Blog do Ailton Amélio

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30/03/2015

Como é um rosto bonito?

A ciência oferece algumas respostas parciais para esta pergunta. Vamos examinar neste tópico alguns dos fatores que contribuem para a beleza do rosto. Existem várias hipóteses sobre o que contribui para que um rosto seja julgado belo: o conjunto do rosto, a beleza dos elementos constituintes do rosto, a simetria entre o lado direito e lado esquerdo do rosto, a ausência de sinais de envelhecimento, o fato de o rosto ter características médias em relação aos rostos da população onde vivem os avaliadores.

O rosto que tem partes bonitas é belo 

Existem vários métodos para avaliar a importância dos componentes faciais. Alguns estudos contam o número de vezes que cada componente é mencionado por pessoas que estão falando da beleza da face. Outros estudos pedem para pessoas avaliarem a beleza de cada um dos componentes faciais; outros estudos medem as dimensões de cada um dos componentes de faces, pedem para pessoas julgarem a beleza das faces completas de onde estes componentes foram selecionados e calculam as correlações entre as dimensões de cada componente e as avaliações de beleza das faces de onde eles foram selecionados. Vamos ver abaixo um exemplo de cada um destes tipos de estudo.

Um autor pediu para as pessoas avaliarem vários componentes faciais isolados. Em seguida avaliou as faces completas que continham estes componentes. Os cálculos estatísticos mostraram a seguinte ordem decrescente de importância dos componentes faciais para a avaliação da beleza: boca, olhos, cabelos e nariz. É possível que os olhos tenham uma importância maior do que a mostrada neste estudo. Esta importância aparentemente foi depreciada neste estudo pelo uso dos óculos por parte de participantes.

Um estudo realizado por Cross e Cross (1971) tabulou a frequência que pessoas de 7 a 57 anos citaram diversos componentes faciais como sendo importantes para a beleza facial. A ordem de importância desses componentes, encontrada neste estudo, foi a seguinte: olhos (34%), boca e/ou sorriso (31%), proporções faciais ou configuração geral da face (15%) cabelos (10%), cor da pele (5%) e formato do nariz (5%).

Michael F. Cunningham, professor do Elmshust College, realizou dois quase-experimentos para investigar a relação entre características faciais de mulheres adultas e a atração, atribuição e respostas altruísticas de homens adultos. Este autor mediu 24 características faciais de uma amostra internacional de fotografias de 50 mulheres. Homens avaliaram a atração de cada uma das 50 mulheres. As características faciais mais atraentes eram as seguintes: características de neonatos (olhos grandes, nariz pequeno, e queixo pequeno); características de maturidade dos ossos das bochechas (proeminentes e bochechas estreitas); e as características expressivas (sobrancelhas altas pupilas grandes e sorriso largo). 

O rosto harmônico é belo

A teoria gestáltica afirma que os efeitos produzidos pelo todo são maiores ou qualitativamente diferentes daqueles produzidos pela soma das partes. Uma pessoa pode ter, por exemplo, belos olhos, uma bela boca, um belo nariz, uma bela testa e ainda assim não ser muito bonita ou vice-versa. Para visualizar isso basta imaginar, por exemplo, que a conformação craniana é muito diferente do usual [assimetrias, etc.] ou estes componentes faciais não estão simetricamente distribuídos no rosto.

O vice-versa, dentro de certos limites também parece ser verdadeiro. Contribui para a gestalt a simetria e as proporções nas dimensões das partes.

 

        O rosto médio é belo

Há muito tempo é sabido que o rosto médio (em relação ao rosto das pessoas do mesmo sexo da população do local onde vive o indivíduo) é considerado belo. Recentemente, autores americanos criaram rostos médios a partir de vários outros rostos e verificaram que esses rostos médios eram considerados mais bonitos do que os rostos verdadeiros que lhes deram origem. Os cientistas verificaram também que os rostos médios eram considerados os mais belos em outras culturas, embora as pessoas de cada cultura considerassem mais belos os rostos que eram médios em relação aos rostos de pessoas da própria cultura.

Faces compostas

A atração de faces compostas de mulheres foi notada há muito tempo. Sir Francis Galton, grande cientista inglês do século passado, criou um método muito interessante para estudar a beleza de faces compostas. Sir Galton fotografou vários homens e mulheres ingleses e revelou parcialmente os negativos das mulheres sobre um mesmo papel e a dos homens sobre outro papel. Desta forma, as características mais comuns para cada sexo ficavam mais firmemente registradas nas respectivas revelações, ao passo que as características mais raras praticamente não deixavam as suas marcas no papel. Sir Galton verificou que os rostos que possuem características médias, em relação às características existentes em uma dada população, são mais bonitos do que os rostos que possuem características mais extremadas na mesma população. Por exemplo, um nariz bonito é um nariz de tamanho médio, em relação aos tamanhos de narizes que existem em uma dada população. Um nariz muito menor ou muito maior do que este nariz médio é considerado menos bonito. Esta regra sobre a beleza do médio não era absoluta. Um desvio moderado destas médias de tal forma que acentuassem os sinais de gênero acentuava ainda mais a beleza da montagem fotográfica.

Recentemente, a mídia divulgou belas imagens de rostos humanos criados por computadores. Estas imagens foram criadas utilizando-se os mesmos princípios empregados por Galton há mais de um século. O computador foi alimentado com fotos de várias pessoas. O computador construiu então imagens faciais que eram médias das medidas dos rostos individuais. Por exemplo, os olhos da imagem criada pelo computador tinham um tamanho médio em relação aos das outras pessoas que participaram do estudo. Os autores realizaram então uma pesquisa que mostrou que estas imagens médias eram ainda mais bonitas do que os rostos individuais que lhes deram origem. A beleza dos rostos médios ainda pode ser melhorada caso sejam introduzidas correções nesses rostos que realcem as características de gênero (aquelas características que distinguem o rosto feminino do rosto masculino). O método utilizado para obter fotos mistas é muito semelhante ao utilizado por Galton: o estudo recente utilizou utilizado o computador para produzir fotos que eram as médias de outras fotos as fotos compostas eram muito bonitas.  

J. S. Pollard, um pesquisador da Universidade de Canterbury (Nova Zelândia) verificou que faces compostas eram julgadas mais bonitas do que as faces simples que lhes deram origem. Este autor utilizou fotos de neozelandeses em sua pesquisa. O interessante é que esta preferência pelas fotos compostas se manifestava quando os juízes de beleza eram neozelandeses e também quando o mesmo conjunto de fotos foi julgado por estudantes chineses residentes na Nova Zelândia e por estudantes chineses, nigerianos e indianos residentes em seus próprios países. Esta preferência pelas fotos compostas, acima do que seria esperado por julgamentos ao acaso, acontecia principalmente quando as fotos eram de mulheres. As fotos compostas de mulheres foram julgadas mais belas do que as fotos não compostas, em uma percentagem acima do que seria esperado pelo acaso, por estudantes de todas as nacionalidades estudas nesta pesquisa. 

O fato de pessoas de diferentes culturas se portarem de forma semelhante na escolha destas fotos compostas indica que algo além da aprendizagem social está influenciando estes julgamentos. De qualquer forma a aprendizagem cultural também é importante neste tipo de julgamento, uma vez que os chineses residentes na Nova Zelândia foram aqueles cujos julgamentos foram os mais semelhantes aos dos próprios neozelandeses.

O rosto simétrico é belo

Um dos fatores que contribuem para que uma pessoa seja considerada bela é a simetria entre o formato e as dimensões de todos os detalhes constituintes do lado direito e do lado esquerdo de seu corpo. Uma pessoa simétrica é aquela cujo lado esquerdo do corpo corresponde em tamanho e forma ao lado direito do corpo. Existem várias evidências de que as pessoas que possuem um alto índice de simetria são consideradas mais belas e, por incrível que pareça, mais saudáveis (por exemplo, assimetria nas mamas: distúrbios hormonais). O mesmo se verifica entre os animais (ver exemplos em "seleções").

Itens do lado esquerdo do corpo correspondem às medidas e formatos do lado direito do corpo. Por exemplo, se fotografarmos um rosto e cortarmos a fotografia exatamente no meio e superpusermos as duas metades elas se ajustarão perfeitamente. Se tomarmos todas as medidas de um rosto (tamanho de cada um dos olhos, formato dos olhos, distâncias entre o centro dos olhos e o centro do cavalete do nariz, tamanho e desenho de cada uma das sobrancelhas, tamanho e formato das orelhas, etc.).

O rosto jovem é belo

Vários estudos atuais vêm mostrando que sinais de juventude são considerados belos em quase todas as culturas. Por exemplo, estudos realizados em várias culturas e em várias épocas históricas mostram que os homens preferem se casar com mulheres mais jovens. A teoria psicobiológica afirma que a juventude é valorizada principalmente nas mulheres porque ela é imprescindível para a reprodução. Os homens que preferiam mulheres mais jovens tiveram um maior sucesso reprodutivo do que os homens que preferiam mulheres mais velhas. Nas condições onde a nossa espécie evoluiu era crítico ter muitos filhos para que uns poucos sobrevivessem. Nestas condições escolher como esposa uma mulher cuja idade já tivesse comprometido a sua capacidade se reproduzir plenamente era uma aposta muito arriscada.

O bebê bonito pode não se tornar um adulto bonito

Muitos dos fatores que contribuem para que um bebê seja considerado belo não são os mesmos que contribuem para que um jovem ou uma pessoa na terceira idade seja considerado belo.

A natureza faz os bebês nascerem com certas características físicas que os tornam atraentes e despertem os afetos, principalmente os afetos das mulheres (estas dilatam mais a pupila para bebês do que os homens que ainda não tiveram filhos, o que é uma indicação que elas gostam mais de bebes do que eles). Algumas das características que distinguem um rosto de um bebê de um adulto são:

Formato da cabeça; testa grande, ponte do nariz relativamente menor do que a dos adultos; queixo menos proeminente e olhos relativamente maiores do que os olhos dos adultos.

Existe pouca relação entre a beleza infantil e a beleza do adulto. Embora haja uma tendência para a criança que é bela continuar a ser vista como bela durante a vida, esta relação é fraca: muitas crianças bonitas se tornarão adultos de beleza média ou até feios e vice-versa.

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Por Ailton Amélio às 10h36

21/03/2015

Rodear é uma maneira de mostrar interesse na outra pessoa

O termo “Rodear” é usado aqui para nomear os esforços de uma pessoa para manter-se próxima a uma segunda pessoa, com a finalidade de facilitar contatos com ela. Por exemplo: ir até o local onde a segunda pessoa se encontra e ficar por lá; empenhar-se na mesma atividade que ela; permanecer na atividade ou no local, enquanto a outra pessoa permanecer ali, e segui-la quando ela mudar de local ou de atividade. 

Essas sincronicidades vão revelando o verdadeiro motivo de quem está rodeando: o interesse na pessoa que está sendo rodeada e não nas atividades que estão sendo realizadas.

Permanência nas proximidades, atividades injustificadas e sincronicidade de ações

Muitas vezes, o tempo de permanência em uma atividade ou local é um bom indicador de que o interesse de alguém está mais na outra pessoa, que também está presente, do que em qualquer outra coisa. Por exemplo, uma moça está examinando livros em uma prateleira. Um rapaz se aproxima e começa a olhar os livros da mesma prateleira. Depois de um tempo, ela deixa esse local e começa a examinar os livros de uma gôndola. Pouco tempo depois, o rapaz se aproxima e também começa a fazer o mesmo. Ai ela vai até o café da livraria. Alguns minutos depois, lá está o rapaz. Começa a ficar cada vez mais claro para a moça que o rapaz, de fato, está rodeando-a e tem algum interesse por ela.

Timothy Perper, autor do livro Sex Signals: The Biology of Love, afirmou que as mulheres que se aproximam de um homem e permanecem na sua proximidade geralmente estão dando uma oportunidade para que ele tome algum tipo de iniciativa.

Muitas vezes, ambas as pessoas estão rodeando uma à outra. Quando isso acontece, pode ser que ambas fiquem muito tempo ocupadas em atividades que nenhuma delas está interessada. Este desinteresse, muitas vezes, pode ser percebido pela forma como se comportam (por exemplo, uma pessoa desinteressada na leitura fica com o livro aberto na mesma página por muito tempo ou o livro está de cabeça para baixo!).

É claro que nem sempre a aproximação e permanência do local onde a outra se encontra acontece porque que ela tem interesse nesta outra. É prudente verificar se existe outro motivo para ela estar ali. Por exemplo, uma pessoa pode ficar muito tempo em um lugar apenas porque marcou encontro com outra pessoa naquele local e está “matando o tempo” enquanto a outra não chega. (Já vi isso acontecer!).

Oportunidades geradas pela proximidade física

Quando nos colocamos nas proximidades de outra pessoa, geramos dois tipos de oportunidade de para contato:

1- Tornamo-nos aptos para aproveitar oportunidades de iniciar contatos que surjam (comentar algo que aconteceu no local, passar um talher, pegar um objeto que caiu, etc.).

2- Facilitamos a iniciativa de contato por parte da outra pessoa: a nossa proximidade pode induzir ou dar a oportunidade para que a outra pessoa inicie o contato conosco. Ela pode, por exemplo, dirigir-nos a palavra ou fazer algum comentário em voz alta que nos dê a chance de responder.

Exemplos de rodeadas

Aproximar-se de um mostruário próximo do local onde outra pessoa se encontra

Uma moça está examinando os CDs de um cantor famoso. Um rapaz se aproxima e começa a examinar esses mesmos CDs. Daí a pouco ela muda para outra prateleira. O rapaz faz o mesmo. Em seguida, o rapaz inicia o seguinte diálogo com ela:

“Desculpe-me! Por acaso você conhece as músicas deste cantor? Eu estou querendo comprar um CD dele para presentear um amigo que é seu fã e não sei qual comprar”.

A moça se dispõe a aconselhá-lo e, daí, nasce uma boa conversa.

Ler o mesmo quadro de avisos e falar em voz alta

Uma moça se aproxima de um colega que está lendo um quadro de avisos e também começa a ler os avisos. De repente, ela comenta em voz alta:

 “Outro aumento!”

O rapaz olha na sua direção e responde:

“É revoltante! Não sei onde isto vai parar!”

Após trocarem alguns comentários a este respeito, eles podem começar a conversar sobre outros temas.

Pegar uma fila logo atrás da outra pessoa

Kleber e Helena estão em um restaurante tipo self-service. Eles não se conhecem. Após sentarem-se em mesas próximas, trocaram alguns olhares interessados. Kleber fica esperando o momento que Helena irá pegar a fila para servir-se. Ele planeja, quando isso acontecer, segui-la e pegar a fila logo atrás dela. Desta forma, ele terá uma chance de aproveitar alguma oportunidade para entrar em contato com ela, como, por exemplo, prestar algum auxílio, comentar sobre alguma das comidas que estão disponíveis ou fazer a gentileza de deixar que ela se sirva primeiro.

Ocupar o lugar ao lado da pessoa em eventos de longa duração

Júlia e Pedro não se conheciam anteriormente. Eles foram convidados para um jantar em comemoração ao aniversário de um amigo em comum. Durante o coquetel, Júlia sentiu muita atração por Pedro e decidiu que aproveitaria a hora do jantar para aprofundar os contatos com ele.  Para conseguir isso, ela pediu para uma amiga que estava sentada na cadeira mais próxima à dele, que trocasse de lugar com ela.

 

Postar-se a uma distância que seria apropriada para conversar

Causação mútua

Existe uma faixa de distâncias interpessoais que é apropriada para conversar informalmente.

Tanto o tipo de relacionamento que está sendo desenvolvido influencia a distância interpessoal que é assumida, como assumir uma determinada distância influencia o tipo de relacionamento que é desenvolvido.

Quando queremos conversar, assumimos automaticamente a distância apropriada para essa atividade. Quando assumimos essa distância, aparece a vontade, e até a pressão, para conversar. A distância apropriada para conversar instiga essa atividade. Nesta distância, é desconfortável não dizer nada. Por exemplo, é difícil pegar o elevador com outra pessoa que mora no mesmo andar e não dizer nada.

A distância apropriada para que uma pessoa permaneça próxima da outra varia de uma situação para outra. Segundo, E.T. Hall, famoso estudioso das distâncias interpessoais, ficar aquém da da apropriada para conversar aumenta a pressão para as pessoas iniciarem um relacionamento íntimo. Ficar além dessa distância, aumenta a tendência para as pessoas tratarem-se impessoalmente: cada uma das pessoas toma conhecimento da presença da outra, mas não fica tentada a falar com ela por influência da distância. Por outro lado, é estranho e inapropriado quando uma pessoa fica próxima demais da outra sem que haja um motivo aceitável para isso. Essa distância pode parecer suspeita e provocar reações defensivas.

Criar oportunidade de contato

Uma boa maneira de aumentar a sociabilidade, fazer amigos e iniciar relacionamentos amorosos é criar oportunidades para aumentar as chances de contato. Por exemplo, chegar um pouco antes do início do trabalho ou da aula e ficar um pouco depois destas atividades, começar a participar do cafezinho em grupo, etc. para criar a chance de encontrar alguém.

Criar semipretextos para facilitar iniciativas de contatos

Dizemos que alguém criou um pretexto para iniciar um contato quando essa pessoa inventa uma desculpa com a finalidade de justificar a sua iniciativa e, assim, não deixar explícito o seu verdadeiro motivo.

O semipretexto é um pretexto intencionalmente não muito convincente, o que dá margem para que o receptor da abordagem desconfie que, realmente, aquilo o que o autor do pretexto está querendo é iniciar o contato.

Uma vantagem do semipretexto é que ele “salva a cara” dos interlocutores. O semipretexto lhes dá uma justificativa para começar a conversar sem ter que assumir o interesse no contato em si. Outra vantagem do semipretexto é que ele oferece um tema para iniciar a conversa.

Ao usar semipretextos os interlocutores poderão “negociar” a continuidade enquanto usam o pretexto para conversar. Por exemplo, uma pessoa aborda outra e pergunta por uma loja. Enquanto elas tratam desse pedido de informação, elas podem avaliar a atração e a receptividade mútua para começar outro tipo de conversa e relacionamento.

De fato, quando há interesse recíproco, é melhor que o semipretexto não seja muito convincente. Ele deve se usado apenas salvar a cara de ambos interlocutores. Quando o semipretexto é muito convincente, fica difícil para quem recebeu a iniciativa perceber o motivo oculto do iniciador e, posteriormente, quando ele é descoberto, pode se sentir enganado.

Existem vários tipos de semipretextos que podem ser utilizados para iniciar contatos. Exemplos:

- Pedir uma informação desnecessária. Por exemplo: perguntar para uma pessoa que está tomando uma bebida se ela é boa ou ele a recomenda (de fato, quem pergunta já conhece a tal bebida).

- Criar um pequeno incidente: por exemplo, dar um esbarrão na pessoa e pedir desculpa; deixar cair um objeto para a outra pessoa possa pegar.

- Fingir que está confundindo uma pessoa com outra conhecida: “Conheço você de algum lugar”.

Inconvenientes da técnica dos pretextos e semipretextos

O uso de pretextos e semipretextos apresentam os seguintes inconvenientes:

- Anulam o principal efeito da iniciativa de contato que é mostrar o desejo de contato com a outra pessoa e a satisfação causada pelo contato.

- Quem utiliza o pretexto pode se sentir um farsante ou acovardado e, por isso, se mostrar menos confiante e culpado.

- Quando o pretexto é obviamente falso ou é descoberto, quem o utiliza pode perder credibilidade. Em geral, quem tem a coragem de tomar uma iniciativa direta de contato é mais valorizado do que quem usa pretextos para iniciar relacionamentos.

- Muitas vezes, fica difícil mudar o conteúdo da conversa ou do relacionamento que foi estabelecido entre os interlocutores com base no pretexto. Por exemplo, pode ser difícil mudar a conversa para assuntos mais pessoais com um desconhecido que foi abordado através de um pedido de informações. O desconhecido não se sente obrigado a conversar sobre outros assuntos e  pode suspeitar das tentativas da outra pessoa para puxar conversa.

- Quando é esperada uma iniciativa explícita de contato, como acontece nos locais de flerte, o uso de um semipretexto após um flerte bem sucedido é considerado sinal de fraqueza ou falta de coragem e, por isso, inapropriado.

Dificuldade para iniciar contatos sociais e amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h37

15/03/2015

Quando a rejeição dispara o "amor"

"Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio"

(Groucho Marks)

 

"Quem eu quero não me quer

Quem me quer, mandei embora”.

(Canção “Quem eu quero não me quer”, de Elymar Santos)

 

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém” (Poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade).

 

As pessoas em geral e as inseguras e que têm baixa autoestima, em particular, têm a tendência para valorizar mais aqueles que as rejeitam ou que lhes são indiferentes do que aqueles que as valorizam e as aceitam. A rejeição e a indiferença podem abalar suas autoimagens e autoestimas.

Na área amorosa, a rejeição pode desencadear sentimentos  no rejeitado, em relação ao rejeitador, que são confundidos com o amor. É discutível se tais sentimentos realmente são de natureza amorosa. Por isso, as aspas no título desse artigo.

Este é o tema que será examinado neste artigo.


Demitido do emprego quando ia pedir demissão

Você vai pedir demissão do emprego. Você está seguro e sentindo-se bem com essa decisão.

No entanto, um dia antes de apresentar seu pedido, você é demitido. Isso deixa você mal e produz um belo estrago na sua autoestima. Neste caso, não é a perda do emprego que faz você se sentir mal e com baixa autoestima, obviamente: você já ia pedir demissão e estava satisfeito com isso!

O que provoca suas reações negativas são as mensagens de desvalorização e rejeição que estão implícitas no recebimento da demissão. Ser demitido faz você sentir-se desvalorizado e perceber que não era tão imprescindível para firma quanto imaginava antes. Ser despedido desperta comparações: “Por que você? Por que fulano e sicrano, que são muito menos competentes e dedicados que você, permaneceram no emprego e você foi despedido? Será que você não está percebendo alguma coisa neste fato? Será que você estava superestimando seu próprio valor? Será que você anda distorcendo a sua autopercepção em outras áreas?

Um caso parecido é aquele onde uma pessoa vai pedir demissão e o empregador aceita imediatamente sem pedir para o demissionário considerar o seu pedido. Essa aceitação imediata do pedido de demissão também tem um efeito negativo em quem pediu a demissão semelhante ao efeito de ser demitido antes de pedir demissão, mas a intensidade desse efeito é maior neste caso do que naquele.

Algo análogo à demissão de um emprego também acontece no relacionamento amoroso: levar um fora pouco antes de tomar a iniciativa de terminar um relacionamento amoroso produz efeitos negativos em quem levou o fora. De forma semelhante, a aceitação imediata de um pedido para terminar um relacionamento amoroso provoca efeitos negativos em quem fez o pedido que foi aceito tão fácil e prontamente. Esse tipo de efeito é ilustrado na história abaixo.


Marieta volta atrás quando o seu pedido para terminar o relacionamento foi prontamente aceito por Dráuzio

Diálogo entre Marieta e Dráuzio, seu namorado:

- Acho que nosso relacionamento não está dando certo.

Você não é a pessoa que quero como namorado. Devemos terminar nosso relacionamento.

- Tudo bem! Está terminado!

- Como assim? Você está maluco? Não vai pedir uma chance, não vai questionar se devemos mesmo terminar?

- Não. Obrigado!

- Ah, seu sem vergonha! Não vai se livrar assim tão fácil de mim! Acho que você anda me traindo! Vamos ter que discutir isso muito bem! Agora, quem não quer terminar sou eu! Sabe que sinto uma boa dose de atração por você?

- Pois bem. Mas, para continuar, vamos ter que redefinir nosso relacionamento.

- Tudo bem! Como você quiser!

Este diálogo fictício mostra uma reversão nas manifestações de desejo de terminar o relacionamento por parte de Marieta. Essa reversão pode ter acontecido porque ela ficou insegura diante da pronta aceitação do término apresentada por Dráuzio ou porque ela só estava ameaçando terminar como estratégia para obter concessões por parte dele e para sentir quanto realmente ele a amava! 


Amor ou tentativa de recuperação da autoestima?

Quando algo ameaça a confiança na nossa autopercepção ou rebaixa a nossa autoestima, ficamos muito abalados e, por isso, podemos investir alto para recuperar o nosso equilíbrio psicológico.

As pessoas inseguras e que têm baixa autoestima podem ser muito afetadas pela rejeição. Essa forte afetação pode conectá-las ao rejeitador e fazê-las querer, com toda a força, serem admiradas e desejadas por aqueles que as rejeitaram. Essa forte conecção ao rejeitador acontece não porque o rejeitado ame o rejeitador, mas sim, porque conquistá-lo ou reconquistá-lo é uma maneira de recuperar a autoestima!

Quem é inseguro pode dar menos valor para aqueles os aceitam do que para aqueles que os rejeitam.

Quando a rejeição leva ao apaixonamento

Para muitas pessoas, a rejeição é o mecanismo principal do apaixonamento e não a atração pelos dotes do parceiro.

Essas pessoas só se apaixonam por aqueles por aqueles que elas têm que batalhar bastante para conquistar. Ter dificuldade para conquistar o parceiro significa que este está se julgando como mais atraente que elas. Muita gente se sente inferior quando alguém se mostra superior a elas. Ou seja, essas pessoas “compram” a avalição do outro.

Certas pessoas usam largamente a tática de se mostrar difícil para conquistar a atenção daqueles são inseguros e têm baixa autoestima. Essa tática é usada não só no campo amoroso, mas em todos os campos da vida social. As pessoas que usam essa tática são aquelas que se mostram difíceis de contentar: elas nunca ficam maravilhadas com você. Elas podem até cumprimentar quando você faz algo excepcional, mas são econômicas nos seus cumprimentos. Sempre fica parecendo que ainda faltou um pouco mais para elas ficarem mais entusiasmadas com você.

Você tem a tendência para amar aqueles que lhe rejeitam? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h17

08/03/2015

Você tem uma lista de espera para substituir seu parceiro atual?

Você, certamente, já ouviu alguma afirmação do tipo:

“Acabou de sair de um relacionamento e já está em outro”,

“Largou ele pelo outro”,

“Ela está casada, mas tem um fã clube fiel”.

“Se ela sair desse relacionamento, não fica um mês sozinha. Muitos homens estão na fila para se casar com ela”.

Essas frases indicam que muitas pessoas que estão em um relacionamento amoroso têm ciência de outros possíveis parceiros que poderão substituir o atual, caso este relacionamento fracasse.

Neste artigo vamos examinar a famosa “lista de espera para iniciar um relacionamento amoroso”.


Pesquisa do OnePoll sobre listas de espera das inglesas

Você tem uma lista de espera daquelas pessoas que gostariam de iniciar um relacionamento amoroso com você, caso o seu relacionamento atual termine?

O instituto de pesquisa inglês OnePoll apresentou uma pergunta parecida com essa para mil mulheres inglesas. Metade delas afirmou que sabiam sim quais eram as pessoas que gostavam delas e que poderiam substituir seus parceiros atuais, caso seus relacionamentos com eles terminassem (os principais resultados dessa pesquisa foram publicados pelo Mail Online - veja o link para essa publicação na Nota, no final deste artigo).


A lista de espera é mais frequente entre mulheres casadas do que entre mulheres menos comprometidas

A percentagem de casadas que possuía lista de espera era maior do que a percentagem mulheres que estavam em outros tipos de relacionamento.

Provavelmente isso acontece por vários motivos. Dois deles são os seguintes:

- As casadas tiveram mais tempo para construírem tal lista.

- As solteiras precisam menos dessa lista. Para elas, se o parceiro atual deixar de agradar ou se outra pessoa passar a atrair mais do que o atual, é mais fácil terminar o relacionamento e iniciar um novo com a outra pessoa. Existem menos razões para colocar outro parceiro que agrada em uma lista de espera. Sair do relacionamento e começar outro é mais fácil para quem ainda não está seriamente comprometido do que para quem já está casado. Por exemplo, as pessoas que ainda não se casaram provavelmente ainda não tem filhos e não integraram suas vidas econômicas e familiares com parceiro.


Alguns resultados interessantes da pesquisa do OnePoll

O instituto de pesquisa OnePoll coletou outras informações daquelas mulheres que afirmaram que tinham uma lista de espera. Alguns resultados interessantes dessa pesquisa são os seguintes:

- Os homens foram incluídos na lista de espera há sete anos, em média.

- Cerca de quarenta por cento dos homens foram incluídos na lista de espera antes do relacionamento atual ser iniciado. Aproximadamente a mesma percentagem de homens foi incluída nesta lista durante o relacionamento atual.

- O grau de certeza das donas da lista sobre os sentimentos daqueles que constavam da lista ou quanto podiam contar com eles para um novo relacionamento variava. Uma mulher em cada cinco afirmou que tinha certeza de que o parceiro da lista aceitaria um relacionamento com ela, caso o seu relacionamento com o parceiro atual terminasse.

- Uma mulher em cada dez afirmou que o parceiro da lista já havia revelado o seu amor eterno por ela.

- Um quarto das mulheres afirmou que tinha sentimentos tão fortes pelo parceiro da lista de espera quanto pelo atual parceiro

- 12% das mulheres afirmaram que tinham sentimentos mais fortes pelo parceiro da lista do que pelo atual parceiro

- Sete em cada dez mulheres afirmam que tinham contato frequente com o parceiro da lista.


Quem são os incluídos na lista de espera

De acordo com a pesquisa do OnePoll, esses parceiros da lista eram antigos amigos, ex-namorados, ex-maridos, colegas de academia de ginástica.

Existem vários motivos e pretextos que ajudam a manter contato frequente com as pessoas da lista de espera: amizade, participação em equipes de trabalho, amigos em comum, etc.

O convívio justificado pela existência desses outros tipos de relacionamento permite cultivar, administrar e desfrutar, pelo menos parcialmente, os prazeres da presença e do convívio com as aqueles que estão nas listas de espera.


Lista daqueles que devem “esperar sentado”

Não basta ter muito interesse em alguém para estar na sua lista de espera. Muitas pessoas que têm esse tipo de interesse não têm a menor chance de se tornarem titulares do relacionamento porque a dona da lista não tem nenhum interesse por elas! O inverso também acontece: a dona da lista teria o maior interesse em incluir alguém na sua lista, mas essa pessoa não sente nada por ela! Em ambos esses casos, os interessados não correspondidos podem "esperar sentados, porque vão cansar se esperarem em pé!"

Para ser incluído na lista de espera tem que haver interesse recíproco.


Vantagens e desvantagens das listas de espera

Possuir uma lista de espera tem vantagens e desvantagens para a dona da lista.


Vantagens da lista de espera

- Mesmo quando estamos comprometidos, sentimos atração por outras pessoas e nos faz muito bem perceber que também atraímos essas pessoas.

Existe um motivo bastante óbvio para a existência dessas listas de espera: sentimos atração por outras pessoas mesmo quando já estamos comprometidos e amamos alguém.

Quando nos comprometemos, não nos tornamos cegos, surdos e anósmicos para os atrativos de outras pessoas. O compromisso que assumimos é para não deixemos que essas atrações guiem nossos comportamentos. É impossível assumir o compromisso de não sentir atração por mais ninguém!

Também temos necessidade de verificar se somos atraentes para outros possíveis parceiros. Essa necessidade é mais acentuada quando a outra pessoa é atraente para nós: vale mais ser atraente para quem nos atrai do que para quem não nos atrai.

Quando ambas as coisas acontecem, somos atraídos e atraímos uma pessoa, e essas atrações perduram, ai está o embrião de uma lista de espera!

- Fica mais fácil repor a perda do parceiro quando temos uma lista de espera.

Helen Fisher, famosa bióloga americana, afirma no seu livro “A Anatomia do Amor”, que durante a evolução da nossa espécie, aquelas mulheres que tinham lista de espera podiam repor com mais facilidade e rapidez os seus parceiros amorosos. Durante a evolução da nossa espécie a perda de parceiros era muito mais frequente do que agora, porque havia mais chances deles morrerem em lutas contra rivais, inimigos de outros bandos, predadores e doenças.


Desvantagens da lista de espera

Algumas pessoas que consultei declararam, com muito orgulho, que não tinham nenhuma lista de espera e que estavam com os dois pés na canoa do relacionamento atual. Elas tinham apostado tudo neste relacionamento.

- A lista de espera superficializa o relacionamento atual. Aquelas pessoas que não têm lista de espera provavelmente estão mais envolvidas no relacionamento. Como elas apostaram todas as fichas neste relacionamento, elas têm mais a perder caso ele não dê certo! Por isso, elas têm mais motivação para lutar pela qualidade e durabilidade desse relacionamento.

- A lista aumenta as chances de traição. Quando uma pessoa sabe do interesse amoroso de outra e cultiva esse interesse, as chances de traição aumentam: saber, admitir e cultiva incentivam a persistência e ousadias do interessado.


E as listas de espera dos homens?

E a lista de espera dos homens? Infelizmente a pesquisa inglesa tratou apenas da lista das mulheres. Parece óbvio que muitos de nós homens também temos listas de espera. Vamos esperar que elas sejam pesquisadas!

Você tem dificuldade para repor seus parceiros amorosos? Peça a ajuda de um psicólogo.

NOTA

Link para a matéria do Mailonline sobre a pesquisa das listas de espera das mulheres inglesas:

Half of women have a fall-back partner on standby who has always fancied them, in case their current relationship turns sour

By Deni Kirkova for MailOnline

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-2769593/HALF-women-fall-partner-standby-fancied-case-current-relationship-turns-sour.html

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Por Ailton Amélio às 10h47

01/03/2015

Você sabe executar a dança do acasalamento (flerte)?

A maioria das espécies sexuadas exibe uma espécie de dança do acasalamento no início dos seus ciclos reprodutivos. Em várias dessas espécies, como a nossa, essa dança tem a função de estabelecer vínculos entre os parceiros e a preparação da cópula. Quem falha na apresentação dessa dança ou não sabe reconhecê-la quando ela está sendo apresentada por pretendentes corre o risco de não estabelecer relacionamentos amorosos e procriar.

O que é o flerte?

O flerte é uma espécie de dança do acasalamento. Para executar essa dança, o dançarino abdica da maneira mais simples e direta de fazer coisas práticas: os seus comportamentos se tornam sinuosos e floreados. Por exemplo, durante o flerte, o pescoço, os ombros, o pulso e a cabeça das mulheres adquirem mais mobilidade e sinuosidade do que seriam necessárias para fazer coisas práticas. Outro exemplo: a voz se torna cheia de “florzinhas” e “coraçãozinhos”. Essas sinuosidades e floreamentos têm a função de apresentar as mensagens de interesse amoroso.

O flerte pode ser unilateral ou bilateral; pode ser sutil ou explícito; pode ter conotação sexual ou romântica; pode ser usado para iniciar um relacionamento amoroso ou apenas para conferir o próprio poder de atração.

  Sinais dirigidos para todos e sinais dirigidos para uma pessoa específica

Sinais de flerte dirigidos para todos

Estes sinais não são dirigidos a todos os presentes e funcionam como uma espécie de recado “a quem possa interessar” ou “aviso aos navegantes”. Os dois principais sinais desse tipo são o “olhar de varredura” (o olhar percorre todo o ambiente sem se deter em ninguém em particular), e o “dançar sozinha”. Quem os emite sinaliza que está disponível e “procurando”.

Sinais de flerte para uma pessoa específica

Este tipo de sinal é dirigido para uma pessoa específica. Por exemplo, sustentar o olhar da outra pessoa e fazer caras e bocas para ela sinaliza firmemente um interesse por ela.

 Abaixo são apresentados os principais sinais desses dois tipos de sinais que foram observados em uma pesquisa realizada Mônica Moore. Estes sinais são aqueles que tinham mais sucesso para atrair parceiros.

Funções do flerte

O flerte pode ser descrito como um conjunto organizado de comportamentos que tem pelo menos seis funções:

- Expressar interesse amoroso pela outra pessoa.

- Comunicar para a outra pessoa o interesse amoroso (o flertador faz questão que a outra pessoa tome conhecimento do seu interesse amoroso. Faz que ela note os seus olhares... interage com ela à distância através de olhares, expressões faciais, pequenos sinais, etc.).

- Verificar se há reciprocidade por parte da outra pessoa, ou seja, se ela retribui e participa do desenvolvimento do flerte.

- Aumentar a própria atração (quem flerte fica mais bonito: transformações físicas - Scheflen; exibição de sinais de gênero; exibição de posturas mais elegantes, comportamentos mais graciosos, etc.).

- Motivar a outra pessoa para iniciar um relacionamento amoroso. Tal como um filme erótico pode despertar o interesse sexual, o flerte de uma pessoa charmosa pode despertar a via amorosa.

- Negociar a permissão e a desejabilidade de ambas as partes para se aproximarem e iniciarem um contato verbal. Após um flerte bem sucedido, quando uma pessoa aborda a outra e pede permissão para falar com ela, esta permissão já foi negociada antes. O pedido é redundante e tem uma função mais retórica.

- Testar a própria atração como possível parceiro amoroso. Muita gente dá uma flertada só testar o próprio valor como possível parceiro amoroso.

Flerte à distância e flerte durante a conversa

Existem dois principais tipos de flerte: (1) à distância (geralmente acontece entre desconhecidos) e (2) durante a conversa (geralmente acontece entre pessoas que estão começando a se conhecerem após um flerte à distância, após uma apresentação por conhecidos em comum ou entre pessoas que já se conhecem).

Flerte à distância

            O flerte a distância geralmente só ocorre entre pessoas que não se conhecem. Quando já houve uma conversa entre duas pessoas, o flerte a distância entre elas tende a ser substituído pelo flerte durante a conversa. Isto não significa dizer que não haja sinais á distância que indiquem interesse entre duas pessoas conhecidas entre si. Por exemplo, tanto pessoas conhecidas ou desconhecidas entre si, que estão amorosamente interessadas na outra procuram manter a outra pessoa dentro dos seus campos de visão.

Comportamentos femininos que atraem à distância os homens

Monica Moore, uma pesquisadora da Universidade de Missouri, catalogou 52 tipos de comportamentos que quando eram exibidos por mulheres atraiam a atenção dos homens (na definição desta autora “atrair a atenção” significa: aproximar da pessoa, falar com ela, inclinar-se em direção a ela, se aproximar dela, convidá-la para dançar, tocá-la ou beijá-la). 

Alguns dos comportamentos femininos mais eficientes para despertar as iniciativas masculinas que foram observados por Monica Moore são os seguintes:

- Sorrir (mostrando ou não os dentes. Algumas mulheres apresentam um sorriso quase que permanente).

- Olhar de varredura (o olhar percorre todo o ambiente).

- Dança solitária. Dançar sozinha era muito eficiente para provocar a abordagem de pretendentes.

- Rir (geralmente após algum comentário de uma amiga).

- Olhar dardo (olhar nos olhos de uma pessoa por menos de 2 segundos).

- Ajeitar os cabelos (geralmente os cabelos já estão arrumados. Portanto esse ajeitamento é apenas simbólico);

- Fixar o olhar (olhar para os olhos da outra pessoa por mais que 3 segundos).

- Lançar a cabeça para trás (a cara fica voltada para cima, por menos do que 5 segundos).

- Dar permissão para o pretendente fazer a abordagem (a mulher através de gestos concede permissão para o homem aproximar-se e iniciar a conversa).

Flerte durante a conversa

No meu livro, O Mapa do Amor, apresento 14 comportamentos de flerte durante a conversa. Estes 14 comportamentos foram classificados em dois grupos: (1) comportamentos simples de flerte: aqueles que envolvem apenas um tipo de comunicação não verbal (os primeiros seis tipos de comportamento de flerte da lista abaixo) e (2) comportamentos complexos de flerte: aqueles que envolvem dois ou mais tipos de comunicação não verbal  e/ou comunicação verbal. Estes comportamentos são os seguintes:

Comportamentos simples de flerte

1- Orientação da parte dianteira do corpo na direção do interlocutor.

2- Adotar posturas corporais receptivas (inclinar o tronco na direção do interlocutor, manter os braços abertos, etc.).

3- Tocar a outra pessoa. Tocar frequentemente, tocar demoradamente, tocar carinhosamente.

4 - Ficar a uma pequena distância da outra pessoa.

5 – Sorrir muito

6 - Olhar muito para a outra pessoa. “Só tenho olhos para você”.

Comportamentos complexos de flerte

1- Tomar a iniciativa de contato. Ir até a onde a outra pessoa se encontra. Mandar mensagem, ligar para ela.

2- Mostrar afetação pela presença da outra pessoa.

3- Prestar muita atenção na outra pessoa. Parar todas as atividades, não ficar olhando para o que está acontecendo no ambiente.

4- Tentar agradar a outra pessoa. Elogiá-la, concordar com ela, reagir forte e positivamente ao que ela está dizendo.

5- Procurar, criar e ressaltar as similaridades com o interlocutor. “Temos algo em comum”: gostos, hobbies, valores, formação, etc.

6- Facilitar a conversa. Reagir ao que o outro diz, perguntar, iniciar assuntos, repercutir o que ela diz.

7- Não ter pressa em terminar o encontro. “Perder a hora”, dispensar outros compromissos só para continuar a conversa.

8- Mostrar disponibilidade para aceitar um convite para um encontro. Mostrar interesse por programas (filme, teatro, exposições, caminhadas, etc.). Dizer que tem tempo para a atividade, que está interessado, que só falta a companhia, etc.

Você tem dificuldade para flertar ou para reconhecer sinais de flerte? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 11h56

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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