos (olhos grandes, nariz pequeno, e queixo pequeno); características de maturidade dos ossos das bochechas (proeminentes e bochechas estreitas); e as características expressivas (sobrancelhas altas pupilas grandes e sorriso largo). 

O rosto harmônico é belo

A teoria gestáltica afirma que os efeitos produzidos pelo todo são maiores ou qualitativamente diferentes daqueles produzidos pela soma das partes. Uma pessoa pode ter, por exemplo, belos olhos, uma bela boca, um belo nariz, uma bela testa e ainda assim não ser muito bonita ou vice-versa. Para visualizar isso basta imaginar, por exemplo, que a conformação craniana é muito diferente do usual [assimetrias, etc.] ou estes componentes faciais não estão simetricamente distribuídos no rosto.

O vice-versa, dentro de certos limites também parece ser verdadeiro. Contribui para a gestalt a simetria e as proporções nas dimensões das partes.

 

        O rosto médio é belo

Há muito tempo é sabido que o rosto médio (em relação ao rosto das pessoas do mesmo sexo da população do local onde vive o indivíduo) é considerado belo. Recentemente, autores americanos criaram rostos médios a partir de vários outros rostos e verificaram que esses rostos médios eram considerados mais bonitos do que os rostos verdadeiros que lhes deram origem. Os cientistas verificaram também que os rostos médios eram considerados os mais belos em outras culturas, embora as pessoas de cada cultura considerassem mais belos os rostos que eram médios em relação aos rostos de pessoas da própria cultura.

Faces compostas

A atração de faces compostas de mulheres foi notada há muito tempo. Sir Francis Galton, grande cientista inglês do século passado, criou um método muito interessante para estudar a beleza de faces compostas. Sir Galton fotografou vários homens e mulheres ingleses e revelou parcialmente os negativos das mulheres sobre um mesmo papel e a dos homens sobre outro papel. Desta forma, as características mais comuns para cada sexo ficavam mais firmemente registradas nas respectivas revelações, ao passo que as características mais raras praticamente não deixavam as suas marcas no papel. Sir Galton verificou que os rostos que possuem características médias, em relação às características existentes em uma dada população, são mais bonitos do que os rostos que possuem características mais extremadas na mesma população. Por exemplo, um nariz bonito é um nariz de tamanho médio, em relação aos tamanhos de narizes que existem em uma dada população. Um nariz muito menor ou muito maior do que este nariz médio é considerado menos bonito. Esta regra sobre a beleza do médio não era absoluta. Um desvio moderado destas médias de tal forma que acentuassem os sinais de gênero acentuava ainda mais a beleza da montagem fotográfica.

Recentemente, a mídia divulgou belas imagens de rostos humanos criados por computadores. Estas imagens foram criadas utilizando-se os mesmos princípios empregados por Galton há mais de um século. O computador foi alimentado com fotos de várias pessoas. O computador construiu então imagens faciais que eram médias das medidas dos rostos individuais. Por exemplo, os olhos da imagem criada pelo computador tinham um tamanho médio em relação aos das outras pessoas que participaram do estudo. Os autores realizaram então uma pesquisa que mostrou que estas imagens médias eram ainda mais bonitas do que os rostos individuais que lhes deram origem. A beleza dos rostos médios ainda pode ser melhorada caso sejam introduzidas correções nesses rostos que realcem as características de gênero (aquelas características que distinguem o rosto feminino do rosto masculino). O método utilizado para obter fotos mistas é muito semelhante ao utilizado por Galton: o estudo recente utilizou utilizado o computador para produzir fotos que eram as médias de outras fotos as fotos compostas eram muito bonitas.  

J. S. Pollard, um pesquisador da Universidade de Canterbury (Nova Zelândia) verificou que faces compostas eram julgadas mais bonitas do que as faces simples que lhes deram origem. Este autor utilizou fotos de neozelandeses em sua pesquisa. O interessante é que esta preferência pelas fotos compostas se manifestava quando os juízes de beleza eram neozelandeses e também quando o mesmo conjunto de fotos foi julgado por estudantes chineses residentes na Nova Zelândia e por estudantes chineses, nigerianos e indianos residentes em seus próprios países. Esta preferência pelas fotos compostas, acima do que seria esperado por julgamentos ao acaso, acontecia principalmente quando as fotos eram de mulheres. As fotos compostas de mulheres foram julgadas mais belas do que as fotos não compostas, em uma percentagem acima do que seria esperado pelo acaso, por estudantes de todas as nacionalidades estudas nesta pesquisa. 

O fato de pessoas de diferentes culturas se portarem de forma semelhante na escolha destas fotos compostas indica que algo além da aprendizagem social está influenciando estes julgamentos. De qualquer forma a aprendizagem cultural também é importante neste tipo de julgamento, uma vez que os chineses residentes na Nova Zelândia foram aqueles cujos julgamentos foram os mais semelhantes aos dos próprios neozelandeses.

O rosto simétrico é belo

Um dos fatores que contribuem para que uma pessoa seja considerada bela é a simetria entre o formato e as dimensões de todos os detalhes constituintes do lado direito e do lado esquerdo de seu corpo. Uma pessoa simétrica é aquela cujo lado esquerdo do corpo corresponde em tamanho e forma ao lado direito do corpo. Existem várias evidências de que as pessoas que possuem um alto índice de simetria são consideradas mais belas e, por incrível que pareça, mais saudáveis (por exemplo, assimetria nas mamas: distúrbios hormonais). O mesmo se verifica entre os animais (ver exemplos em "seleções").

Itens do lado esquerdo do corpo correspondem às medidas e formatos do lado direito do corpo. Por exemplo, se fotografarmos um rosto e cortarmos a fotografia exatamente no meio e superpusermos as duas metades elas se ajustarão perfeitamente. Se tomarmos todas as medidas de um rosto (tamanho de cada um dos olhos, formato dos olhos, distâncias entre o centro dos olhos e o centro do cavalete do nariz, tamanho e desenho de cada uma das sobrancelhas, tamanho e formato das orelhas, etc.).

O rosto jovem é belo

Vários estudos atuais vêm mostrando que sinais de juventude são considerados belos em quase todas as culturas. Por exemplo, estudos realizados em várias culturas e em várias épocas históricas mostram que os homens preferem se casar com mulheres mais jovens. A teoria psicobiológica afirma que a juventude é valorizada principalmente nas mulheres porque ela é imprescindível para a reprodução. Os homens que preferiam mulheres mais jovens tiveram um maior sucesso reprodutivo do que os homens que preferiam mulheres mais velhas. Nas condições onde a nossa espécie evoluiu era crítico ter muitos filhos para que uns poucos sobrevivessem. Nestas condições escolher como esposa uma mulher cuja idade já tivesse comprometido a sua capacidade se reproduzir plenamente era uma aposta muito arriscada.

O bebê bonito pode não se tornar um adulto bonito

Muitos dos fatores que contribuem para que um bebê seja considerado belo não são os mesmos que contribuem para que um jovem ou uma pessoa na terceira idade seja considerado belo.

A natureza faz os bebês nascerem com certas características físicas que os tornam atraentes e despertem os afetos, principalmente os afetos das mulheres (estas dilatam mais a pupila para bebês do que os homens que ainda não tiveram filhos, o que é uma indicação que elas gostam mais de bebes do que eles). Algumas das características que distinguem um rosto de um bebê de um adulto são:

Formato da cabeça; testa grande, ponte do nariz relativamente menor do que a dos adultos; queixo menos proeminente e olhos relativamente maiores do que os olhos dos adultos.

Existe pouca relação entre a beleza infantil e a beleza do adulto. Embora haja uma tendência para a criança que é bela continuar a ser vista como bela durante a vida, esta relação é fraca: muitas crianças bonitas se tornarão adultos de beleza média ou até feios e vice-versa.

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Por Ailton Amélio às 10h36

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.