Blog do Ailton Amélio

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29/05/2012

A arte de ler as mentes das outras pessoas

Ler mentes é um antigo sonho, acalentado por muita gente, que já foi objeto de muitos livros de ficção e filmes: como entrar na mente de outras pessoas, descobrir o que estão pensando e controlá-las. Este tipo de habilidade sempre despertou muita curiosidade e, nos últimos anos, tem sido objeto de intensa divulgação pela mídia. Um exemplo atual é a série televisiva “Lie to me”, cujo consultor técnico é, nada menos, Paul Ekman, um dos principais estudiosos das expressões faciais.

Recentemente foi publicado o livro The Art of Reading Mind, de Henrik Fexeus, psicólogo, mágico e showman sueco, que promete ensinar como realizar a façanha de ler mentes e influenciar pessoas. Esse autor participa de programas de televisão e viaja apresentando espetáculos e demonstrações sobre a “leitura de mentes”.

Não, não torça o nariz e não pare de ler: a forma como esse tema vem sendo estudado atualmente nada tem a ver com as abordagens anteriores, do tipo parapsicologia, adivinhação de pensamentos ou poderes espirituais. Fexeus, por exemplo, utiliza a comunicação não verbal, a comunicação verbal e o hipnotismo para descobrir parte daquilo que as pessoas estão pensando e sentindo e para exercer influência sobre elas.


Todos somos leitores de mentes

Um bom jogador de xadrez sabe analisar rapidamente as chances de cada um dos competidores de uma partida em andamento. Essa análise é realizada, em boa parte, através da percepção gestaltica das posições das peças que estão no tabuleiro e de quem fará a próxima jogada e não da análise de cada uma das possibilidades de jogada, como faria um computador. Na vida diária, tomamos inúmeras decisões do mesmo tipo que são tomadas pelos bons jogadores de xadrez: analisamos rapidamente situações muito complexas de uma forma global e não através da análise de seus detalhes.

Para dar um exemplo do que acontece nos relacionamentos, as habilidades exigidas para a realização de um simples diálogo são extremamente complexas. Os cientistas que estão tentando desenvolver softwares para capacitar os computadores para dialogar fluentemente com humanos já descobriram essa complexidade! Para ser capaz de dialogar é necessário, praticamente, ler a mente do interlocutor. Aquelas mensagens que são apresentadas explicitamente, de fato, são apenas fragmentos de mensagens altamente complexas que säo apresentadas. Esses fragmentos só fazem sentido porque estão inseridos em contextos sofisticados e são interpretados de acordo com expectativas pré-existentes dos decodificadores. Todos esses cálculos envolvidos nas apresentações e interpretações de mensagens são, em grande parte, inconscientes. Trata-se, portanto, de “leitura de mentes” e não da decodificação de simples mensagens!

Possuimos mecanismos que facilitam a leitura do que se passa com os nossos interlocutores como a empatia e o contágio emocional. Também estão sendo descobertos alguns mecanismos fisiológicos que favorecem ou possibilitam a leitura do que se passa com outras pessoas. Um desses mecanismos são os “neurônios espelho”: neurônios que disparam tanto quando realizamos uma determinada a ação, como quando observamos outras pessoas apresentarem a mesma ação. Desta forma, os neurônios de uma pessoa imitam os neurônios de outra pessoa, como se a primeira estivesse realizando a ação. Por exemplo, quando vemos uma aranha na perna de alguém podemos ficar arrepiados, como se ela estivesse na nossa própria perna. Quando você observa alguém sofrer uma rejeição, você pode sentir algo similar ao que a pessoa que está sendo rejeitada poderá estar sentindo.

Durante os relacionamentos, a nossa mente funciona no automático, uma boa parte do tempo. Milhares de sinais são enviados e captados sem que tenhamos que pensar neles. David L. Smith, autor do livro, “Porque Mentimos”, acredita que nosso cérebro sabe se comunicar com o cérebro de nossos interlocutores através de mensagens criptografas que são apresentadas através da comunicação não verbal e de mensagens verbais cifradas. Por exemplo, podemos começar a falar de “pessoas que enganam as outras”, quando sentimos que nosso interlocutor está mentindo, ou abordar o tema “ditadores que oprimem as pessoas” quando sentimos que nosso interlocutor está sendo muito impositivo.

A análise do sonho psicanalítica também pode ser considerada uma tentativa de desvendar a linguagem cifrada que nosso cérebro usa nos sonhos.

Não precisamos da intencionalidade e da consciência para comunicar e decifrar grande parte das mensagens. Aliás, esses dois fatores podem até atrapalhar a eficácia das nossas comunicações. Por exemplo, um estudo mostrou que a capacidade para julgar corretamente expressões faciais de emocoes é melhorada quando a nossa mente racional é ocupada com uma tarefa como a realização de cálculos matemáticos, ao mesmo tempo em que as expressões faciais que deverão ser julgadas vão sendo apresentadas.

Isso também fica muito claro naquelas situações onde o resultado do nosso desempenho pode gerar consequências muito importantes para nos e, por isso, ficamos mais cuidadosos para expressar. Perdemos a expontaneidade e isso prejudica bastante, a nossa percpecao e desempenho. Perdemos a “expontaneidade”.


Podemos melhorar a nossa capacidade para ler mentes

A capacidade para ler mentes corretamente é ampliada quando (1) estamos motivados para perceber outras pessoas, (2) não temos medo daquilo que podemos perceber e (3) tivemos experiências que contribuíram para melhorar a nossa percepção social.  

Para perceber bem outras pessoas, temos que estar livres e motivados para fazer isso. Muitas vezes, esse incremento na capacidade perceptiva não vem  do aumento de habilidades, mas sim da melhoria da motivação para fazer isso: um estudo mostrou que as mulheres normalmente são melhores para julgar a comunicação não verbal do que nós homens. No entanto, quando homens e mulheres passaram a ser premiados pelos julgamentos correto, a diferença nas habilidades perceptivas entre homens e mulheres desapareceu. Ou seja, essa diferença era motivacional e não de capacidade!

A liberdade para perceber significa não ter medo do que será percebido ou de não conseguir perceber e da ausência de objetivos que restrinjam demais as nossas percepções. A presença de objetivos em relação a um determinado relacionamento ou pessoa pode diminuir a nossa sensibilidade porque ela  restringe e direciona aquilo que estamos aptos a observar.

Você gostaria de melhorar a sua capacidade de “ler mentes”? Procure a ajuda de um psicólogo.

 

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Por Ailton Amélio às 11h49

22/05/2012

Solidão e pseudo-relacionamentos

Você se relaciona com muita gente e, mesmo assim, sente-se solitário? Provavelmente você está tendo este sentimento porque está apenas  pseudo-relacionando-se com todo mundo: o tratamento mutuo com estas pessoas está muito restrito - vocês só reconhecem e lidam com algumas das características mútuas e não com o ser humano integral: o cara que gosta de futebol, a mulher gostosa, o chefe que devo agradar, etc. Este tipo de relacionamento restrito está mais próximo daquele que acontece entre uma pessoa e um objeto do que aquele que poderia existir entre duas pessoas integrais.1

            Existem diversos motivos para que os relacionamentos interpessoais sejam restritos. Alguns desses motivos são legítimos e inevitáveis. Outros são resultados de distorções psicológicas e sociais. Este é o tema que será examinado neste artigo.


Tratando pessoas como objeto

Provavelmente você já ouviu varias vezes reclamações do tipo:

- Você me trata superficialmente.

- Você não confia em mim. Nunca diz o que realmente está sentindo ou pensando.

- Você nem olhou para mim. Não reparou que estou tenso.

- Você me trata como objeto e não como pessoa.

- Você não perguntou nada sobre o meu exame médico.

- Você me trata como objeto sexual. Só quer o meu corpo.

- Como você pode estar querendo transar comigo, se acabamos de brigar?

- A minha mãe não deixava faltar nada, mas não era afetiva, não brincava e não conversava conosco.

- Você acha que pode resolver tudo com dinheiro.

- Você não me ouve, não presta atenção em mim.

- Depois de todos esses anos, você ainda não me conhece!

- Assim que me vê, você se põe a falar. Não se interessa muito pelo que está se passando comigo, se estou disposto a ouvir tanto.

- Você coloca reparo em todo que digo. Você não me aceita como sou.

Aqueles que apresentam essas reclamações sentem que não estão sendo considerados como pessoas integrais. Quem os trata dessa forma, está ignorando diversos aspectos de suas identidades e sentimentos.


Relacionamento entre pessoas integrais

As seguintes afirmações são indicativas de um relacionamentos entre pessoas integrais:

- Sou todo ouvidos!

- Não se apresse. Tenho todo o tempo que você precisar.

- Quero conhecer você. Fale e aja como quiser. Estarei atento e observando você.

- Estou interessado no seu ponto de vista!

- Qualquer coisa que você queira e sinta é válido, embora eu possa sentir e querer algo diferente.

- Nunca alguém me ouviu com tanta atenção!

- Ela me olha atentamente. É como se bebesse as minhas palavras.

- Senti que não estava sendo julgado por aquilo que dizia.

- Ele sempre considerava com muita atenção quase tudo que eu falo e faço.

- O mais importante era como eu pensava e sentia e não os resultados práticos das minhas ações.

- Eles davam mais importância para os sentimentos e bem estar dos filhos do que para os resultados acadêmicos e econômicos de suas ações.

- Estou dizendo com polidez e cuidado o que realmente penso e sinto sobre o que você disse.

- Vou deixar você me conhecer. Tentarei expressar honestamente como sou e o que penso.

 

Relacionamentos restritos

            Todos os dias nos relacionamos com várias pessoas. No entanto, raramente estamos plenamente receptivos para elas e nem elas estão plenamente receptivas para nós. Raramente estamos livres e dispostos para percebê-las, vê-las, ouvi-las sem restrições e vice versa. Também não estamos muito dispostos para nos abrirmos com elas.

Infelizmente, na maioria dos relacionamentos, não percebemos direito as outras pessoas e nem somos percebidos por elas. Apenas as usamos e somos usados por elas para atingir certos objetivos.


Motivos para a indisponibilidade interpessoal

Alguns dos principais motivos que impedem o relacionamento pleno entre as pessoas são os seguintes:

Superênfase no econômico: vivemos numa época onde o valor das pessoas depende do que elas têm e não do que elas são.

Ocupados demais. Geralmente estamos ocupados com outras coisas e, por isso, não dispomos de muito tempo para nos relacionarmos com as pessoas. Ocupação é uma questão de prioridade: estamos mais preocupados e "ocupados" com coisas que achamos mais importantes, interessantes ou urgentes do para nos relacionamos de verdade com outras pessoas.

Obrigação. Em muitos casos, o tempo que dedicamos às pessoas é mais controlado pelo senso de obrigação do que pelo interesse que temos por elas. Tudo que é feito por obrigação é feito o minimamente possível para cumprir aquilo que é exigido.

Pessoas desinteressantes. Podemos sentir que não temos assunto para conversar com as pessoas e que elas, em si, são desinteressantes. Podemos concluir que já as conhecemos e, por isso, não esperamos que elas apresentem qualquer novidade interessante. Esse desinteresse também pode surgir porque achamos que já sabemos o que esperar delas ou porque achamos que já testamos anteriormente os tipos de conversa que däo certo  com elas.

Características não atraentes. Achamos as pessoas interessantes ou desinteressantes devido suas características demográficas (sinais de gênero, idade, nível econômico). Muito vezes esses critérios säo puramente preconceituosos.

Pragmatismo. As pessoas pragmáticas sentem que “não têm tempo a perder” e só querem conversar sobre coisas que tenham consequências práticas. Muitos pragmáticos também acham que conversar sobre coisas pessoais e que não tenham consequências práticas é piegas. Este tipo de pessoa também está mais preocupado em conversar sobre algo que garanta o sucesso da conversa e não em ver o interlocutor como uma pessoa integral.

Objetivos limitantes. Muitas vezes a conversa é canalizada por aquilo que queremos da outra pessoa ou por aquilo que queremos que ela pense a nosso respeito. Claro que é legitimo ter objetivos. No entanto, podemos tratar desse objetivo e, ao mesmo tempo, continuar atento para a pessoa integral e não só para aquilo que achamos relevante para este objetivo.

Preocupação em projetar uma imagem positiva. Muitas vezes nos apressamos em apresentar um determinado assunto para conversar porque tratar dele favorece a nossa imagem ou diminui a chance de sermos rejeitados.

Medo se expor. Temos medo da exposição. Tememos muito que as revelações de nossos pensamentos e sentimentos possam ser usadas contra nós. Esse medo pode ser exacerbado ao ponto de deixarmos revelá-los mesmo para pessoas mais próximas.

Pessoas demais para conviver. Há pouco tempo os seres humanos passaram a viver em grandes centros urbanos e, por isso, acabam se deparando no dia adia com uma quantidade muito grande de pessoas conhecidas e desconhecidas. Aparentemente só temos condições psicológicas para encarar certa quantidade de pessoas como “gente”. Por exemplo, só conseguimos desenvolver uma pequena quantidade de amizades íntimas. Por isso, tratamos muita gente como “não pessoas”.

Recusa para ser tratado integralmente. Muitas pessoas se recusam a serem tratadas integralmente porque acreditam que algumas de suas facetas são mais vantajosas: querem ser tratadas como autoridades, famosas, juízes, professores e não “como uma pessoa integral qualquer”!


Impessoalidade inesperada

O grau de impessoalidade dos relacionamentos varia muito. Algumas pessoas são muito impessoais com quase tudo mundo. Outras poucas são muito pessoais com muita gente.

Essa indisponibilidade para entrar em contato com a outra pessoa integral pode acontecer até mesmo com pessoas que gostamos e com as quais temos um tipo de relacionamento que preveria esse tipo de contato: esposa, filhos e amigos.

Os seus relacionamentos são superficiais e impessoais? Procure a ajuda de um psicólogo.

 

Notas

Esse tema é tratado mais extensamente por autores como Martin Buber e Jiddu Krishnamurti nos seguintes livros

Buber, M. (2001). Eu e tu. Säo Paulo. Centauro

Krishnamurti, J. (1996) Sobre o viver correto. São Paulo: Cultrix. 

 

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Por Ailton Amélio às 12h16

15/05/2012

Você é um solteirão convicto e não sabe disso?

Você, no fundo do seu coração, se vê como alguém que poderia viver melhor “solteiro” (sem relacionamento amoroso fixo) do que “casado” (vivendo com alguém em um relacionamento amoroso fixo) ou imagina que estaria melhor em um tipo de relacionamento que combina aspectos desses dois primeiros tipos?

Recentemente Bella DePaulo, uma pesquisadora americana da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, autora de vários artigos e livros sobre os solteiros convictos, vem apresentando relatos preliminares de uma pesquisa que está desenvolvendo com a finalidade de identificar as características de pessoas que se sentem melhor sozinhas na área amorosa ou sem uma companhia amorosa fixa (“solteiros convictos” ou “single at heart”) do que com este tipo de companhia.

Nessa pesquisa, DePaulo, pediu para 1200 pessoas classificarem-se em uma das seguintes quatro categorias:

I- Identificado com os solteiros convictos

II - Muito identificado com os solteiros convictos

III- Pouco identificado com os solteiros convictos

IV- Não identificado com os solteiros convictos.

Essa pesquisadora também pediu para os participantes da pesquisa que respondessem às questões apresentadas abaixo. Essas questões ajudam a identificar essas quatro propensões para a solteirice convicta ou para o casamento .(Responda agora essas questões e veja quanto você se identifica com os solteiros convictos):

(1) Você é autossuficiente – você gosta de resolver os problemas e desafios sem pedir auxílio?

(a) Sim

(b) Não

 2 – Se você tivesse que escolher entre um trabalho significativo que não paga muito e um trabalho pouco inspirador que paga bastante, qual você escolheria?

(a) Trabalho significativo que não paga muito.

(b) Um trabalho pouco inspirador que paga bem.

3-  Você tem a sensação  de eficácia pessoal (personal mastery) – uma attitude do tipo “Posso fazer qualquer coisa que eu decida fazer”?

(a) Sim

(b) Näo

4- Eu estava em um relacionamento amoroso que acabou e, quando isso aconteceu, me senti:

(a) Aliviado

(b) Tristeza e dor.

5 - Quando penso em fazer uma grande mudança na minha vida, como iniciar uma nova carreira ou viajar por todo o país, prefiro:

(a) Tomar a decisão que é boa para mim, sem me preocupar com a aprovação do seu parceiro, ou se a minha decisão se contraporá aos objetivos do parceiro.

 (b) Tomar uma decisão junto com meu parceiro, mesmo que isso signifique que não porei em prática a minha opção favorita.

6- Imagine que quando você vai dormir à noite, não há mais ninguém na cama com você ou que você pode ter pessoas diferentes em noites diferentes na sua cama. Como você se sentiria

(a) Ficaria bem com isso

(b) Você não gostaria disso

7 - Quando você pensa em passar um tempo sozinho, o  pensamento vem à mente em primeiro lugar é o seguinte: 

(a) Ah, doce solidão!

(b) Oh, não, eu não estar sozinho!

8- Quando penso em procurar um parceiro romântico para um relacionamento duradouro:

(a) Sinto que é algo que "deveria" fazer, mas isso não é realmente tudo o que interessa na vida.

(b) O processo pode ou não pode ser emocionante e divertido, mas um bom resultado seria ótimo!

9- Quando tenho algum contratempo menor, com um para lama do meu carro amassado ter sido amassado em uma pequeno acidente, sinto que:                                         

(a) Ficaria aliviado por não ter que explicar para a outra pessoa

(b) Gostaria de ter um parceiro para ir para casa e contar tudo sobre ele.

10- Muitos casais esperam que, em certas ocasiões, cada um dos cônjuges funcione apenas como companhia. Em relação a isso, sinto que:

(a) Prefiro ter mais opções, às vezes participar sozinho dos meus próprios eventos, às vezes  participar com outras pessoas e, às vezes, apenas ficar em casa quando o evento não me interessar.

(b) Fico confortável em ter uma pessoa na minha vida para a qual me sinto obrigado a servir como companhia quando ela quiser ir a algum lugar que eu preferiria não comparecer.

11- Quando estou a permitir-me uma indulgência favorita, como comer  “porcarias” ( junk food) ou assistir um programa bobo de televisão:

(a) Sinto-me encantado quando posso fazer exatamente o que quero, sem ninguém por perto.

(b) Prefiro um cônjuge ao meu lado, seja para participar comigo dessas pequenas transgressões, seja para me ajudar a evitá-las.

12. Quando quero buscar metas grandiosas, como comer direito, fazer muita ginástica ou ler livros inspiradores prefiro....

 Alternativas de resposta:

(a) Tentar realizar esses planos por conta própria ou com a ajuda de amigos.

(b) Ter um parceiro para perseguir esses planos junto comigo, ou fornecer uma desculpa para que eu faca outra coisa.

13. Quando estou em um relacionamento romântico e ele termina, sinto:

Alternativas de resposta:

(a) Tristeza e dor

(b) Talvez sinta alguma dor, mas também me sento aliviado. O pensamento de estar livre de novo me enche de alegria.

 

Avaliação

Quanto mais vezes você optou pela alternativa (a) para responder essas questões, mais você se identifica com os solteiröes/solteironas convictos.

Observações

Neste artigo, adaptei e simplifiquei bastante as questões usadas na pesquisa de DePaulo. Caso você queira ter uma ideia mais precisa dessa pesquisa e das suas propensões para a solteirice convicta, leia o artigo dessa autora:

DePaulo, B. What Does It Mean to Be Single at Heart?

http://www.psychologytoday.com/blog/living-single/201003/are-you-single-heart (acessado em 15/05/2012).

 

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Por Ailton Amélio às 17h12

08/05/2012

Medidas para superar uma traição e salvar o relacionamento

A traição amorosa é cada vez mais comum. As estatísticas vêm mostrando que as mulheres, que antes traiam menos do que os homens, agora se igualando a eles nesta “proeza”.

Existem diversos motivos para esse aumento na incidência de traições: liberação sexual, aumento na facilidade para terminar relacionamentos e o fato de homens e mulheres trabalharem juntos, o que gera muitas oportunidades de envolvimento e traição.

Devido a esse aumento na incidência de traições, é cada vez mais provável que ela aconteça em relacionamentos duradouros: ela poderá acontecer com um ou com ambos os parceiros. Muitas vezes, no entanto, quem trai e quem é traído não estão dispostos a terminar esse relacionamento. Isso acontece principalmente quando o relacionamento já existe há muito tempo e as vidas dos parceiros estão interligadas de muitas formas.


Descoberta da traição

Você traiu e foi pego ou confessou a traição. Esse fato causou um tremendo impacto na sua parceira e, agora, o seu relacionamento com ela pode terminar. Você não quer isso e está disposto a fazer o que for possível para salvá-lo.  Vamos examinar neste artigo algumas medidas que podem ser tomadas por quem traiu e por quem foi traído que aumentam as chances do relacionamento sobreviver à traição e voltar a ter um bom nível de qualidade.


Medidas para tentar salvar o relacionamento

Vamos apresentar em seguida algumas medidas que foram usadas com sucesso para recuperar seus relacionamentos por pessoas que traíram ou que foram traídas e que foram atendidas no meu consultório.


Mostrar que a traição cessou

Esta é uma grande preocupação de quem acaba de saber de uma traição: ela continua ou terminou? Muita gente exige provas e ações que comprovem o seu termino: ligar para a outra pessoa na frente e destratá-la, despedi-la quando é uma subordinada, denunciá-la para o marido quando é casada, etc.

Quem traiu vai ter que tomar algumas dessas medidas. Por outro lado, quem traiu tem que evitar fazer algo mais grave que está sendo exigido pelo traído porque este está com a percepção alterada pelo calor das emoções.


Colocar-se à disposição para que o traído cheque a interrupção da traição

É natural que o traído perca a confiança em quem o traiu. Esse é um dos maiores problemas que surgem no período que se segue à descoberta da traição. Como o traído perde a confiança no traidor, todos os tipos de relacionamento, envolvimento e comprometimento que dependem dessa confiança ficam abalados.  

Essa perda da confiança torna suspeita todas as ações e inações por parte de quem traiu: tudo que é feito ou que deixa de ser feito por essa pessoa pode ser visto como evidência de que a traição continua a ocorrer.

Uma das medidas mais importantes para ajudar o traído a superar as suas desconfianças é convidá-lo a checar, sempre que tiver dúvidas, todo aquilo que o traidor anda fazendo.  Quem traiu, por exemplo, pode convidar o traído para “dar incertas”: sem avisar, aparecer no local de trabalho, ir até o local do happy hour onde ele se encontra, conferir as suas ligações telefônicas e e-mails.

Muita gente que traiu se sente muito incomodada com esse tipo de checagem. Infelizmente, esse é um dos preços a pagar pela traição. Essa permissão é temporária e só dura até a pessoa  traída conseguir ultrapassar fase aguda da insegurança que é causada pela traição.

Além disso, quando esse tipo de permissão é concedido, geralmente o traído não fará uso dela ou fará pouco uso. Só o fato de poder checar já é muito tranquilizador.


Mostrar que a traição foi circunstancial ou justificada

Quem foi traído pode ser perdoado, mas a sua imagem ficou alterada. O traidor agora é visto como alguém que é capaz de trair. Isso só pode ser atenuado quando fica demonstrado que a traição foi algo excepcional e bastante justificável pelas circunstâncias onde ela ocorreu: quem traiu estava bêbado, foi seduzido, foi coagido, o relacionamento estava muito mau, o parceiro traído estava negando sexo há muito tempo, etc.


Atenuar a importância da terceira pessoa envolvida na traição  

Ajuda muito quando o homem apresenta evidências de que a pessoa com quem ele traiu não significa quase nada para ele e que “foi só sexo”. Ajuda muito quando a mulher alega que traiu porque o marido a estava tratando mal e que o sexo com a outra pessoa foi péssimo e que ela está muito arrependida e decepcionada com o amante.


Ouvir pacientemente o traído

Uma das medidas que ajuda a aliviar a dor provocada pela traição em quem foi traído é ouvir a pessoa traída sempre que ela tiver necessidade de falar e remoer o acontecimento. Essa necessidade vai aparecer muitas vezes.

A melhor maneira de ouvir é mostrar interesse pelo que o traído está sentindo e pensando, mostrar solidariedade com a sua dor e pesar por tê-la causado, reconhecer a culpa e mostrar que está ciente da bobagem que fez.


Evitar informações muito detalhadas sobre a traição

Certo grau de informação sobre o que se passou é necessário para ajudar que quem foi traído a entender e avaliar o ocorrido e certificar-se que as condições que levaram à traição não continuam presentes. No entanto, não é bom esmiuçar muito os muitos detalhes da traição. Quem foi traído pode ficar obcecado por esse tipo de informação. No entanto, tomar conhecimento dos detalhes só contribuem para ampliar a sua gravidade e podem marcar a imaginação de quem foi traído.


Cinco por um

Diversos autores afirmam que a qualidade de um relacionamento depende da proporção entre coisas boas e ruins que cada parceiro leva para o outro. John Gottman, por exemplo, afirma que um relacionamento que deixa os parceiros satisfeitos é aquele onde cada um produz para o outro cinco unidades de coisas boas para cada unidade de coisa ruim. Agora que o traidor levou um caminhão de coisas ruins para o traído por ter feito isso, é hora dele caprichar nas coisas boas para, pelo menos, mostrar que está empenhado em manter o relacionamento e diminuir o sofrimento daquele que foi traído. Existem mil formas de levar coisas boas para o parceiro. Nada mais importante, no entanto, do que se importar com aquilo que ele pensa, validar o que ele pensa e ajudá-lo em tarefas e a aliviar os problemas que ele está tendo devido ao transtorno psicológico causado pela traição.


Cooperar para a recomposição da estrutura psicológica do traído

A traição pode fazer faltar o chão sob os pés do traído: todo aquilo que o fazia sentir-se seguro e que dependia da vida com o parceiro fica abalado. Quanto da vida de duas pessoas que têm um relacionamento entre si varia muito indo desde algumas esperanças e uma paixão no início até um entrelaçamento de identidades, vida econômica, compartilhamento de relacionamentos, filhos em comum, planos para o futuro.

A traição pode abalar tudo isso. Algumas medidas que podem amenizar esse abalo:

- Garantir que não pensa em terminar o relacionamento.

- Fazer planos para o futuro com o traído.

- Tomar medidas que demonstrem que continuam juntos

- Apresentar demonstrações repetidas que ama quem foi traído: aumentar o romantismo, apresentar declarações, oferecer flores, olhar nos olhos, etc


Reparação de danos à autoestima

Uma das primeiras coisas que preocupa quem descobre uma traição é saber quem é o rival e se ele representa uma ameaça para a autoestima. A comparação com o rival é automática: “ O que ele tem que eu não tenho”. As apreensões são atenuadas quando existem evidências de que o motivo da traição não foi a atração pelo pelos atributos mais nobres do parceiro e, sim, que ela foi causada pelo mau estado do relacionamento com o parceiro traído (o sexo era muito raro e de má qualidade, estava tratando mal a parceira, etc.) ou que a atração pelo rival é apenas físicas ou ainda que circunstâncias fortuitas tiveram uma boa parcela de responsabilidade pela traição (bebida, oferta da outra, viagem a sós com ela, etc. 

Você não  está conseguindo superar uma traição e, por isso, pode perder o seu relacionamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

Um psicólogo especializado neste tipo de problema poderá ajudar você a: 

- Avaliar se realmente está ocorrendo uma traição

- Se vale a pena manter o relacionamento com o parceiro que traiu

- Caso decida manter esse relacionamento, como recuperar o mais brevemente possível boa parte da sua qualidade

- Como diminuir as chances que ocorram outras traiçöes 

- Se for o caso, como terminar o relacionamento e recuperar-se o mais brevemente possível

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Por Ailton Amélio às 12h32

05/05/2012

Intimidade e cumplicidade: elementos primordiais dos relacionamentos pessoais

Um casal está discutindo:

- Eu faço tudo por você: ajudo você em casa; você tem o melhor carro da família; faço questão que você se vista muito bem, more bem e coma do bom e do melhor; vou buscar você onde quer que esteja e em qualquer hora; sempre viajamos para onde você quer...

- Você realmente faz tudo isso! No entanto, você não gosta de conversar comigo e não me apoia. Sempre que estamos juntos você está fazendo outra coisa: mexendo no computador, assistindo TV, dando mais atenção para os seus amigos do que para mim... Acho que você não valoriza o que penso e não se interessa pelos meus sentimentos. Você não me conhece mais e não está interessado em saber as coisas que valorizo e que me preocupam. Só cuidar do meu bem estar físico e do meu conforto material não é suficiente. Quero alguém que me valorize como pessoa!


Diálogos com conteúdos semelhantes a esse podem ser facilmente observados entre pessoas que têm entre si relacionamentos que prevêm um bom grau de intimidade (casamento, pais e filhos, amigos), mas, nos quais, um dos participantes só está oferecendo cuidados materiais e quase nada de cumplicidade. Por exemplo, esse tipo de diálogo acontece frequentemente entre pais e filhos, quando os pais se enfiam no trabalho e tentam compensar suas ausências com presentes caros, boas escolas, roupas e viagens para locais badalados. Nada disso substitui o relacionamento pessoal, as conversas animadas, o interesse, o respeito e o apoio para outra pessoa e  pelo que ela está sentindo e pensando. Muita gente tenta oferecer compensações para tentar reparar a falta de intimidade onde ela deveria existir!


Intimidade nas ligações telefônicas e mensagens de texto

Acabou de sair uma pesquisa que analisou as ligações telefônicas e mensagens enviadas no dia a dia por alguns milhões de homens e mulheres de diferentes idades. Essa pesquisa foi realizada por Vasil Palchykov, da Aalto University School of Science (Finlândia) e colaboradores1. Esses autores examinaram alguns milhões de ligações telefônicas e mensagens de texto e encontraram evidências que indicam que são as mulheres que determinam mais fortemente o início e o andamento dos relacionamentos pessoais. Esse estudo também verificou que as mulheres, durante seus períodos reprodutivos, trocam mensagen e telefonemas principalmente com pessoas do sexo oposto (“primeiro amigo”) e, em menor escala, com pessoas do mesmo sexo (“segundo”, “terceiro”...amigos). Quando elas vão saindo de seus períodos reprodutivos, depois dos quarenta anos, essas mensagens vão sendo cada vez mais dirigidas para pessoas do mesmo sexo, provavelmente para as suas filhas, que já estão começando a ter seus filhos. Estas variações mostrariam, segundo esses autores, a função adaptiva desse tipo de investimento no relacionamento. Os autores dessa pesquisa citam outros estudos que indicam que as frequências dessas ligações e mensagens são correlacionadas com as intensidades da intimidade que existe entre as pessoas que as enviam e as recebem. Esses autores, no entanto, não analisaram os conteúdos dessas comunicações, ou seja, a natureza dessas “intimidades”.

Neste artigo vamos examinar a natureza dos relacionamentos íntimos e a importância desse tipo de relacionamento para os indivíduos e para a manutenção e desenvolvimento dos relacionamentos pessoais.


Três ingredientes do amor

Segundo a teoria triangular de Robert Sterneberg2, o amor é constituído por três ingredientes: intimidadepaixão (romântica e sexual) e compromisso. A intimidade é o tema desse artigo e o seu conceito é apresentado mais detalhadamente nos outros parágrafos. A paixão se subdivide em dois tipos: a romântica (olhar nos olhos prolongadamente, trocar juras de amor, ouvir a “música tema do casal” e se emocionar, ligar várias vezes por dia só para dizer que estava pensando no outro e para ouvir a sua voz) e a sexual (quanto deseja sexualmente o parceiro, quanto anseia por transar com ele, quão boa é a relação sexual com ele). Compromisso: quão determinado está para permanecer com o parceiro, quão determinado está para lutar contra as ameaças à estabilidade do relacionamento, quanto sente que pode contar com o parceiro “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”...

O termo intimidade é usado na literatura dessa área com quatro sentidos diferentes: (1) intimidade cognitiva (prazer e fluência para trocar idéias com o parceiro sobre diversos assuntos como política, futebol, música, etc.), intimidade experiencial (entrosamento para realizar coisas juntos: participar de jogos em equipe, dançar, etc.), (3) intimidade física ou sexual (bom entrosamento para trocar carinhos físicos e nas práticas sexuais) e (4) intimidade emocional ou cumplicidade (cumplicidade para conversar, apoiar, aceitar). Neste artigo, vou usar este termo apenas neste último sentido.


Casais que perderam a intimidade

Quando atendo casais no meu consultório, costumo pegar três almofadas e monto um triângulo com elas. Digo ao casal que cada uma delas representa um dos três ingredientes do amor. Peço então para um cônjuges que dê uma nota, de zero a cem, para o quanto oferece de cada um desses ingredientes para o outro e, em seguida, que dê uma nota para o quanto recebe de cada um deles por parte do parceiro. Peço então para o outro cônjuge fazer o mesmo.

Através desse exercício é possível fazer uma ideia do estado do relacionamento entre o casal e do seu conteúdo amoroso. Todas as possibilidades de combinações de intensidades desses três ingredientes são observadas: alguns casais quase não têm intimidade entre si. Outros não possuem paixão; outros estão sentindo um grau muito pequeno de compromisso e pensando em terminar o relacionamento. Frequentemente também observo relações assimétricas: um dos cônjuges oferece mais um dos ingredientes do que os outros dois e também pode oferecê-lo mais do que recebe por parte do parceiro. Por exemplo, a esposa ouve e apoia o marido, mas esse não se interessa pelo que se passa com ela. A paixão sexual também é frequentemente assimétrica: o homem quer sexo com a mulher, mas essa quase não o deseja mais porque ele não lhe oferece cumplicidade e romance.

Tipicamente, quando um relacionamento amoroso começa, o grau de intimidade é pequeno. Em seguida, a intimidade pode ir crescendo e demora um tempo para atingir um bom nível. Ai ela se estabiliza por um período. Passado mais um tempo, infelizmente, ela começa a decrescer. Quando ela fica pequena, claro que o casal pode continuar a conversar sobre “coisas importantes”. No entanto, no dia a dia, os cônjuges deixam de comunicar para um para o outro boa parte daquilo que estão sentindo e pensando. Isso provoca um distanciamento do casal, o que acaba afetando o romantismo e o sexo. Perceber que o outro não “se abre mais” e não “se interessa pelo que se passa comigo” causa ressentimentos, hostilidades e acaba afetando o romatismo e o desejo sexual específico pelo parceiro (o desejo por outras pessoas pode continuar presente), principalmente por parte da mulher (“Ele só quer me usar”).


Elementos da intimidade

Para haver intimidade é necessário haver amor entre os parceiros. Só há intimidade entre pessoas que se gostam e sentem que serão amadas, independentemente do que fizerem e disserem, embora o parceiro possa discordar de aspectos específicos das suas acões e idéias. Além disso, deve haver respeito, diálogo, transparência, vulnerabilidade e reciprocidade entre os parceiros. Também é necessário haver um bom grau de independência entre eles. A dependência excessiva gera uma espécie de simbiose e pode produzir mais efeitos negativos do que positivos.


Efeitos da intimidade

As pessoas que possem relações íntimas são mais saudáveis fisicamente e psicologicamente. As pessoas que têm relacionamentos íntimos ficam menos doentes e, quando ficam, permanecem hospitalizadas por menos tempo.Existem evidências que indicam que essas pessoas são mais felizes, sentem-se menos solitárias, e têm melhores relacionamentos com seus filhos, menores taxas de suicídio e vivem mais tempo. Os filhos dessas pessoas têm mais saúde psicológica, menos problemas comportamentais e menores taxas de vícios em drogas e relacionamentos íntimos mais bem sucedidos na vida adulta. Além disso, a intimidade é a cola interna e o estofo dos relacionamentos pessoais.


A intimidade é a cola interna e o estofo dos relacionamentos pessoais

As pessoas que participam de relacionamentos estão “coladas” entre si externa e internamente. A cola externa é constituída pelos fatores externos aos indivíduos que os mantêm atados a outros indivíduos com os quais compartilham interesses e objetivos que exigem, para que sejam atingidos, a coordenação de esforços de suas partes . Por exemplo, em muitos casamentos, os principais fatores externos que mantêm a união são os filhos, as vantagens econômicas e o compartilhamento de um network que poderia se deteriorar em caso de separação.

Outro exemplo. Muitos relacionamentos são estabelecidos e mantidos sem que os participantes se envolvam muito pessoalmente. Isso acontece principalmente quando os participantes se juntam por um motivo externo (trabalham juntos, estão cooperando para realizar uma tarefa e para alcançar objetivos em comum, como ganhar um jogo, organizar um evento, realizar uma tarefa que exige cooperação).

Os fatores internos aos indivíduos que contribuem para a manutenção da união entre eles são de natureza psicológica e podem ser divididos em negativos e positivos. Muitos dos negativos são os medos como, por exemplo, medo de ficar só e o medo da insegurança econômica decorrente de uma separação. Outros fatores negativos são a dor do afastamento de entes queridos (por exemplo, na separação muitos homens perdem boa parte do convívio com os filhos, que geralmente ficam com a mãe), a dor por provocar sofrimento naqueles que serão diretamente afetados pela separação, principalmente os filhos. Alguns dos fatores positivos que contribuem para o apego entre parceiros são os seguintes: gostar da companhia do parceiro, gostar de conversar com ele e a sensação de pertencimento social proporcionada pelo vínculo com ele.

Você está com dificuldade para estabelecer relacionamentos íntimos? Procure a ajuda de um psicólogo.

Notas

1- Palchykov, V. et al. Sex differences in intimate relationships:

http://www.nature.com/srep/2012/120419/srep00370/full/srep00370.html (Acessado em 29/04/2012)

2- Sternberg, R. J. (1988). Triangulating love. Em R. Sternberg and M. L. Barnes (Editors): The Psychology of Love. Birghamton, Yale University Press.  (Capítulo 6).

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Por Ailton Amélio às 11h54

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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