Blog do Ailton Amélio

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30/11/2011

O casamento faliu?

" A taxa de divórcio aumentou". Acabei de ler esta notícia nos setores “Notícias” e "Comportamento" do UOL. O aumento é grande! Cerca de 50% de acréscimo em relação a 2000. Passou de 1,2 divórcios entre cada 1000 pessoas acima dos 20 anos, em 2000, para 1,8 divórcios nesta mesma faixa etária, na pesquisa divulgada agora.

Não vamos ficar alarmados. O casamento não está naufragando. Esse aumento foi acompanhado por uma diminuição na percentagem de separações.

Ainda não vi as estatísticas originais do IBGE e, por isso, não posso afirmar se esse aumento é totalmente ou apenas parcialmente compensado por essa diminuição. De qualquer forma, no mínimo uma parte deste aumento se deve à maior facilidade para divorciar devido à duas modificações legais recentes: (1) para aqueles casais que não têm filhos ou os filhos são maiores de idade e o divórcio é consensual, o processo pode ser feito diretamente no cartório, com a ajuda de um advogado e sem a presença de um juiz. (2) Não é mais necessário esperar dois anos de separação antes de obter o divórcio. Isso simplificou, barateou e tornou menos constrangedor o trâmite desse tipo de separação. Esse argumento é apoiado pelo aumento na taxa de divórcio daqueles que não têm filhos e daqueles que têm filhos maiores de idade.

Essa facilitação do divorcio aumentou o grau de banalização do casamento legal. A lei deixou de ser um sério empecilho para casar (as percentagens de casamento também aumentaram) e descasar. Isso tem um lado bom e um lado mau. O lado bom é que agora os casais não são legalmente obrigados a ficar juntos quando o casamento não está dando certo.

O lado mau é que essa idéia de que o casamento é descartável faz com que as pessoas logo pensem em se separar assim que surgem as primeiras dificuldades, se casem mais prevenidas e não invistam tanto na relação. Esse maior grau de prevenção é mostrado, por exemplo, pela adoção do regime de comunhão parcial de bens. Antigamente a regra era a comunhão total. Muitos casais já estão indo além e adotando os “pactos antenupciais” onde consta a separação total de bens. O pior de tudo é que as pessoas também já não se entregam muito ao casamento: bons tempos aqueles onde o casamento era encarado como um  compromisso para vigorar na “alegria e na tristeza”, na saúde e na doença”...

Não acreditar leva a investir menos. Investir menos aumenta a chance de fracassar... É a famosa “profecia autorrealizadora” (profetizar produz mudanças de ação que aumentam as chances da profecia se realizar).

Como outras barreiras externas que antes também ajudavam a preservar o casamento (opinião pública contra a separacao, maior dependência econômica entre os cônjuges, convívio com a família extensa etc.) agora também foram enfraquecidas, mais que nunca, o sucesso do casamento depende da satisfação dos cônjuges. Uma das melhores maneiras de obter esta satisfação é através da regra 5 x 1: levar para o parceiro cinco coisas boas para cada ruim (no meu blog tem um artigo a este respeito).

 

Creio que o "casamento" (união duradoura) é inerente à espécie humana. Os antropólogos jamais encontraram uma cultura onde não existisse alguma espécie de casamento. As tentativas artificiais de criar comunidades sem casamento fracassaram (a mais famosa é a de Oneida, nos EUA). Ausências de casamentos seriam esperadas, nestes dois casos, se o casamento fosse apenas uma instituição social e arbitrária, o que não aconteceu. Além disso, algumas outras espécies de animais também formam uniões duradouras (a arara azul, aqui do Brasil, é um exemplo). Neste caso, é impensável a influência da cultura como determinante de uniões estáveis entre essas aves. A genética, portanto, é a hipótese mais provável!

O modelo de casamento certamente está passando por transformações. O homem já não é mais o “cabeça do casal”, o “provedor” e a mulher, “a rainha do lar”. Creio que estamos caminhando para o casamento personalizado, onde cada casal vai formatar o modelo que lhe seja mais adequado. O modelo único é como o sapato número 37: embora este seja o tamanho médio do pé da população, fica grande em muitos, pequeno em outros e só serve para uma minoria! Que cada casal escolha o "número de casamento" que lhe sirva melhor.

Seu casamento vai mal? Procure a ajuda de um psicólogo

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Por Ailton Amélio às 14h20

28/11/2011

O amor é para todos!

Considere a seguinte pesquisa que indica como é relativamente fácil encontrar pessoas que aceitam um convite direto para um encontro amoroso. Essa pesquisa foi realizada pelos professores Russell D. Clark III e Elaine Hatfield, no campus da Universidade Estadual da Flórida, em 1978. Nesta pesquisa, nove estudantes universitários (5 mulheres e 4 homens) apresentaram convites para colegas desconhecidos que encontravam no campus desta universidade. Estes nove estudantes tinham aproximadamente 22 anos de idade, estavam vestidos informalmente e com elegância e tinham um nível médio de beleza.

Estes estudantes foram instruídos para só abordar colegas que achassem atraentes, com os quais estariam inclinados a desenvolver um relacionamento amoroso, caso isso fosse possível. As mulheres abordaram homens e os homens, mulheres. Estes nove estudantes abordaram 96 colegas do sexo oposto (48 mulheres e 48 homens).

Ao abordar os colegas, os estudantes faziam uma breve introdução ("Já notei você anteriormente aqui no campus. Acho você muito atraente”) e apresentavam um tipo de convite para o colega abordado. Havia três tipos de convites:

1- Convite para um encontro.

2- Convite para ir ao apartamento do convidador.

3- Convite para dormirem juntos.

O tipo de convite que era apresentado em cada abordagem era sorteado de antemão. O evento especificado no convite era para acontecer na mesma noite do dia em que era apresentado.

Esta pesquisa foi refeita, nesta mesma Universidade, em 1982, de acordo com este mesmo procedimento experimental. Os resultados destas duas pesquisas foram muito semelhantes e, por isso, foram unificados para fins de apresentação neste artigo.

Os resultados dessa pesquisa mostram, de forma muito clara, o alto grau de sucesso que as mulheres tiveram quando formularam os três tipos de convites: a menor percentagem média de aceitação dos convites apresentados por elas foi de 50% (convite para um encontro). A maior percentagem média de aceitação dos convites apresentados por elas foi de 72% (convite para dormir juntos).

Os homens, por outro lado, só foram bem-sucedidos quando convidaram as mulheres para um encontro (53% de aceitação). Para os outros tipos de convite, as percentagens de aceitação dos seus convites foram muito pequenas (3% para ir ao apartamento) ou nulas (0% para dormir juntos).

Os níveis de sucesso de homens e mulheres só foram semelhantes quando o convite era para um encontro: 53% dos homens e 50% das mulheres convidados aceitaram este convite.

Interessa destacar neste artigo, as percentagens surpreendentemente altas de aceitação dos convites diretos para um encontro apresentados para pessoas desconhecidas (cerca de 50% de aceitação). Esta grande percentagem indica que este tipo de convite  é muito eficaz para iniciar relacionamentos amorosos. Caso estas percentagens representem os níveis de receptividade amorosa em outras situações da vida real, seria muito fácil arranjar parceiros para encontros. Bastaria convidar desconhecidos. De cada dois convites haveria, em média, uma aceitação. Este grau de sucesso é ainda mais surpreendente se lembrarmos de que as pessoas que aceitaram os convites eram tão ou mais atraentes do que aquelas que os convidaram.

Uma das razões pelas quais estes convites diretos tiveram este alto grau de sucesso é que foram formulados no campus de uma universidade. Locais deste tipo têm particularidades que facilitam a aceitação deste tipo de convite (menor medo de assalto, clima psicológico mais liberal, etc.)

Infelizmente ainda não existem pesquisas que avaliem o sucesso destes três tipos de convite quando os convidados e convidadores são pessoas conhecidas entre si.

Mais recentemente realizei algumas enquetes que confirmam esta facilidade para marcar encontros: não exigimos nenhum pretendente com qualidades excepcionais. Quando estamos disponíveis exigimos apenas alguém com características semelhantes ou um pouquinho melhores do que as nossas.

Vamos ver agora, outros argumentos que confirmam esta impressão de facilidade para o envolvimento em um relacionamento amoroso.


Boas notícias

Sabe aquelas listas de atributos positivos que são desejados em um parceiro amoroso? Realmente elas incluem qualidades positivas e desejáveis. No entanto, possuir todas elas não é condição necessária nem suficiente para fazer nascer o amor. Pelo contrário, é muito raro encontrar pessoas que tenham tantas qualidades e tão poucos defeitos, mas o amor recíproco é bastante comum.

Quase todos mundo se preocupa porque não tem o corpo tão bom quanto dos modelos que aparecem na televisão, não se veste como os artistas que estão todos os dias nas novelas e nos filmes, não é tão carismáticoe tão poderoso como gostaria!

Se essas qualidades fossem necessárias para despertar o amor das pessoas que nos interessam, só os mais aquinhoados seriam correspondidos e a outra grande maioria das pessoas do nosso planeta viveríamos sós, seríamos frustrados ou estaríamos envolvidos em relacionamentos sem amor, “de consolo”, só para não ficarmos sós. Claro que não é isso que acontece. Em uma enquete internacional noventa por cento das pessoas aqui do Brasil declararam que não se casariam sem amor, mesmo que o pretendente tivesse todas as qualidades desejadas.

Mais da metade das pessoas que participaram de outra enquete realizada no nosso país também declaram que estavam amando. Como há indícios que o amor só nasce e perdura quando existem esperanças de que ele é, ou pelo menos, pode vir a ser recíproco, essa enquete indica que ser correspondido é a regra e näo a exceção.

Raras pessoas se apaixonam porque foram correspondidas por alguém que possui qualidades excepcionais. Isso geralmente só acontece com aquelas que também possuem qualidades excepcionais. Uma evidência neste sentido: perguntei para pessoas dezenas de pessoas casadas se elas tinham se apaixonado e casado com as pessoas mais admiradas, com as quais conviviam na época que começaram o namoro com o cônjuge. A grande maioria respondeu que não. Claro que não! Essas pessoas são raras e tendem a se ligarem com outras pessoas excepcionais, como elas próprias.


Universalidade das parcerias amorosas

Fatos que atestam que amar e ser correspondido está ao alcance de quase todo mundo:

- Existem estimativas que mais de 90% das pessoas do nosso planeta se casam pelo menos uma vez na vida. Muitos daquelas que não se casam têm sérios impedimentos psicológicos (“doenças mentais”) ou físicos.

- Mais da metade das pessoas de diversos países se declaram apaixonadas no momento que é realizada a enquete.

- Existem mecanismos que atenuam os defeitos e exacerbam as qualidades daquelas pessoas com quem convivemos (filhos, amigos, amantes). Por exemplo, as pessoas divergem mais quando julgam a beleza de conhecidos do que a de desconhecidos. Nunca achamos tão feias as pessoas que gostamos. Os nossos filhos e parentes e amigos são sempre, no mínimo, “engraçadinhos” ou “graciosos”. Esses mecanismos ajudam a perceber mais qualidades e menos defeitos naquelas pessoas que gostamos.

- Os ingredientes do apaixonamento estão, em boa parte, em quem se apaixona e não em quem é objeto da paixão. Por exemplo, muitas pessoas se apaixonam à primeira vista, quando ainda só possuem pouquíssimas informações sobre o objeto da paixão. Isto acontece muito na internet e nas baladas.

- As pessoas já possuem muitos atrativos para outras pessoas. A natureza perenizou nos seres humanos diversos atributos físicos e comportamentais que servem para atrair os semelhantes. Por exemplo, as mulheres e homens possuem formatos de corpo que são atraentes durante boa parte de suas vidas. Em algumas espécies, os parceiros só ficam atraentes na época do cortejamento e depois, desaparecem os atributos que causavam esses efeitos (colorações, odores, comportamentos, etc.).

- Tendemos a nos apegar às pessoas com quem convivemos. Por exemplo, geralmente ficamos amigos dos colegas de escola.


O amor pode ser despertado através do convívio

O amor geralmente é despertado através do convívio e não através do exame objetivo de listas de qualidades e defeitos. O convívio apropriado libera forças que podem levar à amizade ou ao apaixonamento (infelizmente certos tipos de convívio também podem despertar sentimentos negativos ou neutros)

No caso amoroso, a pouca importância desses intens das listas de qualidades e defeitos pode ser demonstrada da forma mais dramática: podemos gostar de muitas qualidades de uma pessoa, mas, ainda assim, não conseguirmos apaixonar por ela e, de forma complementar, não gostar de muitos defeitos de uma pessoa e nos apaixonarmos por ela. Geralmente nos apaixonarmos por pessoas que não são nada excepcionais (quando nos apaixonamos achamos, sim, que elas são excepcionais).

A boa noticia é que quase todo mundo se apaixona,  é correspondido e acaba se casando com alguém da sua escolha. Portanto, não é necessário ter qualidades excepcionais para amar e ser amado: o amor é para todos!

Você está com problemas no amor? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h35

21/11/2011

Quando o sex-appeal é uma desvantagem

Vou apresentar aqui um fenômeno bastante conhecido das mulheres, mas que poucos homens fazem ideia: a sensação de ser sexualmente desejada por muita gente do sexo oposto e que, se quisesse, poderia transar com varias delas quase instantaneamente! Bastaria, por exemplo, se encostar demoradamente em alguém no transporte coletivo, fazer um convite direto ou mostrar certas partes do corpo  para que se formassem filas de pretendentes sexuais (lembra-se do filme “Instinto Selvagem”, onde Sharon Stone, na delegacia, deixa entrever que está sem calcinhas?). Se nós homens fizermos qualquer uma dessas coisas, logo também teremos filas... de policiais querendo nos agredir e prender!

O sex-appeal excessivo pode ser prejudicial em várias áreas. Por exemplo, existem evidências que mulheres muito atraentes geralmente não são contratadas para altos cargos de chefia ou têm mais dificuldade para convencerem que são artistas talentosas. A beleza aqui pode ofuscar a eficiência. Neste artigo vamos examinar apenas os efeitos do sex-appeal no relacionamento amoroso.

A história de Helena, apresentada em seguida, ilustra algumas desvantagens do sex-appeal excessivo, que pode funcionar como uma espécie de maldição!


Quando o excesso de sex-appeal contribui para o fracasso amoroso

Helena era linda e sabia se produzir muito bem. Tinha trinta e poucos anos, era inteligente, culta e bem sucedida profissionalmente. Além de todos esses atributos positivos, ela também tinha um alto grau de sex-appeal: a sua forma naturalmente provocante de se comportar e a sua voz marcadamente feminina e sensual faziam que os homens a desejassem sexualmente assim que a viam e ouviam!

Assim que chegou ao meu consultório, ela declarou: “Não tenho problemas para atrair pretendentes, mas sim para manter o relacionamento e fazê-lo progredir. Os homens não querem nada sério. Só querem sexo!”. Helena era muito assediada, mas quase nunca o flerte ou a “ficada” progredia para um namoro.  Apesar de todos esses atributos positivos, ela estava sem namorado há um bom tempo. Por isso, andava meio desesperada e desesperançosa quanto às suas chances de se casar e ter filhos.

Os relatos dos acontecimentos semanais nesta área, que ela apresentava nos inícios das sessões de terapia, começaram a indicar que uma das principais causas da sua dificuldade, por incrível que possa parecer, era o seu alto grau de sex-appeal.

Ela estava acostuma a atrair homens altamente qualificados, inclusive homens que tinham muito mais cacife do que ela em várias áreas socialmente valorizadas. Devido à atenção que sempre recebeu desses pretendentes de alto nível, ela acabou ficando muito exigente quanto às qualificações mínimas que exigia dos possíveis parceiros amorosos.

No entanto, os homens com este grau de qualificação altíssimo não estavam dispostos a um relacionamento mais amplo e comprometido com ela. O interesse deles era despertado principalmente pela sua grande sensualidade. Claro que jamais eles davam a entender isso. Através das suas experiências anteriores, eles haviam aprendido que não obteriam sexo de uma mulher como ela se revelassem suas verdadeiras intenções. Tinham que fazer algum rodeio e mostrar que gostavam dela.  Mas, era só sexo o que queriam dela. Para um relacionamento mais compromissado, eles exigiam uma mulher com outras qualificações semelhantes às deles próprios.

Após muitas tentativas frustradas, ela começou a ficar desconfiada dos homens. Achava que eles só queriam sexo e que ninguém do tipo que a interessava queria um relacionamento. Assim que conhecia um novo pretendente, ligava as antenas para ver se ele só queria sexo ou se tinha “intenções sérias”. Ela não relaxava, não deixava o relacionamento seguir o seu curso, colocava o parceiro sob suspeita e exigia, prematuramente, declarações de seriedade ou ações que evidenciassem isso.

O sex-appeal é um dom ou um recurso eficientíssimo para atrair o interesse do sexo oposto. No entanto, aquelas mulheres que o possuem em alto grau, embora realmente atraiam muitos interessados, ao mesmo tempo, têm dificuldade para distinguir aqueles que só querem sexo daqueles que têm disponibilidade para um relacionamento mais amplo e comprometido. Muitas vezes esta distinção só é possível a posteriori, quando já aconteceu o encontro sexual e o homem continuou a manter o interesse ou sumiu!

Como geralmente as mulheres não querem só sexo, e muito menos sexo instantâneo, elas vivem se defendendo e se policiando para não incentivar investidas puramente sexuais por parte dos homens. (Claro que para a maioria delas essas reações já se tornaram inconscientes). Dá para imaginar tudo isso?

Para os homens, possuir este poder para obter sexo imediato seria um sonho: muitos transariam com quase mulheres que alcançassem um escore mínimo de atração (olhe que para os homens, ele é realmente mínimo!). Muitos daqueles homens que realmente alcançaram esse poder (muita fama, poder ou dinheiro) realmente transaram com muitas delas.


Não é bom ser “usado”

Como bem sabem as mulheres, a sensação de que muitos daqueles que se aproximam realmente não gostam de você, mas só querem usar algo que você tem, não é nada boa!

Talvez a experiência mais parecida com essa que nós homens experimentamos, é aquela onde uma pessoa se aproxima toda simpática e cheia de atenções e nos induz a fazer algo por ela. Assim que ela obtém o que queria, rapidamente termina o encontro e, depois, nem se dá ao trabalho de ligar para agradecer ou pedir noticias. Pois é, as mulheres sentem algo semelhante quando o interesse do parceiro era só sexo e, depois que ele consegue o que quer, toda aquela simpatia e dengos cessam de repente e, nos dias seguintes, nem liga para saber como ela está se sentindo!

Aqueles que têm muito poder, fama ou dinheiro estão em uma situação parecida com as mulheres que têm muito sex-appeal: sempre ficam em dúvida se aquelas pessoas que se aproximam realmente gostam deles ou apenas estão interessados naquilo que eles possuem ou podem fazer por elas. O ditado “Só conhecemos os amigos quando precisamos deles” capta bem este fenômeno. A mídia está sempre divulgando histórias de pessoas famosas que no auge da fama ou do poder eram cercadas por bajuladores e interesseiros e, assim que perderam o que tinham, aconteceu a revoada!

Os homens sentem e fazem melhor uso do poder do próprio sex-appeal quando são gays. Vamos examinar um pouco melhor esta afirmação no próximo tópico.


Gays e Sads

Certa vez, um aluno gay que frequentava o meu curso de pós-graduação propôs que era melhor usar os termos “gay” (alegre) e “sad” (triste) e não gay e hétero, para nos referimos aos homossexuais e heterossexuais masculinos, respectivamente. Ele justificou: os gays masculinos são alegres. Sempre que querem sexo, ele é fácilmente obtido, pois o parceiro também é homem e, por isso, o sexo acontece fácil e rápido. Entre os casais héteros ou entre as lésbicas geralmente é necessária muita negociação para chegar ao sexo. Por isso, os homens héteros são tristes: todos os dias saem com a esperança que vão conseguir transar com determinadas mulheres e, quase sempre, se frustram. No outro dia, lá está a esperança de novo... Isso é triste. (Esta visão é respaldada por pesquisas. Uma delas, por exemplo, realizada em São Francisco antes da Aids, verificou que os gays masculinos haviam tido, em média, cerca de 500 parceiros na vida. As lésbicas do mesmo local, cerca de 10 parceiras, em media)


O sex appeal pode até jogar contra

Os atributos de uma mulher que a qualificariam como uma boa parceira para um relacionamento amoroso podem ser ofuscados pelo seu sex-appeal. O sex-appeal atrai os holofotes e deixa na penumbra tais atributos. Por exemplo, o romantismo, o bom humor, a inteligência e a cultura de uma mulher podem ser ofuscados pela sua extrema sensualidade. Creio que todos nós já ouvimos a reclamação de alguns artistas que não querem ser identificados como símbolos sexuais porque isso faz com que não lhes sejam oferecidos papéis mais densos e interessantes em filmes e peças teatrais. 

Problemas com o sex-appeal? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 10h31

14/11/2011

O que causa mais ciúmes: traição sexual ou emocional?

Recentemente revi um filme que fez muito sucesso em 2004/2005: “Perto Demais” (“Closer”)1. O enredo desse filme trata da mulher de um médico dermatologista que desenvolve um caso com um escritor principiante. Este caso começou quando ela estava separada do marido anterior e ainda não havia se envolvido com o médico. Ela é uma fotógrafa bem sucedida e vai fotografar o escritor para ilustrar a capa do seu livro, que está para ser lançado, e acaba se envolvendo com ele. Durante o período mostrado no filme, eles continuam o caso, embora agora ela já esteja casada com o médico e o escritor, com uma moça que já foi stripper.

O mais interessante dessa história,  para este artigo, é a estratégia ardilosa do médico para reaver a esposa e se vingar do escritor: ele pressiona a ex-esposa para dormir com ele pela última vez. Ele argumenta que ela deve-lhe isso pelo tempo que o enganou, para que ele deixe de procurá-la e, principalmente, para que ele lhe conceda o divorcio. Ela cede. Ele também procura a ex do escritor, que a esta altura havia voltado à profissão de stripper, e consegue dormir com ela. Assim tira a possibilidade do escritor se consolar com a sua ex quando quando ele perder a mulher do médico!

O médico calcula, acertadamente, que essas duas mulheres não deixarão de revelar para o escritor, no devido tempo, que dormiram com ele e que o escritor vai querer saber os detalhes sexuais desses episódios. Elas, como não sabem da importância da traição sexual para os homens e porque são sinceras, contarão tudo, o tornará inviáveis os seus relacionamentos com o escritor (Não vou contar aqui outros detalhes para não tirar o seu prazer de assistir esse filme).

O ponto desse filme que quero ressaltar aqui é a importância da traição sexual para os homens. O médico sabe induzir direitinho esse tipo de traição  nas duas mulheres que parecem não se darem conta do quanto isso afetará o escritor e acabam por confessar-lhe o ocorrido e, o que é pior, relatam todos detalhes sexuais dos encontros.

Este filme ressalta indiretamente uma pergunta cuja resposta tem sido bastante pesquisada, mas que ainda está sujeita a polêmicas: “Os homens geralmente têm mais ciúmes da traição sexual e as mulheres, da afetiva?”.

Existem diversos estudos sobre este fenômeno. Em um deles, David Buss e colaboradores2 procuraram avaliar as reações de homens e mulheres diante de uma traição sexual e de uma traição afetiva. Pediu aos participantes da pesquisa que imaginassem duas situações: na primeira o parceiro estava praticando sexo com uma rival e na segunda, ele estava se envolvendo afetivamente com ela. Para avaliar as reações a estas duas situações, os pesquisadores entrevistaram os participantes após imaginarem cada um destes tipos de traição e monitorarem varias de suas reações fisiológicas (usaram eletrocardiogramas, eletroencefalogramas, medidores de pressão etc.) enquanto imaginavam seus parceiros cometendo cada um dos dois tipos de traições.

Os participantes apresentaram fortes reações aos dois tipos de traição. No entanto, os homens tendiam a reagir mais fortemente à traição sexual e as mulheres, à afetiva.

No meu consultório tenho observado um padrão claro de reações de homens e mulheres traídos: quando são os homens que traem, as suas mulheres tentam determinar, arduamente, quanto de envolvimento houve, quão ameaçadora é a rival (bonita) e se o parceiro pretende deixá-las pela amante. Os homens que traem e não pretendem deixar o relacionamento tentam passar a versão que foi só sexo, o que na maior parte das vezes é verdade. Quando são as mulheres que traem, seus parceiros ficam obcecados pela traição sexual e dão bem menos importância para o envolvimento afetivo. Eles ficam obcecados pelos detalhes sexuais da traição e elas, muitas vezes, ingenuamente os relatam, principalmente por não calcular o impacto que isso terá nos parceiros. 

A traição feminina é considerada mais perigosa do que a masculina para a sobrevivência do relacionamento porque ela geralmente envolve as duas coisas: afeto e sexo, ao passo que a masculina muitas vezes envolve apenas a atração sexual. Essa diferença ocorre porque as mulheres geralmente só traem com alguém por quem sentem alguma coisa e que tem características para serem seus parceiros para outros tipos de relacionamentos.

A teoria que melhor explica o maior grau de preocupação masculina com a traição sexual de a feminina, com a traição afetiva é a teoria psicobiológica que vamos examinar agora.

Homens são obcecados pela traição sexual e as mulheres, pela afetiva

Segundo a teoria psicobiológica, o que explica esta obsessão masculina pela traição sexual da parceira é a incerteza da paternidade: o homem nunca está seguro que é o pai. Caso o homem não se preocupasse com a fidelidade sexual da esposa, ele correria sérios riscos de investir todos os seus esforços em filhos de outros homens e não nos seus próprios filhos. Aqueles homens que agissem assim provavelmente não passariam os seus próprios genes para as gerações seguintes. Mesmo que estas preocupações estejam presentes, ainda assim existem estimativas, calculadas através de testes genéticos de paternidade, que cerca de 10% das crianças não são filhas dos pais presumidos. Os autores da teoria psicobiológica afirmam que esta preocupação com a paternidade está instalada nos genes, pois aqueles homens que não a possuíam não deixram descendentes.

As mulheres, por outro lado, quase nunca têm dúvidas de que são as mães de seus bebês (a troca de bebês em hospitais não existia naquela época!). Suas preocupações säo de outro tipo: elas se preocupam com a possibilidade dos seus maridos se envolverem com outras mulheres, o que aumentaria as chances deles as abandonarem para ficar com o novo amor e, desta forma, cessarem ou diminuirem suas contribuições para a criação dos filhos que tiveram juntos (no Brasil, quase noventa por cento dos filhos ficam sob a guarda das mulheres quando há separação).

Além dessas possíveis motivações biológicas, a sociedade também amplifica os significados da traição sexual por parte das mulheres e das traições afetivas por parte dos homens. As condenações cruéis e cruentas que as mulheres são submetidas em várias sociedades quando säo pegas traindo são um exemplo desse tipo de amplificação.

Portanto, o médico do filme “Perto Demais”, soube como tornar intolerável para o escritor o seu relacionamento com as duas mulheres: acionou nele o pior dos ciúmes para um homem – a traição sexual.  O fato das mulheres revelarem todos os detalhes do sexo que praticaram com o médico tornou tais traições ainda mais insuportáveis para o escritor.

Notas:

1.  1.  Filme: “Perto Demais”. Título original: (Closer). Lançamento: 2004 (EUA)

Direção: Mike Nichols. Atores: Julia Roberts, Natalie PortmanJude LawClive Owen, Jaclynn Tiffany Brown.

2. Buss, M. D. (2000). A Paixão Perigosa. São Paulo, Editora Objetiva (ver pesquisas sobre este tema no capítulo 3: “Ciúmes em Marte e Vênus”)

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Por Ailton Amélio às 11h29

07/11/2011

O poder do olhar

 

Something in the way she looks me, atract me like no other love (Beatles)

“Olho nos olhos, quero ver o que você faz...” (Chico Buarque)

Olhar e interesse amoroso

Os dois exemplos abaixo mostram como o apaixonado só tem olhos para a amada.

Exemplo 1 - “Traz mais uma, por favor”, pede o enamorado, apontando para a garrafa vazia de cerveja, com os olhos fixos na companheira, sem sequer olhar para o garçom.

Exemplo 2- André programou uma festa na sua casa. Maria era a sua convidada especial. André era muito tímido. Na festa, todos sabiam do seu interesse por Maria. Ele não queria dançar com ninguém e ninguém tirava Maria para dançar. No entanto, toda vez que Maria se aproximava, ele ficava praticamente mudo ou falava coisas irrelevantes. A única pista que denunciava claramente o seu interesse por Maria era o seu olhar: a qualquer instante que ela olhava na sua direção, lá estava ele olhando para ela. Onde quer que ela estivesse, a face dele sempre estava voltada na sua direção. Ele só tinha olhos para ela. (História real. Certos detalhes foram alterados para não permitir a identificação dos personagens).

A presença de uma pessoa por quem sentimos uma grande dose de atração amorosa é um dos fenômenos mais importantes que podem existir para um ser humano. Por este motivo, é natural que orientemos a parte dianteira dos nossos corpos e olhemos para quem nos atrai amorosamente e deixemos de olhar para quem não nos atrai. Assim sendo, olhar ou o não olhar para uma pessoa é uma pista muito importante sobre a existência de um interesse amoroso por ela.

Nesta artigo vamos examinar a importância do olhar na comunicação de diversos tipos de mensagens, principalmente das mensagens amorosas.


A importância dos olhos na comunicação

Os olhos são os principais receptores de informações sobre o que está ocorrendo ao nosso redor. O olhar é uma das maiores fontes de informação sobre os interesses, atitudes e emoções de quem olha.

O olhar é extremamente informativo sobre quem olha. Por exemplo, um contato de olhos que dura uma fração de segundo a mais do que o usual já pode ser percebido como sinal de interesse. As pessoas que olham menos tempo do que o usual podem ser vistas como mais esquivas, menos sinceras e menos calorosas do que aquelas cuja duração de olhares seja a usual.


De onde vêm os significados do olhar?

O olho é uma estrutura relativamente rígida. Embora o seu formato possa ser alterado pela musculatura para fazer as imagens incidirem na retina, essas alterações geralmente não são percebidas pelos interlocutores e, por isso, não têm qualquer papel na comunicação. As únicas alterações perceptíveis do olho são as dos diâmetros das pupilas (falaremos disso depois) e da direção do olhar.

Os significados do olhar são determinados pela sua direção, duração e  circunstâncias onde ele ocorreu ou foi desviado. Os significados do olhar dependem também de quem está olhando, de quem está sendo olhado e do objeto, acontecimento ou parte do corpo para a qual ele está sendo dirigido.

Como percebemos a direção do olhar do interlocutor

As partes do nosso olho  que säo visíveis para as outras pessoas säo a sua borda externa branca (esclerótica), uma área mais central escura ou colorida (íris) e uma área interna transparente (pupila). O branco da esclerótica contrasta, na sua borda externa, com as cores mais escuras dos cílios, da pele em volta do olho e das sobrancelhas. O branco da esclerótica também contrasta, na sua borda interna, com o escuro ou a cor da íris. A íris, por sua vez, contrasta na sua borda interna com o escuro da pupila (de fato a pupila é transparente, mas parece escura). Este último contraste é maior quando a pupila é colorida. Todos estes contrates permitem que um observador à distância saiba dizer qual é a direção do olhar de outras pessoas. No entanto, quanto maior a distância entre a pessoa cuja direção do olhar se quer determinar e o observador, mais este comete erros ao avaliar a direção do olhar daquela.

Os acontecimentos mais importantes atraem os olhares.

Em qualquer lugar onde estejamos, geralmente existem muitas coisas e acontecimentos para serem vistos. No entanto, não gastamos o mesmo tempo olhando para cada um deles. Alguns atraem mais a nossa atenção do que outros. De uma forma geral, tendemos olhar para aquilo que achamos mais importante.  Estas coisas e acontecimentos considerados importantes tanto podem ser negativos como positivos. Devido a esta tendência, a direção do olhar é uma das pistas mais relevantes sobre a existência de interesse amoroso de uma pessoa por outra.

O contexto do olhar

Por "contexto" deve-se entender aqui tudo aquilo que aconteceu antes, que está acontecendo no momento e que acontece em seguida ao olhar. Estes acontecimentos tanto podem ser eventos sociais (por exemplo, olhar demorado após a receber um toque na mão), como não sociais (por exemplo, um carro que passa).

Olhar durante uma conversa. É normal olhemos para o rosto do interlocutor  durante a conversa. Estas olhadas acontecem de acordo com um padrão predefinido que especifica quem olha quem, olha onde, quando olha e por quanto tempo olha. Os estudos sobre o olhar durante uma conversa de natureza não amorosa (amistosa, profissional, etc.) mostraram que o ouvinte geralmente olha mais tempo para o rosto do falante do que vice-versa. Dois destes estudos encontraram resultados similares: o ouvinte olha, aproximadamente, 70% do tempo para o rosto do falante e este olha aproximadamente 40% do tempo da sua fala. Os olhares mútuos ocorrem em cerca de 30% do tempo Este tempo que uma pessoa olha na face da outra não é contínuo, mas sim constituído por  pequenas fixações que geralmente duram menos que três segundos. Provavelmente é devido a estas pequenas durações seguidas de breves interrupções do olhar que fazem com que a pessoa olhada não se sinta encarada (Knapp e Hall, p 297).

Olhar que mostra interesse amoroso durante a conversa

Quando há interesse amoroso, a pessoa interessada aumenta a percentagem de tempo que fica olhando para o rosto de seu interlocutor, principalmente quando ela está no papel de falante. A interessada também aumenta a duração de cada olhada (olha por mais que três segundos cada vez), o que faz com o seu interlocutor sinta que ela o está encarando. Quando há interesse amoroso, as pessoas também podem captar o olhar da outra (olhar e deixar perceber que está olhando).

Três tipos de olhar durante o flerte à distância

O contato de olho à distância é a principal forma de mostrar interesse e negociar uma abordagem amorosa entre desconhecidos. Segundo um estudo realizador por Monica Moore nos EUA, durante o flerte à distância aparecem três tipos de olhares:

- Varredura: o olhar percorre todo o ambiente e só “acidentalmente” cruza com o do parceiro.

- Dardo: o olhar cruza por um breve período de tempo (menos que três segundos) com o olhar do parceiro.

- Fixação: o olhar cruza por mais tempo (mais que três segundos) com o olhar do parceiro. Neste caso, cada pessoa olha e permite que a outra perceba que ela está olhando. A repeticäo de olhares deste tipo convida e permite a abordagem por parte do quem está recebendo a fixação.

Mentiroso desvia os olhos?

Quem está mentindo pode apresentar sinais faciais de várias emoções negativas (desconforto, medo, etc.) e geralmente faz menos contato de olhos do que quem está falando a verdade. Esta regra, no entanto, tem exceções: certos mentirosos, aqueles cujas personalidades são classificadas como maquiavélicas, aumentam os contatos de olhos com os seus interlocutores durante a mentira (Knapp e Hall,  1999 ).

Quem desvia o olho primeiro é o dominado

Entre galinhas, a hierarquia pode ser prevista pela ordem de bicadas: aquela galinha que bica outras e não é bicada por elas é superior na hierarquia. Entre os humanos não existe uma ordem de bicadas, obviamente. No nosso caso, existem evidências de que a posição hierárquica está relacionada com a “ordem das olhadas”. Pessoas que desviam primeiro os olhos são “dominadas”. Aquelas que sustentaram o olhar são “dominantes”. As seguintes afirmações dizem respeito ao efeito hierárquico do olhar: “Vou encarar aquele cara”, “Não me encare enquanto falo. Olhe para frente”, disse um sargento para um soldado que estava em posição de sentido.

 Esta regra não pode ser seguida ao pé da letra uma vez que o olhar humano é controlado por outros fatores além da hierarquia. Por exemplo, “ele tentou flertar com ela olhando-a nos olhos. Ela desviou o olhar, recusando o seu flerte”. Neste caso o desvio de olhar indica apenas que o flerte não foi retribuído.

O olhar intensifica as mensagens emitidas por outros tipos de comunicação

Olhar mais tempo do que o costumeiro intensifica as mensagens que estão sendo enviadas por outros meios. Uma repreensão ou uma declaração de amor proferida por quem está olhando nos olhos do interlocutor geralmente são percebidas como mais intensas do que estas mesmas declarações proferidas sem este tipo de olhar.

A dilatação e contração da pupila como forma de comunicação

O dilatador natural de pupila mais eficiente é o escuro: após alguns minutos no escuro e as nossas pupilas alcançam o máximo de dilatação. O constritor natural de pupila mais eficiente é a luz. As nossas pupilas se contraem rapidamente quando uma luz forte atinge os nossos olhos como, por exemplo, a luz alta de um carro que está trafegando em sentido contrário. A nossa pupila também se dilata ou contrai por razões psicológicas.

Várias pesquisas vêm mostrando que a nossa pupila se dilata quando observamos ou pensamos algo que nos atrai e se contrai quando observamos ou pensamos algo que nos repele. Por exemplo, ver a foto de uma pessoa muito atraente faz com que a nossa pupila se dilate, ao passo que ver a foto de uma pessoa que não gostamos faz  que a nossa pupila se contraia. Este efeito dilatador ou constritor das pupilas por razões psicológicas levou vários pesquisadores a desenvolverem testes para identificar as nossas preferências por diversos tipos de estímulos como fotos de pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto do julgador; bebês em comparação com adultos; tipos de comida e de bebida.

Você pode observar como um estímulo auditivo provoca uma dilatação nítida na pupila de um gato: é só observar as suas pupilas em um lugar que tenha pouca iliminacäo e arranhar levemente uma superfície rígida, como em um móvel de madeira.  Assim que esta acäo produzir aquele som típico, a pupila do gato se dilata e, logo em seguida, se contrai novamente. Este procedimento pode ser repetido inúmeras vezes, sempre com o mesmo efeito.

Knapp, M. L. & Hall, A. J. (1999) Comunicação não-verbal na interação humana. (Traduzido do original em inglês por Mary Amazonas de Barros). São Paulo: JSN Editora. 

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Por Ailton Amélio às 10h09

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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