Blog do Ailton Amélio

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25/05/2014

você sabe identificar se a outra pessoa tem interesse amoroso por você?

Muitas pessoas perdem ótimas chances amorosas simplesmente porque não verificam se seus interesses amorosos são correspondidos. Outras pessoas perdem muito tempo neste campo porque ficam interessadas em pessoas que não têm o menor interesse por elas, mas elas não tomam conhecimento disso. Veja o caso de Helena na história abaixo:

Helena perdeu tempo e se decepcionou porque não verificou se havia interesse amoroso por parte de Eduardo

Helena estava apaixonada por Eduardo há dois anos. A sua paixão era secreta. Ninguém sabia da existência desse sentimento por Eduardo, nem mesmo a sua melhor amiga. Helena disfarçava muito bem o que sentia. Embora ela e Eduardo se vissem diariamente no emprego, almoçassem juntos algumas vezes na semana e, de vez em quando, ele pegasse carona com ela no final do expediente, ele não sabia desta paixão.

Durante todo este tempo, Helena sempre alimentou esperanças de que Eduardo também a amasse ou, pelo menos, de que ele sentisse algo especial por ela. Nos seus momentos de ócio, ela fica lembrando e relembrando todos os pequenos sinais que ele tinha apresentado que indicassem  alguma consideração especial por ela. Estes sinais, no entanto, nunca eram suficientemente claros ou conclusivos. Por mais que ela remoesse tudo o que ele tinha dito e feito, ela nunca conseguia ter certeza de que o interesse dele por ela era realmente de natureza amorosa ou se ele agia com ela da mesma que agia com as outras pessoas ou, ainda, se todos aqueles sinais que ele apresentava indicavam apenas amizade e polidez de colega para colega. O grau de certeza que ela tinha do interesse amoroso dele por ela oscilava: em certas épocas e de acordo com mudanças sutis na forma dele se portar com ela, a certeza que ela tinha do interesse amoroso dele por ela decrescia ou aumentava.

Elena tinha muito medo de mostrar mais claramente para o Eduardo qualquer sinal do seu interesse amoroso, pois, para ela, a ideia de ser rejeitada por ele era insuportável. Além disso, ela imaginava o constrangimento de vê-lo todos os dias no trabalho, caso a acontecesse essa rejeição, e os prejuízos que isso poderia ter para a amizade e para o relacionamento profissional entre eles.

Após alguns meses de terapia, Helena criou coragem e deu sinais mais claros para Eduardo, do seu interesse por ele. Foi ai que ela teve a maior decepção da sua vida amorosa: ele ia se casar dai há dois meses! Além da dor de não ser correspondida, ela ficou se sentindo muito boba. Perdeu dois anos da sua vida se iludindo com ele. É isso o que acontece quando a gente não tem coragem de conferir se o nosso interesse amoroso está sendo correspondido!


Por que é difícil revelar clara e diretamente o interesse amoroso?

“Quem não arisca não petisca”

Muita gente questiona por que não podemos revelar diretamente e sem complicações o nosso interesse amoroso ou não podemos perguntar para quem estamos interessados se há interesse recíproco.

 Caso fosse possível agir sem rodeios nesta área, quando uma pessoa tivesse interesse em iniciar um relacionamento amoroso com uma segunda pessoa, bastaria “abrir o jogo” com ela. Já que “as duas são maiores de idade, ganham o próximo sustento e são responsáveis, para que complicar então?”. “Além disso, sexo é saudável. Por que, então, tanto nhenhenhem?"

Razões da cautela para mostrar interesse amoroso pela primeira vez

Embora seja viável iniciar um relacionamento amoroso sem rodeios, existem razões legítimas para a cautela na revelação desse tipo de interesse, no início de um relacionamento. Algumas dessas razões são as seguintes:

- A ambiguidade é uma boa estratégia para negociar a revelação de informações em situações delicadas e complexas. Iniciar um relacionamento amoroso é uma tarefa complexa e delicada.

- A dúvida é um catalisador do amor. Revelar o interesse de cara pode diminuir a excitação e as chances do nascimento do amor.

- A atração amorosa pode ainda estar nascendo. Cerca de metade das pessoas que estão namorando iniciaram o namoro sem estarem apaixonadas. Quando a atração ainda está nascendo , a pessoa é ambígua porque os seus sentimentos ainda não estão claros.

- Existem consequências reais por revelar interesse amoroso: pode mudar uma amizade ou um relacionamento profissional, pode rebaixar a autoestima quando há rejeição.

Medo de verificar se há reciprocidade no interesse amoroso

Alguns dos principais medos de verificar se há esse tipo de reciprocidade são captados pelas seguintes afirmações:

- Fantasia do inibido para verificar: “Qualquer sinal que eu apresentar dará certeza para a outra pessoa do meu interesse amoroso”.

- Pensamento típico da pessoa inibida para verificar se o outro tem interesse amoroso: “Eu não tomo iniciativa porque tenho medo de ser rejeitado. O outro não toma iniciativa porque não está interessado”.

- Se eu tentar verificar e for rejeitado isso poderá estragar a nossa amizade ou o nosso relacionamento profissional.

- Não tento verificar porque tenho medo de estar sendo invasivo e estar incomodando a outra pessoa. Vamos examinar um pouco mais este tipo de medo no tópico seguinte.


Ambiguidade das informações sobre interesse amoroso

Dizemos que um comportamento é ambíguo, do ponto de vista amoroso, quando existem pelo menos duas possíveis causas que poderiam explicar a sua ocorrência: uma causa amorosa (“a pessoa está agindo desta forma porque tem interesse amoroso por mim”) e uma causa de outro tipo (amistosa, comercial, característica de personalidade da pessoa que o está emitindo, etc.). Por exemplo, uma oferta de carona pode ter uma motivação amorosa, amistosa (a pessoa é amiga ou está querendo aumentar a amizade com a pessoa para quem ela está oferecendo carona) ou comercial (ela vai querer pedir um empréstimo durante o trajeto).

O único tipo de relacionamento que desde o início já oferece uma grande dose de certeza sobre a sua motivação amorosa é a paquera à distância entre desconhecidos.


Táticas de verificação

Existem duas principais estratégias de verificação do interesse amoroso: (1) Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse e (2) comprar informações. Cada uma dessas táticas pode ser posta em prática através de diferentes táticas. Vamos examinar um pouco mais essas estratégias e algumas das suas táticas.

1-  Obter informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa sem expor o próprio interesse. As principais táticas para fazer isso são as seguintes:

a- Interpretar as pistas de interesse amoroso que podem estar sendo exibidas pela outra pessoa. Quem usa esse tipo de pistas são aquelas pessoas que temem se exporem e serem rejeitadas, como os tímidos e pessoas com baixa autoestima. Por isso, essas pessoas querem apenas “ler” os sinais de interesse que são mostrados pela outra pessoa sem mostrar sinal nenhum.

Os interessados nesse tipo de interpretação são aqueles que leem livros de autoajuda e livros de comunicação não verbal que prometem ensinar as pistas do interesse amoroso.

b- Obter informações por meios indiretos. Por exemplo, perguntar para um conhecido em comum se teria chances com a fulana.

2- Comprar informações

Quem adota essa estratégia paga pelas informações sobre o interesse amoroso da outra pessoa porque assume o risco de mostrar o próprio interesse e ser rejeitado. As três principais maneiras de comprar informações são as seguintes:

a- Perguntas diretas. Por exemplo, dizer “Estou interessado em você. Tenho alguma chance?

b- Mostrar sinais de interesse e observar reação da outra pessoa. Por exemplo, flertar e verificar se é correspondido.

c- Convidar. Ir convidando a outra pessoa para programas cada vez mais típicos de pessoas que têm relacionamento amoroso.

Verificar

Verificar o interesse amoroso consiste na tomada de medidas eficazes para descobrir o grau de interesse amoroso que a outra pessoa tem pelo verificador e se ela aceitaria iniciar um relacionamento amoroso com ele.

A verificação amorosa, além de servir para desvendar os possíveis interesses amorosos de quem está sendo verificado, também pode aumentar este interesse. Este aumento de interesse pode aparecer quando o processo de verificação inclui a manifestação de interesse do próprio verificador ou quando este começa a tratar o verificando de uma forma romântica, agradável e positiva.

Zonas de verificação

As eficácias das medidas de verificação podem ser classificadas em três zonas:

Zona de não verificação. Quem age nesta zona não mostra interesse amoroso e, por isso, não obtem nenhuma resposta clara: autoproteção = 100. Eficácia = 0 !

Zona de verificação. A pessoa que age nesta zona mostra interesse amoroso de uma forma adequada: age dentro das normas aceitáveis pela cultura que ela vive e com a eficiência necessária para reduzir a ambiguidade. Esta pessoa  age de modo a esclarecer se a outra pessoa está interessada nela, sem demonstrar explicitamente interesse um amoroso muito forte (por exemplo, não diz “estou apaixonado”, “faz muito tempo que só penso em você”, etc.) porque isso deixaria a outra pessoa desconfortável por estar sendo invadida e porque teria que responder de uma forma inequívoca.

Zona de assédio. Quem atua nesta zona está molestando a outra pessoa. Ela está mostrando sinais de interesse amoroso apesar da outra já ter comunicado de forma clara e segura que não tem esse tipo de interesse e não quer esse tipo de relacionamento.

Quando se trata de verificar, existem duas formas de ser ineficaz: agir na zona de não verificação e agir na zona de assédio. A pessoa eficaz opera dentro da zona de verificação. Ela mostra o seu interesse amoroso em grau e modo adequados para conseguir que a outra pessoa se manifeste de forma suficientemente clara se corresponde ou não  ao seu interesse amoroso.

O assediante age de uma forma que constrange quem ele está  verificando. Este se sente obrigado a mostrar o seu interesse ou desinteresse em um momento ou de uma forma que é desconfortável para ele.

Você tem dificuldade para verificar se a outra pessoa tem interesse amoroso por você? Procure a ajuda de um psicólogo

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Por Ailton Amélio às 08h54

19/05/2014

Você já se apaixonou e amou quantas vezes na sua vida?

As capacidades para sentir atração, apaixonar e amar variam bastante entre as pessoas. Algumas sentem atração, se apaixonam e amam com muita facilidade, enquanto outras dificilmente experimentam estes sentimentos. Felizmente, a grande maioria das pessoas está entre estes dois extremos. As pessoas que têm disfunções nestas capacidades são aquelas que têm facilidade excessiva ou dificuldade excessiva para se envolver afetivamente. Neste artigo vou abordar principalmente as dificuldades para o envolvimento afetivo porque creio que essa dificuldade é mais frequente e traz mais problemas do que a facilidade excessiva para esse tipo de envolvimento.

Facilidade excessiva para se envolver afetivamente

Uma parte daqueles que têm facilidade excessiva para se envolver amorosamente sente atração por inúmeras pessoas, se apaixona a todo o momento e relata uma grande quantidade de amores. Esse tipo de facilidade apresenta vantagens e desvantagens. Uma grande vantagem é que essas pessoas têm mais facilidade para iniciar relacionamentos amorosos. Isso acontece porque elas se interessam por uma grande quantidade de possíveis parceiros, o que aumenta as suas chances de iniciar relacionamentos amorosos.

Esta facilidade tem as suas desvantagens: ela pode ser um sintoma de problemas psicológicos e trazer problemas para o relacionamento amoroso. Em primeiro lugar, as pessoas que têm essa facilidade são muito pouco exigentes na escolha de parceiros amorosos. Isso pode fazer que elas iniciem relacionamentos com pessoas problemáticas ou que lhes são incompatíveis, o que vai gerar relacionamentos pouco satisfatórios. Em segundo lugar, elas são socialmente mal vistas. São rotuladas pejorativamente como “galinhas” e “fáceis”. Em terceiro lugar, muitos possíveis parceiros evitam se envolver com quem tem este tipo de facilidade. Isto ocorre porque eles não se sentem especiais quando recebem atenção de quem tem este tipo de facilidade, já que essas pessoas “se envolvem com qualquer um”.

Dificuldades excessiva para se envolver afetivamente

Quando suspeito que um paciente tem dificuldade para se envolver amorosamente, faço-lhe três perguntas (sugiro que você também as responda agora):

1- Quantas pessoas existem no seu círculo de relações pelas quais você sente atração amorosa em um grau que seria, pelo menos, suficiente para iniciar um relacionamento amoroso? (Para responder esta questão desconsidere o fato de você ou destas pessoas já estarem comprometidos).

2- Quantas vezes você já se apaixonou na vida?

3- Quantas vezes você já amou na vida?

A confirmação da hipótese que o paciente está com dificuldades para se envolver amorosamente se torna mais provável quando ele tem mais que vinte anos e afirma que:

(1) Ninguém ou quase ninguém o atrai

(2) Ele está neste limbo afetivo há muito tempo

(3) Talvez nunca tenha se apaixonado

(4) Talvez nunca tenha amado.

Por outro lado, se ela revela uma quantidade muito grande de todos estes tipos de envolvimento amoroso, o mais provável é que ela tenha uma grande facilidade para iniciar relacionamentos, mas que eles não durem muito tempo. Para você ter uma ideia do que seria uma quantidade muito pequena ou muito grande de cada um destes tipos de envolvimento afetivo, considere as duas seguintes pesquisas que eu realizei.

Pesquisas sobre as quantidades de atração, apaixonamento e amor

Capacidade para sentir atração amorosa

A primeira pesquisa foi realizada com 51 universitários da cidade de São Paulo, 27 mulheres e 24 homens. A idade média destes estudantes era 20,4 anos, variando entre 17 e 29 anos. Solicitei a este grupo de estudantes que respondesse à seguinte questão:

“Neste momento, no meu círculo de relações existem _________ (colocar o número) pessoas que me atraem, com as quais eu poderia ter, no mínimo, um belo caso de amor, caso não houvesse nenhum impedimento (comprometimento com outra pessoa etc.)”.

O fato de estar namorando ou estar só é o maior responsável pela variação no número de atrações amorosas das pessoas: quem está namorando apresentou uma média de 1,8 atrações ao passo que quem estava só apresentou uma média de 2,6 atrações.

As mulheres sentiam, em média, atrações amorosas por 2 pessoas, ao passo que os homens sentiam, em média, atrações amorosas por 2,4 pessoas. A maior diferença entre homens e mulheres foi observada entre os estudantes que estavam namorando: as mulheres deste grupo sentiam atração amorosa por 1,5 pessoas e os homens deste grupo sentiam atração amorosa por 2,1 pessoas, em média. Ou seja, a capacidade das mulheres para sentir atração é mais afetada pelo namoro do que a dos homens.

Estes dados indicam que é muito comum haver alguém nos nossos círculos de relações por quem sentimos atração amorosa.Por outro lado, é muito raro que alguém sinta atração amorosa por seis ou mais parceiros. A grande maioria dos homens e mulheres estava interessada em uma quantidade de parceiros que variava entre um e cinco. (Veja uma descrição deste estudo no primeiro capítulo do meu livro “O Mapa do Amor – NOTA 1).

Quantidade de paixões e amores

Nesta pesquisa, procurei identificar as quantidades de paixões e amores que 368 estudantes universitários tiveram durante suas vidas.

- A quantidade média de paixões que eles tiveram na vida era 3,6.

- A quantidade média de amores que eles tiveram na vida era 1,3.

- Apenas 4% destes estudantes nunca haviam se apaixonado

- Apenas 13% nunca haviam amado.

- Apenas 10% haviam se apaixonado 7 ou mais vezes

- Apenas 4% deles haviam amado 4 ou mais vezes.

As pessoas que incidiram nestes dois extremos, ausência ou uma quantidade muito grande de amores e paixões, provavelmente são aquelas que tinham muita dificuldade e muita facilidade, respectivamente, para desenvolverem estes dois tipos de envolvimentos amorosos. (Veja na Nota 2 a citação do artigo que relata essa pesquisa).

É esperado, por motivos óbvios, uma quantidade menor de amores e paixões do que a relatada por estes estudantes universitários para aquelas pessoas que tenham  menos de 24 anos e uma quantidade maior desses dois sentimentos para aquelas que tenham mais do que esta idade.

Causas das dificuldades para o envolvimento amoroso

Muitas daquelas pessoas que se dizem “exigentes” têm dificuldades para o envolvimento amoroso. As principais causas das dificuldades para sentir atração amorosa são as seguintes:

(1) possuir estilos de apego evitativo. Quem tem este estilo geralmente teve uma mãe distante, pouco protetora e pouco afetiva. Tais pessoas desenvolvem um "modelo mental", que dificulta o envolvimento profundo. Elas têm dificuldades para estabelecer vínculos afetivos que impliquem em proximidade e confiança mútua.

(2) Ter sido traumatizado em um relacionamento amoroso anterior. Por exemplo, se essa pessoa foi traída e agredida por um parceiro.

(3) Ter sido exposto a modelos inadequados de relacionamento amoroso. Por exemplo, a pessoa foi criada por pais que não se amavam.

(4) Escassez de parceiros adequados. Certas pessoas frequentam locais onde raramente encontram possíveis parceiros disponíveis e compatíveis.

(5) Falta de esperança para atrair um parceiro adequado. Algumas pessoas se acham incapazes de atrair os parceiros adequados porque se acham feias e sem graça.

(6) Coração ocupado. Quem já está apaixonado tem dificuldade para se apaixonar por outra pessoa.

Funções das capacidades para sentir atração amorosa e amar

A capacidade moderada para o envolvimento amoroso facilita o início e desenvolvimento dos relacionamentos amorosos. Algumas das contribuições deste tipo de capacidade são as seguintes:

(a) A atração romântica e sexual é um bom critério para escolher um parceiro. Este tipo de atração ajuda a distinguir aquelas pessoas pelas quais sentimos apenas amizade daquelas que nos atraem amorosamente. Como escolhemos um parceiro amoroso? A atração que sentimos por uma pessoa é um forte indicativo de que ela tem as características que queremos em um parceiro para esta finalidade.

(b) A atração, a paixão e o amor são requisitos para o envolvimento em um relacionamento amoroso: as pessoas geralmente procuram desenvolver uma relação amorosa com aqueles por quem estão apaixonadas, amam ou, pelo menos, sentem atração amorosa. Só naquelas culturas onde o casamento é arranjado é que estes sentimentos não são essenciais para iniciar um relacionamento amoroso.

(c) O envolvimento amoroso mobiliza recursos para atrair o parceiro. O envolvimento amoroso funciona como uma fonte de energia para as ações amorosas. Por exemplo, quando sentimos atração por alguém, esta atração nos motiva para tentar agradar, conquistar e iniciar um namoro com esta pessoa: vestimo-nos melhor quando sabemos que vamos encontrá-la, ficamos “derretidos” na sua presença, procuramos agradá-la etc.

(d) A expressão do interesse e do envolvimento amoroso dá esperança para o parceiro de que ele será bem-sucedido para iniciar e desenvolver este tipo de relacionamento. Segundo Stendhal, famoso autor do livro “Do Amor” que trata do apaixonamento, a esperança é um dos requisitos para o nascimento do amor.

Você tem dificuldade ou facilidade excessiva para sentir atração, apaixonar ou amar? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS

1- Amélio, A. (2001) O Mapa do Amor. São Paulo, Editora Gente.

2- Silva, A. A. (2006). Conteúdo da vida amorosa de  universitários. Interação em Psicologia, 10(2), p. 301-312. Artigo disponível na internet em: file:///C:/Users/Ailton/Downloads/768521610-1-PB.pdf (consultado em 17/05/2014).

3- Este artigo foi parcialmente baseado em um capítulo do meu livro "Relacionamento Amoroso".

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Por Ailton Amélio às 10h35

11/05/2014

Para aumentar o amor do seu parceiro prefira os programas excitantes e agradáveis aos programas puramente agradáveis

Para conquistar uma pessoa ou intensificar o amor dela por você, é melhor participar com ela de programas excitantes e agradáveis do que participar de programas que sejam apenas agradáveis. Esse é o tema que vamos examinar neste artigo.


A conquista amorosa

“Como conquistar qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer hora”.

Você já deve ter lido vários títulos de livros e de artigos parecidos com este da linha acima.

Esse tipo de promessa é bem recebido por aquelas pessoas que o respondem com a afirmação: “Engana-me que eu gosto”.

Claro que não é possível conquistar qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora. Só podemos imaginar o sucesso de uma fórmula assim se ela incluir nos seus ingredientes o hipnotismo profundo, as poderosas forças ocultas do mal ou poções mágicas (uma poção deste tipo é citada no famoso livro de Denis de Rougemont, "O Amor e o Ocidente", sobre o mito do amor impossível entre Tristão e Isolda). Rs, rs.

Hoje sabemos que para conquistar alguém é necessário que o conquistador e conquistado sejam similares em muitos atributos que o conquistado considere importantes em um parceiro amoroso (princípio da homogamia). Além disso, o conquistado deve sentir atração pelo conquistador, ter esperança que essa atração seja recíproca e ter esperança que o relacionamento entre eles possa dar certo (leia o meu artigo “Apaixonamento: a teoria de Stendhal”, publicada neste blog – veja o link na Nota 1, no final deste artigo).

Tendo em mente que a conquista amorosa não é uma coisa simples que possa ser capturada através de fórmulas, vamos examinar agora um dos fatores que auxilia o seu sucesso: a excitação na pessoa que estamos tentando conquistar.

 

A excitação produzida por diversos acontecimentos pode ser confundida com a excitação produzida pelo conquistador

Um caminho que pode levar duas pessoas a se apaixonarem é elas fazerem coisas excitantes juntas.

Para fazer nascer o amor ou para expandi-lo, as atividades excitantes são melhores do que as atividades agradáveis, mas não excitantes (“mais do mesmo”). A excitação pode ser provocada por substâncias químicas, pela atividade física, por situações que envolvam riscos e por atividades que expandam os limites psicológicos. Os exemplos abaixo ilustram algumas dessas formas de produzir a excitação.

Capitalização da excitação provocada por outras emoções e pelo enfrentamento de desafios para fins sexuais

Este fenômeno ajuda a entender porque certas pessoas acham excitante transar em banheiros de avião, escadas de prédio, dentro do carro, elevador, etc: o risco de ser pego ou o desafio de infringir normas sociais produz alterações fisiológica (aumento no ritmo cardíaco, aumento na pressão sanguínea, aceleração da respiração, aumento na adrenalina, etc.) que são parecidas com aquelas produzidas pela excitação sexual. Essas pessoas aprenderam a capitalizar essas alterações provocadas pelo medo ou pelo desafio para fins sexuais.

Certas pessoas também aprendem a capitalizar as alterações fisiológicas produzidas por diversas emoções (raiva, surpresa, etc.) para fins sexuais. São aquelas pessoas que se excitam após uma briga ou que consideram uma leve agressão física (uns tapas no traseiro, por exemplo) um bom excitante.

Estudos sobre os efeitos da excitação


Efeitos da excitação produzidos por uma substância química nos sentimentos.

Estudantes que se voluntariam para uma pesquisa foram divididos em quatro grupos. Dois desses grupos receberam uma dose de uma substância estimulante misturada em um suco que disfarçava o seu sabor e aparência. O terceiro e o quarto grupo ingeriram apenas o suco sem o estimulante. Nenhum dos grupos sabia o que estava ingerindo. Em seguida, os dois grupos que receberam o estimulante foram submetidos a dois procedimentos diferentes: um grupo recebeu um questionário irritante (era levemente insultuoso. Por exemplo, havia uma questão sobre quantos homens a mãe do participante já tinha transado e todas as opções de resposta citavam quantidades imensas de parceiros). Os participantes do outro grupo, que também havia ingerido a substância estimulante, leram e avaliaram histórias engraçadas. Um dos outros dois grupos cujos participantes só ingeriram o suco que não continha substância estimulante recebeu o questionário engraçado e o outro grupo recebeu o questionário irritante.

Os grupos que tomaram o suco com a substância estimulante apresentaram reações condizentes com os estados psicológicos induzidos pelas tarefas (raiva ou alegria). Essas reações, no entanto, foram bem mais fortes do que aquelas exibidas pelos grupos que só tinham tomado o suco sem a substância e que receberam os mesmos questionários.

Ou seja, os estudantes interpretaram os efeitos que a substância produziu como sendo causados pelos procedimentos (questionário engraçado ou ofensivo): a substância exacerbou reações aos questionários (eles mostraram muita alegria ou muita irritação, respectivamente).


Efeitos da excitação produzida pelo perigo sobre a avaliação da atração de uma entrevistadora

Um experimentador pediu para rapazes, estudantes de uma universidade americana, que atravessarem dois tipos de ponte sobre um precipício. Uma ponte tinha uma aparência sólida e segura e a outra era balouçante e tinha uma aparência frágil e insegura. Do outro lado da ponte havia uma moça muito bonita, que entrevistava os rapazes assim que eles terminavam a travessia. Após a entrevista, a moça lhes fornecia o seu telefone, para o caso deles quererem informações sobre os resultados da pesquisa. Em seguida, outro entrevistador fazia mais algumas perguntas para os rapazes, entre as quais havia uma sobre o grau de atração da entrevistadora anterior. Os resultados desta pesquisa mostraram que aqueles rapazes que tinham atravessado a ponte mais perigosa achavam a entrevistadora mais atraente. Além disso, uma quantidade maior de rapazes da ponte perigosa, em relação aos rapazes da ponte segura, ligou para ela, após o experimento, sob o pretexto de solicitar informações sobre os resultados da pesquisa. Esses rapazes também a convidavam para sair mais frequentemente do que aqueles que convidaram a entrevistadora da ponte segura.


Efeitos de informações falsas sobre o ritmo cardíaco no julgamento da atração de um modelo

Outra pesquisa mostrou que informações falsas sobre o estado fisiológico de uma pessoa pode alterar os seus julgamentos sobre a beleza de alguém do sexo oposto. Nesta pesquisa, o experimentador mostrava fotografias de mulheres seminuas, publicadas pela revista Playboy, para rapazes e, ao mesmo tempo, monitorava os seus ritmos cardíacos, os informava sobre as suas frequências cardíacas que foram observadas diante de cada fotografia e pedia para eles avaliarem a beleza de cada fotografia que era exibida. O experimentador, no entanto, oferecia informações falsas sobre os ritmos cardíacos. Os rapazes tendiam a achar mais bonitas aquelas fotos que, segundo as informações do experimentador, tinham provocado as maiores frequências dos seus ritmos cardíacos, independentemente dessa informação ser verdadeira ou falsa.

Existem evidências que até mesmo aquelas alterações fisiológicas provocadas por exercícios físicos, como correr sem sair do lugar, podem alterar a percepção da atração de uma pessoa que se encontre presente no local do exercício.


Explicação dos efeitos da excitação física na percepção de pessoas: a teoria das emoções de Schachter-Singer

A explicação do motivo pelo qual a excitação provoca um aumento na intensidade dos sentimentos é que ela, quando produzida na presença de uma pessoa, pode ser confundida com excitação produzida pela pessoa (veja a Teoria das Emoções de Schachter-Singer – artigo citado na NOTA 2, abaixo). A presença de uma pessoa que nos atrai muito provoca uma série de reações fisiológicas tais como, aumento no ritmo cardíaco, aumento na pressão sanguínea, aumento no ritmo da respiração, etc. Estas mesmas reações podem ser provocadas por acontecimentos excitantes impessoais. Quando tais a excitação produzida por esses acontecimentos são produzidas na presença de uma pessoa razoavelmente atraente, não fica muito claro para quem está experimentando a excitação até que ponto ela está sendo produzida pelo acontecimento excitante ou pela atração da pessoa.  Nestas circunstâncias, tendemos achar que a pessoa é mais atraente do que de fato é, ou seja, tendemos a atribuir o que estamos sentindo à pessoa.


Acontecimentos excitantes têm mais efeitos na atração interpessoal do que acontecimentos agradáveis

Um pesquisador verificou que a participação em acontecimentos excitantes e agradáveis era mais eficaz para provocar sentimentos de união entre casais do que a participação em acontecimentos agradáveis, mas não excitantes.

Estes achados indicam que aqueles que querem conquistar uma pessoa ou intensificar o amor dela devem convidá-la para fazer programas agradáveis e excitantes e não, simplesmente, programas agradáveis.

O rol de coisas excitantes que podem ser feitas na companhia de outra pessoa é muito grande: andar de montanha russa, praticar mergulhos, pular de paraquedas, assistir filmes que causem impacto emocional, participar juntos da organização de eventos que possam ter um grande sucesso ou grande fracasso junto ao público ou iniciar alguma atividade que provoque tensão: começar a dar aulas, ensaiar uma peça teatral, cantar em um karaokê.

Nada mais excitante e eficiente para produzir ou ampliar o amor de uma pessoa do que ajudá-la a expandir os seus limites psicológicos.

O seu relacionamento amoroso está monótono? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

1- Link para o meu artigo sobre a Teoria do Apaixonamento de Stendhal:

http://ailtonamelio.blog.uol.com.br/arch2010-10-01_2010-10-31.html

2- A teoria de atribuição de Schachter-Singer:

Schachter, S. & Singer, J. E. (1962). Cognitive, Social, and Physiological Determinants of Emotional State. Psychological Review, 69(5), 379-399.

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Por Ailton Amélio às 09h15

04/05/2014

Ser verdadeiro consigo mesmo e com outras pessoas melhora o relacionamento

Há pouco tempo foi publicado um artigo sobre uma pesquisa realizada por Amy Brunell, professora da Universidade de Ohio, e colaboradores, sobre os efeitos benéficos que a autenticidade produz nos inícios de relacionamentos amorosos (Veja a citação na Nota 1, no final desse artigo). Segundo esses autores, pessoas “autênticas” são aquelas que conseguem ver a si próprias de forma clara e objetiva, agem de forma consistente com suas crenças e são honestas e verdadeiras com outras pessoas. São pessoas que comunicam para seus parceiros o que sentem e pensam. Essa autenticidade contribui para criar a intimidade nos relacionamentos e torná-los mais reais, consistentes e nutritivos. (Veja também a tese de doutoramento de Nathan White, que é muito exclaredora sobre esse assunto - link 

Segundo essa pesquisa, a autenticidade masculina contribui mais para a criação de relacionamentos satisfatórios do que a autenticidade feminina. Uma possível explicação para esse fato é que as mulheres já agem mais dessa forma que eles.

Neste artigo vou apresentar a descrição de duas pessoas reais que conheci. Uma delas, muito autêntica, e a outra, pouco autêntica. A primeira dessas descrições mostra que é preciso mais do que autenticidade para produzir efeitos benéficos nos relacionamentos. Uma autenticidade mais grosseira e desrespeitosa (“sincero demais”) pode produzir verdadeiros desastres pessoais e sociais.


A autenticidade não está na moda

Estamos em uma época onde “deixamos por menos”. Como não sabemos como nos tornarmos psicologicamente mais atraentes, autênticos e carismáticos, partimos para o mais óbvio e imediato: para nos sentirmos importantes, sermos aceitos e fazermos sucesso, recorremos ao aperfeiçoamento da nossa aparência e procuramos obter e demonstrar poder e riqueza. Existem muitas clínicas para o tratamento da estética, academias de ginástica para melhorar o corpo, shoppings para a venda de vestuário, acessórios e produtos de beleza.

Mesmo quando temos uma ideia sobre como poderíamos nos tornarmos psicologicamente mais atraentes, isso pode ser excessivamente difícil para aqueles mais imediatistas: o desenvolvimento  psicológico não pode ser comprado e exige muita dedicação e esforço para que mostre seus efeitos. Além disso, não existem institutos que nos ajudem a aumentar a atração pessoal através do aperfeiçoamento psicológico.

A mídia raramente destaca o valor, o poder e os benefícios da autenticidade. Ela só destaca os ricos, famosos e poderosos. Nunca vi um programa de televisão ou de rádio voltado para a glorificação de pessoas psicologicamente fascinantes e nutritivas.

Claro que muitas pessoas ficaram ricas e poderosas ajudadas pelos seus carismas e fascínios. No entanto, nas entrevistas com essas pessoas, nunca esses fatores psicológicos não são devidamente destacados. Por exemplo, nunca vi o destaque de um ótimo momento de autenticidade após uma entrevista televisiva. Nunca vi na televisão um resumo dos melhores momentos psicológicos onde atuações autênticas fossem examinadas em câmera lenta e amplamente comentados por especialistas competentes.

Neste artigo, para fins de ilustração, vamos apresentar um tipo psicológico autêntico e dotado de outras qualidades que faz dele alguém marcante e nutritivo para aqueles que convivem com ele. Para fins de contraste, vamos apresentar outro tipo bem menos autêntico e muito mais frequente na vida real.


Arnaldo, uma pessoa autêntica e harmônica

Mais autenticidade e menos média. Arnaldo não fazia muita média com as pessoas. Aqueles que esperavam bajulação, admiração fingida, cooperação para o sucesso da projeção distorcida da autoimagem e conivência para a manutenção de fantasias pessoais não podiam contar com ele. Por outro lado, se você quisesse alguém que realmente olhasse para você e não só para aquilo que você gostaria se mostrar ou que fosse visto, então ele era a pessoa certa.

Aceitação das outras pessoas. Arnaldo aceitava bastante as outras pessoas. Parecia estar ciente de que todos nós, inclusive ele próprio, tendíamos a distorcer um pouco as nossas percepções e que precisávamos fantasiar um pouco a nossa importância. Ele parecia considerar isso como parte da natureza humana e, por isso, não mostrava impaciência ou contrariedade quando lidava com essas distorções. 

Autenticidade sem imposição. Para Arnaldo, cada um tinha seu espaço psicológico. Ele sabia quanto cada um podia render e aceitava esses limites e não fazia que o seu interlocutor se sentisse mal. Não achava que era seu papel corrigir ninguém, mas também, não achava que era sua obrigação cooperar com as distorções alheias. Ele só agia dentro do espaço que o interlocutor permitia. Se julgasse que o interlocutor não tinha espaço para acolher o seu posicionamento, ele podia até se manifestar, mas não insistia ou se estendia naquilo que tinha para dizer.

Ele sabia respeitar os limites alheios e, ao mesmo tempo, não ser omisso.

Tato para lidar com as pessoas. Arnaldo sabia passar a sensação que você era aceito e, ao mesmo tempo, podia ser um pouco melhor do que era e que poderia corrigir um pouco a sua posição. As suas atuações corretivas eram indiretas e, após conversar com ele, você ficava estimulado a refletir sobre a sua forma de agir e pensar.

Não era rude e quase nunca provocava confrontos. O seu jeito de apresentar a sua posição fazia que as suas participações não fossem ameaçadoras para seus interlocutores. Não usava autoridade ou teorias psicológicas para impor ou apoiar suas posições. Centrava o que estava dizendo nas suas percepções da forma de agir das outras pessoas. Ele não dizia que as pessoas estavam erradas. O fato dele não apoiar várias das proposições que as pessoas esperavam que fossem apoiadas já era suficiente para indicar que ele não concordava totalmente com o que elas estavam dizendo ou fazendo.

Não era impositivo. Ele não mostrava necessidade de ser incluído ou se impor. Parecia que ele participava das reuniões sociais naturalmente e sem esforço. Não lutava para se fazer ouvir. Não se esforçava para agradar. Por outro lado, era sempre presente, participante e bem vindo. A sua presença era suave, forte e construtiva.

Respeito. Tinha boa autoestima e, por isso, não se sentia ameaçado ou diminuído. Não dava mais importância para as expectativas alheias do que para aquilo que sentia e pensava. Não costuma ficaria ansioso para cumprir compromissos. Era como se pensasse: o que pode acontecer de pior? Se acontecer, terei condições de lidar com o acontecimento? Essa atitude tornava as coisas menos dramáticas e impositivas. Ele não costuma se render facilmente às pseudourgências que costumam esmagar a maioria das pessoas comuns.

Integridade e Honestidade. Arnaldo era honesto consigo e com os outros. Aqueles que se davam com ele sempre tinham a sensação que ele era verdadeiro. As suas posições realmente correspondiam ao que ele pensava e sentia.

Coragem. Arnaldo não era facilmente intimidável. Não se impressionava com credenciais, títulos ou posses dos seus interlocutores. Os seus olhos sempre se voltavam para o psicológico: o que o outro estava querendo obter com a sua atuação; o seu interlocutor estava sendo honesto? Ele estava solicitando o seu posicionamento explícito ou conivência sobre aquilo que estava expressando?.

Não ser imediatista. A forma mais imediata de evitar constrangimentos e encrencas é agir como as pessoas esperam que ajamos. A maioria de nós age socialmente guiada pelas consequências imediatas. Parece que perguntamos: “Como você quer que eu me comporte? O que você quer que eu diga? O que você espera de mim?" e respondemos "Se não for muito difícil, vou atender ás suas expectativas.”

Expansor de limites. Como era honesto consigo próprio e com as outras pessoas, Arnaldo sempre expressava o que realmente sentia e pensava ou, pelo menos, se recusava a cooperar explicitamente com as expectativas alheias que implicavam em se manifestar de forma que não concordava. Por esse motivo, uma conversa com ele produzia uma revisão da forma de pensar do seu interlocutor, o que estimulava o seu desenvolvimento e crescimento.

Presença. A sua atitude era expressa pelo que dizia, pela da sua forma firme e não ameaçadora de falar, pela sua forma tranquila de olhar e se movimentar e pela sua postura física. Esse conjunto tornava sua presença notável. Ele tinha algo a acrescentar. A sua honestidade e capacidade de percepção tornava interessante e valiosa a sua presença e as suas atuações.


Ângelo, uma pessoa pouco autêntica e ávida para obter resultados imediatos

Ângelo vivia estudando as mil e uma formas de agradar alguém e ser considerado importante.

Evitava frustrar as pessoas e era propenso a dizer o que elas queriam. Também não tinha coragem de contrariar. Se Ângelo era convidado por uma amiga para participar de um programa incômodo, ele não tinha coragem de dizer não. Estava sempre fazendo coisas que não queria.

Os seus relacionamentos não eram muito verdadeiros. As suas conversas abordavam temas que não eram muito motivadores para ele ou para seus interlocutores. Muitas vezes se pegava sustentando uma conversa ou um relacionamento que atendia muito pouco ou nadas as suas motivações.

Tinha medo de perder os relacionamentos caso fosse mais autêntico. Pior que tudo, não tinha nenhuma segurança de que poderia agradar ou, até mesmo, sobreviver socialmente, caso aumentasse o seu grau de autenticidade.

Não ser autêntico lhe diminuía a autoestima e lhe dava uma sensação de não existir socialmente.

Você é pouco autêntico? Por isso, os seus relacionamentos fazem pouco sentido? Procure a ajuda de um psicólogo. 

NOTA

1- Amy B. Brunell, Michael H. Kernis, Brian M. Goldman, Whitney Heppner, Patricia Davis, Edward V. Cascio, Gregory D. Webster. Dispositional authenticity and romantic relationship functioning. Personality and Individual Differences, 2010.

Veja um resumo desse artigo em: 

http://www.sciencedaily.com/releases/2010/03/100315125653.htm (consultado em 03/05/2014) 

2 - White, N (2011). An Examination of Dispositional Authenticity (A Dissertation Presented in Partial Fulfillment

of the Requirements for the Degree Doctor of Philosophy). Arizona State University. (em PDF)


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Por Ailton Amélio às 08h59

03/05/2014

Ser verdadeiro consigo mesmo e com outras pessoas melhora os relacionamentos

Há pouco tempo foi publicado o relato de uma pesquisa realizada por Amy Brunell, professora da Universidade de Ohio e colaboradores, sobre os efeitos benéficos que a autenticidade produz nos inícios de relacionamentos amorosos (Veja a citação na Nota, no final desse artigo). Segundo esses autores, pessoas “autênticas” são aquelas que conseguem ver a si próprias de forma clara e objetiva, agem de forma consistente com suas crenças e são honestas e verdadeiras com outras pessoas. São pessoas que comunicam para seus parceiros o que sentem e pensam. Essa autenticidade contribui para criar a intimidade nos relacionamentos e torná-los mais reais, consistentes e nutritivos.

Segundo essa pesquisa, a autenticidade masculina contribui mais para a criação de relacionamentos mais satisfatórios do que a autenticidade feminina. Uma possível explicação para esse fato é que as mulheres já agem mais dessa forma que eles.

Neste artigo vou apresentar a descrição de duas pessoas reais que conheci. Uma delas muito autêntica e a outra, pouco autêntica. A primeira dessas descrições mostra que é preciso mais do que autenticidade para produzir efeitos benéficos nos relacionamentos. Uma autenticidade mais grosseira e desrespeitosa (“sincero demais”) pode produzir verdadeiros desastres pessoais e sociais.


A autenticidade não está na moda

Estamos em uma época onde “deixamos por menos”. Como não sabemos como nos tornarmos psicologicamente mais atraentes, autênticos e carismáticos, partimos para o mais óbvio e imediato: para nos sentirmos importantes, sermos aceitos e fazermos sucesso, recorremos ao aperfeiçoamento da nossa aparência e procuramos obter e demonstrar poder e riqueza. Existem muitas clínicas para o tratamento da estética, academias de ginástica para melhorar o corpo, shoppings para a venda de vestuário, acessórios e produtos de beleza.

Mesmo quando temos uma ideia sobre como poderíamos nos tornarmos psicologicamente mais atraentes, isso pode ser excessivamente difícil para aqueles mais imediatistas: o desenvolvimento  psicológico não pode ser comprado e exige muita dedicação e esforço para que mostre seus efeitos. Além disso, não existem institutos que nos ajudem a aumentar a atração pessoal através do aperfeiçoamento psicológico.

A mídia raramente destaca o valor, o poder e os benefícios da autenticidade. Ela só destaca os ricos, famosos e poderosos. Nunca vi um programa de televisão ou de rádio voltado para a glorificação de pessoas psicologicamente fascinantes e nutritivas.

Claro que muitas pessoas ficaram ricas e poderosas ajudadas pelos seus carismas e fascínios. No entanto, nas entrevistas com essas pessoas, nunca esses fatores psicológicos não são devidamente destacados. Por exemplo, nunca vi o destaque de um ótimo momento de autenticidade após uma entrevista televisiva. Nunca vi na televisão um resumo dos melhores momentos psicológicos onde atuações autênticas fossem examinadas em câmera lenta e amplamente comentados por especialistas competentes.

Neste artigo, para fins de ilustração, vamos apresentar um tipo psicológico autêntico e dotado de outras qualidades que faz dele alguém marcante e nutritivo para aqueles que convivem com ele. Para fins de contraste, vamos apresentar outro tipo bem menos autêntico e muito mais frequente na vida real.


Arnaldo, uma pessoa autêntica e harmônica

Mais autenticidade e menos média. Arnaldo não fazia muita média com as pessoas. Aqueles que esperavam bajulação, admiração fingida, cooperação para o sucesso da projeção distorcida da autoimagem e conivência para a manutenção de fantasias pessoais não podiam contar com ele. Por outro lado, se você quisesse alguém que realmente olhasse para você e não só para aquilo que você gostaria se mostrar ou que fosse visto, então ele era a pessoa certa.

Aceitação das outras pessoas. Arnaldo aceitava bastante as outras pessoas. Parecia estar ciente de que todos nós, inclusive ele próprio, tendíamos a distorcer um pouco as nossas percepções e que precisávamos fantasiar um pouco a nossa importância. Ele parecia considerar isso como parte da natureza humana e, por isso, não mostrava impaciência ou contrariedade quando lidava com essas distorções. Autenticidade sem imposição. Para Arnaldo, cada um tinha seu espaço psicológico. Ele sabia quanto cada um podia render e aceitava esses limites e não fazia que o seu interlocutor se sentisse mal. Não achava que era seu papel corrigir ninguém, mas também, não achava que era sua obrigação cooperar com as distorções alheias. Ele só agia dentro do espaço que o interlocutor permitia. Se julgasse que o interlocutor não tinha espaço para acolher o seu posicionamento, ele podia até se manifestar, mas não insistia ou se estendia naquilo que tinha para dizer.

Ele sabia respeitar os limites alheios e, ao mesmo tempo, não ser omisso.

Tato para lidar com as pessoas. Arnaldo sabia passar a sensação que você era aceito e, ao mesmo tempo, podia ser um pouco melhor do que era e que poderia corrigir um pouco a sua posição. As suas atuações corretivas eram indiretas e, após conversar com ele, você ficava estimulado a refletir sobre a sua forma de agir e pensar.

Não era rude e quase nunca provocava confrontos. O seu jeito de apresentar a sua posição fazia que as suas participações não fossem ameaçadoras para seus interlocutores. Não usava autoridade ou teorias psicológicas para impor ou apoiar suas posições. Centrava o que estava dizendo nas suas percepções da forma de agir das outras pessoas. Ele não dizia que as pessoas estavam erradas. O fato dele não apoiar várias das proposições que as pessoas esperavam que fossem apoiadas já era suficiente para indicar que ele não concordava totalmente com o que elas estavam dizendo ou fazendo.

Não era impositivo. Ele não mostrava necessidade de ser incluído ou se impor. Parecia que ele participava das reuniões sociais naturalmente e sem esforço. Não lutava para se fazer ouvir. Não se esforçava para agradar. Por outro lado, era sempre presente, participante e bem vindo. A sua presença era suave, forte e construtiva.

Respeito. Tinha boa autoestima e, por isso, não se sentia ameaçado ou diminuído. Não dava mais importância para as expectativas alheias do que para aquilo que sentia e pensava. Não costuma ficaria ansioso para cumprir compromissos. Era como se pensasse: o que pode acontecer de pior? Se acontecer terei condições de lidar com o acontecimento? Essa atitude tornava as coisas menos dramáticas e impositivas. Ele não costuma se render facilmente às pseudourgências que costumam esmagar a maioria das pessoas comuns.

Integridade e Honestidade. Arnaldo era honesto consigo e com os outros. Aqueles que se davam com ele sempre tinham a sensação que ele era verdadeiro. As suas posições realmente correspondiam ao que ele pensava e sentia.

Coragem. Arnaldo não era facilmente intimidável. Não se impressionava com credenciais, títulos ou posses dos seus interlocutores. Os seus olhos sempre se voltavam para o psicológico: o que o outro estava querendo obter com a sua atuação; o seu interlocutor estava sendo honesto? Ele estava solicitando o seu posicionamento explícito ou conivência sobre aquilo que estava expressando?.

Não ser imediatista. A forma mais imediata de evitar constrangimentos e encrencas é agir como as pessoas esperam que ajamos. A maioria de nós age socialmente guiada pelas consequências imediatas. Parece que perguntamos: “Como você quer que eu me comporte? O que você quer que eu diga? O que você espera de mim?" e respondemos "Se não for muito difícil, vou atender ás suas expectativas.”

Expansor de limites. Como era honesto consigo próprio e com as outras pessoas, Arnaldo sempre expressava o que realmente sentia e pensava ou, pelo menos, se recusava a cooperar explicitamente com as expectativas alheias que implicavam em se manifestar de forma que não concordava. Por esse motivo, uma conversa com ele produzia uma revisão da forma de pensar do seu interlocutor, o que estimulava o seu desenvolvimento e crescimento.

Presença. A sua atitude era expressa pelo que dizia, pela da sua forma firme e não ameaçadora de falar, pela sua forma tranquila de olhar e se movimentar e pela sua postura física. Esse conjunto tornava sua presença notável. Ele tinha algo a acrescentar. A sua honestidade e capacidade de percepção tornava interessante e valiosa a sua presença e as suas atuações.


Ângelo, uma pessoa pouco autêntica e ávida para obter resultados imediatos

Ângelo vivia estudando as mil e uma formas de agradar alguém e ser considerado importante.

Evitava frustrar as pessoas e era propenso a dizer o que elas queriam. Também não tinha coragem de contrariar. Se Ângelo era convidado por uma amiga para participar de um programa incômodo, ele não tinha coragem de dizer não. Estava sempre fazendo coisas que não queria.

Os seus relacionamentos não eram muito verdadeiros. As suas conversas abordavam temas que não eram muito motivadores para ele ou para seus interlocutores. Muitas vezes se pegava sustentando uma conversa ou um relacionamento que atendia muito pouco ou nadas as suas motivações.

Tinha medo de perder os relacionamentos caso fosse mais autêntico. Pior que tudo, não tinha nenhuma segurança de que poderia agradar ou, até mesmo, sobreviver socialmente, caso aumentasse o seu grau de autenticidade.

Não ser autêntico lhe diminuía a autoestima e lhe dava uma sensação de não existir socialmente.

Você é pouco autêntico? Por isso os seus relacionamentos fazem pouco sentido? Procure a ajuda de um psicólogo. 

NOTA

Amy B. Brunell, Michael H. Kernis, Brian M. Goldman, Whitney Heppner, Patricia Davis, Edward V. Cascio, Gregory D. Webster. Dispositional authenticity and romantic relationship functioning. Personality and Individual Differences, 2010.

Veja um resumo desse artigo em: 

http://www.sciencedaily.com/releases/2010/03/100315125653.htm (consultado em 03/05/2014) 

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Por Ailton Amélio às 13h41

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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