Blog do Ailton Amélio

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22/12/2014

Você não gosta das atividades de fim de ano? Participe mesmo assim!

O final de ano chegou. Este é o mês das festas de confraternização, festa de Natal, festa de fim de ano, compra de presentes, feriados, férias, cumprimentos e troca de votos de “Boas Festas” e “Feliz Ano Novo”.

Também é hora de pensar nos principais acontecimentos do ano que finda e no que gostaria de realizar no ano que vai começar.

Você gosta de tudo isso? Parabéns, você é daqueles que, nesta época, unem o útil ao agradável: as participações nestas atividades e rituais produzem poderosos efeitos psicológicos e sociológicos em você e nos grupos que você participa. Além disso, você participa de atividades que lhes dão prazer. Parabéns!

Você não gosta dessa época, das festas, dos shoppings cheios, do transito, das estradas cheias? Não é preciso gostar, mas é importante participar. Vamos examinar neste artigo a importância das participações nos eventos de fim de ano.


Pessoas que gostam das atividades de fim de ano

O grau de prazer ou desprazer que as pessoas sentem nas atividades de fim de ano variam muito.

As motivações para participar desses eventos de fim de ano são muito diversas. Diversas pessoas participam por motivos religiosos e vêm muito sentido nisso. Grande parte da motivação das pessoas que participam desses eventos é extrínseca aos seus motivos religiosos: o motivo não é o significado religioso do Natal ou da comemoração dos anos que já passaram desde Cristo, mas sim, o prazer dos feriados e férias que acontecem nessa época, a necessidade de fazer o que as outras pessoas estão fazendo, as reuniões sociais e a renovação dos compromissos com os grupos que promovem as atividades que participamos.


Pessoas que não gostam das atividades de finais de ano, mas entendem a necessidade de participar delas

Considere a história abaixo que apresenta algumas das principais alegações das pessoas que não gostam dessa época

Fernanda não gosta dos eventos de fim de ano, mas participa deles mesmo assim

 Fernanda não gosta dessa época de fim de ano. Para justificar a sua aversão por essa época, ela menciona o transito terrível, os shoppings cheios, a tortura para comprar presentes, os mil prestadores de serviços solicitando “caixinha” (varredores, entregadores, guardas, etc.), a artificialidade das festas de confraternização, a falsidade dos cumprimentos de Natal e Ano Novo, o trânsito nas estradas, os aeroportos superlotados, as festas de família que reúnem pessoas que não têm outras afinidades além do parentesco.

Por outro lado, ela sente que não é possível deixar de participar de muitas dessas atividades. Caso deixe, as pessoas ficam ressentidas! Além disso, não entrar no clima festivo dessa época deixa aquela sensação ruim de solidão, tristeza e sentimentos de inadequação.


Ritos de passagem e ritos de aniversário

Para entender a importância da participação nas festas de fim de ano, vamos examinar esses dois tipos de ritos e suas funções.


Ritos de passagem

Em todas as sociedades existem ritos que marcam mudanças importantes de papéis como, por exemplo, as celebrações de nascimento, o início da adolescência, o início da idade adulta, o casamento e a morte.

Essas celebrações são conhecidas genericamente como “ritos de passagem” (esse nome foi popularizado no início do século passado pelo antropólogo francês Charles-Arnold Kurr van Gennep, autor do livro "Les Rites de Passage"). Existem vários tipos de ritos. Os três mais importantes são os ritos iniciação, ritos de passagem e ritos comemorativos de aniversários. Devido a época que estamos, vamos falar aqui principalmente desses dois últimos tipos de ritos.

Os ritos de passagem, como o próprio nome indica, marcam mudanças de papéis. Na nossa sociedade, o primeiro rito de passagem geralmente acontece quando a gravidez é confirmada: as comemorações que marcam a notícia da existência de um novo ser em desenvolvimento. Este tipo de comemoração marca o início da vida do indivíduo como um ser independente do corpo da mãe. O último ritual de passagem é o da morte.


Ritos de aniversário

Existem também muitos ritos comemorativos de aniversários. Aqueles que comemoram ou reverenciam aniversários de acontecimentos importantes como o dia do nascimento, o dia da formatura, o “Dia da Mulher”, o “Dia do Trabalho”.

Os ritos de aniversário marcam a passagem de tempo transcorrido a partir de um acontecimento importante: comemorações de aniversários de nascimento, aniversários de casamento, aniversários da independência do país, aniversários da canonização ou nascimento de santos, etc.

Os ritos de aniversário podem ser alegres e festivos, quando o acontecimento que está sendo celebrado é positivo e alegre (aniversários, datas nacionais, dias santos, etc.) ou tristes, quando o acontecimento relembrado é negativo ou triste (aniversario da morte de um ente querido, dia que ocorreu uma separação indesejada, etc.).


Por que os ritos são importantes?

Os ritos ajudam a dar sentido para a vida, dão uma sensação de pertencimento e união para aqueles que comemoram juntos, ajudam a mudança de papel social, etc.

Funções dos rituais de passagem

Algumas das principais funções dos rituais de passagem são as seguintes:

Facilitar a mudança de papéis sociais. Os ritos facilitam o abandono dos papéis anteriores e a adoção dos novos papéis. Estes rituais geralmente envolvem a estipulação de uma data para mudança de papel, a presença de pessoas que investirão tempo e recursos para estarem presentes e que testemunharão a passagem, uma cerimônia elaborada para marcar a passagem e a investidura do novo papel. Tudo isso contribui para que a mudança de papéis seja encarada mais seriamente do que o seria caso essa mudança ocorresse sem o rito como, por exemplo, através de uma passagem privada, sem pompa, emoções e testemunhas,

- Fortalecer vínculos entre os participantes do evento.

Por exemplo, participar de um ritual com outros convidados fortalece a sensação de pertencimento ao mesmo grupo que eles pertencem.

- Proporcionar conteúdo e significado para a vida.

As comemorações marcam a vida. Uma vida sem rituais é uma vida vazia e linear. A vida pode ser marcada e relembrada através de datas importantes. Essas datas ficam mais delineadas quando é necessário se preparar para elas, esperar por elas, participar delas, falar delas, pensar nelas e sentir fortes emoções nessas ocasiões.

- Reforçar os status dos participantes

Durante os rituais os participantes exibem e testam as suas importâncias sociais e os seus vínculos: centralidade em relação aos anfitriões, vestuários, cumprimentos, honrarias, etc.


O desconforto daqueles que não participam das comemorações

É difícil ficar alheio a essas comemorações. É como trabalhar durante um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Nesta ocasião é quase palpável a sensação de está acontecendo algo que faz muito sentido e que devemos participar como as outras pessoas estão fazendo. Muitos daqueles que não assistem aos jogos da Copa ficam com a sensação que estão perdendo algo muito importante e que, por isso, algo de errado pode estar acontecendo com eles.

Os filmes de época frequentemente tem um enredo sobre a solidão de alguém que não pode participar. Aquela pessoa sozinha no seu quartinho solitário e tremendo de frio que é acolhido por uma alma generosa imbuída do verdadeiro espírito de natal.


Justificativas erradas para não participar dos eventos de fim de ano

A abstenção de participação dos eventos de fim de ano pode ser uma experiência muito dolorida, perturbadora e ameaçadora. Certas pessoas que voluntariamente não participam dessas comemorações tentam se firmarem recorrendo a pensamentos do tipo: “Não acredito em nada disso”, “É tudo comercio e hipocrisia”. Essas pessoas procuram sentirem-se superiores às demais por não participar “desse tipo de besteira”. No entanto, geralmente essas pessoas ficam muito aliviadas quando essas ocasiões comemorativas passam.

Outras pessoas ironizam o lado comercial dessas festas: “Servem mesmo é para promover o consumismo e para alimentar superstições”. Realmente, o consumismo e as superstições florescem nessas épocas. No entanto, “não convém jogar fora a criança junto com a água suja”, como afirma um sábio ditado americano. Vamos examinar agora algumas funções importantes desse tipo de comemoração.

Aquelas pessoas que criticam a chatice, a hipocrisia e os constrangimentos das festas comemorativas e ritualísticas e usam isso como justificativas para não participarem, estão focalizando o aspecto errado dessas ocasiões e cerimônias.


Não gostar não significa que não é importante

Existem vários efeitos positivos que não se manifestam pelo fato de gostar ou não do que acontece no momento. Para dar um exemplo extremo, mas didático, os efeitos de uma vacina injetável não podem, de forma alguma serem previsíveis pela dor da injeção. Eles acontecem posteriormente quando o vacinado deixa de adquirir a doença.

Claro, aqueles que gostam das festas de fim de ano juntam a fome com a vontade de comer: além de apreciarem os eventos que ocorrem nesta época, ainda se beneficiam das consequências posteriores de haver participado delas.

Você não participa de comemorações e fica desconfortável com isso? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h26

15/12/2014

Para aumentar a felicidade, saber gastar é tão importante quanto ganhar mais dinheiro

Provavelmente você já ouviu aquela pergunta clássica: “Se você ganhasse na loteria, o que faria com o dinheiro?”.

A grande maioria daqueles que respondem a essa pergunta pensa na compra de bens materiais (casa, carro, roupa, vida em festas etc.).

Um livro lançado recentemente, escrito por Elizabeth Dunn (professora de psicologia da University of British Columbia) e Michael Norton (professor de marketing da Harvard Business School), está sendo muito comentado pela mídia internacional defende a tese que saber como gastar dinheiro é tão ou mais importante do que a quantidade de dinheiro possuída (Veja a citação deste livro na Nota, no final deste artigo).

Os cinco princípios para melhorar a felicidade

Segundo esses dois autores, as principais medidas que contribuem para a felicidade, que o dinheiro pode comprar, são as seguintes:

1- Compre experiências. Experiências produzem mais satisfações do que coisas. Viagens, comidas especiais, culturas diferentes produzem mais satisfação do que carrões, joias e roupas.

2- Aprenda a apreciar as pequenas coisas. A satisfação é maior quando apreciamos as pequenas coisas que já estão ao nosso alcance do que a aquisição de muitas outras coisas que desejamos. Por exemplo, você aprecia mais o sabor do chocolate quando não é sempre que ele está disponível do que ele está sempre disponível na sua casa.

3- Compre o tempo. Ser dono do próprio tempo é uma das maiores fontes de satisfação. Pessoas que têm a agenda lotada podem dedicar menos tempo para aquelas coisas que lhes dão prazer.

4- Compre agora e consuma depois. Você pode ter mais satisfação no tempo de espera por uma coisa boa do que no tempo posterior à compra. Sabe aquele sapato que você olhou por tanto tempo na vitrine e depois que o adquiriu o esqueceu  no fundo do armário? “Esperar pela festa pode ser melhor do que estar na festa”.

5- Invista nos outros. Investir nos outros traz mais satisfação do que investir em si próprio. Invista em parentes, amigos e desconhecidos.


Outros fatores que contribuem para felicidade

Várias pesquisas vêm apontando outros fatores que contribuem para o aumento da felicidade. Alguns deles são os seguintes:

1- Viagens

As viagens podem promover diferentes graus de satisfação, aventura, desafio e pressão para ver as coisas de forma diferente e solicitar diferentes graus de recursos pessoais para enfrentar situações inusuais.

As viagens que mais contribuem são aquelas que estimulam a expansão dos limites psicológicos: o viajante terá que enfrentar situações diferentes daquelas que encontra no seu dia a dia: comunicar-se em outra língua, adaptar-se a outras regras sociais, experimentar comidas diferentes, adaptar-se a outros valores, códigos, etc.

As viagens onde tudo já está programado, as situações já foram previamente controladas (guias, interpretes, acomodações) promovem um grau menor de desafio, desenvolvimento pessoal e expansão dos limites psicológicos.

2- Bom casamento

Segundo algumas evidências, a contribuição de um bom casamento para felicidade equivale a aumentar quatro vezes o salário. Um bom casamento fornece intimidade, romance, sexo renovále intenso.

3- Bons amigos.

Existem evidências de que a contribuição de uma boa amizade para a felicidade equivale a um aumento de três vezes o salário. O convívio com amigos traz prazeres renováveis. Os amigos trazem divertimento, lazer, oportunidade de fazer sucesso (mostrar inteligência, habilidades, ser admirado, liderar, ser importante). Tal como no casamento, essas satisfações são contínuas, sempre renováveis, sempre incertas.

4- Morar perto do trabalho.

Quem mora em cidades grandes corre o risco de passar boa parte do seu tempo se deslocando entre a sua residência e o trabalho. A proximidade entre a residência e o local de trabalho traz alívio de horas chatas e tensões. Esta proximidade proporciona aumento de horas com entes querido e com coisas que trazem felicidade

5- Fazer o bem para outras pessoas

Cuidar de parentes é um instinto muito premiado pela natureza: aumenta as chances de perpetuação dos próprios genes. As mães têm fortes instintos para cuidar dos filhos. Cuidar desperta a afeição do cuidador: afeiçoamo-nos a aqueles que cuidamos mais do que a aqueles que cuidam de nós. Por exemplo, aqueles que cuidam de um animalzinho por uns dias tentem a se afeiçoarem a eles. (O Bill Gates, fundador da Microsoft, depois de se tornar o homem mais rico do mundo, descobriu a satisfação que a filantropia pode trazer!).

6- Liberar-se de compromissos chatos

Quem precisa demais ganhar dinheiro tem que se submeter a fazer coisas chatas como atividades repetitivas e não criativas.

Quem precisa demais do dinheiro pode ter que assimilar situações e ações humilhantes por parte de chefes e clientes. Pode ter que omitir sua posição verdadeira, deixar de manifestar o que realmente sente e pensa e submeter-se a pessoas desrespeitosas e autoritárias.


Possuir dinheiro contribui para a felicidade

Possuir dinheiro contribui sim para a felicidade. Não é crível a afirmação de que a posse do dinheiro não contribui para a felicidade. Para ficar mais claro como a simples posse do dinheiro pode contribuir para a felicidade, considere a seguinte história:

Marcelo ganhou muito dinheiro, mas não alterou os seus hábitos de consumo e o seu modo de viver.  Mesmo assim, ele se sentia muito melhor do que na época que era muito pobre. Os principais motivos para esta melhoria na sua satisfação eram os seguintes:

1- Tranquilidade econômica. Marcelo agora estava muito mais tranquilo só pelo fato de saber que o seu dinheiro aplicado era mais do que suficiente para viver confortavelmente o resto da sua vida.

2- Melhoria na autoestima. O dinheiro ganho era uma evidência da própria capacidade e inteligência. Esse dinheiro permitia as seguintes conclusões: “Consegui chegar lá”, “dominei os obstáculos e venci na área econômica”.

3- Melhoria nas atitudes de outras pessoas em relação a ele. Muitas pessoas, principalmente aquelas que continuaram mais pobres do que ele, tornaram-se admiradoras, cooperativas, atenciosas e sensíveis às suas vontades. Por exemplo, depois que ele ficou rico, elas riam mais das suas piadas, convidavam-no mais frequentemente para suas festas e ouviam o que ele dizia com mais atenção e consideração.

Como continuava o mesmo e continuava a agir da mesma forma, essas mudanças positivas de atitudes das outras pessoas em relação a ele só podiam ter acontecido porque, agora, elas sabiam que ele tinha mais dinheiro do que elas. Esse tipo de modificação também acontece com aqueles que ficam poderosos (na política, por exemplo) ou famosos.

4- Alívio de desconfortos e ameaças. Ter dinheiro, mesmo que não fizesse uso dele, colocava-o fora do alcance de muitos desconfortos e ameaças que assombravam os menos aquinhoados: medo de perder o emprego, medo de perder a casa por não poder pagar as prestações, medo de não ter bom atendimento em caso de doenças.

5- Isenção de situações sociais e profissionais humilhantes. Agora que tinha dinheiro ele não precisava engolir injustiças e humilhações de chefes e parceiros econômicos.

Você não é feliz? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA 

Dunn, E. & Norton, M. Happy Money: The Science of Happier Spending. Simon & Schuster, 2014

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Por Ailton Amélio às 08h30

07/12/2014

A saúde das mulheres é mais prejudicada por um mau casamento do que a saúde dos homens

Um bom casamento é o paraíso! Um mau, o inferno!

Já foram divulgadas muitas notícias sobre os efeitos altamente positivos que são produzidos por um bom casamento. Vários estudos mostraram, por exemplo, que um bom casamento produz benefícios para a saúde psicológica e física dos cônjuges e é um dos fatores mais associados à felicidade (um bom casamento teria um efeito na felicidade que equivale a aumentar quatro vezes o salário!)

Agora, a novidade são os estudos que vêm mostrando que os maus casamentos podem trazer imensos malefícios para a saúde física e psicológica dos conjunges e danos, ainda maiores, para os filhos. Ou seja, não é qualquer casamento que melhora a saúde física e psicológica e deixa as pessoas felizes. Muito pelo contrário!

Um desses estudos, que está sendo muito divulgado pela mídia internacional,  foi conduzido pela socióloga Hui Liu  da Universidade Estadual de Michigan e Linda Waite, da Universidade de Chicago. (Veja o link para um resumo dessa pesquisa na Nota, 1, no final desse artigo. Veja o link para um resumo mais completo e comentários sobre essa pesquisa na Nota 2).

Este estudo foi realizado com 1200 homens e mulheres, cujas idades variavam entre 57anos e 85 anos, no início do estudo.

Algumas medidas da saúde usadas pelos autores foram as seguintes: pressão arterial, nível de colesterol, ritmo cardíaco, nível de proteína C-reativa no sangue, história médica.

Algumas das perguntas apresentadas pelos pesquisadores para avaliar a qualidade do casamento foram as seguintes: Você e seu esposo passam o tempo livre juntos ou separados? Quão frequentemente você recorre ao sua esposo? Seu esposo é muito exigente com você? Quão próximo você acha que é o seu relacionamento com o esposo? Quão frequentemente o seu esposo critica você? Quão frequentemente o seu esposo é irrita você?

Este estudo verificou que maus casamentos estavam associados a maiores incidências de problemas cardíacos em mulheres e homens dessa faixa etária. A associação entre maus casamentos e problemas cardíacos eram maiores para as mulheres do que para os homens dessa faixa etária

As autoras sugerem que as mulheres são mais afetadas pelos maus casamentos porque elas interiorizam mais os problemas (possuem menos ferramentas para combater o estresse de uma briga, tendem a se sentir mais culpadas do que os homens, perdem mais facilmente o desejo de fazer sexo, etc.) do que os homens (voltam a raiva para fora, se tornam mais agressivos e procuram ficar distantes do que as esposas estão dizendo).

Este tipo de resultado torna mais compreensível porque as mulheres dão tanta importância para a discussão da relação (“DR”): como são mais afetadas por maus relacionamentos, elas têm mais motivos para resolver as pendências com os cônjuges. Ajuda a entender também porque são as mulheres que tomam a maior percentagem de pedidos de separações litigiosas (ficar em um mau casamento é pior para elas do que para os maridos).

As pessoas que vivem em maus casamentos também tinham maiores chances de estarem deprimidas e obesas e estarem com pressão alta.

Segundo os autores, os resultados encontrados indicam que o nível de estresse no casamento pode ser mais importante do que o seu lado acolhedor para influenciar a saúde cardíaca.


Principais fatores que  produzem danos ao relacionamento e causam a separação

As pesquisas mais recentes apontam três motivos principais que danificam os relacionamentos conjugais e causam as separações. Esses motivos são os seguintes:

1- Esvaziamento do relacionamento. Esvaziamento (cada cônjuge perde o interesse, a afetividade e a atração sexual pelo outro).

2- Traição. Trair emocional ou sexualmente o parceiro.

3- Brigas muito intensas, muito frequentes ou muito graves. Vamos falar um pouco mais das brigas no tópico seguintes.

Brigas destrutivas

Segundo John Gottman, psicólogo americano, famoso pesquisador do casamento e autor de vários livros sobre esse tema, existe quatro tipos de briga que produzem danos para ao relacionamento:

Criticismo: apresentar inúmeras críticas. Enumerar tudo de ruim que o outro fez desde o dia que se conheceram

Desrespeito: atacar a pessoa e não aquilo que ela esteja fazendo de errado. Por exemplo, atracar sua personalidade (sem iniciativa, covarde, etc.) ou sua moral (você não vale nada, você é desonesto, etc.)

Defensividade: quando o outro cônjuge está apresentando uma queixa, ficar pensando o tempo todo em como vai se defender. Não considerar o que essa queixa possa ter de real para atendê-la. Defesa cruzada: contra atacar como forma de defender. Por exemplo, dizer, “Posso ter feito tal coisa, mas você também fez aquilo..

Indiferença. Não se dar ao trabalho de considerar a queixa do outro cônjuge: o que ele diz, entra por um ouvido e sair pelo outro.

O seu relacionamento é insatisfatório e estressante? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTAS

1- Liu, H. & Waite, L. Bad Marriage, Broken Heart? Age and Gender Differences in the Link between Marital Quality and Cardiovascular Risks among Older Adults. http://hsb.sagepub.com/content/55/4/403 (consultado em 06/12/2014)

2- Scutti, Susan. Marital Problems Lead To Heart Troubles, Particularly In Older Women: The True Broken Heart. http://www.medicaldaily.com/marital-problems-lead-heart-troubles-particularly-older-women-true-broken-heart-311398 . (Consultado em 06/12/2014).

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Por Ailton Amélio às 08h41

03/12/2014

A guarda compartilhada dos filhos é bem vinda, mas tem que ser bem coordenada

A guarda compartilhada dos filhos, por ocasião da separação, como regra e não como exceção já foi aprovada pelo legislativo, e depende apenas da sanção presidencial para passar a vigorar. Uma vez aprovado, este regime será o previsto quando acontece a separação.


A guarda dos filhos antes da aprovação da lei do compartilhamento

Segundo estatísticas do IBGE (2012), quando um casal que tem filhos se separa, a grande maioria das vezes, os filhos ficam sob a guarda das mães.

Essas estatísticas são, aproximadamente, as seguintes:

Em 6,82% dos casos, a guarda é compartilhada

Em 5,62% dos casos, a guarda fica com o pai

Em 85,72% dos casos, a guarda fica com a mãe

Com a sanção da nova lei, este quadro deve mudar substancialmente: na grande maioria dos casos, a guarda será compartilhada entre os pais.


Grandes mudanças com a aprovação da guarda compartilhada

Uma vez sancionada a nova lei, nas audiências de separação, o juiz explicará aos pais as vantagens desse regime. Quando não houver acordo entre os pais, o juiz determinará a guarda compartilhada.  A guarda unilateral poderá ser determinada quando houver acordo entre os pais ou quando um deles não tiver condições de cuidar dos filhos.

Na guarda compartilhada, o juiz determinará os direitos e obrigações de cada um dos pais após ouvir especialistas.


Vantagens e desvantagens da guarda compartilhada

A guarda compartilhada apresenta vantagens e desvantagens para todos os envolvidos em relação à guarda unilateral. Vamos examinar agora algumas dessas vantagens e desvantagens.

Prejuízos para todas as partes da guarda unilateral

Prejuízos para os filhos da guarda unilateral

A separação deve acontecer entre os pais e não entre esses e os filhos. A guarda unilateral provoca uma grande dose de separação entre os filhos e os pais que  não têm a guarda e seus filhos.

Quando acontece a guarda unilateral, os filhos acabam tendo sérios prejuízos devido à diminuição do convívio com aquele pai que ficou sem a guarda. Eles veem esporadicamente este pai e, por isso, deixam de compartilhar seus cotidianos com ele, o que acarretará grandes prejuízos em suas formações psicológicas e educacionais.

Existe a tendência para o pai que não tem a guarda ir se afastando cada vez mais dos filhos. Em alguns este afastamento é tão grande que caracteriza aquilo que recebeu o nome de “alienação parental”: uma espécie de abandono psicológico dos filhos por parte do pai que ficou sem suas guardar.

Nestes tempos que muitas mães trabalham fora de casa, os filhos sofrem muita falta de atenção e de afetos qualificados. Mesmo quando não há separação, os pais têm que se desdobrar para dedicar tempo para os filhos. Quando eles moram apenas com um deles, dificilmente este poderá prover todo o tempo que os filhos necessitam. O outro estará longe boa parte do tempo. Só fins de semana alternados não reparam todas as mil ocasiões quando um apoio, um carinho, uma pequena comemoração vão sedimento a formação dos filhos e trazendo-lhes satisfações no dia a dia.

Vantagens e prejuízos para o pai que ficou com a guarda unilateral

Quem fica com os filhos tem a grande alegria e o conforto emocional que o convívio com eles proporciona. 

O pai que fica com os filhos geralmente fica na mesma casa que já morava, tem a sua rotina diária menos alterada, herda a maior parte das relações sociais e institucionais, fica menos solitário. Os seja, tem a sua vida menos desarranjada por ocasião da separação.

O pai que fica com a guarda unilateral dos filhos, tem que se dedicar muito mais tempo a eles. Isso pode prejudicar a sua carreia profissional, a sua vida pessoal e os seus novos relacionamentos amorosos. Na área amorosa, por exemplo, aquele que cuida dos filhos têm menos condições de sair e iniciar novos namoros. Quem cuida dos filhos tem menos tempo para sair, ficar conversando, aceitar convites do que quem mora sozinho. O pretende tem que aceitar alguém que tem menos tempo para ele, terá que ser aceito pelos filhos da namorada e terá que conviver com este novo grupo (crianças têm muitos interesses diferentes daqueles dos adultos). Este é um dos principais motivos das mulheres que têm filhos e separam demorarem mais tempo que os homens para voltarem a se casar.

Vantagens e desvantagens para o pai que ficou sem a guarda dos filhos

O pai ou mãe que ficou sem a guarda fica privado de boa parte do convívio com os filhos.

O pai que fica sem guarda, geralmente o homem, sofre as maiores alterações na sua vida por ocasião da separação. Geralmente é ele que vai sair de casa, terá que ir para um lugar menos confortável e improvisado, terá que se afastar do convívio com a vizinhança do local onde morava, se afastará daquelas pessoas cujos relacionamentos eram facilitados ou intermediados pelas relações dos filhos (pais de colegas dos filhos, por exemplo).

Complicações da guarda compartilhada

O compartilhamento da guarda dos filhos aumenta as interações entre os pais separados em relação à quantidade e conteúdo das interações dos pais que têm guarda unilateral. Como provavelmente eles já não tinham um bom relacionamento (uma das causas da separação), fica difícil imaginar que eles coordenarão harmonicamente suas atribuições interligadas para cuidar e educar os filhos nesta nova situação.

Por exemplo, caso eles não se deem muito bem, isso vai complicar as operações para coordenar as tarefas de buscar os filhos na escola, levá-los ao dentista, levá-los as atividade recreacionais e tomar as medidas para as mudanças periódicas de casa.

A criança terá mudanças mais frequentes e periódicas nas suas rotinas: ela muda periodicamente de residência, muda de horários (a escola poderá ficar mais longe da casa de um dos pais, por exemplo), outros amigos que moram nas proximidades e outras regras de conduta.

A guarda compartilhada tem vantagens e desvantagens. Se bem conduzida, as suas vantagens superarão fartamente os problemas que ela poderá causar.

Problemas com o ex-cônjuge por causa dos filhos? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h25

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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