Blog do Ailton Amélio

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26/09/2011

Por que os homens raramente se casam com as amantes?

Vamos falar aqui daqueles homens que dificilmente deixam suas parceiras atuais pelas amantes. Embora eu não tenha dados estatísticos para confirmar as minhas observações, acredito que a grande maioria dos homens compromissados que arranjam uma amante acaba não ficando com elas, mesmo quando seus relacionamentos terminam. (É claro que também existem homens que deixam suas esposas pelas amantes. As condições que favorecem esta decisão serão apresentadas em outro artigo).

Vou tratar aqui dos homens comprometidos que arranjam uma amante porque, ao que tudo indica, as mulheres são mais resolutas e dispostas a deixar um relacionamento por outro melhor ou deixar um mau relacionamento e ficar só: aqui no Brasil cerca de dois terços das iniciativas legais de separações são tomadas por elas. Além disso, as mulheres raramente têm amantes apenas para satisfazer desejos sexuais ou recorrerem ao sexo pago. Elas não fazem isso porque, entre outros motivos, geralmente associam sexo e afeto. Por isso, geralmente elas estão mais envolvidas do que os homens com os amantes e esse envolvimento aumenta suas motivações para sair do relacionamento atual e ficar com com os amantes.

Uso aqui a palavra “amante” para nomear um relacionamento sexual regular entre dois parceiros quando:

- Ambos têm compromisso com outro parceiro

- Ambos não têm compromisso, mas não assumem o caso porque suas famílias se opõem (por motivos religiosos, raciais etc. - efeito "Romeu e Julieta"), porque é mau para o trabalho, porque se separam recentemente e não querem chocar outras pessoas, etc.

- Só um dos dois tem compromisso com outro parceiro.

Por uma questão de espaço só vou tratar neste artigo deste último caso.

Considere a seguinte história de Ana. Embora este seja um caso fictício, ele reúne ingredientes de vários casos que aparecem no meu consultório.


Ana e seu amante hesitante

Ana estava radiante, a felicidade estava estampada no seu rosto. Quando chegou ao trabalho, muitas pessoas notaram a sua alegria e comentaram. Clara, a sua melhor colega, por exemplo, disse o seguinte:

- Olha! Você parece muito bem hoje! Está mais jovem, risonha e cheia de energia! O que está havendo?

- Nada de especial. De repente, amanheci mais otimista e cheia de energia!

De fato, algo muito excitante havia acontecido: no dia anterior ela havia saído com Kleber, o seu chefe, para um happy hour e acabaram indo para um motel.

Ela nunca havia saído com um homem casado antes e muito menos com um colega de trabalho que, para piorar, era o seu chefe! Mas, não conseguiu resistir. Já fazia mais de dois anos que havia se separado. O seu casamento durou pouco e não trouxe filhos. Desde então não havia se envolvido seriamente com mais ninguém.

Quando Kleber começou a cobri-la de atenções e gentilezas, ela resistiu. Com o tempo foi amolecendo. Ele a olhava como mulher e não simplesmente como uma funcionária. Um dia depois do expediente, ele a convidou para um happy hour e alguns chopes depois estavam em um motel.

Kleber não costumava trair. No entanto, o seu casamento andava meio morno, a sua mulher trabalha muito e havia deixado de lado todo o romantismo e a sensualidade que um dia o fascinou. Quando estavam em casa, ela dedicava a maior parte da sua atenção e do seu tempo aos filhos.

Ana sabia que não havia futuro naquela relação e que não compensava investir nela. No entanto, alguns encontros depois ela começou a se envolver seriamente. Kleber também não tinha planos de se envolver com Ana. Mas, ele estava se sentindo solitário e Ana era uma mulher agradável, estimulante e sensual.  Também se envolveu com ela.

Durante meses se entregaram a este grande amor: declarações, encontros, flores, fugidas para o motel, almoços em recantos românticos. Começaram a fazer planos para ficarem juntos. Kleber afirmava que o seu casamento era apenas uma fachada, que havia parado de transar com sua mulher, que só estava em casa pelos filhos e que estava se preparando psicologicamente para sair dessa relação e ficar com Ana.

Tempos depois, Ana começou a notar que Kleber havia esfriado um pouco e não estava tomando nenhuma medida mais seria para terminar o seu casamento.

Ana estava em uma situação bem ruim. Já fazia um bom tempo que não saia com as suas amigas solteiras, passava os fins de semana em casa e o pior de tudo eram os feriados: não podia ver Kleber no trabalho nem dar as escapadas com ele. Também era difícil ligar para ele: a “Oficial” não saia do seu pé e andava meio desconfiada. Só mantinha esse relacionamento porque tinha a esperança que esse sofrimento fosse temporário e que logo estariam morando juntos. Esse momento, no entanto, já tinha sido postergado várias vezes!


Questões para ajudar a entender porque o homem está tendo dificuldade para optar pela amante

Essas questões devem ser respondidas pelos homens. As mulheres também podem tentar imaginar como eles responderiam para tentar entender porque ele está tão hesitante e tomar providências para assumi-las. Os comentários entre parênteses indicam algumas das possíveis interpretações das respostas positivas às perguntas  (existem outras interpretações).

1- Se você pudesse, manteria toda a situação atual (casa, filhos, amigos etc.) e só trocaria a sua companheira oficial pela amante? (Parece que você ama a amante, mas também valoriza muito a sua situação construída em torno do casamento ou tem problemas em deixá-la).

2- Quando você começou o caso, estava entusiasmado, mas agora perdeu a graça e não está sabendo como terminar esse relacionamento? (Você está prisioneiro das promessas e da situação de fato criada com a amante, mas está com medo de consequências e de ferir a amante).

3- O seu caso virou rotina, mas está bom. Se você pudesse deixaria assim mesmo e iria levando os dois relacionamentos simultaneamente? (Os dois relacionamentos lhe agradam. Pena que haja pressão para optar por um deles).

4- Os custos emocionais, econômicos e de tempo estão maiores do que os benefícios que você está tendo com a amante? (Pode ser que você ainda a ame, mas não nasceu para ter vida dupla. Ela também pode estar ficando cada vez mais exigente).

5- Se você pudesse apertar um botão que desfaria toda a sua historia com a amante, você o apertaria? (Caso tenha respondido “Sim”, você se sente em uma enrascada).

6- Você só está mantendo o caso com a amante porque ela é muito boa de cama? (É só sexo. Ela e a situação não preenchem aquilo que você espera de uma mulher para um relacionamento com mais compromisso).

7- Você está mentindo para amante sob o estado do seu relacionamento com a parceira oficial? Por exemplo, você não revela que continua a transar frequentemente com ela? (Existem vários motivos para explicar as suas mentiras: medo de amante terminar o relacionamento, prazer em ter duas mulheres, medo de perder a sua situação com a esposa caso deixe de transar com ela e ela desconfiar etc.)

8- Você sonha com o dia que seus filhos crescerem e tiverem vida própria e, por isso, deixarem de ser tão afetados por uma separação e ai então você poderá deixar sua esposa atual e ficar comunicação a amante? (Você está prisioneiro da situação armada em torno do seu casamento, mas ama a amante).


Alguns dos principais motivos para os homens não optarem pelas amantes

1- Razões naturais. Muitos relacionamentos que são iniciados não progridem mesmo. Por exemplo, muitos dos namoros e noivados são interrompidos. Existem muitos motivos para essas interrupções: os parceiros deixam de se amar, conhecem outras pessoas mais atraentes, acabam conhecendo facetas do outro que não conseguem suportar ou se decepcionam ao constatar que o outro não era a pessoa imaginada.

2- A parceria oficial tem em seu favor uma grande quantidade de barreiras que dificultam a saída do relacionamento: filhos, vida econômica, compartilhamento de amigos, casa montada, etc. que terão que ser deixadas ou sofrerão rebaixamento de qualidade, caso haja separação. Não se trata, portanto de comparar os méritos e atrativos da amante e da companheira oficial. Esta ainda tem um “pacote” de motivos a seu favor.

3- A amante muitas vezes não reúne as condições exigidas pelo homem para assumir um grau maior de compromisso com uma mulher do que esse que já  tem com ela. Desde o inicio ele sabia que ela era “só uma amizade colorida” e que não estabeleceria um compromisso com ela porque ela não é o tipo de mulher com quem se casaria mesmo que estivesse livre. Não explicitou isso para ela.

4- A amante está começando a ficar mais desagradável do que agradável devido às suas queixas e exigências. Quando a amante começa a exigir mais tempo, mais envolvimento e medidas para que ele se separe e a assuma, ela começa a diminuir a proporção de coisa boas que o relacionamento estava gerando. A amante começa a ficar mais amarga por não ter os benefícios de um relacionamento oficial ao mesmo tempo em que tem os custos típicos de uma amante: ter que mentir, ocultar o relacionamento e se abster da companhia do amado, ao mesmo tempo em que não pode estabelecer outro relacionamento amoroso. Ela também vai ficando decepcionada à medida que vai constando que o seu relacionamento estagnou.

5- Passou o tempo da paixão e novas bases para manter e desenvolver o relacionamento não foram desenvolvidas. No caso do relacionamento às claras, o casal toma várias medidas no início, quando estão muito envolvidos. São construídas barreiras externas (compromissos legais, religiosos e comprometimento com amigos em comum etc.) e internas (compromisso moral, lealdade com o parceiro, culpa por trair etc.). Depois que o envolvimento diminui, essas barreiras e fontes de satisfações que já foram estabelecidas contribuem para manter e desenvolver o relacionamento. Entre amantes, isso ocorre em menor escala: depois de um tempo, quando o efeito novidade diminuiu, ainda não foram instaladas barreiras sólidas contra a dissolução do relacionamento porque tudo era clandestino e contra as normas vigentes. Por exemplo, não ocorrem apresentações para o grupo de amigos e parentes, integração nas atividades de fim de semana e viagens.

7- Os homens têm a propensão para não dispensarem suas companheiras, mas sim para acrescer novas parceiras aos seus círculos de relacionamentos amorosos. A nossa espécie é moderadamente poligâmica, com prevalência da poliginia (um homem e várias mulheres). Por isso é que os homens, quando podem, empurram vários relacionamentos com a barriga e são as mulheres que os pressionam para uma decisão ou pedem a separação.

8 - As mulheres costumam ir se tornando sexualmente fieis aos seus amantes e deixando de transar com seus maridos. Isso contribui fortemente para a deterioração dos seus relacionamentos oficiais. Os homens continuam a transar com a parceira oficial. 

 

Após ler esse artigo ainda restaram muitas dúvidas? Procure a ajuda de um psicólogo. Geralmente esses casos são bastante complexos e exigem a ajuda de um profissional para que sejam bem compreendidos e resolvidos.

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Por Ailton Amélio às 10h08

19/09/2011

Superestímulos e comportamentos disfuncionais

Quase todas as pessoas apresentam pelo menos um tipo de comportamento disfuncional (comportamentos cujas consequências são prejudiciais, mas que persistem mesmo assim): muitas delas lutam contra o peso excessivo e vícios, trabalham demais, ficam tempo demais na frente à televisão, despendem boa parte da vida navegando na internet, compram exageradamente e criam uma verdadeira obsessão pelas suas formas corporais. Para verificar se você está apresentando alguns dos tipos mais comuns de disfunções de comportamento, responda às questões abaixo. Você:

- Malha demais para chegar a um tipo de corpo que dificilmente está ao seu alcance?

- Trabalha demais. Embora já tenha uma situação econômica boa e segura, continua trabalhando exageradamente. ("Você não trabalha para viver, mas vive para trabalhar")?

- Come de menos para chegar a aquele corpo supermagro de certas modelos?

- Malha demais para ter aquela muscutura do Schwarzenegger?

- Passa horas e horas por dia frente à televisão?

- Viciou em internet?

- Viciou em compras: compra além do que a sua situação econômica permite ou que você poderia usar?

- Viciou em sexo: gasta boa parte do seu tempo procurando novos parceiros e vendo pornografia e isso está colocando o seu trabalho e a sua vida familiar em risco?

 

Caso você tenha respondido positivamente a qualquer uma dessas perguntas, você provavelmente caiu em armadilhas que provocam comportamentos disfuncionais.

Vamos examinar aqui três mecanismos psicológicos que ajudarão a entender porque essas formas disfuncionais de comportamentos estão aparecendo cada vez mais frequentemente: superestímulos, pouco controle por consequências retardadas e ludibriação dos mecanismos de avaliação.

Estimulos liberadadores

Todos os animais somos preparados geneticamente para responder rápida e fortemente a certos estímulos ou situações e a nos afastarmos ou fugir de outras ("estímulos liberadores"). Por exemplo, a criança recém-nascida já reage apropriadamente a uma picada de injeção e às diversas substancias que são colocadas em sua boca (doce, azedo, amargo, etc.). 

A nossa espécie evoluiu em circunstâncias bem diferentes das atuais: durante milhares de anos vivíamos em bandos constituidos por uma quantidade de pessoas que variava entre cem e mil. Éramos nômades e vivíamos da caça de pequenos animais e da coleta de frutas, raízes e vegetais. Os nossos instintos evoluíram para permitir a sobrevivência nestas circunstâncias. Essas evoluções ocorreram através de mutações genéticas aleatórias e seleção por este tipo de ambiente. O meio que vivemos mudou muito desde essa época e, além disso, o ser humano criou maneiras de enganar os mecanismos naturais que eram úteis para a sobrevivência no nosso ambiente original.

Um superestímulo é uma exacerbação dos “estímulos liberadores” que existem na natureza e que são eficientes para disparar ações apropriadas diante de ocorrências naturais. A boneca Barbie, por exemplo, foi construída para funcionar como um superestímulo: ela tem pernas exageradamente longas em relação ao cumprimento do restante do seu corpo, quando essa proporção é comparada com a das mulheres reais. Essa proporção é um sinal de maturidade sexual (nos bebês as pernas são mais curtas do que nos adultos, proporcionalmente ao restante do corpo). Ou seja, a Barbie tem as pernas de uma superfêmea. Outros exemplos de superestímulos:

O Mickey Mouse o Pato Donald têm um cabeção (proporção cabeça em relação ao restante do corpo) que é até maior do que o dos bebês. Por isso despertam muita atenção e simpatia.

- Superseios: obtidos através de plásticas e sutiãs que aumentam seus volumes e melhoram seus formatos.

- Ombreiras: para aumentar o tamanho dos ombros dos homens.

- Chapéus, cartolas, capacetes bem compridos para aumentar a altura (capacete da guarda inglesa e certos chapéis que o Papa usa em cerimônias, por exemplo).

- Açúcar refinado: para tornar os doces exageradamente saborosos e irresistíveis.

- Drogas viciantes: que podem produzir rapidamente percepções e sensações muito mais fortes e maravilhosas do que tudo que existe na natureza.

Pouco controle pelas consequências retardadas

O tempo que demora para que as consequências de nossas ações sejam percebidas pode variar desde uma pequena fração de segundo até muitos anos. Por exemplo: acionar o interruptor faz com que a luz acenda ou apague imediatamente. Fumar pode produzir câncer, que só será percebido alguns anos depois dessa ação.

Geralmente somos mais controlados pelas consequências imediatas do que pelas atrasadas. Além disso, sempre podemos imaginar que as atrasadas não acontecerão ou que consigamos lidar com elas, se surgirem. Por isso, muita gente age como se só houvessem consequências imediatas:  fumam , comem mal e em quantidades adequadas e transam sem proteção. 

O controle por consequências retardadas precisa ser aprendido. No inicio da vida, se for permitido, a criança só age pelas consequências imediatas. Ela age assim porque não conhece as consequências retardadas e porque ainda não desenvolveu uma quantidade suficiente de resistência à frustração, o que é necessário para adiar a gratificação imediata. Muita gente nunca desenvolve direito este tipo de resistência e acabam vivendo para os prazeres imediatos e descuidam do futuro. Os procrastinadores, por exemplo são aquelas pessoas que seguem a máxima: “Não faça agora algo desagradável que você pode deixar para depois”. Outras pessoas desenvolvem demais esse tipo de resistência e nunca se permitem os prazeres do momento e estão sempre se sacrificando em nome de um futuro que não chega chamais.

Ludibriação  dos mecanismos de avaliação

No futuro os estudiosos olharão para a nossa época e ficarão estarrecidos com o estado de “escravidão soft” que estávamos submetidos: quantas horas de nossas vidas passávamos para adquirir coisas cujos valores eram ilusórios e não melhoravam o nosso bem estar. Na nossa época, constatarão, que haviam pessoas especializadas em criar continuamente novas necessidades artificiais só para promoverem as vendas de produtos superfluos!

Os propagandistas e os líderes iludidos ou mal intencionados persuadem seus seguidores de que certas ações são as mais justas, obterão as melhores consequências e evitarão os piores males. Os propagandistas, por exemplo, conseguem vender a ideia que ao beber um liquido açucarado, colorido e gaseificado, que nem é um superestímulo de gostosura, vai fazer você ficar parecido com aquelas pessoas lindas que estão nas propagandas e será visto como alguém que tem um estilo de vida semelhante ao delas. Nem a poção mágica do Shrek conseguiria produzir tantas transformações!

O mesmo acontece com os vendedores de sandálias, carros e outras bugigangas, cujos benefícios diretos são desproporcionais às importâncias que adquirem através das propagandas, de tal forma que você se sentira completamente por fora se não usá-los e possui-los! Os maus propagandistas vendem mais uma imagem do usuário de tais produtos do que os seus benefícios.

Vamos examinar agora, mais detalhadamente, alguns exemplos de comportamentos disfuncionais causados pelos três mecanismos apontados acima.

Workaholicism

O homem batalhador é valorizado em todas as culturas como parceiro amoroso: essa característica é um sinal que ele vai conseguir alimentar e proteger a família. Trabalhar se torna disfuncional quando persiste após a garantia do conforto e da segurança da sua continuidade já ter sido atingida e esse padrão de comportamento continua a ser apresentado de forma exacerbada e a causar danos para si ou para terceiros.

Disfunções alimentares

A oferta de comida pelo meio ambiente muitas vezes era escassa e imprevisível. Naquela época não havia como armazenar e transportar grandes quantidades de alimentos. Por isso, tínhamos que comer bastante sempre que isso era possível para acumular gorduras para os tempos de pouca comida (reserva de energia para os tempos das vacas magras). Apesar de já termos inventado os meios de produzir e armazenar alimentos em abundância, muita gente ainda continua a comer tudo que pode como se a comida pudesse faltar logo em seguida. Além disso, os humanos inventaram os superestímulos alimentares: comidas supersaborosas e superbonitas.

Certas pessoas também são pouco controladas pelas consequências retardadas do excesso de comida: além do prazer de comer ser imediato, você não incorpora os quilos imediatamente após comer.

Vício em pornografia

No nosso ambiente ancestral não existiam os meios que hoje possibilitavam a superexposição ao sexo. Esses meios foram inventados recentemente como os filmes pornôs que podem ser vistos continuamente, os closes nas imagens, os gemidos, as posições sexuais convidativas. Além disso, ficou fácil contornar as dificuldades para encontrar um parceiro que ofereça tais atrativos sexuais: sexo pode ser obtido por um preço relativamente baixo e é oferecido por mulheres muito bonitas e liberadas. Essas ofertas estão disponíveis em inúmeros sites na internet onde são apresentados fotos, vídeos e um menu de ofertas e seus respectivos custos.

Dismorfias

Aquele corpo feminino tão apregoado pela mídia que atrai os homens muitas vezes é um superestímulo produzido através de cirurgias plásticas, dietas artificiais, iluminação, maquilagem e Fotoshop. Muitas mulheres buscam desesperadamente esculpirem seus corpos para ficarem parecidos com os desses modelos.

Os homens também buscam, insamente, formatar seus corpos para que fiquem parecidos com os superestímulos masculinos que aparecem nos filmes de televisão e revistas especializadas. Nesta tentativa, fazem uso de academias e equipamentos especializados, complementos alimentares, hormônios e plásticas.

Horas excessivas na frente da televisão

Desde o início dos tempos gostamos de ouvir boas historias: todos os povos possuem os seus mitos e historias, sobre heróis ou deuses e suas sagas. A televisão e o cinema podem ser consideradas como artefatos maravilhosos para contar historias. Esses meios superaram os contadores de história: não precisamos imaginar os cenários e personagens: esta tudo ali na tela. A trilha sonora e os truques cinematográficos tornaram os relatos de história tão fantásticos que é preciso um grande esforço para sair diante da tela.

Vício em internet

Além de ter propriedades semelhantes à televisão, a internet ainda permite a interatividade e a produção de ações no mundo real (é possível marcar um encontro ou comprar um produto, por exemplo). A internet é uma grande novidade que nossos antepassados jamais imaginariam que se tornaria realidade. A internet também permite que pessoas anônimas interajam sem serem julgadas por muitas das suas deficiências e que se liberem de muitas de suas inibições. A internet é, portanto, um local onde somos expostos a superestímulos, podemos desenvolver aventuras e vivermos como super-heróis!

Caso você esteja dominado por comportamentos disfuncionais procure a ajuda de um psicólogo. 

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Por Ailton Amélio às 11h12

12/09/2011

Guerra entre os sexos e final feliz

Homens e mulheres somos quase que cem por cento semelhantes. Por exemplo, todos nós queremos ser felizes, viver comodamente, ter bons relacionamentos sociais, viver um grande amor e ter muita realização sexual. Neste último ponto, porém, existem algumas diferenças entre os sexos. Vamos examinar neste artigo algumas dessas semelhanças e diferenças nos desejos e práticas sexuais de homens e mulheres.

Você acredita que homens e mulheres estão igualmente liberados?

Para verificar se você acredita que homens e mulheres encaram o sexo da mesma forma, escolha uma das alternativas abaixo:

Você é homem. Está passeando no shopping center e diversas mulheres atraentes, após uma breve troca de olhares com você, se aproximam e lhe convidam para tomar um chope ou, mais direto ainda, para ir à casa delas. Se isso acontecesse, você interpretaria tal convite como sendo:

- Um assalto. O convite dessas lindas mulheres é uma isca.

- Uma campanha de marketing do shopping ou de alguma loja.

- Uma oferta de serviços sexuais remunerado, que está sendo oferecido pelas  profissionais de uma agencia que acabou de se instalar no shopping. (Pode fazer isso em um shopping?).

- Uma pegadinha com câmera escondida, para ver como você reage (Que mico! Será que já dei vexame?).

- Uma alucinação provocada por aquela comida intoxicada. (Bem que ela estava com mau aspecto).

- Uma resposta das Forças do Além aos seus insistentes pedidos!

- Algo natural, já que as mulheres, finalmente, estão sexualmente liberadas!

Você é mulher. Muitos dos homens atraentes que você conhece passaram a dar sinais que gostariam de iniciar um relacionamento “sério” com você. Além disso, eles estão dando a entender que só aceitarão sexo quando vocês se conhecerem melhor, sentirem confiança mutua e verificarem que estão se apaixonando um pelo outro. Caso isso acontecesse, você pensaria que:

- As suas amigas contrataram vários rapazes para lhe pregarem uma peça.

- Os homens já não são como antigamente. Bons tempos aqueles!

- Colocaram algum produto na água da cidade que tornou os homens efeminados.

- Os ETs abduziram todos os homens e tomaram os seus lugares. (Não estão sendo muito convincentes nestas imitações!).

- Você está sonhando e logo vai acordar e ver que tudo isso não é real.

- Algo natural, já que, finalmente, os homens deixaram de se portar como animais! (rs)

Desnecessário dizer que a sua opção pela última alternativa desses dois blocos indica que você acredita na igualdade entre homens e mulheres quanto ao sexo sem compromisso.

Sexo por sexo atrai mais os homens do que as mulheres

Donald Symons e Bruce Ellis1, dois famosos pesquisadores americanos, mostraram que, mesmo numa situação hipotética e ideal, há uma grande diferença entre homens e mulheres na aceitação de sexo por sexo. Participaram desta pesquisa 415 estudantes universitários (232 mulheres e 183 homens). Uma parte destes estudantes tinha parceiro sexual fixo na época da pesquisa. Esses pesquisadores pediram aos estudantes que respondessem a um questionário, constituído por seis perguntas. Um dos objetivos desta pesquisa era determinar as percentagens de mulheres e homens que aceitariam sexo casual com uma pessoa anônima, em condições que não apresentassem qualquer tipo de risco (doenças, gravidez, ser descoberto, etc.). Outro objetivo desta pesquisa era verificar se a atração física atribuída à pessoa anônima e a possibilidade de desenvolver um relacionamento com ela afetariam as percentagens de mulheres e homens que aceitariam sexo casual com ela.

            Uma percentagem muito maior de homens do que de mulheres responderam que aceitariam sexo casual com uma pessoa anônima, nestas condições, caso ela fosse atraente  e não houvesse nenhuma possibilidade de formar um relacionamento durável com ela (57,5% dos homens e 19,6% das mulheres que já tinham parceiros fixos e 74,7% dos homens e 35,5% das mulheres sem parceiro fixo responderam que certamente ou provavelmente aceitariam sexo com a pessoa anônima). Esta pesquisa mostrou também que a possibilidade de desenvolver um relacionamento com a pessoa anônima aumentava a percentagem de mulheres que aceitaria sexo com ela, mas não a percentagem de homens que aceitaria sexo. Por outro lado, a atração física da pessoa anônima afetava mais os homens do que as mulheres. Quanto maior a atração física atribuída à mulher anônima, mais estudantes do sexo masculino respondiam que aceitariam sexo casual com ela.  A variação na atração física só alterava significativamente as respostas das mulheres quando as instruções diziam que a pessoa anônima era fisicamente menos atraente do que o atual parceiro delas, para aquelas que tinham parceiros fixos, ou do que elas próprias, para aquelas que não tinham parceiros fixos. Neste caso, uma percentagem menor de mulheres respondeu que aceitariam o sexo casual com a pessoa anônima em comparação com outros níveis de atratividade dessa pessoa.

Nas circunstâncias certas, as mulheres têm tanto ou até mais desejo do que os homens.

De fato, elas mostram bastante desejo quando certos requisitos são atendidos. Alguns desses requisitos são os seguintes: o parceiro é confiável, ser tratada com consideração e respeito e sentir um bom grau de atração ou amor pelo parceiro.

Recebo no meu consultório muitas mulheres que se queixam que seus parceiros têm pouco apetite sexual. Pelas minhas observações, os parceiros dessas mulheres preenchem vários dos requisitos apontados acima que são necessários para que elas liberem suas sexualidades. Também é possível imaginar que essas queixas acontecem não porque elas tenham mais desejos do que seus parceiros, mas porque se sentem rejeitadas quando eles as procuram raramente.

As causas da diminuição do desejo sexual masculino são complexas. Um dos motivos mais frequentes desse problema, pelo que tenho observado, é a inassertividade deles em ralação às companheiras e o excesso de críticas e cobranças por parte delas. Por exemplo, eles temem demais a insatisfação da parceira com seus desempenhos sexuais e a ameaça de ser abandonados por elas.

Curiosamente, a maior parte dessas queixas é apresenta por mulheres que fazem parte de casais jovens, o que diminui as chances do motivo do pouco desejo masculino ser a diminuição hormonal causada pela idade. Portanto, sou tentado a crer que se o relacionamento não é bom, isso diminui a sexualidade das mulheres. Quando a mulher é dominante e crítica, isso diminui o desejo dos homens e aumenta seus medos de fracasso. Quando o homem tem medo do fracasso, isso aumenta muito as chances de que ele fracasse. Além disso, o seu desejo diminui e ele passa a evitar o sexo.

Dois motivos das diferenças entre homens e mulheres

Existem dois motivos principais das mulheres serem mais seletivas do que os homens para sexo: biológico e social. Em todas as espécies onde o investimento na procriação não é igual entre machos e fêmeas, aquele que investe mais é mais cauteloso para aceitar sexo (é quem seleciona os parceiros).

Para os homens, quando o critério é o sucesso procriativo (quantidade de descentes), compensa fecundar a maior quantidade possível de mulheres. Mesmo que ele consiga ajudar a cuidar apenas de poucos descendentes, sempre existe a chance da parceira dar conta sozinha dessa tarefa ou arranjar auxiliares que contribuam nesse sentido (existem estimativas de que 10% das pessoas não são filhas dos pais presumidos). Para a mulher compensa mais ter uma quantidade menor de bons parceiros do que uma grande quantidade de parceiros com menor qualidade: ela não consegue procriar tanto. O Guines registra que a maior quantidade de filhos de uma mulher é 69 (a mulher que teve maior número de filhos foi a russa Fyodora Vassilet, que viveu na corte do czar Alexander II: teve 69 filhos em 27 partos: 16 gêmeos, 7 trigêmeos e quatro vezes foi mãe de quadrigêmeos), e a maior quantidade para um homem é de mais de 888 filhos comprovados (um imperador do Marrocos).

Este motivo, quantidade de filhos, está tão superado quanto o apêndice, mas ainda é muito mais atuante que este. Aprendemos a separar sexo da procriação, mas este instinto está ai firme e forte, tanto para as mulheres quanto para os homens. Elas querem procriar com alguém que tenha boas qualidades genéticas e que dê sinais que gostou delas e que ficaria com elas após o sexo, para ajudar a cuidar do filho. Ele é o procriador maluco que quer fecundar tudo que aparecer pela frente. São necessários muitos milhares de anos para mudar tendências biológicas iguais a essa, infelizmente.

O outro motivo dessa diferença é social: as sociedades regulam as práticas procriativas: nunca foi localizada uma sociedade onde o sexo não fosse regulado por normas. Entrevistei muitas mulheres que diziam que gostariam de ter muito mais parceiros, mas não agiam assim devido as consequências sociais: seus pais morreriam de tristeza, seriam rejeitadam pelas amigas e não conseguiriam namorar porque os homens não gostam de compromisso com mulheres que já tiveram muitos parceiros, principalmente entre os conhecidos. Segundo algumas teorias, um dos critérios para a regulação maior da sexualidade feminina é de natureza econômica: as mulheres seriam encaradas como mercadoria de troca.

Geralmente esses mecanismos sociais acabam sendo interiorizados: as mulheres, quando expressam mais os seus desejos sexuais do que é socialmente permitido passam a sentir culpa, a achar que estão fazendo algo errado e que são “fáceis”:  aquilo que era um valor mantido pela sociedade acabou sendo assimilado o internalizado pelos mecanismos psicológicos. Os homens que têm muitas parceiras também têm uma boa chance de serem admirados pelos colegas e deixarem os pais orgulhosos. 

Guerra dos sexos e reconciliação

Tanto nós homens e mulheres temos necessidade de relacionamento amoroso e de sexo. No entanto, a pequena discrepância nas necessidades desses dois ingredientes entre os dois gêneros, faz com que homens e mulheres adotem estratégias bem diferentes para obter o que mais valorizam. Os homens usam as necessidades das mulheres por relacionamento e as mulheres usam as necessidades sexuais dos homens para obter outros benefícios

Essas diferenças, no entanto, acabam sendo conciliadas, porque não dá para abrir mão da parceria sexual entre homens e mulheres, uma vez que ela é necessária para a procriação (sem dizer que ela também pode ser maravilhosa!).

Faça amor, não faça guerra entre os sexos!

1 Symons, D. & Ellis, B.(1989). Human male-female differences in sexual desire. In A.E. Rasa, C. Vogel and E. Voland (Eds): The Sociobiology of Sexual Strategies. New York. Chapman and Hall Ldt 

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Por Ailton Amélio às 11h04

05/09/2011

Você conduz ou é conduzido pela vida?


“Non ducor, duco”

(Frase em latim que está inserida no brasão da cidade de São Paulo)


O lema acima (“Não sou conduzido, conduzo") captura um aspecto da vida que é muito importante: em que medida somos levados ou tentamos imprimir  o nosso rumo à vida.


Algumas características de pessoas que têm controle sobre suas vidas

 Leia as afirmações abaixo e tente avaliar quanto cada uma delas descreve a sua maneira de ser:

- Não fico muito tempo em um emprego que não julgo à minha altura.

- Sou inovador. Não me conformo em trabalhar apenas com a eficiência mínima que é necessária para não ser despedido ou perder um negócio.

- Ajo ativamente em muitas áreas da minha vida. Não estou preocupado apenas em sobreviver. Sei e me permito aproveitar os prazeres que a vida oferece no dia a dia. Por exemplo, me entrego às boas conversas e comemoro tudo que a vida traz de agradável.

- “Enrolo” menos do que a média das pessoas: quando sou apertado ou constrangido para me manifestar sobre algo que estou disfarçando, “abro logo o jogo”.

- Franqueza e polidez: prefiro tratar dos fatos sociais como realmente eles são, ao invés de vê-los como os desejaria. Prefiro agir de forma polida e não por meio de reações puramente emocionais ao que o outro fez ou deixou de fazer.

- Não mudo muito o curso de minha vida só para atender às expectativas alheias.

- Dou muito valor para a minha integridade psicológica. Por exemplo, não me submeteria ao constrangimento de ficar inventando disfarces e desculpas para enganar a minha parceira, caso me envolvesse com outra pessoa. Dou mais valor à minha integridade do que aos benefícios que eu poderia auferir através do ocultamento da minha opinião ou da apresentação de mentiras.

- Nas minhas práticas sexuais, sinto-me livre para expressar e realizar os meus desejos, ao mesmo tempo em que levo em conta os desejos da minha parceira.

 

Essa preocupação com as iniciativas para dominar aquilo que nos afeta é captada por conceitos bastante difundidos como proatividade, dominância, assertividade, liderança e batalhador e seus antônimos: reatividade, submissão, passividade, liderado e acomodado.

Não agimos uniformemente: podemos ser condutores em algumas áreas e ser conduzido em outras. Não existe nada de mal em ser conduzido eventualmente em determinadas circunstâncias. Pelo contrário, deixar-se conduzir é a reação mais adequada em certas situações como durante um assalto, ao realizar um exame médico ou perante um tribunal.

A perda do controle

Os principais fatores que podem levar à sensação de perda de controle sobre a própria vida são os seguintes: certos traços de personalidade (timidez, inassertividade, submissão, etc.), algumas situações (ameaças de morte, normas legais, acontecimentos provocados pela natureza como os terremotos e incêndios) e algumas patologias (doenças orgânicas e psicológicas que produzem dependência: paralisias, febre alta, depressão, pânico).


Consequências da perda de controle em áreas importantes da vida

A perda de controle produz efeitos altamente indesejáveis: tira o prazer de viver quando acontece em áreas essenciais da nossa vida. Além disso, as pessoas que são condutoras são mais valorizadas socialmente e premiadas por isso do que as conduzidas. Estas geralmente sentem-se menos vivas e participantes da vida e são menos valorizadas socialmente.

Embora aquilo é considerado área essencial varie de uma pessoa para outra, algumas dessas áreas são importantes para quase todo mundo, como o reconhecimento social, a vida amorosa e sexual e a autoestima.


Você perdeu o controle?

A perda de controle em alguns momentos ou circunstâncias é uma experiência inevitável e frequente. Todo dia deixamos de atender diversas metas que nos propusemos, cujas importâncias variam muito, como deixar de fazer ginástica ou perder um prazo importante para a inscrição em um concurso há muito tempo esperado. A perda de controle é perigosa quando acontece em áreas que o indivíduo considera essencial, essa perda é duradoura e há poucas esperanças de obter o controle novamente. Isso pode precipitar a depressão para aquelas pessoas que já tenham uma propensão para isso.


Fatores que levam à sensação de perda de controle

A sensação de perda de controle pode ser provocada por acontecimentos objetivos (perda do emprego, traição, problemas graves de saúde, etc.) ou por fenômenos psicológicos pouco relacionados com esses acontecimentos (disfunções como a depressão e características de personalidade como a baixa autoestima, por exemplo). Aquelas pessoas que têm baixa autoestima disposicional (originada em acontecimentos marcantes do passado) continuam a relatar a sensação de pouco valor pessoal mesmo quando tudo vai bem nas suas vidas presentes. As pessoas que têm baixa autoestima situacional (originada em acontecimentos marcantes do presente) sentem um rebaixamento no amor próprio quando ocorrem fatos em áreas que afetam os seus sentimentos de valor pessoal, como ser despedido de um emprego, o abandono pelo amado e a rejeição pelas pessoas que considera importantes.


Tipos de personalidade e de anormalidades que produzem a sensação de perda de controle

Os seguintes tipos de problemas psicológicos podem levar ajudar a produzir uma sensação grave de perda de controle:

Baixa capacidade de autogestão psicológica

(Uso a locução "autogestão psicológica" para denominar a disposição e a capacidade para tomar iniciativas  para lidar com tudo aquilo que afeta a sensação de ser um participante ativo da vida e de ter as rédeas da própria vida, tanto a interna quanto a externa). As pessoas que têm uma boa capacidade de autogestão são aquelas pessoas que parecem ter sido atendidas pela oração de São Francisco que diz:

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...

Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...

E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”.

Essas pessoas agem como se fossem as responsáveis pelas decisões que tomam ou deixam de tomar e pelos rumos das suas vidas e, por isso, decidiram não delegar para ninguém o controle dos acontecimentos que as afetam.

Os graus de autogestão parecem independer das características demográficas das pessoas:  percentagens semelhantes de pessoas que possuem cada um dos diferentes graus de autogestão podem ser encontradas em todas as faixas etárias, sexos, níveis econômicos e graus de escolaridade.

Timidos

Os tímidos apresentam uma diminuição de controle sobre os seus próprios comportamentos, pensamentos e emoções em situações intimidantes. Nestas situações, eles ficam em um estado psicológico alterado que lhes traz sofrimentos e diminui suas eficácias para atingir suas metas. Geralmente eles se portam de forma mais pobre do que são capazes neste tipo de situação.

Baixa autoestima

A pessoa que tem baixa autoestima é aquela que, após se autoavaliar, conclui que não possuí qualidades que gosta ou são admiráveis por pessoas que importam. Geralmente quem tem esse problema usa a palavra “mas” para desqualificar aquilo positivo que não pode deixar de ver de positivo em si próprio: “Passei no vestibular, mas tive que fazer um excelente cursinho”, “Sou bonita, mas isso é genético e, portanto, não é meu mérito”.

Deprimidos

            Os deprimidos sentem que não conseguem controlar áreas importantes de suas vidas: as suas emoções ficaram desreguladas, perderam a motivação para o trabalho e para a vida em geral. Além disso, ficam pessimistas sentem que as outras pessoas não  gostam mais deles e que as coisas só tendem a piorar.

"Fracassados"

            Pessoas que após várias tentativas em vários tipos de empreendimentos que não deram certo concluíram que tudo que farão dai para frente vai fracassar.

Viciados em drogas

Têm a sensação que o vício é mais forte que elas. Gostariam de deixa-los. Vícios mais comuns: fumo, álcool, maconha.

Compulsivos

A compulsão é uma espécie de vício em certos padrões de comportamentos, mas não envolve o consumo de substancias viciantes. É uma necessidade incontrolável de fazer certas coisas ou se portar de certas formas: compulsão pela internet, sexo, jogos, etc.

Solitários crônicos

Muitos solitários são aqueles que perderam o controle de suas vidas sociais: sentem falta das pessoas, mas não conseguem estabelecer bons relacionamentos com elas.

Inassertivos

Os inassertivos são aqueles que não conseguem agir da forma como sentem e pensam quando isso pode afetar outras pessoas e, por isso, “engolem sapos todos os dias”. Temem apresentar seus sentimentos e pensamentos acabam  cedendo espaço para as outras pessoas fazerem isso. (Observação: não se trata de inassertividade quando a ação assertiva poderia produzir consequências desvantajosas à curto ou à médio prazo, quando todos os fatores são considerados).


Recuperação da sensação de controle

A recuperação da sensação de controle pode acontecer de duas formas: (1) pela recuperação efetiva sobre os fatos (quem perdeu o emprego arranja outro igual ou melhor que o anterior) ou (2) por um redimensionamento dos significados do ocorrido (um namorado traído acaba se convencendo que a ex-namorada é que era ninfomaníaca e não que ele tenha sido trocado por alguém mais qualificado) ou por uma combinação dessas duas formas.

Muitas vezes, a pode ser muito difícil ou impossível recuperar o controle  ou redimensionar os significados do que aconteceu. O primeiro desses casos, por exemplo, é a morte de um ente querido ou um acidente que traga sequelas permanentes. A dificuldade para redimensionar o acontecimento ocorre em áreas onde as consequências continuam a ocorrer (a pessoa continua a sofrer sanções sociais devido ao fato de ter ficado obesa. Isso, por exemplo, aumenta as suas dificuldades para iniciar relacionamentos amorosos) ou em áreas centrais para a definição da própria identidade psicológica e para a sensação valor pessoal.

Se você é conduzido pela vida e isso lhe incomoda, procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h41

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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