Blog do Ailton Amélio

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27/12/2011

Por que é difícil cumprir as promessas de fim de ano?

Uma promessa é uma espécie de compromisso para fazer alguma coisa específica, de acordo com um cronograma especifico. As promessas que têm consequências legais geralmente são denominadas “contrato”.

As promessas podem ser apresentadas por escrito ou verbalmente para outras pessoas. Elas também podem ser assumidas apenas consigo próprio e, neste caso, são apresentadas na forma de pensamentos ou em voz audível.

As promessas de fim de ano são similares a todos os outros tipos de promessas. O que elas têm de peculiar é que são apresentadas nesta ocasião.

 

Neste artigo vamos examinar o que nos leva a formular promessas e alguns dos principais fatores que aumentam as chances de que elas sejam cumpridas ou descumpridas.

 

“Força de vontade”


Vontade férrea para cumprir promessas

Carmem tinha uma vontade férrea! Nas festas de fim de ano ela sempre engordava um pouquinho. Mas, logo em seguida, dizia: “Em poucos dias voltarei à forma”. Dito e feito! Poucos dias depois, lá estava ela com aquele corpinho de sempre. Mas, a sua força de vontade também aparecia em outras áreas: estudou sozinha durante dois anos para um concurso público muito concorrido e passou. Para conseguir passar, ela, todos os dias, seis dias por semana, estudava três horas aquelas malditas apostilas que havia comprado pela internet. Durante todo esse tempo não quebrou esse hábito nenhuma vez. Quando tentavam convencê-la para abrir uma exceção, ela sempre dizia “Primeiro o dever e, depois, o prazer”. Vá ser determinada assim naquele lugar.

 

Pouca determinação para cumprir promessas

Davi não conseguia largar o cigarro e agora estava ficando obeso. Já havia tentado várias vezes largar o cigarro e perder peso. No começo ia bem. Logo em seguida, admitia uma exceção, depois mais algumas e ...pronto: os maus hábitos haviam voltados e os bons, interrompidos! Em outras épocas da sua vida, Davi já havia conseguido parar de fumar e perder muitos quilos. Esses sucessos, no entanto, só foram conseguidos à base de remédios. Ele não tinha forca de vontade para fazer esses tipos de mudanças só com base na sua força de vontade

 

Certas pessoas têm muita “forca de vontade” e “determinação” para se controlar e cumprir promessas, ao passo que outras praticamente não conseguem fazer isso e nunca cumprem o que prometem. A maioria das pessoas fica em algum ponto entre esses dois extremos. Neste artigo vamos apresentar alguns dos principais fatores que diferenciam as pessoas que conseguem se controlar daquelas que não conseguem fazer isso.

Promessas de fim de ano

Curiosamente, todos os anos, nesta época, somos tentados a fazer um balanço das nossas vidas e a renovar as promessas para serem cumpridas no ano vindouro. Essa tendência para avaliar as nossas vidas e definir nossas metas são implantadas pela cultura. Nesta época do ano, por exemplo, muitas empresas fazem balanços das perdas e lucros obtidos no ano que está findando e planejamentos para o próximo ano.


Por que é mais fácil fazer promessas do que cumpri-las

No momento que uma promessa é feita, o desejo de cumpri-la está alto (por exemplo, a pessoa que a apresenta está muito convencida das vantagens de levantar cedo ou fazer regime) e as motivações dos comportamentos incompatíveis com o seu cumprimento (por exemplo, a pessoa não está com sono ou com fome) estão baixos. Por isso, a promessa é feita e a pessoa que a apresenta está disposta a cumpri-la. Depois, no momento de tomar as medidas para cumpri-la, outras motivações incompatíveis e mais fortes que aquelas que estavam presentes na ocasião que ela foi realizada, podem estare mais fortes e, ai, a promessa não é cumprida.

Por exemplo, no momento da promessa de levantar cedo no dia seguinte as vantagens dessa ação estão muito presentes na nossa mente e a vontade dormir está muito fraca. Por isso, programamos um despertador ruidoso e o colocamos longe da cama para que, na hora de acordar, se o sono ainda estiver forte, o ruído do despertador nos forçará a levantar para desligá-lo. Levantar contribui para afastar o sono, o que, novamente, dará vantagem para a mesma determinação que nos levou a colocá-lo. Quando isso acontece, as chances de levantarmos na hora desejada no dia anterior é maior do que seria caso não tivéssemos tomado essas medidas com o despertador.


Fatores que afetam as chances de uma promessa ser cumprida

Existem pelo menos seis fatores que afetam as chances de que as promessas sejam ou não cumpridas:

1- Avaliação do grau de exequibilidade da promessa

Muitas promessas são apresentadas antes da realização de uma boa avaliação das dificuldades para cumprir o compromisso que ela apresenta. O grau de dificuldade da tarefa pode ser mal avaliado, tanto para mais ou para menos.

Após a promessa ter sido apresentada, ela pode ser avaliada por quem a apresentou como muito difícil de ser cumprida. Este tipo de avaliação é desmotivador e reduz drasticamente as chances de que ela seja cumprida.

2-  Habilidade para programar o cronograma de execução da tarefa

Um erro muito comum que é cometido por quem assume tarefas difíceis ou muito trabalhosas é marcar uma data para e completá-las integralmente. Esse tipo de compromisso pode levar ao desânimo porque é necessário muito esforço e esperar muito tempo antes da obter a recompensa que virá em uma dose única com o término bem sucedido da tarefa.

O melhor é assumir um cronograma de execução que preveja que pequenas partes da tarefa total devem ser concluídas e recompensadas em pequenos intervalos de tempo. Isso garante a motivação para um esforço continuado e que é recompensado frequentemente, ao invés de um esforço imenso e demorado que só recebe sua recompensa no final da tarefa.

Por exemplo, vamos supor a meta final de uma pessoa é perder dez quilos. Neste caso é melhor ela comprometer-se a perder meio quilo por semana e programar recompensas para acontecerem no final de cada um desses períodos de sucessos parciais como cumprimentar-se, comunicar o sucesso para outras pessoas que a cumprimentarão e mostrarão respeito e admiração por cada um desses sucessos parciais (os Vigilantes do Peso adotam um sistema parecido).

3- Assumir publicamente a promessa. Geralmente o cumprimento de uma promessa assumida em público implica no reconhecido por parte daqueles que ficaram cientes da sua formulação e o seu descumprimento, na perda de credibilidade perante essas pessoas, o que produz consequências desagradáveis para quem a descumpriu.

4- Assumir intimamente a promessa. Algumas pessoas sentem-se muito realizadas quando cumprem o que prometeram e muito frustradas e culpadas quando não o cumprem. Essas pessoas possuem um sistema interno de comprometimento muito poderoso porque aprenderam a liberar consequências psicológicas internas severas para o cumprimento de compromissos.

Além disso, todos nós também experimentamos bons sentimentos quando terminamos as tarefas que nos propusemos realizar e frustração quando tais tarefas são abandonadas e ficam inconclusas.

Além desses efeitos psicológicos que afetam todas as pessoas que cumprem suas promessas, também existem diferenças psicológicas individuais na capacidade de autocontrolar-se para cumprir promessas. Vamos examinar agora um dos mecanismos mais importantes que são responsáveis por esta capacidade.


Capacidade de autocontrole

Algumas pessoas conseguem adiar gratificações imediatas em prol de recompensas futuras maiores ou, de forma complementar, suportar desconfortos imediatos menores para evitar desconfortos maiores no futuro ou, ainda, suportar desconfortos para obter recompensas que compensem.

Alguns estudiosos veem o autocontrole como um conjunto de procedimentos que uma pessoa adota em um momento, quando está sob efeito de determinadas percepções e motivações, para se controlar em outros momentos, quando ela está sob efeito de outras percepções e motivações. Este é o caso do exemplo apresentado acima, onde uma pessoa coloca o despertador longe da cama para aumentar as chances de se levantar no horário previsto, no outro dia.

Outro fator psicológico que afeta as chances de cumprir promessas é a resistência à frustração. Vamos examinar agora uma pesquisa que ajuda a entender esse fenômeno.

 

Resistência à frustração

Um estudo americano mostrou que aos quatro anos de idade, as crianças já são bastante diferentes entre si na capacidade de adiar um prazer imediato para ganhar outro maior, mais tarde. Neste estudo, os experimentadores colocaram cada uma dessas crianças sentadas em uma cadeira em frente a uma mesa. Na mesa havia um marshmallow dentro de um prato.  Os experimentadores informaram essas crianças que, se não comessem aquele marshmallow até eles voltarem, elas ganhariam mais um e, ai, poderiam comer os dois. Em seguida eles saiam da sala. As crianças eram filmadas o tempo todo. Esse estudo mostrou que algumas crianças conseguiram adiar o prazer imediato de comer o marshmallow que já estava ali na sua frente para conseguir ganhar dois algum tempo depois.

Vários aspectos dos desempenhos dessas crianças foram monitorados durante muitos anos após esse experimento inicial. Esse monitoramento mostrou que aquelas crianças que conseguiram adiar a gratificação tendiam a ser mais eficientes em diversas tarefas como nos seus desempenhos acadêmicos e sucesso na vida adulta.


Nem sempre é sábio cumprir promessas

A grande dúvida quanto ao cumprimento de promessas é se as motivações presentes na hora que elas foram feitas e que controlaram as percepções daquilo que era desejável e razoável naquele momento são mais sábias do que as percepções e motivações que estão presentes na hora de cumpri-las ou não cumpri-las. Imagine, por exemplo, que na hora da raiva você promete nunca mais falar com um parente próximo. Depois a raiva passa e fica claro o absurdo dessa promessa. Neste caso, é claro, a promessa não deve ser cumprida porque, passada a raiva, a percepção e motivação de que seria legítimo nunca mais falar com o parente se alteram, o que torna absurdo o cumprimento daquela promessa.

Em alguns casos é mais obvio que a promessa é benéfica e razoável e, por isso, deve ser cumprida mesmo quando as motivações e percepções presentes na hora que ela foi formulada não estão mais presentes. Isso acontece, por exemplo, quando uma pessoa estabelece o propósito de parar de fumar, fazer dieta ou fazer exercício. Nestes casos, mesmo quando a fissura ou a preguiça estão presentes, a percepção de que a promessa deve ser cumprida ainda é clara.

Você não consegue cumprir as suas promessas de fim de ano? Procure a ajuda de um psicólogo.

 

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Por Ailton Amélio às 16h01

20/12/2011

Funções, desconfortos e alegrias das festas de fim de ano

Essa época de fim de ano e suas festas têm diversas funções sociais e podem ser muito agradáveis para algumas pessoas e extremamente desagradáveis para outras.


Rituais de passagem e de comemoração

Todas as culturas possuem rituais de passagem e de comemoração. Esses rituais têm uma importância fundamental para a sobrevivência e coesão do grupo. Os rituais de passagem são aqueles que marcam a transição de um status social para outro. Por exemplo, contribuem para passar do status de noivo para o de casado. Os rituais de comemoração são aqueles que festejam os aniversários dos rituais de passagem.

O ritual de passagem facilita mudanças psicológicas e sociais daqueles que estão alterando seus status (os noivos, no exemplo acima) e mudanças nas atitudes e nos tratamentos da comunidade em relação aos que mudaram de status. Continuando o nosso exemplo acima, aqueles que participam de uma cerimônia de casamento têm mais facilidades psicológicas para assumir o papel de casado do que aqueles que não passaram por esse tipo de cerimônia. Essa cerimônia também ajuda o grupo a mudar as expectativas e os comportamentos em relação aos foram submetidos ao ritual (os noivos que se agora são casados).

A participação como convidado ou testemunha desses rituais também contribui para o início ou o fortalecimento dos vínculos entre os participantes. Por exemplo, as famílias dos noivos agora sentem que estão ligadas entre si. Além disso, a festa propicia contatos pessoais que podem ajudar a criar o fortalecer os vínculos interpessoais.

As pessoas e grupos que näo praticam esses rituais têm a sensação que a vida passou em branco.


Desconfortos de fim de ano

Pronto! As primeiras propagandas de Natal começaram a aparecer nos comerciais de televisão. Logo em seguida, os shoppings começaram as decorações com os enfeites típicos desta época. Ainda faltavam meses, mas os primeiros sinais do fim de ano já estavam surgindo em diversos locais. Alex sentiu uma pontada de desconforto assim que viu os primeiros sinais que anunciavam o fim do ano. Quando chegou dezembro, as conversas sobre os feriados, férias e compras estavam em toda a parte. O seu desconforto agora era muito grande. Comprar presentes era uma tortura. Sempre deixava para a última hora a compra dos poucos presentes que oferecia. Nunca acertava nas escolhas e era vísivel a cara de decepção daqueles que os recebiam. Se ao menos tivesse muito dinheiro, essas compras ficariam bem mais simples: compraria do bom e do melhor e, ai, não haveria erro. Além disso, Alex sempre corria sérios riscos de passar sozinho o Natal e o Ano Novo. O seu fim de ano parecia aquele do filme do Mr Bean (“Natal do Mr Bean”): preparava algumas coisinhas típicas desta época e comemorava sozinho. Só faltava o ursinho de pelúcia e o frio londrino para ser igual ao dele. Eta época difícil! Se pudesse, dormiria no final de novembro e só acordaria na segunda semana de janeiro!

Por que as festas de fim de ano são desagradáveis para muitas pessoas?

Muitas pessoas não gostam dessa época de festas de fim de ano. Os motivos para não gostar são variados. Os principais deles são os seguintes:

- Inibição para participação em eventos sociais.

- Falta de habilidades para extrair prazer de encontros sociais.

-O clima festivo dessa época acentua a solidão daqueles que não tem pessoas próximas para compartilhar e festejar.

- Obrigação de simular sentimentos e dizer coisas que não sente nesta ocasião.

- Gastos e trabalho para comprar presentes: enfrentar shoppings cheios, trânsito e dificuldades de escolha dos presentes.

- Desregulação da vida: essa época representa uma quebra na rotina. Certas pessoas näo gostam disso.

- Abertura de feridas. Aquelas pessoas que tiveram perdas recentes no relacionamento (mortes, fins de relacionamentos) terão que encarar as lembranças reavivadas da pessoa ausente.

- Obrigação de comparecer a festas que não são  nada prazerosas

- Trabalho de preparar festas. Muita gente trabalha para que os outros festejem.

- Decisões difíceis. Por exemplo, com quem passar a data: filhos de pais separados, avós disputando a presença, etc.

            Vamos examinar agora mais dois motivos para não gostar do fim de ano.

Festas comemorativas se tornaram muito comerciais. Isso invalida comemorá-las?

Muita gente critica estas festas por que elas perderam boa parte dos seus significados originais e se transformaram em uma grande ocasião comercial. Não há dúvida de que o comércio e seus aliados, notadamente os profissionais de marketing, capitalizaram estas ocasiões para incrementar as vendas. Estas datas foram espalhadas pelo ano todo para induzir as pessoas a comprarem continuamente. É só passar uma data comemorativa que logo começam as propagandas da seguinte. Haja dinheiro! Haja paciência!

Essas festas, no entanto, possuem funções altamente positivas para a sociedade porque são rituais comemorativos, como vimos acima. Não podemos “jogar fora a criança junto com a água suja”, como diz um ditado norte americano. Por isso, elas devem ser comemoradas dando-se mais ênfase às suas naturezas ritualísticas do que aos seus aspectos comerciais. Por exemplo, as pessoas podem trocar mais declarações, afetos e recordações e menos pressentes caros.

Solidão das pessoas que não têm companhia para comemorar

Aquelas pessoas que não possuem relacionamentos íntimos (não têm parentes, esposas e amigos) ou estão isoladas deles (prisioneiros, imigrantes) sentem mais solidão nesta época do ano. Como existe uma mobilização coletiva para a compra de presentes, viagens e festas, os laços sociais e afetivos são lembrados e ficam em foco nesta época. Os mecanismos psicológicos que muitas pessoas desenvolveram para se isolar dos vínculos afetivos ou para lidar com perdas acabam fraquejando diante de tanto bombardeio.

Nesta época entra em ação mecanismos de contágio emocional: quando as pessoas em volta estão sentindo e demonstrando certas emoções, isso contagia outras pessoas que não estavam no mesmo estado de espírito. Isso também acontece com a moda, com os deslocamentos em épocas de feriados onde as pessoas ficam mais tempo no trânsito do que no local de recreação.


Múltiplas alegrias nas festas de fim de ano

Cada coisa que fazemos pode ser motivada por diversos fatores, sendo que cada um deles contribui com uma parte da motivação total. Por exemplo, muitas daquelas pessoas que parecem ter a maior paciência e exibem um sorriso no rosto enquanto fazem coisas que outras pessoas acham chatas, agem assim porque encontraram outras motivações positivas para suas ações. Por exemplo, um paciente declarou que não teria paciência para ouvir problemas dos outros o dia inteiro. Eu respondi a ele que não se tratava de paciência, mas de prazer: cada sessão de terapia traz um enigma e um desafio que o psicólogo tem que responder em uma hora, para produzir uma sessão significativa e produtiva. Visto assim, esse trabalho é prazeroso e envolvente e não exige “paciência”.

Além disso, uma mesma ação que está sendo apresentada por diferentes pessoas pode estar sendo controlada por diferentes motivações. Por exemplo, certas pessoas têm prazer em ir a festas porque são sociáveis e, por isso, sentem necessidade e prazer em interagir com outras pessoas. Outras vão para exibirem as suas joias, vestuários e acompanhantes. Outras, ainda, vão para comer e beber gratuitamente.

Encontre suas próprias motivações positivas para ir a estas festas. Elas possuem importantes funções sociais.

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Por Ailton Amélio às 10h30

14/12/2011

Os prejuízos da camuflagem social

Francisco tem quase quarenta anos, é muito educado, gentil e ético. É muito culto, avesso à sociedade de consumo, gosta de filmes cult, têm muita consideração pelo interlocutor e é sempre atencioso. A conversa com ele flui fácil, é sempre criativa e nutritiva. Basta conversar alguns minutos com ele para gostar dele.

Por incrível que pareça, todas essas qualidades e facilidades para se relacionar acabaram se tornando inimigas de Franciso na área amorosa. A sua forma de agir captura rapideamente a atenção das mulheres para a conversa e não deixa espaço para que os seus predicados masculinos sejam apresentados e apreciados. Ele nunca se apresenta como interessado amorosamente nas mulheres. Ele teme que isso seja inadequado, que as incomode e que ele seja rejeitado.

Ele tenta agradar, o que sabe fazer muito bem, e fica a espera que elas manifestem algum interesse amoroso por ele, o que nunca ocorre.

Todas as mulheres que ele conhece e simpatizam com ele acabam se tornando suas amigas e até confidentes. Elas dizem que ele é muito “fofo”, mas que não o vêm como parceiro amoroso e, sim, como amigo ou irmão. Ele odeia ser visto dessa forma!

Francisco adora as mulheres, tem fortes desejos sexuais por elas e faria qualquer coisa para arranjar uma boa namorada. Mas as suas concepções errôneas sobre a manifestação do interesse amoroso, a sua facilidade para agradar em assuntos não amorosos, a sua timidez e a sua baixa autoestima fizeram que ele se tornasse extremante ineficiente para iniciar relacionamentos amorosos.

Camuflagem da aparência

Mariella tem um belo rosto, estatura um pouco acima da média e corpo bem proporcionado. No entanto, ela não se destaca no meio da multidão pela sua aparência: veste-se como a maioria das pessoas, o seu cabelo tem um corte comum, está sempre usando um tênis padrão e não usa nenhum artefato que chame a atenção. Ela é uma pessoa “camuflada”: a sua aparência não se destaca em nada das aparências das outras pessoas que estão presentes nos locais que frequenta. Mas, ela tem um grande potencial nesta área. Caso adotasse uma boa produção, nunca deixaria de ser notada.

A camuflagem é arte de se confundir com a paisagem. Esta palavra geralmente evoca na nossa mente a lembrança aqueles uniformes militares cheios de manchas ou aqueles veículos militares pintados e borrados para se confundirem com a paisagem onde vão operar. A camuflagem da aparência é um tipo de produção (vestuário, tratamento da pilosidade, maquilagem e uso de artefatos) que aumenta as chances da pessoa camuflada passar despercebida por não se destacar de da aparência de outras pessoas que estão presentes nos locais que frequenta.

A camuflagem social também pode acontecer com os comportamentos. Para se camuflar através dos comportamentos, as pessoas agem de acordo com o esperado: tratam de assuntos comuns, falam aquilo que é aprovado socialmente, têm o maior medo de ficarem mal faladas ou de agir de modo que outras pessoas reprovem.

Aqueles que não querem chamar a atenção sobre si, como os tímidos, por exemplo, usam a camuflagem da aparência e dos comportamentos.

Assuntos biombos

Assunto biombo é aquele utilizado para desviar a atenção do interlocutor de outros assuntos.

As mães conhecem um bom artifício para interromper o choro de uma criança: elas desviam suas atenções para outra coisa que está acontecendo. Por exemplo, ao ver o filho chorando sem grandes motivos, elas dizem, “Olha o passarinho na árvore! Vamos lá ver?” A criança, caso não tenha um bom motivo para o choro, volta a sua atenção para o novo evento que está sendo apontado pela mãe e para de chorar.

Certas pessoas são peritas em desenvolver assuntos impessoais, em falar de coisas que projetem uma boa imagem social de si, mas fogem, como o diabo foge da cruz, de assuntos que tornem reais os seus encontros sociais. Elas evitam, principalmente, abordar aquilo está se passando no aqui e agora entre elas e seus interlocutores.

Você é um camuflador social? Em que área isso acontece?

Caso você seja um camuflador social e isso esteja lhe trazendo problemas, procure a ajuda de um psicólogo

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Por Ailton Amélio às 11h50

07/12/2011

Por que são as mulheres que pedem a separação litigiosa?

A dissolução legal do matrimônio pode ocorrer através da separação (o matrimonio é considerado extinto para todos os fins, com exceção do recasamento) e do divórcio (o casamento é considerado extinto para todos os fins, inclusive para o recasamento).

Os resultados da ultima pesquisa do IBGE, divulgados recentemente, mostram que a maioria dos pedidos de separações é consensual (71%). No entanto, as mulheres lideram os pedidos de separações litigiosas (71% dos pedidos). A maioria dos divórcios também acontece de forma consensual. No entanto, nos casos litigiosos (25%) as percentagens de pedidos apresentados por homens e mulheres são semelhantes (elas apresentam 52% dos pedidos).

Neste artigo vamos examinar alguns dos motivos das mulheres liderarem os pedidos de separações litigiosas e de haver maior grau de semelhança nas percentagens dos pedidos de homens e mulheres para os divórcios litigiosos.

Porque as mulheres pedem a maioria das separações litigiosas

Existem evidências de que um mau relacionamento amoroso prejudica mais a saúde física e psicológica das mulheres do que a dos homens. Os homens, embora também sejam prejudicados por um mau relacionamento, têm mais defesas contra esse tipo de problema: assistem televisão, ficam mais tempo fora de casa, saem para beber com os amigos e se entregam ao trabalho. Para eles, dentro de certo limite, ficar só pode ser pior do que estar mal acompanhado: um estudo verificou que a expectativa de vida de homens que se separaram e não voltaram a casar é menor do que a de homens  que lhes eram semelhantes em outras características, mas que continuaram casados.

Um dos motivos da separação ser pior para os homens é que eles geralmente perdem mais a estrutura de vida do que as mulheres. Por exemplo, são elas ficam com a guarda dos filhos e com a casa.

Como as mulheres são mais prejudicadas por um mau relacionamento elas, em primeiro lugar, tentam melhorá-lo (por exemplo, tentam discutir a relação) e quando os problemas persistem, pedem a separação.

Por que os homens tomam mais iniciativas para divorciar do que para separar?

Aqui no Brasil, a grande maioria dos casamentos acontece entre solteiros (81,7%). No entanto, está crescendo a percentagem de casamentos onde pelo menos um dos parceiros já foi casado (essa percentagem passou de 11,7% em 2000, para 18,3% no último senso).

Em média, a facilidade para o recasamento é maior para os homens do que para as mulheres. Por exemplo, existem estimativas de que os homens de sessenta anos têm o dobro de chance de se casarem do que as mulheres dessa mesma idade.

Como para recasar legalmente há a necessidade do divórcio, eles têm mais motivos para pedir este tipo de dissolução do matrimônio do que elas.

Dois dos motivos das mulheres terem mais dificuldades para recasar do que os homens

Guarda dos filhos. Aqui no Brasil, 40,3% dos casais que se separam não têm filhos. Daqueles que tiveram e se separam, 87,3 das mulheres ficam com as suas guardas após a separação. Isso acontece com apenas 5,6% dos homens. Embora a guarda dos filhos seja motivo de mil satisfações, ela tem mais chance de atrapalhar do que de ajudar na hora de iniciar um novo relacionamento. Por exemplo, quem tem a guarda dos filhos investe muito mais tempo para cuidar deles: tem mais dificuldade para sair com o namorado quando eles estão em casa e quando estão doentes, tem que cuidar das suas alimentações e dos seus vestuários. Além disso, o novo parceiro vai ter que conviver mais intensamente com os enteados, o que pode ser muito bom ou, mais frequentemente, um empecilho.

Pirâmides de qualidades. A distribuição populacional de varias de nossas características lembra uma pirâmide. Por exemplo, nascem muitas pessoas, depois elas vão morrendo e só poucas atingem uma idade avançada (de fato a distribuição populacional de idade vem se alterando e se afastou do formato piramidal). Algo semelhante acontece com outras características como anos de estudo e rendimentos.

Um dos motivos para a maior dificuldade das mulheres se recasarem é que elas geralmente preferem um homem que esteja à sua altura ou em altura superior à sua em cada uma dessas características (por exemplo, elas desejam que ele seja da mesma idade ou um pouco mais velho que ela e que tenha grau de escolaridade semelhante ou superior ao dela). Nós homens geralmente queremos uma mulher que tenha características similares ou um pouco inferiores às nossas em várias dessas características (que tenham idade semelhante ou menor à nossa, que ganhem algo semelhante ou inferior ao que ganhamos etc.).

A maior facilidade dos homens para se casar ou recasar é maior porque, ao procurar uma mulher cujas características estejam situadas ao mesmo nível ou em nível superior ao deles  nas pirâmides de distribuições populacionais existem mais pessoas do que no caso delas, que fazem essa busca na zona da pirâmide masculina que está situada na mesmo altura ou em altura superior às delas.

Além disso, parece que os homens aceitam mulheres dentro de uma faixa de variação mais ampla de cada uma dessas características do que vice-versa (por exemplo, um homem de 50 anos procura mulheres para relacionamento amoroso que tenham entre 35 e 52 anos – amplitude da faixa de variação de idades – 17 anos. As mulheres de 50, por sua vez, procuram homens que tenham entre 48 e 60 anos – amplitude da faixa de variação de idades: 12 anos).

Embora haja essas dificuldades, grande parte das mulheres também recasa. Só demoram um pouco mais de tempo para isso do que os homens. De fato há uma grande heterogeneidade nas facilidades e dificuldades para o recasamento de homens e mulheres. Atendo no meu consultório muitos homens que têm um alto grau de dificuldades para casar. Certas mulheres têm a maior facilidade para casar e recasar em qualquer faixa etária.

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Por Ailton Amélio às 11h11

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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