Blog do Ailton Amélio

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27/06/2011

Mulheres descomprometidas: três estações do amor

Aqui no Brasil, neste momento que escrevo, a maioria das pessoas que tem a idade adequada para um relacionamento amoroso está envolvida em um deles. No entanto, outro grupo, também bastante numeroso, está descompromissado. Este grupo de descompromissados não é homogêneo: existem pessoas que não querem namorar (“ficam”, têm casos, sentem-se bem sozinhas, etc.); nunca namoraram; estão na “entressafra” (terminaram um relacionamento há pouco tempo e ainda não “engataram” outro) ou estão com dificuldades para se envolverem em relacionamentos amorosos (algumas delas só têm facilidade para relacionamentos superficiais).

Neste artigo vou tratar apenas de três grupos de mulheres que estão disponíveis e dispostas a iniciar um relacionamento amoroso. Cada um desses grupos pode ser identificado tipicamente com certa faixa etária, embora existam muitas exceções: algumas pessoas têm facilidades e problemas na área amorosa que são mais típicos de outras faixas etárias.

Se você está descompromissada e disponível para um relacionamento amoroso, leia as três histórias abaixo e os comentários que as seguem e procure identificar qual delas mais se aproxima da sua situação.

Primeira estação: “A Vida é uma Festa”

Juliana tem 21 anos. Está cursando a faculdade, se dá muito bem com os ex-colegas de colégio e tem vários amigos de infância que moram perto da sua casa. Está sempre em contato com estes conhecidos, colegas e amigos. Além de ver uma parte deles na faculdade, ainda mantêm contato intenso com quase todos: a internet, o telefone, as festas e os diversos tipos de programas estão ai para isso. Os programas são constantes: sempre há uma pessoa que está fazendo aniversário, outra que está convidando para assistir um vídeo; as idas aos barzinhos acontecem todas as semanas e as baladas são sempre uma opção. Em cada um destes programas sempre pode rolar alguma “ficada”. Sempre, também, há alguém na fila de espera para outros tipos de relacionamento. O amor está na ordem do dia: as opções e oportunidades são múltiplas.

As duas principais características desta primeira estação são as seguintes: grande disponibilidade de parceiros para relacionamentos amorosos e grande quantidade de oportunidades de encontros amorosos. Nesta época, quase ninguém está seriamente comprometido: são raros aqueles que moram juntos ou que estão casados. Os jovens vivem em bandos: estudam juntos, viajam juntos, se falam constantemente pela internet, frequentam muitas festas e baladas.

Um estudo que publiquei recentemente1 revelou que estudantes universitários paulistanos, que tinham cerca de vinte e quatro anos de idade, já tiveram, em média, as seguintes quantidades de experiências amorosas: “ficadas” – 26 parceiros diferentes; relações sexuais – 5 parceiros diferentes; paixões – 3; namorados – 4; amores – 1. Além disso, sessenta e quatro por cento deles se declararam apaixonados na época em que a pesquisa foi realizada. Trata-se, portanto, de uma época bem intensa no campo amoroso, uma verdadeira festa amorosa.

Nesta estação do amor, portanto, as condições objetivas favorecem os inícios de relacionamentos amorosos. As principais dificuldades para iniciar ou desenvolver um relacionamento amoroso nesta época são mais de ordem pessoal. Algumas das principais dessas dificuldades são as seguintes:

- Problemas de autoestima.

- Características físicas e psicológicas pouco valorizadas pela cultura.

- Problemas para sentir atração amorosa, evolver afetivamente, comprometer-se.

- Inabilidades para criar um clima amoroso: acentuar os sinais de gênero, flertar,

- Exigência excessiva quanto ao parceiro: exigir mais do que oferece ao parceiro em diversos campos.

Segunda estação: “É Agora ou Nunca”

Eliana é bonita, se veste bem, tem uma boa formação acadêmica e está bem na vida profissional. Durante a vida, ela teve vários relacionamentos breves e dois mais longos. Atualmente está sem namorado. Está começando a ficar aflita com a sua vida amorosa. Percebeu que o seu tempo está curto e que não pode tomar decisões erradas nesta área. Quer muito constituir a sua própria família e gostaria de ter pelo menos um filho. Fez as contas: está com trinta e dois anos. Se encontrasse um namorado nos próximos meses e se casasse com ele daqui a um ano e meio, já teria quase trinta e quatro anos nesta época. Caso engravidasse depois de um ano de casada, o filho nasceria quando ela teria perto dos trinta e seis. Tudo isso, na melhor das hipóteses. Devido a estas considerações, sente uma grande pressão para acertar logo nesta área. É agora ou nunca.

A grande motivação de Eliana para casar e ter filho está se virando contra ela. Mal ela começa a sair com um rapaz, já fica muito atenta à natureza das suas intenções amorosas – se ele quer apenas se divertir ou se tem intenções sérias - e, por isso, nem aproveita direito os encontros. Ela também fica à caça de pistas que indiquem se ele seria um bom esposo. A sua “ideia fixa” tornou menos importante o envolvimento com a pessoa que ela sai do que as características dessa pessoa que a qualificam como um possível esposo. Por isso, os rapazes que saem com ela sentem-se pressionados e ficam com a sensação de que ela não quer namorar, mas sim casar. Isto geralmente “quebra o clima” e faz o relacionamento fracassar.

As principais dificuldades para iniciar e desenvolver relacionamentos amorosos nesta estação são as seguintes:

- As mesmas dificuldades da estação anterior

- A urgência para iniciar e desenvolver um “relacionamento sério”.

- Diminuição na quantidade de bons parceiros disponíveis. Principais motivos:

(a) a maioria dos parceiros compatíveis está casada ou morando junto. (b) Muitos dos disponíveis remanescentes não são compatíveis, não querem um relacionamento sério (só querem sexo ou têm dificuldade para se compromissarem). (c) Quase todo mundo em volta já está compromissado.

-Dispersão dos parceiros compatíveis. Os contatos com parceiros compatíveis no dia a dia começam a rarear.

Terceira estação: “Olha Nós Aqui Outra Vez”.

Carol é uma mulher madura e realizada em vários sentidos. Tem quarenta e cinco anos, é advogada de uma grande firma e ganha relativamente bem. Tem dois filhos já crescidos: uma filha terminando o segundo grau e um filho na faculdade.

Ela separou-se aos trinta e nove anos. Após a separação, passou dois anos sem querer novos relacionamentos amorosos. Depois disso, começou a sentir interesse em reiniciar a sua vida amorosa. Uma das primeiras coisas que fez para isso foi examinar as suas possibilidades atuais. Foi aí que ela tomou consciência de que muita coisa havia mudado desde a sua época de solteira: antes de se casar a grande maioria dos homens que despertava o seu interesse não estava seriamente comprometida (poucos moravam juntos ou estavam casados). Agora, a grande maioria dos homens da sua faixa etária está casada. Por exemplo, no prédio onde ela mora e no local onde trabalha quase todos os homens do seu nível socioeconômico e da sua faixa etária estão casados. Os homens disponíveis remanescentes estão dispersos por aí. Não existem locais onde eles podem ser encontrados naturalmente. Não existem locais com tabuletas dizendo: “Prédio exclusivo para solteiros.”, “Emprego só para disponíveis.”, “Descompromissado, venha morar e trabalhar aqui.”, “Condomínio da Paquera” ou “Só é permitida a entrada e permanência de disponíveis”. Os poucos locais onde é possível encontrar homens com estas qualificações são os bares, clubes noturnos e a internet. Nestes locais, no entanto, os frequentadores estão mais a procura de sexo imediato do que de relacionamentos mais abrangentes.

A constatação das dificuldades para encontrar um parceiro ideal pode levar muitas mulheres desta estação do amor a abrir mão de boa parte das exigências sobre o parceiro. Quando isto acontece, esta mulher já não está mais à procura de um príncipe encantado e de um grande romance. Encontrar um bom companheiro, que seja amigo, confiável, realizado economicamente e bom de cama, seria bom demais.

Talvez ela não sinta a necessidade de casar-se formalmente ou de morar na mesma casa. Também não há tanta urgência para realizar este projeto, como na estação anterior. Quem está nesta estação já realizou o seu sonho de casar-se e ter filhos. Agora o que mais importa é ter um bom companheiro. Não existe nenhuma data fatal após a qual as dificuldades para esse fim aumentem abruptamente.

Principais dificuldades para iniciar e desenvolver relacionamentos nesta estação

Além das dificuldades apontadas para as duas estacoes anteriores, as mulheres desta terceira estação ainda se deparam com outras dificuldades. As principais destas dificuldades são as seguintes:

- Os homens geralmente querem namorar mulheres bem mais jovens do que eles (no Brasil, o homem, em média, é cerca de três anos mais velho do que a mulher na época do seu primeiro casamento e cerca de nove anos mais velho do que ela quando se recasa).

- Muitos possíveis parceiros só querem sexo. Outros já não conseguem mais ter um bom desempenho sexual

- Muitos homens que se mostram interessados em desenvolver um relacionamento amoroso, e que inicialmente parecem adequados, posteriormente revelam sérios problemas (vícios, problemas psicológicos, incapacidades para se envolver, incapacidade para se comprometer, sérios problemas econômicos - desempregados crônicos, endividados dificilmente recuperáveis, etc.).

Pessoas que florescem em todas as estações

Uma boa dose de características psicológicas favoráveis ao relacionamento amoroso pode ser suficiente para superar os obstáculos para iniciar e desenvolver relacionamentos amorosos que existem nestas três estações do amor. Certas pessoas sempre atraem, sempre têm pretendentes: são charmosas, cheia de vida e tomam iniciativas. Para essas pessoas, a vida amorosa sempre é uma Primavera, cheia de flores, sol brilhante e passarinhos cantando!

 

Este artigo foi baseado em um capítulo ("Três Estações do Amor")do meu livro "Relacionamento Amoroso, Publifolha, 2009

1 Silva, A.A. O conteúdo da vida amorosa de estudantes universitários.Interação em Psicologia, 2006, 10(2), p. 301-312. Disponível na internet em:ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/.../7684

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Por Ailton Amélio às 08h46

20/06/2011

Você é "bonzinho" ou "anulador" nas conversas?

Eu prefiro ser/Essa metamorfose ambulante/Do que ter aquela velha opinião/Formada sobre tudo” (Raul Seixas: letra da música "Metamorfose Ambulante")

Leia a seguinte história e procure avaliar até que ponto você se identifica com ela.

João, o bonzinho

João foi passar o feriado no sítio da namorada. Era a primeira vez que ele ia conviver por tanto tempo com a sua família. Tinha muito medo de desagradar. Em todas as conversas ria muito, ouvia com atenção, fazia perguntas, concordava com tudo, apresentavas casos confirmatórios daquilo que ouvia, nunca apresentava os próprios assuntos porque tinha medo de que eles não fossem interessantes para aquelas pessoas. Nunca tentava direcionar a conversa, omitia tudo que pudesse discrepar daquilo que o interlocutor queria apresentar. À noite, os seus músculos faciais chegavam a doer de tanto sorrir falsamente. Era uma trabalheira insana. Logo ele se tornou o ouvinte ideal. Todos passaram a alugá-lo para as conversas mais desinteressantes. No terceiro dia, ele não queria sair do quarto e ter que ouvir os casos intermináveis das tias mais velhas da namorada. Prometeu para si próprio que nunca mais aceitaria outro convite para um evento como esse.

As questões abaixo ajudarão a avaliar se você é bonzinho ou anulador. Para verificar se você é bonzinho responda essas questões. Para avaliar se você é anulador, peça para as pessoas que costumam conversar com você respondê-las (lembre-se que isso é delicado) ou imagine como elas as responderiam.

- As suas conversas andam meio sem vida?

- Após conversar, você sente-se cansado porque trabalhou muito para agradar o interlocutor?

- Você concorda com tudo que o interlocutor diz?

- Você tem medo de revelar a sua posição e desagradar?

- Nas suas conversas, você se sente como plateia e nunca como protagonista?

- Quando o seu interlocutor diz algo, você raramente apresenta a sua verdadeira posição sobre o que acabou de ouvir?

- Você raramente se sente a vontade para apresentar os seus próprios assuntos?

- A forma da conversa é determinada principalmente pelos seus interlocutores?

- Você frequentemente deixa de falar algo que pensou e sentiu e depois passa o momento adequado para essas colocações?

- Você frequentemente sente-se “capturado” pelo seu interlocutor: não consegue terminar a conversa, mesmo quando o assunto não agrada e a forma de conversar não lhe satisfaz?

- Você sente que o seu interlocutor nunca dá espaço para os seus assuntos e seus pontos de vista e, mesmo assim, você fica à sua disposição pelo tempo que ele quiser?

 

Bonzinho Caso tenha respondido afirmativamente a uma ou mais dessas perguntas, você parece ser do tipo “bonzinho”. Se você respondeu positivamente a várias delas, e isso acontece frequentemente e com vários dos seus interlocutores, você provavelmente é o tipo “bonzinho e insignificante”.

Anulador. Se você pedir para as pessoas com as quais você costuma conversar para responder ao questionário acima e elas responderem afirmativamente a uma ou a várias dessas questões, ou elas são boazinhas, ou você é um anulador ou um pouco das duas coisas.

Porque é bom posicionar-se na conversa

Comunicar sentimentos e pensamentos genuínos na conversa é bom por que:

- A revelação desses pensamentos e sentimentos que foram provocados pela comunicação do interlocutor ("feedback") é uma das principais fontes de vida da conversa.

- Compartilhar pensamentos e sentimentos funciona como uma espécie de cola dos relacionamentos: as pessoas que não compartilham suas intimidades não constroem relacionamentos pessoais profundos. Um grande grau de reserva só é apropriado nos relacionamentos profissionais, entre estranhos ou entre pessoas que não confiam uma nas outras e não querem se tornar íntimas.

- É uma forma convincente de mostrar interesse no que a outra pessoa está dizendo.

- É uma maneira de considerar e prestigiar o interlocutor.

- É imprescindível para ter energia e gostar da conversa. Compartilhar pensamentos e sentimentos implica em participar de verdade da conversa. Essa forma de participação ativa produz e libera energia.

- É a única maneira de participar de verdade e não simuladamente. Quem omite o que está sentindo e pensando e apresenta outras formas de agir não condizentes que esses sentimentos e pensamentos está simplesmente simulando.

- É a única maneira de participar de uma forma digna, sem se anular ou permitir ser anulado. O bonzinho insignificante pode até agradar imediatamente ou em curto prazo  aqueles interlocutores mais autocentrados e anuladores. No entanto, em médio ou longo prazo ele será visto como alguém que “nem fede nem cheira”, bonzinho, mas que não tem nada a acrescentar.

- O maior preço desse tipo de omissão é a auto-anulação.

- A vida dos bonzinhos é chata. Viver é arriscado. Maximizar a segurança implica em minimizar os prazeres da vida.

- Pior que isso, sendo bonzinho, a sua autoestima vai abaixar, o seu prazer com os encontros sociais vai diminuir. Creio que muitas pessoas não têm prazer no convívio social porque não se atrevem a ser a expressar como realmente são.

- Com certeza você será mais valorizado socialmente e sentirá mais prazer nos seus encontros sociais e na sua vida.

Polidez e autenticidade

Posicionar-se não significa ser rude e direto. Muita gente confunde isso. São pessoas transparentes, mas rudes. A polidez é um tipo de lubrificante social  que torna as discordâncias mais palatáveis. Você pode dizer quase tudo, dependendo da forma como diz.

Modéstia e autenticidade

A pessoa que resolve manifestar-se mais autenticamente tem que ser modesta. Ela não pode simplesmente mudar de lado e passar a tratar seus interlocutores como pessoas insignificantes que veem tudo errado.

O modesto, mas firme, sempre diz coisas como:

- Poderíamos pensar de forma diferente?

- Interessante seu ponto de vista, mas eu vejo as coisas de forma diferente.

- Puxa, veja que coisa interessante! Eu penso de forma bem diferente da sua.

A participação autentica dever ser positiva e agradável

A esta altura você pode estar pensando que para não ser bonzinho insignificante você terá que discordar frequentemente do interlocutor. Muitas vezes realmente essa é a forma de comportar-se. No entanto, outra forma de não ser bonzinho é aprovar com entusiasmo e veemência aquelas coisa boas que você acha que os interlocutores apresentaram. Um bom relacionamento geralmente segue o princípio do 5x1: cada interlocutor apresenta para o outro cinco unidades de coisas boas para cada unidade de coisas ruins.

Quando é necessário ser bonzinho

Também não é necessário ser assertivo em todas as circunstâncias e sair por ai encarando todas as paradas. Muitas vezes temos e até queremos fazer o papel de platéia simpática e passiva. Temos que fazer esse papel quando as consequências negativas para uma forma mais ativa de agir podem ser graves. Por exemplo, caso você seja assaltado, é prudente ser bonzinho com o ladrão. Se você não pode arcar imediatamente com as consequências de ser despedido, é melhor tolerar provisoriamente aquele chefe autoritário que trata você como um ser que está ali apenas para concordar, cooperar e não questionar as suas decisões. Se alguém está descontrolado emocionalmente, o melhor é acolher as suas manifestações até que a pessoa volte a recuperar o seu controle emocional.

 “Troca de favores” não é ser bonzinho

É muito comum conversarmos por certo tempo sobre as coisas que são importantes para o interlocutor, mesmo que não estejamos muito interessados nelas. Depois é a nossa vez de falar de coisas que talvez não interessem tanto o nosso interlocutor. Provavelmente ele nos ouvirá, tal como fizemos antes com ele. Isso pode acontecer até mesmo durante conversas inteiras como, por exemplo, quando um dos interlocutores está passando por alguma dificuldade especial. Chamo isso de “troca de favores”.

Você costuma anular os seus interlocutores?

Algumas pessoas funcionam como anuladoras. Assim que identificam um bonzinho “lavam a égua”: aproveitam-se dele para exibirem-se como um pavão. Essas pessoas costumam ser evitadas e muito criticadas pelas costas.

Não é um bom negócio ignorar os sentimentos e pensamentos dos interlocutores. Se eles realmente têm prazer em ceder o espaço para você, tudo bem. Parabéns você é um líder autêntico e carismático! Caso você consiga anular os seus interlocutores usurpando os seus espaços, ai você é um chato. Talvez você consiga isso porque tem poder para impor consequências negativas para aqueles que se rebelam. No entanto, isso tem um custo e, assim que você vira as costas, eles destilarão tudo que sentiram e, se puderem, passarão a evitá-lo.

Anular nossos interlocutores também é uma forma de nos alijarmos do verdadeiro convívio social. É um simulacro da participação autêntica e sempre deixará aquela sensação de “solidão do poder”: muitos bajuladores ao redor e nenhum amigo verdadeiro! Isso também acontece nos relacionamentos amorosos e familiares.

Caso você não esteja conseguindo deixar de ser bonzinho ou anulador procure a ajuda de um psicólogo.

Envie este artigo para um bonzinho ou para um anulador e ajude-o a se livrar deste transtorno!

APRESENTE SUAS PERGUNTAS. ALGUMAS DELAS SERÃO RESPONDIDAS NO MEU PRÓXIMO VÍDEO. (Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, mande uma mensagem para: ailtonamelio@uol.com.br )

 

Por Ailton Amélio às 10h01

13/06/2011

Comunicação não-verbal

Quase todo mundo já está ciente da importância da comunicação não-verbal. Neste artigo vamos examinar um conjunto de informações que podem ser úteis para quem não pretende se especializar neste assunto, mas que apenas deseja melhorar a sua comunicação na vida diária. Vamos apresentar informações que podem ajudar a aperfeiçoar a sua capacidade para se expressar através da comunicação não-verbal e para decifrar aquilo que outras pessoas estão expressando através desse tipo de comunicação.

Comunicação verbal e comunicação não-verbal

A comunicação é constituída pela comunicação verbal e pela comunicação não-verbal. Dependendo do tipo de informação que está sendo apresentada, um destes dois tipos de comunicação pode ser mais eficiente do que o outro. Geralmente estes dois tipos de comunicação são combinados para gerar mensagens complexas. A comunicação não-verbal pode acompanhar a verbal ou pode ser apresentada isoladamente desta. A comunicação não-verbal pode confirmar, reforçar, contradizer ou apresentar informações diferentes daquelas que estão sendo apresentadas pela comunicação verbal.

A comunicação verbal é mais eficiente para falar sobre coisas abstratas, coisas ausentes e para fazer planos para o futuro. As mensagens apresentadas através das palavras são mais definidas e definitivas do que aquelas que apresentadas através da comunicação não-verbal. Por exemplo, quando uma pessoa diz que tem interesse amoroso por outra, esta declaração não deixa muita margem a dúvidas, dificilmente será esquecida e pressiona quem a recebeu para manifestar-se sobre ela. Quando uma pessoa apenas lança olhares amorosos e fica rodeando a outra pessoa, tais manifestações são menos comprometedoras, menos definidas, mais fáceis de serem esquecidas e pressionam menos por uma resposta do que a declaração verbal que tenha um significado correspondente. Por isso, uma proposta verbal para iniciar um relacionamento amoroso só deve ser apresentada depois que o seu aceite já foi previamente assegurado através da comunicação não-verbal.

A comunicação não-verbal é mais eficaz do que a verbal para expressar emoções e atitudes, facilita a identificação da mentira, é eficiente para mostrar o envolvimento de quem fala com o que está sendo dito (isso é mostrado, por exemplo, através do tom de voz e gestos que acompanham a fala) e para mostrar animação, veracidade e simpatia. A comunicação não-verbal também é imprescindível para expressar interesse à distancia entre pessoas desconhecidas (flerte à distância).

Relações entre os diferentes tipos de comunicação não-verbal

Os diferentes tipos de comunicação não-verbal podem apresentar mensagens confirmatórias, contraditórias ou independentes entre si. Por exemplo, uma pessoa pode sorrir ao encontrar um conhecido, mas, ao mesmo tempo, mostrar um tom de voz ríspido ao cumprimentá-lo. Um tipo de comunicação não-verbal também pode enviar um tipo de mensagem enquanto outro envia outra mensagem, não diretamente relacionada com a primeira. Por exemplo, diante de um convite para um encontro, a face mostrar alegria e ao mesmo tempo que as anuências com a cabeça mostram aceitação do convite.

Efeitos positivos ou negativos da comunicação não-verbal

As mensagens não-verbais podem ter efeitos positivos ou negativos. Por exemplo, durante uma conversa, ficar  à uma distância um pouco mais curta do que a usual em relação ao interlocutor pode produzir um maior grau de intimidade, ao passo que, ficar a uma distância maior pode produzir um grau menor de intimidade e tornar a conversa mais impessoal.

Interpretação dos significados da comunicação não-verbal

Os significados e efeitos da comunicação não-verbal dependem, em grande parte, da avaliação das suas causas por parte daquele que recebe as mensagens. Por exemplo, xemplo, no cinema, um desconhecido senta-se na cadeira ao seu lado. O significado desta ação dependerá do fato do cinema estar vazio ou cheio. Se estiver vazio, a grande suspeita é que o desconhecido quer alguma coisa com você!

Comunicação “genuína” e comunicação “simulada”

Um dos grandes problemas daqueles que estão recebendo a comunicação é distinguir as genuínas daquelas que são falsas. O teatro e a política sempre são citados quando o assunto é a comunicação de informações falsas. No entanto, todos nós falseamos, quase o tempo todo, as informações que apresentamos sobre aquilo que estamos sentindo e pensando. Segundo Irving Goffman, famoso sociólogo, "ajustamos" continuamente a nossa performance para obtermos os efeitos que desejamos em nossos interlocutores. Por isso, raramente comunicamos exatamente aquilo que estamos sentindo e pensando. Uma boa parte dessa “edição” de informações é realizada inconscientemente. 

Paul Ekman, famoso estudioso das expressões faciais de emoções, identificou quatro tipos de simulações:

- Neutralizar. Não expressar nada daquilo que está sentindo.

- Substituir. Substituir a expressão da emoção que está sentindo por sinais de outras emoções (por exemplo, sorrir para disfarçar um constrangimento – o famoso “sorriso amarelo”).

- Intensificar. Exagerar os sinais daquilo que está sentindo.

- Desintensificar. Apresentar sinais mais fracos daquilo que está sentindo

Os graus de habilidade para simular, dissimular e identificar informações através da comunicação não-verbal varia muito entre as pessoas. Existem ótimos simuladores e ótimos identificadores da veracidade da comunicação e, por outro lado, existem péssimos mentirosos e pessoas facilmente enganáveis através desse tipo de comunicação. A maioria das pessoas se situa entre estes dois extremos.

Informações convergentes

É muito perigoso criar uma espécie de dicionário sobre os significados de cada um dos tipos de comunicação não-verbal. Por exemplo, cruzar os braços pode ser interpretado como barreira contra um interlocutor. Por outro lado, este ato pode estar sendo apresentado como uma proteção contra o frio. Tocar partes do próprio corpo com as mãos é um tipo de comportamento que geralmente ocorre mais frequentemente quando a pessoa está tensa (“adaptadores”). Por exemplo, coçar a cabeça pode ocorrer quando a pessoa está em conflito. No entanto, este gesto também pode ocorrer porque a pessoa está com piolhos na cabeça!

A nossa confiança sobre o que está se passando aumenta quando vários tipos de comunicação não-verbal que possuem o mesmo significado são apresentados (“indícios convergentes”). Por exemplo, quando uma pessoa fala asperamente, apresenta cara de raiva e profere palavras agressivas ficamos mais convencidos de que ela realmente está brava do que quando ela apresenta só um destes sinais.

Constante de intimidade

Segundo Michael Argyle, famoso pesquisador da comunicação não-verbal, cada um de nós precisa de certa dose de intimidade. Esta dose varia de acordo com o nosso estado psicológico, com o tipo de situação onde nos encontramos e com o tipo de interlocutor com quem estamos interagindo. Este autor verificou que o grau de intimidade pode ser afetado (diminuído ou aumentado) dependendo do que está ocorrendo em cada um dos tipos de comunicação não-verbal e comunicação verbal. Desta forma, seria possível compensar um excesso de intimidade provocado por um tipo de comunicação não-verbal através da diminuição da quantidade de intimidade produzida por outros tipos. Por exemplo, imagine que uma pessoa está agindo de uma forma extremamente íntima e invasiva com você: o seu corpo está a uma distância muito pequena, a frente do seu corpo voltada totalmente na sua direção, esta pessoa está dizendo coisas muito pessoais, está olhando muito para os seus olhos e está tocando alguma parte do seu corpo com as mãos. Um alívio em qualquer um desses tipos de comunicação, ou em mais que um deles, contribuirá para aumentar a sua sensação de conforto.

Elementos da comunicação não-verbal

Os elementos da comunicação não-verbal podem ter significados quando apresentados isoladamente (por exemplo, um assentimento com a cabeça), quando são combinados entre si (por exemplo, uma reclamação que é apresentada sorrindo têm um significado diferente daquela que é apresentada acompanhada de uma cara séria) ou dependentes do contexto onde aparecem (por exemplo, desviar os olhos quando ouve um pedido). Os principais elementos da comunicação não-verbal são os seguintes:

- Aparência

- Espaço corporal  (espaço ao redor do corpo que as pessoas geralmente mantêm entre si)

- Orientação dos corpos (para onde as pessoas orientam as partes dianteiras dos seus corpos: rosto, peito, púbis, joelhos, pés)

- Olhar

- Comunicação através da dilatação e constrição das pupilas

- Contato físico

- Posturas corporais (ângulos entre partes do corpo. Por exemplo, quando sentado, manter o tronco inclinado na direção do interlocutor).

- Expressões faciais

- Movimentos comunicativos (por exemplo, a gesticulação dos braços que acompanham a fala ou a rapidez com que você se aproxima de uma pessoa para cumprimentá-la).

- Comunicação odorífica  (os odores corporais que são produzidos pelo nosso corpo que têm efeito comunicativos).

- Comunicação não-verbal vocal (por exemplo, a velocidade, a intensidade da nossa fala e as pausa comunicativas)

Proximamente, em outros artigos, vamos abordar cada um desses tipos de comunicação não-verbal. 

APRESENTE SUAS PERGUNTAS. ALGUMAS DELAS SERÃO RESPONDIDAS NO MEU PRÓXIMO VÍDEO. (Caso você não queira que seus comentários sejam publicados mande uma mensagem para ailtonamelio@uol.com.br)

Por Ailton Amélio às 10h53

06/06/2011

O mistério dos sem namorado

Namorar é um termo usado tanto para nomear um dos estágios iniciais dos relacionamentos amorosos (flerte, namoro, noivado...), como para nomear um padrão de comportamento cuja ocorrência é desejada em todos os estágios desse tipo de relacionamento que acontecem após o flerte.

O “namoro”, nesse último sentido, neste inclui contatos prolongados de olhares, declarações de amor, troca de carinhos românticos, abraços de tirar o fôlego, beijos na boca, etc. A presença desse tipo de namoro é um sinal de que há amor romântico entre o casal e que o relacionamento entre eles vai bem.

Infelizmente, muita gente que tem parceiro não namora. Pode ser casada, pode transar, pode ser amiga, pode ser fiel e comprometida, mas deixou de namorar. Este não é um estado desejável: o relacionamento conjugal geralmente tem como pilares o relacionamento amoroso, o romance e o sexo. 

Neste artigo, por uma questão de tempo e espaço, vamos tratar apenas daqueles que não têm namorado.

Desvendando os mistérios dos sem namorado

Neste momento que escrevo, início da noite de domingo, estou pensando nos milhares de pessoas que estão sentindo muita solidão porque estão sem um relacionamento amoroso. Muitas delas já estão nesta situação há bastante tempo e já estão perdendo as esperanças de que um dia, em um horário como esse, vão estar nos braços da pessoa amada.

Às minhas sessões de terapia comparecem muitos homens e mulheres querendo namorar. Independente do sexo, eles apresentam reclamações semelhantes: ninguém quer nada sério; iniciar um namoro é uma atividade altamente complexa; é necessário ser uma pessoa com qualidades excepcionais para atrair um pretendente com qualificações razoáveis; etc.

É quase inacreditável que haja esse tipo de dificuldade. Existem estimativas que mais de 90% dos seres humanos se casam (constituem parcerias duradouras). Os antropólogos e historiadores nunca se depararam com uma sociedade onde não houve algum tipo de casamento. Por isso o ser humano é considerado um animal que se casa (existem várias espécies de animais que se “casam”. A arara azul é um exemplo). Existem animais que só se encontram na época da cópula e não constituem parcerias duradouras. No ocidente, onde o casamento arranjado é raro, o namoro funciona como uma oportunidade para a escolha de parceiros antes do casamento.

Tipos de obstáculos para iniciar relacionamentos amorosos

Sempre que pessoas compatíveis para um relacionamento amoroso estão em um mesmo local ou atividade, o interesse recíproco surge. Isso só não acontece quando há obstáculos para impedi-lo.

Os obstáculos para iniciar relacionamentos amorosos podem ser classificados como “objetivos” e psicológicos. Dentre os objetivos, podemos destacar os demográficos (percentagens de disponíveis compatíveis em cada faixa etária e nos locais e atividades frequentadas) e as características pessoais que tornam uma pessoa mais ou menos atraente para os possíveis parceiros (beleza, riqueza, traços de personalidade, etc.).

Neste artigo vamos examinar alguns dos principais obstáculos psicológicos para iniciar namoros.

Mestres do disfarce

Já recebi muitos pacientes que tinham um grau de atratividade acima da média, e até graus excepcionais  de atratividade, que reclamavam das dificuldades para atrair parceiros amorosos. Quando recebo um paciente assim, geralmente pergunto como ele consegue realizar essa proeza: neutralizar as manifestações de interesse de tantas pessoas, por tanto tempo! Realmente fico muito interessado em aprender como alguém pode circular por ai com tantos atrativos e, ainda assim, não receber sinais de interesse. Muitas dessas pessoas relatam que no dia a dia não vêem as outras pessoas como possíveis parceiras. As vêem apenas como amigas, clientes, desconhecidas. Por isso também não mostram sinais de interesse.

Polvos do amor

Tal como os polvos, que lançam uma nuvem de tinta quando se sentem ameaçados, muitos daqueles que têm dificuldade para iniciar namoros rapidamente lançam uma nuvem de tinta assim que se deparam com um possível parceiro: evitam, com um alto grau de eficiência, manifestar este tipo de interesse. Por exemplo, essas pessoas evitam se aproximar do seu objeto de interesse ou se envolvem em atividades de outra natureza, que chamam a atenção e desviam o olhar daquilo que está nos seus pensamentos e coração: como aquela pessoa me atrai.

Ineficácia para verificar se há interesse recíproco

Um grupo de pessoa teme, mais do que o diabo teme a cruz, manifestar qualquer tipo de interesse amoroso e ser rejeitado. Essas pessoas são tímidas, possuem baixa autoestima ou temem demais as opiniões alheias

Os tímidos, por exemplo, adotam uma espécie de dois pesos e duas medidas. Quando recebem uma manifestação amorosa ficam propensos a interpretá-las como manifestação de gentileza ou amistosidade. Quando exibem qualquer sinal de interesse, acham que derem um sinal óbvio de interesse amoroso. Pedi para grupos de tímidos interpretaram o grau de interesse amoroso de vários tipos de convites. Para um grupo pedi que pensassem que estavam recebendo esses sinais e para o outro, que estavam apresentando-os para alguém por quem tinham interesse. Dito e feito: os grupo de tímidos que recebia os sinais deu uma nota muito menor de interesse amoroso do que o outro grupo de tímidos que imaginou que estava recebendo-os (veja um relato desse estudo no meu livro, O Mapa do Amor)

Por isso, os tímidos apresentam sinais muito fracos de interesse amoroso, mas acham que estão sendo óbvio na manifestação de seus interesses. Quando recebem esses sinais continuam muito inseguros sobre as intenções daqueles que os estão apresentando.

Pessoas que acham difícil flertar

Existem mais de cem sinais de interesse amoroso. Muitos desses sinais também são apresentados durante as manifestações amistosas ou por pessoas que estão sendo cordiais e gentis. Essa falta de exclusividade de muitos sinais de interesse amoroso  confunde os tímidos e as pessoas com baixa autoestima.

Embora existam tantos sinais, não é necessário sair por ai comprando e estudando todos os livros de comunicação não verbal que prometem ensinar como decifrar os sinais de flerte. O tímido, por exemplo, procura com afinco aprender quais são os sinais de interesse amoroso. Ele faz isso porque a situação ideal para ele é ler o interesse do outro sem mostrar nenhum interesse. Assim ele não correria nenhum risco de manifestar o seu interesse e incomodar a outra pessoa ou ser rejeitado por ela.

Geralmente não é possível fazer esse tipo de leitura sem riscos. Isto só acontece quando a outra parte resolveu deixar tudo às claras e partiu para o ataque, o que raramente acontece. A verificação do interesse amoroso por parte da outra pessoa vai envolver aquilo que chamo de “compra de informações”: quem quer saber se o outro está  interessando mostra algum sinal de interesse e observa se a outra parte retribuiu, apresentando o mesmo comportamento ou outro comportamento igualmente positivo.

Atalho para a verificação de interesse amoroso

Um atalho para a verificação de interesse amoroso através da compra de informações consiste, simplesmente, em tratar de um assunto qualquer e, ao mesmo, tempo começar a tocar a outra pessoa (se esta for mulher, é melhor tocar apenas na sua mão ou antebraço. Geralmente as mulheres consideram muito invasivo os toques em outras partes do corpo).

Esses toques começam da forma que é permitido em qualquer conversa e se tornam mais frequentes, mais demorados e mais carinhos do que usualmente. Se quem é tocado vai respondendo positivamente, toda essa sequencia de toques se encaminha para uma situação que é exclusiva de um relacionamento amoroso como, por exemplo, entrelaçar a mão com a mão de quem está sendo verificado. Pronto! Esse tipo de contato geralmente significa o aceite de uma relação de natureza amorosa. Dai é só prosseguir.

Manifestar interesse amoroso não é feio nem ofensivo

Qualquer um de nós que recebe uma manifestação de interesse amoroso que seja sutil e de bom gosto sente-se lisonjeado.

Uma das coisas mais admiráveis que conheço é a manifestação adequada de interesse amoroso. Quem faz isso age de forma corajosa e verdadeira. Não fica se escondendo atrás de mil conversas e atividades aquilo que realmente está pensando e sentindo pelo parceiro.

Por outro lado, para essa manifestação ser bem aceita é necessário não constranger a outra pessoa com um pedido que exija resposta. A resposta é dada de forma sutil e não obrigatória. Quem a recebe tal manifestação de interesse pode levá-la na brincadeira e considerá-la apenas uma lisonja.

Manifestações diretas e sumarias de interesse amoroso podem dar certo

O mais interessante é que a manifestação direta pode ter uma alta taxa de sucesso. Um estudo americano mostrou que cerca de 50% dos convites diretos para um encontro, apresentados por homens e mulheres, para um desconhecido, após a abordagem e uma breve introdução (algo assim: “Você não me conhece, mas já vi você por ai. Acho você uma pessoa atraente e vou lhe fazer um convite”). É importante ressaltar que quem convidava era apenas medianamente atraente e aqueles que eram convidados tinham um grau razoável de atração para quem que apresentava o convite.

Esse estudo foi realizado nos campi de universidades americanas. Em outros locais essas taxas podem ser diferentes. Também existem inconvenientes na apresentação de convites diretos para desconhecidos. Como isso é inusual na nossa cultura, sempre vai despertar suspeitas.

Onde se ganha o pão não se come a carne?

Algumas pessoas encaram seriamente este ditado e neutralizam, o máximo que podem, as manifestações mais evidentes de interesse amoroso nas suas relações profissionais.

É claro que manifestações amorosas e o estabelecimento de relacionamentos amorosos entre pessoas que têm outros tipos de relacionamentos podem comprometer esses últimos ou, pelo menos, alterá-los definitivamente. Por isso, uma boa dose de cautela nestas circunstâncias é compreensível e razoável. Por outro lado, a abstenção de iniciativas nesse setor restringe um dos melhores tipos de locais e atividades para iniciar relacionamentos amorosos que têm mais chance de evoluírem para um grau maior de compromisso, como morar junto e casar. Um estudo que realizei verificou que 37% dos namoros são iniciados entre pessoas que já têm outro tipo de relacionamento. Um estudo americano verificou que as este tipo de local e atividade é o que propicia a maior percentagem de relacionamentos com maior grau de compromisso.

Inabilidades para se relacionar

Não basta atrair parceiros desconhecidos. Muita gente atrai, mas não consegue desenvolver ou manter o parceiro.É necessário cativá-los, seduzi-los durante o relacionamento.

Superação dos obstáculos psicológicos

Quem tem uma ou mais das dificuldades acima, e isso está impedindo o início de relacionamentos amorosos satisfatórios, deve tomar medidas para superá-las. Muitas vezes não basta ler livros de auto-ajuda, frequentar locais de paquera, se inscrever em sites de namoro ou agências de casamento. Esses recursos só aumentam as possibilidades de encontrar um parceiro compatível, mas não ajudam a se relacionar bem com eles. Muitas vezes é necessário contar com a ajuda de um psicólogo especializado neste tipo de problema para superar essas dificuldades.

Feliz dia dos namorados para vocês.

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Por Ailton Amélio às 10h20

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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