Blog do Ailton Amélio

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26/06/2012

Armadilha: porque os homens não ligam no dia seguinte

Muitas mulheres reclamam que os homens não querem nada sério na área amorosa. Uma evidência disso, sempre citada por elas, é que, muitas vezes, eles não ligam no dia seguinte, após um primeiro encontro amoroso.

Esse “perdido” por parte dos homens tem vários motivos possíveis. Três deles são os seguintes:

1- As mulheres valorizam mais do que os homens, o compromisso amoroso. (Isso ainda não está bem comprovado). Uma percentagem maior de homens do que de mulheres quer apenas relacionamentos superficiais e fugazes. Por exemplo, eles dão mais valor para o sexo sem compromisso do que elas. Isto não significa, é claro, que "os homens não querem compromisso". Não significa, também, que todas as mulheres não gostam de relacionamentos sem compromisso. Muitas adoram "ficar", por exemplo.

2- As mulheres amadurecem antes do que os homens. Elas ficam prontas antes deles para os assuntos do amor. Por exemplo, elas começam a namorar e se casam antes deles (aqui no Brasil, elas têm, em média, cerca de três anos a menos do que eles na época do casamento).

3- Ele sumiu no dia seguinte porque ela era atraente para sexo, mas não preenchia outros requisitos para um relacionamento mais compromissado.

Cada um desses motivos contribui, em parte, para o sumiço de muitos homens no dia seguinte ao encontro amoroso. Vamos abordar neste artigo apenas o terceiro desses motivos, porque ele é menos conhecido das pessoas em geral e, creio eu, é uma das principais causas do sumiço no dia seguinte.

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Há algum tempo atrás, Douglas T. Kenrick, professor da Universidade Estadual do Arizona, e associados realizam duas pesquisas que se tornaram clássicas entre os estudiosos da escolha de parceiros amorosos1. Esses autores pediram para  homens e mulheres que especificassem o grau mínimo de 21 qualidades que exigiriam de um pretendente para que ele fosse aceito como parceiro amoroso (inteligência, beleza, saúde, etc.) (Essas qualidades foram apontadas por outras pesquisas como importantes para esse tipo de escolha). Foi solicitado a esses participantes que realizem essa tarefa cinco vezes, uma para cada das seguintes cinco finalidades de um relacionamento amoroso: encontro, sexo casual, namoro, noivado e casamento.

Os resultados desse estudo mostraram que os homens e as mulheres iam ficando cada vez mais exigentes na escolha de parceiros à medida que o grau de compromisso do relacionamento ia aumentando. Esse crescimento nos graus de exigência foi observado para cada uma das vinte e uma qualidades que foram incluídas nas pesquisas. Para o casamento, o tipo de relacionamento que tinha o maior grau de compromisso dentre as cinco finalidades pesquisadas, os graus de exigências para os pretendentes eram muito semelhantes para homens e mulheres. No entanto, os dois sexos diferiam bastante nos graus de exigência para os relacionamentos com menores graus de compromisso: as mulheres eram bem mais exigentes do que os homens para um “encontro” e “sexo casual”. (Muitas vezes, elas só aceitam sexo casual com alguém superqualificado, como o Brad Pitt ou George Clooney). Aliás, os graus de exigência delas para os parceiros de todos os tipos de relacionamento variaram pouco: elas se mostraram bastante exigentes para todos os tipos de relacionamento incluídos nestas duas pesquisas. Os homens eram muito pouco exigentes quando o relacionamento envolvia pouco compromisso, mas bastante exigentes para noivar e casar.


Armadilha para as mulheres

Essas duas pesquisas de Kenrich e associados ajudam a entender o fenômeno do “perdido” do dia seguinte: eles topam sair e dormir com mulheres que têm menos qualificações do que exigem para relacionamentos com maiores graus de compromisso.

No entanto, ao se aproximarem de mulheres com as quais querem apenas relacionamentos com baixos graus de compromisso, eles não deixam claro essa restrição. Caso o fizessem, elas não aceitariam “apenas serem usadas e descartadas”. Por isso, eles escondem suas verdadeiras intenções.

Elas, por sua vez, temem não ceder às exigências imediatas deles, que são hiperqualificados para elas, e, assim, perderem a chance de iniciar um relacionamento com alguém tão desejado. Por isso, cedem, e, no dia seguinte, amargam o sumiço do “príncipe encantado”, que só queria “aquilo”.

Muitas vezes, os homens não agem dessa forma com plena consciência. A natureza dotou-os da capacidade do autoengano: quando estão com muito desejo por uma mulher, eles sentem um grande encanto por elas, que se aproxima muito do encantamento romântico, mesmo quando ela não está muito bem qualificada para esta última finalidade. No entanto, depois que fazem o sexo, ai tudo fica claro para eles: aquela mulher não tem quase nada de atraente além do sex appeal e, por isso, não veem a hora de terminar o encontro. Quando isso acontece, imediatamente após o sexo, eles deixam de ser carinhosos, vão tomar banho, dormem e querem ir embora. Depois somem. Caso a mulher não os pressione, depois de uns dias, eles voltam a entrar em contato para tentar mais uma nova sessão de sexo sem compromisso.


Isso raramente acontece como os homens

Nós homens não temos uma isca tão eficiente para atrair mulheres instantaneamente. Também aceitamos, alegremente, que ela só queira "aquilo": nunca ouvi um homem reclamar que as mulheres só o queriam para sexo, para usá-lo, e que, depois de satisfeitas, não ligavam no dia seguinte.


Mulheres com iscas poderosas e linhas fracas

Fazendo uma analogia com a pescaria, algumas mulheres usam iscas poderosas e muito eficientes para atrair peixes grandes, mas não possuem linhas suficientemente fortes para puxá-los até seus barcos.

Algumas mulheres descobrem que conseguem atrair homens superqualificados através da insinuação sexual. Isso acontece principalmente com aquelas que têm muito sex appeal: corpo, vestuário e modos sexualmente apelativos. Várias delas, ainda, incrementam o poder de suas iscas: usam roupas sensuais, marcantes, decotes, saias curtas, sutiãs formatadores e que aumentam o volume de seus seios. Além disso, elas também podem aumentar a sensualidade de suas vozes, dos seus movimentos (rebolado e dança sensual, por exemplo) e daquilo que dizem.


Sinais de que o homem não quer compromisso

Alguns dos sinais de que o interesse do homem é apenas em relacionamento sem compromisso são os seguintes: não fazer planos, ser apressado em intimidades físicas e não apresentá-la para os amigos e parentes.

Os homens não ligam no dia seguinte? Tente usar menos os seus atrativos sexuais, dispense os "apressadinhos" e aqueles que apresentam outros sinais que não querem nada sério!

1. Kenrick, D. T., Groth, G. E., Sadalla, E. D., & Trost, M.R. (1993). Integrating evolutionary andsocial exchange perspectives in relationships: Effects of gender, self-appraisal and involvement level on mate selection criteria. Journal of Personality and Social Psychology, 64, 951-969.

Kenrick, D. T., Sadalla, E. K., Groth, G., & Trost, M. R. (1990). Evolution, traits and the stages of human courtship: Qualifying the parental investment model. Journal of Personality,,58, 97-116.

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Por Ailton Amélio às 09h46

19/06/2012

O seu amor é incondicional e nutritivo ou é castrador?

Uma das melhores coisas no mundo é ser amado incondicionalmente. Esse tipo de amor é uma das melhores contribuições que os pais podem dar para a formação de seus filhos e que os cônjuges e outros tipos de amantes podem oferecer para seus parceiros. Vamos examinar neste artigo esse tipo de amor.

Amor castrador

Joel amava muito a sua esposa, Helena.  Talvez a amasse até demais – seu amor era meio obsessivo. Não suportava vê-la sofrer e, por isso, tentava protegê-la de todas as formas. Ela era filha única e, até se casar, sempre fora muito protegida pelos pais.  Joel, pelo contrário, além de ser mais bem mais velho que ela, desde cedo teve que se virar sozinho e logo acabou ganhando independência, malícia e segurança. Na opinião dele, Helena “ainda tinha muito que aprender na vida”.

Mesmo que racionalmente soubesse que deveria incentivá-la para tomar as suas próprias decisões e, assim, ampliar seu campo de experiências, ele não se continha quando achava que ela ia fazer algo que poderia prejudicá-la. Nestas ocasiões, primeiro ele se tornava muito incisivo e deixava pouco espaço para que ela argumentasse, mantivesse o seu ponto de vista ou o pusesse em prática. Tentava demovê-la do seu intento através de argumentos que iam se tornando cada vez mais ríspidos e intolerantes. A sua forma de falar deixava implícita que era uma idiotice pensar de outra forma que não a dele.  Em seguida, quando ela não desistia, ele começava a atacar a sua percepção das coisas e a sua capacidade para ter sucesso em tudo que fizesse. Nos raros casos que ela ia adiante e agia da sua própria maneira, ele se fechava em um mutismo por vários dias ou lançava mão de fortes represálias.

Talvez o motivo principal dessas atitudes intolerantes e agressivas de Joel não fosse o seu “amor desmedido por Helena”, mas, sim, o seu autoritarismo que não admitia que ela tivesse as suas próprias opiniões e pensasse e comportasse de forma diferente daquilo que ele achava certo.

Ao lado de Joel, se nada mudar, Helena terá poucas chances de desenvolver seus próprios critérios, correr seus próprios riscos, adquirir autoconfiança e, enfim, desenvolver-se como uma pessoa independente, equilibrada e saudável.


Amor nutritivo

Ary apresentou vários questionamento para verificar se Elisa estava ciente das implicações da sua decisão. Elisa gostava que ele fizesse isso, porque assim podia ficar mais segura que estava tomando uma boa decisão.

Em seguida, ele perguntou para ela:

- Sabendo de todas essas desvantagens da profissão de sociólogo, você continua querendo fazer pós em sociologia?

- Sim. Essa ideia me agrada muito.

- Então, acho que você tem que fazer, mesmo, pós-graduação nesta área! Se isso é importante para você, então é isso que você deve fazer. Quando a pessoa faz o que gosta, ela fica mais satisfeita e motivada para fazê-lo e provavelmente vai mais longe. Nada melhor e mais motivador do que fazer o que gosta. Conte comigo para o der e vier. Mesmo que você mude de ideia depois, vale a pena tentar conferir na prática essa atração tão forte que você está mostrando pela sociologia!

Ao agir dessa forma ele respeitou as decisões e motivações de Helena e ela ficou muito satisfeita com isso. Joel valorizava mais satisfação de Helena do que os seus acertos e erros.


Não saber enumerar os motivos dos próprios atos não significa que eles sejam ilógicos

Na grande maioria das vezes, não somos conscientes das nossas motivações e, por isso, não conseguimos explicitá-las quando essas explicações são solicitadas. Não saber enumerar nossos motivos não significa que eles não existam ou não sejam bons. No entanto, essa falta de consciência pode ser usada para a manipulação. Considere o seguinte exemplo.


Pai invalidante e discordante

O pai invalida os seus desejos porque ele não sabe explicá-los:

- Quero aquele brinquedo

- Por que você quer?

- Eu quero.

- Você já tem muito brinquedo.

- Eu quero esse.

- Então explique porque você quer.

- Não sei porque.

- Então não vou comprar.

Este pai está contribuindo para que o filho não confie em sentimentos que não sabe explicar. A mensagem implícita neste tipo de diálogo é que aquilo que não pode ser explicado não merece ser considerado. Quem é manipulado assim, no futuro pode passar a ter dificuldades para confiar na sua intuição e em sentimentos que não consegue explicar.

Veja agora um exemplo que mostra um pai que valida os sentimentos sem concordar com suas realizações.


Pai validante e discordante

- Quero aquele brinquedo.

- Você quer?

- Sim.

- Legal! Você tem bom gosto! Mas, você já tem muitos brinquedos e, por isso, não vou comprar mais esse.

- Eu quero.

- Eu sei. Dá vontade mesmo. Parece legal brincar com ele. Mas não vou comprá-lo.

- Eu quero.

- Vamos embora. Não vou comprar.

Algumas pessoas são mais intuitivas e outras, mais “racionais”. Quando há uma polêmica entre esses dois tipos de pessoas, podemos ficar com a impressão errônea que as racionais têm mais razão, simplesmente porque elas sabem explicitar mais claramente a lógica de suas ações. Mas, nem sempre quem “vence a discussão” está com a razão.

 

Ficar intimidado para argumentar não significa ter menos argumentos

As pessoas autoritárias costumam “ganhar no grito” e não nos argumentos. Muitas vezes, elas lançam mão de substitutos para os gritos: voz ríspida, declarações peremptórias e artifícios que avisam antecipadamente que a discordância do que estão dizendo será muito mal encarada: “Você não é desses que pensa assim, é?”, “É óbvio que isso vai acontecer”, etc.


Aceitação incondicional

Obviamente não existe nenhuma aceitação totalmente incondicional. O melhor que podemos aproximar de uma aceitação desse tipo é amar a outra pessoa e lhe comunicar esse amor que continuará a existir independentemente daquilo que ela decidir ou fizer. Algumas medidas que mostram esse tipo de amor são as seguintes:

- Deixar claro que o amor pela pessoa não está em risco quando ela age com independência e quer testar a sua própria percepção. Quem ama assim respeita o que a outra pessoa decide e torcerá pelo seu sucesso mesmo quando ela faz algo que o amoroso não concorda.

- Não impor represálias quando a pessoa amada pensa e age de forma que não gostamos.

- Comemorar seus sucessos e não culpá-la pelos fracassos.

- Ajudar a pessoa amada apenas quando ela quiser ajuda.

- Priorizar aquilo que a pessoa amada pensa e quer e não aquilo que lhe trará melhores resultados. Por exemplo, muitos pais pressionam os filhos para que façam uma faculdade que lhes garantirá mais sucesso econômico no futuro. Esses pais não levam muito em conta o fato que a satisfação dos filhos na vida não depende apenas do sucesso econômico. O respeito desses pais pelos seus sentimentos e vontades talvez contribuísse, até mais que esse tipo de sucesso, para suas felicidades.

- Priorizar não significa concordar sempre, fingir ou não se posicionar.

- Estar com a pessoa e apoiá-la no que ela decidir e fizer, principalmente  quando errar.

- Apresentar a sua opinião sincera e aceitar que a pessoa amada não a acate

- Incentivar a pessoa amada para que ela corra seus riscos e possa cometa seus erros mesmo quando saberia dizer para ela a melhor forma de acertar.

Os amores que você dá e recebe são nutritivos ou castradores? Pense nisso.

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Por Ailton Amélio às 09h54

12/06/2012

Não abandone seus sonhos: terapia da autorrealização

Considere a seguinte historia, que resume a vida rotineira de Marina e as suas dificuldades para mudar de vida.

Marina estava ali para uma nova sessão. Ela trabalhava há mais de vinte anos em uma firma. Ganhava bem, estava segura no emprego, e este emprego lhe trazia prestígio. No início da carreira, aquele trabalho exigia criatividade, aprendizagem contínua e era desafiador. Agora, depois de muitos anos de experiência, ela adquiriu muita experiência e dominou completamente as tarefas e, por isso, os seus afazeres se tornaram repetitivos e burocráticos.

Marina, então, começou a pensar em mudar de atividade e se dedicar a algo que exigisse mais iniciativa e criatividade. De vez em quando, ela recebia propostas de empregos cujas atividades pareciam mais atraentes, mas sempre as recusava, pois essa mudança era muito arriscada, embora ela tivesse um patrimônio que lhe garantisse um bom rendimento por um certo tempo. O emprego atual preenchia boa parte da sua vida, dava um certo sentido para os seus dias, lhe trazia prestígio e definia a sua identidade: tinha poder e era admirada pela sua equipe.

O seu casamento também havia amornado. Ela e o marido quase não se viam. Ela chegava em casa tarde e geralmente jantava sozinha, pois o marido ainda chegava ainda mais tarde que ela, e os seus dois filhos já eram adultos e tinham vida e horários próprios. A admiração mutua dela e do marido havia se esvanecido. Ambos tinham o mesmo nível de importância profissional, ganhavam quase a mesma coisa e não tinham muito interesse pelo que ocorria no trabalho do outro. A atração romântica entre eles havia desaparecido e o sexo estava acontecendo cada vez mais raramente e era um pouco motivado pela necessidade biológica  e muito pela consciência que ele era necessário para que o casamento pudesse se manter.

A vida de ambos aparentemente estava amplamente determinada. Como mudar tantas coisas, tantos interesses, tantas necessidades práticas, sociais, familiares e psicológicas?


É possível mudar significativamente a nossa vida?

Creio firmemente que é possível fazer grandes transformações em nossas vidas, independentemente da nossa faixa etária, profissão e situação amorosa.

Essas transformações podem acontecer não apenas na vida prática (mudar de profissão, melhorar as amizades, melhorar ou trocar de relacionamento amoroso, etc.), mas também na nossa vida psicológica (tornar-se mais corajoso e mais dinâmico, aceitar mais riscos e desafios, ter o prazer de tentar coisas novas, etc.)

Quando crianças, sentimos que tudo na vida pode ser alcançado e que podemos nos tornar quase tudo que desejamos. Com o passar dos anos, a nossa vida vai se enroscando: vamos certificando que as oportunidades de realização não são iguais para todos, que existem muitos obstáculos para realizar aquilo que queremos e que temos as nossas limitações. Também passamos a valorizar demais aquilo que já conseguimos obter: ficamos com medo excessivo de perder a consideração de alguém que pode nos ser útil, de perder as chances de progredir na nossa educação e de perder oportunidades de emprego e negócios.

Além disso, as mágoas, os traumas e os fracassos vão deixando suas cicatrizes. Por tudo isso, vamos deixando de fazer aquelas coisas que já fracassamos e passamos a evitar aquilo que nos feriu. Essas experiências vão cristalizando e limitando a nossa forma de agir e de ser.

A lição tirada dos acontecimentos que vão ocorrendo em nossas vidas tem uma parte verdadeira e útil e outra errada e paralisante. Neste artigo vamos examinar como somos paralisados por crenças infundadas, medos, desejos e experiências ruins. Em seguida, apresentarei um esboço de uma forma de terapia que estou desenvolvendo para ajudar as pessoas a se desenroscarem e voltarem a fluir na vida.


Sonhos realizáveis e sonhos irrealizáveis


Sonhos realizáveis

Muitos daqueles sonhos que são considerados difíceis de serem realizados pela maioria das pessoas poderão ser alcançados, caso elas encontrem uma forma eficiente de fazer isso. Essa realização fica mais provável quando a pessoa conta com a ajuda de um especialista em transformações psicológicas desse tipo.

Quais sonhos você ainda não realizou, mas que poderia realizar?

- Você não está trabalhando naquilo que lhe dá prazer?

- Você está frustrado porque não está vivendo a vida que queria? 

- O tempo que você dedica à família, aos amigos e ao lazer ao está muito aquém daquele que você gostaria?

- O seu peso está longe do ideal?

- A sua vida sexual não está lá essas coisas?

- A sua vida romântica está morna?

- Você é pouco seguro, pouco ousado e muito tímido?

- Você é muito tenso e preocupado?


Sonhos impossíveis ou dificilmente realizáveis

Algumas coisas são impossíveis ou dificilmente realizáveis. Por exemplo, as seguintes são  altamente improváveis de acontecerem após uma certa idade:

- Aumentar a estatura.

- Tornar-se um artista famoso.

- Tornar-se um grande atleta olímpico

- Tornar-se multimilionário.

- Comecar a frequentar as festas do Jubileu na Rainha da Inglaterra, lá no palácio de  Buckningham.

Nunca você vai conseguir conquistar tudo o que quer e viver o resto da sua vida inteiramente satisfeito. Sempre teremos que lutar no dia a dia. O ser humano possui uma insatisfação estrutural que não pode ser preenchida permanentemente com bens e conquistas. Aquilo que conseguimos, por mais importante que seja, provoca uma satisfação momentânea. Depois de algum tempo, os efeitos da conquista vão diminuindo e volta aquela necessidade de encarar novos desafios. Os existencialistas chamavam esse buraco sem fundo de “angustia de viver”.


Motivos da paralisação da vida

Alguns dos principais motivos pelos quais você paralizou a sua vida:

- No começo da vida, sabemos que teremos que nos aventurar e temos prazer nisso: temos que desenvolver uma profissão, sair da casa dos pais, casar, etc. Assim que vamos conseguindo algumas dessas coisas, ficamos com muito medo de perdê-las e, por isso, vamos deixando de aceitar novos desafios.

- Vício em adrenalina e "jogo dos negócios"

- Preocupação excessiva com a segurança.

Vamos desenvolver agora esses dois últimos tópicos

Vício em adrenalina e em negócios

Ali estava ele, para a nossa sessão de terapia semanal. Estava acima do peso, tinha uma agenda apertadíssima, tinha que "matar um leão a cada dia", estava sempre preocupadíssimo com o negócio que andamento na época. Ele era muito rico, mas vivia cada dia como se tivesse que ganhar e trazer comida para casa. Era viciado em adrenalina e no jogo de ganhar dinheiro através dos negócios. Cada novo negócio era como uma nova partida a ser ganha. Era, nada mais nada menos, um viciado em dinheiro, adrenalina e negócios, como qualquer outro viciado em substancias e "games". O fato de, no seu caso, as substancias estimulantes serem autogeradas, não alterava esse fato: era um viciado. A única diferença no seu vício é que ele era admirado pela sociedade: era um “um homem de negócios altamente dinâmico e bem sucedido”. Mas, estava se matando e não conseguia diminuir o ritmo!

Segurança benéfica

Segurança benéfica é como de ter uma caixa d’água em casa: sabendo que a água da rua não estará sempre disponível e a variabilidade com que ela costuma faltar, dá para calcular o tamanho de caixa d’água que cobrirá as faltas usuais desse precioso líquido. Só em casos excepcionais, quando faltar água por muitos dias, é que faltará de água em casa. Esse raciocínio é válido para a área econômica, saúde, riscos de acidentes, etc.

O problema começa a aparecer quando a pessoa sente a necessidade de ampliar desnecessariamente a sua caixa d’água e, além disso, compra um carro pipa e resolve construir um dique que daria para suprir mil famílias como a sua. Neste caso, a caixa d'água deixou de ser uma medida de segurança razoável e se tornou um fim em si mesma. A pessoa, ao invés de servir-se dela, a pessoa passou a servi-la. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado ao dinheiro, ao emprego, à autoestima, ao físico, ao vestuário e a diversos mecanismos psicológicos: maneira de ser, pensar, agir, correr riscos, etc.

Segurança de mais, ganho de menos ou prejuízo na certa

Essa busca desenfreada pela segurança pode ter o efeito contrário: acabamos perdendo a chance de levar uma vida interessante, vibrante e feliz e acabamos vivendo de uma forma medíocre, estagnada.

Existe um tipo de segurança que é legítima e saudável: aquela que evita perigos físicos e psicológicos reais. As vantagens e os problemas da busca da segurança  ficam muito bem ilustrados pela analogia com as aplicações econômicas: aquelas mais seguras são as que rendem menos. Na vida também é assim. Quem procura garantir o máximo de segurança acaba recebendo muito em troca. Aliás, na vida acontece até o oposto: quem procura o máximo de segurança pode passar a perder: perder a admiração, perder o amor da pessoa amada, perder as oportunidades e tornar-se uma pessoa medíocre e desprezada.


Projeto metamorfose: a terapia da autorrealização

Estou desenvolvendo um método para ajudar as pessoas a fazerem grandes mudanças de vida em pouco tempo. Resumidamente, esse método consiste no desenvolvimento de personagens que representem as formas como cada uma delas gostaria de ser e se portar em diversos campos: profissional, econômico, social, amoroso e, principalmente, no psicológico.

Ajudo a pessoa a desenvolver a imagem de um personagem possível, que ela poderia assumir em cada um desses campos. Nas sessões de terapia, a pessoa vai tentando representar a sua nova forma de ser. Quando ela se depara com uma dificuldade, ajudo-a a identificar a natureza do empecilho e a superá-lo. Isso geralmente envolve o uso de teorias e técnicas terapêuticas. Em seguida, a pessoa recebe a incumbência de ir transportando o personagem para a vida real. Novamente as dificuldades para fazer isso são identificadas e trabalhadas terapeuticamente.  

Através dessas técnicas, a pessoa pode tomar conhecimento das suas insatisfações com a sua maneira atual de ser e viver. Ela também experimenta, nas sessões de terapia, novas possibilidades de ser, sentir, agir e se produzir. Esse procedimento ajuda a disparar motivações, a ensaiar maneiras eficazes de agir, a pensar diferente e a desenvolver uma nova forma de viver mais satisfatória e que faça sentido.

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Por Ailton Amélio às 18h18

05/06/2012

Dia dos namorados: porque vale a pena comemorar

Os antropólogos já apresentaram muitas evidências sobre a importância e funções dos rituais comemorativos e rituais de passagem. Esses rituais, por exemplo, fortalecem os vínculos, renovam os compromissos e dão estofo para a vida. Sem esses rituais, ficamos com a sensação que a nossa vida é vazia e que estamos por fora dos acontecimentos sociais. O dia dos namorados também possui algumas dessas funções e, por isso, merece ser comemorado.

Não invalide essa data só porque ela se tornou muito comercial: “Não jogue fora a criança junto com a água suja”. A comemoração dessa data fortalece o compromisso, revigora a afetividade e dá sentido à vida.

Para que essa comemoração produza efeitos benéficos, é importante comemorá-la devidamente:

- Produza-se: corte o cabelo, capriche na maquilagem, use roupas bonitas e especiais.

- Vá a um lugar apropriado para esse tipo de comemoração

- Capriche na comida

- Dê um presente que, embora não custe muito, seja do agrado da amada e mostre que você pensou nela ao escolhê-lo

- Troque símbolos vinculadores (anéis, cartões). É importante haver um momento mais cerimonioso, onde algumas palavras afetivas e vinculadoras sejam apresentadas.

- Dê flores. As flores não têm utilidade prática e, por isso mesmo, acentuam o aspecto comemorativo desse dessa data.


Namorar é mostrar-se romântico, carinhoso e atraente

Mais importante que todas as medidas enumeradas acima é a forma especial de tratar o amado neste dia. Os comportamentos podem valorizar a data ou, pelo contrário, invalidá-la e anular os efeitos daquelas ações mais objetivas apresentadas acima. Por exemplo, adianta muito pouco comprar um belo presente e levar a amada para jantar e tratá-la como uma simples amiga ou, pior ainda, de uma forma fria e distante.


O namoro deve estar presente em todas as fases de um relacionamento amoroso

Vejamos algumas características do namoro:

- Namorar é um verbo que deve ser conjugado a dois, na primeira pessoa do plural: “Nós namoramos”. Não é apropriado ou, mesmo, possível conjugá-lo a um, quando o parceiro não corresponde.

- Namorar é uma maneira de sentir, pensar e comportar típica de pessoas que têm uma boa relação amorosa entre si.

- O verbo “namorar” tem dois sentidos: (1) geralmente é usado para nomear as ações que são apresentadas nos estágios iniciais do relacionamento amoroso, que pode aparecer depois do flerte e, algumas vezes, depois de uma “ficada” ou de um rolo. O "namoro" geralmente precede o noivado ou o morar juntos.

(2) É um verbo para ser conjugado em todas as fases da vida: durante os “rolos”, o namoro, o noivado, a união consensual e o casamento e não, apenas, no início do relacionamento

Quando um casal deixa de namorar, o relacionamento amoroso entre eles está em perigo: está se transformando, quando muito, em amizade e, quando pouco, em indiferença ou ódio.

Por isso, o dia 12 de junho deve ser o dia para namorar e não, apenas, o dia dos namorados. Só não é o “dia de namorar” porque esse verbo deve ser conjugado todos os 365 dias e 5 horas e 48 minutos do ano!


Maneiras de namorar

Namorar é agir como dois apaixonados que estão no inicio do relacionamento amoroso. Algumas dessas formas de agir são as seguintes:

·         -Cuidar da aparência para impressionar a parceira, para fazê-la se interessar e se orgulhar de você.

·        -Tratar a parceira como a pessoa mais importante em qualquer lugar onde estejam

·         -Ser atenciosíssimo com ela.

·         -Ficar olhando nos seus olhos e entrar em êxtase

·         -Parar tudo que está fazendo para ouvi-la

·         -Considerar o seu ponto de vista pelo menos tão importante quanto o seu

·         -Abrir a porta do carro para ela entrar

·         -Presenteá-la com flores

·         -Seduzi-la

·         -Hiper-reagir ao que ela diz: achar muiiiiiiiito engraçado ou impreeeeeessionante o que ele conta

·         -Dançar ao som da sua voz: vibrar, derreter-se ao ouvi-la

·         -Só ter olhos para ela: não ficar olhando para outras coisas ou outras pessoas quando estão juntos.

·         -Beijá-la muito

·         -Trocar muitos abraços

·         -Andar de mãos dadas

·         -Ser carinhoso


Cuide do seu amor

Conselhos geralmente não adiantam muito. Se adiantasse, todo mundo seria magro (“Ingira menos calorias do que gasta”), não fumaria (“Pare de fumar. O fumo dá câncer, envelhece precocemente e provoca mil e um problemas circulatórios”), e faria ginástica (“Faça ginástica. Você se tornará muito mais saudável e bem disposto!”), entre outras coisas importantes.

Apesar de saber que os conselhos alteram pouco os comportamentos, aqui estão algumas sugestões para você cuidar bem do seu relacionamento:

- Não traia. A traição geralmente só vale a pena no início. Além dos riscos de ser pego, ela degrada o traidor que tem que mentir, simular e dissimular.

- Não brigue demais e, muito menos, não brigue de forma que deixe sequelas (ofender o caráter e a moral da outra pessoa).

- Não deixe o seu relacionamento esvaziar. Tenha um pouco de coragem para levar as suas variações naturais (mudanças de humor, desejos, formas de pensar) para o parceiro e para o relacionamento.

Quando as pessoas só fazem sempre aquilo que deu certo anteriormente, em busca da segurança, elas acabam engessando o relacionamento, tornando-o sem novidades, repetitivo e muito chato!

- Procure levar cinco coisas boas para cada coisa ruim para o seu parceiro. Assim você e a sua presença serão sempre agradáveis.

- Não se esqueça de ser romântico e sensual. Você não está lidando apenas com um amigo, com um colega ou com um parceiro comercial. Se faltar romance e atração sexual, o relacionamento deixará de ser amoroso e se tornará amistoso, social ou comercial!

Caso o seu relacionamento esteja perdendo a vitalidade e ficando cada vez mais morno, apesar de você já ter feito tudo que sabia para torná-lo mais vibrante, procure a ajuda de um psicólogo.


RESPONDA À NOSSA PESQUISA SOBRE OS CAMINHOS PARA INICIAR RELACIONAMENTOS AMOROSOS


UFPR - Dep. de Psicologia, Núcleo de Análise do Comportamento (NAC) e Instituto de Psicologia da USP

Quem tem ou teve um relacionamento amoroso, por favor, responda nossa pesquisa!! Participem para podermos entender a "seleção de parceiros amorosos", é totalmente anônima e cai em um banco de dados... :)

Basta clicar no link e participar!!
https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dEZMUjNRTXdkTjBoREtub0sycU41anc6MQ 


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Por Ailton Amélio às 11h40

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico