Blog do Ailton Amélio

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24/09/2014

Você é bem sucedido ou fracassa nas suas conversas amorosas?

Você é daqueles que:

1- Não consegue ser atraente nos bate-papos, tanto naqueles que acontecem cara a cara, como naqueles que acontecem através de aplicativos para iniciar e desenvolver relacionamentos?

2- Atrai de longe, mas quando vai conversar logo leva um fora?

3- Os inícios dos seus relacionamentos não passam do primeiro encontro?

4- Não sabe usar a conversa para trazer satisfação para os seus relacionamentos?

5- Não sabe usar a conversa para desenvolver e manter relacionamentos?

Você respondeu "Não" para todas essas perguntas? Parabéns! Você deve ser muito bom de papo. Leia este artigo e confira as suas habilidades!

Você respondeu "Sim" para uma ou mais que uma dessas perguntas? Leia esse artigo e tente identificar o tipo de erro que você está cometendo nas suas conversas.

A conversa é o principal tipo de relacionamento social

A maioria das interações humanas acontece através da conversa. Além disso, a conversa é capaz de proporcionar grandes satisfações ou grandes sofrimentos para os interlocutores. Por esses dois motivos, a boa conversa é um dos principais pilares de todos os tipos de relacionamentos pessoais.

Para haver uma boa conversa, é necessário que a comunicação não verbal seja eficiente, ouvir ativamente, falar coisas interessantes e agradáveis e não falar coisas inapropriadas.

Neste artigo, vou tratar dos principais acertos e erros verbais e não verbais que podem acontecer durante uma conversa. Os acertos contribuem para o sucesso do relacionamento. Os erros podem gerar consequências muito desagradáveis como, por exemplo, a reprovação durante as tentativas para iniciar relacionamentos amorosos ou o fracasso das tentativas para manter e desenvolver relacionamentos amorosos.

O teste da conversa para iniciar relacionamentos amorosos

Um relacionamento amoroso pode começar de três formas:

1- Flertar à distância e ser correspondido. Parabéns! Depois disso, é hora de fazer a abordagem e começar a conversar.

2- Ser apresentado para alguém atraente. Que ótimo! Esta é uma boa oportunidade para impressionar bem essa pessoa e, assim, iniciar um relacionamento com ela. Para que isso aconteça, é muito importante sair-se bem na conversa que está sendo iniciada com ela.

3- Já conhecer uma pessoa que seja atraente na área amorosa. Quando surge uma boa oportunidade para conversar com ela, é possível flertar durante a conversa para tentar iniciar um relacionamento amoroso com ela.

Pois bem, nestas três situações descritas acima, a conversa funciona como “teste” obrigatório para passar de fase, ferramenta para cativar a parceira e meio para flertar com ela. Caso a conversa seja bem sucedida, o relacionamento pode passar para o estágio seguinte: foi dado início ao relacionamento amoroso.

O que fazer para desenvolver uma boa conversa

Algumas das principais medidas para desenvolver uma boa conversa são as seguintes:

Mostrar disponibilidade para conversar. Maneiras de fazer isso: dizer ou dar a entender que está com tempo disponível para conversar; pedir para conversar com o interlocutor; parar o que está fazendo para dar atenção para o interlocutor; acomodar-se para conversar confortavelmente por um bom tempo (sentar-se, encostar-se a uma parede, etc.).

Mostrar disposição para conversar: mostrar entusiasmo para conversar, introduzir assuntos, assumir a mesma posição do interlocutor (por exemplo, sentar-se quando ele estiver sentado ou ficar em pé, caso ele esteja em pé), assumir distância apropriada para este tipo de atividade, orientar a frente do corpo na direção do interlocutor.

Apresentar sinais que indicam que você está acompanhando e entendendo o que o interlocutor está comunicando: anuir com a cabeça nas horas certas; emitir vocalizações que indicam que está acompanhando o que o interlocutor está dizendo (hum, hum,), apresentar perguntas pertinentes, etc.

Ajudar o falante a gerenciar a sua comunicação. Para isso, o ouvinte deve apresentar mensagens do tipo: fale mais, fale menos, apresente mais detalhes, explique melhor.

Ajudar o falante a desenvolver a sua comunicação: pedir exemplos, pedir esclarecimentos, resumir o que ele disse (o resumo mostra que o ouvinte entendeu o que o interlocutor comunicou, estimula novos desenvolvimentos dos tópicos já apresentados, fornece “ganchos” para que ele continue a falar, etc.).

Motivar o falante para continuar a falar. Quanto mais o falante verifica que a sua comunicação está produzindo os efeitos pretendidos no ouvinte, maior a sua motivação. Aqueles ouvintes que ajudam a comunicação do falante, que estimulam a sua criatividade e inteligência, são aqueles que mais contribuem para o sucesso do falante.

Erros passivos e ativos cometidos durante a conversa

Um erro é cometido quando a maneira de agir não é coerente com os objetivos de quem age. Por exemplo, um interlocutor está motivado para continuar a conversa, mas age de modo a desestimulá-la.

Os erros cometidos durante o relacionamento podem ser classificados como passivos ou ativos.

Erro passivo: deixar de fazer algo que deveria ser feito. Por exemplo, deixar de reagir a algo interessante que o interlocutor disse e, por isso, desestimulá-lo a prosseguir com o assunto ou com a conversa.

Erro ativo: fazer algo que não deveria ser feito. Exemplos: falar o tempo todo e pressionar o interlocutor para agir em um nível de intimidade que é desconfortável para ele.

Erros passivos

Alguns dos principais erros passivos que são cometidos na conversa são os seguintes:

Conversar em um lugar que não dê para interagir satisfatoriamente com o interlocutor: um lugar barulhento, por exemplo. Para completar o desastre, vá a um lugar que não tenha atrativos. Ai a tortura será completa. Por exemplo, marcar a conversa em um lugar onde não é possível sentar, não dá para comer, não dá para conversar, não há nada interessante para se fazer. Ou seja, neste lugar não é possível conversar por causa do barulho, é desconfortável e não há nada agradável para fazer.

Não estimular a conversa. Não repercutir o que foi dito pelo interlocutor; não fazer o papel de ouvinte ativo (por exemplo, não apresentar perguntas); monopolizar a fala, os assuntos e a forma da conversa; não compartilhar pensamentos e sentimos no nível adequado de intimidade para o relacionamento e para as circunstância presentes.

Não propor assuntos. Isso vai dar a impressão que você não quer prolongar a conversa, que você não há nada que esteja afetando você e que você não tem  gosto pessoal pelas coisas e pela vida.

Responder o mínimo possível: dê respostas mais curtas possíveis, monossilábicas, de preferência. Assim você vai desestimular novas perguntas e dar sinais que não quer conversar. Assim, também, se o interlocutor insistir em apresentar novas perguntas, a conversa vai se tornar um interrogatório muito desagradável para ambas as partes.

Não apresentar informações gratuitas (informações fornecidas sem que tenham sido solicitadas): responda só o que foi perguntado. Assim o interlocutor não vai ter ganchos para continuar a conversa

Só apresentar informações gratuitas impessoais. Por exemplo, quando o interlocutor perguntar onde você mora, dê o nome da rua, bairro um ponto de referência conhecido, ao invés de dar o nome da rua e dizer que gosta do local, que está lá desde que nasceu. Assim a conversa ficará impessoal e superficial.

Não apresentar feedback para a comunicação. Não deixe o seu interlocutor saber como aquilo que ele comunicou afetou você (o feedback para a comunicação do interlocutor é a expressão dos sentimentos e pensamentos que foram provocados pela comunicação que ele apresentou antes). Assim, ele vai ficar sem saber o que você a respeito do que ele disse e o qual impacto a sua comunicação teve em você.

Só falar coisas convencionais e socialmente aprovadas. “Bons tempos aqueles”, “Faz tempo que não chove”, etc. Esta forma de agir vai tornar a conversa e a sua comunicação totalmente sem graça e insípidas.

Não mostrar interesse e prazer em conhecer o seu interlocutor. Não pergunte nada sobre ele ( o que ele faz, o que acha das coisas, etc.). O que importa é você e o seu ponto de vista.

Erros ativos

Adotar um nível inadequado intimidade: adotar um nível muito alto ou muito baixo de intimidade para aquele interlocutor e para aquela circunstância.

Ser rápido ou lento demais nas tentativas para estabelecer intimidade. Por exemplo, tentar, muito rapidamente, ver se ela topa sexo. Procurar sondar, muito rapidamente, se ele topa um relacionamento sério ou se ele só quer ficar.

Apresentar muitas perguntas fechadas - aquelas perguntas cujas respostas são “Sim” ou “Não”, “Hoje” ou “Depois”, “Dez anos”, etc.

Monopolizar a fala: o tempo de fala (você fala mais tempo do que o interlocutor), o modo da fala (por exemplo, perguntas e respostas).

Ser desagradável. Por exemplo, seja irônico com o interlocutor, contradiga-o sempre que possível; procure intimidá-lo e ridicularizar seus pontos de vista. Mostre-se superior

Você tem dificuldades para passar nos testes da conversa e para usar a conversa para manter e estimular seus relacionamentos? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h18

19/09/2014

O seu relacionamento amoroso está oco, mas você não consegue terminá-lo?

Dê uma nota de 0 a 10 para o quanto você concorda com cada uma das afirmações abaixo (0 = não concordo nada; 5 = concordo mais ou menos; 10 = concordo totalmente). Elas ajudarão a verificar se o seu relacionamento perdeu boa parte do seu conteúdo e está sendo mantido por conveniências ou por comodismo.

1- O amor entre você e a sua parceira minguou: agora, ele nem se compara com o que já foi um dia: nada de olhos nos olhos, beijos românticos prolongados, telefonemas só para ouvir a sua voz, mil mensagens só para dizer que está pensando nela...

2- A sua atração sexual pela parceira diminuiu muito. Fazer sexo com ela deixou de ser extremamente prazeroso e passou a ser uma obrigação ou, até mesmo, um momento temido e evitado.

3- A amizade entre você e a sua parceira está muito fraca. Aquele prazer em contar as boas novidades para ela já não existe. Conversar com ela deixou de ter aquele encanto. Você deixou de contar para ela muitas coisas que são importantes para você. Agora só dá para sair com ela se houver um programa muito bom que prenda a atenção dos dois ou amigos que animem a conversa.

Se você deu nota maior que cinco para qualquer uma das três questões acima, o seu relacionamento está oco no tipo de conteúdo que trata a questão.

Se você deu mais que cinco para duas ou para as três questões acima, o seu relacionamento está muito oco. Quanto mais próximas de 10 foram as suas notas, mais oco ele está. Leia o texto abaixo e reflita sobre o que está acontecendo.

Neste artigo, vou usar a expressão “relacionamentos ocos” para me referir aos relacionamentos amorosos que são mantidos mesmo quando o amor, a atração sexual e a amizade já terminaram. São relacionamentos mantidos por uma estrutura externa, mas não pelo que acontece nas interações cara a cara entre o casal. Por isso, o nome “oco”.

Existem evidências que indicam que o esvaziamento é a principal causa das separações, tendo superado as traições (segundo lugar) e as brigas (terceiro lugar).

Muitos casais, no entanto, não se separam mesmo quando seus relacionamentos já se esvaziaram. Isto acontece porque existem outras amarras externas que mantêm esses relacionamentos sem conteúdo interno.

Em um artigo anterior, examinei algumas das principais causas do esvaziamento do relacionamento (veja a citação deste artigo, na Nota 1, no final deste artigo).

Neste artigo vamos examinar: (1) alguns dos principais tipos de esvaziamentos que um relacionamento pode sofrer (esvaziamento do amor, do sexo e da amizade) e (2) alguns dos motivos que ajudam a manter esses relacionamentos ocos.

Um exemplo de relacionamento oco

O seu relacionamento entre Marlene e o André, seu esposo, estava oco. Ele havia perdido toda a cumplicidade: eles não tinham mais nada para dizer um para o outro. O conteúdo das suas conversas agora consistia em cumprimentos formais, lembretes das obrigações que cada um tinha que cumprir, notícias imprescindíveis e comentários desanimados sobre fatos do cotidiano. A presença do outro não trazia nada de significativo. Era chato. Nada que o outro fizesse ou dissesse era muito interessante ou prendia atenção. Só era possível permanecer na companhia do outro cônjuge quando havia algo externo para prender a atenção: assistir um programa de televisão que interessava a ambos, visitar alguém, viajar para locais onde que tivessem atrações para manter suas atenções. Era um casal do tipo que um cônjuge lê o jornal no café da manhã enquanto o outro assiste televisão. Outro exemplo: aquele casal que sai para jantar, mas durante o tempo, os cônjuges  ficam manipulando seus celulares.

Marlene e André deixaram de compartilhava seus sentimentos, apreensões, satisfações. Nas raras ocasiões que um deles compartilhava algo que era significativo para si, fazia isso de forma desvitalizada e telegráfica.  Tal compartilhamento geralmente era recebido com monossílabos igualmente desvitalizados pelo outro.

Há muito, cada um deles havia deixado de querer impressionar o outro e a opinião do outro não era procurada como era fonte de validação ou de alívio. Eles não mais se admiravam, não sentiam atração mútua e não se sentiam estimulados pela presença do outro.

Claro que cada um deles continua a sentir e a pensar continuamente em coisas que era significativa: fatos, objetivos para serem alcançados, incômodos, preocupações, acontecimentos que traziam alegria e decepções no dia a dia, pessoas que encontraram e que lhes disseram coisas que os afetaram. Mas, cada um deles passou a achar que não valia a pena falar do que estava se passando consigo para o outro.

Esvaziamento do amor

Robert Levine, professor da Universidade Estadual da Califórnia, e colaboradores (veja a citação deste artigo na Nota 2, no final deste artigo),  perguntou para pessoas de 11 países (o Brasil era um deles) se elas casariam sem amor com um parceiro que tinha tudo que elas queriam. Os participantes tinham três opções de resposta: “Sim”, “Ficaria em dúvida” e “Não”. As respostas variaram bastante dependendo se o país era “individualista” (os interesses dos indivíduos eram considerados mais importantes do que os coletivos) ou “coletivista” (os interesses do grupo eram considerados mais importantes do que os interesses dos indivíduos). Nos países individualistas (geralmente países ocidentais ou ocidentalizados) mais de 80% das pessoas disseram que não se casariam sem amor (no Brasil, 86% disseram que não casariam, 10% que ficariam em dúvida e 4% que se casariam sem amor com um pretendente bem qualificado). Nos países coletivistas, uma percentagem bem maior de pessoas disse que se casaria ou ficariam em dúvida com tal pretendente do que nos países individualistas.

Em seguida, os autores dessa pesquisa apresentaram outra pergunta: Após o casamento, se você deixasse de amar o parceiro, você se separaria? A grande maioria das pessoas de todos esses países, inclusive daqueles que eram individualistas disse que não se separaria. Ou seja, nos países ocidentais, o  amor não é um requisito muito importante para manter um casamento.

Esvaziamento da atração sexual

Geralmente, quando há o esvaziamento do amor, também há um esvaziamento do interesse sexual. Isso é verdade principalmente por parte das mulheres.

Elas até podem continuar a fazer sexo, mas as atividades sexuais geralmente são iniciadas por pressão dos maridos e elas cooperam porque elas sabem que o sexo é necessário para manter a harmonia do relacionamento e para evitar traições por parte deles.

Muitas dessas mulheres até acabam se excitando durante o sexo e chegando ao orgasmo. As mulheres que se excitam dessa forma são aquelas cujos desejos “pegam no tranco” (veja o meu artigo, neste Blog, “Mulheres que pegam no tranco”, que trata deste assunto). Também estou convencido que existem muitos homens que “pegam no tranco”: são aqueles que não sentem desejo antes do início das atividades sexuais. Para despertar o desejo, estes homens usam artifícios (ver filmes pornôs, masturbação, pensar em outra pessoa, etc.) e também podem usar algum tipo de artifício para ajudar a manter a ereção (medicações que têm esse efeito).

Esvaziamento da amizade

A amizade é bastante complexa. Ela é regida por uma espécie de contrato que estipula muitos direitos, deveres e sentimentos.

Um estudo realizado por Robert Sternberg e Grajek (Veja a citação deste artigo na Nota 3, no final deste artigo) verificou que a amizade amorosa é constituída pelos seguintes elementos:

1- Desejar promover o bem estar do amado

2- Ficar feliz por ter aquela pessoa como parceiro amoroso

3- Ter alta consideração pelo amado

4- Ser capaz de contar com o amado em tempos de necessidade

5- Haver compreensão mútua com o amado

6- Compartilhar a intimidade e as posses com o amado

7- Receber suporte emocional por parte do amado.

8- Dar suporte emocional para o amado

9- Ter uma boa comunicação íntima com o amado

10- Valorizar o relacionamento que existe com o amado

Não existe bem material que supere a satisfação que a intimidade proporciona.

Esvaziamento da amizade: desinteresse pelo que se passa com o cônjuge

Um relacionamento onde o cada cônjuge deixou de se interessar pela vida psicológica do outro (o que ele anda sentindo, pretendendo, preocupado, satisfeito, etc.) está oco. Muitas vezes, neste tipo de relacionamento, ainda persiste uma preocupação e cuidados com o bem estar físico e material do outro cônjuge. Mas quando o que o cônjuge pensa e sente deixou de ser interessante para o outro, ele se tornou uma casca e perdeu a sua visibilidade psicológica. É como possuir um objeto de arte: ele não fala, não tem desejos, não tem preocupações, não faz planos, etc., mas é bom de ser visto, tem que ser cuidado e exibido.

Fatores que seguram os relacionamentos ocos 

Muitos casamentos são mantidos mesmo sem amor, amizade e interesse sexual porque, depois de um tempo de vida de casado, o casal estabeleceu outra estrutura para mantê-lo.

Fatores externos que podem segurar relacionamentos ocos

O relacionamento pode se enraizar em diversas direções. Algumas delas são  as seguintes:

- Fatores econômicos: o casal constitui uma unidade econômica: os custos e benefícios econômicos de um cônjuge afetam o outro.  Os custos para manter um casal que vive junto geralmente são menores do que a soma para manter cada um dos dois cônjuges que vivem em casas separadas (por exemplo, não é necessário pagar dois condomínios ou acender duas luzes para iluminar a mesma  sala).

- Filhos: o futuro genético do casal fica definitivamente interligado através dos filhos. As obrigações e o amor pelos filhos podem ajudar a segurar um relacionamento oco.

- Relacionamentos com familiares dos dois lados. O relacionamento com os familiares do cônjuge podem ajudar a manter ou a acabar com o casamento.

- Sentido na vida. Geralmente há uma redefinição psicológica e social daqueles que se casam. Cada cônjuge, em certa medida, incorpora o outro ao seu eu: eles deixam de ser “eu” e “tu” e passam a ser “nós”.

- Identidade pessoal: cada cônjuge passa a definir-se conceber-se como “marido” ou “esposa”, “pai”, “genro” ou “nora”. Essas definições têm consequências psicológicas e práticas (ajuda mútua, lazer, apoio psicológico e social, etc.).

- Consequências legais: o casal passa a funcionar como uma unidade jurídica: assume direitos e deveres legais.

- Divisão de tarefa: muitos esposos acabam se especializando em atividades práticas e sociais complementares: pagar as contas, supermercado, levar os filhos à escola, lembrar datas comemorativas, etc.

- Unidade social: o casal passa a ser visto como uma unidade social: por exemplo, ninguém pensaria em convidar apenas um deles para uma festa ou viagem.

- Companhia. Só a presença do outro cônjuge, mesmo quando o relacionamento já está oco, ainda faz diferença: sensação que está casado, segurança de poder contar com alguém em caso de muita necessidade, etc.

- Medo de não conseguir outro relacionamento.

O seu relacionamento está oco? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS

1- AMÉLIO, A. O esvaziamento é a principal causa das separações. ailtonamélio.blog.uol.com.br (postado em 30/07/2014)  

2- LEVINE, R.; SATO, S.; HASHIMOTO, T.; VERMA, J. Love and marriage in eleven cultures. Journal of Cross-Cultural Psychology, v. 26, No. 5, p. 554-71,1995.

3-  STERNBERG, R. J. and GRAJEK, S. (1984). The nature of love. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 312 – 329.

Por Ailton Amélio às 08h47

11/09/2014

Para melhorar o sexo: homens mais cúmplices e românticos e mulheres mais eróticas

Pouca cumplicidade, pouco romantismo, pouca sensualidade e poucas preliminares sexuais são reclamações frequentes das mulheres sobre os homens.

Exigências excessivas para iniciar sexo (jantares, longas conversas, etc.) e restrições excessivas para variações sexuais são algumas das reclamações frequentes dos homens sobre as mulheres.

Os homens geralmente não aprenderam a apreciar boas conversas, sensualidade, erotismo e preliminares sexuais prolongadas. As mulheres geralmente não gostam de erotismo puro. Quando os homens tentam fazer sexo por sexo, elas se sentem "usadas", "como um pedaço de carne" e acham que eles têm algum problema para querer tal coisa. A vida sexual pode ser muito melhorada se ambas as partes aprenderem a apreciar um pouco mais o que a outra parte gosta.

Tenho escrito bastante sobre a qualidade do relacionamento fora da cama. Por isso, neste artigo vou tratar mais do relacionamento sexual: como homens e mulheres podem melhorar seus relacionamentos na cama e, assim, também melhorar seus relacionamentos fora da cama.

Os homens e as mulheres podem mudar

Não devemos considerar que a nossa forma de ser e agir é imutável. Essa afirmação se aplica também à área sexual. Podemos modificar bastante aquilo que gostamos e que achamos excitante no sexo. Os homens podem aprender a apreciar e a contribuir para que o relacionamento seja amistoso, romântico e sensual e as mulheres, a encarar sexo por sexo como algo prazeroso e legítimo.

Seria muito útil que homens e mulheres se afinassem melhor, se tornassem mais semelhantes tanto no relacionamento fora da cama como na cama.

Cada dupla de parceiros amorosos pode e deve ajustar muitas coisas para melhorar a vida sexual. Quando as práticas sexuais que trazem satisfação para um cônjuge são muito diferentes daquelas que trazem satisfação para o outro, um ou ambos sairão frustrados.

Os homens podem aprender a apreciar mais a cumplicidade, a eroticidade e as preliminares

Vou usar aqui o termo “eroticidade” para me referir ao clima que é produzido por olhares sedutores, insinuações sexuais, declarações e expressões de desejo e conversas pessoais sobre temas sexuais.

Vou usar aqui o termo “preliminares” para me referir às práticas sexuais que antecedem aquelas que levam ao orgasmo.

Claro que muitos homens gostam da eroticidade e das preliminares. No entanto, a grande maioria deles gosta mais das práticas sexuais que levam ao orgasmo e, por isso, abrevia os momentos de eroticidade e preliminares. 

Apreciadores da eroticidade e das preliminares

Os verdadeiros apreciadores da eroticidade e das preliminares são aquelas pessoas que acham a eroticidade tão ou mais prazerosa do que as práticas sexuais que levam diretamente ao orgasmo.

Embora os apreciadores da eroticidade também acabem pondo em ação as práticas que levam ao orgasmo, estas práticas, no entanto, têm para eles importâncias relativamente reduzidas e funcionam mais como a cereja em cima do bolo: é deliciosa, mas pequena e dura pouco tempo na boca.

Os homens que não aprenderam a produzir e a apreciar a eroticidade são toscos na área sexual: depois de poucos minutos de clima erótico e de preliminares, iniciam as práticas sexuais que levam ao orgasmo. Essa maneira de proceder é comparada, pejorativamente, com a cópula dos galos: sem preparação, rápida e direta ao ponto.

Esta forma de proceder também lembra aquelas pessoas que tomam de uma só golada um copo de um vinho excelente ou enchem a boca e engolem sem sequer mastigar uma comida deliciosa.

Essa forma tosca de proceder geralmente não satisfaz as parceiras.

Vantagens dos apreciadores da eroticidade

Saber estabelecer, prolongar e usufruir a eroticidade proporciona muitos benefícios. Alguns deles são os seguintes:

- Prazer intenso e prolongado. Como a eroticidade não leva ao orgasmo, os momentos de eroticidade podem ser prolongados e apreciados indefinidamente.

- Firma o desejo pela parceira. Experimentar, repetida e demoradamente, a eroticidade que é produzida ou inspirada pela parceira ajuda a estabelecer e a desenvolver o desejo por ela.

- Firma e aumenta o desejo sexual. Permanecer um bom tempo em um clima erótico faz que o desejo cresça e permaneça firme.

- Proporciona momentos de intimidade física entre os parceiros. Este tipo de clima erótico geralmente estimula troca de carinhos e beijos.

- Proporciona momentos de intimidade psicológica entre os parceiros. O clima de eroticidade estimula o compartilhamento de sentimentos e pensamentos íntimos através da comunicação verbal  e da comunicação não verbal. Esse tipo de compartilhamento e o seu acolhimento adequado ajudam a fortalecer a ligação entre o casal.

- Melhora a autoestima: verificar o próprio poder para provocar o desejo da parceira aumenta a confiança nos próprios méritos e na própria capacidade para atrair.

As mulheres podem aprender a apreciar por sexo por sexo

Vou usar aqui a expressão “sexo por sexo” para me referir ao desejo sexual que é provocado por atividades e situações sexuais e não pelo envolvimento ou pelo sex appeal do parceiro. Este tipo sexo geralmente começa diretamente, sem uma historinha que lhe dê contexto. Este tipo de sexo geralmente é impessoal, mesmo quando praticado com o cônjuge: as práticas sexuais são mais importantes do que a identidade dos parceiros com quem elas estão acontecendo. Esse tipo de sexo pode ser realizado com estranhos ou em grupo.

O desejo de sexo por sexo, por exemplo, é aquele desejo que é provocado observação de vídeos pornográficos, pela adoção de certas práticas como amarrar o parceiro ou observar a parceira usar um vibrador.

Para praticar sexo por sexo é necessário desvincular a ligação entre o desejo e o contexto afetivo do relacionamento.

Os estudos sobre fantasias e práticas sexuais geralmente indicam que o sexo por sexo é um dos tipos de fantasias que são mais frequente entre os homens do que entre as mulheres. A maioria das mulheres não gosta muito desse tipo de sexo. Uma autora americana afirma que os vídeos que mostram esse tipo de sexo e as conversas sobre esse tipo de sexo geralmente não são muito eficientes para excitar as mulheres. Para elas, as propostas de sexo por sexo pode ser bem vindo depois que elas já estão excitadas e não como uma forma inicial de provocar a excitação. Essa autora sugere para os homens que só tentem introduzir esse tipo de prática sexual quando as mulheres já estiverem bastante excitadas.

Benefícios do sexo por sexo

É inevitável que a vida sexual decline à medida que o tempo de relacionamento vai aumentando, que a idade vai aumentando, que o romantismo entre o casal vá diminuindo, que as obrigações vão aumentando, que nascem os filhos e o tempo disponível para intimidades entre o casal vá diminuindo?

 Todos esses motivos contribuem para diminuir a motivação e a disposição física para o sexo e para encher a cabeça com preocupações. Esses acontecimentos são incompatíveis com pensamentos sensuais e eróticos.

Existe alguma coisa que possa ser feita para combater ou atenuar os efeitos negativos desses fatores sobre a sexualidade? Uma certa dose de sexo por sexo parece ter esse efeito.

O sexo por sexo pode tornar todo o circuito sexual mais robusto e imune a uma série de acontecimentos que geralmente enfraquecem a atividade sexual.

Além disso, o gosto por sexo por sexo ajuda a prevenir e a reparar vários tipos de problemas sexuais. Quando estamos muito motivados por uma coisa, ela se torna menos perturbável por outras. Por exemplo, quando estamos assistindo um programa de televisão ou lendo um livro que gostamos muito, mantemos muito mais facilmente a nossa atenção na atividade que nos agrada. Isso acontecer mesmo em condições relativamente perturbadoras: sono, barulho, temperatura desagradável.

Quando o sexo por sexo tem efeitos positivos

O desenvolvimento de um bom grau de desejo por sexo por sexo beneficia:

- Homens e mulheres que têm pouco desejo sexual.

- Homens que têm dificuldade para manter a ereção porque temem desagradar a parceira caso falhem ou não mostrem um ótimo desempenho.

- Homens e mulheres que têm parceiros que não são muito atraentes.

- Homens e mulheres que só chegam ao orgasmo através de um procedimento rígido (determinada sequencia sexual, determinada posição, determinadas práticas).

- Mulheres e homens que associaram demais seus desejos com o bom estado do relacionamento (por exemplo, para aquelas que não aceitam sexo quando estão experimentando um pequeno grau de insatisfação com o parceiro).

Como desenvolver o gosto por sexo por sexo

Os caminhos para o desenvolvimento do gosto por sexo por sexo ainda não são bem conhecidos.  A literatura desta área, no entanto, apresenta várias sugestões para esta finalidade. Algumas delas são as seguintes:

- Expor-se a material que mostra práticas sexuais: ver filmes eróticos, ler romances eróticos, praticar sexo descontextualizado.

- Praticar sexo mais frequentemente. Antes, durante e depois do sexo, o organismo produz várias substâncias que conduzem a estados prazerosos. É possível viciar-se nessas substâncias e passar a fazer sexo para produzi-las (tal como acontece com a ginástica, onde o organismo produz endorfinas e, por isso, muita gente vicia em esportes).

- Conversar sobre sexo. Geralmente esse tipo de conversa produz excitação, estimula a fantasia e libera inibições.

- Capitalizar a excitação produzida por outros eventos para fins sexuais. Por exemplo, diversas situações não sexuais fazem que o organismo produza adrenalina. A adrenalina aumenta o ritmo cardíaco, o ritmo respiratório e a pressão sanguínea. Os estados fisiológicos e psicológicos produzidos por estas situações têm vários componentes que também aparecem em situações eróticas. Certas pessoas aprendem a usar essas situações como potencializadores  do desejo  sexual. Por exemplo, aprendem a usar a excitação que é produzida por transar nas escadas do prédio, em banheiros de bares, etc. O risco de ser pego produz diversas alterações fisiológicas e psicológicas que são da mesma natureza que as alterações produzidas pelo desejo e excitação sexual e podem ser confundidos com esta.

- Resposta vicariante. Ver outras pessoas excitadas ou praticando sexo geralmente excita os observadores porque temos a capacidade de experimentar coisas “por tabela”: sentir aquilo que outras pessoas estão sentindo. Os filmes comerciais exploraram muito isso: o expectador sente algo parecido com aquilo que o personagem está “sentindo” na tela: medo, tristeza, alegria. Por isso, ver outras pessoas ou filmes onde pessoas estão praticando sexo pode aumentar o desejo sexual.

Perigos do sexo por sexo

O sexo por sexo, quando se torna o principal tipo de sexo praticado pelo casal, pode esfriar o relacionamento afetivo entre os cônjuges. O sexo com afeto e com amor fortalece esses sentimentos. O sexo é um momento de fusão com a pessoa amada. O sexo por sexo despersonaliza um pouco o relacionamento. Assim sendo, o sexo por sexo deve ser combinado com o sexo com amor e com afeto para produzir o máximo de efeitos positivos e não estabelecer muitos efeitos negativos.

Problemas sexuais? Procure a ajuda de um psicólogo.

Venha participar do "Psicoteatro". Leia neste blog, o meu artigo "Psicoteatro: método para desenvolvimento de papéis e características pessoais, sociais e profissionais". Escreva para o meu email (abaixo) e manifeste o seu interesse.

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Por Ailton Amélio às 08h22

02/09/2014

Sexo: como melhorar o seu desempenho e evitar problemas

Responda às seguintes questões. Elas lhe ajudarão a pensar sobre como anda a sua vida sexual:

1- Você está plenamente satisfeito com a sua vida sexual?

2- O sexo é uma fonte de intimidade e de prazer para você e sua parceira?

3- Você ou sua parceira têm problemas sexuais?

4- A sua frequência sexual é baixa? Caso sim, você justifica o seu pouco apetite sexual dizendo que está cansado, que anda estressado ou que anda sem tempo?

5- Para você, o sexo virou uma obrigação e não uma grande fonte de prazer?

6- Para você, o sexo sempre acontece do mesmo jeito?

7- Para você, o sexo é apenas uma forma de "satisfazer uma necessidade biológica"?

8- Você anda pensando em outras pessoas porque o sexo com a sua parceira é muito insatisfatório?

Tenha em mente as suas respostas às questões acima ao ler este artigo e tente achar uma resposta para o que está acontecendo na sua vida sexual.

Funcionamento natural do sexo, interferências negativas e desenvolvimento sexual

Encarar o sexo naturalmente dá muito prazer e resolve grande parte dos problemas sexuais. Helen Singer Kaplan, famosa sexóloga americana, autora do livro “A Nova Terapia do Sexo (veja a citação na Nota 1, no final deste artigo)”, afirmou que o sexo foi feito para funcionar. Se não está funcionando, é porque está sofrendo alguma interferência. A terapia sexual consiste na identificação e na eliminação destas interferências.

Claro que não nascemos com a capacidade para o "funcionamento sexual" totalmente desenvolvida, bastando, para que essa capacidade se manifeste, a ausência de interferências negativas. O sexo pode ser muito melhorado com a aprendizagem e com o desenvolvimento de atitudes corretas quanto a ele.  Essa melhoria pode ser observada naquelas pessoas que aperfeiçoaram suas práticas e, por isso, aumentaram suas satisfações,  a tal ponto que passaram a achar que o sexo é a maior fonte de prazer nas suas vidas. Outras pessoas, que não tiveram esse aperfeiçoamento, afirmam que poderiam passar ser ele e que "existem outras coisas bem mais importantes no casamento". A maioria fica entre esses dois extremos.

Principais semelhanças e diferenças entre homens e mulheres na área sexual

O funcionamento sexual dos homens e das mulheres apresenta muitas semelhanças e algumas diferenças importantes.

Principais semelhanças entre homens e mulheres na área sexual

Os homens e as mulheres apresentam muitas semelhanças sexuais. Algumas delas são as seguintes:

- Eles e elas sentem muito prazer com o sexo.

- A resposta sexual masculina e feminina é constituída por quatro fases: desejo, excitação, orgasmo e período refratário (este período é mais marcado para os homens do que para as mulheres).

- O desejo sexual é constituído por três elementos motivadores (impulso, motivação e querer) e um inibidor (proibições, culpas, tabus, etc.).

- O desejo sexual de homens e mulheres pode “pegar no tranco”: surgir quando começam as práticas sexuais, mas não antes.

Principais diferenças entre homens e mulheres na área sexual

Os homens e as mulheres apresentam diversas diferenças na área sexual. Algumas dessas diferenças têm um forte componente biológico. Todas elas são influenciadas pelas práticas sociais e pela história de vida de cada um.

Algumas das diferenças entre homens e mulheres são as seguintes:

- O funcionamento sexual das mulheres geralmente depende mais do estado do relacionamento com o parceiro e do contexto (gostar do parceiro, admirar o parceiro, ter um bom relacionamento com o parceiro fora da cama) do que o funcionamento sexual masculino (para os homens, o sexo por sexo é mais atraente e pode ser excitante mesmo quando o relacionamento com a parceira não vai bem, a parceira não é muito atraente, etc.).

- As incidências de parafilias (desejar e só se excitar com coisas diferentes do comum) geralmente são maiores para os homens do que para as mulheres (elas aderem a várias delas para cooperar com eles).

- A percentagem de homens que chega ao orgasmo é maior do que a das mulheres.

- Os problemas mais comuns dos homens são as dificuldades de ereção (conseguir e manter a ereção por tempo suficiente para um bom relacionamento sexual) e, os problemas mais comuns das mulheres são  a falta de desejo e dificuldades para chegar ao orgasmo.

Principais "interferências" que atrapalham o funcionamento sexual

Abaixo estão algumas das principais “interferências” que atrapalham o funcionamento sexual:

- A preocupação em funcionar bem ou em impressionar a parceira é inimiga da ereção.  

- Ficar à vontade para “brincar”, para explorar a sexualidade e usufruir a parceira sem nenhuma preocupação para ir adiante ou para consumar o sexo ( atingir ou proporcionar o orgasmo) contribuem fortemente para o pleno funcionamento sexual. Não é bom encarar sexo como algo que deva ter início, meio e fim toda vez que é iniciado.

- Para as mulheres, a obrigação de fazer sexo é inimiga do desejo. Ter que fazer sexo pode implicar em fingir e, por isso, em sentir coisas desagradáveis só para satisfazer o companheiro. Agir sob esse tipo de motivação é um caminho certo para a perda do desejo.

- No sexo, o “caminho” deve tão prazeroso e importante quanto a “chegada”. Por exemplo, conversar animadamente, conversar sensualmente, conversar sexualmente e conversar durante o sexo são atividades prazerosas em si mesma. Cada uma dessas atividades, mesmo se ela não avançar para o estágio seguinte, já proporciona muito prazer e mesma e vale a pena por si só.

- Se você só pega “pega no tranco”, então você está com problemas de desejo. O desejo sexual pela parceira geralmente deve anteceder o início de qualquer atividade sexual com ela. Por exemplo,  antes do encontro, você fica pensando nela; fica relembrando o prazer de fazer sexo com ela; fica esperando a hora que vai encontrá-la para o sexo; pensa no que poderia fazer com ela durante o sexo. Se o desejo não aparece antes do início das práticas sexuais, mas ele aparece quando você começa alguma atividade sexual com ela, então o seu desejo “está pegando no tranco”. (Semelhante a um carro que está sem partida e só pega quando empurrado).

- Preocupação e medo são incompatíveis com desejo e prazer. Enquanto você está preocupado ou com medo, fica difícil sentir desejo. A falta de desejo atrapalha a excitação. A falta de excitação geralmente impede o orgasmo.

- Na alimentação, o desejo de comer depende da fome (quanto tempo passou desde a última alimentação), do apetite (quanto você gosta da comida que está servida, quão cheirosa e bonita ela é, etc.) e dos pensamentos despertados pela oportunidade de comer e daquela comida (ela é saudável, não engorda, é nutritiva, etc.). Com o desejo sexual acontece algo similar: quanto tempo já passou desde a última vez que houve sexo; quão atraente é a parceira e quão tranquilo, seguro e legítimo é fazer sexo com ela (veja a citação 2, na Nota, no final deste artigo)

- Dentro de certos limites, a relação entre hormônios e desejo não é muito forte: a frequência, duração e qualidade do sexo só dependem em parte das doses de  hormônio. Uma evidência que corrobora esta afirmação: a relação entre a frequência e duração do sexo, por um lado, e a idade, que é fortemente relacionada com as dosagem hormonal, por outro lado, não é muito forte e está longe de ser linear.

- Se você funciona bem quando se masturba e se masturba regularmente, é bastante provável que você não tenha problemas orgânicos que atrapalhem a sua sexualidade. Da mesma forma, se você não tem problemas sexuais com uma determinada parceira, mas tem com outra, então é altamente provável que você não tenha problemas orgânicos, mas sim, problemas com a parceira com quem você não funciona (falta de atração por ela, jeito dela faz sexo, temor das suas críticas, etc.).

- O desejo do homem é muito mais relacionado com a intensidade da sua excitação do que o desejo da mulher com a própria excitação. Os autores de uma pesquisa apresentaram filmes pornográficos para homens e mulheres e mediram as intensidades de suas excitações e de seus desejos. A excitação de homens e mulheres foram medida através de aparelhos. O melhor índice de excitação masculina é a intensidade da ereção do pênis e o das mulheres, o intumescimento, lubrificação e alargamento da vagina. A intensidade do desejo de homens e mulheres foi medida através de um questionário. Esse estudo mostrou que o desejo relatado pelos homens é fortemente relacionado com a intensidade das suas excitações. A relação entre intensidade da excitação e o desejo das mulheres é bem mais fraca. O desejo feminino depende bastante do contexto e não só da excitação.

- O desejo da mulher pelo seu companheiro é despertado, em grande parte, pelo estado do seu relacionamento com ele. Ou seja, o desejo feminino é fortemente afetado pelo que acontece fora da cama. Também não adianta o imediatismo: as mulheres não gostam de homens que só ficam atenciosos e carinhosos quando querem sexo.

- Muitas vezes, o que está errado não é sua falta de desejo, mas sim, a falta de sensualidade da sua parceira ou seus poucos atrativos corporais. Você não é obrigado a sentir desejo pela sua parceira. Depende de como ela é com você fora da cama e na cama. Depende também, dos seus atrativos corporais, da sua personalidade e do seu desejo. Isso é válido tanto para os homens como para as mulheres.

- O desejo, em boa parte, depende mais das características de cada pessoa e menos das circunstâncias ou da pessoa desejada. As pessoas que têm muito interesse por sexo continuam querendo transar mesmo quando a situação é adversa: quando elas estão tensas ou preocupadas, quando a parceira não é muito boa de cama ou não está receptiva, etc.

Quando a pessoa não tem muito gosto por sexo, o seu desejo é muito mais facilmente perturbável por qualquer um desses acontecimentos.  

- Uma boa dose de atração de sexo por sexo pode ter efeitos benéficos. Um dos maiores segredos das pessoas que mantêm grande atração por sexo mesmo em condições adversas é o interesse que elas têm em sexo por sexo. Por exemplo, mesmo quando a parceira deixou de ser fisicamente ou psicologicamente atraente, quem tem interesse em sexo por sexo ainda pode ter grande interesse em transar com ela.  

O interesse em sexo por sexo torna o desejo relativamente independente da saciação sexual (é o desejo produzido pelo apetite e não pela privação sexual), das características da parceira (idade, peso, beleza, atributos físicos) e dos próprios hormônios (isso acontece com os “viciados em sexo”: o desejo se torna relativamente independente da dosagem hormonal do viciado). 

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NOTAS

1- Kaplan, H. S (1977). A Nova Terapia do Sexo (2a. Edição). Editora Nova Fronteira.

2- Levine, S. B. (1988). Intrapsychic and individual aspects of sexual desire. In S. R. Leibrum and Rosen, R. C. (Edits),  Sexual Desire Disorders. New York, The Guilford Press, pp. 21 - 43.

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Por Ailton Amélio às 09h08

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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