Blog do Ailton Amélio

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27/07/2012

A amante perfeita

Eu estava navegando na internet quando achei em um site de relacionamento um pedido de conselhos de uma internauta. Ela queria saber como deveria se portar para se tornar uma amante perfeita. Ela queria, dessa forma, atrair um homem que já tinha uma parceira e, assim, derrotar a sua rival. Ela recebeu algumas poucas respostas, sendo a maioria delas, xingamentos.

Após consultar outras opiniões e examinar vários casos que acompanhei demorada e detidamente, apresento aqui algumas das minhas conclusões sobre este tema tão polêmico.

Não, não é nada fácil ser uma “amante perfeita”. Muitos até condenarão essa ideia. Essas pessoas acham que é uma sem-vergonhice esse papel de amante. Essas pessoas acham que é falta de caráter, falta de atitudes e malandragem aceitar um relacionamento nestes moldes e, ainda mais, quando o amante é comprometido com outra pessoa.

O papel de amante, no entanto, pode ter as suas vantagens e desvantagens, convenientes e inconvenientes. Que cada um aja de acordo com suas condições e seus valores, contanto que não cause mal a terceiros e que arque com as consequências, positivas e negativas, dos seus atos.

 

Proposta para uma nova terminologia

Parodiando Odorico Paraguassu, saudoso prefeito de Sucupira (interpretado por Paulo Gracindo, na novela “O Bem Amado”, de Dias Gomes), um mestre da arte de criar novas palavras através de adaptações de outras já existentes, vou criar aqui alguns neologismos para nomear certos tipos de relacionamento.

Na nossa língua existem termos e expressöes como namoro, noivado, casamento, união consensual, mas, inexplicável e hipocritamente, não existem substantivos para nomear certas situações, bastante corriqueiras, como aquelas onde as pessoas têm um amante por um longo período. Estes tipos de relacionamento säo regidos por normas de condutas bem claras, embora nunca definidas explicitamente. Nós, através da nossa língua, agimos como uma avestruz que enfia a cabeça em um buraco achando assim está se protegendo do perigo, também achamos que se não criarmos um termo para nomear esses fenômenos, eles ficarão menos ameaçadores  e deixarão de existir. Doce ilusão!

 

Definições

As definições aqui apresentadas são imperfeitas e devem ser consideradas apenas como uma primeira tentativa de “batizar” vários tipos de relacionamentos que até agora permanecem inominados e indefinidos. Também apresento algumas propostas de definçao  de outros termos que já são usados para nomear certos tipos de relacionamento. Você, Leitor, pode contribuir para aperfeiçoar essas definições e sugerir novas situações que não foram apontadas aqui.

- Relacionamento oficial. Aquele que é assumido publicamente. Geralmente existem termos para nomear esses tipos de relacionamentos e eles são aprovados ou, pelo menos, aceitos pela sociedade (namoro, noivado, casamento, etc.).

- Companheira titular. Aquela que goza de um status oficial e prestigioso na nossa sociedade: noiva, companheira, esposa, etc.

- Amante: aquele ou aquela que está envolvido em um amantismo. (Essa palavra, “amante”, será usada aqui como um substantivo comum de dois gêneros. Algumas dos atributos da amante feminina são diferentes do masculino. Quando  for este o caso, isto será explicitado).

- Amantismo juramentado (ou simplesmente “amantismo” ou "amante perfeita"): tipo de relacionamento regido por um determinado código cujo esboço é apresentado no  final desse artigo. A opção por esse tipo de relacinamento pode acontecer porque uma ou ambas as partes estão comprometidas com outras pessoas, existem outros obstáculos para não assumir e revelar o relacionamento (por exemplo, certas profissões proibem este tipo de relacionamento entre pessoas que trabalham na mesma equipe) ou como opção de vida.

- Amantismo estratégico: pessoas que não estão conformadas em serem amantes e, apenas, estão lançando mão do amantismo como uma estratégia transitória para chegar à posição de companheira titular. Este tipo de situação envolve muito fingimento e muita frustração não reveladas para o amante. Essas revelações poderiam diminuir o seu prazer com a relação e afugentá-lo.

- Caso (“love affair”): neste tipo de relacionamento existem sentimentos românticos fortes, mas a situação de um ou dos dois participantes não permite que ele caminhe para um relacionamento oficial.

- Amantismo amistoso ("amizade com benefícios"). Este relacionamento é baseado na amizade e existe atração e prática sexual entre os participantes. Pode dar certo e ser duradouro quando ambas as partes são realmentes amigas e não sentem muita atração romântica pela outra.

- Prostituição: quando o motivo preponderante de uma das partes é de natureza econômica explicita e imediata (dinheiro).

- Relacionamento interesseiro: quando a motivação de uma das partes são os benefícios indiretos do relacionamento sexual.

A moda do amantismo

De tempos em tempos, o amantismo se torna uma instituição socialmente admitida, senäo aprovada e esperada. Victor Hugo, por exemplo, relata nos seus romances que, na França da sua época, era quase que obrigatório, para todos aqueles que tinham certa posição social, ter um ou mais amantes. Esses casos eram conhecidos por todos, inclusive pelos cônjuges dos amantes. Os reis e rainhas dessea época também tinham amantes bastante conhecidos.  (Por exemplo, Madame de Ponpadour era amante do Rei Luiz XV e era considerada uma das pessoas mais emblemáticas da corte francesa no século XVIII. Outros exemplos: a Marquesa de Santos, Mata Hari).  Algumas mulheres desta época se notabilizavam pelos seus amantes e era muito lisonjeiro para os homens serem aceitos nesta condição por alguma delas. Nesta mesma linha, existe uma sociedade poliandríaca na India, onde as mulheres se casam, mas, após o casamento, não é esperado que elas façam sexo com seus maridos e ficam livres para fazer sexo com quem quiserem. Se a moda pega!

Algumas regras do amantismo juramentado: como tornar-se uma amante perfeita

Vou apresentar aqui algumas das propostas para o amantismo moderno de uma autora que se identifica apenas como “A Girl Called Bem”1. Para tornar esse resumo compreensível, tive que fazer algumas alterações e adaptações. Não concordo com todas essas propostas. Pelo contrário, algumas delas parecem absurdas ou são engraçadas. Por uma questão de tempo e espaço, abster-me-ei de comentá-las aqui. Farei isso em outra ocasião. Faça a sua própria avaliação e compartilhe-a com os nossos leitores.

“Ser um amante é, em muitos aspectos, uma situação sexual perfeita. Você toma vinho, participa de jantares e é tratada como uma dama, faz tanto sexo excelente, pode  até receber uma contribuição para o aluguel, mas não tem que lavar as suas meias, assistir jogo de futebol na televisão e lidar com ele quando voltar bêbado para casa”.

Não se apaixone e não se envolva emocionalmente

Escolha um homem que faça você se sentir maravilhosa, que seja bom de cama, que tenha uma conversa incrivelmente agradável e que estaja sempre animado, mas não escolha um homem pelo qual você possa se apaixonar. Caso você se apaixone, ficará sujeita à dor.

Mantenha um ótimo clima durante os encotros

Você vai passar pouco tempo com ele. Por isso, faca esse tempo valer a pena. Produza-se, desligue o telefone, certifique-se se você está de bom humor e que ambos dispõem de um bom tempo para o encontro.

Aceite as flores, mas não o seu coraçäo

Não deixe que ele se apaixone por você. Deixe claro ques você quer o encontro, o seu corpo, a sua companhia, o sexo, mas não o seu amor. Se ele for casado, deixe claro que se ele terminar o casamento, você também terminará com ele.  

Quando o relacionamento der sinais que vai amornar, termine-o.

É preciso ter disciplina para isso, mas esta forma de agir só deixará boas lembranças do relacionamento.

 Veja as manifestações de culpa do amante, por estar traindo a esposa, como um presente e como um elogio silencioso a você.

 Mantenha a magia viva

Trate cada encontro como um dos primeiros encontros. Seja doce, saiba ouvir e mostrar simpatia. Seja gentil, não dispare a falar, e dê- lhe tempo para que ele fale sobre o mais fascinante dos seus temas – sobre si mesmo.

A regra dos cinquenta quilometros

A distância ideal entre sua casa e do seu amante é de 50 quilômetros. Esta distância é perto o suficiente para encontrar-se facilmente com ele, mas longe o suficiente para garantir que você não vai encontrar sua esposa ou família  acidentalmente e, assim, causar constrangimento. No entanto, nem todos os círculos sociais funcionam dentro desta distância.

Não conte o seu caso para conhecidos

Isto é particularmente importante, se você compartilha um  círculo de amizade com ele. 

Como lidar com questões econômicas. Não dependa economicamente dele, pois isso tornará você mais vunerável. Presentes, bebidas, refeições, etc. são bem vindos.

-Nunca faça chamadas telefónicas para ele

-Peça a ele para não dizer quando pretende telefonar

-Não aproveite o encontro para se queixar ou para dar explicações

-Não comente muito sobre a sua vida particular de ambos. Principalmente, não pergunte sobre o seu casamento.

-Não prometa fidelidade. O homem que tem uma amante não pode esperar que você lhe seja fiel. Mas, em hipótese alguma, transforme este assunto em longas conversas.

Notas e Citações

1 - Veja esse artigo completo no seguinte enderêço:  http://www.h2g2.com/entry/A872831

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Por Ailton Amélio às 11h31

20/07/2012

Fingir que está apaixonado pode produzir paixão verdadeira

[Veja o convite para a minha palestra gratuita no final deste artigo]

Recentemente, Richard Wiseman, professor da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, realizou uma pesquisa que teve a maior repercussão na mídia. Esse professor verificou que fingir estar apaixonado aumenta as chances de surgir o interesse romântico.

Wiseman pediu para cem pessoas participarem de encontros relâmpagos (“speed dates”). Uma parte deste grupo foi instruída para fingir que estava apaixonada pelos parceiros do encontro. Essas pessoas, por exemplo, deviam olhar intensamente nos olhos do parceiro, segurar suas mãos, compartilhar segredos e até lhe oferecer pequenos presentes. A outra parte deste grupo foi instruída para se portar da forma usual para este tipo de encontro (pelo que mostram os filmes que aparecem em noticiários de TV, essas pessoas geralmente tentam se mostrar simpáticas, engraçadas, atenciosas, interessadas e a tentar impressionar os parceiros durante esses encontros).

A grande novidade apresentada por este estudo é aquelas pessoas que fingiram relataram que se sentiram mais próximos dos parceiros (superioridade de um ponto em relação ao grupo que não fingiu, em uma escala que ia até sete) e maior interesse em encontrar com os parceiros depois da pesquisa (44% de interessados no grupo que fingiu e 20% no grupo que não fingiu).

Este estudo de Wiseman indica que o fingimento pode aumentar as chances de surgir um interesse verdadeiro. Esse estudo lembra aquele ditado antigo que os adultos usavam para advertir as crianças que estavam brincando de brigar: “Brincadeira de mão não dá certo! Acaba virando de verdade”, ou, como dizia o grande psicólogo William James: “Se você deseja desenvolver uma qualidade, haja como se você já a tivesse. Tente a técnica “como se”. (If you want a quality, act as if you already had it. Try the “as if” technique”).


Usos da técnica “como se”

Tenho feito bastante uso da técnica do “como se”. Por exemplo, estou trabalhando em um tipo de terapia na qual o paciente desenvolve e pratica aquele estilo pessoal que ele gostaria ter e a forma como gostaria de se vestir, sentir, pensar e agir. Estou convidando um diretor de teatro para ajudar os pacientes a desenvolver seus próprios personagens e a desempenhá-los com convicção. Estou desenvolvendo um procedimento para “colar” o  personagem de cada um. Essa "colagem" é necessária, pois, ao contrário do teatro, a pessoa quer ser daquele jeito e não apenas representá-la durante a sessäo de terapia. Também estou trabalhando em uma espécie de “atalho para a paixão”, que descobri meio acidentalmente. Em outra ocasião falo da minha maneira de fazer terapia. Aqui vou falar um pouco sobre esse atalho porque ele lembra a pesquisa do Wiseman apresentada acima.


Atalho para o estado amoroso?

Eu estou desenvolvendo uma espécie de atalho para um tipo de estado alterado que parece similar ao da paixão. Uso o nome “atalho” porque este estado pode ser instalado quase que instantaneamente entre duas pessoas, quando uma delas, o “instalador”, sabe bem como proceder, a outra não oferece grandes resistências e ambas têm atributos que as tornam mutuamente compatíveis para um relacionamento amoroso.

O atalho para este estado, desde o inicio, não usa o fingimento. A pessoa que conhece esse atalho aprende a entrar rapidamente no “estado”. Uma vez neste estado, os seus comportamentos são apresentados espontaneamente para a outra. Quando essa segunda pessoa não oferece muita resistência e logo corresponde, ela também entra rapidamente no mesmo estado. Esse atalho é mais ou menos o seguinte:

Ficar olhando para os olhos da outra pessoa que, logo, corresponda ao olhar; tornar-se inteiramente concentrado na pessoa; esvaziar-se de objetivos e pensamentos, ou seja, ficar totalmente disponível para esta segunda pessoa (Nada fácil, não é? rs). Agir dessa forma pode produzir um estado de consciência alterado similar ao de uma paixão intensa: o ambiente deixa de ser notado; acontece a perda da percepção do tempo; os assuntos da conversa ficam em segundo plano; os pensamentos se aquietam; aparecer uma disponibilidade completa para perceber a outra pessoa, momento a momento; aparece uma sensação de fascínio pela pessoa; fica difícil parar de olhar para os seus olhos (fenômeno muito bem captado pela música “Can´t take may eyes off you” by Damien Rice, apresentada no filme “Closer”2); a outra pessoa passa a ser vista como pessoa única e, se ela tem atributos exigidos em uma parceira amorosa, surge  atração romântica por ela (“I can´t take my mind off you”, como diz essa mesma música). Fica difícil sair deste estado: ele adquire vida própria Creio que experimentar este estado com uma pessoa produz uma mudança duradoura nos sentimentos mútuos daí para frente.


Desviando os olhos

Geralmente não paramos para prestar toda a atenção nos nossos interlocutores. Também não é permitido olhar direta e demoradamente para os seus olhos e concentrar toda a atenção em tudo que eles expressam. É proibido prestar tanto atenção, atenção tão continua e ficar tão disponível só para perceber o outro.

Quando uma pessoa olha assim e a outra pessoa corresponde, ambas entram em um estado alterado. A natureza deste estado parece ser parcialmente determinada pelo potencial que existe entre os observadores totais. Se for ambas são compatíveis para fins amorosos, é provável que este estado se instale em seus corações. O encantamento surgirá.

Duas pessoas que usaram esse atalho entre si relataram que, embora ambas tenham ficado em um estado alterado enquanto durou essa forma de olhar e disponibilizar-se psicologicamente, só uma delas experimentou uma paixonite que durou vários dias. A outra pessoa, que achava o parceiro menos qualificado para fins amorosos, embora tenha experimentado o estado alterado, ela relatou que não havia experimentado algo parecido com uma paixonite.

Este fenômeno ainda é bastante desconhecido. Ele deve ser melhor estudado para verificar se realmente ocorre, e em que condições ocorre, quão similar ao amor que surge por outras vias ele é.


 

Hipóteses explicativas

Algumas das hipóteses para explicar esse fenômeno, caso seja bem comprovado que ele acontece, são as seguintes:

1- Os comportamentos produzem os sentimentos. O comportamento aciona mecanismos cerebrais que disparam os sentimentos e vice-versa. Sorrir, por exemplo, provoca aferências da musculatura da face que são interpretadas pelo cérebro como alegria.

2- Teoria da atribuição. A percepção e a interpretação são baseadas na leitura dos nos comportamentos. Por exemplo: “Se estou me portando de forma amorosa, é porque estou apaixonado”. “Se estou pensando nela o dia todo é porque estou apaixonado”. 

4- Esforçar-se para pensar e agir como um apaixonado faz com que a pessoa considere o parceiro sob outro prisma. Um estudo verificou que as pessoas que  escreverem uma redação sob o ponto de vista de um adversário político pode passar a aceitar melhor suas ideias. Na terapia, sempre pessoa para as pessoas representarem os papeis de outras pessoas com as quais elas estão tendo problemas. Esta representação  faz com que elas tentem ver o que está acontecendo sob a ótica do adversário ou desafeto.

 Fingir que está apaixonado leva quem finge a examinar a si mesmo e ao parceiro sob esta perspectiva. Isto gera uma oportunidade que poderia não ocorrer sem o fingimento. E esta situação pode ser agradável e apaixonante, principalmente quando o outro responde de forma amorosa, fingida ou não.

5- Os comportamentos amorosos do parceiro é que induzem o estado amoroso no fingidor. Ambos experimentam algo amoroso provocado diretamente pelo próprio comportamento, mas sim pelo comportamento do outro.

6- A linguagem não verbal tem um efeito em si, independentemente daquilo que foi comunicado ter sido produzido espontaneamente ou deliberadamente. Exemplos:(1) alguns estudos mostraram que a simulação de expressões faciais de emoções pode fazer com que o simulador passe a senti-las; (2) ser designado através de sorteio para sentar-se na cabeceira de uma mesa aumenta a chance de falar mais e liderar a reunião em relação aqueles que foram designados por sorteio para sentar nas outras posições da mesa; (3) ser obrigado a escrever um texto defendendo um ponto de vista antipático aumenta as chances de vir a simpatizar-se com ele; ter que conviver com sequestradores pode despertar a simpatia por eles (Síndrome de Estocolmo).

Vale a pena tentar. Comporte-se como um apaixonado e verifique se isto aumenta a sua paixão. 

Notas

1- Leia um dos muitos resumos e comentários apresentados pela imprensa sobre esta pesquisa no seguinte endereço:

http://www.medicaldaily.com/news/20120705/10642/faking-actions-love-attraction-relationship-richard-wiseman-rip-it-up.htm

2- Veja o vídeo e ouça a música, “Can`t take my eyes off you” no seguinte endereço:

http://www.youtube.com/watch?v=CKWF_eJF6Vk

 

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PALESTRA GRATUITA NA USP

 

Olá, meu Caro Leitor

 

Venha participar da nossa nova palestra gratuita.

 Veja o programa abaixo e faça a sua inscrição

 

Um abraço

 

Ailton


PRINCIPAIS DIFICULDADES PARA INICIAR E DESENVOLVER BONS RELACIONAMENTOS AMOROSOS

 

Dr. Ailton Amélio da Silva

 

O relacionamento amoroso é uma das fontes mais poderosas de alegria e tristeza para o ser humano. Por isso, existem tantas publicações, tantas músicas tantos filmes e tantas conversas sobre este tema.

Esta palestra vai identificar os principais problemas que prejudicam o início e o desenvolvimento de relacionamentos amorosos e apresentar algumas maneiras de lidar com essas dificuldades.

 

Alguns dos temas que serão abordados

- Quais são as características de uma pessoa atraente?

- Por que certas pessoas têm muita dificuldade para iniciar relacionamentos amorosos?

- Por que certos relacionamentos amorosos duram pouco?

- Características de um relacionamento amoroso que traz muitas satisfações

- Sexualidade

- Comunicação

- Traição


Data da palestra

14 de setembro de 2012 (sexta-feira)

19h 45min – 21h 45min

 

·      Para se inscrever e obter outras informações – mande a mensagem “Quero informações sobre a palestra do prof. Ailton Amélio” para o email: dialogo.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 11h09

15/07/2012

Dia Internacional do Homem: podemos comemorar?

No dia quinze de julho é comemorado, aqui no Brasil, o Dia Internacional do Homem! Esse dia foi sugerido pelo ex-presidente russo Mikhail Gorbachev para homenagear os grandes homens de seu país e foi instituído por Dr. Jerome Teelucksingh, de Trinidade Tobago, e começou a ser comemorado em 1999. Esse dia é reconhecido pela ONU e tem como principais objetivos melhorar a relação entre os gêneros, promover a igualdade entre os gêneros, destacar papéis positivos de homens, combater o sexismo, celebrar as conquistas e contribuições dos homens para comunidade, para a família e para o casamento.

Curiosamente, é muito mais fácil comemorar o dia da mulher, o dia do índio ou o dia da criança do que o "dia do homem". À primeira vista, parece que inventaram mais uma data para aumentar o comércio. No entanto, a origem desse dia e a chancela da ONU validam um pouco mais essa comemoração. De qualquer forma, vamos aproveitá-la para fazer algumas reflexões sobre a situação do homem nos dias atuais.

Vamos examinar aqui algumas mudanças recentes que ocorreram naquilo que a sociedade espera de nós homens, algumas conquistas que ainda temos que realizar e o que já podemos comemorar.

 

Homens e mulheres

Sempre que o assunto gênero vem à tona, nós homens ou assumimos uma posição machista (“Nós somos melhores do que as mulheres”) ou ficamos na defensiva (“Jamais! Reconheço sim, a igualdade dos sexos e, até, que elas são superiores!).

Acho que essa guerra dos sexos é completamente infundada e contraproducente. Homens e mulheres, somos muito mais semelhantes do que diferentes (todos queremos ser felizes, gostamos de conforto, boa comida, segurança, amor e sexo, etc.) e fazemos parte do mesmo time, embora, como em qualquer time, sempre existam insatisfações e reclamações.

Algumas das mais propaladas diferenças entre homens e mulheres ocorrem no físico, em algumas contribuições para a reprodução (a mulher gesta, o homem protege contra o perigo), nas atitudes frente ao sexo casual (somos mais propensos a ele do que elas), nas habilidades verbais (as mulheres, em média, são ligeiramente superiores), nas habilidades espaciais (nós homens, em média, somos ligeiramente superiores). Muitas dessas diferenças, no entanto, são diminutas e só podem ser percebidas através de análises estatísticas sensíveis.


 O papel do homem não é claro atualmente

No início do século passado, os papéis do homem e da mulher eram mais definidos. O homem era o sexo forte e a mulher, o fraco; a mulher era a rainha do lar e o homem, o cabeça do casal; grande parte das profissões mais prestigiadas eram "masculinas"; a traição masculina era tolerada e da mulher, punida com a maior severidade; a mulher não votava, não podia andar de calças compridas, etc. etc. As mulheres, justamente, travaram uma luta para que essas desigualdades fossem abolidas. Em grande parte, elas foram bem sucedidas. 

Atualmente, o papel do homem não está muito claro. Quase tudo que ele faça ou deixe de fazer pode ser motivo para acusações do tipo "machista", "retrógrado", "sexista", etc. Isso sempre acontece quando um grupo oprimido consegue se liberar: o grupo opressor fica sob suspeita durante muito tempo.

Essa parece ser a situação do homem atual: as mulheres tiveram que lutar para se libertarem de muitas injustiças que eram cometidas contra elas. Os homens tiveram que ceder uma boa parte do espaço que ocupavam e que pertencia a elas. No entanto, qualquer espaço que hoje ele esteja ocupando pode ser colocado sob suspeita: se ele ganha mais que a mulher é devido ao resquício do machismo que ainda dá menos chances para as mulheres; se ele ganha menos, é porque não tem garra. Se tem personalidade forte, é machão; se tem personalidade fraca, é frouxo....

Está difícil. Se corre, o bicho pega; se fica, o bicho come!


Libertar-se de estereótipos na área sexual

Sempre alerta e sempre prontos para o sexo. Essa é uma obrigação que foi impingida para nós homens.  Devemos nos libertar dela e, tal como fazem as mulheres, sentirmo-nos livres para negar sexo e poder alegar indisposição, falta de vontade, “ainda não estou pronto” e “você só quer me usar”. (Também não estou seguro se gostaríamos de dizer essas coisas, mas, certamente, gostaríamos de não sentir nada errado quando não tivéssemos vontade).

Atendo no meu consultório muitos homens cujos problemas sexuais começaram porque eles achavam que o homem que não está sempre pronto para o sexo, quando uma mulher dá sinais de disponibilidade, é porque ele está com problemas. Quem acredita nisso, tem uma grande chance de ter problemas porque essa preocupação, quando aparece em horas impróprias, impede que o desejo se instale. Ai...falhou!

 

Guarda dos filhos na separação.

Aqui no Brasil, quase 90% dos filhos ficam sob a guarda da mulher quando há separação. Com isso, ela também acaba ficando com a casa, móveis, vizinhança e relacionamentos com os pais dos colegas dos filhos. O homem, assim que se separa, geralmente passa um bom período de desconforto porque toda a sua vida se desestrutura. Por exemplo, ele vai ter que morar em um lugar improvisado e começa imediatamente a perder boa parte do contato com os filhos, por mais que se esforce. De fato, todos perdem com a separação: a mulher vai ter mais dificuldades para trabalhar (tem que cuidar dos filhos) e para iniciar outro relacionamento amoroso (os filhos e o novo namorado vao ter que se adaptar mutuamente porque eles frequentemente estarão juntos, caso o relacionamento progrida) e os filhos vão perder boa parte do convívio com aquele que foi morar em outro lugar. Acho que  os pais deviam se separar entre si, mas não dos filhos!

 

Liberdade para reclamar da relação

Devíamos cobrar mais as mulheres naqueles pontos insatisfatórios do relacionamento, como, por exemplo, quando elas não reconhecem o nosso valor e o quanto nos sacrificamos pela família (Será que gostaríamos disso?).  Esta questão das concessões dos homens para as mulheres é humoristicamente ilustrada em um episódio da série televisiva Big Bang Theory: Leonard e a Penny terminam o namoro. Algum tempo depois, eles estão começando a sair de novo, mas ela só quer amizade. Ele, como vingança, leva esse novo tipo de relacionamento ao pé da letra: faz com que ela pague a metade do jantar, vão assistir a um filme cientifico e chato (para ela) que ele queria assistir, ao invés do filme romântico (interessante para ela e chato para ele) que eles sempre assistiam quando namoravam; ele não abre a porta do carro para ela entrar e quer dividir as despesas da gasolina e estacionamento, etc., etc. Hilárias as mudanças que ocorreram nos comportamentos de Leonard entre a época que namoravam e agora, que são apenas amigos.

 

Compartilhar o papel de provedor e de “rainha do lar”

A identidade do homem ainda é muito definida pela sua capacidade para batalhar (“industriousness”) e pelo sucesso na área profissional. A mulher, por sua vez, ainda tem boa parte da importância relacionada com a sua, aparência, sex appeal e papel de cuidadora (beleza, rainha do lar, etc.), embora, cada vez mais, a identidade profissional esteja ficando importante para ela.

Esses padrões arcaicos vêm mudando muito nas ultimas décadas (a mulher se tornou mais provedora e o homem, mais “rei do lar”), mas homens e mulheres ainda mantêm uma boa parte desses papéis. Os homens, trabalhamos como viciados. Mesmo quando já temos mais do que seria suciente para viver bem pelo resto da vida, ainda continuamos fissurados em dinheiro, sucesso e fama. Quando perdemos o emprego e ficamos um bom tempo desempregados a nossa identidade e nossa autoestima definham rapidamente!

Isso pode mudar. Não somos mais tão necessários como provedores. As mulheres estão dividindo esse encargo conosco e já provaram que são tão ou mais eficientes que nós em diversas áreas. Por outro lado, convenhamos, temos que assumir mais as tarefas caseiras e dividir com elas as tarefas relacionadas com a criação dos filhos. Um estudo verificou que uma das coisas que deixam as mulheres mais felizes é ter um marido que assume tarefas caseiras. Nada mais justo. Como elas agora também são provedoras, devemos assumir parte das tarefas da “ex-rainha do lar”, senão elas ficarão com uma dupla jornada. Tudo indica que também podemos ser ótimos nesta nova função. Por exemplo, os melhores cozinheiros de restaurantes são homens....

 

Liberdade para expressar sentimentos

Creio que este é um grande ganho que nós homens estamos começando a auferir. Até pouco tempo atrás, éramos obrigados a reprimir muitos dos nossos sentimentos e pensamentos porque havia normas do tipo “homem não chora”, “homem não tem medo”. Recentemente, nós homens estamos sendo incentivados, e até cobrados, para sermos mais expressivos. Creio que isso vai contribuir para a nossa saúde psicológica e até mesmo para nossa saúde física (existem evidencias de que as pessoas que partilham mais seus sentimentos e pensamentos ficam menos doentes e, quando o ficam, se recuperam na metade do tempo).

Homens e mulheres, somos mais que uma equipe: somos uma unidade reprodutiva, afetiva e psicológica: nossos destinos são totalmente interdependentes e estamos indelevelmente atados. Que bom que seja assim! Cuidemos, portanto, uns dos outros. Não façamos a guerra e, sim, o amor!

Quero expressar aqui, a minha compreensão e a minha simpatia por todos nós homens. 

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Por Ailton Amélio às 08h58

10/07/2012

Você está empurrando o seu parceiro para a traição?

Existem evidências que indicam que a nossa espécie é moderadamente polígama. Isso, no entanto, não dá licença e nem é uma desculpa para a traição. Embora tenhamos diversas tendências, muitas delas não podem ser livremente expressadas. Por exemplo, se agredíssemos outras pessoas toda vez que temos vontade ou apossássemos de tudo que nos atrai, seria o caos. Em contraposição a essas tendências, também possuímos mecanismos inibitórios pessoais, sociais e biológicos que regulam aquilo que pode ser feito. Sem esses mecanismos estaria instalado o reino da barbárie.

Algumas pessoas, no entanto, estão dando motivos para que essa tendência se manifeste: elas estão empurrando os seus parceiros1  para a traição.


Sentir atração por outras pessoas é inevitável

Sentir atração por diversas pessoas é algo natural e inevitável. Quando nos comprometemos com alguém, não nos tornamos cegos, surdos e anósmicos para outras pessoas. Continuamos a ver as suas belezas, ouvir as suas vozes, que soam como música aos nossos ouvidos, a entender as suas palavras que nos tocam profundamente e a sentir os seus perfumes, que se comunicam diretamente com nossos instintos.

Quando nos envolvemos em um relacionamento que exige exclusividade afetiva e sexual, não nos comprometemos a deixar de sentir que outras pessoas são atraentes e interessantes. Comprometemo-nos, isto sim, a não nos deixarmos guiar pelas suas atrações e a evitar, sempre que possível, situações tentadoras que propiciem os primeiros passos para a traição.


A traição amorosa

Trair no campo amoroso é enganar o parceiro na área romântica ou sexual. Não são os atos que caracterizam a traição, mas sim o engano do parceiro. Por exemplo, o sexo com outras pessoas pode não ser traição, contanto que ele seja praticado com a anuência ou ciência do parceiro, como acontece no casamento aberto ou na troca de casais.

A traição geralmente produz grandes sofrimentos e severos danos para o relacionamento. Muita gente, no entanto, instiga ou, até mesmo, obriga o parceiro a trair. O que fazer para diminuir as chances de ser traído?


Fatores que contribuem para a traição

Se você quiser aumentar as chances de ser traído, tome as seguintes medidas:

1- Escolha um parceiro que apresente propensões para a traição.

Alguns dos sinais dessa propensão são os seguintes:

- Possuir uma história anterior de traições.

- Ausência de valores e princípios morais contra a traição. Em geral, quem não preza a honestidade em outros campos, também não a valorizará na área amorosa.

- Estilo de amor Ludos. “Ludos” é o nome de um dos estilos de amor da teoria de John Alan Lee. Quem tem esse estilo costuma sentir um grande prazer na conquista e, em seguida, uma perda de interesse em quem já foi conquistado. Quem tem esse estilo pode ter vários relacionamentos simultâneos.

- Alto grau de erotofilia (hipersexualização). São pessoas que apresentem muita atração por sexo. Quem tem essa característica, por um lado, traz grande prazer para o parceiro, mas, por outro, apresenta uma maior propensão para a traição.  

2 - Torne o seu relacionamento miserável.

Torne-se indiferente ou desagradável para o parceiro. Tudo aquilo que contribui para o enfraquecimento do relacionamento, também contribui para a traição. Uma característica de um bom relacionamento é que ele proporciona cerca de cinco coisas boas para cada coisa ruim.

3- Descuide da sua atratividade.

Algumas maneiras de descuidar dos atributos que nos tornam parceiros atraentes são as seguintes:

- Descuide do seu corpo. Deixe de cuidar do seu peso  e não faça ginástica, que lhe daria um aspecto saudável.

Descuide dos ampliadores de sinais de gênero: o macho e a fêmea da nossa espécie são muito parecidos. Por isso, inventamos os ampliadores de sinais de gênero: adotamos produções e comportamentos que ampliam as diferenças entre homens e mulheres.

- Deixe de apresentar aqueles comportamentos que acentuam a sua feminilidade ou masculinidade. Quando estiver na presença do parceiro, ponha toda a fé na amizade e na afetividade. Você acabará se tornando seu amiguinho e outras assumirão o papel romântico e sexual.

Não cuide da sua produção. Torne-se desleixado com o seu vestuário, com tratamento da pilosidade, com os adornos, com os acessórios, etc.

4- Deixe para lá o romance.

Deixe de olhar o parceiro nos olhos; deixe de fazer declarações românticas; deixe de beijar na boca e de comemorar os aniversários dos acontecimentos mais importantes do relacionamento.

5 - Economize no sexo.

Trate o parceiro a pão e água na área sexual. Transforme-o no homem (mulher) aranha: faça-o subir pelas paredes de desejo não satisfeito: “Quando fico muito tempo sem sexo, ou só tenho aquele sexo raro e minguado, fico subindo pelas paredes. A masturbação alivia, mas não resolve!” O sexo não satisfeito leva o parceiro a pensar nisso o tempo todo, a considerar outras possibilidades e a ficar mais propenso a aceitar ofertas.

Só raramente aceite sexo. Seja muito exigente para chegar lá. Muitas pessoas agem no sexo como o Alberto Roberto, aquele personagem do Chico Anísio: quando aparece qualquer contrariedade, vão logo dizendo: “Não graraaaavo!”

Nas raras vezes que fizer sexo, cuide para que ele seja básico e rápido. “Isso, aquilo e mais aquilo, não gosto, acho errado e não faço!”. “Ele é igual um galo: montou, terminou!”.

Este tipo de sexo satisfaz mais as necessidades biológicas e menos as fantasias. Onde será que ele vai satisfazê-las?

Seja egoísta no sexo: preocupe-se apenas com o seu próprio prazer e nem se importe com o dele.

Só faça sexo. Não faca amor. (Principalmente para os homens). Aja com ela daquela forma mostrada nos filmes pornôs, que só os homens apreciam. Logo, logo ela estará evitando o sexo com você.

Tanto para a mulher como para o homem, a imposição de obstáculos por parte do parceiro para o sexo produz, em um primeiro momento, o aumento do desejo e posteriormente, a sensação que não é mais atraente para ele ou que ele está envolvido com outra pessoa.

Em seguida, a rejeição sexual leva ao aparecimento de mecanismos de proteção do ego e para evitar a frustração. Um dos mais poderosos desses mecanismos é não alimentar expectativas (“Não espero nada. O que vier é lucro”). Outro mecanismo é a atribuição de motivos aceitáveis para a inapetência do parceiro (preocupações no trabalho, falta de tempo, traumas no passado, educação religiosa, doenças, depressão, etc.).

O sexo com qualidade depende de ambos os parceiros. A melhor maneira de propiciar sexo com qualidade é garantir um bom sexo para si. Quando o sexo é altamente motivador para si, essa motivação poderá acabar se traduzindo em atos e expressões que aumentarão o prazer do parceiro. Aquilo que é bom tem algo de geral e tem algo de particular que terá que ser definido pelo casal.

Para as mulheres, o sexo com qualidade não se resume em desempenhos atléticos, posições de contorcionista e urros leoninos. Para elas, o bom sexo geralmente acontece quando há um bom relacionamento com o parceiro e este "tem pegada".

5- Descuide-se daquelas situações que aumentam as chances de traição

Após o comprometimento, deixe o parceiro frequentar como antes, todas aquelas situações para descomprometidos. Após o comprometimento amoroso, é esperado que algumas situações deixem de ser frequentadas pelos parceiros ou só sejam frequentadas pelo casal. Por exemplo, é esperado que os parceiros saiam de sites de namoro as  deixem de frequentar sozinhos as baladas. Liberar o parceiro para esses eventos aumenta as chances de envolvimento com outros frequentadores. É esperado que isso não tenha que ser proibido, mas sim, que seja espontaneamente deixado pelos envolvidos. Existem exceções, é claro.

Nunca vá a certos lugares que ele costuma frequentar: festas da empresa, local de trabalho, academia de ginástica, etc. Assim ele poderá desenvolver, à salvo e longe da sua vista, certos tipos de relacionamentos que são propícios para a traição. Esta fica muito mais fácil quando os outros frequentadores não têm que mentir e disfarçar quando você está presente. Não comparecer a esses locais também evita “queimar o filme”: nenhuma rival gosta de ser deixada de lado e ver o pretendente trocando carinhos com o parceiro.


Evite os primeiros passos para a traição

Tal como acontece com as drogas, o caminho para o vício começa com os primeiros passos. O futuro viciado acha que esses passos são inocentes ou que eles estão sob seu controle.  No caso das drogas, os primeiros passos são a exposição a outras drogas “mais inócuas”,  frequentar locais onde o consumo seja comum e experimentar por curiosidade ou por pressão de outras pessoas. Depois dos primeiros passos, é muito difícil se controlar. Algo semelhante acontece na traição. É possível evitar o envolvimento com uma pessoa atraente, evitando o relacionamento com ela ou mantendo esse relacionamento estritamente da forma exigida pelas circunstâncias (profissional, colega, etc.),  sem dar qualquer passo na direção amorosa. É possível, inclusive, apresentar sinais antagônicos à traição (sempre que for apropriado citar o parceiro; incluir o parceiro nos encontros; deixar claro que despreza traições, etc.). Quem começa a trair na internet, por exemplo, dificilmente deixará de dar mais alguns passos na direção de uma traição na vida real.

Você está empurrando o seu parceiro para a traição e não consegue parar de fazer isso? Procure a ajuda de um psicólogo.

Notas

1. Por uma questão de estilo, neste artigo vou usar pronomes e substantivos masculinos para me referir ao traidor em potencial. No entanto, a grande maioria das afirmações se aplicam a homens e mulheres. Quando este não for o caso, especificarei o sexo de quem estou me referindo.

2. PS. : Resposta para a leitora Vivi (veja abaixo) que complementa esse artigo:

 Obrigado pelos comentários. Você tem razão. Muitas vezes, por mais que façamos, ainda assim somos traídos. O parceiro já tinha a propensão para trair e teve ofertas muito tentadoras. Isso, no entanto, só complementa aqueles casos onde o traído contribuiu muito para a traição. Além disso, você apontou muito bem, o relacionamento, para valer a pena, deve ser baseado na confiança e não em mil cuidados para não ser traído. 

Os casos patológicos ainda são outro tipo de problema que vêm se juntar a estes. 

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Por Ailton Amélio às 10h29

03/07/2012

Três maneiras de destruir o seu relacionamento amoroso

Há uns trinta anos atrás, era bem mais difícil terminar um casamento do que agora. Naquela época, este tipo de relacionamento era mais protegido por várias “barreiras externas”: leis, opinião publica, religião, econômicas (a mulher tinha menos independência econômica), etc. Atualmente, para a separação, se não existirem complicações, basta o casal comparecer a um cartório, acompanhado de um advogado, quase com a mesma facilidade de uma Las Vegas ao contrário!

Essas dificuldades para terminar o relacionamento operavam para o bem e para o mal. Para o bem: como as pessoas sabiam que ia ser difícil sair da relação, elas cuidavam mais dela. Afinal ninguém gosta de criar o inferno para viver nele. Agora, prevalece a filosofia: “Não deu certo? Descarta e inicia outra”. Para o mal: muitos casamentos terríveis duravam a vida toda porque era muito difícil terminá-los.

Recentemente essas barreiras externas se enfraqueceram. Agora, mais que nunca, o relacionamento perdura ou termina, progride ou fica estagnado dependendo daquilo que acontece entre os cônjuges .


Estudos sobre a qualidade e durabilidade dos relacionamentos

Quais são os principais problemas que fazem o relacionamento perder a qualidade e até mesmo terminar? Essa é uma pergunta que os psicólogos vêm se fazendo há muito tempo.

Dois tipos de estudo são usados para tentar responder essa questão: (1) estudo “transversal” – são medidas várias características de casais e os seus graus de satisfação. São calculadas as correlações entre esses dois tipos de fatores. (2) Estudo “longitudinal”: casais são acompanhados por muitos anos e, de tempo em tempo, são testados, entrevistados e observados para tentar elucidar as diferenças entre aqueles que têm relacionamentos felizes e duradouros e aqueles que têm relacionamentos insatisfatórios ou terminam. Os pesquisadores tentam, dessa forma, identificar os fatores que contribuem para que os relacionamentos deem certo ou errado.

Vamos destacar aqui três fatores, apontados pelos dois tipos de estudos mencionados acima,  que estão entre os mais associados com o sucesso ou fracasso dos relacionamentos.

 

Três motivos do fracasso dos relacionamentos

 1- Esvaziamento

O esvaziamento acontece quando um ou ambos os membros do casal perdem o interesse pelo outro: não sentem amizade, romantismo ou atração sexual, não têm prazer em conversar com o outro. Ou seja, o relacionamento perdeu o sentido. Só estão juntos devido às implicações negativas que teria uma separação.

Alguns autores afirmam que, atualmente, este é o principal motivo das separações, tendo superado, inclusive, as traições como causa da dissolução dos casamentos!

Os principais motivos do esvaziamento são os seguintes:

- Diminuição da novidade proporcionada pela outra pessoa. A quantidade de novidade que uma pessoa apresenta para a outra diminuiu naturalmente à medida que elas vão se conhecendo. No entanto, sempre é possível manter um bom nível de novidade, porque as pessoas são naturalmente mutáveis: as nossas ideias, motivações e emoções mudam continuamente. Um dos maiores motivos para a diminuição drástica desse tipo de novidade acontece quando a pessoa deixa comunicar ou de levar para o relacionamento as alterações que estão ocorrendo frequentemente com ela e, por isso, ela dá a impressão que é mais previsível do que de fato é.

- Engessamento. Este fenômeno tem duas causas: (1) os cônjuges passaram a repetir aquilo que deu certo anteriormente no relacionamento com o outro. Essa forma de agir instala a mesmice e a chatice no relacionamento! (2) Os cônjuges acham que já conhecem tudo sobre o outro e, por isso, diminuem suas atenções para o outro. É um erro concluir que já conhecemos muito bem a pessoa com quem convivemos: alguns estudos mostram que mesmo os casados há muito tempo só conhecem cerca de 50% sobre o outro.

- Mudanças indesejadas: um ou ambos os cônjuges mudaram o jeito de ser e, por isso, se distanciaram daquilo que interessava ou era admirado pelo outro. Existem dois tipos de mudanças que têm esse efeito: (1) Mudança de expectativa: o cônjuge mudou aquilo que aprecia e, por isso, deixou de  valorizar aquilo que anteriormente achava interessante no seu parceiro amoroso. Por exemplo, aos 18 anos, a namorada adorava a rebeldia e a forma de vestir do namorado. Agora, 20 anos depois de casados, ela não valoriza mais esses atributos, mas o marido continua o mesmo.  Ela diz, criticamente, que ele tem a “síndrome de Peter Pan” – congelou no tempo, não amadureceu e ficou sem graça. (2) As expectativas continuam as mesmas, mas o cônjuge mudou em uma direção indesejada. Por exemplo, ele era dinâmico e ousado e foi ficando acomodado e conservador.

- Perda da atração romântica e sexual pelo parceiro.  A união conjugal difere de outros tipos de relacionamentos íntimos (amizade, parentesco, etc.) porque nela há romantismo e atração sexual entre os cônjuges. Quando essa atração se torna muito fraca, o relacionamento perde a sua identidade conjugal e fica muito parecido com  os outro tipos de relacionamento. Isso ainda é mais problemático quando surge atração romântica ou sexual por outra pessoa. A diminuição do romantismo e atração sexual entre os cônjuges acontece quando eles deixam de se posicionar romântica e sensualmente com o outro (flertar, namorar, posicionar-se como homem e como mulher, etc.).

- Perda da cumplicidade. Uma das melhores coisas de um relacionamento amoroso é a aceitação incondicional por parte do parceiro que é manifestada pela sua amizade, apoio, companheirismo e conversas animadas. Infelizmente, em muitos casos, tudo isso se torna muito fraco ou deixa de existir. Quando esse enfraquecimento acontece, sempre que o casal está junto, os cônjuges estão fazendo outras coisas porque não há mais sobre o que conversar .

2- Traição

A traição é um acontecimento muito grave para a maioria dos casamentos  e pode levar ao seu término. Um estudo intercultural, realizado pela antropóloga Laura Betzig em 160 culturas1, mostrou que a traição  era a causa mais citada, dentre os 43 motivos para a dissolução do matrimônio apurados nesta pesquisa.

As chances de a traição levar ao término do relacionamento são maiores quando o casamento não tem uma boa base que sirva para segurar o baque provocado por esse acontecimento. A estrutura do relacionamento é como a base de um edifício que pode ou não aguentar um terremoto.

A traição produz dois tipos de consequências para o relacionamento: (1) internas – quem trai pode se distanciar do parceiro. O seu amor pode diminuir e o fato de fingir e dissimular o que está se passando tem um efeito degradante para o traidor. (2) Existe o risco de ser pego e daí decorrer todas as consequências que tipicamente acontecem nesta ocasião: brigas, represálias e a separação.

3- Brigas frequentes ou destrutivas

As brigas são normais em todos os relacionamentos duradouros. No entanto, certos tipos e frequências de briga têm efeitos corrosivos no relacionamento. John Gottman2 aponta quatro tipos de briga que podem destruir um relacionamento: (1) Criticismo: ao invés de apresentar uma reclamação específica, o parceiro enumera tudo aquilo que ele acha errado no outro ou naquilo que o outro vem fazendo. Essa lista pode incluir tudo aquilo que foi feito de errado desde o inicio do relacionamento. Algumas pessoas são muito boas neste tipo de catalogação. (2) Defensividade: quando um parceiro começa a apresentar uma reclamação o outro, ao invés de prestar atenção no que ele está dizendo para entender melhor a reclamação e verificar se ela é legitima, passa a pensar na forma de defender-se ou de contra-atacar (“crítica cruzada”). (3) Desrespeito: atacar a honra, o caráter as boas intenções do outro. Dizer coisas como você não presta, você é bundão , você não é confiável.  (4) Insensibilidade: concluir que não vale a pena ouvir o que o parceiro tem a dizer e passar a ignorar toas as suas queixas ("Entra por um ouvido e sai pelo outro").

Você está usando alguma dessas três maneiras para destruir o seu relacionamento? É isso mesmo que você pretende? Se você está em dúvida ou nao deseja agir assim, procure a ajuda de um psicólogo.

Notas

1. Betzig, L (1989) Causes of Conjugal Dissolution: A Cross-cultural Study. Current Anthropology, Vol. 30, No. 5 (Dec., 1989), pp. 654-67

2. Gottman, J. (1998). Casamentos. (Traduzido do original em inglês por T. B. Santos). Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda.

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Por Ailton Amélio às 09h34

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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