Blog do Ailton Amélio

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25/08/2012

Você ama o amor ou o seu parceiro?

Você costuma se apaixonar sem conhecer direito o parceiro e, depois que se apaixona, tende a desculpar, ignorar e a assimilar todas as características do amado, mesmo quando elas são desagradáveis e incompatíveis com as suas? Neste caso, você ama o amor, mas não o seu parceiro.

Uma vez que o amor dispara, tendemos a aceitar incondicionalmente o amado. Desligamos o nosso sistema de alerta e ligamos o modo lealdade e assimilação. Algumas pessoas exageram na dose quando agem dessa forma.


Alguns exemplos de pessoas que amam o amor

Muita gente está pronta para amor e já está pré-programada para sentir, pensar e agir romanticamente quando conhece alguém que dispare esse programa. Para estas pessoas, basta encontrar “alguém para chamar de seu” que todo aquele romantismo é automaticamente disparado. O parceiro não precisa ter nada de especial e não fazer quase nada. Veja abaixo alguns exemplos deste fenômeno.


Irrealismo, romantismo e carência sustentam a ficção sobre o parceiro.


Mariana ama o amor e está carente

 Na área amorosa, Mariana não dava muito importância para os fatos, mas, sim, para suas versões. Além disso, ela era muito romântica e estava carente. Mariana concedia, aprioristicamente, muito crédito para a pessoa que estava conhecendo e fechava os olhos para as informações que desabonassem um possível parceiro amoroso. Adorava filmes tipo love story, chorava quando ouvia músicas românticas e invejava os pares de namorados que, todo dia, encontrava no seu caminho. Fazia muito tempo que não namorava e isto acentuou suas necessidades amorosas.

Quando era mais nova, Mariana era muito exigente com os seus pretendentes. Tinha uma longa lista de atributos que considerava imprescindíveis e, quando o pretendente não atendia a qualquer um deles, ele era sumariamente descartado. Depois de um tempo sem conseguir iniciar um namoro, ela "foi deixando por menos". Algum tempo depois, essa lista ficou reduzida a alguns poucos requisitos: gentileza, idade, nível estado civil e escolaridade. Após mais um tempo de "secura", ela reduziu mais ainda as suas exigências e, agora, estava disposta a iniciar um relacionamento com quase qualquer um que a quisesse.


Paixão instantânea na internet

Ele havia acabado de fazer contato com uma mulher em uma sala de bate papos. Uma breve troca de informações sobre características pessoais, uma conversinha agradável e insinuante e pronto: ele já estava fascinado pela interlocutora quase completamente desconhecida. O seu amor estava à flor da pele. Bastava um pequeno estímulo para que ele jorrasse abundantemente. A sua imaginação preenchia todas as lacunas. O outro era apenas um detalhe.


Fascínio instantâneo na balada

Lá estava ela na balada. Como sempre, havia uma grande chance que se apaixonasse por alguém naquela noite. Em primeiro lugar, localizava alguém do seu tipo: porte altivo; circunspecto; sorriso bonito, mas discreto; forma elegante e discreta de se vestir. Em seguida, caso essa pessoa lhe desse  alguma bola, mas não lhe desse muita segurança do seu interesse, pronto! Em minutos ela ficava fascinada pelo desconhecido. Pelo resto da noite ela ficava concentrada nesta pessoa e tudo o mais na balada perdia boa parte o brilho. Cada pequeno avanço com o desconhecido fascinante passava a ser comemorado: agora a pessoa estava notando o seu olhar insistente. Ele estava rodeando. Ele estava sempre com o rosto orientado na sua direção: estava conversando com amigos, mas fazia questão de manter-se voltada para ela. Cada um destes avanços era comemorado por ela


A natureza da miopia amorosa

É natural apresentar uma versão melhorada de nós mesmos para o parceiro

No início do relacionamento, fazemos esforços para sermos aceitos pelo parceiro. Por isso, tendemos a ressaltar e exagerar um pouco o que temos de melhor e a omitir e disfarçar aquilo que temos de pior. Assim, caprichamos na aparência, nos mostramos mais dispostos e otimistas, aumentamos as gentilezas e ficamos mais atenciosos com o parceiro. Depois de um tempo, vamos “baixando as cartas” e mostrando a nossa forma mais costumeira de ser.


Idealização

A idealização é um ingrediente natural do amor. Tendemos a ver o parceiro como muito mais especial e fascinante do que ele realmente é. Um estudo mostrou que tendemos a ver o amado como sendo muito mais dotado de qualidades do que os seus amigos o veem. Como geralmente os amigos já se veem de forma otimista e benévola, isso significa que quem está apaixonado distorce positivamente a visão do amado ainda mais do que os amigos costumam fazer.


O amor é míope e o namoro, um bom par de óculos

Embora um bom grau de idealização e a apresentação de uma imagem melhorada para o parceiro sejam fenômentos saudáveis e normais nos inícios de relacionamentos amorosos, é esperado que uma boa parte daquelas distorções perceptuais mais graves provocadas por estes dois fenômenos sejam corrigidas à medida que as pessoas vão se conhecendo durante o namoro. O namoro tem este propósito: permitir que os enamorados corrijam suas impressões mútuas iniciais e testem suas compatibilidades antes de avançar para um estágio do relacionamento que tenha um maior grau de compromisso.

No entanto, algumas pessoas, mesmo após um bom tempo de namoro, continuam com a cabeça na lua e teimam em não ver a pessoa real que está ali ao seu lado. Elas precisam muito pouco do companheiro para viver os seus amores. Elas adoram pensar que estão namorando, sair com o namorado, ter uma agenda e uma rotina com eles. Por exemplo, elas dão pouca importância para os indícios de esses namorados vão fracassar profissionalmente ou de que eles são displicentes em seus compromissos. Para elas, mais importante que tudo isso, é sentir que a aspiração de ter um relacionamento amoroso  está sendo realizada.


Quando a miopia persiste

Muitas pessoas se apaixonam à primeira vista. Dentre essas, algumas ficam atentas para conferir, logo em seguida, se o parceiro possui as qualidades desejadas ou se possui defeitos intoleráveis. Caso ele não mostre tais qualidades ou revele tais defeitos, o apaixonado se decepciona e o amor acaba (John Alan Lee, sociólogo canadense, classificou este estilo de amor como “Eros”). Outras pessoas, (“Maníacas”, na classificação deste mesmo autor), após se apaixonarem, ficam persistem na idealização das qualidades do parceiro e ficam bastante insensíveis aos seus possíveis defeitos que vão sendo revelados no transcurso do relacionamento. Elas tendem a perdoar tudo e a desculpar tudo que eles fazem. Esta forma de amar lembra o amor incondicional mostrado por mães em relação aos filhos. Por pior que eles se tornem, por mais coisas ruins que façam, esse amor ainda persiste.

Quando se trata do relacionamento amoroso, este tipo de distorção persistente não produz relacionamentos felizes e estáveis. Trata-se de um relacionamento sem bases sólidas e que se mantêm graças às distorções perceptuais daqueles que não têm condições de encarar a realidade.

Boa parte deste tipo de miopia sobre o parceiro persiste durante toda a vida. Existem estimativas que pessoas casadas há muito tempo só conhecem cerca de 50% das características de seus parceiros (acertam só metade das perguntas sobre suas reações, valores, modos de pensar, decidir, etc.).

Você ama o amor e não o seu parceiro e isto está gerando problemas? Procure a ajuda de um psicólogo.

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PALESTRA GRATUITA NA USP

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PRINCIPAIS DIFICULDADES PARA INICIAR E DESENVOLVER BONS RELACIONAMENTOS AMOROSOS 

O relacionamento amoroso é uma das fontes mais poderosas de alegria e tristeza para o ser humano. Por isso, existem tantas publicações, tantas músicas tantos filmes e tantas conversas sobre este tema. Esta palestra vai identificar os principais problemas que prejudicam o início e o desenvolvimento de relacionamentos amorosos e apresentar algumas maneiras de lidar com essas dificuldades.

Alguns dos temas que serão abordados

- Quais são as características de uma pessoa atraente?

- Por que certas pessoas têm muita dificuldade para iniciar e desenvolver relacionamentos amorosos?

- Por que certos relacionamentos amorosos duram pouco?

- Características de um relacionamento amoroso que traz muitas satisfações

- Ciumes, traição e comunicação

Data da palestra

14 de setembro de 2012 (sexta-feira). 19h 45min – 21h 45min

Para obter outras informações e se inscrever, mande a mensagem “Quero informações sobre a palestra do prof. Ailton Amélio” para o email: dialogo.usp@uol.com.br

 

Por Ailton Amélio às 12h54

18/08/2012

Você se tornou prisioneiro dos estereótipos e empobreceu sua vida?

As suas percepções empobreceram a sua vida?

- Você vê tudo em preto e branco, certo e errado?

- Classifica as pessoas e, dai para frente, dificilmente revê os rótulos aplicados e os utiliza para tomar decisões e lidar com essas pessoas?

- Ignora que os rótulos são apenas ferramentas úteis e simplificações dos fatos?

- Está disposto a rever as impressões que formou sobre as pessoas?

- Anda a cata de testes que ajudem a classificar tudo aquilo que você pensa e sente e encara os seus resultados como verdades definitivas?

 

Caso tenha respondido "sim" a alguma dessas questões, talvez você esteja simplificando demais os seus conceitos. (Seria este mais um teste classificatório? Rs, rs).

Neste artigo vamos analisar como o uso inadequado de classificações pode empobrecer nossas percepções e nossa forma de agir.


Terminologia usada para nomear este fenômeno

A linguagem corrente possui vários termos e expressões que captam o uso de antolhos que limitam a visão da realidade. Esses antolhos diminuem a sensibilidade, tornam as ações ineficazes para lidar com os fatos concretos, empobrecem, distorcem e reprimem a percepção e a autopercepção. Por tudo isso, esses antolhos empobrecem a nossa vida.

Alguns termos e  expressões usados para nomear o uso de estereótipos e simplificações inadequadas são os seguintes:

Maniqueísmo: termo aplicado para o uso de apenas duas opções opostas para analisar as coisas: sim x não, certo x errado, amor e ódio, etc.

Estereótipo: repetição automática de um modelo anterior de percepção ou comportamento, que leva à impessoalidade e ao anonimato.

Preconceito: um conceito formulado antes de conhecer o fenômeno.

Simplificação inadequada: vamos examinar o uso dessa expressão nos parágrafos abaixo.


Simplificação adequada e inadequada

Simplificar é destituir a descrição ou a percepção de um fato das suas características secundárias e ater-se ao que ele tem de essencial (características compartilhadas entre todos os fatos assemelhados que são abrangidos pela definição).

Simplificar é imprescindível para lidar com a realidade. Seria paralisante parar para analisar cada pessoa, cada fato e cada acontecimento sem enquadrá-los em uma categoria conhecida. A localização desta categoria aciona formas já testadas de ação que são eficazes para lidar com aquela classe de fenômenos.


Quando os rótulos são úteis

É impossível analisar, interpretar e responder especificamente a todos os fatos que tomamos conhecimento a todo o momento, todas as vezes que eles ocorrem. Os rótulos ajudam a organizar a realidade, a agrupar fenômenos que têm características em comum e a lidar com aqueles fatos que têm propriedades em comum e que receberam os mesmos rótulos. Os acontecimentos, fatos, objetos e pessoas que são mais relevantes na nossa vida são classificados e rotulados. Por exemplo, classificamos as pessoas como parentes, conhecidos, amigos e colegas. A categoria “ parente” podem ser subdividida em outras categorias: pais, filhos, primos, tios, etc. Também é impossível conversar sem usar rótulos. Por exemplo, como poderíamos conversar sobre cores sem usar suas classificações para nos referirmos a elas?

Perderíamos tempo demais para tomarmos cada decisão e emperraríamos. Por isso, tendemos a utilizar análises e classificações realizadas anteriormente e só realizar novas analises quando a informação discrepa muito daquelas já analisadas e rotuladas. Por exemplo, ao encontrarmos uma pessoa que já conhecemos, tendemos a usar as conclusões anteriores sobre ela que já apuramos.


Definições prototípicas

No dia a dia, usamos largamente as definições prototípicas. Neste tipo de definição, apresentamos um exemplo que tenha as características mais típicas daquilo que queremos definir. Por exemplo, quando queremos definir feijão, mostramos fotos daquilo que consideramos variedades típicas de feijão. Os outros casos são definidos por semelhança: quanto mais semelhantes às amostras típicas, mais seguros ficamos que se trata de um feijão. Ficamos em duvidas sobre as variedades que não se pareçam tanto com as amostras usadas na definição: vagem, feijão fava, etc.


Decisões 49% a 51%

Muitas decisões que são divisoras de águas, que têm grandes implicações em nossas vidas, são tomadas com base em categorizações muito diversas de fatos muito semelhantes. Por exemplo, a escolha de uma casa para morar, um parceiro amoroso, uma profissão pode ser tomada quando as opções têm valores muito parecidos para nós. No entanto, uma vez tomada a decisão, as implicações dessas escolhas podem ser muito grandes: casamos com fulano e não com sicrano, nos tornarmos médicos e não advogados...


A categorização pode provocar uma mudança perceptual

A categorização pode levar uma mudança da nossa percepção. Por exemplo, suponhamos que tenhamos classificado uma pessoa como chata, maliciosa ou inamistosa. Dai para frente ficamos mais sensíveis às ações dessa pessoa que confirmem tais classificações e insensíveis às suas ações que as desconfirmem (somos resistentes às informações que desconfirmem as nossas percepções e instabilizem aquilo que percebemos como “realidade”).


Desvantagens do uso de rótulos

Uma vez aplicado o rótulo, deixamos de prestar atenção às nuances do caso real que está na nossa frente e passamos a tratá-lo de acordo com as propriedades do protótipo usado na definição. Neste caso, a percepção sofreu uma estereotipia e as nossas ações são ajustadas para o protótipo e não para o caso real que estamos lidando.

A simplificação exagerada ou mal feita adultera o fenômeno ou ignora as suas variantes que têm peculiaridades e decorrências importantes. Ao usar demais simplificações inadequadas, você perde sensibilidade para a riqueza dos fatos, pessoas, acontecimentos e para o que se passa com você (seus sentimentos, necessidades, opções). Assim, você passa a viver uma vida empobrecida, ao mesmo tempo em que está imerso uma realidade exuberante, vibrante e maravilhosa: você apagou as cores da sua vida (só enxerga branco e preto), só sente dois ou três odores (tornou-se anósmico para uma grande profusão de perfumes), deixou de perceber as nuances dos relacionamentos e tornou-se insensível para pessoas intrigantes e peculiares que estão à sua volta e as vê como iguais a todas as outras e desinteressantes.

A simplificação exagerada faz com que você passe a perceber o parceiro como muito previsível, repetitivo e desestimulante. Isso faz com que  você comece a agir da mesma forma diante de situações diversas, já que vê todas elas como iguais. Assim você empobrece a sua forma de agir, deixa de ser original, torna-se repetitivo e amorfo.

Desafio aos rótulos e fidelidade aos fatos

Vamos apresentar agora dois exemplos de pessoas que desafiaram definições amplamente aceitas e se mantiveram fieis aos seus sentimentos e percepções: poliatração e poliamor.

Poliatração: um fenômeno comum e normal

Da mesma forma que sentimos amizade por várias pessoas, temos sentimentos fraternais com vários irmãos e gostamos de várias pessoas, também sentimos atração romântica e sexual por várias pessoas.

No entanto, na nossa sociedade é esperado que esses sentimentos cessem ou, no mínimo, diminuam muito de intensidade quando nos comprometemos com um parceiro. De fato, eles continuam a existir: uma enquete que realizei indicou que a atração por outras pessoas diminui pouco quando nos comprometemos amorosamente com alguém. Quando assumimos este tipo de compromisso, não nos comprometemos também a deixar de ver a beleza, o sex appeal e o charme de outras pessoas e nem a nos tornarmos insensíveis às suas vozes melodiosas, calorosas, acariciantes e sensuais. Isso seria impossível.

Esse compromisso, portanto, só é real no sentido de não permitir que a atração guie os comportamentos de quem está comprometido: essa pessoa se compromete, por exemplo, a não flertar com outras pessoas pelas quais ela sinta atração romântica ou sexual.

Poliamor: um exemplo da redefinição de categorias

Na área amorosa, as definições implícitas de palavras como “amor” e “paixão” nos levam a pensar que esses fenômenos só podem ocorrer com um parceiro por vez. Esses rótulos, no entanto, podem esconder fatos que não se submetem a esses rótulos e definições.

Os poliamorosos são aqueles que decidiram ser fiéis aos fatos e não aos rótulos: eles não se deixam guiar pela definição de que o “amor” e a “paixão” só podem acontecer com uma pessoa por vez. Ao questionar essa restrição artificial, os poliamorosos descobriram que esses sentimentos podem ocorrer com várias pessoas simultaneamente.

A sua vida está pobre e chata? Procure a ajuda de um psicólogo para rever suas definições!

 

Por Ailton Amélio às 12h13

11/08/2012

O prazer e a importância de ser pai

Existe certo consenso sobre a informação de que o dia  dos pais foi comemorado pela primeira vez na Babilônia, há mais que quatro mil anos, por um jovem chamado Elmesu. Este jovem registrou em argila os seus desejos de sorte, saúde e vida longa ao seu pai. A primeira tentativa de institucionalizar essa dada aconteceu em 1909, nos Estados Unidos: Sonora Luise tentou criar o dia dos pais para homenagear o seu querido pai.  Essa data só foi oficializada em 1972 pelo presidente Richard Nixon.

Neste artigo, vamos examinar a satisfação e a importância de ser pai. Para ressaltar o papel desempenhado pelos pais humanos, vamos comparar as contribuições para a reprodução dos machos e fêmeas de várias espécies.  

Diferentes graus de contribuição dos pais para criar os filhos em diferentes espécies

No reino animal, a fecundação pode ser interna ou externa ao corpo da fêmea. Aquelas espécies que têm fecundação interna podem ter gestação interna (a mãe gesta o filhote no seu ventre) ou externa (botam os ovos).

Há uma grande dose de variação entre as espécies na quantidade de cuidados com ovos e com filhotes. Esta variação vai desde quase nenhum cuidado (as tartarugas marinhas fêmeas escolhem um lugar propício para botar, botam, enterram os ovos e vão embora. Depois disso, elas nunca mais cuidarão dos ovos ou dos filhotes) até uma grande quantidade de cuidados, como aqueles apresentados por aves como a galinha, que usam o calor do corpo para manter ovos aquecidos. Depois que nascem, os pintinhos são alimentados, protegidos e ensinados durante um bom tempo.

 Também há uma grande variação entre as espécies na quantidade de cuidados apresentados pelos machos, tanto para chocagem dos ovos quanto para a criação dos filhotes. Em muitas espécies, eles investem esforços e tempo apenas na fase do cortejamento e na fecundação da fêmea.  Em certas espécies, são eles que cuidam sozinhos dos ovos (certos peixes machos, por exemplo, após fecundarem os ovos, permanecem no local e ficam abanando-os com movimentos das nadadeiras para oxigená-los) ou dividem esses cuidados com as fêmeas, como acontece com  algumas espécies de aves. Em casos mais raros, são os machos que cuidam sozinhos dos filhotes (isso acontece, por exemplo, com o cavalo marinho).

Após o nascimento, os filhotes são cuidados pela fêmea , mais raramente por ambos e, mais raramente ainda, só pelo macho.

A cria humana é a que requer mais tempo de cuidados

A espécie humana se reproduz através da fecundação interna (os futuros pais gostam muito de participar desta tarefa, rs), gestação interna e longos anos de cuidados com os filhotes após o nascimento. O ser humano nasce completamente indefeso e é incapaz de sobreviver por si só: não é capaz de se locomover, obter alimentos, alimentar-se sozinho. Somos a espécie cujos filhotes, proporcional ao tempo de vida, requerem mais tempo de cuidados. Existem estimativas de que, nas situações naturais onde a nossa espécie se desenvolveu, uma criança só tinha chances de sobreviver sozinha após os 11 anos de idade.

Casamento como estratégia reprodutiva

O esforço necessário para cuidar das nossas crias até que elas consigam sobreviver sozinhas é demasiadamente grande para uma só pessoa. Por isso, a nossa espécie (e algumas outras) desenvolveu a estratégia de somar os esforços dos pais para este empreendimento. Assim, quando um homem se une a uma mulher para a fecundação e para a criação dos filhos, isso aumenta muito o sucesso reprodutivo do casal em relação aos casos nos quais só um deles se encarrega desses cuidados.

O papel tradicional do marido

O papel do pai mudou muito nos últimos anos e ainda está em transição. Até pouco tempo atrás era esperado que o pai:

-  Fosse o único provedor do lar: era ele quem devia garantir a alimentação, a moradia e arcar com as despesas de educação dos filhos.

- Fosse o “cabeça do casal”. Era esperado que ele tivesse um poder incontestável sobre a família. Ele funcionava como uma espécie de última instância: as suas decisões deviam eram uma espécie decreto final e, por isso, não era admissível que fossem questionadas pelos filhos.  Essa autoridade era usada pelas mães para ameaçar os filhos: “Quando o seu pai chegar, ele vai ficar sabendo o que você fez”. Ele também tinha a palavra final nas decisões  mais importantes da família, como o local de moradia, investimentos e escola dos filhos.

- Fosse mais “racional” e menos emocional do que a esposa: não devia mostrar muita ternura, amor, fragilidade, etc.

Agora o pai está mais próximo dos filhos.

Antigamente, as crianças viviam em um mundo segregado dos adultos. Por exemplo, não era permitido que participassem e nem estivem presentes em muitos eventos e conversas de adultos. Elas também podiam e deviam sofrer castigos corporais por se portarem mal (eram castigadas com cintos, varas de marmelo, palmatórias, etc.).

Atualmente, o que está instituído é o reino da infância e da adolescência. Boa parte das decisões é muito influenciada pelos desejos dos filhos e por aquilo que os pais acreditam que os deixará felizes e que seja bom para eles. Também é esperado que o pai funcione mais como um amigo dos filhos do que como um ditador benevolente. 

Está cada vez mais claro que os pais modernos também têm um papel muito importante no desenvolvimento da estrutura psicológica dos filhos: ajudá-los a construir uma boa autoimagem e contribuir para que eles desenvolvam uma boa capacidade cognitiva e uma afetividade saudável. Para contribuir eficazmente para o desenvolvimento dos filhos, não basta fornecer-lhes boa alimentação, conforto, boas escolas e bens materiais. Tão ou mais importante que tudo isso, é manter uma boa comunicação com eles, acreditar neles, respeitá-los, dar importância para as suas ideias e sentimentos. Mais importante que preparar o filho para ganhar dinheiro e ser bem sucedido é contribuir para que ele desenvolva o seu potencial, seja ele qual for, seja seguro e persiga aquilo que faz sentido para ele.

Divisão de funções com as mães

À medida que a mãe moderna foi assumindo funções de provedora e trabalhando fora de casa, boa parte das suas funções tradicionais foram sendo repassadas para a escola. O pai, por sua vez, foi sendo solicitado, cada vez mais, a assumir funções que no casamento tradicional eram “coisas de mulher”: tarefas caseiras e participação ativa da educação dos filhos, etc.

Creio que todos saímos ganhando com esses novos papéis dos pais. A vida está mais igualitária e afetiva naquelas famílias. Deve-se, no entanto, respeitar os limites razoáveis de todos os papéis: não existe nada de mau na existências de papéis diferenciados na família: mãe, pai e filhos. Confundir demasiadamente esses pais gera confusão e disfuncionalidade.

A paternidade é uma experiência maravilhosas que dá sentido para a vida. As melhores recordações que ficam são daquelas situações onde estávamos plenamente envolvidos com os nossos filhos!

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O relacionamento amoroso é uma das fontes mais poderosas de alegria e tristeza para o ser humano. Por isso, existem tantas publicações, tantas músicas tantos filmes e tantas conversas sobre este tema. Esta palestra vai identificar os principais problemas que prejudicam o início e o desenvolvimento de relacionamentos amorosos e apresentar algumas maneiras de lidar com essas dificuldades.

Alguns dos temas que serão abordados

- Quais são as características de uma pessoa atraente?

- Por que certas pessoas têm muita dificuldade para iniciar e desenvolver relacionamentos amorosos?

- Por que certos relacionamentos amorosos duram pouco?

- Características de um relacionamento amoroso que traz muitas satisfações

- Ciumes, traição e comunicação

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14 de setembro de 2012 (sexta-feira). 19h 45min – 21h 45min

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Por Ailton Amélio às 13h54

03/08/2012

Autoconhecimento através da observação dos sentimentos

Podemos aumentar o nosso autoconhecimento através da auto-observação da forma como agimos, pensamos e sentimos em diversas situações.

Para fazer esse exame, não podemos ser muito defensivos, devemos ter muita curiosidade e uma grande motivação para o autoconhecimento. A defensividade turva ou distorce a nossa percepção. A falta de curiosidade e de motivação para essa tarefa faz com que não a coloquemos em prática.

Para aumentar o autoconhecimento você deve ter espaço para examinar os seus sentimentos que vão surgindo continuamente  sem autocondenar-se ou autoaprovar-se por isso.


Todas as emoções têm funções adaptativas

Os nossos mecanismos psicológicos e os componentes do nosso corpo (pulmão, coração, olhos, braços e pernas) evoluíram através dos mesmos processos: mutações genéticas aleatórias e seleção pelo meio ambiente daquelas alterações que aumentavam as chances de sobrevivência do mutado e as chances dele procriar e cuidar dos filhos com sucesso.

Já nascemos com a capacidade de sentir e de perceber os significados de varias emoções (o recém-nascido, por exemplo, já expressa várias emoções e reage de forma diferente às expressões de emoções por parte de outras pessoas). Essas manifestações precoces são uma evidência de que as emoções possuem componentes inatos e, pelo raciocínio apresentado no parágrafo anterior, que elas foram incorporadas à nossa carga genética porque aumentaram as nossas chances de sobreviver e de procriar com sucesso.

As emoções têm pelo menos quatro funções muito úteis: (1) motivadora (o medo aumenta a motivação para fugir ou para se proteger, por exemplo), (2) preparação do organismo para agir melhor (a redistribuição do sangue no organismo para aumentar a capacidade de ação, por exemplo), (3) orientadora da  ação (a raiva, por exemplo, dirige as ações contra quem a provoca) e (4) comunicativa (os comportamentos verbais e não verbais associados às emoções informam  as outras pessoas sobre aquilo que estamos sentindo e podem evocar diversos tipos de reações nas pessoas que os observam. Essas informações e reações permitem que os observadores lidem menor conosco e com aquilo que está provocando  tais reações).


Não devemos desligar o alarme antes de identificar o que o disparou

Lutar contra certas emoções desconfortáveis sem antes identificá-las e determinar aquilo que está causando-as equivale ao desligamento de um alarme que está incomodando sem tentar identificar aquilo que o disparou.

Queremos nos livrar de muitos dos nossos sentimentos. Existem três motivos principais para isso: (1) alguns deles são desconfortáveis para quem os sente (o medo e ciúme, por exemplo); (2) fomos educados para sentir algo desconfortável quando experimentamos certos sentimentos “indesejados” (sentir vergonha por sentir inveja, por exemplo) e (3) somos punidos quando mostramos que estamos sentindo certas coisas "erradas". A sociedade condena alguns sentimentos e glorifica outros. Por exemplo, muita gente mal informada já apregoou contra a raiva, a inveja e o ciúme.

Essa fuga dos sentimentos negativos faz com que tentemos reprimi-los ou substitui-los por outros “mais desejáveis” (por exemplo, tentamos pensar em outras coisas ou argumentar contra o que estamos sentindo.).

A nossa sociedade combate certos sentimentos através de afirmações do tipo:

“Homem não tem medo”

“Homem não chora”

“Sinta culpa quando você sentir inveja”

“O ciúme é um sentimento inferior”

Embora seja compreensível que queiramos nos desfazer daquilo que nos deixa desconfortável, ao fazer isso indiscriminadamente corremos o risco de deixar de aprender sobre nós mesmos e sobre situações prejudiciais que evocam tais sentimentos.


Maneiras de identificar sentimentos ambíguos e suas causas.

Alguns dos exercícios que são usados por psicólogos para ajudar a identificar sentimentos fracos (reprimidos?) ou ambíguos e as suas causas são os seguintes:

Identificar-se como os sentimentos. Fingir que é o sentimento. Falar em voz alta como se fosse ele. Por exemplo, “Sou a sua raiva que fulano está sentindo. Quero agredir sicrano me tratando injustamente”. Esse tipo de fantasia pode ajuda a ampliar e a revelar os sentimentos e identificar as suas causas.

Completar frases com tudo que vier à cabeça. O psicólogo sugere uma frase para ser completada que ajuda a explorar o sentimento ambíguo que está sendo apresentado pelo cliente. Por exemplo, ele pede para que o cliente complete a seguinte frase com tudo que lhe vier à cabeça, mesmo que isto lhe pareça ilógico: “Se eu permitisse que isso que está acontecendo comigo se extravasasse....”.  O cliente apresenta respostas do tipo: “Eu iria embora de casa”, “Eu diria para ela que não vou mais tolerar como ela tem me tratado”, “Eu poderia me dar mal”. Estas respostas provavelmente são influenciadas pelos sentimentos e ajudam a identificá-los mais claramente, a identificar suas causas e porque eles não estão claros para o cliente.

Corporificar. Muitas vezes “somatizamos” reações psicológicas a  acontecimentos que nos afetam profundamente. Por exemplo, algumas pessoas têm dor de cabeça quando ficam preocupadas. Outras têm dor de estômago, ficam alérgicas, relatam um nó na garganta ou aperto no coração. Além disso, as emoções mobilizam musculaturas diferentes e de forma diferente (algumas emoções são relaxantes, outras provocam tensão, por exemplo).

Os psicólogos usam a “corporificação do sentimento” como exercício para aumentar a consciência sobre a sua natureza e sobre aquilo o está provocando. Esse exercício de corporificação consiste no seguinte: (1) focalizar uma área do corpo onde o cliente está somatizando o sentimento; (2) Massagear, pressionar ou orientar exercícios para contrair a musculatura deste lugar para amplificar a sensação e (3)  focalizar a atenção do paciente nesta área e orientá-lo para deixar que ela fique presente, tome a sua consciência, desperte lembranças e desperte outras emoções, pensamentos e fantasias.

Aumente a sua autoconsciência através da observação dos seus sentimentos. Peça a ajuda de um psicólogo para orientá-lo nesta tarefa!

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Um abraço

Ailton


PRINCIPAIS DIFICULDADES PARA INICIAR E DESENVOLVER BONS RELACIONAMENTOS AMOROSOS

 

Dr. Ailton Amélio da Silva

 

O relacionamento amoroso é uma das fontes mais poderosas de alegria e tristeza para o ser humano. Por isso, existem tantas publicações, tantas músicas tantos filmes e tantas conversas sobre este tema.

Esta palestra vai identificar os principais problemas que prejudicam o início e o desenvolvimento de relacionamentos amorosos e apresentar algumas maneiras de lidar com essas dificuldades.

 

Alguns dos temas que serão abordados

- Quais são as características de uma pessoa atraente?

- Por que certas pessoas têm muita dificuldade para iniciar relacionamentos amorosos?

- Por que certos relacionamentos amorosos duram pouco?

- Características de um relacionamento amoroso que traz muitas satisfações

- Sexualidade

- Comunicação

- Traição


Data da palestra

14 de setembro de 2012 (sexta-feira)

19h 45min – 21h 45min

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Por Ailton Amélio às 11h58

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico