Blog do Ailton Amélio

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26/01/2014

Você ama, mas pensa que o seu amor é inviável?

Um dos maiores tipos de sofrimento na área amorosa acontece quando o casal se ama e tem muita química entre si, mas o relacionamento entre eles é inviabilizado por algum motivo externo como, por exemplo, um quer filhos e o outro, não, ou um é praticante de uma religião e o outro, de outra.

Nestes casos, muitas vezes, um dos envolvidos inventa um pretexto para terminar o relacionamento. Por exemplo, aproveita uma briga, aumenta a sua gravidade e termina. A outra parte fica estarrecida com o tamanho do absurdo do motivo que levou ao término! Este é um último favor que aquele que terminou presta à outra pessoa: o absurdo e a arbitrariedade das circunstâncias que levaram término dão força para aquele que foi deixado esquecer quem tomou a iniciativa de terminar!

 

Estilos de amor e química amorosa

Uma parte das pessoas é capaz de sentir uma forte “química amorosa” por parceiros que preenchem certos requisitos. A teoria “Estilos de Amor”, do sociólogo canadense John Alan Lee (veja, neste blog, o artigo que escrevi sobre essa teoria), ajuda a classificar as pessoas que são capazes de experimentar uma química muito forte por outras pessoas e aquelas que não são capazes disso.

Aquelas pessoas que têm um estilo Eros de amar, por exemplo, podem sentir muito fascínio e até mesmo se apaixonarem à primeira vista por pessoas que lhes causem um impacto imediato.

Aqueles que têm um estilo Mania também podem sentir muita atração romântica e sexual por pessoas que lhes despertem esperanças de reciprocidade e algum grau de insegurança, simultaneamente.

As pessoas que têm outros estilos de amor geralmente não sentem tão fortemente essa “química” por seus parceiros. Por exemplo, a base do amor dos estórgicos é a amizade, a dos pragmáticos são compatibilidades e o preenchimento de várias expectativas em setores práticos da vida (educação, consideração, valor social, capacidade econômica) e os agápicos amam aqueles que precisam de suas ajudas e dedicação. Aqueles que têm esses estilos de amor se ligam aos parceiros devido a fatores diferentes da "química amorosa".


Química animal

Essa química, creio eu, poderia ser chamada de “química animal”, porque ela é fortemente influenciada pelos atributos de “macho” e de “fêmea” dos parceiros.

Essa química tem pelo menos dois ingredientes: o romântico e o sexual, embora, muitas vezes, apenas um deles esteja presente (apaixonar, mas sentir pouca atração sexual ou sentir atração sexual, mas pouco amor romântico).

Essa química não é totalmente insensível a certos fatores “práticos” como escolaridade, nível econômico e idade. Caso não fosse sensível a esses fatores, ela aconteceria, frequentemente, entre pessoas de diferentes níveis sociais, culturais e econômicos. Infelizmente, quando ela acontece entre pessoas dispares nestes setores, ela é mais de natureza sexual do que romântica.


Quando há um desencontro entre química e razão

Muitas vezes, essa química acontece, mas existem impedimentos muito fortes para que o casal fique ou permaneça junto (um ou ambos são casados, os dois têm empregos muito valiosos em locais muito distantes, um ou ambos deles têm um gênio muito difícil, o que impede o convívio entre eles – “Se amam e se odeiam”, etc.).

Essa química não é sensível a argumentos racionais. Não adianta muito o  apaixonado ou um amigo enumerar os inconvenientes e consequências de ficar com a outra pessoa. Os efeitos dessa enumeração e outros argumentos têm efeitos superficiais e pouco duradouros.

Assim que o casal se afasta, os efeitos da química ficam mais fortes e os efeitos da incompatibilidade ficam mais fracos. Assim que o casal volta, as incompatibilidades voltam a ficarem mais fortes. Nova separação...


Quando a razão é favorável, mas não há química

Essa química também não pode ser criada quando existem motivos racionais favoráveis para uma pessoa gostar da outra: muitas vezes reconhecemos que uma pessoa tem inúmeras qualidades que gostamos em um parceiro amoroso, mas não conseguimos nos apaixonar por ela, nem sentir muita atração sexual por ela.

Um estudo internacional, realizado em doze países, inclusive no Brasil, perguntou para os participantes se eles se casariam com uma pessoa que tivesse todas as qualidades que desejam em um parceiro amoroso, mas que, apesar disso, não o amassem. Nos países culturalistas (aqueles onde o interesse do grupo tem mais valor do que o interesse dos indivíduos) a maioria disse que sim ou que ficaria em dúvida. Nos países individualistas (aqueles onde o interesse do indivíduo é mais valorizado do que o interesse do grupo como, no Brasil e outros países ocidentais) a grande maioria disse que não se casaria com essa pessoa, apesar das suas qualidades.

Você ama, mas você pensa que o seu amor é inviável? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h24

22/01/2014

Conversa-contato: você sabe iniciar conversas?

“Está quente hoje, não é? Parece que vai chover”.

A conversa contato é aquela conversa leve que geralmente ocorre no início dos encontros ou quando falta assunto, mas as pessoas não querem encerrar a conversa.


Na conversa contato, a comunicação implícita é mais importante do que aquilo que é dito

Muita gente me pergunta o que deve dizer durante os primeiros momentos de uma conversa. Ao apresentar esta pergunta, tais pessoas estão revelando, sem perceber, a crença de que aquilo que é dito é a causa mais importante do sucesso desta fase da conversa. Essa crença não é correta. Nos primeiros momentos das conversas, dentro de certos limites, importa mais as manifestações de satisfação pelo encontro, o fornecimento e a coleta de informações sobre disponibilidade e disposição mútua para conversar e as negociações sobre os assuntos que podem ser tratados. É através da comunicação não verbal que é passada a maioria dessas informações.


Usos da conversa contato para oferecer pistas, descobrir, ativar e provocar assuntos motivadores para a conversa propriamente dita

            Quando as pessoas não sabem de antemão se o outro está disponível e disposto para conversar e sobre o que poderiam conversar, elas começam a conversa através da conversa contato porque este tipo de conversa  tem um baixo nível de risco e envolvimento. Durante essa conversa, cada um dos interlocutores pode fornecer pistas sobre suas motivações para conversar sobre temas que estão ativados para si e observar esses mesmos tipos de pistas que são fornecidas pelos outros interlocutores.

Este processo de observação e fornecimento de pistas consiste em:

- Conversar sobre as circunstâncias presentes e entorno (físico e temporal).

- Atentar para pistas que indicam se a outra parte quer conversar

- Atentar para as pistas que indicam os temas que a outra pessoa gostaria de conversar.

- Prestar atenção na comunicação não verbal a aparência do outro e comentar o que observou (“Você está elegante hoje!” e “Você está alegre hoje!”)

No início dos encontros, é usual que as pessoas sondem seu interlocutores para ver como eles estão se sentindo, se estão dispostos a conversar, como estão os estados de espírito, se há espaço para revelarem coisas profundas de si, se uma das partes tem algo mais grave e urgente para apresentar, para atualizar assuntos em andamento (fórmula geral de pergunta: “O que aconteceu com aquilo que estava em andamento com você?”). A conversa contato também é uma medida de polidez. Trata-se de um espaço para sondar o terreno mesmo quando existem assuntos agendados ou uma das pessoas vai propor um tema.


A conversa contato pode ajudar a evitar a adoção de temas poucos motivadores

Não é conveniente embarcar em um tema até sentir que os participantes do diálogo encontraram um tema de interesse mútuo. Aqueles muito ansiosos para encontrar um tema correm o risco de conversarem sobre temas desinteressantes. Por exemplo, uma pessoa procura desesperadamente um tema para desenvolver uma conversa envolvente com o interlocutor. Ela arranja um tema que nenhum dos dois tem motivação para falar. Uma maneira de evitar isso é não mostrar interesse demasiado (não mostrar fortes reações ao tema: alegria, envolvimento, etc.) e nem manifestar muito interesse pelos temas que vão sendo apresentados no começo da conversa. Mostrar reações fortes a esses temas pode eleger um deles, ou um detalhe do que foi dito, como assunto. O outro interlocutor, neste caso, pode adotar o tema só para satisfazer aquele que mostrou entusiasmo por ele.

Durante a conversa contato, as pessoas tentam encontrar algum assunto motivador e seguro para ambas as partes. Isso pode fazer que os interlocutores passem por uma série de temas até que achem algum tema que com essas características. É melhor ter paciência, tolerância para a frustração e compreender que em certos momentos uma ou ambas as pessoas podem não estar em condições de conversar (sono, transtornada com algo que não quer/pode revelar, desmotivada)e, se for este o caso, desistir de conversar naquele momento. Embora uma conversa interessante possa ajudar a reverter este quadro, muitas vezes o estado de espírito de uma pessoa em um dado momento está além do alcance da eficácia da conversa para revertê-lo.

Conversar forçado cria uma espécie de "ácido láctico da conversa": ela fica aborrecida, desconfortável e  aversivo. Quando isso acontece frequentemente, uma pessoa pode passar a evitar a outra.

É por isso que muitas fórmulas de cumprimento inicial tentam verificar se há algum assunto importante presente para os interlocutores antes de iniciar as conversas propriamente ditas. Por exemplo, são apresentadas perguntas do tipo: “Como vai?”, “Tudo bem com você?” que são fórmulas de cumprimento, mas revelam o interesse em verificar a presença de temas importantes.


Variações das conversas-contato

A conversa contato não acontece em todos os encontros. Em várias circunstâncias, as pessoas passam direto do ritual do cumprimento para o tratamento de temas importantes. A conversa contato geralmente ocorre quando as pessoas são ou estão formais, não se conhecem bem, passaram certo tempo sem se ver ou ficaram sem assunto e o silêncio incomoda.

A conversa contato pode breve ou demorada (os tímidos, por exemplo, prolongam este tipo de conversa e no meio da conversa propriamente dita voltam a ela quando falta assunto. Pessoas que estão começando a se conhecer também tendem a prolongar este tipo de conversa). 

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Por Ailton Amélio às 09h36

19/01/2014

Voce ama e se importa com o seu parceiro amoroso?

Depois de atender muitos casais e consultar a literatura especializada em casamentos, cheguei a conclusão que certos fatores são muito importantes para manter a satisfação dos cônjuges, evitar que o casamento se desvitalize  e para diminuir as chances que eles venham a se envolver amorosamente por outras pessoas fora do casamento.

Para você fazer uma ideia de quais são esses fatores e como você está se saindo em cada um deles responda as seguintes perguntas:

1- Você sabe o que ele está fazendo e atualiza frequentemente essas informações?

2- Você sente e mostra o que está sentindo por ele? Por exemplo, mostra amizade, romance e desejo sexual por ele?

3- Quando ele deixa uma mensagem para você no Face Book, ou liga e você não pode atender, logo que possível, você responde a mensagem ou retorna a ligação?

4- Ele é a sua prioridade: outras coisas poderão ficar de lado quando algo realmente importa para ele?

5- Você admira o seu parceiro?

6- Você aceita o seu parceiro como ele é e só tenta negociar com ele coisas mais práticas da vida?

7- Você tem tempo para ele: para conversar, para namorar, para fazer os programas que ele gosta?

8- Você recebe bem as suas iniciativas amistosas, amorosas e sexuais: você sente prazer quando ele toma essas iniciativas e geralmente as acolhe?

9- Você também toma iniciativas amistosas, românticas e sexuais com ele: é gentil com ele, toma a iniciativa de abraçá-lo, de beijá-lo e inicia sexo?

10- Você arranja tempo para ficar só com ele e fazerem programas juntos?

11- Você se abre com ele: ele sabe o que você pensa e sente e coisas importantes que acontecem com você (ou você edita bastante as notícias sobre o que está acontecendo para "poupá-lo" ou para "não causar encrenca"?)

O seu parceiro também responderia "SIM" a quase todas essas perguntas?

Caso você e o seu parceiro tenham respondido "Não" a várias delas, cuidado: o seu relacionamento está desvitalizado e em perigo. Não se surpreenda se um dos dois, ou ambos, começar a falar em separação ou se interessar por outras pessoas.

Ou, talvez, vocês estejam mantendo o relacionamento devido a outras conveniências e não porque o parceiro está ou é atraente.

Por Ailton Amélio às 08h05

15/01/2014

Você é premeditado ou espontâneo nas suas atuações sociais?

Você geralmente é “premeditado” ou "espontâneo" quando enfrenta situações sociais difíceis, ou age seletivamente: nos momentos apropriados é premeditado ou espontâneo? Por exemplo, quando vai pedir um aumento ou reclamar com um amigo sobre os seus abusos, isso só acontece quando você se prepara e ensaia o que vai dizer ou faz isso espontaneamente?

As pessoas espontâneas não precisam de um intervalo para analisar a situação e responder a ela. Percebem o que está acontecendo e agem quase que instantaneamente.

As pessoas premeditadas não agem imediatamente diante dos desafios. No entanto, conheço muitas delas que, depois que analisam a situação e tomam suas decisões sobre como enfrentá-las, agem com eficiência e coragem. No entanto, elas raramente tomam decisões e agem rapidamente em situações sociais mais intimidantes ou complexas.


Efeitos da preparação para a ação

Preparar um plano de ação

A análise da situação, a visualização das maneiras como vai lidar com ela, o exame das consequências de cada uma dessas maneiras de agir e a decisão sobre a forma de se comportar que será adotada nas próximas ocasiões torna claro o que fazer quando se deparar com ela.

Assumir o compromisso de agir

Assumir antecipadamente o compromisso de agir da forma planejada e “carregar um programa” desinibidor e motivacional fornecem energia para agir na hora prevista.

O compromisso pode ser assumido privada ou publicamente. Geralmente os compromissos assumidos publicamente são mais motivadores da ação: além da pessoa se decepcionar por não agir da forma assumida, ela ainda vai decepcionar outras pessoas. Por exemplo, dizer para os amigos “De amanhã não passa: vou pedir um aumento para meu chefe”.

“Carregar um programa” desinibidor e motivacional

Antes de enfrentar uma situação social difícil, você "roda um programa" para se preparar psicologicamente? Por exemplo, antes de apresentar a exposição de um trabalho para um grupo, você fica pensando que conhece o assunto, que o grupo é amistoso, que você não precisa fazer sucesso, etc.? Esses pensamentos ajudam você a ficar mais confiante, menos preocupado e mais dono de si e da situação?

O “carregamento” do programa desinibidor e motivacional pode ser feito antecipadamente ou logo antes do momento da agir. Geralmente é bom fazer nos dois momentos. Por exemplo, na sessão de terapia a pessoa enumera os argumentos que minimizam os riscos de agir da forma planejada e maximizam os riscos de não agir assim. Ela também pode fazer um ensaio sobre como vai agir. Neste caso, o terapeuta pode fazer o papel do interlocutor ou da plateia onde a pessoa vai agir.

Pouco antes de entrar na situação onde deverá agir, essa pessoa recorda desses argumentos. É importante pensar logo antes da situação onde vai agir.

Outras medidas também podem ser tomadas para aumentar a autoconfiança. Por exemplo, assumir uma postura corporal de alguém autoconfiante por três minutos (queixo erguido, peito para frente, mãos na cintura, etc.), chegar antes das outras pessoas no local (aumenta a sensação de posse do território para si e para os outros que chegam depois), comportar-se como se fosse o dono do local e o anfitrião (caminhar vigorosamente pelo local, abrir a janela, testar as luzes, cumprimentar firmemente os funcionários que cuidam do local, etc.).


Vantagens e desvantagens da forma premeditada e da forma espontânea de agir

As pessoas que agem espontaneamente, aquelas que resolvem na hora aquilo que vai acontecendo e que não precisam ficar pensando na forma de agir, geralmente são mais admiradas do que aquelas que deixam hesitam diante dos desafios, não os enfrentam prontamente e pedem tempo para pensar.

No entanto, algumas pessoas que agem na hora também são chamadas de impulsivas, emocionais e, muitas vezes, tomam decisões e agem sem analisar direito certas situações complexas ou muito delicadas e, por isso, acabam fazendo bobagem.

O modo de agir premeditado é controlado por regras. Quem adota esse estilo se deixa guiar menos pela situação presente em andamento e pelos seus próprios sentimentos e percepções. Por isso, essas pessoas estão menos conectadas com os seus próprios sentimentos, com o interlocutor e o que está acontecendo no momento. São pessoas menos flexíveis.

Certas situações necessitam ser analisadas mais cuidadosamente porque não são facilmente compreensíveis imediatamente. Isso acontece quando a situação é complexa, quando a forma de agir mais indicada ou mais eficiente não é muito clara, quando as decisões podem provocar graves consequências ou quando há sinais que o interlocutor é manipulador e preparou tudo para levar vantagem. Por exemplo, certos comerciantes preparam argumentos para dar um ar de urgência às decisões e acenam com grandes vantagens para que a vítima feche o negócio e grandes desvantagens caso ela não o feche imediatamente (por exemplo, alegam que tem outro comprador à espera do produto e que ele é o último do estoque). É assim que muita gente compra “bilhetes premiados de loteria por uma bagatela” ou entra em grandes negócios urgentes para ganhar rapidamente muito dinheiro.

Separar a tomada de conhecimento da proposta da decisão.

Essa é uma medida recomendada por muitos manuais de negociação para evitar decisões precipitadas, que são tomadas sob o calor das emoções ou diante das manipulações de um parceiro espertalhão.

Ao receber uma proposta para fechar um negócio, ouvir muito bem os argumentos do proponente, fazer as perguntas esclarecedoras e finalizar a reunião com afirmações do tipo: “Interessante a sua proposta. Vou consultar o travesseiro / minha mulher / meu advogado e depois digo a você o que decidi.

Você sabe dosar e empregar nos momentos certos as formas premeditada e espontânea de agir?

Por Ailton Amélio às 08h15

11/01/2014

Agenda oculta: você arranja pretexto para brigar?

Os motivos ocultos de Pedro para brigar com Ofélia

A briga estava acirrada. As batalhas se sucediam em vários temas. Cada afirmação dava margem a uma contestação, a uma interpretação negativa, a uma generalização indevida e a uma ofensa renovada.

Essa briga por tudo e por nada dava a sensação que os motivos pontuais de cada desentendimento (discórdias momentâneas) não eram suficientes para explicar a animosidade de Pedro.

De fato, Pedro queria mesmo é se vingar de Ofélia. Ela andava fria com ele e, por isso, ele estava se sentindo rejeitado e magoado.

No entanto, ele jamais iria admitir que esse era o verdadeiro motivo da sua raiva. Toda aquela “pegação de pé” não fazia sentido. O verdadeiro motivo da briga estava oculto. Não era nem um pouco lisonjeiro para ele reconhecer que, simplesmente, adorava atenção de Ofélia e estava se sentindo muito ameaçado com o seu distanciamento.

Muitas vezes nós “caçamos” uma briga para atingir um determinado objetivo inconfessável. Por exemplo, um chefe pode criar uma desavença com um subordinado para criar uma justificativa para despedi-lo por desacato ou má vontade. Na realidade, há muito o chefe já queria despedir esse subordinado e só estava esperando a oportunidade para fazê-lo. Como a oportunidade estava demorando, ele resolveu criá-la.

Essa resolução de problemas por tabela é muito mais comum do que imaginamos. Frequentemente procuramos motivos mais aceitáveis para apresentar para as pessoas a respeito de uma série de atitudes e comportamentos que queremos adotar. Apresentar uma boa justificativa para nossas ações é muito importante para que as outras pessoas continuem a nos aceitar e a apoiar. É importante também para que nos aceitemos.

Também somos peritos em arranjar pretextos para conseguir o que queremos de uma pessoa sem revelar os nossos verdadeiros objetivos (bajulação, fazer-se de coitado, criar pretextos para manter o outro nas proximidades, etc.).

Brigas cujos principais motivos estão ocultos não tratam das verdadeiras causas dos desentendimentos entre as pessoas. Só são úteis quando quem briga não quer mais se relacionar com quem está brigando e apenas está procurando terminar o relacionamento e ver-se livre da outra pessoa ou quer se livrar de qualquer jeito de algum incômodo, sem ir às raízes do verdadeiro problema.

 

Equifinalidade: quando todos os caminhos levam a Roma

Começamos a achar que o brigão tem uma agenda oculta quando tudo o que fazemos ou deixamos de fazer desperta a sua fúria. Começamos a achar, então, que ele quer mesmo é brigar. Ele vai achar um pretexto para a briga de qualquer forma.

Outra pista de há uma agenda oculta é a reação desproporcional ao fato. Quando uma pessoa age pesado demais por muito pouca coisa, isso significa que ela têm motivos ocultos para estar agindo daquela forma, como, por exemplo, mágoas acumuladas da pessoa com quem ela está brigando.

Conheci uma pessoa que teve muitos relacionamentos amorosos. A tática que geralmente ela usava para termina-los era esperar que namorada da vez fizesse algo que ele não gostasse. Ai, então, ele armava o maior fuzuê e segurava a situação em um clima negativo até o término do relacionamento. Essa pessoa não tinha coragem para chegar na outra e, simplesmente, dizer que não queria mais namorar com ela.

Agir guiado por uma agenda oculta tem o mérito de levar em conta tudo que aconteceu no passado. São as dívidas acumuladas que o dono da agência vai tentar saldar por ocasião de um pequeno episódio.

Agir guiado por uma agenda oculta tem o demérito de usar um pretexto para justificar a ação. A pessoa que foi vítima do dono da agenda oculta não entende nada. Quem usa um pretexto menor como justificativa fica com a fama de ser imaturo, maluco e temperamental: alguém que pratica uma ação grave por muito pouco e de forma imprevisível.

Fique atento e perceba quando você ou o seu interlocutor estão sendo guiados por uma agenda oculta. 

Por Ailton Amélio às 08h01

07/01/2014

Você sabe flertar e identificar quando alguém está flertando com você no Facebook?

A internet pode ser um ótimo lugar para iniciar relacionamentos amorosos. Alguns estudos mostraram que um dos principais caminhos para iniciar relacionamentos amorosos duradouros é transformar relacionamentos não românticos (amizade, coleguismo, profissional) em relacionamento amoroso (os outros dois caminhos importantes são “apresentação por um conhecido em comum” e “flerte com um desconhecido”).

Um lugar virtual onde interagimos com muita gente é o Facebook. Esse lugar também é propício, portanto, para iniciar relacionamentos amorosos.

No Facebook, no entanto, muita gente não sabe como mostrar interesse amoroso e nem sabe ler direito os sinais que indicam que outras pessoas estão mostrando interesse por elas.


Sinais de interesse amoroso mostrados no Facebook

Alguns dos principais sinais de interesse amistoso e amoroso que podem ser mostrados no Facebook são os seguintes:

- Pedir para adicionar como amigo.

- Aceitar prontamente o pedido de amizade e retornar com uma mensagem calorosa.

- Apresentar curtidas frequentes para quase tudo o que o “amigo” posta.

- Comentar aprovativamente quase tudo que o “amigo” posta. 

- Rir muito de qualquer coisa engraçada que o "amigo" poste.

- "Cutucar". Este sinal geralmente é um indicativo mais claro de interesse amoroso do que simplesmente curtir ou comentar positivamente.

- Frequentemente iniciar contato com o “amigo”.

- Tentar levar a conversa para o inbox, email e vídeo.

- Quando uma conversa é iniciada, responder a tudo que o “amigo” pergunta ou comenta.

- Apresentar respostas longas e detalhadas para o que o “amigo” afirma ou pergunta.

- Quando o "amigo" pergunta algo, além de responder o que foi perguntado, acrescer mais alguma informação ("informação gratuita")

- Propor novos assuntos.

- Tentar de tornar a conversa cada vez mais pessoal e mais íntima

- Responder rapidamente as mensagens. Este é um sinal de consideração e motivação para se relacionar com o amigo. Significa que responder para o amigo é uma prioridade. Significa também que não está conversando simultaneamente com outras pessoas.

- Tentar achar interesses em comum com o “amigo” (“Ah, você também gosta deste tipo de música!”).

- Falar coisas positivas: mostrar admiração, mostrar apreço, elogiar, mostrar acordo, não criticar etc. o “amigo”.

- Tentativas para achar pontos em comum com o “amigo” de conversa.

- Na maioria das vezes, quando acontece uma conversa entre duas pessoas, aquela que está mais interessada na outra  não é a primeira a terminar a conversa. Quando tem que terminar a conversa, ela apresenta justificativas específicas convincentes. (Por exemplo, “Vou ter que ir ao banco pagar uma conta que vence hoje. Estou com os minutos contados. É uma pena. Podemos continuar a conversa hoje à noite?”).

 Existem muitas maneiras de mostrar interesse amoroso por uma pessoa. Muitos dos sinais que podem ser apresentados no Facebook são do mesmo tipo daqueles usados nos encontros cara a cara.

Muitos dos sinais de interesse amoroso também são os mesmos usados para mostrar interesse amistoso, interesse apenas no que está sendo dito e interesse amoroso. Quando temos dúvidas sobre como interpretar esses sinais, temos que recorrer a outras informações para descobrir a natureza exata do interesse que está sendo mostrado!

Quanto mais desses sinais são mostrados por um “amigo” que também poderia ser seu parceiro amoroso, maior a probabilidade que ele esteja interessado em você.

Por Ailton Amélio às 15h53

04/01/2014

Relacionamento: consideração dispensa boa parte da assertividade

Amor & Companhia

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Assertividade

Assertividade é a habilidade social de fazer afirmação dos próprios direitos e expressar pensamentos, sentimentos e crenças de maneira direta, clara, honesta e apropriada ao contexto, de modo a não violar o direito das outras pessoas1.

Consideração

Reverência, apreço ou estima que se expressa por uma pessoa ou por alguma coisa; deferência2.


 A consideração torna dispensável boa parte da assertividade

Neste artigo vamos apresentar dois mecanismos psicológicos que são muito úteis para regular o apreço e o respeito pelos direitos alheios: a consideração e a assertividade.

A assertividade é bastante útil. Ela é útil, principalmente, para lidar com pessoas que pensam muito nelas próprias e nos seus interesses e se preocupam muito pouco com as outras pessoas. Quando se deparam com pessoas deste tipo, aqueles que são passivos correm o risco de serem predados. Quando isso acontece, os passivos acumulam mágoas e, por isso, podem explodir devido a um incidente pequeno qualquer: é a “gota d’água que transborda o copo”. Quando explodem, se tornam agressivos: ferem aqueles que lhes causaram desconfortos ou aqueles diante dos quais eles não tiveram a firmeza para revelar suas posições (pensamentos, sentimentos, desejos, etc.)

No entanto, nos relacionamentos íntimos entre pessoas que se gostam, esperamos que a consideração mútua torne dispensável o uso muito frequente da assertividade. Quando duas pessoas se gostam, elas tentarão não abusar uma da outra e, por isso, nenhuma delas necessitará ficar se defendendo através do uso da assertividade. Pelo contrário: as pessoas que se gostam tentarão, cada uma delas, não prejudicar a outra pessoa e nem permitir que a outra a superbeneficie!

Entre pessoas que se gostam, até mesmo a clareza da comunicação não é tão necessária quanto o é entre pessoas que são indiferentes entre si ou que não se gostam: quando gostamos de uma pessoa, nos colocamos no seu lugar, e mesmo que ela não diga explicitamente o que deseja ou o que a incomoda, tentamos imaginar e agir de forma a beneficiá-la.

Mais importante ainda, quando alguém age em nosso benefício e essa forma de agir não foi fruto da nossa exigência, mas sim do afeto de quem age em relação a nós, isso vale muito mais do que quando este tipo de ação foi fruto da nossa exigência. No primeiro caso, é consideração e amor. No segundo, firmeza e autodefesa.

Desnecessário dizer que consideração expontânea, aquela não reivindicada por aquele para quem ela deve ser demonstrada, é o tipo de atitude que nutre os relacionamentos entre pessoas que se gostam. A assertividade é a melhor ferramenta para ser usada nos relacionamentos entre pessoas que são indiferentes ou, até mesmo, hostis entre si.

 

NOTAS

1- Lange, A.J., & Jakuboviski, P. (1978). Responsible assertive behavior. Illinois: Research Press. (Consultado em 03/01/2014).

2- Dicionário Online de Português. http://www.dicio.com.br/consideracao/ (consultado em 03/01/2014)

Por Ailton Amélio às 07h30

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico