Blog do Ailton Amélio

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23/12/2012

Por que existem pessoas que gostam e outras que não gostam do final de ano?

Pois é, o fim de ano está ai. Você adora esta época ou, se pudesse, pularia lá para a segunda semana de janeiro? A maioria das pessoas fica entre esses dois extremos: aprecia alguns dos eventos que ocorrem nesta ocasião e se sente desconfortável com outros.

Essa época é especial porque, além dos seus significados religiosos, ela concentra feriados, festas, viagens, décimo terceiro salário e, infelizmente, acontecimentos pouco agradáveis como aumento no trânsito, shoppings cheios e, para certas pessoas, angustia e solidão.

Vamos examinar neste artigo alguns dos principais motivos pelos quais algumas pessoas gostam e outras se sentem desconfortáveis nesta época.


O contágio psicológico pelo espírito de fim de ano

A vontade de comemorar depende de dois fatores principais: a crença naquilo que está sendo comemorado e o contágio psicológico. Por isso, não é imprescindível acreditar naquilo que está sendo comemorado para sentir a vontade de comemorar!


O contágio psicológico

"Contágio psicológico" é o nome utilizado para nomear a nossa tendência para sentir o que os outros sentem, para absorver suas maneiras de ver as coisas, para adotar os seus hábitos e comportamentos. Geralmente somos mais contagiados pelas pessoas que admiramos e gostamos. Por exemplo, temos a tendência para adotar o estilo de vida do intelectual que admiramos ou o vestuário do artista que gostamos. Também somos fortemente contagiados quando estamos imersos em um grupo que adota firmemente uma determinada forma de pensar, sentir e agir que difere um pouco da nossa (os imigrantes e intercambistas internacionais que o digam!)

Um dos mecanismos de contágio é a mimetização ou reprodução involuntária e inconsciente das posturas, do tom de voz e dos comportamentos que estão sendo exibidos por outras pessoas. Essas mimetizações enviam informações para o nosso cérebro que são interpretadas como “Se estou com essa voz melosa, essa postura corporal de quem está flertando e não tiro os olhos de fulana é porque estou muito interessado nela”. Outro exemplo: "Se estou comprando presente, retribuindo votos e assistindo filmes de Natal, como todo mundo está fazendo, é porque estou envolvido neste tipo de comemoração!".

Esse tipo de contágio é um dos principais mecanismos que explicam vários fenômenos muito importantes que nos afetam. Ele explica, por exemplo, porque algo se torna moda (vestuário, música, etiqueta, etc.), a empatia emocional (sentir o que os outros sentem) e certos tipos de manifestações coletivas (comportamentos de torcidas de futebol, estase coletiva mostrada pelos fãs durante shows de cantores famosos, etc.).


Pessoas que gostam dos eventos de fim de ano

As pessoas que gostam de fim de ano são aquelas que acreditam naquilo que  está sendo comemorado e/ou permitem, de bom grado,  serem contagiadas pelas comemorações dessa época, possuem boas memórias associadas a este período, usufruem das alterações na rotina que acontecem nesta ocasião e apreciam a intensificação do convívio com certas pessoas que ocorre nesta época.

Para aqueles que apreciam o fim de ano e suas festas, esses acontecimentos foram fortemente associados com memorias muito agradáveis e positivas: a infância segura na companhia dos pais e irmãos, a magia do Papai Noel e seus presentes, as festas, as músicas, o clima positivo.

Essa época também é agradável para aqueles que apreciam os eventos que são previstos para esta ocasião: feriados, férias, descanso, de boa comida, viagens agradáveis, receber e dar presentes, cumprimentar e receber cumprimentos e votos de bom augúrio.

Finalmente, o final de ano é agradável para aqueles que têm prazer em conviver com parentes e amigos.

Quanto mais esses eventos são prazerosos para uma dada pessoa, mais provavelmente essa época do ano será agradável para ela.


Pessoas que não gostam dos eventos de fim de ano

Por que o fim de ano é desagradável para muitas pessoas?

Para essas pessoas, o fim de ano acentua ou dispara vários tipos de desconfortos e traz poucos ou nenhum benefício. Vamos examinar aqui algumas das mais importantes fontes de desagrado para essas pessoas que estão associados a essa época.


Pessoas que se opõem às comemorações dessa época

Certas pessoas se recusam a entrar no espírito de fim de ano: não são religiosas, condenam o consumismo e a hipocrisia dos cumprimentos e não veem sentido nos rituais típicos que são celebrados nesse período.

No entanto, como essas pessoas não são imunes ao contágio psicológico, elas ficam com uma sensação de vazio, como se algo de errado estivesse acontecendo com elas e como não estivessem participando de algo importante. Por isso, muitas delas participam de alguma comemoração, embora não acreditem no que estão fazendo. (Veja, a esse respeito, a matéria publicada no Cotidiano, do UOL: “Saiba como é o Natal dos mais de 4 milhões de brasileiros que não comemoram a data”.1).


Os feriados afastam essas pessoas de atividades que lhes são significativas

Os feriados afastam as pessoas de atividades que ocupam os seus tempos, lhes trazem satisfações e validam suas identidades.

As pessoas que não se dão bem com as comemorações de fim de ano perdem temporariamente essas atividades que lhes davam suporte psicológico e não as substituem por outras que também poderiam ser significativas para elas.


Os feriados desfazem situações que propiciam sociabilidade para essas pessoas

Certas pessoas só se reúnem e se relacionam entre si porque existem outros motivos para que elas se encontrem: trabalham juntas, estudam juntas, pegam a mesma condução, etc.  Ou seja, seus relacionamentos sociais  só acontecem devido a outros motivos que as colocam temporariamente em contato e propiciam a oportunidade, ou até pressionam, para que elas interajam (por exemplo, elas fazem parte de uma mesma equipe ou se cruzam frequentemente no local de trabalho com outras pessoas e seria muita impolidez não desenvolver um mínimo de relacionamento cordial com os colegas).

Essas pessoas, cujos relacionamentos que são sustentados principalmente por motivos externos, não costumam se ver quando esses motivos não estão presentes. Por exemplo, não marcam nenhuma atividade ou encontro fora do horário de trabalho e não se telefonam por razões pessoais. Ou seja, são apenas colegas ou parceiros profissionais e mantêm um relacionamento típico das atividades que as unem.

No mundo moderno, muitas pessoas não têm outros tipos de relacionamentos mais íntimos e ficam totalmente solitárias durante os feriados e férias, quando ficam sem o contato obrigatório com os colegas de atividades profissionais ou circunstanciais.


Os feriados afastam essas pessoas de atividades onde elas ocupam um papel importante

Certas pessoas são muito importantes nos locais de trabalho, mas são pouco importantes ou, até mesmo, rejeitadas nos ambientes mais íntimos onde não tem poder e autoridade.

Geralmente essas pessoas que não tem carisma, charme e só atraem a atenção e são bajuladas por aqueles que dependem delas. Essas pessoas se ressentem muito durante feriados prolongados e férias quando ficam desprovidas de boa parte das ferramentas que usam para se sentirem importantes. A aposentadoria também costuma ter um efeito desastroso para gente assim, pelos mesmos motivos.


Essas festas deixam à mostra a baixa sociabilidade e a rejeição social dessas pessoas

Muitas pessoas não comemoram os eventos de fim de ano porque não são convidadas. Não são convidadas porque perderam ou estão longe dos parentes mais próximos, não conseguem fazer amigos ou não são divertidas em eventos sociais. Essa ausência de convites rebaixa a autoestima e acentua a dor da solidão.

Crendo ou não, é melhor comemorar!

BOAS FESTAS PARA VOCÊ!

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NOTA

1 -  http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/12/24/saiba-como-e-o-natal-das-familias-que-nao-comemoram-a-data.htm  (Matéria publicada em 24/12/2012)

Por Ailton Amélio às 08h49

16/12/2012

Além do amor: por que é difícil separar-se?

Marina e Laerte haviam acabado de separar-se. O relacionamento entre eles esfriou, o romance definhou, o sexo ficou raro e burocrático, as cobranças aumentaram e a presença mútua passou a gerar mais dissabores do que satisfações.

Após um longo processo de brigas, reconciliações, tentativas de revitalizar o relacionamento e terapia, decidiram que o relacionamento entre eles já não tinha vitalidade, estava se tornando desrespeitoso e, o pior de tudo, haviam perdido as esperanças de que ele  pudesse ser revigorado. Como eram relativamente jovens e dinâmicos, decidiram que não havia motivo suficiente para passar o resto de suas vidas juntos, em um relacionamento destituído de significado e cada vez mais desagradável. Ambos começaram a acalentar a ideia de voltar à uma vida mais vibrante e reviver um grande amor com outra pessoa.

Decidiram então se separar e recomeçar novas vidas. Assim o fizeram. A nova vida, vibrante e cheia de significados, no entanto, não estava tão a mão como imaginaram. As raízes da vida antiga eram profundas e, por um longo, longo tempo ainda estariam muito presentes. Ambos se deram conta do quanto as suas vidas ficaram interligadas e que muitas coisas dependiam da presença e da cooperação mútua!

Este é o tema que vamos tratar neste artigo: as dificuldades da separação.

Os romances, as novelas e os filmes superestimam a importância do amor e substimam a importância de outros fatores que recheiam um relacionamento amoroso (cumplicidade, compartilhamento de redes sociais e parentais, medidas práticas necessárias para a sobrevivência, definição social da identidade dos cônjuges, etc). Esta distorção é capturada por afirmações do tipo: “Eu não o amo mais e, por isso, quero me separar”, “O relacionamento só vale a pena quando há amor”. Essa distorção é ampliada pelo espaço e brilho que os meios de comunicação emprestam para o amor e pela pequena ênfase nos outros constituintes da vida amorosa.

Tal como acontece com muitas coisas essenciais, o valor e a função dos ingredientes do relacionamento amoroso só ficam claros quando este relacionamento está se desfazendo. As importâncias relativas desses ingredientes são diferentes no início, na manutenção e no término desse tipo de relacionamento.


A importância do amor para o início e para o fim de um casamento

Uma pesquisa realizada por Levine e colaboradores (1995)1 verificou que o amor é um requisito muito importante para iniciar o casamento em diversas culturas ocidentais. Estes autores pediram para pessoas de onze países (inclusive do Brasil) que respondessem à seguinte questão:

“Se um homem (mulher) tiver todas as qualidades que você deseja em um cônjuge, você se casaria com ele?”

Havia três opções de resposta: sim, não e indeciso.

As culturas das pessoas que participaram desta pesquisa podem ser classificadas em dois grupos: “coletivistas” (consideram que o grupo mais importante que o indivíduo – são mais frequentes no Oriente, como na Índia e Paquistão) e individualistas (consideram que o indivíduo é mais importante do que o grupo – geralmente são mais frequentes no Ocidente, como no Brasil e Estados Unidos). Nas culturas individualistas o “sim” foi a resposta mais frequente aqueles e nas culturas coletivistas o “não” foi a resposta mais frequente. Em nenhum destes países a resposta “indeciso” foi a mais frequente. Homens e mulheres responderam a esta questão de uma forma semelhante.

Os EUA e o Brasil foram os países que mais rejeitaram o casamento sem amor. No Brasil apenas 4,3 % das pessoas disseram que se casariam sem amor, 10% ficaram indecisas e 85,7% disseram que não se casariam sem amor.


A ausência do amor é não é um critério muito importante para terminar o relacionamento.

Menos de 20% de todos os participantes dessa pesquisa afirmaram que terminariam o relacionamento, caso o deixassem de amar o cônjuge. Ou seja, nas culturas individualistas, a presença do amor foi considerada imprescindível para aceitar uma pessoa como cônjuge. Em ambos os tipos de culturas, esse sentimento não foi considerado necessário para manter o casamento.

Esta menor importância do amor como critério para terminar um casamento pode ser facilmente compreendia: muitos outros fatos também são importantes para manter este tipo de relacionamento (cumplicidade, aspectos econômicos, vida social, relacionamento com parentes, compartilhamento de objetivos na vida, etc.).


O amor é volátil

Essa atitude dos participantes dessa pesquisa que consideram o amor necessário para iniciar um relacionamento, mas cuja ausência não é suficiente para termina-lo é sábia, porque o amor é um sentimento muito volátil. A  intensidade desse sentimento pode variar muito no decorrer de um único dia: em certos dias sentimos mais aborrecimento do que amor pelo parceiro. Logo em seguida, o amor pode voltar e o aborrecimento se esvanece. Se os casais se separassem toda vez que o amor se enfraquece e se reconciliassem quando ele ressurgisse, eles estariam o tempo todo se separando e se reconciliando.

Em certos casos, é claro, o amor pode se ir para sempre. Quando isso acontece, ai a coisa fica mais grave. A sua ausência prolongada pode produzir transformações negativas em outras áreas do relacionamento, como a diminuição da cumplicidade, o aumento da intolerância e o descomprometimento.

Para algumas pessoas, a importância do amor e do sexo são maiores do que para outras. Por exemplo, essa importância é maior para aquelas que têm o estilo de amor Eros ou Mania. Para outras pessoas, os ingredientes mais importantes do relacionamento podem ser a amizade (Estorge) ou a eficiência e o entrosamento nas áreas práticas da vida (Pragma). (Veja neste blog o artigo que escrevi sobre os estilos de amor).


Quando o amor dificulta a separação

Dentre os casos mais sofridos de separação que tenho conhecimento estão aqueles onde há ainda há amor e atração sexual entre os cônjuges, mas incompatibilidades sérias e insuperáveis em outras áreas inviabilizaram a  continuidade do casamento (incompatibilidade graves de gênio, vício em drogas, maneiras incompatíveis de administrar ganhos e gastos, etc.)

O amor, nesse caso, pode levar o casal a fazer muitas tentativas de reconciliação durante o processo de separação. Quando os cônjuges estão separados, os problemas que apareciam durante o convívio perdem a força e a saudade fortalece seus amores. Assim que restabelecem o relacionamento, as incompatibilidades se tornam presentes e a força do amor provocada pela saudade diminui e, assim, uma nova separação acontece. O processo se repete.


Separações dos diferentes ingredientes do relacionamento

A vida do casal geralmente fica entrelaçada em muitas áreas durante os anos de relacionamento. Esses entrelaçamentos terão que ser desfeitos durante o processo de separação. Esses desentrelaçamentos podem ser extremamente custosos, sofridos e demorados. Em alguns setores, o casal ficará para sempre interligado. Este é o caso, por exemplo, quando existem filhos. Quando estes são pequenos e dependentes o entrelaçamento é ainda mais intenso. Neste caso, o casal manterá relações econômicas e terá que compartilhar diversos tipos de decisões  referentes aos filhos.


Estações do divórcio

Quem se separa, após um relacionamento que foi razoavelmente bem estabelecido e duradouro, ao se deparar com as tarefas de desmanche e recomposição de cada um desses ingredientes do relacionamento, ai, sim, toma ciência da quantidade de entrelaçamentos que existe entre os diversos aspectos da sua vida e da vida do ex-cônjuge.

A separação de corpos é apenas o primeiro aspecto de uma separação mais ampla e, muitas vezes, não é o mais difícil deles. Um dos manuais mais importantes e atuais sobre a família e o casamento (“Marriage and Family”2) aponta as seguintes áreas onde a separação de um matrimônio também terá que ocorrer (“Seis estações do divórcio”): (1) emocional, (2) legal, (3) econômica, (4) coparental, (5) social e (6) psíquica.

Existem estimativas de que são necessários, em média, três anos para que uma separação de um relacionamento, que foi razoavelmente estabelecido e duradouro, aconteça, de uma forma satisfatória, nestas seis áreas. Na área psíquica (voltar a ter um “eu” independente do parceiro e do relacionamento que teve com ele) o tempo necessário para uma separação pode ser de até dez anos.


Quando é mais fácil separar-se

Os casais diferem muito quanto à quantidade, intensidade e importância das áreas de suas vidas que foram integradas durante o relacionamento. Por exemplo, os casais podem ter um, mais que um ou nenhum filhos;

A separação é tanto mais difícil quanto mais áreas importantes das vidas dos cônjuges estão integradas e quanto mais intensas são essas integrações. Por exemplo, os cônjuges podem ter se especializado em áreas diferentes do relacionamento (um deles dedicou-se à tarefa de ganhar dinheiro e outro, ao estabelecimento e manutenção de relacionamentos sociais; um cuidava mais do relacionamento afetivo e sexual do casal e o outro, dos aspectos “racionais” da vida conjugal). Quando acontece uma separação, os “especialistas” terão que aprender e se encarregar daquelas áreas que eram especialidades do outro cônjuge.

Por outro lado, os cônjuges podem ter integrado muito pouco certas áreas importantes de suas vidas. Isso acontece, por exemplo, quando eles têm vidas profissionais independentes e nunca compartilham com o outro cônjuge os seus problemas e realizações na área do trabalho (“Deixam essas áreas para fora da porta, assim que chegam em casa”)

Outras separações não apresentam grandes problemas em seus estágios finais simplesmente porque já aconteceram antes, durante a vigência do casamento. Por exemplo, cada um dos cônjuges acabou desenvolvendo amizades e vidas profissionais independentes do outro quando ainda eram casados.

Nestes dois casos, a separação de fato já estava avançada quando ocorreu a separação oficial.

O relacionamento conjugal têm muitos outros ingredientes além do amor. Geralmente é muito difícil dissolver cada um deles e separar-se!

Notas

1- Levine,R.; Sato,S.; Hashimoto, T. & Verma, J. (1995). Love and Marriage in eleven cultures. Journal of Cross Cultural Psychology, 26, 254 - 271.

2- Lauer, R. H. & Lauer, J. C. (2012). Marriage and Family (Eight Edition).New York: McGrow Hill.

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Por Ailton Amélio às 10h14

09/12/2012

Expectativas ocultas que afetam o seu relacionamento: como você lida com elas?

Cena do seriado televisivo “Big Bang Theory”:

Howard e Bernadette vão morar juntos. Logo na primeira noite, quando eles estão se preparando para dormir, Howard inicia um diálogo que tem um conteúdo mais ou menos assim:

- Amanhã vamos ao dentista.

- Como? Você espera que eu o acompanhe ao dentista?

- A minha mãe vai sempre comigo. 

Outro diálogo do casal, iniciado por Howard:

- Você tem detergente antialérgico?

- Tenho. Por quê?

- Ainda bem! Use-o, então, quando for lavar as minhas cuecas.

- Você espera que eu lave as suas roupas?

- Claro! Elas não se lavam sozinhas!

 Mais algumas tiradas deste tipo por parte de Howard e Bernadette explode:

- Não vou fazer o papel da sua mãe!

- Claro que não! Jamais esperaria isso!

Howard espera que Bernadette preste vários serviços para ele, que anteriormente eram prestados pela sua mãe. Talvez, êle tenha concluído que essas eram “tarefas de mulher”. Bernadette, ao contrário, espera um relacionamento igualitário entre eles, onde ambos têm os mesmos direitos e deveres.

Howard e Bernadette, embora já namorem há algum tempo, ainda não haviam enfrentado essas situações apresentadas em seus diálogos acima. Eles não tinham consciência das suas expectativas sobre as funções que cada um esperava que o outro desempenhace nessas situações. Howard está muito enganado quanto ao que pode esperar de uma esposa moderna e precisa rever, de uma forma profunda, as suas expectativas: um estudo recente mostrou que quase a totalidade das mulheres americanas querem relacionamentos igualitários, no quais homens e mulheres têm obrigações e desempenhem papéis similares. A maioria dos homens também afirma que quer esse igualitarismo. Na prática, uma grande parte das mulheres ainda exerce mais funções domésticas do que os homens, mesmo quando elas trabalham fora e ganham tanto dinheiro quanto eles.

Essas expectativas de homens e mulheres quanto àquilo que esperam oferecer e receber em um relacionamento amoroso e as encrencas que acontecem quando elas discrepam em pontos importantes é o tema que vamos abordar neste artigo.

Expectativas e contratos que regem os relacionamentos

Qualquer relacionamento é regido por uma quantidade imensa de contratos que podem ser explícitos ou implícitos e conscientes, semi-inconscientes ou inconscientes. Cada uma das partes, ao assumir um determinado tipo de relacionamento, aceita, com graus variados de consciência, o compromisso se comportar das formas previstas no contrato que o rege e espera que a outra parte faça o mesmo.

Os contratos variam de acordo com o tipo de relacionamento. Por exemplo, seria possível montar um código de conduta sobre as “formas como desconhecidos devem se tratar em locais públicos” (regras para evitar colisões entre pedestres, normas para não perturbar o outro em publico, regras para a ocupação de lugares em um cinema semivazio, etc.), regras para lidar com colegas de trabalho (cumprimentar, reconhecer os direitos e deveres de cada cargo, mostrar-se simpático, etc.), regras para lidar com amigos (convidar para festas, informá-los antecipadamente sobre decisões importantes, socorrê-los em emergências, compartilhar sentimentos, etc.), direitos e deveres dos namorados (exclusividade sexual e romântica, contar com a companhia do namorado para os principais tipos de lazer, compartilhar informações sobre decisões importantes, etc.).

Contrato explícito de casamento

Algumas regras do casamento são explícitas, reguladas por leis e garantidas por sanções legais, nos casos de descumprimento. Elas regulam, por exemplo, direitos e deveres econômicos de cada cônjuge, direitos e obrigações com os filhos, motivos legais para a dissolução do matrimônio.

Existem diferentes opções de contrato nesta área: casamento com comunhão parcial de bens, com comunhão total de bens, pactos antenupciais (os cônjuges estipulam cláusulas que não inflijam outras leis e que não estavam incluídas nas outras fórmulas de casamento).

Direitos e deveres dos cônjuges regidos pelos “usos e costumes”

Uma quantidade muito grande de direitos e deveres dos cônjuges não está escrita em nenhum lugar e é regida pelos usos e costumes da cultura que eles pertencem (“direito consuetudinário”). Alguns desses usos e constumes podem ser facilmente citados e outros, só ficam conscientes quando são infringidos.

Estas regras tanto podem ser usadas pelo sistema legal para tomar decisões (um juiz pode levar em conta esse tipo de norma), mas são usadas, principalmente, pelos membros da cultura para regular os comportamentos de seus membros através da aplicação de recompensas e punições para aqueles que cumprem ou descumprem tais normas. Por exemplo, dependendo das ações e atitudes de uma pessoa quanto ao sexo extraconjugal, ela pode ser classificada como “desleal”, “sem vergonha”, “galinha” e ser rejeitada como amiga íntima pelas pessoas do seu circulo de relacionamento. Essa sua forma de agir também pode ter consequências em outras áreas porque muitas pessoas creem que aquilo que alguém faz com seu cônjuge, ele também tenderá a fazer em outras áreas (“Ele não presta”).

Como a cultura é diversificada: existem muitas normas diferentes, até contraditórias, que são adotas pelos seus subgrupos ou, em certos casos, de acordo com as conveniências dos maus intencionados. Essas diferenças podem dar margem a desentendimentos, quando um cônjuge lastreia as suas expectativas em normas diferentes daquelas adotadas pelo outro cônjuge.

Direitos e deveres eletivos regidos por acordos particulares entre os cônjuges

Muitas regras que regem um relacionamento são criadas apenas com base nas preferencias pessoais dos cônjuges e nas negociações que aconteceram entre eles. Ou seja, essas regras não foram baseadas nem no sistema legal, nem os usos e costumes da cultura ou das subculturas dos cônjuges. Neste caso, a qualidade do relacionamento, as características de personalidade e a historia de vida pessoal do casal é que determinam as expectativas de cada cônjuge, as atitudes que vão adotar face aos desacordos e forma como vão negociar suas divergências.

Muitas dessas normas e expectativas não são suficientemente conhecidas pelos parceiros antes de assumirem os compromissos conjugais e eles só ficam conscientes que elas existem quando há divergência ou surge um fato novo aos quais elas se aplicam pela primeira vez, como é o caso do nascimento do primeiro filho.

Como diminuir as surpresas

Para evitar surpresas como aquelas deparadas por Howard e Bernadette, logo no primeiro dia que foram morar juntos, ajuda:

Iniciar relacionamentos com pessoas já conhecidas ou que formam apresentadas. Cerca de 70% dos namoros começam entre conhecidos ou entre pessoas que foram apresentadas por conhecidos em comum. Quando antes de iniciar um relacionamento amoroso você já conhece  o possível parceiro amoroso ou conhece outras pessoas do meio que ele vive, você tem acesso a mais informações sobre ele.

Namorar por um tempo razoável. Existem evidências de que os compromissos que foram precedidos por um tempo muito curto ou muito longo de namoro têm menos chance de dar certo. O namoro ajuda a conhecer uma parte dessas peculiaridades do parceiro. Ajuda só em parte porque nunca conhecemos bastante o parceiro, por mais que convivamos com ele. Existem estimativas de que casados há mais de vinte anos só conhecem cerca de 50% um do  outro.

Conhecer o parceiro em diversas situações. Aqueles namorados que só se encontram de vez em quando e apenas em situações de lazer, conhecem menos seus parceiros do que aqueles que convivem entre si em uma grande diversidade de situações.

Conversar e negociar sobre situações previstas que só aparecerão no futuro. Conversar sobre este tipo de situações ajuda a decidir se o parceiro é compatível e se é possível negociar com ele os pontos mais sérios quando há divergências. Este tipo de conversa é necessária em pontos importantes cujas ocorrências são previstas em qualquer relacionamento duradouro, tais como:

- Cuidar da casa

- Administração do dinheiro: política de ganhos, poupança e gastos

- Filhos: opção por  tê-los, quantos seriam e divisão do trabalho para cuidar deles

- Liberdades individuais: quanto e como cada membro do casal espera compartilhar áreas da vida com o outro e os graus de liberdade que esperam ter.

Quando há divergência de expectativas

Quando há divergência quanto à forma de lidar com situações novas, cada membro do casal tenta a justificar as suas expectativas citando normas legais e usos e costumes que o apoiem. Também é muito comum alegarem: "Quando você me conheceu eu já era assim".

Uma atitude imprescindível que deve ser adotada quando há divergências é partir do pressuposto que ela está acontecendo devido a expectativas inconscientes e divergentes de ambas as partes e não porque o parceiro é injusto, mal intencionado e aproveitador.

Como é impossível e indesejável prever tudo antes de assumir um compromisso que tenha implicações muito sérias, é imprescindível verificar se o parceiro é um negociador assertivo, construtivo, leal, generoso e que vai colocar a sobrevivência e a qualidade do relacionamento acima de divergências episódicas. Essas qualidades pessoais são imprescindíveis para que um relacionamento dê certo. Por mais que escolhamos o parceiro, por melhor que conheçamos as suas expectativas, por mais que prevejamos e negociemos aquelas situações que provavelmente ocorrerão durante um relacionamento duradouro, é inevitável que, a todo o momento, surjam situações novas e o casal deve ser capaz de negociá-las de tal forma que ambos fiquem satisfeitos e o relacionamento saia fortalecido.

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Por Ailton Amélio às 09h17

02/12/2012

O melhor lugar é aquele onde você não está?

Poucas pessoas se permitem aproveitar os prazeres da vida. As nossas comemorações duram pouco. Logo os nossos pensamentos se voltam para as dificuldades e batalhas que devemos enfrentar. Sempre estamos olhando para aquilo que temos que resolver ou que nos falta!

Geralmente possuímos uma espécie de lista de tarefas que devemos realizar e assim que uma delas é completada, a seguinte logo ocupa a posição da anterior e toma os nossos pensamentos e a nossa consciência. Vivemos como se pensássemos da seguinte forma: “Assim que eu me formar..."; "Quando eu me aposentar..."; "Se eu conseguir aquele emprego..."[etc.] "Ai, sim, vou aproveitar a vida.”

Vamos analisar aqui os principais mecanismos que ajudam a explicar porque a grande maioria das pessoas só pensa em problemas e desenvolve uma necessidade insaciável pela aquisição de bens materiais, para aumentar o próprio poder e para adquirir prestígio.


Você tem espaço para usufruir os bons acontecimentos da sua vida?

Para aumentar a sua consciência das doses de satisfação e insatisfação que você se permite no dia a dia, responda as questões abaixo.

Você é o tipo que:

- Quase nunca está satisfeito?

- Valoriza muito pouco aquilo que já conseguiu? Por exemplo, assim que conquista o amor de uma pessoa, você logo perde o interesse por ela? Assim que compra aquele produto que desejava há muito tempo, a sua satisfação dura pouco e logo aparece aquela fissura por um novo produto?

- Você vê o copo que está preenchido até o meio como sendo meio vazio e não como meio cheio?

- Não sabe aproveitar a vida?

- Embora tenha posses ou estabilidade no emprego, você ainda se sente inseguro com o seu futuro econômico? (Sempre dá para imaginar como aquilo que você possui poderia ser perdido ou não seria suficiente para sentir-se seguro!).

- Você está sempre se sentindo culpado quando não está trabalhando?

- Você vive para trabalhar, ao invés de trabalhar para viver?

- Você tem dó de gastar dinheiro com algo que lhe trará muita satisfação, mesmo quando este gasto está dentro das suas posses e não vai lhe fazer falta? (Para usufruir das conquistas econômicas não basta ter dinheiro. Tem que saber gastá-lo).

- Você está sempre pondo em dúvida e questionando os seus méritos, motivos e pensamentos?

- Você acredita que existe um conjunto de princípios e leis sociais e psicológicas que possam invalidar a sua forma de ser, pensar e sentir?


Inimigos da satisfação com a vida

Alguns dos principais inimigos da incapacidade para usufruir aquilo que a vida oferece de bom são os seguintes:

Inveja como filosofia de vida (“A grama do vizinho é mais verde”). A inveja sistemática anula o valor daquilo que você já tem. Ela abre as portas para a sensação de inferioridade e incompletude sem fim, porque sempre alguém vai ter algo que você não tem.

Efeito novidade ou efeito Coolidge: o novo é sempre melhor que o atual. Por exemplo, em igualdade de condições, um novo parceiro amoroso é sempre mais atraente que o atual.

Avareza: valorização extrema de bens materiais – a posse desses bens é mais importante que qualquer satisfação que poderia ser adquirida através da diminuição deles.

Consumismo: a satisfação passageira produzida pela aquisição compulsiva de novos produtos. Esta satisfação é sempre fugidia porque os publicitários descobriram como estar sempre lançando inovações, quase sempre irrelevantes, mas que fazem que aquilo que você acabou de comprar logo pareça ultrapassado e arcaico!

Endeusamento de critérios invalidantes. Crença injustificada que a opinião alheia, os sistemas de crenças sociais ou a ciência possam invalidar a sua forma de ser, pensar e agir.


Hierarquia de necessidades

Esta substituição continuada de uma preocupação por outra pode ser explicada pela teoria da hierarquia de necessidades, de Abraham Maslow. Segundo este teórico, todos nós possuímos quatro níveis de necessidade cujas satisfações têm diferentes graus de prioridade:

- Necessidades fisiológicas (básicas). Por exemplo, a fome, a sede e o sexo.

- Necessidades de segurança. Por exemplo, segurança contra perigos, segurança econômica, segurança de saúde.  

- Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos. Por exemplo, a necessidade de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube.

- Necessidades de estima. Temos a necessidade do autorreconhecimento (autoestima) e do reconhecimento por parte de outras pessoas dos nossos méritos.

- Necessidades de autorrealização: necessidade de realizar o nosso potencial, de nos tornarmos aquilo de melhor que podemos ser.

Essas necessidades devem ser atendidas nesta mesma ordem que foram apresentadas no parágrafo acima. Por exemplo, quando estamos dor e, ao mesmo tempo, a nossa autoestima está baixa, aliviar a dor tem prioridade sobre recuperar a autoestima. Esta prioridade se manifesta pela presença dos assuntos que estão presentes em nossos pensamentos: quando estamos com dor só pensamos nela e em coisas relacionadas com ela e ficamos menos sensíveis para outras coisas que não prioritárias naquele momento, como a baixa na autoestima. 

Quando a dor passa, os mecanismos relacionados a satisfação da autoestima podem ficar presentes com a mesma força daqueles que antes foram acionados pela dor! Outro exemplo: algumas pessoas ficam tão estressadas no trânsito, porque podem perder dez minutos, quanto o ficariam antes de serem submetidas a uma operação! Ou seja, esses mecanismos podem disparar com a mesma força, independentemente do nível da necessidade não satisfeita que está presente em um dado momento!

A presença desta hierarquia ajuda entender porque assim que atendemos a uma necessidade logo surge outra e dedicamos pouco tempo para comemorações e para usufruir a vida.


Espécie resolvedora de problemas?

Durante boa parte do tempo da evolução da nossa espécie, mantermo-nos vivo não era muito fácil. A vida era cheia de perigos, éramos nômades e não havíamos inventado a agricultura e o aprovisionamento de mantimentos. Por estas razões, o tempo todo, tínhamos que ficar atentos para a presença de alimentos, abrigos e inimigos.

Por isso, talvez, a nossa espécie aprendeu que mais importante que comemorar conquistas era resolver problemas. Cada uma dessas questões diz respeito a um tipo de obstáculo que pode estar impedindo você de aproveitar as coisas boas da sua vida.

Essa insatisfação permanente que sentimos está relacionada com aquilo que os existencialistas chamavam de "angustia de viver" e é, provavelmente, uma das responsáveis pelo progresso material da humanidade. (Os nossos mecanismos psicológicos evoluíram muito menos). Cada coisa que aprendemos ou dominamos nos satisfaz por pouco tempo. Logo aparecem outras necessidades e elas se tornaram tão valorizadas quanto às anteriores. Em certos meios, essa insaciabilidade se tornou valorizada. Por exemplo, no meio científico é muito bem visto quando um pesquisador diz: “Responder essa questão, gerou outras questões.” ou “Essa pesquisa trouxe mais perguntas do que respostas.”.

A boa notícia é que a natureza teve que criar outro mecanismo para aumentar a frequência daqueles comportamentos que tinham bons resultados: a lei do reforço - repetimos aqueles comportamentos que têm boas consequências ou que são eficazes para cessar ou evitar más consequências. Aquelas consequências que aumentam as frequências dos comportamentos que as precederam geralmente são agradáveis. Certas pessoas têm muitos comportamentos que são mantidos por comportamentos agradáveis. Outras, ainda, se permitem usufruir de acontecimentos agradáveis mesmo quando eles não foram produzidos por seus comportamentos.

Infelizmente, a ética protestante, que influenciou profundamente as atitudes dos ocidentais frente ao trabalho e lazer, valoriza mais o usufruto do trabalho árduo do que o lazer ou as benesses que não custaram nada. Aqueles que usufruem a vida sem ter que pagar com o suor de seus rostos geralmente são mal vistos e rotulados negativamente: vagabundos, folgados, bons vivants, playboys, etc.

Embora este mecanismo tenha sido crucial para nossa sobrevivência e ajude a explicar o imenso desenvolvimento tecnológico que conquistamos, ele pode tirar o prazer de viver e introduz o risco de que tenhamos nos tornados apenas um organismo especializado em resolver problemas e pouco apto para sentir os prazeres que a vida pode nos proporcionar.


O que importa mais: nossa origem e destino ou apreciar a viagem?

Duas das principais perguntas cujas respostas são buscadas pelos filósofos são as seguintes: “De onde viemos?" e "Para onde vamos?” Um humorista e bom filósofo, por sinal, contestou a importância destas questões. Segundo ele, o mais importante não é saber de onde viemos ou para onde vamos, mas, sim, ter um lugar na janelinha durante essa viagem.

Algumas pessoas mal tomam conhecimento dos prazeres simples da vida. Elas são obcecadas por metas distantes. Elas só querem chegar a algum lugar e nunca conseguem apreciar  a viagem para este destino.

Não é necessário acumular bens, poder e prestígio para começar aproveitar a vida. A todo o momento, sempre existem oportunidades para usufruir os acontecimentos: uma conversa agradável, um alimento saboroso, uma paisagem maravilhosa ou algo curioso. 

Para você, o melhor lugar geralmente é diferente daquele onde você está? Caso você tenha respondido "sim", procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h41

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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