Blog do Ailton Amélio

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31/10/2011

Vídeo: "Não dispense o romance da sua vida!"

Por Ailton Amélio às 09h34

28/10/2011

Não existe romance na sua vida? Que pena!

VEJA O MEU VÍDEO ACIMA: "NÃO DISPENSE O ROMANCE DA SUA VIDA!"

O amor está vivo. Viva o amor!

Virou um lugar comum a afirmação que o romantismo e as suas expressões só acontecem no início dos relacionamentos amorosos e que depois, com muita sorte, eles se transformarão em carinhos e ações simbólicas que só serão apresentadas em datas comemorativas (flores e joias nos aniversários, por exemplo).

Não concordo com nada disso. Acho que o romantismo e as suas expressões podem e devem estar sempre presentes no cotidiano, durante a vida toda.


Magia de amor em um crepúsculo de primavera

O Olimpo estava agitado.

Pragma tomou as providências: marcou o evento, reservou o local e sentou-os lado a lado!

Baco preparou uma poção fermentada para soltar as inibições.

Afrodite, nascida da espuma, a havia presenteado com a sua brancura, beleza e porte. Por tudo isso, a sua simples presença já despertava a admiração de todos aqueles que tinham senso estético e alma sofisticada.

Mesmo sendo apenas um parente distante de Eros, ele dedicava-se aos assuntos do amor e tinha sido premiado com certo poder para criar instantaneamente o clima romântico que propiciava o nascimento desse sentimento.

O encontro ia de vento em popa. Era esperado que Cupido comparecesse a qualquer momento e lançasse as suas flechas, consumando assim a magia do amor. Mas ela näo estava preparada e, assustada com tanta magia, fugiu para a Terra do Sempre (Mesmice). A esta altura, ele já havia ultrapassado, mais uma vez, o portal da Toca do Coelho e estava no País da Maravilhas ("É tarde, é tarde", gritava o coelho)! Mesmo tendo entrado sozinho naquele País, ainda assim valia a pena, porque ele era encantado e maravilhoso!

(Relato publicado com autorizacäo do autor, poeta carioca, que näo quiz se revelar mais que isso).

Comentário: o escritor Marcel Proust gostava de apaixonar e näo ser correspondido para, assim, apreciar sozinho os sentimentos do amor e a falta da amada!


A paixão e o amor criam um estado maravilhoso

Estar apaixonado ou amando alguém é um estado que colore e energiza toda a vida: tudo fica mais animado, sentimos o prazer de viver, ficamos mais alegres, otimistas e sociáveis! Conheço muita gente que tem saudades e anseia por este estado como o faminto anseia por comida e o sedento por água.


O amor consumado perde um dos seus ingredientes iniciais

Segundo a Teoria Triangular de Sternberg, o amor é constituído por três ingredientes principais: intimidade, paixão (romântica e sexual) e compromisso.

Para a maioria das pessoas, depois de algum tempo de relacionamento, o ingrediente romântico praticamente desaparece ou, na melhor das hipóteses, fica restrito a manifestações formais que säo apresentadas em certas épocas.

A paixão e o amor romântico têm uma breve e triste trajetória na maioria dos relacionamentos amorosos. A paixão, quando presente no início desse tipo de relacionamento, dura pouco. Isso acontece por motivos compreensíveis e aceitáveis: caso durasse mais tempo, ela acabaria com a vida dos apaixonados - eles abandonariam todos os compromissos, não se alimentariam adequadamente, perderiam o sono e passariam os dias trocando juras de amor. O amor, embora possam durar um pouco mais do que a paixão, logo vai esmaecendo e, com muita sorte, se transformando em um sentimento de amizade e na manifestacäo de carinhos. O romantismo, que no início era expresso com flores, olhos nos olhos, beijos apaixonados e músicas de amor não perdura muito tempo na maioria dos relacionamentos. Pasmem: todos consideram isso normal e esperado!

Creio que os requisitos que são necessários para o nascimento do amor e da paixão ajudam a entender o que pode ser feito para manter vivo o clima de romance. Vamos examinar alguns desses requisitos.


Requisitos para o nascimento, florescimento e sobrevivência do amor

Segundo Stendhal, o apaixonamento acontece quando estão presentes três ingredientes: admiração, esperança de reciprocidade dos sentimentos e  uma certa dose de insegurança (“catalizadora do amor”).

Creio que as seguintes medidas ajudam a fazer o amor romântico perdurar:

1- Cultivar as afinidades com o parceiro. Para manter o amor e o romantismo é necessário manter as afinidades com o parceiro.

Ao contrário do que muita gente imagina, o amor não é nada cego, pois não nos apaixonamos por qualquer um. Raramente vemos paixões correspondidas entre pessoas muito díspares em nível educacional, nível econômico, idade, etc. Em geral nos apaixonamos por pessoas similares a nós próprios, ou que julguemos um pouco melhores do que nós, em certos atributos relevantes para este tipo de escolha. O amor é, sim, um pouco míope. Muitas pessoas são capazes de se apaixonar mesmo estando conscientes de que existem obstáculos muito importantes ou até instransponíveis para a continuidade do relacionamento. Este grau de miopia varia muito entre as pessoas (por exemplo, de acordo com os estilos de amor da teoria de John Alan Lee, os “maníacos” são bastante míopes e os “pragmáticos”, pelo contrário, são bastante práticos e objetivos quanto aos atributos do parceiro que os interessam).

2- Produzir-se para o amor. No início do relacionamento cuidamos muito da nossa aparência. Todo mundo já ouviu algo assim: “Está bonita hoje, heim? Vai encontrar alguém?” Depois de um tempo de o convivência deixamos de nos produzir para provocar e manter o amor do parceiro.

3- Reservar tempo para os encontros a sós. Quando existe mais pessoas competindo pela atencäo fica difícil criar um clima amoroso. Mesmo quando em grupo, no entanto, ainda é possível só ter olhos um para o outro.

4- Acentuar a feminilidade ou masculinidade na presença do parceiro durante os momentos românticos. O grau de masculinidade e feminilidade das pessoas pode ser situado em algum ponto de um continuo que varia desde um extremo onde as pessoas são totalmente femininas até o outro, onde são extremamente masculinas. A grande maioria das pessoas se entre estes extremos.

Uma parte do grau de feminilidade/masculinidade das pessoas é estrutural, fixo ou natural. Outra parte pode ser modulada momento a momento: as pessoas podem acentuar ou atenuar seus feminilidade/masculinidade de acordo com as circunstâncias.

Creio que o nascimento do amor romântico nasce depende em grande parte do grau de feminilidade/masculinidade do parceiro: quem está tentando conquistar o amor do parceiro acentua os seus sinais de gênero na sua presença.

5- Olhos nos olhos. Olhar prolongadamente nos olhos do parceiro, sem procurar impor uma direção aos pensamentos e, ao mesmo tempo, permitir que a visão do amado tome conta dos pensamentos, sensações e emoções tem um poder mágico de criar um clima romântico. No início dos relacionamentos os enamorados passam horas extasiados e mergulhados nos olhos do amado.

Quem está apaixonado olha desta forma. Quem olha desta forma se apaixona.

Não se resigne a viver sem romance. Você perde muito com isso!

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Por Ailton Amélio às 14h58

21/10/2011

Os homens estão perdendo o desejo sexual por suas parceiras?

Foi-se o tempo onde os homens eram considerados sequiosos de sexo e as mulheres, reticentes nesta área ou pouco sexuadas. Há tempos atrás, elas eram criticadas porque frequentemente alegavam indisposição, dor de cabeça e cansaço para evitar o ato sexual.

Tenho recebido no meu consultório, muitas mulheres que se queixam da falta de desejo sexual dos seus parceiros. A reclamação inversa, homens se queixando do pouco desejo de suas parceiras, é bem mais rara!

Não estou muito seguro de que a reclamação das mulheres acontece somente porque elas não são sexualmente satisfeitas pelos parceiros. Creio que muitas delas também reclamam porque porque este baixo desempenho de seus parceiros pode indicar que eles não sentem mais desejo por elas, mas o sentem por outras mulheres. Neste caso o relacionamento ficaria ameaçado e a autoestima delas rebaixada (“Será que não tenho sexo appeal?”, “Será que estou gorda?”, “Será que sou ruim de cama?”).

O que está acontecendo também é que as mulheres estão perdendo o medo de admitirem suas sexualidades. À medida que isso vai acontecendo, vamos verificando que elas são tão ou mais sexuadas que nós homens.

Vamos examinar agora alguns dos principais motivos da perda de desejo ou do empobrecimento do desempenho sexual dos homens.

PRINCIPAIS MOTIVOS DO EMPOBRECIMENTO SEXUAL MASCULINO

Esses motivos podem ocorrer isoladamente ou em vários tipos de combinações.

Diminuição do efeito novidade

Esta é a causa mais reconhecida da diminuição na frequência de relações sexuais entre casais que já estão juntos há algum tempo. Nos primeiros anos de relacionamento acontece uma baixa gradual na frequência, duração e qualidade das relações sexuais. Como a ocorrência de outros motivos são improváveis em tão pouco tempo e para tantos casais (alterações hormonais, alterações graves na aparência, etc.), tudo leva a crer que esse empobrecimento é, em boa parte, resultante da diminuição da novidade.

Outra evidencia do papel da diminuição do efeito novidade é a recuperação do desejo e desempenho sexual quando há uma troca de parceria nesta mesma época: a frequência sexual aumenta instantaneamente, o que excluí motivos orgânicos para a diminuição do desejo.

O sexo também é estimulado no inicio do relacionamento porque ele desempenha outras funções. Por exemplo, o casal ainda não está seguro de que o relacionamento está dando certo e, por isso, cada episódio sexual aumenta a segurança de que o relacionamento está se solidificando e dando certo.

A ocorrência do sexo também ainda é incerta no início do relacionamento. Nunca existe muita certeza se ele ocorrerá em um dado encontro. Por isso, a sua ocorrência já é uma espécie de jogo ou batalha com final feliz, o que também ajuda a motivar o sexo.

Viciado em pornografia

O vício em pornografia pode atrapalhar o desejo pela parceira porque com esta raramente é atingido aquele nível de excitação despertado pela pornografia. A boa noticia nesta área foi apresentada por uma pesquisa recente que verificou que o interesse sexual pela parceira pode ser recuperado rapidamente quando o vício em pornografia é tratado com eficiência.

A parceira deixou de ser atraente

A atração dos parceiros depende principalmente de dois fatores: atração física e atração comportamental.

Diminuição da atração física. Tudo indica que o mais importante é não ser muito feio que ser lindo ou ter um corpo escultural. Homens e mulheres muitas vezes se descuidam rapidamente da aparência logo que o relacionamento amoroso estabiliza.

Diminuição da atração comportamental. Um dos principais motivos dessa diminuição acontece quando os parceiros deixam de se tratarem romantica e eroticamente.  Depois querem, como por um passe de mágica, que essa forma de tratamento, que já está firmada entre eles, seja apagada e a sexual assumida na hora do sexo.

Quando o desejo tem outros destinos

Muitas vezes o desejo sexual do homem pela parceira diminuiu porque ele anda praticando sexo com outras pessoas ou de outras formas e, por isso, sobra pouco desejo para a sua parceira. As principais maneiras alternativas de saciar o desejo sexual são as seguintes:

- Masturbação excessiva. Certa quantidade de masturbação é natural entre pessoas que tem parceria fixa. Por exemplo, um estudo americano mostrou que os casados se masturbam mais do que os solteiros.

- Traição. Veja o seguinte caso:

Kleber acabou se envolvendo com uma colega de pós-graduação. O seu envolvimento intenso com essa colega distanciou-o da esposa, tornou-o mais crítico e menos tolerante com esta. Além disso, a sua alta frequência de sexo com a colega deixa-o saciado de sexo e, por isso,  sobra pouco desejo pela esposa. Ele também não se sente muito bem em transar com a esposa porque isso lhe dá a sensação que está traindo a amante, já que deu a entender para esta que não sente nada pela esposa e deixou de praticar sexo com ela.

A traição pode estar acontecendo com outras mulheres, prostitutas ou outros homens. A traição pode ser virtual ou na vida real.

- Homossexualismo: muitas vezes o desejo está se firmando em relação a pessoas do mesmo sexo e, por isso, a parceira está deixando de ser atraente.

Inibição do desejo

A falha nas práticas sexuais provocadas pelo mau funcionamento do homem (impotência, ejaculação precoce etc.) pode inibir o seu desejo e disposição para as práticas seguintes. Quando essas falhas ocorrem e são mal assimiladas, o novo início do desejo desperta temores de novas falhas, frustrações e baixa na autoestima. Estes sentimentos matam o desejo na origem.

O homem que não conseguiu ter uma ereção ou manter a ereção por tempo suficiente para uma boa relação sexual sente-se humilhado e muito ameaçado na sua masculinidade. Ele também sente muito medo daquilo que a sua parceira possa pensar a seu respeito e sobre como isso pode ameaçar seu relacionamento. Esse medo de uma nova falha pode ser estimulado assim que ele começa a ter desejo ou assim que as condições para que uma relação sexual aconteça comece a surgir. Por exemplo, muitos homens relatam que sentem muito desejo pelas parceiras e experimentam uma grande ereção quando estão com a parceira em um lugar onde o sexo não pode ocorrer como no cinema. Assim que vão para um lugar onde o sexo é possível, o medo da falha no desempenho sexual se torna presente e sobrepuja o desejo e a ereção. Por isso, eles passam a evitar esses locais onde o sexo possa ocorrer.

O segredo dos casais que têm bom sexo a vida toda

A quantidade de hormônio vai diminuindo gradualmente com a idade a partir dos vinte e cinco anos, mais ou menos. Esta baixa geralmente pode ser compensada por uma melhoria na habilidade para obter satisfação e pela instalação de um roteiro eficaz para despertar o desejo, produzir sexo e orgasmo de alta qualidade. O casal bem sucedido desenvolve uma maneira de fazer sexo que é eficaz para despertar o desejo e levar ao orgasmo. Quando o casal falha no desenvolvimento desse roteiro erótico, a queda hormonal não vai sendo compensada pela eficácia da prática e quantidade diminuída de hormônio é traduzida no baixo desejo e no empobrecimento das atividades sexuais.

Creio que um dos principais requisitos para desenvolver um roteiro sexual eficiente é a coragem para deixar os sentimentos que estão presentes em cada momento guiarem as práticas sexuais. Isto inclui recusá-las eventualmente. Quando os parceiros se gostam, nutrem e expressam sentimentos românticos entre si, confiam um no outro e têm coragem para expressarem os seus desejos e falta de desejos, o sexo terá sempre uma boa dose de novidade e poderá ser muito bom durante toda a vida.

A sua vida sexual empobreceu? Procure a ajuda de um psicólogo

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Por Ailton Amélio às 11h43

14/10/2011

Amor, sexo e relacionamento: verdades e mentiras

Vamos examinar aqui algumas afirmações sobre o amor, o sexo e o relacionamento que são muito divulgadas pela mídia. Vou expressar também as minhas opiniões sobre cada uma delas.

1. Não é correto usar a experiência pessoal ou informações sobre poucos casos para definir modelos que todos devem seguir.  As conclusões baseadas na experiência pessoal e nas informações sobre uns poucos casos não devem ser apregoadas como modelo para todas as outras pessoas. Existem vários tipos de amor e preferências sexuais. Se os casamentos de uma pessoa não deram certo, ela não pode concluir e passar a divulgar que os casamentos estão fadados ao fracasso. Se ela trai ou se foi traída várias vezes, isso não a autoriza a concluir que todo mundo trai.Também não é uma evidência muito forte citar alguns casos de conhecidos para apoiar conclusões. Geralmente ligamos o radar para localizar pessoas que têm experiências semelhantes às nossas ou experiências que confirmem as nossas conclusões.

2. Existem vários tipos de amor. Praticamente todas as pesquisas nesta área mostram isso (Eros, Ludos, Estorge, Mania, Seguro, Ansioso-ambivalente etc.). Existem estilos que combinam e que outros que não combinam . Por isso, é difícil definir o que é o amor. Também não dá para afirmar que a minha maneira de amar é a correta e que a dos outros não é boa ou que não é amor.

3. Acredito no casamento personalizado. Antigamente havia um modelo único de casamento que todos deviam seguir (o homem era o “cabeça do casal”, o provedor etc. e a mulher, a “rainha do lar”, a assexuada etc.). Somos muito diversificados para nos ajustarmos a um único modelo. É como o sapato número trinta e sete: embora este seja o número médio da população, se todos tiverem que usá-lo, ficará pequeno para muitos, grande para outros tantos e só servirá para uma minoria.

4. Acredito que é possível ter amor romântico e atração sexual pelo mesmo parceiro indefinidamente. Uma pesquisa realizada por Helen Fisher mostrou que certa percentagem de casados há mais que vinte anos tinha padrões cerebrais similares aos dos casais apaixonados que estavam no início de seus relacionamentos amorosos. Creio que podemos aprender um estilo de relacionamento que prolonga o amor romântico e a atração sexual de quase todos os casais.

5. Homens e mulheres, somos essencialmente semelhantes. Quando ouço aquela afirmação de que os homens são de Marte e as mulheres, de Vênus brinco que o autor do livro que tem este nome é de Plutão. Isso porque ele não entende quase nada sobre os seres humanos. Não é necessário um manual para entender o sexo oposto! Todos nós, homens e mulheres, queremos ser felizes, gostamos de conforto, gostamos do reconhecimento das outras pessoas, gostamos de sexo, amamos, queremos ser correspondidos etc. Em algumas áreas existem algumas pequenas diferenças que são ampliadas por diversos autores alarmistas!

6. Vale a pena investir no relacionamento. Uma das áreas que mais afeta o nosso bem estar físico e psicológico é o relacionamento amoroso. Basta lembrar a quantidade de filmes, novelas, livros, músicas e horas de conversa que dedicamos a esse assunto para nos espantarmos com o tempo, esforço e dinheiro que são merecidamente dedicados a esse tema. Ter carrão, belas roupas, casa na praia, viajar para o exterior, tudo isso é, sem dúvida, muito bom. Nada se compara, no entanto, com a união com uma companheira que nos admira, apoia, ama, faz sexo como ninguém mais, compartilha o nosso destino e tem ousadia suficiente para estar sempre expandindo os nossos limites.  

8. Namorar é preciso. Muita gente se descuida do romantismo depois que o relacionamento estabiliza. Creio que este é o caminho certo para matar o amor romântico. O casal tem que lembrar-se daquilo que fazia quando ia para os encontros, na época que o relacionamento começando e o amor era intenso: arrumar-se, perfumar-se, fazer programas diferentes e surpreendentes, considerar o outro como o foco da atenção, olhar nos olhos, falar frases de amor, beijar...Fazer tudo isso mantêm o romance vivo...manter o romance vivo induz tudo isso. Experimente!

9. Trair geralmente não vale a pena. Os custos da traição geralmente superam os seus benefícios. Trair é emocionante no início. A novidade é mais excitante do que aquilo que já estamos acostumados. Por isso, ser correspondido por uma nova parceira melhora a autoestima, traz uma sensação de aventura eo proibido é mais excitante do que o permitido. Depois o preço pode ser alto. O maior preço, creio eu, é a perda da integridade: ter que mentir, enganar o parceiro, simular e dissimular....tudo isso é um tanto degradante para quem age assim.Os risco externos são a perda do relacionamento, as consequências que podem ser impostas por quem foi traído, as consequências para os filhos e para o network.O melhor é terminar um relacionamento e iniciar outro ou se houver algo que impeça a continuidade do relacionamento, confessar, negociar e, se for o caso, sair dele. 

Claro que existem circunstâncias que  favorecem a traição e atenuam tal falta: alta de amor e sexo no relacionamento, maus tratos, perda da atratividade do parceiro são alguns exemplos.  Muitas vezes essas condições estão presentes e, ao mesmo tempo, existem motivos fortes para não terminar o relacionamento: filhos, dependências econômica, etc. Esse conjunto muitas vezes redunda em traições.

10. Acontecem menos traições do que imaginamos. As interpretações das estatísticas de traições geralmente são incorretas. Se uma pessoa passa 18.600 dias sem trair (quarenta anos) e trai uma vez, ela entra nas estatísticas dos traidores. Eu acho que a conclusão correta é o contrário desta anterior:esta pessoa resistiu bravamente a todas as tentações durante 18. 599 dias e só fraquejou em um dia! Um estudo americano de 1995 mostrou que cercas de 96% das pessoas tiveram apenas um ou nenhum parceiro no ano anterior à pesquisa. Ou seja, apenas cerca de 4% das pessoas haviam traido no ano anterior a pesquisa.

11. Somos capazes de amar várias pessoas ao mesmo tempo. Geralmente evitamos pensar dessa forma ou deixar que isso aconteça. Se não houvesse este tipo de autocontrole, amaríamos várias pessoas simultaneamente. Fazendo uma analogia: também temos desejos de roubar, matar, mentir etc. e tentamos evitar fazer essas coisas devido às consequências morais, psicológicas e sociais que elas acarretam. A paixão geralmente é dirigida a uma pessoa por vez. Ou seja, geralmente ficamos obcecados por uma única pessoa: pensamos nela o tempo todo, fantasiamos com ela e a achamos maravilhosa. No amor, essa obsessão cessa e, ai, podemos apreciar várias pessoas, tal como podemos gostar de vários amigos ou de vários parentes. Também podemos ter diferentes tipos de amor, cada um deles por uma pessoa.

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Por Ailton Amélio às 11h30

10/10/2011

Pessoas fascinantes: o contestador

Você quer uma via relativamente fácil para o sucesso? Seja um contestador. Uma das maneiras mais rápidas de fazer sucesso é através da crítica. A crítica sempre passa a impressão que o crítico é melhor do que o criticado. Mais eficaz ainda do que a crítica é o estilo de vida contestador. Só falar não tem muita credibilidade, é a “crítica fácil”. Agir fora das normas é bem mais convincente!


Contestação: via rápida para o destaque

Ultimamente venho observando pessoas que se destacam socialmente porque fascinam ou porque são chatas e, em seguida, procuro analisar como elas produzem esses efeitos.

 Existem muitas formas de ser fascinante e também, infelizmente, de ser chato. Vou descrever aqui uma das maneiras de ser fascinante que já observei em algumas pessoas. Procurei sintetizar os resultados dessas observações atribuindo-os à figura fictícia de André.


André: fascínio exercido através da contravenção de normas sociais

André era fascinante. Onde quer que estivesse, ali estava o centro das atenções. Em parte isso acontecia porque ele era conhecido, dava a impressão de saber como aproveitar a vida, era agradável e, principalmente, porque ele era anticonvencional e contestador.

Os menos ousados sentiam-se “caretas” quando ouviam suas revelações. Na sua presença, os olhos dos reprimidos brilhavam de admiração: André demonstrava que era possível libertar-se dos aguilhões das inibições e mostrar-se para as outras pessoas como realmente era e, ainda assim, ser aceito e admirado. Os moralistas, embora o reprovassem, não tinham coragem de afrontá-lo diretamente e quando apresentavam alguma objeção, o faziam de uma forma reativa, menos corajosa e indireta. Muitos moralistas, embora não aceitassem sua maneira de ser, também ficavam fascinados  porque reconheciam que ele era um verdadeiro espetáculo social. Acalmavam as suas próprias consciências pensando que estavam aproveitando a ocasião para examinar de perto um verdadeiro espécime depravado e que, assim, teriam elementos para criticá-lo e firmar a superioridade de suas crenças.


Como André provocava o fascínio

André estava acostumado a revelar aquilo que sentia, pensava e fazia um pouco além do que era usual para a maioria das pessoas: não tinha pruridos em revelar em público certos sentimentos e pensamentos que as pessoas comuns mantinham em sigilo ou só expressavam para os mais próximos e confiáveis.

André tinha um radar altamente eficiente para perceber quando as pessoas estavam adotando uma forma “politicamente correta” de falar e agir. É ai que ele crescia e adotava o seu estilo contestatório: quando percebia que as pessoas estavam seguindo um padrão que era ditado pelas “convenções e bons costumes” e não pelo que sentiam e acreditavam, fazia questão de confrontá-las. Quando percebia que uma forma esperada de comportamento estava se impondo na conversa, ele o quebrava. Agia de tal forma que essa quebra não era percebida como o objetivo principal da sua intervenção. As pessoas percebiam essa forma de agir como uma expressão da sua liberdade.

Ele revelava em público coisas sobre si próprio que a maioria das pessoas jamais ousaria admitir nestas circunstâncias. As pessoas sentem que a divulgação desse tipo de informação enfraqueceria suas imagens públicas. André sabia fazer isso de tal forma que sua coragem de assumir algo condenado contava mais do que os danos causados por tal revelação.

Quando não conseguia resistir às pressões para se portar de uma forma que não gostava, ele deixava transparecer imediatamente, através de uma atuação farsesca, que não estava sendo verdadeiro: a sua voz e as suas expressões faciais mostravam um travo sardônico que eram uma espécie de comentário não verbal sobre a sua verdadeira atitude frente ao fato e sobre o que estava sendo obrigado a fazer. Agindo assim conseguia não se submeter totalmente, mesmo quando era obrigado a ceder às pressões.

Não hesitava em experimentar aquelas coisas que a maioria das pessoas passava longe. Ele seguia a regra: “Se quero algo e isso não traz grandes danos a terceiros, não tem nada de errado em fazê-lo ou obtê-lo”. Embora gostasse das coisas boas da vida, como boa comida, dinheiro, conforto, boas roupas e viagens, ele não se submetia a qualquer tipo de condição para obter estes bens. Usando um chavão, “ele não punha os seus desejos materiais acima da sua liberdade”.


O papel esperado de André

Como André gozava de certa fama, a sua reputação de rebelde e desafiador já o precedia, onde quer que fosse. Mais que isso, havia uma expectativa e até cobrança para que ele agisse dessa forma. Tal como as pessoas esperam que o humorista seja engraçado e o juiz, severo, mesmo quando não estão no exercício profissional, também era esperado que André fosse desafiador, engraçado e tivesse uma participação muito forte nos encontros sociais. André havia tinha “vestido” esse personagem ou, talvez, o personagem é que tivesse sido construído em torno das suas características pessoais.


André tinha limites:  era um "contraventor chapa branca"

André não era um revolucionário a toda prova. Não fazia coisas como atacar o patrão, tirar a roupa em público ou chutar imagem de santa. Ele também não confrontava diretamente os seus interlocutores. Por exemplo, raramente tentava anulá-los ou argumentar diretamente para provar que eles estavam errados. Quando não concordava com alguma coisa, ele usava uma tática que é sugerida pelos manuais de assertividade: "fale de si, dos seus pensamentos e sentimentos e não dos sentimentos e pensamentos da outra pessoa". Por exemplo, usava frases como “Eu me sinto de tal forma”, “Eu penso assim”, “Eu me sinto desconfortável com isso que você está dizendo” e “Para mim isso é bom!”

Ele era motivado a contestar para manter a sua liberdade em situações que podiam enquadrá-lo, para provocar a admiração da audiência pela sua coragem e para validar a rebeldia daqueles que também estavam se sentindo pressionados para se comportarem de acordo com o padrão.

Atenuando a desagradabilidade da contestação

Ele não era um contestador qualquer, mas sim alguém que tinha um lado agradável e charmoso. O crítico contumaz tem uma boa chance de se tornar uma pessoa desagradável e negativista. Para que não se torne aversivo, ele vai ter que embalar o seu modo crítico de ser em algum invólucro que o torne inócuo para a sua audiência e tóxico apenas para o seu alvo, tal como acontece com esses comprimidos liofilizados que deixam incólume o estomago e só atuam no intestino, onde se encontra a causa da doença a ser combatida.

Ele estava sempre alegre e dava a impressão que tirava o melhor daquilo que a vida tinha para oferecer. Essa agradabilidade, simpatia e charme criavam o espaço para ele portar-se como um infrator chapa branca. André sabia fazer preponderar o agradável sobre o desagradável na sua forma de agir.  A sua conversa corria fácil: não travava, era ágil, ponteada de risos e observações inteligentes. Conversar com ele lembrava a participação em uma atividade de alta performance. Ele o tipo de pessoa que dificilmente conseguiríamos imaginar participando de uma conversa apagada e burocrática. Ele seguia o principio hedonista: “só fico naquilo que me dá prazer, que tem brilho e vitalidade”. André era um cafajeste burlesco que ria do próprio personagem, desarmando desta forma as possíveis críticas à sua forma de agir.

Principais táticas de André

André tinha uma voz segura e poderosa, estava decido a não servir de plateia, mas sim de protagonista, cria que poderia expor das coisas era válida, estava confiante que agradaria a audiência, não agredia a sua audiência e tinha  a capacidade para apreciar o momento inclusive as apresentações dos outros.

Aqui está um sumário dessas e de outras características de André:

- Era capaz de impor seu estilo de relacionamento. Não “dançava a música alheia”.

- Autoconfiança. Dá a impressão que está sempre seguro e pode viver a vida seguindo suas próprias percepções e não regras ou normas externas.

- Sente prazer nas coisas que fazia, ou largava deles. Geralmente só por desafio

-Possui habilidade para dar um tom agradável ao relacionamento

-Assertividade: consegue dizer e agir de acordo com o que sente e pensa

-Apetite para exercer o poder social consentido: gostar de exercer poder através da sedução e persuasão e não pela imposição.

-Gosta de holofotes: “Só brinco se eu estiver no centro das atenções”. Mesmo quando está na posição de ouvinte ou de apreciador do desempenho alheio, continua sob holofotes porque tem grande poder para desabilitar o falante, tomar-lhe a palavra ou para aprová-lo e promovê-lo.

-Possui a ousadia para infringir moderadamente as normas vigentes

-Consegure limitar a forma agressiva de agir em relação à audiência que quer agradar.

- Sabe usar o humor como atenuador das infrações sociais que comete para ganhar a atenção e admiração. Sem uma boa dose de humor tais infrações seriam mais graves.

Pessoas como André são socialmente úteis

André faz sucesso porque o papel que ele desempenha tem diversas funções sociais muito úteis. Duas dessas funções são as seguintes:

Papel revitalizador. Todos nós sentimos o peso das convenções sociais, dos comportamentos que devem ser apresentados por conveniência. Quando alguém ridiculariza esses papeis, isso tem um efeito revitalizador. É como aqueles filmes onde o mocinho luta contra o opressor. Todos os oprimidos participam vicariantemente daquela luta e sentem o prazer pela derrota do opressor.

O modo de ser de André é um exemplo que ajuda a entender como certas pessoas brilham porque dizem ou se comportam de modo diferente daquilo que é esperado. Esse tipo de pessoa fascinante usa respostas despreferidas para aliviar as pressões sociais que são exercidas sobre outras pessoas para que se portem de acordo com determinados padrões.  Este alívio restitui a energia daqueles que estavam sendo subjugados por pressões sociais e psicológicas.

Flexibilizador. São pessoas como André que flexibilizam as normas e os papeis sociais que, de outra forma, teriam mais chances de se tornarem asfixiantes. O bobo da corte também tinha a liberdade de falar as maiores verdades para o rei. As mesmas coisas ditas por qualquer outra pessoa assumiam uma gravidade mortal.

Você é ou conhece alguém como André no seu círculo de relações ou nos meios de comunicação? Pense nisso!

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Por Ailton Amélio às 10h59

03/10/2011

O beijo foi abolido do seu relacionamento? Que pena!

Este artigo vai tratar das origens do beijo e das suas funções em um relacionamento amoroso.

Os beijos vão diminuindo com os anos de relacionamento

É esperado que com a passagem dos anos de relacionamento, as manifestações românticas diminuam. Certa vez eu e meus alunos filmamos casais em locais publico. Após cada filmagem, pedimos autorização dos filmados para usar as gravações em nossas pesquisas e  entrevistamos as duplas que deram suas permissões. Ao analisarmos estes vídeos, constatamos que era muito fácil perceber as duplas que ainda não haviam “ficado” e as duplas que haviam iniciado recentemente seus relacionamentos amorosos. No entanto, era muito difícil distinguir aquelas duplas que eram constituídas apenas por amigos daquelas que eram constituídas por casais que já estavam juntos há muito tempo: estes dois tipos de dupla quase não mostravam romantismo em suas ações (não se tocavam, não se beijavam e não mostravam aquela animação e atenção que são típicas do inicio de relacionamentos amorosos).

Em um relacionamento amoroso, parar de beijar é um sinal negativo importante que indica que o romantismo está acabando ou já acabou. Isto acontece não só pela ausência do beijo, mas também porque porque essa ausência geralmente é acompanhada pela diminuição de outros ingredientes do romantismo. Quando essas coisas acontecem, o relacionamento fica restrito, quando muito, à cumplicidade, à sexualidade e ao compromisso. Embora esta restrição aconteça na maioria dos relacionamentos que duram muitos anos, não há como negar que ela é um empobrecimento lastimável da vida amorosa.

Apaixonados para sempre

Não é necessário que o romantismo seja zerado em relacionamentos de longa duração. Muito pelo contrário: Helen Fisher, bióloga e autora de vários livros sobre o relacionamento amoroso, constatou que em uma percentagem casamentos que já existiam a mais de vinte anos, as reações dos cônjuges diante da apresentação da foto dos respectivos parceiros ainda eram bastante similares àquelas mostradas por casais apaixonados que estavam iniciando seus relacionamentos. Essas similaridades foram constadas inclusive através de ultrassonografias do cérebro que mostravam as mesmas áreas ativadas nos casais iniciantes apaixonados e nos casais felizardos que estavam juntos há mais que vinte anos.

Origens do beijo

Porque a boca atrai tanto: a teoria eco-genital. Essa teoria afirma que na época que os nossos antepassados andavam sobre quatro patas havia vários sinais sexuais que estavam localizados na região das suas nádegas, nos genitais e nas vizinhanças dessas regiões e que podiam ser vistos por um observador que estivesse postado por trás daquele que os apresentava.  Quando passamos à bipedalidade, foi criada uma cópia desses sinais em regiões frontais de nosso corpo (dai o nome “eco-genital”). Por exemplo, as macacas da espécie Gelada baboon possuem estruturas na altura das mamas que reproduzem exatamente as aparências de seus traseiros na época do cio. De forma análoga, a fenda entre os seios de uma mulher que aparecem acima do top do biquíni também são uma cópia quase exata  da fenda que existe entre as suas nádegas, quando aparece acima da parte de baixo do biquini. Em certos casos é impossível distinguir as as fotos dessas duas regiões. Fiz uma enquete com esse fotos desse tipo e as pessoas não conseguiram distinguir essas duas fendas acima daquilo que seria esperado pelo acaso!

Os lábios bucais, segundo essa teoria, também copiam as aparências dos grandes lábios vaginais. Aliás, o tecido dessas duas regiões é da mesma natureza. Quando os grandes lábios ficam intumescidos, o mesmo acontece com os lábios bucais. Muitas propagandas usam essa semelhança para produzir um efeito de sensualidade através de imagens da boca, como aquelas que mostram objetos cilíndricos, como um cigarro ou um dedo, entre lábios entreabertos carnudos e vermelhos. Quando as mulheres usam batom brilhante, a aparência dos lábios bucais se assemelha mais ainda à dos grandes lábios vaginais intumescidos e lubrificados.

Origem do beijo na boca. A teoria evolucionista também oferece uma explicação para a origem do beijo na boca. Segundo essa teoria, esse beijo surgiu da alimentação boca a boca. Esse tipo de alimentação pode ser observado em várias espécies (aves, mamíferos e insetos), inclusive na humana. Ainda hoje, as mães de certas tribos mastigam alimentos e os colocam na boca de seus bebes. Através dessa prática, a mãe “empresta” os seus dentes e os digestivos  que existem na sua saliva para os filhos, que ainda não os possuem. Os adultos também costuma assumir vários comportamentos infantilizados durante o namoro, inclusive oferecer alimento boca a boca como acontece, por exemplo, quando um namorado transfere um gole de vinho ou uma bala para a boca da namorada.

Significados sociais. Boa parte dos significados do beijo na boca e outros tipos de beijo são sociais. Em algumas culturas, o beijo na boca é considerado nojento e os casais não se beijam. Em outras, ele acontece entre homens durante o cumprimento (correu mundo a foto do beijo na boca entre Anwar Sadat, presidente do Egito e Leonid Brejnev, presidente da Rússia). Em alguns países (EUA) existe  a venda do beijo nas quermesses escolares de adolescentes, o beijo na boca da noiva do amigo, o beijo na boca de crianças. Claro que esses beijos são ritualizados e esvaziados da maioria das suas conotações românticas e eróticas: boca fechada, tempo de duração circunstancias etc.

A importância do beijo

Vamos ver aqui alguns fatos que atestam a importância que do beijo e os significados da sua ausência em certos tipos de relacionamentos.

Sexo sem beijo. Muitos casais não se beijam durante o sexo. Essa ausência do beijo indica  que a motivação sexual é apenas de natureza erótica e não romântica. As mulheres, principalmente, não gostam muito desse tipo de sexo.

Muitas garotas de programa se recusam beijar os clientes na boca. Este tipo de beijo é reservado para o companheiro fixo e é uma maneira de mostrar fidelidade a ele e dos cônjuges sentirem que têm algo exclusivo entre eles. Também já ouvi relatos de que muitos praticantes de swing tratam com o parceiro que podem fazer de tudo com os parceiros sexuais anônimos, menos beijar na boca. Essa seria uma forma de manter a exclusividade e, principalmente, de evitar a ligação afetiva com os parceiros eventuais.

Happy end: beijos nos filmes e novelas. Os filmes românticos de antigamente sempre terminavam com um beijo entre o mocinho e a mocinha. Esta cena era o ápice da história, o coroamento de muitos obstáculos vencidos, a derrota do rival mau caráter, a recompensa merecida dos esforços do rapaz pobre ou da mocinha humilde que acabavam por derrotar o vilão inescrupuloso e de conquistar o parceiro maravilhoso e, muitas vezes, de um nível socioeconômico mais alto.

Exclusividade do beijo romântico. Na nossa sociedade, o beijo na boca, romântico ou sensual, só pode acontecer entre duas pessoas que têm relacionamento amoroso entre si. Tentar beijar alguém assim é mostrar interesse nesse tipo de relacionamento. Aceitar esse tipo de beijo é aceitar tal tipo de relacionamento. Beijar em publico é aceitar o comprometimento com o parceiro perante a comunidade, tal como usar um anel de compromisso.

“Ficar” = beijar

A “ficada” nada mais é do que o beijo sem compromisso. A ação definidora da ficada é o beijo na boca: beijou é computado como ficada. Não beijou, não ficou.  A mão nos seios e nos genitais e a transa são eventuais ou até mesmo raras nas ficadas.

Paqueródromos e Beijódromos: locais destinados para a prática do beijo entre desconhecidos. A importância e o prazer de beijar são tão grandes em nosso país que os jovens criaram locais e eventos onde o beijo entre desconhecidos pode acontecer quase que instantaneamente, após um breve flerte e sem nenhuma ou quase nenhuma conversa. Em certas ocasiões, nem essas condições preliminares são necessárias. Nas micaretas, por exemplo, ele pode ocorrer instantaneamente, sem o flerte ou o consentimento prévios. Esse tipo de beijo não pode acontecer em outros locais e eventos. Por exemplo, tente beijar um desconhecido no supermercado ou nas ruas da cidade!

Beijo reconciliador

Marina e Guilherme são um casal de namorados. Eles estão brigando e essa briga pode estragar a viagem que estão fazendo. A certa altura da briga, Guilherme se levanta e beija Marina na boca. Marina não entende nada. Depois de alguns instantes de surpresa, ela ri incrédula e o beija de volta!

Claro que o beijo não resolve a causa da discussão, mas a limpa de outras motivações agressivas. Agora, depois que as armas foram abaixadas, fica mais fácil um entendimento sobre o problema que estava provocando a discussão.

Conheço muita gente que é capaz de enfrentar bandidos, pular de paraquedas ou falar para multidões, mas que não tem coragem de dar um beijo na pessoa amada quando ela está exaltada e ofensiva.

Beijos e pipocas: é só começar que não dá vontade de parar.

É uma pena que com tempo de relacionamento haja uma diminuição dramática das manifestações românticas. Creio que dá para manter uma boa dose de romantismo nos relacionamentos de longa duração. O estudo de Helen Fisher, citado acima, mostra que isso acontece com alguns casais. Estou certo de que uma educação psicológica adequada ajudaria a ampliar a duração do romantismo para a maioria dos casais.

Muitas pessoas até que gostariam de reincorporar o beijo nos seus relacionamentos, mas se sentem constrangidas em tomar essa iniciativa. Muitas dessas pessoas ainda sentem atração e amor pelo parceiro. Creio que, neste caso, um pequeno esforço pode ajudar a reinstalar o clima romântico e os beijos. Depois de um tempo de beijos produzidos por esforços, existe uma boa chance do clima amoroso ser reinstalado e o beijo voltar a ser prazeroso e expontâneo.

Seu relacionamento perdeu o romantismo? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 11h58

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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