Blog do Ailton Amélio

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30/09/2012

Código de conduta que rege as brigas proveitosas entre casais

Em todos os relacionamentos amorosos é normal que ocorram desentendimentos entre os parceiros. Alguns destes desentendimentos são resolvidos através de uma conversa tranquila, tal como acontece quando um membro do casal acha que o filme que está em cartaz no cinema ao lado de casa é o Batman e o outro membro acha que é o Menino Maluquinho e, ai, o casal resolve essa divergência, sem qualquer stress, consultando um jornal.

Muitas vezes, no entanto, um parceiro faz algo que irrita o outro e esta irritação é mostrada através da voz, expressões faciais e de algumas palavras duras, mas não ofensivas, que apresenta. Este tipo de manifestação de irritação quando não é muito frequente geralmente não produz grandes danos para o relacionamento.

Outras vezes, ainda, o casal parte para ofensas desrespeitosas, cujo objetivo é diminuir ou ferir o outro.

Vamos apresentar aqui algumas medidas que podem diminuir os efeitos negativos das discussões e maximiza seus efeitos positivos para resolver insatisfações entre os membros de casais amorosos.

Código de conduta que rege as boas brigas

Existem muitas medidas são eficientes para manter a brigas dentro de limites que evitam maiores danos. Existem alguns casais que discutem muito e, ainda assim, têm relacionamentos felizes e duradouros. Algumas das medidas adotadas por estes casais que sabem brigar são as seguintes1:


Fale dos próprios sentimentos e não dos atributos negativos do parceiro

Falar dos próprios sentimentos e não dos erros ou defeitos do parceiro geralmente provoca menos defesas e contra ataques.

Por exemplo, “Fico com a maior fome quando você se atrasa para o jantar”, ao invés de “Você não se preocupa em chegar na hora para jantar e me deixa esperando”.


Evite o desrespeito

Desrespeitar é atribuir defeitos duradouros à personalidade ou questionar as boas intenções e idoneidade do parceiro. Por exemplo, afirmar que o parceiro é desonesto, aproveitador, golpista, etc. só serve para diminui-lo e não contribui em nada para sanar possíveis desavenças.

Por isso, o melhor é reclamar comportamentos específicos que estão desagradando do que de características duradouras do parceiro. Por exemplo, diga “Você deixou a sua roupa jogada na sala” e não “Você é um bagunceiro incorrigível” ou “Você nunca se preocupa sobre os efeitos da sua bagunça em mim”.


Não apresente uma fieira de reclamações

Algumas pessoas resolvem apresentar de uma só vez tudo aquilo que acha que o parceiro fez de errado nos últimos anos (“criticismo” é o nome usado por Gottman para nomear esta forma de agir). Este tipo de reclamação geralmente só serve para ferir o parceiro e não para corrigir o seus erros.


Evite a defensividade

Quem está sendo defensivo está mais preocupado em livrar-se da acusação do que em tentar entender o que está perturbando o acusador e se a sua reclamação é justa. Enquanto o parceiro está apresentando a reclamação, a cabeça do defensivo dispara para imaginar desculpas e para arranjar contra-acusações (“Eu fiz isso, mas você também fez aquilo e aquilo”).


Evite a neutralização da reclamação e do reclamador

Neutralizar é diminuir a importância da reclamação (“Não vamos ficar discutindo bobagens”) e do reclamador (“Já estou acostumado. Ela gosta mesmo é de reclamar”). Neutralizar é deixar as reclamações “entrarem por um ouvido e saírem pelo outro”. Esta forma de proceder tem graves consequências para o vinculo entre casal, principalmente para o parceiro que teve a sua importância diminuída e que deixou de ser levado à sério e ouvido. Esta forma de proceder é muito observada em relacionamentos que já estão nos estágios finais que precedem suas dissoluções.


Não vá para o tudo ou nada

As brigas são uma das principais causas da dissolução do relacionamento. Muitas vezes uma briga deixa cicatrizes que vão agravar as brigas seguintes. Algumas firma aprenderam que mais importante do que mostrar que tem razão contra um cliente em um dado episódio é manter o cliente à longo prazo.

Este mesmo princípio deve ser usado nos relacionamentos: não vale discutir como se aquela discussão fosse uma batalha total e definitiva se você ainda vai conviver com aquele parceiro por um longo tempo.


Não brigue nos bons momentos do casal

Por exemplo, se os participantes de uma relação sentem muito prazer em caminhar juntos no fim de semana, eles devem evitar discutir algum problema mais sério nesta ocasião. A discussão vai estragar o prazer de realizar esta atividade na companhia do outro. Alguns casais começam a discutir em todos os momentos que estão juntos como almoçar juntos, sair para passear, encontrar os amigos, etc. Quando isto acontece a presença do parceiro só fica associada a encrencas e não com bons momentos.


Não brigue antes de dormir

A briga nesta ocasião vai atrapalhar o sono, o que pode prejudicar o dia seguinte. Ou seja, ela produz mais consequências negativas do que brigas em outros momentos.


Evite discutir a relação naqueles momentos que o parceiro está fazendo algo que gosta e que não pode ser adiado

As discussões e brigas geralmente são desagradáveis por si só. Elas ficam ainda mais desagradáveis quando atrapalham outras atividades que um membro do casal gosta de fazer e que será perdida com a discussão. Por exemplo, se o marido adora assistir o noticiário, o melhor que a esposa tem a fazer é evitar aquele momento para discutir outro assunto que pode ser tratado em outro momento mais propício. Aquela pessoa que recusa a conversa em um dado momento deve indicar outro momento para que ela ocorra (“Agora não dá. Podemos discutir depois que eu tomar banho?”).


As bases da reconciliação


É importante manter um clima positivo com o parceiro

Quando o relacionamento está bom, o clima é positivo, prazeroso e há confiança mútua, os desentendimentos e irritações são menos danosos e podem ser resolvidos mais rapidamente e com maior boa vontade. Isso funciona como a solidez e maleabilidade das estruturas de edifícios que resistem a terremotos.


A capacidade de reconciliação

Um fator muito importante que contribui para o clima positivo entre o casal e para a manutenção do relacionamento é a capacidade de reconciliação. Muitas vezes uma ou ambos os parceiros já não estão mais ressentido com o outro, querem a reconciliação, mas o orgulho de não ser o primeiro a dar a mão à palmatória ou de “não dar o braço à torcer” impede a apresentação de um gesto, uma declaração ou um pedido de desculpas que poria fim ao clima negativo que se instalou após uma briga. Nada mais valioso do que ter um parceiro que vai até o outro e lhe dá um beijo carinhoso quando o clima fica pesado após uma briga. Um gesto deste tipo serve como uma espécie de atalho que abrevia o fim de um clima pesado entre os parceiros.


Quando é melhor suspender a discussão

Quando a discussão ultrapassa uma determinada temperatura emocional, ela deixa de ser produtiva e pode evoluir para estágios mais intensos e para comportamentos mais ofensivos. Quando isso acontece, é melhor interrompê-la até que os ânimos se acalmem.

A presença do psicólogo geralmente ajuda o casal a mante a discussão dentro de um limite emocional mais civilizado e produtivo.

Segundo algumas evidências, os homens demoram mais para se recuperem emocionalmente do que as mulheres. Existem estimativas que eles demoram pelo menos meia hora para baixarem suas emoções que foram provocadas durante uma discussão ao passa que as mulheres geralmente recuperam a calma em alguns poucos minutos.

As discussões acaloradas não são necessariamente um sinal de que o relacionamento está mal e que vai terminar. Pode ser uma questão de estilo do casal.

Os franceses esperam conversas recheadas de polemicas, interrupções e fala rápida. Quando isso não acontece, eles tendem a interpretar a conversa como não envolvente. Da mesma forma, para certos casais, o relacionamento é recheado de atritos e discordâncias. No entanto, nos casamentos desse estilo que dão certo, prevalece o cinco por um, as reconciliações e a energia da volta.

Notas

1.Vários destes princípios foram apresentados por John Gottman no seguinte livro:

Gottman, J. (1998). Casamentos. (Traduzido do original em inglês por T. B. Santos). Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda.

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Por Ailton Amélio às 11h45

23/09/2012

O seu amor também é o seu maior amigo?

O marido de Laura tem muitas virtudes e lhe proporciona muitas satisfações. Ele é um homem de negócios bem sucedido. Por isso, eles levam uma vida muito confortável: possuem uma bela casa, viajam bastante para os locais mais bonitos e agradáveis do mundo, possuem belos carros, muitos empregados e os seus dois filhos estudam em uma excelente escola. Além disso, ele é romântico e o sexo entre eles é relativamente bom. O que mais uma mulher poderia querer? 

Laura, no entanto, sente-se solitária e anda com a autoestima baixa. Começou a pensar que poderia estar com alguma doença tal como distúrbio hormonal, depressão leve ou anemia. Os seus exames deram todos normais. Ela, então resolveu procurar um psicólogo que está ajudando-a a examinar a vida que está levando. Após algum tempo de terapia, ela começou a identificar que não quase não há intimidade e cumplicidade entre ela e o seu marido. Ele mal sabe o que a preocupa ou a alegra. Ele, aparentemente, parte do princípio  que ela já tem tudo o que quer e, por isso, não pode ter problemas, já que não trabalha e tem tudo do bom e do melhor. Há muito tempo que eles não conversavam sobre os seus sentimentos, planos, satisfações e insatisfações. Sempre que ficavam a sós, a conversa não flui e os momentos de silêncio se multiplicam. Eles não mais falavam de si. Perderam a cumplicidade e a intimidade.

Um casamento pode proporcionar muitos benefícios e, infelizmente, muitos malefícios. Nenhum outro setor da nossa vida proporciona tal diversidade e quantidade de consequências positivas e negativas. É muito raro, no entanto, encontrar um relacionamento que proporcione uma grande quantidade de todos os tipos de benefícios e que não apresente quase nada dos possíveis malefícios que achamos importantes.

Responda ao questionário abaixo para fazer um exame daquelas coisas positivas importantes que estão sendo proporcionadas pelo seu parceiro.

Benefícios que são proporcionados pelo seu parceiro atual

Ordene decrescentemente a seguinte lista de benefícios que são proporcionados pelo seu parceiro atual: coloque o número 1 dentro do parêntese que está na frente do item que você julga mais importante, o número 2 no segundo mais importante e assim por diante:

Coisas positivas que são proporcionadas pelo meu parceiro:

(     ) 1. As suas contribuições para que tenhamos uma boa situação econômica: dinheiro suficiente para me sentir seguro e poder comprar coisas como uma bela casa, um belo carro, roupas bonitas, poder viajar, etc.

(     ) 2. As suas contribuições para que tenhamos uma boa imagem publica: sermos considerados um casal admirável, invejado e respeitado.

(     ) 3. As suas qualidades que me deixam orgulhoso por ser o seu parceiro

(     ) 4. A sua aceitação e admiração da minha forma de ser.

(     )  As experiências que ampliam o meu horizonte psicológico que são propiciadas e estimuladas por ele.

(     ) 5. O seu caráter, que inspira confiança

(     ) 6. Saber que posso contar com ele em momentos de necessidade

(     ) 7. O seu interesse em sexo e o seu desempenho sexual

(     ) 8. A forma positiva como ele encara a vida

(     ) 9 . O seu bom humor

(     ) 10. O seu romantismo

(     ) 11. A sua confiança na solidez do nosso relacionamento, que é propiciada pelo seu envolvimento e comprometimento.

(     ) 12. A sua boa vontade para compartilhar responsabilidades e tarefas caseiras.

(     ) 13. A sua contribuição para a manutenção do nosso círculo de amigos

(     ) 14. A sua contribuição para que tenhamos um bom relacionamento com os nossos familiares

(     ) 15. O prazer de conversar com ele: podemos conversar por horas a fio, com o maior entusiasmo.

(     ) 16. A sua forma de agir como amigo e cúmplice.

Um parceiro ideal poderia proporcionar todas essas vantagens e poucas desvantagens importantes. Na realidade, é claro, é difícil encontrar alguém que proporcione tudo isso e que também que nos aceite como parceiro amoroso: existem evidências que indicam que as pessoas procuram parceiros amorosos que lhes proporcionem um escore médio de benefícios que seja semelhante ao que elas próprias oferecem. Ou seja, quem tem muitas qualidades e poucos defeitos importantes também vai querer um parceiro que lhe ofereça este mesmo nível de vantagens.

Neste artigo vamos tratar mais extensamente do último benefício desta lista: amizade e cumplicidade.

Amizade, cumplicidade e intimidade

Amizade, cumplicidade ou intimidade são termos que captam aspectos do relacionamento amoroso que contribuem para que nos sintamos acolhidos, seguros e para que tenhamos a sensação que somos apreciados.

Quando estamos na presença de pessoas com as quais temos um relacionamento com estas características aparece aquela sensação de que não precisamos provar nada e que não estamos em risco de sermos mal julgados ou incompreendidos. Além disso, aparece a confiança que seremos acolhidos com simpatia, que o nosso interlocutor fará um esforço para entender o nosso ponto de vista e que ele atribuirá a nossa forma de agir à motivos justos e compreensíveis. Seremos acolhidos em caso de necessidade e, sempre que possível, seremos beneficiados e encontraremos um ombro amigo quando estivermos sofrendo.

Este tipo de vínculo e acolhimento é dos principais motivos que fazem que valha a pena nos envolvermos em relacionamentos amorosos.

Ingredientes da intimidade

Um estudo realizado por Sternberg e Grajek (1984)1 indicou que a intimidade amorosa é constituída pelos seguintes elementos:

1- Desejar promover o bem estar do amado

2- Ficar feliz por ter aquela pessoa como parceiro amoroso

3- Ter alta consideração pelo amado

4- Ser capaz de contar com o amado em tempos de necessidade

5- Haver compreensão mútua com o amado

6- Compartilhar a intimidade e as posses com o amado

7- Receber suporte emocional por parte do amado.

8- Dar suporte emocional para o amado

9- Ter uma boa comunicação íntima com o amado

10- Valorizar o relacionamento que existe com o amado

Você tem um bom grau de intimidade com o seu amado? Caso sim, parabéns! Não existe bem material que supere a satisfação que este companheirismo proporciona, ainda mais quando também existe romance, atração sexual e compromisso conjugal com esta mesma pesssoa. 

A intimidade entre você e seu parceiro deixa a desejar? Trabalhe para resolver isso. Nenhuma outra realização em outros setores da vida supera aquela sensação de acolhimento e amizade que a intimidade pode proporcionar.


O seu amor também é o seu melhor amigo? 

Nota

1-        Sternberg, R. J. and Grajek, S. (1984). The nature of love. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 312 – 329.

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Por Ailton Amélio às 12h38

15/09/2012

Vantagens e desvantagens da timidez

[Palestra gratuita na USP: "Principais dificuldades para iniciar e desenvolver bons relacionamentos amorosos". Muito obrigado aos que compareceram. Aguarde a próxima palestra]

Uma das definições mais aceitas da timidez é a seguinte: “Timidez é a tensão e inibição provocadas por situações sociais”. Vamos expandir um pouco os significados destes elementos da definição da timidez:

Tensão: envolve reações fisiológicas (aumento de ritmo cardíaco, respiração ofegante, aumento na pressão sanguínea, sudorese, enrubescimento, etc.) e emocionais (medo, vergonha, apreensão, etc.).

Inibição: empobrecimento dos comportamentos do tímido, quando ele está intimidado, em comparação com a sua forma de se comportar quando está seguro: sua fala fica mais monótona, ele inicia menos assuntos, olha menos nos olhos, etc.

Situações sociais. O disparador da timidez sempre envolve a presença de outras pessoas: falar em público, falar com autoridades, abordar uma mulher muito atraente em uma balada etc.

Geralmente chamamos de "tímida" aquela pessoa cujo grau de timidez é suficientemente alto  para lhe trazer prejuízos importantes  em uma, ou mais que uma, das seguintes áreas: social, profissional, amorosa e acadêmica.


Graus moderados de timidez são saudáveis e naturais

Quase todo mundo já ficou tímido alguma vez na vida. A timidez excessiva  ou a ousadia excessiva (“cara de pau”, descarado e inconveniente são alguns dos termos usados para nomear quem é ousado demais) podem trazer sérios prejuizos. A nossa sociedade, no entanto, valoriza mais o ousado do que o tímido. Nunca recebi no meu consultório um pedido de ajuda para aumentar o grau de timidez!


Preocupar-se com a opinião de outras pessoas é natural e saudável

Preocupar-se com o que as outras pessoas possam pensar a seu respeito é saudável? Claro que sim! É esse tipo de preocupação que torna possível o convívio social. Deixamos de fazer ou fazemos muitas coisas, simplesmente, porque somos sensíveis às opiniões alheias (cuidar da aparência, cumprimentar pessoas que mal conhecemos, não enfiar o dedo no nariz e não pegar a comida com as mãos, etc.).  Se não tivéssemos esta sensibilidade, só seríamos controlados pelas consequências tangíveis de nossas ações: multas, prisão, agressões físicas, etc.


Remissão espontânea da timidez

Existem estimativas de que cerca de 40% dos casos de timidez têm remissão espontânea: estas pessoas deixaram de ser tímidas sem receber qualquer tratamento profissional para tratar desse problema.

Embora em muitos casos a timidez diminua sem nenhum tratamento, quando proca danos severos e não dá sinais que está melhorando, o melhor a fazer  é procurar a ajuda de um psicólogo. Além do sofrimento e dos danos nas áreas sociais, o tímido pode concluir que tem algo de muito errado acontecendo com ele em outras áreas (por exemplo, pode sentir-se como alguém “anormal” e começar a ter sérios problemas de autoestima). Além disso, o tímido pode desenvolver outros problemas associados à timidez (alcoolismo, depressão, etc.). Quando  essas alterações se instalam, fica muito mais difícil tratar da timidez e desses problemas.

Porque a opinião alheia nos afeta

Existem diversos motivos que explicam a nossa sensibilidade para a opinião  alheia. Três deles são os seguintes:

(1) Predisposição biológica. Existem algumas evidências sobre a existência de fatores genéticos que fazem com que reajamos à presença de outras pessoas, ao que está se passando com elas e como elas estão reagindo a nós e aos nossos comportamentos. Alias, isto também acontece também com algumas outras espécies de animais (por exemplo, uma galinha come mais quando ela está na presença de outras galinhas, que também estão comendo, do que quando ela está sozinha). Este tipo de sensibilidade social foi capturado pelo velho adágio que afirma:  “O ser humano é um animal social”.

(2) Consequências decorrentes das opiniões alheias a nosso respeito. O que os outros pensam a nosso respeito está relacionado com a forma como eles reagem a nós. Por exemplo, quando as pessoas não aprovam a nossa forma de ser ou os nossos atos, isso aumenta as chances que elas nos prejudiquem ou, pelo menos, deixem de nos beneficiar: é menos provável que elas nos ofereçam um emprego, ofereçam ajuda, nos convidem para festas e aceitem namorar conosco.

(3) A opinião alheia influencia a nossa autoimagem. As reações de outras pessoas à nossa forma de ser e agir afeta a nossa autoimagem e, principalmente, a nossa autoestima. Usamos a opinião alheia para formarmos as nossas opiniões sobre muitas coisas, principalmente sobre aqueles fenômenos que são mais subjetivos ou ambíguos, como a nossa identidade e valor social. Por exemplo, o rapaz que sofre uma rejeição ao abordar uma moça bonita na balada pode concluir que não tem o cacife que imaginava para ser aceito por garotas daquele naipe!


Desvantagens da timidez

A timidez excessiva geralmente provoca muito sofrimento no tímido: pode comprometer desfavoravelmente a sua autopercepção  (“Será que sou anormal?”, “Será que tenho defeitos sérios?”) e pode provocar danos na área social, profissional, amorosa e acadêmica. Um estudo encontrou evidências de que aquelas pessoas que foram diagnosticadas como tímidas há mais de vinte anos atrás mostravam prejuízos em diversas áreas em relação aos não tímidos, que também foram testados na e entrevistados nas mesmas épocas. Por exemplo, os tímidos demoraram mais para se casar e ganhavam menos do que os não tímidos.


Vantagens da timidez

Atualmente está aparecendo na mídia vários artigos e livros que apontam várias vantagens da timidez e dos tímidos. Embora esse assunto ainda mereça mais estudos, algumas dessas vantagens, apontadas por alguns autores1, são as seguintes:

Os tímidos:

1- Geralmente são mais modestos.

A modéstia em níveis moderados é atraente para as outras pessoas.

2- Pensam mais antes de agir

Isto evita muito problemas que são gerados pela impulsividade.

3- São mais acessíveis (mais fáceis de serem abordados)

Geralmente ficamos mais à vontade de iniciar conversa com um tímido moderado do que com um não tímido. 

4- Têm efeito calmante sobre os outros

Suas menores quantidades de reatividade pode provocar um efeito calmante em pessoas que estão agitadas.

5- Têm mais facilidade  para trabalhar com outras pessoas

A timidez moderada facilita o trabalho daqueles que têm que  lidar frequentemente com outras pessoas.  Por exemplo, os tímidos são  melhores ouvintes. Isto facilita para que as pessoas se abram com eles.

6- Inspiram mais confiança

Como os tímidos geralmente não vivem se vangloriando, isto ajuda os torna mais críveis, mais confiáveis e melhores líderes.

7- Possuem mais capacidade para superar obstáculos

As lutas que os tímidos tiveram que travar para lidar com a timidez os prepararam  para superar outras dificuldades.

8- Desenvolvem amizades mais profundas

Como os tímidos têm menos facilidade para desenvolver amizades, eles valorizam mais aquelas que têm e por isso, elas são duradouras e profundas. Além disso, a amizade é um dos poucos tipos de relacionamentos onde eles se sentem bem.

9- São mais bem sucedidos em trabalhos solitários

Vários tipos de trabalhos exigem a capacidade de concentração em um ambiente solitário. Não ter muitos relacionamentos sociais implica em menos interrupções e menor necessidade de validar o que está fazendo.

10- Apreciam melhor as recompensas

Os tímidos tendem a reagir mais fortemente a estímulos positivos e negativos. Por isso, se por um lado eles têm a desvantagem de perceber os acontecimentos negativos mais intensamente, por outro lado, eles podem também usufruir melhor das consequências positivas.

11- Pensam mais antes de agir

Como os tímidos são menos espontâneos em situações intimidantes, eles tendem a pensar mais antes de agir quando estão neste tipo de situação.

12 – Aparentam mais vulnerabilidade

Isto pode favorecer a atuação em certos tipos de trabalho.

 A sua timidez está prejudicando o seu desempenho profissional, social, acadêmico ou amoroso? Procure a ajuda de um psicólogo.

Notas

Estas vantagens foram mencionadas nos dois artigos citados abaixo.

1-        Arlin Cuncic. 10 advantages of being shy.

http://socialanxietydisorder.about.com/od/overviewofsad/a/10-Advantages-Of-Being-Shy.htm . Acessado em 14/09/2012

2-        Donald Latumahina. 7 strengths shy people have.

http://www.lifeoptimizer.org/2011/04/08/strengths-shy-people-have/ Acessado em 14/09/2012

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Por Ailton Amélio às 10h43

07/09/2012

Você é senhor ou escravo dos seus compromissos?

[Palestra gratuita na USP: "Principais dificuldades para iniciar e desenvolver bons relacionamentos amorosos". VAGAS ESGOTADAS. Muito obrigado pelo interesse. Aguarde a próxima paletra]

A capacidade para assumir, cumprir e reformular compromissos talvez seja o mecanismo psicológico mais ampla e frequentemente utilizado por todos nós. Assumimos milhares de compromissos durante as nossas vidas. Comprometemo-nos com nós mesmos e com outras pessoas.

As magnitudes destes compromissos variam desde microcompromissos que guiam todas as nossas ações cotidianas (hora de levantar, ginástica, duração do café da manhã, hora de começar a trabalhar, tarefas que vamos realizar durante o dia) até grandes compromissos, como assumir as prestações de uma casa, assinar um contrato de emprego e casar.

A maioria desses compromissos é assumida com nós mesmos, só em pensamentos. Outros compromissos são assumidos com outras pessoas ou instituições. Cumprir ou não cumprir aquilo que prometemos pode ter consequências legais, afetar nossa imagem pública e aquilo que pensamos e sentimos a nosso próprio respeito.

Valorização social do cumprimento de compromissos

Cumprir os compromissos assumidos é socialmente visto como um dever. Existem três tipos principais de julgamentos em relação a aqueles que cumprem ou deixam de cumprir seus compromissos: (1) Aqueles que se destacam por cumprir seus compromissos são vistos como virtuosos: “Homens e mulheres de palavra” (alô, alô, senhores políticos!). Antigamente se dizia que os compromissos entre cavalheiros eram selados com um fio de bigode, e que este gesto valia mais e dispensava qualquer documento escrito: com certeza ele seria cumprido! (2) Aqueles que não cumprem seus compromissos são vistos como “tratantes” (tratam, mas não cumprem. Alô, alô, senhores políticos!) e, (3) aqueles que endeusam os compromissos, não os reveem e tratam com rigidez aqueles que apresentam falhas não importantes no cumprimento nos seus cumprimentos são pessoas perfeccionistas que acabam se tornando estressadas e intolerantes.

Quando é melhor redefinir os compromissos

Tão importante quanto ser capaz de assumir compromissos e cumpri-los é saber cancelar ou redefinir compromissos já assumidos. O compromisso é um mecanismo benéfico quando usado de forma equilibrada. Priorizar os compromissos acima de qualquer coisa é contraproducente e não saudável.

Sempre é necessário avaliar as implicações de comprometer-se e não cumprir o prometido (por exemplo, tal pessoa pode passar a ser vista como não confiável e fraca), a importância do compromisso que não foi cumprido e as condições que levaram ao seu não cumprimento. É razoável, legitimo e saudável deixar de cumprir ou alterar compromissos quando aparecem novas e importantes condições que contraindicam seus cumprimentos. Quem descumpre, é claro, deve assumir as consequências dessa forma de agir.

Gerir compromissos e bem estar

Para estar de bem com vida temos que saber lidar com compromissos. Por exemplo, algumas pessoas são extremamente comprometidas com os horários. Fazem questão absoluta de chegar no horário que combinaram e ficam muito irritadas quando a outra parte se atrasa. Muitas vezes, o fato que gerou o compromisso é pouco importante, mas para essas pessoas, o compromisso vale por si só. Outro exemplo: alguns pacientes ficam muito estressados quando enfrentam transito e isto vai fazer com que eles cheguem cinco ou dez minutos atrasados para o início da terapia. Esses atrasos eventuais têm pouca consequência e não justificam as tensões desproporcionais que geram e os riscos de dirigir perigosamente para chegar exatamente no horário

Existem vários mecanismos que fazem com que certas pessoas deem importância exagerada para os compromissos. Um deles é o significado que atribuem aos seus cumprimentos – uma espécie de perfeccionismo para cumprir aquilo que prometeram. Outro deles é a superestimação das consequências por não cumpri-los rigorosamente. Por exemplo, algumas pessoas imaginam que a outra parte está lá à sua espera, sem fazer mais nada, contanto os segundos, preocupada e perdendo o seu precioso tempo. Na realidade, muitas pessoas que estão à espera têm outras tarefas para irem executando no tempo de atraso ou, simplesmente, aproveitam para espairecer.

Três das principais características que diferenciam as pessoas estressadas devido aos compromissos daquelas tranquilas são: (1) a quantidade de compromissos que são assumidos no dia a dia e (2) o grau de gravidade atribuido ao não cumprimento de compromissos e (3) a flexibilidade para redefinir compromissos frente aos fatos mais importantes que vão aparecendo no transcurso das suas atividades.

Mecanismos que levam ao cumprimento dos compromissos

Só o fato de comprometer-se consigo próprio para fazer ou deixar de fazer algo já aumenta a motivação para realizar o prometido. Quando nos comprometemos, de alguma forma, nos preparamos para cumprir o prometido. Isso implica na organização de uma agenda (mental ou física), eliminação de obstáculos incompatíveis com o cumprimento, planejamento e acionamento dos planos, instalação de esperanças decorrentes dos ganhos do cumprimento da meta. Cancelar tudo isso é frustrante, trabalhoso e pode implicar em consequências internas (sensação de fracasso, baixa na autoestima, modificação do autoconceito) e externas (as outras pessoas que tomaram conhecimento do compromisso e do seu não cumprimento mudarão a imagem que tinham do tratante e as suas expectativas sobre ele).

Aumentando as chances de cumprir o prometido

Algumas pessoas têm “força de vontade” (aprenderam a acionar mecanismos psicológicos como culpa, autoestima, satisfação, etc.) para cumprir aquilo que se propõem, mesmo quando esse compromisso é assumido apenas com elas próprias, em seus pensamentos. Outras pessoas precisam acionar outros dispositivos para aumentar as chances de cumprir aquilo que prometeram. Alguns desses dispositivos são os seguintes:

- Promessas legais: o contrato estipula as consequências ou as leis garantem as consequências

- Rituais de comprometimento: solenidades, músicas, discursos, atos cerimoniais praticados aumentam o autocomprometimento e o comprometimento das testemunhas com aquilo que foi celebrado. Por isso, é importante realizar cerimonias de casamento, juramento de observância ao código de ética profissional, etc.

Sistema contratual: é assumido um contrato que estipula que o outorgante vai atingir uma determinada meta dentro de um prazo estipulado. Caso isso não seja cumprido, ocorrerão determinadas consequências também estipuladas no contrato. Este contrato tem as mesmas características do contrato legal. A diferença é que o sistema contratual é pouco formal, não é regido pela legislação e é assinado entre o outorgante e uma pessoa que possa fiscalizar o seu cumprimento. A maior diferença entre o legal e o contratual é que este é formulado com a finalidade de atingir metas pessoais: perder peso, estudar, parar de fumar, fazer ginástica. (Este tipo de contrato é formulado e utilizado com mais proveito quando supervisionado por um psicólogo).

Tornar público o que está sendo compromissado. Por exemplo, divulgar no local de trabalho que está iniciando um regime alimentar (os colegas poderão ver se isto está acontecendo na hora dos lanches) ou que está namorando (a imagem pública poderá sofre danos com as infrações a este fato).

Vamos examinar agora algumas implicações do comprometimento na área amorosa.

Comprometimento amoroso

Segundo a teoria triangular de Robert J. Sternberg, o compromisso é um dos três ingredientes essenciais do amor (os outros dois são a intimidade e a paixão, romântica e sexual). Vamos examinar aqui alguns aspectos do comprometimento inicial deste tipo de relacionamento.

Qualificações dos parceiros e aceitação de compromissos amorosos

Um dos motivos óbvios para a não aceitação de compromissos amorosos acontece quando o candidato não atende as exigências para um parceiro para o tipo de relacionamento pretendido. Um estudo realizado por pesquisadores americanos verificou que tanto os homens como as mulheres vão ficando mais exigentes quanto às qualificações dos pretendentes à medida que vai crescendo a abrangência do compromisso (ficar, sexo casual, namorar, noivar e casar). No entanto, as mulheres são mais exigentes do que os homens para relacionamentos com baixo grau de compromisso (por exemplo, os graus de exigência delas quanto as qualidades dos parceiros para um encontro ou para sexo casual são mais parecidos com aqueles para noivar e para casar do que os graus de exigências dos homens para estas mesmas finalidades). Para os altos graus de compromisso (noivar e casar) homens e mulheres têm graus de exigência muito semelhantes.

Esta diferença têm grandes implicações: muitos homens aceitam relacionamentos superficiais com mulheres com as quais eles não teriam maiores compromissos. Eles não as avisam disso, senão elas não aceitariam tais relacionamentos superficiais. Ai acontece um desencontro: essas mulheres aceitam esses compromissos mais superficiais na esperança que eles evoluam para compromissos mais profundos, uma vez que os homens com os quais elas estão aceitando os compromissos superficiais também preenchem as suas exigências para compromissos mais amplos. Portanto, não nem sempre é correto concluir que “os homens não querem compromissos”. Muitas vezes eles rejeitam a progressão do compromisso porque as mulheres com as quais eles estão se relacionando com baixo grau de compromisso só têm qualificações, nas suas avaliações, para relacionamentos mais superficiais.

Sinais de propensão para o compromisso no inicio dos relacionamentos amorosos

Um estudo revelou alguns dos sinais que o parceiro está predisposto a assumir compromissos mais amplos. Alguns desses sinais são os seguintes:

- Assumir o parceiro em público

- Apresentar o parceiro para o circulo de relacionamentos mais significativos (amigos, familiares, etc).

- Formular planos para o futuro junto com o parceiro (casa que ambos gostariam de viver depois de casado, viagens, estilo de vida, etc.).

- Mostrar menor avidez para começar a vida sexual com o parceiro: é um sinal negativo quando o parceiro logo quer levar o outro para a cama.

- Interessar pela vida, pelo passado e pelos planos do parceiro: sinal que quer estabelecer a cumplicidade e que não está interessado apenas em sexo. 

Você está sendo escravizado pelos seus compromissos? Procure a ajuda de um psicólogo!

Por Ailton Amélio às 12h48

02/09/2012

O que você sente sobre os seus sentimentos?

Você não está confortável com os seus próprios sentimentos?

- Sente vergonha por sentir inveja?

- Acha que é errado ter ciúmes?

- Sente culpa quando deseja o mal para os seus inimigos?

- Sente culpa quando frustra outras pessoas que esperam demais de você?

- Acha que não deveria ter medo quando está iniciando um novo empreendimento importante que não conhece bem?

- Teme demais o julgamento de outras pessoas?

Você inveja pessoas que:

- Apreciam determinados estilos musicais, tipos de filmes ou esportes?

- Gostam do que fazem e se recusam a fazer o que não gostam?

- Estão sempre de bem com elas próprias?

- Sempre dão a impressão que estão de bem com a vida?

- Sentem muito prazer durante o sexo e não se reprimem ao manifestá-lo.

- Não têm dificuldades em se apaixonar e nenhuma vergonha em se entregar ao amor?

Se você respondeu “sim” à maioria destas perguntas, parabéns: você é uma pessoa “normal” (como a maioria), que sente desconforto em relação a vários tipos de sentimentos e gostaria de ter outros, que insistem em não aparecer nas horas certas!

A sabedoria das emoções

As emoções são tão importantes para a nossa sobrevivência que já nascemos com um “kit emocional”. Os recém-nascidos, mesmo quando são cegos, já manifestam expressões faciais que são típicas de várias emoções. É impossível que eles tenham aprendido como apresentar tais expressões tão complexas em tão pouco tempo, ainda mais quando não enxergam as faces alheias. Para comparação, podemos citar o longo tempo que é necessário para que crianças aprendam a andar ou, algo mais simples ainda, para aprenderem a comer com uma colher.

As emoções podem sintetizar milhares de anos de experiência e sabedoria adquiridas durante a evolução de nossa espécie. Muitos animais cujas espécies sobrevivem muito bem até hoje são guiados mais que nós pelo que sentem e dá tudo certo!

As emoções e suas expressões são importantes porque:

- Motivam (ajudam a fugir ou a atacar, por exemplo)

- Preparam o organismo para agir (dirigem a irrigação sanguínea, aumentam a adrenalina para disponibilizar mais energia para a ação, etc.)

- Direcionam as ações

- Informam outras pessoas sobre o estado de quem as manifesta (isso ajuda o receptor a saber o que se passa com o expressor: o que ele precisa, o que ele está propenso a fazer, etc.).

- Informam os receptores das expressões emocionais sobre os seus possíveis causadores (por exemplo, uma cara de terror pode denunciar a presença de algo danoso para quem vê tal expressão).

Os sentimentos valem por si só e não precisam de justificativas

Muitas pessoas manipuladoras pedem justificativas para os sentimentos e atos alheios com a intenção de invalidá-los. Essas pessoas deixam subentendido que a falta de boas justificativas invalidam os sentimentos ou as ações. Essa é uma forma errada de pensar porque, na realidade, a maioria das pessoas não sabe dizer exatamente como surgiram os seus sentimentos e porque eles são legítimos.

Freud já dizia que muitas pessoas sentem e depois procuram as justificativas para o que estão sentindo: os raciocínios estariam à serviço das emoções e não vice-versa (muitas vezes queremos algo e procuramos argumentos para justificar o que queremos). Por exemplo, uma pesquisa encontrou evidências de que logo nos primeiros minutos de uma entrevista para um emprego, o entrevistador já pode tomar a decisão de recomendar ou não o candidato. Tomada esta decisão, o restante da entrevista pode ser conduzido para justificá-la: o entrevistador cria dificuldades ou facilidades para levar o candidato a agir de modo a justificar a decisão que ele já tomou no início da entrevista.

Legitimidade dos sentimentos

Geralmente os sentimentos são legítimos simplesmente porque estão ali e devem, sim, ser considerados como bons guias para as ações, principalmente na ausência de fortes contraindicações apontadas pelos fatos. Na pior das hipóteses, os sentimentos devem ser considerados como alertas cujos motivos devem ser investigados. A pior coisa é tentar invalidar os sentimentos sem investigar porque eles estão ali.

Causa muitos danos para a saúde física e mental passar a vida simulando sentimentos que estão ausentes. Quem simula admite que deveria estar sentindo aquilo que não sente. No entanto, certo grau de simulação é inevitável, principalmente quando a ausência dos sentimentos pode causar más consequências para outras pessoas. O pior de tudo é não ser honesto consigo próprio e não admitir que não está sentindo aquilo que seria “desejável”, ou que está sentindo algo “indesejável”. Quem age muito dessas duas formas acaba perdendo contato com os próprios sentimentos: a pessoa deixa de saber o que está sentindo. Além disso, ela passa a ter a sensação que não é uma pessoa legal, pois não consegue mostrar realmente como se sente ou deixa sentir sem que isso implique em rejeições sociais.

O pior que os pais podem fazer é invalidar os sentimentos dos filhos. Quando os pais fazem isso frequentemente, os filhos concluem que sentem coisas indevidas, não sentem o que deveriam sentir e que, portanto, os seus sentimentos são inadequados e, por isso, devem ser afastados da consciência (repressão) e não manifestados (dissimulação) e aqueles que deveriam aparecer devem ser simulados!

Quando esta rejeição sistemática dos sentimentos é apresentada pelo parceiro amoroso, aquele cujos sentimentos foram rejeitados pode se tornar uma pessoa "apagada”: perde o gosto pela vida, deixa de sorrir, perde a alegria e se transforma em uma criatura desvitalizada. Quando isso acontece essa pessoa acaba sendo rejeitada pelo próprio parceiro, “o autor da obra”, já que agora ela se tornou uma pessoa sem graça, opaca e chata.

O respeito às emoções

Muitas vezes, temos que esconder o que realmente sentimos, porque causaria constrangimentos. Por exemplo, seria nobre não nos alegrarmos quando acontece algo mau com pessoas que não gostamos, que não desejássemos a morte de ninguém, que torcemos para que o ex que nos traiu fosse feliz no seu novo relacionamento, pagar, etc.

Os danados dos sentimentos nem sempre são do jeito que gostaríamos. Ai, partimos para os comportamentos que podem ser apresentados mesmo em contraposição aos sentimentos: sorrisos amarelos, simulações de interesses, cumprimentos efusivos, palavras amáveis no lugar de grosserias.

Quando as emoções atrapalham

As emoções desreguladas ou muito intensas podem, obviamente, atrapalhar, ao invés de ajudar. Vejamos um exemplo. Um pesquisador impediu que cães comessem por um bom tempo. Ai então, ele colocou-os na frente e bem no centro da extensão de um biombo vazado, do tipo tela de arame, que tinha a forma de meia lua. Atrás do biombo, bem à vista dos cães, ele colocou um bom pedaço de carne. Os cães não conseguiam se afastar da carne e, ao mesmo tempo, não podiam alcançá-la devido ao biombo. Para alcançá-la, eles teriam que se afastar da carne e dar a volta no biombo. Em casos como este dos cães, os sentimentos muito intensos impedem o sucesso do empreendimento – saciar a fome, neste caso.

Outros casos óbvios de inconvenientes provocados pelas emoções podem ser observados em brigas, nervosismos excessivos (durante uma prova ou para falar em publico, por exemplo) ou durante o pânico que leva uma pessoa que sabe nadar ao afogamento como acontece quando esta pessoa sendo levada pela corrente marítima para alto mar (ela não pode se debater, pois isto faz com que ela exaura suas forças e não consiga esperar o resgate). As emoções excessivas ou não bem manejadas podem levar a atos graves de agressão dos quais nos arrependemos assim que esta emoção passa. O orgulho, o medo da rejeição impedem muitas reconciliações que poderiam ser obtidas rapidamente através de ações conciliatórias.

O que você sente sobre cada um dos seus sentimentos? Procure a ajuda de um psicólogo para harmonizar suas emoções e viver em paz!

 

PALESTRA GRATUITA NA USP

Olá, meu caro Leitor. 

Venha participar da nossa palestra gratuita. Faça já a sua inscrição. As vagas estão terminando!

Esta palestra vai identificar os principais problemas que prejudicam o início e o desenvolvimento de relacionamentos amorosos e apresentar algumas maneiras de lidar com essas dificuldades.

Data da palestra14 de setembro de 2012 (sexta-feira). 19h 45min – 21h 45min

Para obter outras informações e se inscrever, mande a mensagem “Quero informações sobre a palestra do prof. Ailton Amélio” para o email: dialogo.usp@uol.com.br

Por Ailton Amélio às 12h43

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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