Blog do Ailton Amélio

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28/02/2012

Apresente feedbacks e dê vida à sua conversa

O feedback da comunicação consiste na apresentação de pensamentos, sentimentos e atitudes que foram evocados pela comunicação do interlocutor.

As pessoas com quem conversamos não são advinhas. Então, como elas poderiam saber quais efeitos suas comunicações estão produzindo em nós, quando não mostramos os sinais desses efeitos?

Uma das medidas mais importantes para estimular as conversas são os feedbacks sobre as comunicações dos interlocutores. O feedback, positivo ou negativo, atua como motivador ou desmotivador, tanto para quem o emite como para quem o recebe. Por exemplo, o ouvinte, ao apresentar feedback, participa ativamente da conversa, corre riscos de agradar ou desagradar seu interlocutor e  está sendo criativo. O feeback motiva o falante porque mostra que o ouvinte está sendo afetado pelo que ele está comunicando.

Você fornece bons feedbacks?

Para ter uma ideia se você fornece é eficiente para fornecer feedback, dê uma nota de zero a dez para o quanto você concorda com cada uma das seguintes afirmações (zero = não concordo nada, 5 = concordo mais ou menos e 10 = concordo totalmente):

1- Você comunica o que está sentindo e pensando sobre aquilo que o interlocutor acabou de dizer.

2- O interlocutor fala algo engraçado. Você se desmancha de tanto rir.

3- Expressa sentimentos semelhantes aos que são expressos pelo seu interlocutor.

4- Você acusa com caras e sons como foi afetado pela comunicação do interlocutor.

5- Você apresenta reações de surpresa (rosto e vocalizações) quando ele conta algo inesperado.

6- Você mostra pesar e sofrimento quando ele conta algo dolorido.

7- Você deixa o seu corpo dançar ao som da voz do interlocutor.

8- Você faz gestos que ilustram o que o interlocutor está dizendo e que ele próprio também está fazendo ou poderia fazer. Por exemplo, quando ele fala “Muito grande!” Você abre os braços para mostrar o tamanho de um objeto enorme.

9- Você mostra que se envolveu com o assunto que o interlocutor está desenvolvendo.

10- Você faz associações verbais entre o que ele diz e outros acontecimentos e ideias.

Agora some os seus pontos. Quanto mais essa soma se aproximar de 100, mais hábil você é para fornecer feedbacks para a comunicação. Quanto mais ela se aproximar de 0, menos hábil você é nessa área. (Este teste não é preciso. Ele foi apresentado aqui apenas para estimular a sua reflexão sobre esse tema).

A profundidade e extensão do feedback pode variar desde um leve assentimento com a cabeça (que indica um bom acompanhamento daquilo que está sendo comunicado), uma piscada ou um sorriso, até horas de considerações e expressões emocionais exaltadas sobre aquilo que foi comunicado pelo interlocutor. Todos estes tipos de feedback podem ser adequados ou inadequados, dependendo daquilo que foi comunicado, de quem é o interlocutor e das circunstâncias onde ocorreu a comunicação.

Praticamente tudo que uma pessoa faça, ou deixe de fazer, em seguida a uma comunicação apresentada por outra pessoa, pode funcionar como feedback para tal comunicação.  Tais ações, ou ausência de ações, não devem ser consideradas feedbacks apenas quando podem ser claramente atribuídas a outros motivos e não à comunicação precedente da outra pessoa. Por exemplo, você reclama do café quente que acabou de cair na sua camisa.

Precauções para evitar que uma ação negativa seja interpretada como feedback

Um estudo mostrou que quem toma uma iniciativa negativa durante um encontro, como terminá-lo ou recusar um convite, e não quer que ela seja interpretada como um feedback negativo para o interlocutor como deve mencionar os motivos específicos para tal iniciativa. Por exemplo, não basta dizer: “Tenho que ir embora” ou “Não vou poder aceitar o seu convite”. É melhor dizer: “Tenho que ir agora, porque vou dar uma aula daqui a poucos minutos”,  “Não posso aceitar o seu convite porque já estou com viagem marcada nesta ocasião”.

Feedbacks negativos podem ser úteis para o relacionamento

Os feedbacks negativos também ajudam a manter os relacionamentos agradáveis, saudáveis e benéficos porque eles contribuem para eliminar coisas que estão sendo apresentadas. Muitas vezes, no entanto, é importante omitir feedbacks negativos.

Feedbacks verbais e não verbais

Os feedbacks podem ser apresentados tanto através da comunicação verbal como através da comunicação não verbal. Geralmente eles são apresentados através desses dois tipos de comunicação.

Feedbacks apresentados através da comunicação não-verbal 

O feedback não-verbal é mais apropriado do que o verbal quando queremos apresentar reações momento a momento para pequenos trechos daquilo que está sendo comunicado  pelo interlocutor, sem interromper sua comunicação.

Exemplos de alguns dos principais tipos de feedbacks não-verbais:

-Vocalizações expressivas. Expressar emoções através da voz. Exemplos: usar uma voz sonora e volume alto para reagir ao que está sendo dito; rir muito e de forma bastante audível.

-Anuir com a cabeça. Esse é um tipos de feedback mais utilizados por parte do ouvinte enquanto o falante ainda está apresentando a sua comunicação. Estes movimentos geralmente coincidem com certos momentos da fala do interlocutor (pausas, finais de sentenças ou finais de exposições de idéias, etc.).

-Expressões faciais. Apresentação de expressões faciais que indicam que o apresentador está gostando/não gostando, concordando/discordando, surpreso, revoltado ou indignado com aquilo que foi ou está sendo comunicado pelo interlocutor.

-Acompanhar com micro movimentos corporais o ritmo da fala do interlocutor. O ouvinte entrosado com o interlocutor e com o que ele está dizendo “dança” ao som da sua voz. Neste caso, a música é a voz do falante. Até crianças recém-nascidas fazem pequenos movimentos sincronizados com a voz humana.

-Eco postural. Apresentar posturas corporais semelhantes àquelas que estão sendo apresentadas pelo interlocutor. Esta similaridade postural é um sinal de acordo e entrosamento com o interlocutor.

-Mudar a postura quando algo importante ou interessante está sendo relatado. Por exemplo, adotar uma postura com se estivesse aguardando atentamente o que o interlocutor vai revelar.

- Olhar atentamente para o interlocutor enquanto ele relata algo interessante.

Feedbacks apresentados através da comunicação verbal

Exemplos de frases que podem ser usadas para apresentar feedbacks verbais:

- “Interessante o que você falou. Um ponto chamou a minha atenção: como alguém com tanta motivação como você não faz nada para mudar a situação”.

- “Fiquei angustiado só de ouvir você falar”. (Enquanto o falante relatava o acontecimento, o autor deste feedback apresentava expressões faciais que mostravam a sua angústia com aquilo que o outro estava relatando).

- “Eu pessoalmente só posso imaginar o que você está dizendo, já que não tenho medo de locais abertos. Só posso usar outro medo meu para entender o seu”.

- “Não entendo como você pode suportar isso!”

- “Você foi muito hábil!”.

- “Gostei!”

- “Achei perfeita a sua forma de agir!”.

Feedbacks pessoais ou impessoais

Um feedback pode ser pessoal ou impessoal. No pessoal, o receptor revela um sentimento ou pensamento pessoal que foi provocado ou associado à comunicação apresentada pelo seu interlocutor. Por exemplo, o receptor da comunicação diz: “Puxa! Gostei disso que você falou! No feedback impessoal, o receptor da comunicação revela uma informação impessoal sobre a comunicação do emissor. Por exemplo, o receptor confirma ou corrige um endereço que foi informado pelo emissor.

Regras gerais para fornecer feedbacks 

(Baseadas, parcialmente, em Johnson (1981)*

- Apresentar primeiro feedbacks positivos e só depois os negativos.

- Apresentar mais feedbacks positivos do que negativos. A regra geral que prediz a agradabilidade do relacionamento interpessoal afirma que para cada unidade de coisas negativas apresentada em um relacionamento devem ser apresentadas cinco unidades de coisas positivas.

- O feedback não deve ser ameaçador. Ele deve referir-se aos comportamentos da outra pessoa e não à sua personalidade ou motivos. Por exemplo, afirmar: “Você foi bastante franco ao expressar essa opinião” e não “Você geralmente fala as coisas muito diretamente”.

- O feedback adequado focaliza a situação atual e não o passado, os comportamentos e não características duradouras de quem vai recebe-lo. Por exemplo, afirmar: “Isto que você está fazendo é desagradável para mim” e não “Você já agiu assim, de forma desagradável, inúmeras vezes”.

- O feedback adequado trata de algo específico e não de generalizações amplas. Por exemplo, afirmar “Não gostei desta crítica” e não “Você sempre critica tudo”. 

- O feedback só deve ser apresentado quando é solicitado. Quando solicitado, é mais provável que seja aceito e utilizado e faça que a pessoa que o recebeu sentir-se melhor com ele própria e com quem o apresenta.

- Bons feedbacks focalizam os méritos e não os deméritos do interlocutor. Bons comentários ajudam quem os recebe a crescer e a tentar coisas. Julgamentos críticos inibem.

- Evitar psicologizar e analisar o interlocutor através do feedback. Por exemplo, evitar dizer que a resposta ríspida do interlocutor indica que ele é uma pessoa agressiva ou rejeitadora.

- Uma auto-revelação completa inclui observações, opiniões, sentimentos e necessidades de quem a apresenta.

- Usar a polidez para apresentar feedbacks. A polidez deve ser usada e, ao mesmo tempo, não deve comprometer a eficiência da comunicação.

A sua conversa está chata? Procure a ajuda de um psicólogo.

*Johnson, D. (1981). Reaching out: Interpersonal effectiveness and selfactualizationEnglewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.

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Por Ailton Amélio às 09h44

21/02/2012

Metas: saiba usá-las a seu favor

Saber acolher, rejeitar e administrar metas é um dos grandes segredos para uma vida vibrante, serena e feliz.

As metas, independentemente de seus conteúdos, dão um sentido à vida: elas causam emoções (frustração com os fracassos e satisfação com o sucesso), geram reconhecimento social (“Ele é alguém que cumpre o que se propõe a fazer”) e preenchem o tempo. Isso acontece até mesmo quando elas são relativamente sem sentido ou vazias, como alguns jogos ou os rituais daqueles que têm transtornos obsessivos compulsivos (o ritual tem um sentido mágico: se não for realizado estarei protegido. Se não for, algo de ruim poderá acontecer).

As metas organizam os nossos esforços. Sem elas, os esforços ficam sem direção e não levam a lugar nenhum. Qualquer atividade complexa, que dependa da coordenação de esforços para que seja completada com sucesso, requer o estabelecimento de metas, planos para atingi-las e o comprometimento com as suas execuções. Por outro lado, o excesso de metas pode tornar a vida miserável.

Neste artigo vamos abordar as funções e os percalços das metas e as maneiras de aumentar as chances de que elas funcionem a nosso favor.

Metas de todos os tamanhos

Existem metas de todos os tamanhos: desde aquelas pequenas, que vão se sucedendo momento a momento durante o dia todo (por exemplo, vamos terminando pequenas tarefas ou partes de tarefas maiores e iniciando outras); as tarefas que programamos para a manhã, tarde e noite; as tarefas semanais, mensais e tarefas que só são completadas depois de vários anos de esforços (comprar uma casa, formar os filhos, etc.).

Variações interpessoais na quantidade de metas assumidas

Existe muita variação interpessoal na quantidade, complexidade e dificuldade das metas que säo assumidas. Algumas pessoas se entulham de tarefas, enquanto outras são mais comedidas e deixam espaço para que os acontecimentos do cotidiano as conduzam. Outras pessoas, ainda, quase não assumem metas e vivem ao sabor das pressões e tentações do cotidiano.

Superdosagem de metas

1- Você comprometeu todos os seus horários porque assumiu muitas metas ou  metas difíceis e trabalhosas de cumprir?

2- Você está sempre lutando contra o tempo para alcançar suas metas?

3- Você deixa uma boa parte do seu tempo para as solicitações e prazeres do presente?

4- Você é escravo ou senhor das suas metas?

As pessoas que assumem uma quantidade excessiva de metas estão sempre ocupadas e dão a impresso que vivem torturadas pela quantidade de obrigações e pelos riscos de não conseguir cumpri-las. O excesso de metas pode engessar a nossa vida, embotar a nossa sensibilidade e reduzir disponibilidade para lidar com sentimentos, fatos e pessoas: as metas implicam na priorização das ações dedicadas para alcançá-las e no prejuízo de outras opções que poderiam desviar os esforços voltados para as suas realizações.  Muitas pessoas que têm como meta principal ganhar dinheiro, por exemplo, podem ficar insensíveis aos danos que esta prioridade causa às suas saúdes (não ter tempo para a ginástica), ao relacionamento com os familiares e à outras pessoas (lembre-se do trabalho escravo, por exemplo).

As metas podem ganhar uma espécie de autonomia e se tornarem intrinsecamente legítimas, independentemente das suas funções: tornaram-se verdadeiras criaturas que adquiriram independência de seus criadores e passaram a comandá-los.

Pessoas que lidam mal com metas

Certas pessoas quase não possuem metas, possuem metas mal definidas ou quase nunca conseguem alcançar aquelas que se propuseram.

As metas podem ser bem ou mal assumidas. Essas últimas são aquelas que têm menor probabilidade de serem cumpridas. Um sinal que indica que a meta está sendo mal assumida é a ausência daquele sentimento de segurança que deveria tomar conta de quem a está assumindo e que lhe daria a sensação que iria se dedicar a ela e que conseguiria atingi-la.

Dentre as metas mal assumidas, merecem destaque aquelas foram impostas de fora, sem uma participação significativa daquele que as assume. Essa pessoa talvez tenha sido pressionada para assumi-la, embora não estivesse suficientemente motivada ou preparada para isso, e resolveu dar a impressão que estava assumindo-a. Essa pessoa, muitas vezes, assume a meta simplesmente porque espera que o seu cumprimento não seja fiscalizado e cobrado. Para lidar com pressões e evitar dissabores imediatos, basta assumi-las com os dedos cruzados nas costas. Logo seu impositor poderá esquecê-la ou perder o interesse e a energia para fiscalizar e exigir o seu cumprimento.

Seletividade para assumir metas

As pessoas que são mais moderadas para assumir metas têm tempo para aproveitar boas conversas, boas comidas, boas músicas e para se divertir. O Presidente Obama, por exemplo, dá a impressão que faz parte desse grupo: sorri, parece ter bom humor, canta musiquinhas e aparece de calção nas praias do Havaí. Como o danado do homem consegue isso, com todas as responsabilidades que têm?

Você é eficiente para estabelecer e cumpri as suas próprias metas?

As metas estão presentes o tempo todo na nossa vida. Elas são inevitáveis e contínuas e têm grande impacto no conteúdo dos nossos dias, naquilo que fazemos ou deixamos de fazer.

Pense em um dia típico durante a semana: horário para levantar, banho, café da manhã, deslocamento até o local de trabalho, tarefas da manhã, almoço, tarefas da tarde, deslocamento até sua casa, jantar, televisão, conversa com a família e preparo para dormir. Essas são algumas das atividades cotidianas que são bem comuns nas vidas da maioria das pessoas. Cada uma delas pode ser pensada como uma meta que deverá ser cumprida. Algumas delas prazerosas, felizmente, e outras, nem tanto.

Como aumentar as chances de alcançar metas

Vários estudos vêm apontando que as seguintes medidas ajudam a definir precisamente as metas e a alcança-las:

1- Verificar se realmente quer, pode e deve assumir a meta. Ponderar os seus convenientes e inconvenientes. Antes de assumir uma meta é necessário estar claro quais são as motivações, as justificativas, as habilidades e os recursos necessários para realiza-la.

2- Definir claramente a meta. Exemplo: caminhar quarenta minutos menos quatro quilômetros, cinco vezes por semana. Esta caminhada será realizada na Cidade Universitária e terá como meta inicial a caminhada de idade e volta em toda a extensão da Rua da Raia Olímpica, que vai desde o portão principal do campus dessa universidade até o portão que fica na extremidade oposta desta avenida, no fim dessa raia.

3- As metas devem ser realizáveis. Estabeleça metas que possam ser atingidas com relativa facilidade (Alguns estudos mostram que as metas relativamente difíceis podem ser melhores do que as muito fácies: aquelas ajudam a concentrar a atenção e, por isso, dão menos espaço para atividades interferentes) ou que você possa desenvolver as habilidades e adquirir os meios para alcançá-la disponha do tempo e das condições para isso.

4- Quebre metas complexas, difíceis e que vão demorar muito tempo para serem cumpridas em partes menores. Quando uma meta vai exigir muito esforço e muito tempo para ser atingida, dividi-la em submetas, de tal forma que cada uma delas possa ser alcançada mais facilmente e em um curto intervalo de tempo. 

5- Os compromissos com as metas complexas e que demoram para ser realizadas devem ser assumidos apenas para cada uma das submetas. Esses compromissos devem ir sendo renovados periodicamente à medida que essas submetas vão sendo cumpridas e comemoradas.

6- Estabelecer uma data e um horário específico para iniciar a atividade prevista na meta e para a sua duração. Essa data estar próxima do dia do comprometimento com a meta (quando assumimos um compromisso para uma data longínqua podemos perder a motivação que tínhamos ao assumi-lo. O prazo para o cumprimento deve ser curto parceiro, quando é longo, tendemos a deixar para começar a agir apenas no seu final) Por exemplo, começarei a caminhar na próxima segunda feira. Andarei todos os dias da semana, de segunda a sábado, com exceção da quarta feira.

7- Assumir o compromisso em público. Por exemplo, contar para os parentes e amigos que vai começar a caminhar na USP, de segunda a sábado com exceção das segundas feiras. O compromisso assumido em público tem mais chance de ser cumprido

8- Caso necessário, firmar um contrato com um executor implacável que não perdoe falhas na sua execução. Faça um contrato por escrito com uma pessoa que tenha condições de fiscalizar o que foi tratado e execute o contrato rigidamente, caso ele não seja cumprido.

9- Planejar consequências positivas para si cada vez que alcançar as metas intermediárias e finais.

10- Eliminar possíveis oportunidades onde surgirão tentações para ações incompatíveis com a meta.

Por exemplo, se a sua meta é perder peso, evite ter comidas tentadoras em casa. Se a sua meta é escrever durante três horas por dia, trabalhe em um computador não conectado na internet, vá para um lugar onde as pessoas não possam ficar lhe interrompendo e planeje um horário para executar todas as tarefas.

Maneiras de evitar ou abandonar metas desnecessárias

1- Você começou um curso e gostaria de interrompê-lo?

2- Você gostaria de sair de um relacionamento atual?

3- Você assumiu responsabilidades com amigos e parentes, que agora não fazem mais sentido, e você gostaria de abandoná-las?

Algumas pessoas estabelecem tantas metas ou assumem metas excessivamente difíceis, trabalhosas e demoradas para serem alcançadas que acabam ficando sem espaço para atender os imprevistos do dia a dia e para usufruir dos prazeres da vida. Esse excesso de metas também reduz a sensibilidade para outras pessoas e para si próprio: ele coloca uma espécie de viseira que a impede a percepção dos próprios sentimentos e ideias que a pessoa do caminho traçado por suas metas.

Maneiras de abandonar metas superadas

1- Refletir sobre a os convenientes de uma vida onde as obrigações são em menor quantidade e mais flexíveis, o que deixa tempo para atender solicitações que vão surgindo no dia a dia: manter a disponibilidade para si, para os outros e para acontecimentos imprevisíveis.

2- Abandonar metas que se tornaram superadas. Muitas metas que faziam sentido em uma dada circunstância, posteriormente acabam se tornado completamente dispensáveis e até mesmo inconvenientes. No entanto, devemos tomar cuidado para não permitir que estados psicológicos alterados e de curta duração estabeleçam metas que tenham grandes consequências duradouras (por exemplo, alguém no momento da raiva promete terminar um relacionamento muito importante e duradouro. Depois que a raiva passa, essa meta parece completamente irracional e danosa) ou nos levem a descumprir metas muito importantes (por exemplo, alguém que está alcoolizado descumpre o compromisso de não trair seu parceiro).

3- Não permitir a instalação da crença irrazoável que afirma que uma pessoa admirável e respeitável é aquela que tem a agenda sempre cheia. Alguns pais, infelizmente, enchem a agenda dos filhos com mil e uma atividades, como se o tempo livre para brincar ou não fazer nada definido não fosse útil e que todos os momentos devem ser aproveitados para suas formações! Essa concepção descabida de que a vida é uma corrida sem fim foi muito bem captada pelos versos de Cervantes: Os Cavaleiros de Granada

“Os cavaleiros de Granada,/ Brandindo lança e espada,/ Saíram em louca disparada,/ Para que?/ Para nada!”

Não está conseguindo lidar com as suas metas? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h19

14/02/2012

A sua autoconfiança está baixa ou excessiva?

Vamos examinar alguns relatos para introduzir a noção de autoconfiança:

Caso 1. Ela perdeu a autoconfiança. Era segura, saia-se bem socialmente, onde quer que fosse. O marido, muito competitivo e ciumento, passou a criticá-la sistematicamente. Ela foi perdendo a energia, a segurança e a autoconfiança.

Caso 2. Muitas vezes quando tudo parece estar dando errado, podemos perder a confiança em nós mesmos e fraquejar. Essa diminuição na autoconfiança pode ser duradoura. O caso seguinte é um clássico: Ele era ousado nos negócios. Estava muito bem e tinha muitos amigos e uma mulher linda. Acabou fazendo um negócio ousado demais, perdeu tudo, os amigos se afastaram, começou a beber demais e a mulher o deixou por um ex-colega de escola. Agora, qualquer perdeu a confiança em si e nos outros: acredita que nada que faça pode dar certo e que todas as pessoas são interesseiras não confiáveis.

Analogias entre o medo e a autoconfiança

As pessoas em geral têm uma boa percepção do medo e do seu funcionamento. Dentro de certos limites, ele é semelhante ao fenômeno da autoconfiança. Por isso, o medo é bom modelo para entendermos a autoconfiança. Vamos examinar agora algumas similaridades entre esses dois fenômenos. Ambos podem ser:

- Específicos ou difusos

- Inteiramente ou quase nada sensíveis a argumentos racionais

- Despertados ou acalmados por fatores subjetivos e fictícios. Por exemplo, algumas pessoas desenvolvem fobias (medos de fatos inócuos ou pouco danosos) e podem perder a autoconfiança por fatos irrelevantes (por exemplo, uma pessoa fica muito insegura porque acha que algumas pessoas da plateia estão rindo dela)

- Extremamente úteis para a nossa sobrevivência

- Funcionam como sistemas motivacionais

- Influenciam a aceitação de objetivos

- Quando estão fora das dimensões aceitáveis, comprometem o funcionamento: por exemplo, o medo extremo e a uma baixa dose de autoconfiança são bastante desconfortáveis e podem comprometer a eficácia das ações.

Autoconfiança situacional e disposicional

Uma pessoa pode estar (autoconfiança situacional) ou ser pouco ou muito autoconfiante (baixa autoconfiança disposicional). A autoconfiança situacional pode durar apenas o tempo necessário para que a situação que a provoca seja resolvida  e aparecer apenas nessas situações. A autoconfiança disposicional é duradoura e aparece em várias áreas da vida de uma pessoa e é difícil de ser combatida.

Autoconfiança situacional

A magnitude da autoconfiança situacional está diretamente relacionada com confiança na própria capacidade para perceber o que está ocorrendo e na própria competência para lidar com essas ocorrências. 

A autoconfiança situacional bem calibrada é extremamente útil porque varia de acordo com as nossas capacidades para perceber os desafios e as nossas condições para lidar com eles. Ela faz com aceitemos apenas aqueles desafios que avaliamos estar à altura das nossas capacidades e a evitar ou nos prepararmos melhor para aqueles que estão além da nossa compreensão ou habilidades.

Autoconfiança disposicional

A dose certa desse tipo de autoconfiança é imprescindível para a satisfação e bem estar. Pessoas muito inseguras ou seguras demais vivem atormentadas e têm mais problemas na vida. A baixa autoconfiança disposicional é um saco sem fundo ou um buraco negro: nunca pode ser afastada de uma forma duradoura pela resolução das situações que estão provocando-a. Assim que essas situações são resolvidas, logo aparecem outras para provocá-la. Por exemplo, uma pessoa fica superinsegura porque vai apresentar um seminário. Depois da sua apresentação bem sucedida desse seminário, a insegurança desaparece por algum tempo. Logo em seguida aparece outra situação desafiadora e a insegurança reaparece com toda a forca. Para combatê-la com eficiência geralmente é necessário terapia.

Caso a baixa autoconfiança disposicional pudesse ser combatida  pelo afastamento dos motivos atuais que a estão provocando (por exemplo, não ter um bom cargo, não ter roupas bonitas, não ser famoso, etc.) seria esperado que aquelas pessoas que resolveram a maiorias desses problemas, que geralmente causam insegurança, fossem mais seguras. Por exemplo, aquelas pessoas que desenvolveram competências socialmente reconhecidas (advogados, professores, etc.), posições sociais (ocupam cargos de autoridade, são famosas, etc.) ou possuem muitos bens materiais (são ricas) deveriam ser muito seguras, de uma forma geral, e não apenas mais seguras nas áreas específicas onde são aquinhoadas. Tudo indica que isso não acontece. Não existe nenhuma evidência de que os graus de autoconfiança são diferentes nas diferentes classes econômicas ou que eles se distribuam de acordo com as competências profissionais, esportivas ou intelectuais. A ausência de aumento na autoconfiança nesses casos provavelmente ocorre porque as pessoas geralmente se comparam com outras que pertencem a grupos que lhes são próximos ou superiores nesses quesitos.

Consequências da baixa autoconfiança

A baixa autoconfiança faz com que as pessoas julguem-se piores que as outras (baixa autoestima), sintam-se desconfortáveis, deixem de agir da forma como se sentem e pensam (baixa assertividade) e fiquem nervosas e temerosas diante de certas situações sociais (timidez) .

Um dos piores tipos de perda da autoconfiança é aquele onde você não acredita na sua percepção e, por isso, teme usá-la como um guia para suas ações. Muita gente que tem esse problema procura regras, livros de autoajuda e conselhos para servirem de guias. Isso pode piorar os seus problemas, porque elas acabam renunciando ao desenvolvimento da própria percepção e ficam dependentes de regras rígidas nem sempre corretas e de gurus.

Outras consequências negativas da baixa autoconfiança:

- Estabelecimento de objetivos que estão aquém do próprio potencial

- Menor motivação para perseguir objetivos

- Diminuição da autoestima

- Maior dependência de outras pessoas

- Sujeitar-se à exploração por parte de outras pessoas

- Estabelecer relacionamentos amorosos com pessoas menos qualificadas do que teria condições,

- Experimentar mais frequentemente emoções negativas como medo, ansiedade, insegurança,

-Experimentar mais frequentemente insatisfação consigo próprio e com conquistas.

- Usar de substâncias para lidar com os desconfortos provocados por esse fato.

Tipos de distorções da autoconfiança

A autoconfiança pode sofrer distorções para mais ou para menos.

Você está com déficit de autoconfiança quando em várias situações importantes você:

(1) Confia muito pouco nas suas percepções sobre o que está acontecendo ou sobre como deveria agir em diversas situações importantes e (2) percebe o que está acontecendo e como deveria agir, mas subestima sua capacidade para ser bem sucedido nessas situações.

Você está com excesso de autoconfiança quando:

(1) Superestima a validade das suas percepções sobre o que está acontecendo e sobre como deveria agir em várias situações importantes e (2) superestima as suas condições para se sair bem nessas situações.

Possíveis motivos das variações na autoconfiança

As causas das variações na autoconfiança ainda não foram bem estudadas. No entanto, existem algumas evidencias sobre as condições que podem determinar essas variações. Vamos examinar agora alguma delas.

Possíveis motivos de variações na autoconfiança situacional

Em todas as situações que nos deparamos no dia a dia recebemos feedback sobre as correções das nossas percepções, sobre as nossas condições para lidar com os acontecimentos e sobre o nosso status e poder. Esses feedbacks afetam as nossas autoconfianças situacionais. As variações nesses graus de autoconfiança influenciam enormemente as nossas motivações e decisões para aceitarmos os desafios com que nos deparamos e, por isso, são extremamente úteis, quando bem calibradas.

Possíveis motivos da baixa autoconfiança disposicional

            Quando uma criança, ou até mesmo um adulto, recebe feedbacks repetidos e importantes que indicam que a sua percepção não está funcionando bem em diversas áreas importantes da sua vida ou que ela não tem condições para sair-se bem nessas situações e não são indicados caminhos para que ela supere esses obstáculos, a sua autoconfiança ficar comprometida pelo resto da vida.

            Quando essas desconfirmações ocorrem na autopercepção ou na percepção social, os danos para a autoconfiança são ainda mais graves e generalizados do que quando ocorrem em outras áreas. A seguranca nessas duas áreas é mais menor e tem que ser continuamente nutrida porque nelas a noção do que é certo ou errado é menos objetiva: os critérios e os resultados das avaliações são menos claros, mais sujeitos à interpretação e mais passiveis de serem distorcidos pelas emoções e pelas opiniões alheias.

Problemas com a autoconfiança? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h44

07/02/2012

Características de um rosto bonito

A beleza física pode ter grandes efeitos na nossa vida. As pessoas mais bonitas geralmente são mais bem consideradas e tratadas. Os estudos dessa área mostraram que as pessoas agem como se acreditassem que “O que é belo é bom”. As pessoas mais bonitas, por exemplo, tem mais chance de arranjar melhores empregos, receber mais indulgências quando transgridem as normas sociais e de se casarem com parceiros acima dos seus próprios níveis socioeconômicos. Mais raramente, a beleza pode ter efeitos prejudiciais. Por exemplo, as pessoas muito bonitas têm menos chance de ocuparem certos cargos executivos e mais chances de receberem penas mais severas quando usaram a aparência como ferramenta para a transgressão (por exemplo, quando uma mulher usou a sua beleza para seduzir a vitima ela pode ser punida mais severamente do que uma menos bonita).

A beleza física é determinada pelas características do corpo e do rosto. Curiosamente, a beleza do rosto pode ter tanto ou mais peso na determinação da beleza total do que a do restante do corpo. De fato, não se trata apenas do rosto: as características da cabeça, dos cabelos e do pescoço ajudam a determinar aquilo que chamamos de rosto bonito.

Também existem evidências de que a avaliação da própria beleza pode afetar mais o sucesso de uma pessoa do que esse mesmo tipo de avaliação realizado por outras pessoas. Um dos motivos mais óbvios para isso é que a autoavaliação afeta a autoconfiança, a qual, por sua vez, afetará o desempenho do autor da autoavaliação.

Muitas pessoas acreditam que o conceito de beleza é subjetivo e que ela é mais determinada pelos olhos de quem vê do que por aquilo que é visto. Esse ponto de vista é parcialmente verdadeiro: o conceito de beleza varia um pouco de uma cultura para outra e as experiências individuais são capazes de afetá-lo. No entanto, esse conceito também têm alguns determinantes universais, provavelmente de origem biológica. Por exemplo, existem estudos que verificaram que bebes prestam mais atenção em fotografias de pessoas que foram julgadas mais bonitas por adultos. Também existem ótimas evidências de que vários atributos de beleza säo indicadores de bom funcionamento hormonal (vários dos sinais que distinguem os homens das mulheres, por exemplo) e integridade genética (a simetria corporal, por exemplo)

Importância dos componentes e do conjunto do rosto

Neste artigo vamos examinar a importância de alguns dos fatores que contribuem para a beleza do rosto, que foram descobertos por várias pesquisas, como a harmonia do conjunto dos componentes faciais (“gestalt”: harmonia entre os tamanhos e formatos dos componentes faciais e suas localizações tridimensionais na cabeça), a beleza de cada um dos elementos constituintes do rosto (boca, nariz, olhos, testa, sobrancelhas, queixo, etc.), a simetria entre o lado direito e lado esquerdo do rosto, os sinais de juventude e maturidade sexual e o fato do rosto ter características médias em relação aos rostos da população onde vivem os avaliadores.

Os componentes faciais

Um estudo realizado por Cross e Cross (1971) tabulou a freqüência com que pessoas de 7 a 57 anos citaram componentes faciais como sendo importantes para a beleza facial. A ordem de importância encontrada neste estudo foi a seguinte: Olhos (34%), boca e/ou sorriso (31%), proporções faciais ou configuração geral da face (15%) cabelos (10%), cor da pele (5%) e formato do nariz (5%).

Michael F. Cunningham, professor do Elmshust College,  realizou dois quase-experimentos para investigar a relação entre características faciais de mulheres adultas e a atração, atribuição e respostas altruísticas de homens adultos. Este autor mediu 24 características faciais de uma amostra internacional de fotografias de 50 mulheres. Homens avaliaram a atração de cada uma dessas 50 mulheres. O autor calculou as correlações entre as medidas dessas características e as avaliações das atrações. As características positivamente correlacionadas com os graus de atrações foram as características de neonatos (olhos grandes, nariz pequeno, e queixo pequeno); as características de maturidade (ossos das bochechas proeminentes); e as características expressivas  (sobrancelhas altas, pupilas grandes e sorriso largo). 

O segundo estudo pediu para homens avaliarem características pessoais de 16 mulheres cujas características faciais foram medidas no primeiro estudo acima. Solicitou-se também que os homens indicassem quais com quais dessas mulheres eles estariam inclinados a mostrar comportamentos altruísticos, convidar para um encontro, fazer sexo, e ter filhos. Várias das características faciais eram preditoras dos atributos de personalidades dessas mulheres que lhes eram atribuídos pelos homens e das inclinações altruísticas e interesses reprodutivos por parte desses homens em relação a elas.

A percepção global do rosto

A teoria gestáltica afirma que os efeitos produzidos pelo todo são maiores ou qualitativamente diferentes daqueles produzidos pela soma das partes. Por exemplo, no caso do rosto, uma pessoa, pode ter belos olhos, uma bela boca, um belo nariz, uma bela testa e ainda assim não ser muito bonita ou vice-versa. Para fazer uma idéia de como isso é possível, basta imaginar, por exemplo, que o formato do seu rosto é muito diferente do usual ou que estes componentes faciais não estão simetricamente distribuídos na face.

O contrário, dentro de certos limites também parece ser verdadeiro: a pessoa pode ter uma ótima harmonia dos componentes faciais, mas, mesmo assim, o rosto não será considerado bonito se esses componentes forem muito feios.

       O rosto médio é belo

Há muito tempo é sabido que um rosto médio, em relação ao rosto das pessoas do mesmo sexo da população do local onde vive o indivíduo, é considerado um rosto belo. Recentemente, autores americanos criaram rostos médios a partir de vários outros rostos, e mostraram que estes rostos médios eram considerados mais bonitos do que os rostos verdadeiros que lhes deram origem. Eles verificaram também que estes rostos médios eram considerados os mais belos em outras culturas, dentre a coleção de rostos que lhes deram origem, embora as pessoas de cada cultura que fizeram as avaliações considerassem mais belos os rostos médios das pessoas da própria cultura.

Atualmente esse padrão cultural de beleza está bastante alterado porque as pessoas são expostas à televisão, ao cinema, às revistas e a rostos diferentes daqueles da população onde elas vivem. Estes rostos diferentes são frequentemente associados com poder, riqueza, etc. Assim sendo, tais rostos de outras culturas acabam influenciando os padrões locais de beleza.

B. Malinowiski, o famoso antropólogo polaco, no início do século passado já tinha observado o mesmo fenômeno na Melanésia, onde viveu um bom tempo: o rosto médio local também era considerado o mais bonito. Por exemplo, uma pessoa com a pele muito escura ou muito clara, para os padrões locais, era considerada menos bonita do que uma pessoa com uma cor de pele intermediária.

Faces compostas

A atração de faces compostas de mulheres foi notada há muito tempo atrás. Sir Francis Galton, grande cientista inglês do século passado, criou um método muito interessante para estudar a beleza de faces compostas. Sir Galton fotografou vários homens e mulheres ingleses e revelou parcialmente os negativos das mulheres sobre um mesmo papel e a dos homens sobre outro papel. Desta forma as características mais comuns ficavam mais firmemente registradas nas fotografias ao passo que as características mais raras praticamente não deixavam as suas marcas no papel. Sir Galton verificou que os rostos que possuíam características médias, em relação às características existentes em uma dada população, eram considerados mais bonitos do que os rostos que possuíam características mais extremadas na mesma população. Por exemplo, um nariz bonito é um nariz de tamanho médio, em relação aos tamanhos de narizes que existem em uma dada população. Um nariz muito menor ou muito maior do que este nariz médio era considerado menos bonito. Esta regra sobre a beleza do médio não era absoluta. Um desvio moderado destas médias de tal forma que acentuassem os sinais de gênero acentuava ainda mais a beleza da montagem fotográfica.

O rosto simétrico é belo

Um dos fatores que contribuem para que uma pessoa seja considerada bela é a simetria entre o formato e as dimensões de todos os detalhes do lado direito e do lado esquerdo de seu corpo. Uma pessoa simétrica é aquela cujo lado esquerdo do corpo corresponde em tamanho e forma ao lado direito do corpo. Por exemplo, se fotografarmos um rosto e cortarmos verticalmente a fotografia exatamente no meio e superpusermos as duas metades, elas raramente se ajustarão perfeitamente. Quanto maior a superposição, maior o grau de simetria.

Existem várias evidências de que as pessoas que possuem um alto índice de simetria são consideradas mais belas. Também existem evidências de que elas são mais saudáveis (por exemplo, grande assimetria nas mamas indica distúrbios hormonais).

Quem é jovem é belo

Vários estudos atuais vêm mostrando que os sinais de juventude são considerados belos em quase todas as culturas. Estudos realizados em várias culturas e em várias épocas histórica mostram que os homens preferem se casar com mulheres mais jovens. A teoria psicobiológica afirma que a juventude é principalmente valorizada nas mulheres porque ela é mais importante para a reprodução das mulheres do que para a dos homens. Na nossa história filogenética, os homens que preferiam mulheres mais jovens tiveram um maior sucesso reprodutivo do que os homens que preferiam mulheres mais velhas. Nas condições onde a nossa espécie evoluiu era muito importante ter muitos filhos para que uns poucos sobrevivessem. Nestas condições, a importância da juventude feminina era imensa porque essa mulher teria mais chances de ter mais filhos do que uma mulher mais velha.

A natureza, no entanto, não fazia as pessoas tomarem este tipo de decisão com base em raciocínios conscientes deste tipo. A natureza, tanto no ser humano como provavelmente em todos os animais, conseguia o mesmo efeito no sucesso reprodutivo fazendo com que as pessoas sentissem atraídas por sinais que indicavam uma grande capacidade reprodutiva. Ela por um lado fez que as pessoas mostrassem sinais nítidos de idade e, por outro lado, determinou as preferências do outro sexo por pessoas com sinais de maturidade, mas com pouca idade  para fins de um relacionamento amoroso.

O rosto que tem sinais marcados de gênero é belo

O rosto masculinho difere do rosto feminino em vários aspectos (queixo, cavalete do nariz, tamanho dos olhos, esperssura das sobrancelhas, etc.). Essas diferenças indicam bom funcionamento hormonal. Tendemos a gostar mais, para fins de um relacionamento amoroso, daquelas pessoas que têm sinais acentuados do outro gênero. (Os homossexais, obviamente, gostam mais de sinais do próprio gênero).

A beleza do rosto em diferentes fases da vida

O conceito de beleza varia com a idade daqueles que estão sendo avaliados e com a idade dos avaliadores. Por exemplo, as características de um bebê, de uma pessoa madura e de uma pessoa idosa que são consideradas bonitas não são as mesmas.

Muitos dos fatores que contribuem para que um bebê seja considerado belo não são os mesmos que contribuem para que um jovem ou uma pessoa na terceira idade seja considerado belo. Por isso, existe apenas uma baixa relação entre a beleza de uma criança e a sua beleza na idade adulta.

Ao que tudo indica, a natureza faz com que os bebês nasçam com certas características físicas que as tornam atraentes e despertem o afeto dos adultos, principalmente das mulheres (estas dilatam mais a pupila diante de fotos de bebês do que os homens que ainda não tiveram filhos). Algumas das características que tornam os bebês atraentes são as seguintes: formato do contorno da cabeça, testa grande em relação ao tamanho do rosto, quando comparada com as testas de adultos, ponte do nariz menor, queixo menos proeminente e olhos maiores.

A belaza é importante. O charme, a "presença" e a personalidade são mais importantes ainda

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Por Ailton Amélio às 11h02

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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