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22/11/2014

Superfeminina: sem medo de ser mulher

22/11/2014 / 23H34MIN

ESTE BLOG ACABOU DE SER VISITADO UM MILHÃO DE VEZES!!

MUITO OBRIGADO A VOCÊ QUE LÊ OS MEUS ARTIGOS!

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Na nossa espécie, os machos são muito parecidos com as fêmeas (baixo grau de dimorfismo sexual). Por isso, as culturas inventaram diversos tipos de ampliadores de sinais de gênero (decotes, sutiãs, ombreiras, batom, anquinhas, sapatos de salto alto, engrossar ou afinar a voz, cirurgias plásticas, etc. para ampliar os sinais de gênero). Algumas sociedades procuram esconder os sinais corporais de gênero através do uso de roupas folgadas e máscaras! No entanto, esses artifícios usados para esconder o corpo e rosto também são sinais de gênero (geralmente são usados pelas mulheres).

Algumas pessoas sabem usar esses ampliadores de gênero e, por isso,  conseguem parecer mais femininas ou masculinas do que seriam naturalmente. Essas pessoas ficam em vantagem naquelas ocasiões onde a atração romântica e sexual produzem benefícios para quem é atraente.

Este é o tema que vamos abordar neste artigo.

Superfemininas

Acabei de chegar de uma feira de comidas estrangeiras. Não pude deixar de observar os estilos dos frequentadores. Chamou muito a minha atenção algumas mulheres que investem tudo na feminilidade: "Sem medo de ser mulher".

Claro que a aparência física natural ajuda. No entanto, essas mulheres superfemininas se destacavam também pela "produção" - vestuário, cabelos, acessórios, maquilagem-, e, principalmente, pelos comportamentos que ressaltavam suas feminilidades.

"Superfeminina" é uma forma de ser e não apenas a forma de se vestir, maquiar e apresentar certos comportamentos superficiais.

Estou usando aqui o termo "feminilidade" para designar características femininas que não ressaltam a sensualidade.

Essas mulheres também sabem como fazer para não deixar preponderar aquela afetação que ressalta status, dinheiro ou classe social. Ressaltar esses atributos embaçaria os sinais de feminilidade.

E você, consegue expressar a sua feminilidade ou masculinidade no dia a dia e, principalmente, nos seus relacionamentos amorosos?

Atributos que distinguem os gêneros

Geralmente sentimos mais atração romântica e sexual por membros do sexo oposto que apresentam um bom grau de características típicas do seu gênero. Essas características são diferentes daquelas do outro gênero.

As principais dessas diferenças são as seguintes:

1- Formato corporal. Por exemplo, as mulheres geralmente têm uma diferença maior entre os perímetros da cintura e do quadril (cintura mais fina do que o quadril) do que os homens. Os homens geralmente têm uma diferença maior entre os perímetros dos ombros e do quadril (ombros mais largos do que os quadris) do que as mulheres.

2- Comportamentais. Por exemplo, as mulheres geralmente têm modos mais delicados do que homens; as mulheres geralmente têm voz mais fina, macia e musical do que os homens.

3- Emocionais. A nossa cultura aprova diferentes manifestações emocionais para homens e mulheres. Por exemplo, as mulheres choram mais facilmente do que os homens. As mulheres podem mostrar mais medo do que os homens. Os homens podem mostrar mais raiva do que as mulheres

4- Produção. Por exemplo, as mulheres usam vestido ou calças compridas mais justas do que os homens; as mulheres usam batom e sapatos de salto alto. Os homens usam ombreiras nos paletós para ampliar o tamanho dos ombros e chapéus para aumentar a altura.

5- Alterações produzidas no corpo através de cirurgias plásticas, enfaixamento dos pés, tatuagens, etc. para ampliar os sinais de gênero. Por exemplo, as mulheres podem colocar silicone nos seios e nádegas para ficarem "mais femininas". Os homens pode colocar silicone no tórax para simular músculos peitorais desenvolvidos.

As mudanças na aparência que são produzidas pela produção (vesturário, adornos, maquilagem, trantamento da pilosidade, etc.), cuidados corporais (ginástica, banho, etc.) e cirurgias plásticas, além de serem usadas para ampliar sinais de gênero, também são usadas para outras finalidades,  como alterar sinais de idade, apresentar sinais de poder, apresentar sinais afiliativos (uniformes e insignias identificadores de grupos).

Dimorfismo sexual

“Dimorfismo sexual” é uma expressão usada para nomear diferenças sexuais secundárias entre os corpos de machos e fêmeas de uma dada espécie.

As espécies sexuadas variam quanto ao grau das diferenças físicas entre machos e fêmeas. Essas diferenças acontecem em diversos tipos de características: características sexuais primárias (órgãos reprodutores diferentes. Por exemplo, homens têm pênis e mulheres, vagina); características sexuais secundárias (homens geralmente têm ombros mais largos que os quadris; o corpo dos homens geralmente apresenta uma maior percentagem de massa muscular do que o das mulheres, etc.) e características comportamentais (por exemplo, homens geralmente têm voz mais grossa, e são mais agressivos que mulheres).

O grau de dimorfismo sexual geralmente está ligado com a eficiência para combater rivais do mesmo sexo e para atrair parceiros do sexo oposto. Por exemplo, os leões que são maiores, mais fortes e combativos do que os outros se reproduzem mais frequentemente do que aqueles que são mais fracos e menos combativos. Estes podem ser expulsos do bando.


A espécie humana tem baixo grau de dimorfismo sexual

Um ser de outro planeta teria muito mais dificuldade para diferenciar, através da aparência física, homens e mulheres do que leões e leoas, gorilas machos e fêmeas, galos e galinhas, etc.

Na espécie humana, os machos diferem pouco das fêmeas (por exemplo, a diferença na massa corporal entre homens e mulheres gira em torno dos 15%. Entre outros mamíferos, essa diferença gira em torno dos 50%. Por exemplo, o gorila macho pesa, aproximadamente, o dobro da fêmea).

Muitas dessas diferenças são relevantes para a competição entre animais do mesmo sexo (por exemplo, as galhadas dos veados machos são usadas em combates contra outros machos) ou para atrair os membros do outro sexo (o pavão macho exibe a sua cauda colorida durante o cortejamento para atrair as fêmeas; em certas espécies de peixes, os machos mudam de cor na época do acasalamento para atrair as fêmeas).


Ampliadores do dimorfismo sexual dos humanos

Como o dimorfismo é muito importante para a atração entre machos e fêmeas e como a nossa espécie possui baixo grau de dimorfismo, adotamos vários tipos de ampliadores dessas diferenças: produção diferente (por exemplo, as mulheres usam sapato de salto alto e batom. Os homens usam sapato de salto baixo e não usam maquilagem); atividades diferentes (geralmente os soldados são homens e as fonoaudiólogas são mulheres) e comportamentos diferentes (mulheres choram mais do que os homens; “homens não têm medo”, etc.).

Como esses ampliadores do dimorfismo são culturais, muitos deles estão mudando continuamente. Por exemplo; muitas profissões que até agora eram consideradas como “masculinas”, agora estão sendo exercidas, com muita eficiência, pelas mulheres. Outro exemplo, até pouco tempo atrás, só os homens podiam usar calças compridas.

Variações individuais no grau de dimorfismo sexual

O grau de masculinidade / feminilidade varia muito entre as pessoas. Algumas são extremamente femininas e outras extremamente masculinas. A maioria se situa entre esses dois extremos.

Além de já expressarem certa dose de masculinidade ou feminilidade em todas as situações, a maioria das pessoas procura acentuar suas feminilidades ou masculinidades principalmente quando estão procurando iniciar ou fortalecer relacionamentos amorosos.

A maioria das pessoas, no entanto, lança mão dos recursos mais óbvios e mais fáceis de serem implementados. Esses recursos, no entanto, não são muito eficientes para acentuar sinais de gênero. Quase todo mundo pensa na produção quando quer ressaltar os sinais de gênero: vestuário, acessórios, maquilagem e tratamento da pilosidade. Uma quantidade menor de pessoas toma cuidados para manter um bom grau de atração corporal através de ginástica, alimentação saudável. Uma percentagem ainda menor de pessoas recorre a medidas mais drásticas como operações plásticas e operações bariátricas.

Quase ninguém pensa na acentuação dos sinais de gênero através dos comportamentos: como se portar de forma mais ou menos feminina ou masculina. Esta é a forma mais eficiente de conseguir acentuar sinais de gênero, mas infelizmente, a mais difícil de ser colocada em prática. É muito mais fácil renovar o guarda roupa do que se tornar mais feminina ou mais masculina através da forma de se comportar.


Falha para acentuar sinais comportamentais de gênero prejudica relacionamentos amorosos

As pessoas que não se posicionam como “machos” e “fêmeas” nas horas certas apresentam atitudes e comportamentos típicos de relacionamentos amistosos, profissionais ou hierárquicos quando deveriam estar acentuando seus sinais de gênero, flertando e agindo sensualmente.

Essas pessoas geralmente têm mais dificuldade para iniciar, fazer progredir ou manter relacionamentos amorosos porque elas agem como se tivessem “esquecido” ou ignorassem que o parceiro é um membro do sexo oposto (ou do mesmo sexo, no caso dos homossexuais) que reage fortemente aos sinais de gênero.

Inibições para acentuar sua feminilidade / masculinidade? Peça a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 13h26

21/11/2014

Você conhece as regras da amizade?

“Amigo é coisa para se guardar./ Debaixo de sete chaves./ Dentro do coração." (Canção da América. Milton do Nascimento)

Muita gente não consegue fazer amigos, só tem amizades superficiais ou perde muitas amizades que fez a duras penas. Essas pessoas provavelmente não cumprem uma ou mais que uma das regras essenciais da amizade.

As pessoas em geral acreditam que a amizade, como o amor, é algo indescritível que surge ou pode ser desfeita misteriosamente. A amizade nasceria de uma espécie de química, simpatia ou vibração entre pessoas, quando o “santo delas bate”.

De fato a amizade, como o amor, tem algo de misterioso. No entanto, os estudos científicos vêm ajudando a desvendar esses dois fenômenos que estão entre os mais belos e importantes tipos de vínculo que nós, seres humanos, conseguimos desenvolver.

Entender como a amizade nasce e é cultivada ou, por outro lado, como é enfraquecida ou liquidada é muito útil. Este tipo de conhecimento pode ajudar aqueles que têm dificuldade para fazer ou manter amizades ou que querem melhorar a qualidade das suas amizades.

A amizade pode estar presente em vários tipos de relacionamento

Os estudiosos da amizade geralmente preferem estudar este tipo de relacionamento quando ele ocorre por opção e não quando é esperado, devido às expectativas de que ele deve estar presente quando, por exemplo, há laços de parentesco ou casamento entre duas pessoas. Eu creio que a amizade entre aparentados e entre cônjuges tem muito em comum com a amizade que  entre pessoas que não tem vínculos de sangue ou formais


Regras que controlam os comportamentos sociais

Os comportamentos sociais são regidos por milhares, talvez por milhões de regras. Essas regras controlam, por exemplo, o que pode, não pode, deve e não deve ser feito no namoro, no casamento, durante uma visita à casa de um amigo, em um restaurante e entre estranhos que estão em um local público.

A grande maioria dessas regras é aprendida e seguida inconscientemente. Muitas vezes só ficamos conscientes dessas regras quando elas não são cumpridas. Por exemplo, quando um desconhecido começa a andar ao nosso lado na rua, achamos muito estranho e apressamos ou retardamos o nosso passo para nos desparelharmos dele. A regra que nos impede de andar lado a lado com um desconhecido geralmente não é ensinada formalmente, não está escrita em nenhum lugar e fazer isso não é proibido por nenhuma lei.

Uma pequena das regras que regulam as relações interpessoais é regulamentada por leis e, neste caso, não cumpri-las é passível de punições legais. Por exemplo, as regras que impedem que os pais de espanquem os filhos e aquela que impede que os esposos destratarem as esposas são regidas por leis.

Aprendizagem das regras da amizade

Geralmente aprendemos as regras da amizade através da observação dos comportamentos de outras pessoas e pela observação das consequências que ocorrem quando essas pessoas seguem ou deixam de segui-las. Também aprendemos essas regras na base do ensaio e erro: obtemos bons resultados quando as obedecemos e maus resultados quando as desrespeitamos.


As regras da amizade

As regras mais importantes da amizade

Vou apresentar aqui algumas das regras mais importantes para a amizade verificadas em pesquisas internacionais. Como não conhecemos direito as regras que regem as amizades aqui no Brasil, essas regras internacionais devem ser consideradas com cautela.

As principais regras da amizade são as seguintes:

1- Confiança. Não dá para ficar amigo de uma pessoa em quem não confiamos e que não confia em nós.

2- Lealdade. Mesmo em situações difíceis, o amigo fica do nosso lado. Mesmo quando ele acha que não temos razão, ele pode até nos dizer isso, mas nos apoiará e nos ajudará a arcar com as consequências. Ele é uma das nossas principais fontes de apoio.

3- Compromisso. Podemos contar com o amigo.  Ele fará o que puder para nos ajudar quando temos dificuldade psicológica ou material (“If you need me, I’ll be there”, letra de música de mesmo nome de Michael Jackson).

4- Tolerância. Com os amigos, a nossa paciência é maior. Estamos mais dispostos a entender seu ponto de vista. Levamos em conta que queremos manter a amizade e, por isso, não reagimos apenas aos episódios do momento.

5- Respeito. O amigo dá importância para a sua forma de pensar, sentir e agir mesmo quando ele não está de acordo.

6- Consideração. O amigo leva em conta os seus direitos e faz você se sentir importante

7- Afeição. Só ficamos amigo de alguém quando sentimos que essa pessoa gosta de nós.

8 - Compartilhamento de ideias e sentimentos. Os amigos compartilham o que estão sentindo e pensando. Aquilo que está sendo compartilhado é acolhido pelo amigo que ouve. Existe uma alternância neste papel.

9- Honestidade. Falar a verdade para o amigo quando ele estiver errado e isto for bom para ele.

10- - A possibilidade de se mostrar como realmente é: poder expressar sentimentos e cometer erros sem medo de julgamento.

11- Percepção de reciprocidade da amizade. A amizade tem que ser mútua.

12- Assistência voluntária. Quando você necessita, o amigo oferece ajuda sem você ter que pedir.

A similaridade é uma condição para o nascimento da amizade

Não ficamos amigos de qualquer um, nem mesmo quando essas pessoas aplicam as regras para iniciar amizades. Estudos sociológicos mostraram que as amizades mais plenas acontecem entre pessoas assemelhadas em uma grande multiplicidade de características como nível econômico, escolaridade, valores e atitudes (“Homofilia”). Amizade entre dissimilares nestas características têm grande chance de criar constrangimentos e não possibilitar a retribuição de muitos benefícios. Por exemplo, quando há grande discrepância econômica e cultural haverá constrangimentos quando um amigo convida o outro para uma festa com outros amigos.


Não respeitar as regras enfraquece ou rompe a amizade

A obediência às regras que fazem parte do “contrato de amizade” é condição para o desenvolvimento e para a manutenção deste tipo de relacionamento. O descumprimento dessas regras implica no enfraquecimento ou na quebra da amizade. O grau de consequência pelo descumprimento desse tipo de regra depende da importância da regra e da tolerância do interlocutor para o seu não cumprimento.

Muita gente não consegue fazer amigos, só tem amizades fracas ou perde muitos amigos. Essas pessoas provavelmente não cumprem uma ou mais que uma das regras essenciais da amizade.


Benefícios da amizade

A amizade, juntamente com as relações familiares e o amor romântico, dá sustentação e conteúdo para a nossa vida psicológica e prática. Alguns dos principais benefícios das amizades são os seguintes:

Contribui para a felicidade. Segundo Robert Puttman, professor da Universidade de Harvard, o efeito para a felicidade de fazer uma boa amizade equivale a aumentar três vezes o salário.

Combate a solidão. Quem tem amigos é menos solitário. Por exemplo, quem vai passar as festas de fim de ano sozinho sentirá mais solidão do que quem vai estar com os amigos nesta ocasião.

Melhora a saúde. Alguns estudos mostraram que uma boa amizade ajuda a prevenir doenças orgânicas e psicológicas e faz que a recuperação seja mais rápida que acontece um desses tipos de doença.

Melhora a qualidade de vida. Boas amizades contribuem bastante para o sentimento de felicidade

Proporciona entretenimento e diversão. A companhia de bons amigos torna a vida mais interessante e divertida

Confirma a identidade. Bons amigos aceitam o outro como ele é. Isso confirma que ele é uma boa pessoa e digno de ser respeitado e amado

Contribui para o sucesso econômico. Os amigos funcionam como avalizadores entre si (“Diga-me com quem andas, que direi quem és”), indicam e fornecem informações valiosas sobre bons negócios.

Contribui para a satisfação no trabalho. Existem evidências que indicam que a satisfação no emprego depende mais dos relacionamentos sociais que o local de trabalho proporciona do que do salário

É um dos três ingredientes do amor. Segundo Robert Sternberg, autor da teoria triangular do amor, a amizade é um dos três ingredientes fundamentais do amor.


Pessoas que não têm amigos

Quem não tem amigos tem mais chance de viver menos, ficar doente, ser mais solitário, ficar deprimido e desenvolver vícios.

Existem vários possíveis motivos para ter poucos amigos:

Não precisar de amigos (pessoas antissociais, associais),

- Como tudo, a amizade tem custos e benefícios. Para algumas pessoas aqueles superam estes. Algumas dessas fontes de custos são as seguintes:

- Baixa assertividade. Isso implica em não conseguir administrar seus interesses e espaços: são pessoas “boazinhas” que acabam se esforçando demais para agradar.

- Fóbicos sociais: pessoas que experimentam grande ansiedade em situações sociais.

- Inabilidade para iniciar, desenvolver e manter amizades.  São pessoas que querem fazer amigos, mas não cumprem as regras da amizade.

Você tem dificuldade para iniciar, desenvolver e manter amizades? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA

O seguinte artigo fornece um bom resumo de trabalhos científicos sobre a amizade entre adultos: Souza, L. K. e Hutz, C. S. (2006) Relacionamentos pessoais e sociais: amizade entre adultos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 13, n. 2, p. 257-265, abr./jun. 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a08v13n2.pdf (acessado em 14/11/2014).

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Por Ailton Amélio às 09h05

08/11/2014

O aumento no rendimento das mulheres está forçando a redefinição dos papéis dos cônjuges

Vamos apresentar neste artigo algumas das mudanças nos papéis familiares das esposas e maridos que estão sendo causadas pelo fato dos salários das mulheres estarem se igualando e até, cada vez mais, superando os dos homens.


A seguinte história mostra o que aconteceu quando Julieta começou a ganhar mais que seu marido, Alfredo

Logo depois que casou, Julieta passou a ganhar bem mais do que Alfredo, seu marido.

Alguns anos depois, ela recebeu uma oferta de transferência para outro estado. Esta transferência seria acompanhada de uma promoção e de um bom aumento de salário. Era uma excelente oportunidade para ela. Como o marido ganhava bem menos que ela, ela esperava que ele largasse o seu emprego e a acompanhasse.

Como o emprego dela era a principal fonte de renda da família, ela também esperava que o marido cooperasse de todas as formas possíveis para que ela mantivesse o emprego e para exercê-lo com a maior eficiência possível. Afinal, era melhor que ele corresse riscos de descontentar os seus chefes do que ela fazer o mesmo com os seus. O casal ficaria muito mais afetado se ela fosse despedida do que se ele o fosse.

Ela também esperava que os imprevistos importantes envolvendo a família fossem atendidos pelo marido e não por ela. Por exemplo, se havia a necessidade de levar um dos filhos ao médico ou a ao dentista, ela esperava que o marido pedisse licença no trabalho e fizesse isso.

Ela continuava a progredir na carreira. A carreira do marido, pelo contrário, continuava estagnada. Por esse e por outros motivos, ela foi perdendo a admiração que sentia por ele no início do relacionamento. Ela achava que ele não tinha atitude, que era acomodado, que não tinha ambição e que se conformaria com uma vidinha bem modesta.

Se perdesse muito a admiração que sentia por ele, ela também perderia também o interesse nele, ficaria menos afetável pelas suas opiniões, diminuiria os sentimentos românticos em relação a ele e diminuiria o seu desejo sexual por ele.


Decorrências complexas da mudança nos rendimentos relativos dos cônjuges

Esta história mostra que as dificuldades que aparecem no casamento quando as esposas ganham igual ou mais que os esposos não são resolvidas, simplesmente, pela aceitação de ambos deste fato. Essa alteração no ganho relativo dos cônjuges afeta o poder entre o casal, influencia as obrigações para assumir tarefas caseiras que afetam seus empregos e produz pressões sociais sobre o casal.


Quem ganha menos deve assumir tarefas que podem prejudicar seu trabalho profissional

Por exemplo, quem ganha menos vai ter que:

- Seguir o outro quando há uma transferência do local de trabalho para um local distante

- Levar o filho ao medico ou faltar ao trabalho para ficar com ele quando houver necessidade.

- Dedicar-se à tarefas caseiras que prejudiquem o seu trabalho


Pressões sociais contra os homens que ganham menos que as esposas

A pressão contra esta situação também vem de fora da família nuclear: as famílias dos esposos e os amigos do casal geralmente não ficam indiferentes ao fato “do marido estar vivendo à custa de sua esposa”.

No mundo inteiro, as mulheres preferem homens que sejam bem sucedidos na área económica ou que mostrem sinais que têm boas chances de vir a sê-lo. Dois desses sinais são os seguintes: (1) aspiração por boas condições econômicas e (2) ser batalhador. Um estudo realizado pelo psicólogo David Buss em 37 culturas verificou que as mulheres do mundo todo valorizam mais do que os homens a presença desses dois sinais em um possível parceiro amoroso para fins de casamento  .

 Caso o parceiro não mostre um mínimo desses sinais, ele perderá muito da sua capacidade para atrair e manter a sua parceira amorosa. Caso ele deixe de apresentar esses sinais depois de casado, isso poderá gerar insatisfações na esposa e uma crise entre o casal.

A nossa sociedade prefere que a mulher ganhe menos que o marido ou, no máximo, tanto quanto ele. A nossa sociedade também prefere que a mulher se case com um homem que tenha mais posses do que ela. Isso tem até um nome bonito: “hipergamia” (quando a mulher casa com alguém que está acima do seu nível socioenconômico). Quando um homem se casa com uma mulher mais rica, a expressão usada para se referir a ele é bem menos bonita: “golpe do baú”!

Na nossa sociedade também é muito mais aceitável que a mulher não trabalhe fora, que seja “madame”. Quando os homens ficam em uma situação similar a essa, eles logo são criticados e considerados “aproveitadores”, “parasitas” e “vagabundos”.

Se o homem trabalha duro e, mesmo assim, ganha menos que a esposa, a condenação também acontece: ele recebe adjetivos como “incapaz”, “acomodado”, “bundão” e “fraco”.


O aumento do rendimento das mulheres está forçando uma redefinição dos papéis dos cônjuges

Os tempos estão mudando. As mulheres estão deixando de serem as “rainhas do lar” e estão assumindo, cada vez mais, o papel de provedoras.

Embora, em média, elas ainda ganhem menos do que eles, essa situação está mudando: o salário delas está se aproximando do deles e, brevemente, poderá superá-lo.

Nos EUA, na faixa dos vinte anos, o salário delas já é maior do que o salário deles. Nesta faixa etária, as mulheres estão estudando mais do que os homens e, cada vez mais, estão se dedicando a profissões melhor remuneradas, que antes eram consideradas “masculinas”.

Além disso, as famílias estão tendo menos filhos e, para elas, a realização profissional está se tornando cada vez mais importante. Tudo isso contribui para que elas ganhem mais e para a mudança dos papéis que os cônjuges desempenham na família.

Os homens, cada vez mais, terão que assumir tarefas caseiras e uma participação maior na criação e educação dos filhos.

Naqueles casos onde a mulher ganha bem mais do que o marido, é esperada uma inversão de certos aspectos dos papéis que os cônjuges exerciam até agora. Por exemplo, os maridos terão que assumir a maior parte das tarefas caseiras e a educação dos filhos.


Porque elas estão ganhando melhor

Alguns dos principais motivos das mulheres estarem ganhando melhor são os seguintes:

- As famílias estão tendo menos filhos. Elas estão passando menos tempo grávidas, amamentando e cuidando de crianças.

- Elas estão estudando mais do que eles. A quantidade de mulheres nas universidades de diversos países, inclusive aqui no Brasil, já superou a quantidade de homens universitários

- Elas estão se dedicando a profissões mais rendosas. As mulheres ganhavam menos, em média, porque se dedicavam a profissões pior remuneradas. Agora, cada vez mais, elas estão se formando e exercendo profissões bem remuneradas.

- Está diminuindo o preconceito contra as mulheres que exercem profissões que antes eram consideradas masculinas.


Mudanças que não foram conseguidas através da propaganda, agora estão sendo implementadas pela melhoria dos rendimentos das mulheres

Aquela história de educar os homens para serem mais igualitários com as mulheres na execução de tarefas caseiras teve pouco efeito prático. Uma estatística recente mostrou que, mesmo quando o marido e a mulher trabalham fora, quando eles têm filhos, o homem se dedica aos afazeres domésticos por cerca de cinco horas por semana e ela, 17 horas (a famosa “dupla jornada”).

 A mudança nos papéis familiares dos cônjuges, que não foi conseguida na base da propaganda pela igualdade, está sendo construida agora na base do velho e eficiente argumento: quem traz mais dinheiro para casa tem vários privilégios e quem traz menos dinheiro tem o seu trabalho menos valorizado: quem traz menos dinheiro deve assumir mais riscos de perder o emprego.


Quem tem mais dificuldade para aceitar que a esposa ganhe mais do que o marido: ela ou ele?

Muitas pessoas creem que os maridos têm mais dificuldade do que suas esposas para aceitar que elas ganhem mais do que eles. Isso parece não ser verdade. Creio que esta dificuldade existe dos dois lados. A maioria dos homens realmente fica incomodada com esta situação. Quando ela está presente em seus casamentos, muitos homens apresentam rebaixamento da autoestima, perdem a autoconfiança, podem ter problemas sexuais e ficam muito sensíveis às menções e insinuações deste fato.

As mulheres também não ficam tranquilas nesta situação. Algumas reações delas, que tenho observado em meu consultório, são as seguintes: perdem a admiração pelos seus maridos, passam a vê-los como acomodados e incapazes, perdem os sentimentos românticos e o desejo sexual por eles.

Problemas para redefinir papéis familiares? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 17h51

05/11/2014

Relacionamento amoroso sem intimidade é como saco vazio que não para em pé

Segundo Sternberg, o amor é composto por três ingredientes: intimidade, paixão (romântica e sexual) e compromisso. Neste artigo vou abordar o primeiro desses ingredientes: a intimidade.

O que é “intimidade” em um relacionamento amoroso

A paixão mútua atrai os parceiros amorosos para o relacionamento. A intimidade dá sentido, conteúdo e estabilidade para o relacionamento e ajuda a paixão a se transformar em amor! Os compromissos vão selando essa evolução do compromisso neste tipo de relacionamento (namoro, noivado, casamento).

O que você acha de um relacionamento onde cada parceiro oferece e recebe do outro os seguintes benefícios:

1- Compreensão

2- Promoção do bem estar

3- Apoio emocional

4- Relação afetuosa

Deve ser muito bom, não é, um relacionamento assim?

Fica melhor ainda quando cada parceiro oferece e recebe esses benefícios espontaneamente, e não por obrigação, ou por qualquer outro motivo (interesse em obter algum outro benefício ou para evitar algum malefício)

Pois bem, esses quatro itens acima são os conteúdos das questões de um teste (fórmula reduzida) para medir a intimidade, a paixão e o compromisso, que foi parcialmente desenvolvido por Vicente Cassepp-Borges e Maycoln L. M. Teodoro, aqui no Brasil, que tem como base a teoria triangular do amor, de Robert Sternberg - veja a citação na Nota, no final desse artigo).

Exemplos de diferentes graus de intimidade

Agora vamos examinar dois exemplos para deixar mais claro o conceito de intimidade.

Sofia e Arlindo: alto grau de intimidade entre o casal

Sofia e Arlindo estão morando juntos. Sempre que alguém pergunta para qualquer um dos dois “Quem é o seu melhor amigo?”, cada um deles, invariavelmente e sem pestanejar, responde que é o outro cônjuge.

Sofia e Arlindo gostam muito um do outro, confiam totalmente no outro, colocam em primeiro lugar o relacionamento que existe entre eles, são compreensivos entre si, validam o modo de pensar e sentir do outro, interessam-se muito sobre o que está se passando com o outro, compartilham bastante com o outro aquilo que é importante para si e sabem que podem contar com o outro, tanto na área psicológica quanto na área material.

Sofia e Arlindo adoram conversar entre si e não têm medo de compartilhar o que estão sentindo e pensando com o outro. Sabem que não precisam se defender do outro porque este será compreensivo e continuará gostando e admirando aquele que revela, mesmo após revelações ruins. 


Guilherme e Helena: baixo grau de intimidade entre o casal

Guilherme fala para Helena:

Sou apaixonado por você. Penso em você frequentemente e sou muito romântico com você: adoro olhar nos seus olhos e, quando faço isso, perco a noção do tempo e quase entro em êxtase.

Tenho o maior orgulho de ser seu marido. Você é linda e carismática. Onde quer que eu apareça na sua companhia, sou invejado.

Tenho a maior atração sexual por você.

Eu faço tudo por você: ajudo em casa, você tem o melhor carro da família, faço questão que você se vista muito bem, more bem e coma do bom e do melhor. Faço todas as suas vontades: vou buscar você onde quer que esteja e a qualquer hora; sempre viajamos para onde você quer...

Helena responde para Guilherme:

- Você realmente me ama, tem orgulho de estar casada comigo e faz por mim tudo isso que você disse! No entanto, você não gosta de conversar comigo, não se interessa pelo que penso, não sabe o que me realiza e o que me preocupa na vida.  Acho que você não gosta dos meus assuntos, não valoriza o que penso e não se interessa pelos meus sentimentos.

Sempre que estamos juntos, você está com a atenção voltada para outra coisa: olhando o celular, mexendo no computador, assistindo TV, dando mais atenção para os seus amigos do que para mim...

Você não me conhece mais. Só cuida do meu bem estar físico e do meu conforto material, e isso não é suficiente. Para você, sou como um carro de luxo: você adora o seu brinquedinho, tem orgulho dele, cuida muito bem dele, mas, por motivos óbvios, não conversa com ele.

Quero alguém que me valorize como pessoa e não que cuide de mim como cuidaria de um objeto de luxo.

Outros tipos de relacionamentos onde pode haver falta de intimidade

Reclamações semelhantes as da Helena, da história acima, acontecem frequentemente entre pessoas cujos relacionamentos pressupõem um bom grau de intimidade entre elas (namorados, pais e filhos, amigos, etc.). Por exemplo, esse tipo de reclamação acontece por parte de filhos cujos pais se enfiam no trabalho e tentam compensar suas ausências com presentes caros, boas escolas, roupas e viagens para locais badalados. Tudo isso é bom, mas não substitui o relacionamento pessoal, as conversas animadas, o interesse, o respeito e o apoio para aquilo que os filhos estão sentindo e pensando.

Tal como Helena mencionou, os tratamentos entre parceiros que não têm intimidade entre si lembra muito a forma como os apreciadores de carros sentem e lidam com seus brinquedinhos: cuidam muito bem deles e se orgulham deles, mas não querem saber como eles pensam. Em se tratando de relacionamento humano, bons sentimentos, expressões românticas e cuidados são coisas boas e necessárias, mas não suficientes para produzir a satisfação nos relacionamentos que preveem a presença da intimidade.

Seis tipos de intimidade

A palavra “intimidade” tem vários significados. Seis dos principais deles são os seguintes: física, emocional, cognitiva e intelectual, experiencial, no presente ou no passado e autorrevelado. Vamos examinar agora esses significados.

1- Intimidade física: proximidade sensual ou toque. Exemplos: ficar dentro da zona íntima, segurar as mãos, abraçar, beijar, acariciar zonas íntimas, e atividade sexual. Frase típica: “Somos íntimos”.

2- Intimidade emocional. Acontece quando há amor entre os parceiros. Surge quando a confiança e ligações pessoais foram estabelecidas.  “Fico alterada na sua presença”

3- Intimidade cognitiva ou intelectual. Acontece entre pessoas que trocam ideias e pensamentos e conversam sobre suas concordâncias e discordâncias. “Gostamos muito de conversar sobre esportes”.

4- Intimidade experiencial. Acontece quando duas pessoas gostam de fazer coisas juntas. Homens desenvolvem mais este tipo de intimidade entre si do que mulheres entre si. Por exemplo: jogar futebol, andar de bicicleta, assistir luta livre, etc. Aparentemente as mulheres gostam mais de conversar (“Intimidade autorreveladora”) do que de fazer coisas juntas. Frase típica: “Ele é o meu companheirão de corridas”.

5- Intimidade no presente ou no passado. Sternberg afirma que existem esses dois tipos de intimidade. Quando houve intimidade entre duas pessoas durante um tempo, ela produz confiança, segurança e apego entre elas. A intimidade, quando existe no presente, apresenta os seguintes efeitos no  relacionamento: conversas envolventes, autorrevelação, acolhimento caloroso,  expansão do eu, fortalecimento da ligação afetiva. Frase típica desses dois tipos de intimidade: “Mesmo quando estamos em silêncio, ficamos bem juntos.” e “É muito bom compartilhar com ele as coisas que estão acontecendo comigo”, respectivamente.

6- Intimidade autorreveladora. Quando há esse tipo de intimidade, os parceiros revelam mutuamente coisas pessoais e verdadeiras sobre si, e essas revelações são bem acolhidas pelo outro. Frase típica: “Entre nós, não existem segredos”.

Neste artigo vamos tratar principalmente deste último tipo de intimidade.

Sinais de indicam pouca intimidade autorreveladora

Aqui estão alguns dos sinais que indicam que a intimidade entre você e o seu parceiro amoroso está baixa:

- A conversa com ele não flui

- Você sente que conhece pouco o parceiro e que ele não conhece você .

- Você e o parceiro deixaram de compartilhar entre si várias coisas importantes que os cônjuges costumam compartilhar.

- Quando está com o parceiro, você fica continuamente se policiando sobre o que deve e sobre como deve ou não deve reagir ao que ele diz. Vocês têm medo de serem rejeitadas pelo outro, caso sejam espontâneos.

- Você não sente que gosta do seu parceiro e nem que ele gosta de você.  

- Não há esforço para promover o bem estar do parceiro (egoismo). Cada um só pensa em si.

O papel central da comunicação no desenvolvimento da intimidade autorreveladora

Os fatores mais importantes para criar, desenvolver e manter a intimidade são os seguintes:

1- Compartilhamento mútuo de informações

 Compartilhar é a cola dos relacionamentos

2- Informações pessoais sobre sentimentos e pensamentos

O compartilhamento de sentimentos pessoais contribui mais para a intimidade do que o compartilhamento de informações fatos objetivos e teorias. Muitas pessoas conversam horas sobre temas impessoais e, mesmo assim,  desenvolvem pouco a intimidade afetiva entre elas.

Claro quer a intimidade intelectual só é criada quando ambos estão intrinsicamente motivados pelo assunto e não quando um ou ambos estão conversando sem o menor interesse no tema e motivados apenas pela necessidade de falar alguma coisa ou pela necessidade de agradar ou de não desagradar o outro.

3- Recepção positiva dessas informações por parte do parceiro

A intimidade só é criada quando os parceiros mostram interesse pelo outro, fazem o que podem para promover o bem estar mútuo e ouvem com empatia e simpatia o que o outro está dizendo.

4- Conversa intrinsecamente motivada. Se uma pessoa é forçada a falar de si ou se a outra a ouve devido a algum tipo de pressão (interrogatório, por educação, etc.) ai a intimidade tem menos chance de ser criada. Pelo contrário, fazer algo obrigado pode criar desconforto e fazer que a que aquela pessoa que foi pressionada evite a outra que a pressionou no futuro.

É necessário tempo para desenvolver a intimidade autorreveladora

Para desenvolver a intimidade entre duas pessoas,  é necessário que cada uma delas conheça bem a outra, certifique que pode confiar na outra, que gosta da outra e que esses sentimentos são recíprocos . Só convivendo e observando como a outra pessoa age em várias situações é que cada parceiro vai formando a convicção sobre o grau de compreensão, aceitação e confiança mútua. Quando essas convicções são formadas, acaba a necessidade de se defender da outra pessoa.  Não é possível tirar conclusões seguras sobre outra pessoa em todos esses setores em alguns poucos encontros.

Até podemos revelar muitas coisas para um estranho (barman, motorista de táxis, etc.). No entanto, o compartilhamento de informações íntimas na ocasião inadequada ou com pessoa inadequada geralmente contribui pouco para o desenvolvimento da intimidade.  Pelo contrário, o compartilhamento nessas circunstâncias pode provocar estranhamento por parte de quem recebeu essas revelações e vergonha e constrangimento futuros por parte de quem as apresentou.

NOTA

Para ler mais sobre a Teoria Triangular e fazer um teste para avaliar os ingredientes do seu amor, leia o artigo: “Versão brasileira da escala triangular do amor de Sternberg” de Vicente Cassepp-Borges e Maycoln L. M. Teodoro:http://www.scielo.br/pdf/prc/v20n3/a20v20n3.pdf

Por Ailton Amélio às 08h49

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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