Blog do Ailton Amélio

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28/10/2012

Apoio incondicional ao parceiro: amor nutritivo e verdadeiro

Se eu tivesse que apresentar apenas uma sugestão para aumentar as chances de sucesso de um relacionamento pessoal (namoro, casamento, amizade, relacionamento entre pais e filhos), eu diria: “Apoie incondicionalmente o seu parceiro:  priorize os seus sentimentos e o que ele quer fazer e dê menos importância para fatores como chances de sucesso, racionalidade ou vantagens e desvantagens da sua ação”.

Incentive o parceiro a aceitar desafios, a agir mesmo contra aquilo que parece razoável. Ajude-o a lidar psicológica e materialmente com os danos decorrentes da sua forma de agir e comemore os seus sucessos.

Uma vez que tenha decidido apoiá-lo, nunca o cobre por isso, nem mesmo quando a sua ação não produz resultados positivos. Lembre-se que a ousadia que deu margem ao seu erro, ainda assim, pode ser mais sábia e lucrativa do que o medo de agir que o levaria a não correr riscos. Por exemplo, o parceiro pode tirar lições valiosas do ocorrido e, além disso, vai concluir que, ao apoiá-lo, você está mais preocupado com a sua autorrealização, com a sua satisfação e com a sua coragem para a experimentação do que com a “racionalidade”, com lucros e prejuízos imediatos decorrentes da sua forma de agir.

Ao apoiá-lo desta forma, a mensagem que é lhe passada é: “Eu o apoio acima de tudo, estou disposto a compartilhar as consequências negativas das suas ações e dou mais importância para a sua forma de ver as coisas do que para outros motivos”.

 

O prêmio está na satisfação do parceiro e não nas suas retribuições

Não fique esperando que o parceiro vá reconhecer ou retribuir o seu apoio. A expectativa de retribuições logo gerará frustrações porque, muitas vezes, elas não acontecem ou demoram a acontecer.

A principal motivação de quem prioriza a satisfação do parceiro é a felicidade e realização deste e não o que ele possa oferecer em troca. É perfeitamente possível sentir-se recompensado pela satisfação alheia e não com as retribuições de nossas boas ações. Isto é mais fácil ainda quando gostamos da pessoa e queremos o seu bem.

Além da gratificação com a satisfação alheia, com certeza, outras retribuições virão, como uma espécie de bônus adicional. A crença no parceiro, a aposta na sua satisfação, o apoio à expressão dos seus desejos e liberação das suas energias inevitavelmente contribuirão para a criação de um  relacionamento muito alegre e vibrante entre aqueles que oferecem esse tipo de apoio e aqueles que são apoiados desta forma.

 

Não seja imediatista. Pense em longo prazo

Muitas vezes, vale a pena satisfazer nossas motivações e desejos, mesmo quando isto não parece ser a forma mais sensata de agir. É muito chato e desvitalizante orientar-se apenas pela prudência e pelas consequências futuras.

Muita gente erra na mão: vive sempre sacrificando o presente em nome de um futuro que nunca chegará. Outras pessoas erram na direção oposta: vivem como se não houvesse amanhã. Deixar-se guiar por uma filosofia que fique entre esses dois extremos e a permissão para excessos eventuais torna a vida mais prazerosa e digna de ser vivida.

 

Estimulando a expansão do eu

Muitas vezes, o apoio a aquilo que deixa o parceiro contente vai contra o que seria “sensato”, lucrativo e produtivo. Essa contraposição é um tipo de ousadia que leva à expansão do eu de quem apoia e de quem é apoiado. O apoio, neste caso, contribui para que o apoiado aceite os riscos implicados na aceitação de desafios e na atuação além da sua zona de segurança e de conforto. Quem aceita esses riscos expande os seus limites psicológicos: tem a chance de dominar e sentir-se bem em uma área que anteriormente estava além dos seus limites psicológicos.

Aquele forneceu apoio para o enfrentamento desse desafio ficará associado ao feito e será visto como promotor do crescimento psicológico do apoiado.

Segundo, Arthur Aron, autor da teoria que afirma que a expansão do eu contribui para o nascimento e desenvolvimento do amor romântico, quando estão presentes outros requisitos que são necessários para o nascimento do amor, a geração de oportunidades para a expansão do eu poderá despertar ou intensificar este sentimento entre os parceiros.

Quando o apoiador ocupa um papel importante na vida apoiado e assume o papel de apoiador incondicional, isto contribuirá para que  o apoiado “pegue a corrente da vida” e aprenda uma forma de viver que é ousada, vibrante e energética.

 

Apoio incondicional não significa ausência de crítica

Apoiar o parceiro não significa omitir a própria posição sobre o que está acontecendo. Pelo contrário, esta posição deve ser apresentada de forma clara e honesta.

Obviamente, o apoio construtivo não é tão incondicional assim. Por exemplo, quando o parceiro está fora de si ou vai fazer algo que possa ocasionar danos graves e irreversíveis para si ou para terceiros, então é melhor contrariá-lo, ao invés de apoiá-lo. Da mesma forma, se aquilo que ele quer fazer é humilhante ou desrespeitoso para outras pessoas, então é melhor não apoiá-lo.


Quando seu parceiro não merece confiança ou você não consegue se entregar

Quem acha que o parceiro não merece este tipo de voto de confiança e também pensa que ele não tem uma boa dose de discernimento que o impedirá de cometer erros graves a todo o momento, então é melhor trocar de parceiro.

Quem não consegue se entregar, confiar e acreditar no discernimento do parceiro quando ele, de fato, é alguém sensato e, ao mesmo tempo, vivo e inovador e quer correr os riscos necessários para continuar a expandir o seu eu, então deve procurar urgentemente a terapia.

Certas pessoas não estão abertas para receber apoio. Elas reclamam que não são apoiadas quando precisam. No entanto, elas não comunicam claramente que estã precisando de apoio, dão a entender que são autossuficientes ou não acolhem as ofertas de apoio que recebem. 

Você oferece e recebe apoio incondicional do seu parceiro?

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Por Ailton Amélio às 11h52

19/10/2012

Você é fechado ou aberto demais nas suas autorrevelações?

Como as pessoas não adivinham pensamentos e sentimentos, a única forma de fazer-se bem conhecido e conhecer outras pessoas é através da autorrevelação. Saber apresentar autorrevelações é tão importante quanto saber receber autorrevelações.


Quão autorrevelador você é?

1- Em que ponto do contínuo que varia entre "completamente fechado" e "completamente exposto", no que se refere às revelações de informações pessoais, você se situa?

2- Que assuntos você revela mais?

3- Em que circunstâncias você costuma autorrevelar?

4- Para que tipo de pessoa você costuma autorrevelar?

5- Que tipo de informação você esconde? Para que tipo de pessoa? Por quê?

6- Que tipo de assunto você gostaria de revelar mais, mas não consegue? Para quem você gostaria de revelar esses assuntos?

Estas são algumas perguntas que dizem respeito à autorrevelação e às circunstâncias onde ela ocorre.


Definição de “autorrevelação”

A autorrevelação consiste na comunicação de alguma coisa verdadeira sobre si como, por exemplo, pensamentos, sentimentos, sensações, opiniões, emoções, aspirações, frustrações e acontecimentos importantes que aconteceram consigo. A principal função da autorrevelação não é expressar grandes segredos, traumas e necessidades. O tipo mais importante de autorrevelação é o fornecimento de feedback para o interlocutor.

O termo “revelar” inclui todos os tipos de revelações. A palavra composta “autorrevelar”, tal como usada aqui, inclui apenas informações sobre quem está revelando e, portanto, não inclui revelações sobre segredos objetivos (por exemplo, um segredo industrial ou militar) ou informações sobre terceiros.


Consequências das autorrevelações.

Por que não somos um “livro aberto” onde os nossos interlocutores podem ler todas as informações que desejarem? Porque somos criteriosos com aquilo que revelamos? Porque a autorrevelação pode beneficiar ou prejudicar quem a fornece, quem a recebe, e as relações entre o revelador e quem recebe a revelação.

Compartilhar informações é de inestimável valor para lidar de uma forma mais eficiente com o meio ambiente, com outras pessoas e com aqueles que estão apresentando tais informações. Fornecer informações pode beneficiar tanto quem as revela (por exemplo, ao comunicar que está com medo uma pessoa pode receber auxílio para lidar com aquilo que está causando esta emoção) como quem a recebe (por exemplo, a informação de que uma pessoa está com raiva de mim pode me levar a adiar apresentar um pedido a ela porque ele teria mais chance de ser recusado nesta ocasião do que quando ela estivesse bem).

Ao autorrevelar você cria a oportunidade para aperfeiçoar aquilo que está sentindo e pensando e dá a mesma oportunidade para que o seu interlocutor também aperfeiçoe seus sentimentos e ações. Se você perceber seus erros poderá trabalhar para se autoaperfeiçoar.

A autorrevelação é inadequada quando não acontece com o tipo de interlocutor adequando, nas circunstâncias adequadas (quando o outro estiver pronto) e quando realizá-la implica em riscos ou danos excessivos, psicológicos ou materiais, para quem revela e para quem a recebe.


Consequências tangíveis das autorrevelações

Existem vários tipos de informações cujas revelações podem ter consequências tangíveis (implicar em prejuízos econômicos, perda de amizade, iniciar um namoro, ganhar a simpatia do interlocutor, etc.). Por exemplo, as informações sobre sentimentos que implicam em um posicionamento diante de outra pessoa ou que afetem profundamente a imagem desta (gosto/não gosto, simpático / antipático, amo / não amo, confiável, etc.).


Consequências das autorrevelações para o interlocutor

As revelações podem produzir diferentes efeitos em quem as recebe. Na medida em que o interlocutor se afeta com aquilo que quem revela está sentindo ou é capaz de fazer, ele será sensível aos efeitos da revelação.

Quando vamos nos impor ao interlocutor. Neste caso as características do interlocutor importam menos. Importa prever como ele reagirá a tais revelações e se temos condições e queremos encarar as suas reações (por exemplo, não queremos encarar os riscos de reagir a um ladrão ou a um policial autoritário.)

Quando queremos desabafar ou confiar informações comprometedoras: o interlocutor deve ser uma pessoa compreensiva, confiável e que tenha espaço para nos ouvir.


Maneiras de autorrevelar

Maneiras ativas e passivas de autorrevelar

Quase tudo que pode ser observado em uma pessoa é informativo: a sua aparência, a sua comunicação não verbal, o local onde ela se encontra, etc.

A revelação pode ser realizada através daquilo que a pessoa faz como através daquilo que ela deixa de fazer. A revelação acontece através de todos os atos (por exemplo, a animação mostrada enquanto uma pessoa caminha para cumprimentar um conhecido ou o tempo que ela despende conversando com essa pessoa) e, mais diretamente, através da comunicação. A autorrevelação através da comunicação acontece tanto através do seu conteúdo como através da sua forma.

A revelação também acontece através daquilo que uma pessoa deixa de fazer. Quando é esperado um determinado tipo de comportamento em uma dada situação, mas isto não acontece, esta abstenção revela algo sobre quem não se comportou da forma esperada. Por exemplo, deixar de alimentar os assuntos de propostos por um determinado interlocutor, deixar de rir de uma piada, não orientar o corpo e o rosto na direção de alguém que está falando pode revelar muito sobre a atitude de quem está agindo desta forma.


Autorrevelação verbal e não verbal

A autorrevelação pode acontecer tanto através da comunicação verbal como da comunicação não verbal.

A comunicação verbal é mais apropriada para revelar informações abstratas e para relatar fatos que estão distantes no espaço ou no tempo. A comunicação não verbal é a forma mais adequada de revelar atitudes e emoções.


Comunicação verbal

Praticamente tudo que pode ser comunicado por outros meios também pode ser comunicado, de uma forma aproximada, através das palavras. Por exemplo, ao invés de abraçar ou beijar, dizer queria ter te abraçado ou beijado tem um efeito semelhante, mas atenuado.

Exemplos de revelações verbais:

“Eu gostaria de ter estado aqui com você.”

“Eu queria ter comprado um presente para você”

“Eu conseguirei vencer”


Comunicação não verbal

A comunicação não verbal acontece através de diferentes modalidades expressivas. As principais destas modalidades são as seguintes: vocalizações, expressões faciais, olhares, movimentação do corpo, posturas, distancias interpessoais, orientação do corpo, aparência e contato físico. Devido à sua importância este tema será apresentado em um capítulo a parte.

Cautela: as informações não verbais muitas vezes não são apresentadas voluntaria, intencional ou mesmo conscientemente. Neste caso, comentar a mensagem pode ser constrangedor e invasivo para quem as apresentou.


Como oferecer e receber revelações

Características da autorrevelação adequada

É importante saber calibrar as autorrevelações: saber a hora, para quem e como revelar. Também é importante saber incentivar ou desincentivar as revelações de outras pessoas. Por exemplo, não é prudente revelar coisas que possam destruir uma relação importante e duradoura com o seu interlocutor quando isso não é absolutamente necessário.

Algumas das principais propriedades de uma autorrevelação adequada são as seguintes:

Dose certa: nem demais nem de menos. Tem o grau certo de intimidade e o nível de risco aceitável para quem revela e para quem a recebe. Na dúvida sobre o quanto revelar, o melhor é revelar moderadamente.

Forma adequadaÉ inevitável fazer revelações que podem ser ameaçadoras para o interlocutor. Apresentá-las polidamente aumenta as chances de que elas sejam aceitas. A forma da revelação é um dos principais determinantes do grau de receptividade do interlocutor para aquilo que é revelado. Por exemplo, uma revelação desagradável, apresentada de uma forma agressiva, é mais difícil de ser bem acolhida do que a mesma revelação apresentada de forma polida.

Exemplos

 Ao invés de dizer - “Você está errado” é mais polido dizer “Vejo as coisas de outra maneira”. 

Usar o pronome “eu” e não o “você” para apresentar reclamações ameniza a ameaça ao interlocutor.

Circunstância adequada. Consiste na escolha do momento e da situação adequada para revelar e para o tipo de revelação em questão.

Interlocutor adequado. É aquela pessoa com a qual existe o tipo de relação e o nível adequado de intimidade para aquilo que é se pretende revelar.

Você é aberto ou fechado demais e isto lhe traz problemas? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h26

14/10/2012

Como facilitar o orgasmo feminino

As mulheres têm mais dificuldade para chegar ao orgasmo

As mulheres geralmente têm mais dificuldade para chegar ao orgasmo do que os homens. Vários estudos identificaram este fenômeno. Por exemplo, uma pesquisa americana verificou que, nas relações sexuais, 29% das mulheres sempre tinham orgasmo, 42% geralmente, 21% de vez em quando, 4% raramente e 4% nunca (as percentagens correspondentes para os homens eram, respectivamente, 75%, 20%, 3%, 1% e 1%). Existem pelo menos dois prováveis motivos que explicam essa maior dificuldade das mulheres: (1) O papel do orgasmo na fecundação e (2) maior grau de dependência do desejo sexual feminino de fatores psicológicos e (3) localização desfavorável do clitóris ("defeito de fabricação").

Papel do orgasmo na fecundação. Um dos prováveis motivos filogéticos para a diferença de dificuldade para o orgasmo que se observa entre os sexos é o papel diferente que ele exerce na fecundação. A maior parte da liberação dos espermatozoides geralmente ocorre através da ejaculação (uma pequena quantidade de espermatozoides pode ser liberada mesmo sem a ejaculação como, por exemplo, durante as fases iniciais das relações sexuais). O orgasmo feminino talvez facilite, mas é menos necessário para a fecundação: os óvulos podem ser alcançados pelos espermatozoides mesmo quando a mulher não teve orgasmo (as fêmeas de outras espécies geralmente não têm orgasmo). Por isso, a Natureza caprichou mais na anatomia que favorece o orgasmo masculino (Danada!)

Maior grau de dependência do desejo sexual feminino de fatores psicológicos. A estimulação das zonas erógenas femininas é apenas um dos ingredientes do orgasmo. Vários estudos vêm mostrando que a sexualidade feminina está mais relacionada com fatores psicológicos do que a masculina. Por exemplo, as medidas de intumescimento, lubrificação e relaxamento da vagina são menos relacionadas com a sensação de desejo feminino do que as medidas correspondentes do pênis masculino com a intensidade do desejo que eles relatam. Por isso, para elas a qualidade do sexo é mais associada com o estado do relacionamento com o parceiro do que vice-versa.

“Defeito de fabricação”? As mulheres parecem ter uma espécie de “defeito de fabricação”: o clitóris, principal zona erógena feminina, está localizado muito distante da vagina. Por isso, a penetração do pênis na vagina não é muito eficiente para estimular esta parte da anatomia feminina. Esta zona erógena, para ser bem estimulada, deveria estar situada, talvez, na entrada da vagina. Ai sim, a introdução e a movimentação do pênis produziria o máximo de pressão e fricção!

Neste artigo vamos examinar estes dois últimos motivos e o que pode ser feito para melhorar o terceiro deles - a estimulação mais eficiente do clitóris.

 

Ingredientes psicológicos do desejo sexual

O desejo sexual é produzido por um conjunto muito grande de fatores, além da estimulação das zonas erógenas. Alguns destes fatores são os seguintes:

- Grau de atração do parceiro, a confiança e a amizade que ele inspira.

- Local e o tempo disponível para o encontro e relacionamento sexual.

- Habilidade dos parceiros para criar um clima sensual e erótico.

- Tempo transcorrido desde o ultimo orgasmo. Quanto maior o tempo, maior o desejo. Quanto maior o desejo mais fácil fica o orgasmo.

- Grau de naturalidade dos parceiros para manifestar o desejo e o prazer sexual.

- A ausência de inibidores sexuais: culpa, liberdade para mostrar prazer, etc.

Mais sistematicamente, o desejo sexual é determinado por uma combinação dos seguintes ingredientes:

Impulso biológico. Componente do desejo que é saciado pelo orgasmo, mas que começa a se intensificar imediatamente depois a medida que o tempo vai passando. É como a fome por alimentos: logo depois de comer acontece a saciação. Em seguida, ela começa a crescer novamente. O organismo manifesta a sua necessidade por comida e por sexo de tempos em tempos.

Motivação de origem psicológica. Este tipo de ingrediente contribui para que o desejo aumente ou diminua, dependendo do grau de atração ou repulsão pelo parceiro, da sua forma de proceder (sensual, erótico, sedutor) e de outros fatores externos (ambiente sensual, filme erótico, etc.)

Querer. Este é o ingrediente racional do desejo. Saber que o sexo faz bem para a relação, que ele ajuda a intimidade, que alivia as tensões, etc.

Ausência de inibidores. Muitas mulheres não estão psicologicamente preparadas para acolher e dar vazão ao desejo e ao orgasmo. O sexo para elas é permeado pela culpa e pelas restrições religiosas, pela preocupação de não demonstrar para o parceiro quanto ele pode lhe dar prazer, pela vergonha de se entregar e demonstrar prazer.

Na Inglaterra Vitoriana, por exemplo, as mulheres tinham que mostrar compostura e recato durante o sexo. A etiqueta da época preconizava que elas deveriam encarar o sexo como um sacrifício pela pátria (a sua finalidade era produzir novos cidadãos ingleses e soldados). De forma alguma deveriam mostrar prazer intenso, tomar iniciativas ou mostrar curiosidade por novas práticas sexuais. Mas, não precisamos ir tão longe para apontar restrições à entrega ao prazer sexual: ainda hoje, aqui no Brasil, homens e mulheres têm medo e vergonha de expressar muitos dos seus desejos e, por isso, serem vistos e verem a si próprio  como depravados por estas "ousadias".


Rir porque achou graça ou porque sentiu cócegas

Os caminhos para o riso são uma boa analogia com os caminhos físicos e psicológicos para o orgasmo: podemos rir porque achamos graça ou porque sentimos cócegas. Geralmente preferimos o primeiro caminho e não o segundo. Com o orgasmo acontece algo parecido. Podemos chegar a ele através da estimulação de nossas zonas erógenas ou através do desejo sexual causado por fatores psicológicos e por alguma estimulação dessas zonas. O melhor é a combinação desses dois caminhos. Diga-se de passagem, algumas mulheres conseguem chegar ao orgasmo sem qualquer estimulação de zonas erógenas. Uma pesquisadora verificou que estas mulheres simplesmente relaxavam e imaginavam que estavam em uma praia e logo chegavam ao orgasmo.


“Pegar no tranco”

O fato de o desejo causado por fatores psicológico ser o caminho preferido para o orgasmo também é fartamente ilustrado pelas reclamações de muitas mulheres que iniciam sexo sem qualquer desejo. Em seguida, elas vão sendo excitas através de estimulações de suas zonas erógenas e outras práticas sexuais e isto lhes provoca o desejo e o orgasmo. Este caminho foi denominado por algumas delas como “pegar no tranco”. Este nome foi sugerido pela analogia com a forma de dar partida em um carro que ficou sem bateria: coloca-se a segunda marcha, pisa-se na embreagem, empurra-se o carro e, quando ele ganha velocidade, o pé é bruscamente retirado da embreagem. O carro dá um tranco e passa a funcionar normalmente. De forma análoga, essas mulheres também “pegam no tranco”. Geralmente elas não gostam desta maneira de fazer sexo, mesmo quando atingem o orgasmo. A falta de desejo de origem psicológica que elas apresentam pelo parceiro é um sintoma de algo mais grave que pode estar acontecendo na relação entre eles.

Os maridos, muitas vezes, só noticiam a segunda parte do desejo que pegou no tranco: a mulher, embora tenha hesitado para iniciar o sexo, funcionou perfeitamente depois de alguma estimulação física. Eles ficam satisfeitos com esta parte final e concluem que está tudo bem com a sexualidade do casal. Ledo engano. Esta forma de provocar o desejo é um sintoma de problemas entre o casal e poderá se tornar muito aversiva para a mulher.


A importância da estimulação do clitóris para o orgasmo

Sem perder de vista a importância dos fatores psicológicos para a sexualidade, examinaremos agora melhorar a estimulação do clitóris durante as relações sexuais.


Maneiras de aumentar a estimulação do clitóris

Pelo que foi exposto acima, além da presença de todos os ingredientes psicológicos do desejo sexual, também é necessário providenciar a estimulação do clitóris. Algumas destas maneiras são as seguintes:

Aumentar o tempo e a eficácia das “preliminares”. As mulheres geralmente precisam de mais tempo para chegar ao orgasmo do que os homens. Por isso, quanto maior o tempo e a eficácia das preliminares, mais excitada ela ficará e mais próxima do orgasmo ela estará quando começarem as penetrações. O problema desta técnica é que o homem também poderá ficar muito excitado e, por isso, não conseguir segurar o próprio orgasmo até que a mulher chegue ao dela.

Orgasmo alternado: um antes e o outro depois. Neste caso, os parceiros não buscam o orgasmo simultâneo e, sim, o alternado: o homem, primeiro, coopera para que a mulher chegue ao orgasmo e, em seguida, ela retribui a gentileza, ou vice-versa. Dentre as formas do homem propiciar a melhor estimulação do clitóris merecem destaque o sexo oral e a masturbação desta área com os dedos ou com um vibrador. Esta estimulação, obviamente pode se estender para outras áreas da genitália feminina e mesmo para outras regiões do corpo.

Masturbação do clitóris e penetração simultânea do pênis. Ao mesmo tempo em que acontece a penetração e a movimentação do pênis na vagina, a mulher ou o homem estimulam o clitóris.

Homem por cima e para cima. A penetração ocorre na posição missionária (“papai – mamãe”): mulher deitada de costas e homem deitado em cima dela. Em seguida, o homem desliza o seu corpo para cima, de tal modo que o seu pênis que antes apontava na direção do umbigo da mulher, agora, após esse movimento, vai ficar apontando na direção dos seus joelhos. Este tipo de penetração faz com que o corpo do pênis pressione e friccione melhor o clitóris

Mulher por cima. Esta posição permite que ela pressione e friccione o clitóris contra a região pubiana do homem.

Estimular o clitóris com eficiência ajuda. No entanto, as práticas que mais contribuem para que a mulher chegue ao orgasmo são aquelas que acontecem fora da cama: admiração, consideração, cumplicidade, romantismo e lealdade mutua entre os amantes!

Problemas com o orgasmo? Procure um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h58

07/10/2012

Você sabe calibrar o conteúdo da sua comunicação?

Quase tudo que comunicamos em uma conversa passa por um processo de edição. Nem tudo aquilo que está sendo sentido ou pensado pode ser expresso e nem tudo que é expresso está sendo sentido ou pensado: censuramos, cortamos, adaptamos, formatamos e fabricamos uma boa parte daquilo que comunicamos.

Expressar tudo que passa pela nossa cabeça seria desastroso: ficaríamos expostos a riscos, arruinaríamos a nossa imagem pública, ofenderíamos inúmeras pessoas... seríamos banidos do convívio social. Por outro lado, temos que apresentar uma boa dose daquilo que se passa conosco. Quem só simula ou dissimula não vive, mas representa!

Simular ou dissimular implica no gasto de energia extra porque, muitas vezes, quem age assim tem representar uma forma de agir e, simultaneamente, conter a expressão dos seus verdadeiros sentimentos e pensamentos.

Expressar sentimentos e pensamentos é energético

Quem expressa polidamente uma boa dose daquilo que está passando consigo traz vida para o diálogo, para si próprio e para o interlocutor. Além disso, quem age dessa forma geralmente é admirado pela sua coragem e originalidade.

Essa forma de agir produz energia para quem a adota porque, para participar de verdade de uma interação social, é necessário expressar, em um grau razoável, aquilo está sentindo, pensando e querendo. Agir assim torna a pessoa realmente presente na interação. Ela não está ali apenas prestando um favor ou disfarçando.

Revelar um pouco mais os sentimentos e pensamentos do que a maioria das pessoas costuma fazer tem efeito energético para o interlocutor porque ele observa os efeitos reais da sua forma de ser, pensar e sentir que são produzidos nos seus interlocutores. Essa forma de agir também é criativa, implica em riscos saudáveis e introduz um grau maior de imprevisibilidade na conversa, o que é um sinônimo de vida e desperta o interesse dos interlocutores.

A decisão de omitir ou trazer algo para a conversa dependem, respectivamente, da força inibidora ou promotora de “editores” que são empregados com essa finalidade. Por um lado, muita coisa é censurada. Por outro, muita coisa é introduzida na conversa não porque os seus participantes gostariam ou pensam daquela forma, mas devido às consequências que a outra forma de agir traria.

Censuramos, cortamos, adaptamos, formatamos e fabricamos vários aspectos da conversa: o tema, o conteúdo específico do tema, a forma de condução da conversa e o tempo dedicado a cada um dos seus setores.

Definição de inibidor

Um inibidor pode ser concebido como uma força oposta à emissão de um comportamento. Caso a força inibidora seja maior do que aquela que motiva a emissão do comportamento, este será omitido. Caso ela seja menor do que a motivadora, o comportamento será emitido. Quando a forca inibidora é poderosa, embora seja menor do que a motivadora para a emissão do comportamento, é possível que este seja apresentado com algumas alterações em relação àquele que seria apresentado, se esta inibição não estivesse presente. Neste caso, o comportamento emitido pode ser mais fraco, mais hesitante ou podem aparecer disfarces para apresentá-lo disfarçadamente: tropo comunicacional (fingir que ele está sendo dirigido a uma pessoa quando, de fato, é endereçado a outra), alusões, parábolas, etc.

Muitas vezes, quando há um conflito equilibrado entre as forças inibidoras e motivadoras de um comportamento, podem aparecer comportamentos deslocados: fazer algo aparentemente irrelevante para resolver o conflito. Por exemplo, quando uma pessoa está em grande dúvida entre confessar e não confessar para a namorada que quer terminar um relacionamento ela pode começar a brincar com um pedaço de papel ou coçar a cabeça.

Níveis de consciência da edição

O grau de consciência da edição e dos editores varia continuamente desde totalmente inconsciente até totalmente consciente.

Edição da consciência e da comunicação entre interlocutores

A edição da comunicação pode acontecer em duas áreas: (1) dentro da cabeça do próprio comunicador, afetando as informações entre o inconsciente e a consciência (“autoedição”) de uma mesma pessoa e (2) entre os comunicadores, alterando as informações que são passadas de um para o outro. O primeiro desses dois casos já foi abordado por diversas teorias psicológicas, principalmente pela psicanálise. Este teoria advoga que esse tipo de edição (“censura”) acontece porque certas informações provocariam ansiedade, caso se tornassem conscientes. Para evitar essa ansiedade, a censura reprime tais informações ou as deixa passar apenas quando estão disfarçadas, como acontece nos sonhos (deslocamento: algo que parece insignificante pode ser importante), lapsos linguísticos (trocar palavras), projeções (atribuir ao outro uma coisa sua) e introjeções (atribuir a si algo do outro) de informações.

A edição por parte do interlocutor pode ser realizada de uma forma sutil, como não mostrar muito interesse ou entusiasmo pelo tema do outro, ou óbvia, através de expressões do tipo “Não quero falar sobre isso”.

Os níveis de intencionalidade e consciência com que as edições são praticadas variam muito. Muitas vezes, os participantes de uma conversa não sabem apontar as suas contribuições para que ela tenha prosperado ou fracassado. Esse desconhecimento ocorre porque tais contribuições foram realizadas quase que inconscientemente e de uma forma automatizada. Essa inconsciência comunicativa é do mesmo tipo que ocorre ao guiar um carro. Quem tem bastante prática de direção faz isso automaticamente, sem ter que pensar nos seus movimentos e decisões.

1. Edição promotora ou inibidora de aspectos da conversa

As decisões de apresentar ou omitir alguma coisa na conversa dependem, respectivamente, da força inibidora ou promotora de seus “editores”.

As edições de conversas podem ser classificadas como promotoras ou restritoras. A edição promotora é aquela que adiciona coisas à conversa. As regras da polidez, por exemplo, podem pressionar para que uma conversa indesejada seja iniciada, certos temas sejam abordados, coisas específicas sobre o tema sejam ditas e determinadas formas e durações de cada parte da conversa sejam adotadas. A edição restritora é aquela que subtrai, atenua ou disfarça aspectos da conversa. Ela pode, por exemplo, provocar a evitação de uma conversa, de um tema ou de uma forma de conversar. Muitas vezes, uma combinação de forças promotoras e restritora promove a adoção de formas evasivas e indiretas de apresentar e abreviar assuntos. Isso acontece, por exemplo, quando é adotada uma agenda oculta (o objetivo secreto de uma pessoa é vender algo e não tornar-se amigo de outra pessoa, por exemplo) ou quando é apresentada uma insinuação sobre o mau caráter de uma pessoa.

Vamos tratar aqui apenas da edição restritora. A edição promotora geralmente é abordada nos textos sobre a polidez ou que tratam das normas sobre como agir em determinadas situações.

Edição restritora

Não tentamos introduzir na conversa todos os assuntos que passam pela nossa cabeça, nem todos que interessam a nós ou aos nossos interlocutores. Estamos sempre calculando como nos sentiríamos abordando cada tema e quais seriam as possíveis consequências de abordá-lo. As consequências por abordá-lo ou por não abordá-lo determinam as chances dele efetivamente se transformar em tema de conversa.

2. Edições adequadas e inadequadas

Qualquer comunicação proporciona para seu comunicador, para aquele que a recebe e para terceiros, um conjunto de consequências positivas e negativas. O saldo resultante da subtração entre esses dois tipos de consequências é um dos determinantes do grau de adequação da comunicação.

Uma edição é adequada é aquela que reduz as emissões de comportamentos que produzem consequências negativas e aumenta as emissões de comportamentos que produzem consequências positivas. Essas consequências podem ocorrer a curto, médio e em longo prazo. Elas podem ser psicológicas e materiais.

3. Edições de componentes da conversa

Geralmente todos os componentes de uma conversa sofrem algum tipo de edição.

Os principais componentes que geralmente são editados são os seguintes:

- O grau de interesse em participar da conversa. As pessoas sempre administram a apresentação de pistas que revelam quanto querem ou podem conversar em um dado momento.

- O grau de interesse em cada tema da conversa. O grau de interesse por cada um dos temas da conversa varia muito entre os participantes. Muitas vezes, um dos interlocutores sofre pressões para fingir que está interessado em um tema. Uma dessas pressões é o grau de interesse pelo tema demonstrado interlocutor.

- A posição pessoal em relação a cada tema e em relação a aspectos do tema que está sendo tratado na conversa. Por exemplo, as pessoas administram as informações sobre as suas concordâncias ou discordâncias em relação aos pontos de vista do interlocutor e em relação aos temas que estão sendo abordados na conversa.

- A dosagem preferida de profundidade e detalhamento preferido para tratar cada tema da conversa.

A edição da profundidade que um tema é tratado em uma conversa depende dos interesses do falante e do interlocutor, do tempo que dispõem para isso, da necessidade de tratar de outros temas, das exigências do próprio tema (certos temas exigem uma abordagem mais ou menos profunda e extensa do que outros) e dos objetivos da conversa.

- As durações. As durações de vários aspectos da conversa são continuamente editadas. Por exemplo, as durações da conversa, de cada tema, das ocupações dos papéis de ouvinte e falante são regulados continuamente pelos interlocutores.

A forma como a conversa transcorre

Exemplos: A conversa pode transcorrer de uma forma amistosa ou hostil. A conversa pode transcorrer na forma de perguntas e respostas ou interrogador e interrogado.

A formatação da conversa pode torná-la mais agradável ou aversiva

A edição pode ter o objetivo de tornar a conversa mais agradável ou desagradável para si e para o interlocutor. Exemplos de diretrizes desse tipo que constam em alguns manuais de conversa:

- Escolher bem as palavras para que elas sejam agradáveis e não ofensivas

- Quando quiser reclamar, usar frases construídas com o pronome “eu” ao invés do pronome “você”. Falar dos próprios sentimentos e pensamentos ameaça menos o interlocutor do que apontar as falhas dele.

- Usar contestações indiretas. Não dizer “Você está errado”. Ao invés disso, procurar adicionar algo do tipo: “Interessante esta hipótese. Será que existe outra para explicar o mesmo fenômeno?”

- Procurar fazer com que o interlocutor sinta que está sendo consultado.

4. Edição das comunicações do falante e do ouvinte

Geralmente os comportamentos do falante e os do ouvinte são editados positiva e negativamente. Ambos os interlocutores estão sujeitos a pressões sobre o que devem e sobre o que não devem fazer durante a conversa.

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Por Ailton Amélio às 14h05

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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