Blog do Ailton Amélio

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25/07/2011

Convergências: vocês são farinha do mesmo saco?

  “Temos algo em comum.”

“Imitar uma pessoa é a melhor maneira de mostrar admiração por ela" 

Sabe aquela sensação que as coisas estão dando certo, que o relacionamento está fluindo, que a conversa está envolvente e que você está se entendendo com o interlocutor? Pois bem, ela é produzida, em grande parte, pela localização, produção e ampliação das similaridades e pela ocultação de diferenças entre vocês.

As pessoas que têm mais facilidade para desenvolver relacionamentos são aquelas que possuem diversos tipos de similaridades entre si. As pessoas que querem produzir um bom relacionamento procuram localizar, produzir, ampliar essas semelhanças e omitir suas diferenças com seus interlocutores durante o relacionamento. É claro que algumas diferenças também sáo sempre bem vindas, pricipalmente aquelas que admiramos e que contribuem para o nosso aperfeiçoamento!

Vamos examinar neste artigo algumas das principais contribuições das similaridades para o relacionamento e quais são os principais tipos de similaridades que podem ser apresentadas nos encontros cara a cara.

Efeitos positivos das similaridades

Um dos recursos mais importantes que dispomos para mostrar afinidade, entrosamento e simpatia pelos nossos interlocutores é exibir várias similaridades com eles. As evidências sobre a importância das similaridades para o desenvolvimento de relacionamentos sucedidos são amplas e variadas. Nos casais, elas já foram constatas em características tão variadas como idade, nível de escolaridade, cultura, altura, nível econômico, valores, aparência, atitudes e comportamentos (“homogamia”). A importância das similaridades entre parceiros para a formação da amizade (“homofilia”) e para o sucesso de relacionamentos profissionais tem sido constatada por diversos estudos.

Segundo Desmond Morris, biólogo e autor de vários livros sobre o comportamento humano, a procura por semelhanças com o interlocutor é uma tentativa de criar uma espécie de substituto para uma convivência anterior com ele que, de fato, não existiu. Segundo este autor, constatar semelhanças com uma pessoa tem efeitos psicológicos similares a ter convivido com ela. A convivência é muito importante para a criação de vínculos. Aqueles que conviveram entre si durante um bom tempo têm mais chance de sentirem que são companheiros porque o convívio produz referenciais semelhantes (são “farinha do mesmo saco”) e interesses em comum.

A exibição de similaridades em certas áreas funciona como uma espécie de confirmação psicológica: quando uma pessoa diz para seu interlocutor que também já teve o mesmo tipo de experiência ou que fez, sente ou pensa a mesma coisa que ele, isso valida a sua forma de ser, agir, sentir e agir (“Então não sou só eu que penso isso. Estava pensando que estava louco por pensar assim!”).

Tipos de similaridade

Algumas das principais similaridades que são procuradas, produzidas, ampliadas ou, até mesmo, simuladas por pessoas que querem agradar seus interlocutores são as seguintes:


Similaridade na história pessoal

            Assim que conhecemos uma pessoa e queremos estabelecer um bom relacionamento com ela, é muito comum que procuremos semelhanças em entre nossas histórias de vida e a dela em áreas importantes como tipo de formação, local de nascimento e conhecidos em comum.


Similaridades nas atitudes e valores

            Gostamos mais das pessoas e sentimos mais a vontade com elas, quando elas pensam como nós em diversas áreas importantes como religião, posições políticas, valores, e filosofia de vida.


Compartilhar interesse por determinados assuntos

            Boa parte dos relacionamentos acontece através de conversas. Por isso, é necessário haver assuntos que interessam a todos os interlocutores. 


Similaridades na forma da conversa

Similaridade no vocabulário. As pessoas que querem agradar seus interlocutores costumam falar de forma semelhante a eles. Exemplos: adotam as gírias dos jovens quando querem se entrosar com eles (isto acontece frequentemente com adultos que dão aula ou trabalham com jovens); adotam uma linguagem infantilizada quando falam com crianças e usam muitos diminutivos quando querem conquistar uma mulher que também faz o mesmo.

Uma paciente que atendi se destacava pela receptividade que apresentava em relação aos seus interlocutores. O principal recurso que ela usava para produzir esse efeito era a adoção imediata do vocabulário que estes usavam.


Similaridades paralinguísticas. 

Quem quer agradar o interlocutor adota a sua maneira de falar:

- Precisão de articulação. Igualar a precisão de articulação do interlocutor: articular “igualmente bem” ou “igualmente mal” os fonemas.

- Comprimento das frases. Se uma pessoa está usando frases longas, a outra também começa a usar. Se uma pessoa começa a usar frases curtas, a outra também faz o mesmo.

-Volume da voz. Se ele eleva o volume de voz também fazer o mesmo. Se ele cochicha, a outra também o faz. (Uma vez presenciei a seguinte cena: a chefa de um departamento estava quase afônica. Só conseguia falar muito baixo. Observei que muitas pessoas também passavam a falar baixinho com ela).

- Modulação da voz. Por exemplo, quando uma pessoa fala com uma voz monótona a outra também fala. Se uma pessoa modula bastante a sua voz a outra também faz o mesmo.


Similaridades na produção

A produção (vestuário, tratamento da pilosidade, maquilagem, adornos, etc.) pode mostrar, de uma forma muito clara e imediata, quando duas pessoas fazem parte de um mesmo grupo e até mesmo quando compartilham certas atitudes e valores. Os estilos de produção como o clássico, o moderno, o sensual e reservado estão relacionados com maneiras de pensar (executivo, militar, punk, yup, patricinha, etc.).


Similaridades nas posturas corporais.

 Eco postural, postura espelhada e pares de jarros são alguns dos nomes usados para nomear as semelhanças posturais entre duas pessoas.

Essas similaridades podem ser observadas, por exemplo, quando duas pessoas estão apoiando a mão no queixo, cruzando as pernas ou cruzando os braços de forma muito semelhante. Essa semelhança postural dá uma grande sensação de entrosamento e afinidade entre os interlocutores.

Evitar imitar posturas negativas: se uma pessoa cruza as pernas e os braços se fechando, a outra deve evitar fazer o mesmo.


Similaridade posicional. 

Para mostrar consideração e deferência adotamos a mesma posição do interlocutor: sentado ou em pé, encostado em uma parede, a cavalo em um banco comprido e sem encosto. Compartilhar o mesmo posicionamento geralmente implica em também compartilhar a mesma postura corporal e ficar com o rosto na mesma altura.

Quando uma pessoa permanece sentada e a outra em pé isso produz uma sensação de distanciamento ou de falta de afinidade. Além dos incômodos (a que está sentada tem que olhar para cima; a que está sentada esta melhor acomodada o que pode ser uma desconsideração com aquela que está em pé, etc.), esta diferença contribui para quebrar o clima de entrosamento entre elas. Esta diferença também deixa os olhos em diferentes alturas, o que deve ser evitado quando a finalidade é um entrosamento igualitário. Por exemplo, os adultos quando querem se entrosar com crianças, ao conversar com elas se abaixam até que os seus rostos fiquem na mesma altura.


Isopraxias (mesmos comportamentos)

Os interlocutores entrosados fazem as mesmas coisas quando estão juntos: folheiam livros, assistem TV, comem, pedem os mesmos pratos nos restaurantes, fumam, etc. Eles geralmente também sincronizam seus comportamentos quando fazem isso.


Sincronias (simultaneamente)

Duas pessoas que estão entrosadas em um relacionamento mostram vários tipos de sincronias. Elas, por exemplo, bebem, tragam cigarros e se movem quase ao mesmo tempo, como se estivem dançando.

Microanálises verificaram que duas pessoas que estão entrosadas entre si “dançam” cada uma ao som da voz da outra. Essa tendência para realizar micromovimentos que acompanham o ritmo da fala do interlocutor já foi verificada, inclusive, em bebês (fazem pequenos movimentos, piscam, etc. no ritmo da fala que estão ouvindo). Aqueles que não apresentavam essa dança ao som da voz humana, mas a apresentavam para sons metálicos tinham uma maior tendência para a esquizofrenia precoce (autismo).

A dança é uma maneira de mostrar esse tipo de sincronia: movimentamo-nos de forma sincronizada como parceiro ao som da música. Isso produz uma sensação de entrosamento com ele, principalmente quando seus passos fluem harmonicamente. Ou seja, estão bem sincronizados.

Mostre similaridades com o seu interlocutor e melhore o seu relacionamento com ele.

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Por Ailton Amélio às 12h14

21/07/2011

Video: "Viver é aceitar desafios"

Por Ailton Amélio às 09h15

18/07/2011

Coragem para viver

Viver exige coragem, momento a momento. A ausência dessa coragem tem como custo a perda da vitalidade. Cada vez que agimos da forma que realmente expressa o que sentimos e pensamos, isso produz a sensação de vida, de fluir, de estar presente naquele momento. Cada vez que deixamos de agir plenamente, seja porque estamos intimidados, seja porque tal ação não atende aos nossos objetivos futuros, nos furtamos a estar plenamente presentes e isso implica em deixar passar aquele momento de vida.

Por outro lado, somos preparados, biológica e psicologicamente, para nos rendermos aos imperativos da vida, quando isso é necessário. A natureza costuma ser indiferente ao que queremos ou deixamos de querer, a aquilo que nos faria sentir melhor ou pior: a fome vem, estejamos ou não cansados, e o dia sucede à noite, implacavelmente, mesmo quando um desses tipos de acontecimento nos seria mais conveniente. As outras pessoas têm suas necessidades e motivações às quais temos que ser sensíveis quando gostamos delas ou queremos nos relacionar com elas.

Não dá para deixar de usar o que aprendemos e concluimos anteriormente como guia para agir no presente. Devemos, no entanto, considerar essas guias apenas como conclusões provisórias e não como verdades absolutas ou imutáveis. 

Não vou advogar nesse artigo que sempre devamos lutar para que as coisas sejam da forma como gostaríamos que fossem. Este artigo parte do princípio que cada um de nós, as outras pessoas e as situações estamos sempre mudando e que muitas dessas mudanças exigem ou dão espaço para uma ação da nossa parte. Essa ação pode ser aquela que deu certo na vez anterior em ocorreu uma situação similar, ou ser o resultado de uma nova forma olhar para o que está ocorrendo ou de uma nova coragem para atuar de forma diferente. Estas duas últimas formas é a que caracterizam a coragem para viver.

Formas de coragem

Estes são os principais tipos de coragem:

- Rever as próprias lentes que determinam e condicionam a autopercepção, a percepção de outras pessoas e do mundo ao nosso redor, do passado,do  presente e do futuro.

- Estar sempre revendo as conclusões sobre si, sobre outras pessoas e sobre o mundo: viver com coragem é estar aprendendo constantemente

Como a dose errada de controle por objetivos futuros esvazia o presente

                Estabelecer objetivos futuros para lidar com o mundo material é uma medida necessária. Temos que estabelecer objetivos para coisas do tipo fazer ginastica, construir uma casa e poupar para os dias difíceis. A vida seria impossível sem este tipo de planejamento. O problema é errar na dose ou no área do planejamento e, com isso, fazer com que o presente seja apenas um meio de chegar ao futuro. Esse erro inclui a avaliação dos próprios sentimentos e das pessoas ao redor apenas sob a ótica da relevância para esses objetivos futuros.

O passado, o presente e o futuro

Duas pessoas conversam. Uma delas, mais intelectualizada, afirma que uma das maiores questões da filosofia é  “De onde viemos e para onde vamos”. A outra pessoa, uma humorista, contesta:

- Desculpe-me. Creio que não é essa a questão mais importante.

- Como não? Qual seria então?

- A questão mais importante é conseguir um lugar na janelinha, durante essa viagem!

Essa anedota sintetiza bem as duas perspectivas: uma preocupada com o passado e com o futuro, e a outra, com o presente. Ambas essas perspectivas têm parte da razão: o passado, o futuro e o caminho que trilhamos entre esses dois pontos da nossa jornada são importantes. O medo de perder aquilo que já conquistamos e fazer tudo que é possível para construir e manter uma  boa própria imagem pública são maneiras de sacrificar o presente pelo futuro.

Quando o passado sobrecarrega o presente

Uma parte do passado não assimilado, principalmente as mágoas e os traumas não superados, são como sacos de pedra que carregamos nas costas: eles nos impedem de caminhar com leveza e que tenhamos espaço para apreciar o presente.

Esvaziamento do relacionamento

- Os seus amigos não acham interessante conversar com você?

- O seu casamento perdeu a vitalidade?

- O seu parceiro não presta mais atenção em você? Ele prefere a companhia dos amigos ou ver televisão?

Em certo grau, essas mudanças são inevitáveis. Após um tempo de relacionamento aumenta a previsibilidade da nossa forma de agir e, por isso, os nossos interlocutores abaixam o nosso nível de alerta e de atenção para conosco. Depois que passa o período onde somos novidades para os nossos interlocutores temos que ser interessantes para que continuemos merecedores de um bom grau de suas atenções.

Seria contraproducente se as pessoas sempre agissem como se estivessem conversando com você pela primeira vez. Embora essa ideia possa agradar à primeira vista, isso tornaria a vida muito complicada e inviável: uma dose de segurança de que você será aceito e acolhido por ser conhecido e um tanto previsível pode ser mais vantajosa do que uma grande dose de atenção que receberia por ser sempre uma novidade.

Quando a segurança imediata causa a insegurança a médio e longo prazo

Muitas vezes aquilo que é mais seguro imediatamente é menos seguro a médio e longo prazo. Considere a seguinte história:

Ela era uma deusa para ele. O pior de tudo é que ela não era isso só para ele. Ele tinha o maior medo de perdê-la. Não a contrariava. Deixava que ela tomasse a maioria das decisões, estava sempre disponível para ela. No início, ela adorava ter um namorado tão dedicado. Tempos depois, ela começou a reclamar que ele não pensava nos programas, que a maioria das decisões do casal ficava com ela. Pior ainda, ela achava que ele quase não tomava iniciativas e acabou declarando que sempre admirou um homem mais seguro de si, que trouxesse novidades e emoções para a sua vida. Ele era o tipo bonzinho e ela estava deixando de gostar dele.

O sexo perdeu a graça?

O sexo com a sua parceira perdeu a graça, virou obrigação? Isso pode ter acontecido porque ela deixou de ser fisicamente atraente; você não a atrai como antes e, por isso, ela também não é sexy com você; devido a motivos que independem de você (doenças, medicações, stress, cansaço, etc.) ou porque você se tornou repetitivo, previsível demais e, portanto, chato. Você tem medo de tentar coisas novas na hora do sexo e ser rejeitado, ser considerado pervertido, uma pessoa que tem pensamentos abomináveis, desinteressantes? "Parabéns": você está engessando as suas práticas sexuais e tornado-as repetitivas e desinteressantes.

As pessoas que têm coragem para atualizar seus comportamentos de acordo com as mudanças dos seus pensamentos e sentimentos são aquelas que têm a confiança que podem variar sem que nada de catastrófico ocorra ou, caso isso ocorra, é porque era inevitável. Não ficam reféns de seus medos durante toda a vida e se recusam a viver mediocremente devido à falta de coragem.

 Creio que o desejo sexual pode continuar forte durante toda a vida para aqueles que têm coragem de mostrar as variações naturais de seus desejos. A diminuição da contribuição dos ingredientes biológicos para o desejo sexual que ocorre com a idade pode ser amplamente compensada pelo aumento da contribuição dos ingredientes psicológicos.  Um exemplo que ilustra bem o funcionamento extremo dos ingredientes psicológicos são as pessoas viciadas em sexo: aprenderam a tornar o sexo algo extremamente excitante, muito além do que seria razoável.

Falta de coragem e manutenção de um emprego chato.

Ele odiava mudanças. Tinha o maior medo de perder o emprego. Ganhava bem acima da média que o mercado pagava para a sua profissão. Não estava satisfeito com o que fazia. Odiava as segundas feiras. Mas estava em uma armadilha.

Passamos boa parte de nossas vidas no trabalho. Quando não gostamos do que fazemos, mas não vemos como mudar ou temos medo de fazer isso já comprometemos uma boa parte da nossa vida com uma atividade desvitalizada: vendemos parte da nossa vida para o diabo. E, olhe, ele pagou pouco!

Mecanismos que levam à passividade

Vamos examinar aqui alguns dos mecanismos que fazem com que nos acovardemos perante aos desafios da vida.

Fenômenos psicológicos relacionados com a falta de coragem para aceitar desafios da vida

- Inassertividade: deixar de agir da forma que sentimos e pensamos porque tememos consequências que podem ser impostas por outras pessoas.

- Timidez: tensão e inibição em situações sociais provocadas por temores irrealistas de sanções, rejeições e humilhações.

- Baixa autoestima: avaliar-se negativamente de forma imerecida.

Conformismo com as normas sociais: sentir que tem que comportar-se de uma forma que não gostaria para evitar sanções sociais.

Depressão: sensação de falta de controle sobre áreas da própria vida que considera muito importantes

A novidade atrai a atenção

A novidade atrai a nossa atenção e, quando ela é importante, também provoca reações para lidar com aquilo que a despertou. Temos a tendência para prestar mais atenção em coisas novas, sejam elas pessoas, situações ou objetos. O “Efeito Coolidge” foi constatado em várias espécies de animais e exemplifica o poder da novidade: a motivação sexual aumenta bastante quando um novo parceiro se torna disponível. Este tipo de mecanismo tem uma função facilmente compreensível: o novo deve ser compreendido e avaliado devido ao seu potencial para causar consequências. Aquilo que é velho já recebeu atenção, foi compreendido satisfatoriamente e catalogado e a melhor forma de lidar com ele já foi determinada e testada. Isso acontece com qualquer acontecimento, situação ou atividade nova: emprego, chefe, caminho, namorado. 

As mudanças ocorrem naturalmente: não é necessário buscar por elas

O grau de estabilidade dos fenômenos que nos afetam varia desde uma relativa estabilidade até uma extrema mutabilidade. Exemplos:

- O nosso parentesco e nacionalidade são fixos ou bastante estáveis

- O nosso sucesso em uma conversa ou na realização de uma tarefa podem mudar momento a momento.

- As emoções mudam em segundos, os humores podem durar horas ou até dias e os traços de personalidade, anos.

-As nossas motivações que têm origem no funcionamento do organismo mudam o tempo todo: fome, sede, sono, cansaço.

- A nossa autoestima pode variar contínuamente de acordo com acontecimentos que afetam os julgamentos sobre o nossos próprio valor: sucesso em uma conversa, sucesso para terminar uma tarefa, cumprimento das nossas metas diárias etc. 

Porque resistimos às mudanças?

Considerar as outras pessoas como conhecidas, previsíveis e imutáveis é perigoso, porque elas mudam continuamente: deixar de prestar atenção nelas, no que elas têm de novo é uma forma irrealista de não dar importância a elas.

As pessoas cooperam para que pensemos que elas são mais estáveis do que realmente são: elas disfarçam a forma como são ou como estão em um dado momento: permitem que seus interlocutores ajam como se elas não mudassem. Elas fazem isso devido à tentação de receber um bom tratamento, para não causar constrangimentos e pela pressão para não mudar.

Existem milhões de coisas interessantes na vida. Todos os dias surgem coisas novas que você gostaria de fazer, pessoas novas que você gostaria de conhecer, empreendimentos novos que você gostaria de tentar. Tenha a coragem de viver.

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Por Ailton Amélio às 10h47

11/07/2011

Realismo na escolha de parceiros amorosos

Pense nos seu amor atual ou, se você não tiver, no seu ultimo. Lembre-se da época que você estava apaixonada por ele (espero que ainda continue, é claro). Note que, nessa época, você achava que ele possuía várias semelhanças com você, tinha algumas características que você admirava e ausência de defeitos insuportáveis. Este é o assunto que vai ser tratado neste artigo.

Procuramos parceiros que tenham graus de atração semelhantes aos nossos.

Geralmente procuramos parceiros que sejam semelhantes a nós mesmos. Além disso, é mais provável que encontremos pessoas que sejam similares a nós nos locais que frequentamos.

"Quem muito quer, nada tem"

Considere a seguinte anedota, de autoria desconhecida:

Uma pessoa encontrou um amigo, que não via há muito tempo. A certa altura da conversa perguntou para o amigo.

- E ai, está namorando?

- Não.

- Porque não?

- Estou procurando uma mulher perfeita!

Tempos depois, os amigos voltaram a se encontrar e, após algum tempo de conversa, o assunto acima reaparece:

- E ai, já arranjou namorada?

- Não.

- Por quê? Ainda não encontrou a mulher perfeita?

- Encontrei.

- Por que, então, você não está namorando?

- Porque ela também estava procurando um homem perfeito!

Embora conheçamos pessoas bonitas, ricas, gentis, atenciosas, confiáveis, etc., não nos apaixonamos automaticamente por elas. Para apaixonarmos necessitamos ter esperança de reciprocidade do interesse amoroso (segundo Stendhal, é suficiente que a esperança dure poucos momentos para que nasça o amor. A esperança também pode ser completamente infundada e baseada apenas na imaginação do amante ou baseada em algum fato ambíguo que ele interpretou nesta direção).

O interesse recíproco é mais provável quando os parceiros são semelhantes entre si em uma grande quantidade de atributos que são socialmente valorizados. Estas semelhanças favorecem também o entendimento entre o casal: torna cada cônjuge mais capaz de entender o que está acontecendo com o outro e mais apto e propenso a apoiá-lo. As diferenças em certas áreas (religião, como gastar o dinheiro, liberdade sexual, etc.) aumentam as chances de atritos.

Semelhanças nos graus de atração de parceiros amorosos

O seguinte caso real mostra como algumas pessoas são realistas na hora de escolher uma pessoa para um relacionamento amoroso.

Certa vez fiz uma palestra para pessoas que estavam interessadas em iniciar relacionamentos amorosos. Após a palestra, uma mulher muito bonita e que tinha muita presença pediu para falar comigo. Ela disse que, embora a palestra tivesse abordado tópicos interessantes, eles não se aplicavam ao seu caso. Perguntei, então, o que se passava com ela. Ela relatou que tinha se apaixonado por um homem que tinha condições econômicas e educacionais bem mais modestas do que o seu. Ele, no entanto, tinha um ótimo caráter, era batalhador e tinha muito sex appeal. O homem também havia manifestado interesse por ela, mas nunca tomava nenhuma iniciativa. Após um bom tempo nesta situação, ela resolveu ser mais explícita e declarou-se para ele. Ele ficou muito lisonjeado com a declaração, expressou o grande interesse e atração que também sentia por ela, mas disse que não ia querer nada com ela!

            Explicou por que: “Você e sua família são de outro círculo social e econômico. Não quero ficar constrangido frequentando a sua casa e seu círculo de relações, que não irão me aceitar com facilidade. Se casássemos e tivéssemos filhos, eles não poderiam frequentar as mesmas escolas dos seus primos. Eles também não poderiam fazer as mesmas viagens, ter as mesmas roupas e carros. Sofreríamos muito com tudo isso e acabaríamos nos separando. Por isso, não quero nada com você!”.

Este tipo de caso, onde o menos valorizado rejeita o mais valorizado é mais raro. O mais comum é a pessoa mais valorizada e admirada rejeitar o menos valorizado.

Pesquisas que mostram que há realismo na escolha da aparência do parceiro

Uma pesquisa americana verificou que as pessoas são realistas quando consideram a aparência dos parceiros para um encontro. Os graus de atração dos participantes dessa pesquisa foram avaliados por um grupo de auxiliares dos pesquisadores. Em seguida, os pesquisadores solicitaram aos participantes que ordenassem dezenas de fotografias de pessoas do sexo oposto, segundo os graus de atração das pessoas mostradas nessas fotografias. Foi verificada uma grande dose de acordo entre os participantes nas ordenações dessas fotografias.

Em seguida, os pesquisadores solicitaram aos participantes da pesquisa que escolhessem uma pessoa da lista de fotografias para sair naquela noite. Nesta tarefa foi verificada uma forte tendência, por parte dos participantes, para escolher pessoas cujas fotos mostravam um grau de atração que era semelhante ao grau de atração de quem estava fazendo a escolha. Isto foi verificado principalmente entre as mulheres, consideradas, por esta razão, como sendo mais realistas.  Este estudo indicou, portanto, que as pessoas concordam entre si quando avaliam os graus de atração de desconhecidos, mas tendem a escolher pessoas com graus de atração semelhantes às delas próprias para um encontro.  

            Outra pesquisa, realizada por Irwin Silverman, professor da Universidade da Flórida, pediu aos seus alunos para observar discretamente casais de namorados em vários locais públicos e avaliar a atração de cada membro dos pares, através de uma escala de cinco pontos. Este estudo mostrou que havia uma grande similaridade entre o homem e a mulher de cada par. Em 85 por cento dos pares não havia uma diferença de mais que um ponto entre os graus de atração dos seus membros. As observações deste estudo mostraram, também, que naqueles pares onde o homem e a mulher tinham um maior grau de semelhança entre si, na atração, também tendiam a mostrar um maior grau de intimidade física: 60 por cento dos pares que tinham um nível de atração muito semelhante mostravam algum tipo de intimidade física (dar as mãos, andar de braços dados, etc.), ao passo que isto acontecia com 46 por cento dos pares moderadamente semelhantes e com apenas 22 por cento daqueles com menor semelhança.

Homogamia e admiração

Na escolha de parceiros são levadas em conta, obviamente, muitas outras características, além da atração. A regra geral é que tendamos a escolher pessoas que sejam similares a nós próprios em uma grande quantidade de características (nível educacional, nível econômico, valores, religião, traços de personalidade, etc.).

Aquele ditado que afirma que “Os opostos se atraem”, está redondamente errado. De fato, algumas diferenças, mas não oposições, podem sem benvindas: por exemplo, a admiração do parceiro é um dos requisitos para o nascimento do amor (Stendhal). Admirar significa que o admirado tem algumas características que gostaríamos de ter (uma diferença, portanto). Algumas diferenças, mais óbvias que valorizadas são as seguintes: certa diferença de idade (o homem um pouco mais velho que a mulher), de altura (o homem, um pouco mais alto que a mulher).

Pessoas irrealistas na escolha de parceiros podem pagar caro

Uma dose de otimismo sobre as próprias qualidades produz bons resultados na escolha de parceiros. Por exemplo, existem evidências que pessoas com autoestima mais altas têm parceiros mais qualificados do que pessoas com piores autoestimas.

Por outro lado, homens que escolhem mulheres muito mais qualificadas que eles, muitas vezes acabam se tornando muito bonzinhos ou submissos. Isso só funciona em curto prazo. Em médio e longo prazo, eles acabam sendo desprezados por não serem másculos, não tomarem inciativas e, muitas vezes, acabam tendo problemas sexuais.

As mulheres que miram homens muito mais qualificados que elas frequentemente descobrem que eles só queriam sexo e não ligam no dia seguinte.

Homens e mulheres que são muito exigentes na escolha de parceiros têm mais chances de ficarem sós ou mal servidos.

Seja moderadamente otimista na escolha do seu parceiro amoroso e aumente as chances do seu relacionamento dar certo.

 

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Por Ailton Amélio às 10h26

08/07/2011

Vídeo: "Autorrevelação: como compartilhar e acolher informações pessoais"

Por Ailton Amélio às 11h35

04/07/2011

Autorrevelação: você sabe compartilhar informações pessoais?

O termo “revelar” inclui revelações de todos os tipos de informações. A palavra composta “autorrevelar”, tal como usada aqui, inclui apenas as revelações sobre os pensamentos e sentimentos de quem está revelando. Esta palavra exclui, portanto, outros tipos de informações como segredos de terceiros, segredos comerciais ou militares.

A autorrevelação consiste na comunicação de alguma coisa verdadeira sobre si como, por exemplo, pensamentos, sentimentos, sensações, opiniões, emoções, aspirações, frustrações e acontecimentos importantes que ocorreram ou estão ocorrendo com o revelador. A principal função da autorrevelação não é expressar grandes segredos ou traumas ocorridos no passado. Dois dos tipos mais importantes de autorrevelação são a apresentação de informações gratuitas sobre o revelador (revelar sem ter sido perguntado) e o fornecimento de feedback para a comunicação do interlocutor (revelar sentimentos e pensamentos sobre tal comunicação).

Consequências positivas da autorrevelação

A autorrevelação pode trazer vantagens e desvantagens para quem revela, para quem recebe a revelação, para o relacionamento entre os interlocutores e para terceiros.

Círculo virtuoso entre autorrevelação, amizade e autoaceitação

Segundo Jourard (1971), existe um círculo virtuoso que envolve a autorrevelação, a amizade e a autoaceitaçao: compartilhar informações pessoais aumenta a amizade. A aceitação pelos amigos daquilo que foi revalado melhora a autoaceitação. Sentir-se bem consigo próprio aumenta a autorrevelação, o que aumenta a proximidade com o interlocutor e torna o relacionamento mais agradável com ele. O aumento de feeback, a maior segurança e a melhor autoaceitação melhoram a capacidade de autopercepção e a capacidade para resolver problemas. Por outro lado, se a pessoa não gosta muito de si própria, ela compartilhará menos sobre si e os outros não poderão fornecer feedback que ela está ok. Isto criará uma espiral de vergonha, esconder os sentimentos e um aumento da inabilidade para lidar com seus problemas.

Melhora ou preserva a saúde física e mental

            A autorrevelação tem efeitos positivos na saúde física e mental. Pesquisas mostraram que quem autorrevela adequadamente é mais contente, adaptado, competente, receptivo, extrovertido, confiável e positivo do que aquelas pessoas que autorrevelam insuficientemente. Pesquisas também mostraram que a autorrevelação previne a incidência de doenças orgânicas e, quando elas acontecem, a recuperação é mais rápida (por exemplo, as pessoas que autorrevelam ficam muito menos dias no hospital do que aquelas que não se autorrevelam).

Efeito catártico

Freud afirmava que muitos problemas se resolviam quando uma pessoa se recordava deles e falava deles para o terapeuta. Esta fala geralmente era acompanhada de uma grande descarga emocional. Quando um acontecimento nos afeta profundamente, positiva ou negativamente, sentimos a necessidade de falar a seu respeito com um interlocutor adequado e receptivo. Quando conversamos a respeito de sentimentos ou pensamentos que nos dão prazer, este prazer é renovado e ampliado. Quando conversamentos sobre acontecimentos que nos atormentam e somos ouvidos com respeito e compreensão, sentimos um grande alívio.

Tudo que precisamos é alguém com estas qualificações, que nos queira ouvir e dê uma dica como, por exemplo: “O que se passa? Você parece ... (preocupado, alegre, triste, etc.). Conte-me o que está acontecendo”.

Aumenta o autoconhecimento

            Revelar aumenta o autoconhecimento a respeito sobre aquilo que sentimos e pensamos em uma determinada situação. Este aperfeiçoamento ocorre porque quem revela tem que se observar e tentar descrever aquilo que está revelando.

O interlocutor também pode contribuir para o autoconhecimento de quem revela. Quando você revela algo para um bom ouvinte, este fará intervenções que ajudarão você a explorar mais detalhadamente aquilo que está sentindo e pensando. Este ouvinte poderá resumir, fazer perguntas e sugerir alguma hipóteses que a ajudarão quem se revela a ganhar conhecimento sobre o que está sentindo e pensando e sobre suas possíveis causas e ligações com outros fatos e como lidar com aquele estado ou acontecimento. 

Melhora a autoestima

A autorrevelação bem acolhida pelo interlocutor ajuda o autorrevelador a gostar mais de si próprio. Ser aceito do jeito que somos é uma grande satisfação, é um grande trunfo. Ter que simular para ser aceito ou, pelo menos, para não ofender ou ser rejeitado pode ser danoso. Muito do que somos tem a ver com o que pensamos e sentimos e que revelamos através da comunicação.

Funciona como cola dos relacionamentos

A autorrevelação é uma das principais “colas” dos relacionamentos. Trocar autorrevelações e acolhe-las adequadamente aumenta as chances de aprofundar ou mudar o tipo de relacionamento (por exemplo, revelar o amor pelo interlocutor pode transformar uma amizade em namoro). Isso acontece principalmente com revelações especiais, que exigem um bom grau de confiança ou um tipo especial de relacionamento para que possam ser apresentadas.

Aumenta a intimidade do relacionamento

Compartilhar a intimidade é um dos pilares do amor e da amizade (Robert Sternberg, editor do livro Psychology of Love). Tendemos a nos ligar mais fortemente àquelas pessoas que nos ajudam a sentirmos melhor com aquilo que sentimos e pensamos.

A autorrevelação aumenta a intimidade e aprofunda a afetividade entre quem revela e quem acolhe a revelação. Isto acontece principalmente quando ambas as partes fazem revelações e ouvem a outra com respeito, interesse e compreensão. As informações pessoais fazem com que a conversa fique mais íntima. Uma conversa sem este tipo de informação é “impessoal” e contribui pouco para a formação de vínculos afetivos entre os interlocutores.

Estimula a conversa.

            Alguns dos principais motivos pelos quais a autorrevelação estimula as conversas são os seguintes:

- Se a sua conversa é superficial por hábito (não por medo), faça um esforço para encontrar experiências superficiais, opiniões e sentimentos para discutir (Tucker-Ladd).

- Quando os interlocutores não revelam as suas opiniões pessoais sobre o que está sendo dito, a conversa fica técnica ou cheia de lugares comuns  (“em cima do muro”).

- As pessoas que revelam suas posições ou, pelo menos, dão esta impressão, desenvolvem uma conversa personalizada.

- Revelar coisas positivas ajuda a aprofundar o relacionamento. Indica que a pessoa está confiando, querendo impressionar positivamente e ser conhecida.

Riscos da autorrevelação

Revelar informação também envolve riscos. Por exemplo, quem ouve pode divulgá-las, pode usá-las contra quem as forneceu ou contra quem elas dizem respeito, pode formar uma imagem negativa a seu respeito, etc.

Afetação da imagem pessoal que é projetada socialmente. Somos muito ciosos da imagem que apresentamos em público. Tomamos cuidados com a nossa aparência, com os nossos modos e com o que dizemos e como dizemos. Segundo Irving Goffman, um dos maiores estudiosos da forma que nos comportamos em público, a nossa vida é como o teatro: tentamos apresentar o melhor espetáculo possível para a platéia e escondemos nos bastidores toda a parte feia, mas verdadeira, que foi omitida dos olhos do público.

Riscos tangíveis. Em certas situações é muito claro porque devemos manter segredos. Por exemplo, existem muitas consequências quando são revelados segredos industriais, militares, segredos que têm implicações legais, segredos protegidos pela ética profissional (psicólogo, padre, advogado) ou pessoais (comportamentos que causam vergonha ou revelações que podem trazer danos para terceiros que confiaram um segredo).

Informações tabu. Certas informações só são apresentadas em certos tipos de relações e em certas circunstâncias especiais. Quando qualquer uma destas condições não é obedecida, a revelação pode produzir consequências negativas. Por exemplo, falar para uma pessoa que você acabou de conhecer sobre a sua posição sexual preferida pode deixa-la constrangida. Da mesma forma, solicitar certos tipos de informações em momentos inadequados cria mal estar. Quem comete este tipo de inadequação pode ser tachado de inadequado e passar a ser evitado.

Como estimular e acolher a autorrevelação

Algumas sugestões para acolher bem as autorrevelações:

- Autorrevelar para o interlocutor. Apresentar uma autorrevelação estimula o interlocutor a fazer o mesmo.

- Funcionar como ouvinte ativo. Mostrar interesse em ouvir e ajudar o interlocutor a desenvolver a sua autoexposição.

- Assumir atitude receptiva e não crítica diante da revelação do interlocutor.

Como acolher a autorrevelação

- Respeitar os sentimentos e as idéias do revelador

- Não é necessário concordar com tudo que está sendo revelado. 

- Evitar dar conselhos não solicitados

- Empatizar: mostrar emoções no rosto, através de vocalizações e de pequenos comentários que sejam semelhantes a aquelas mostradas pelo interlocutor.

- Convergir: contar algo semelhante ao que está sendo revelado pelo interlocutor que também aconteceu com você ou apresentar uma autorrevelação de outro tema.

- Não tomar os holofotes do interlocutor: deixa-lo revelar pelo tempo que precisar e da forma que escolher

Faça e acolha revelações adequadamente e aprofunde os seus relacionamentos.

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ailtonamelio@uol.com.br 

Por Ailton Amélio às 10h49

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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