Blog do Ailton Amélio

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30/05/2015

Vampiro, doador ou refletor de energia, qual o seu tipo?

Como é a sua "energia pessoal"? Você motiva as pessoas, empresta-lhes vida, anima-as, liga-as ou, pelo contrário, coloca-as para baixo, deprime-as, adormece-as, desvitaliza-as?

Você recebe ou doa pouca energia para outras pessoas?  

A sua energia pessoal geralmente é emprestada de outras pessoas: essa energia depende muito de quem está na sua companhia?

Curiosamente, temos muitas preocupações com os efeitos que produzimos em outras pessoas através da nossa aparência, do conteúdo daquilo que dizemos e das coisas que fazemos por elas ou contra elas, mas não nos preocupamos com o tipo de energia que lhes transmitimos com nossa presença e maneira de agir. Esse é o tema tratado neste artigo.


Como a energia pessoal contagia outras pessoas?

Esse tipo de "energia" é passada de uma forma muito sutil, verbal e não verbalmente. O que dizemos, acredito, tem um papel menor na transmissão dessa energia!

Essa energia é passada, principalmente, pela vivacidade dos movimentos, pela vibração da voz, pela proatividade, pelo dinamismo, pela forma de encarar o que está se passando, pela participação ativa nos acontecimentos!


Astro, planeta ou buraco negro?

Levando em conta a origem da energia irradiada, as pessoas podem ser classificadas como “astro”, “planeta” ou “buraco negro”.

Aquelas pessoas que são do tipo “astro” possuem energia própria. A energia que irradiam contagia e vitaliza outras pessoas.

As pessoas do tipo “planeta”, não possuem energia própria. Elas dependem da energia de outras pessoas.

As pessoas do tipo “buraco negro” são aquelas que sugam a energia alheia. Depois de um tempo em contato com elas, seus interlocutores se sentem exaustos e desvitalizados.

Astro: Juliana

Juliana é doadora de energia! Ela chama a atenção onde quer que vá. Basta a sua presença para qualquer evento social ganhar vida.

Ela libera energia positiva, que contagia todos ao seu redor. Ela é interessante. Atrai a atenção. Dá para ficar olhando para ela continuamente. É bom observar como ela sorri, como ela reage às outras pessoas e aos acontecimentos. É interessante observar as iniciativas que ela toma.

As suas atitudes e intervenções sociais geralmente têm uma boa dose de criatividade e imprevisibilidade. Ela dá um colorido pessoal para tudo que faz e diz.

Ela parece esperar que sua presença cause impacto positivo nas outras pessoas e também espera que as outras pessoas ajam de forma positiva em relação a ela.

Embora agradável e polida, Juliana não é o tipo "boazinha": ela não fica usando clichês nas suas afirmações. Ela é honesta quando expressa suas opiniões.

Ela não se deixa intimidar facilmente. As pessoas não conseguem induzi-la a dizer o que querem ouvir, se isso não estiver de acordo com o que ela sente e pensa.

Nas reuniões sociais, ela não está presente apenas para constar. Ela mantêm-se em contato com aquilo que lhe é significativo em cada momento.

Olha de verdade para você. Considera de verdade o que você diz. Isso traz vida para os relacionamentos.

Ela marca presença onde quer que esteja. Ela é o centro das atenções. Onde quer que esteja, logo se forma uma rodinha de amigos. Todos mostram interesse em ouvir o que ela pensa sobre os mais diversos assuntos.

Expressões e termos usados para se referira a Juliana:

Alto astral, tem presença, charmosa, carismática, proativa, íntegra, ficar ao seu lado carrega as baterias, não é dissimulada, é autêntica.

André: Planeta

André reflete a energia daqueles que se relacionam com ele.

O ânimo de André depende muito de quem está na sua companhia. Se a companhia é animada, ele ficava animado; se é desanimada, ele ficava desanimando...

O seu brilho, ou falta de brilho, depende de quem esteja perto. Ele é muito influenciável. Por isso, ele tem que tomar muito cuidado com quem anda.

Dizem que ele é um “camaleão motivacional”: a sua motivação passa de 0 a 100 em um minuto, dependendo de quem está na sua companhia. Dizem também que ele dança a música e que absorve como uma esponja a animação ou desanimação do clima social.

André não tem muito brilho próprio. Ele geralmente não lidera, é liderado. Não é proativo. É reativo. Faz parte da plateia e não daqueles que oferecem o espetáculo. É liderado e não líder. Não tem muitas ideias próprias. É um reprodutor daquilo que os outros dizem. Gosta de ler biografias para se inspirar. Não se atreve a criar o próprio caminho. Precisa sempre de um guru para guiar os seus passos. Não é o tipo empreendedor. Contenta-se com o trabalho para empreendimentos alheios.

Frases e expressões usadas para se referir a André

“Camaleão social”, “influenciável”, “esponja emocional”, “Maria vai com as outras”, “Medíocre”, “Sem luz própria”; “Tipo comum”; “Pouco proativo”, “Liderado”, “Coadjuvante”.

Bons refletores

Bons refletores são aqueles que seguem com entusiasmo a liderança ou as ideias alheias. São aquelas pessoas que vestem a camisa do time! São os fanáticos que aderem cegamente todos os tipos de crenças e as praticam com entusiasmo e intolerância!

Maus refletores

Você está morto, Jim!

Maus refletores são aqueles que seguem os ditames alheios sem muito entusiasmo. São parecidos com mortos vivos.

Buraco negro

Aqueles que são “buraco negro” funcionam como vampiros de energia: sugam a energia das pessoas que estão à sua volta!

Existem dois tipos de buracos negros. Os ativos e os passivos. Vamos examiná-los.

Luciana: buraco negro ativo

Ficar ao lado de Luciana é tenso e cansativo. Para ela, o copo está sempre meio vazio. Passar um tempo com ela faz o humor piorar. As pessoas fogem dela. Sempre falando coisas negativas: ela tende a ver o pior ângulo de tudo. Mostra descrença de tudo e de todos. Sempre pronta para mostrar o seu desprezo pelas outras pessoas e por tudo que elas fazem.

Andrea: buraco negro passivo

Andrea não se responsabiliza pelo sucesso da conversa. O seu interlocutor tem que procurar animá-la: ela não propõe assuntos, não mostra interesse pelos assuntos propostos pelo interlocutor, mostra poucas emoções e pouco envolvimento com a conversa.

É muito difícil animá-la. Os seus interlocutores lutam desesperadamente para que a conversa tenha sucesso e para evitar que o silêncio logo se instala entre eles. É torturante ficar na sua companhia por muito tempo.

Parece que ela tem preguiça de conversar.

Frases e expressões usadas para se referir a Luciana

Baixo astral, energia negativa, cansativa, sem entusiasmo, sem vida.

 

Geralmente somos tipos mistos

As pessoas possuem graus de cada um desses tipos de energia. Elas também podem funcionar de uma maneira em certos momentos (por exemplo, podem irradiar energia quando estão felizes e sugarem energia quando estão para baixo). Joana, por exemplo, é predominantemente astro, embora em certas ocasiões e na presença de certas pessoas, ela funcione em parte como planta ou como buraco negro.

Impermeável ou Influenciável

As pessoas também podem ser classificadas quanto ao grau que elas absorvem a energia de outras pessoas. As pessoas que são astros e as que são buracos negros são as menos influenciáveis por outras pessoas. Embora polos opostos no que diz respeito à irradiação de energia, esses dois tipos são bastante impermeáveis. Aquelas que são “planetas”, por definição são as mais afetadas pelas energias alheias.

A quantidade de absorção de energias alheias também varia de acordo com a ocasião e com o tipo de interlocutores. Em certas ocasiões estamos abertos e sensíveis às influências alheias. Em outras ocasiões estamos refratários a esse tipo de influência. Podemos ser bastante seletivos à captação de energia: confiamos, damos ouvidos e somos sensíveis àquelas pessoas que admiramos e refratários e arredios a outras pessoas.

 

Como a energia pessoa contagia outras pessoas

Existem várias teorias para explicar os efeitos do contágio de emoções, sentimentos e estados psicológicos. As principais delas são as seguintes:

Contágio emocional:

Copiamos no nosso corpo e rosto as posturas, expressões e movimentos de outras pessoas. Aquilo que foi copiado produz, via autoaferência (existem receptores e nervos que informam o cérebro o que está se passando nestas partes do corpo), um estado semelhante ao da pessoa que está sendo copiada. Por exemplo, ao ver um sorriso, tendemos a copiar no nosso rosto, mesmo que de forma sutil. Essa cópia informa o cérebro que estamos sorrindo e isso induz estados de alegria.

Foi evidenciado que possuímos células que disparam quando vemos movimentos de outras pessoas. Estas células são do mesmo tipo que disparam quando fazemos o movimento.

Experiência vicariante:

Temos a capacidade de experimentar as mesmas coisas que outras pessoas estão sentindo quando as observamos, ouvimos contar o que se passou por ela e como elas se sentiram. Os filmes que passam na televisão ou no cinema e as histórias que ouvimos ou lemos fazem sucesso devido a essa capacidade vicariante de sentir aquilo que os personagens presumivelmente estão sentido.

Expansão do eu

A tomada de conhecimento da forma como as pessoas sentem e encaram situações expande os nosso arsenal para agir nessas mesmas para aperfeiçoar a forma como percebemos e interpretamos essas situações. Esta expansão do eu traz sentimentos positivos. As reações que diminuem os limites do nosso eu trazem sentimentos negativos.

Você está desvitalizado, sem energia? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 13h23

24/05/2015

A autorrevelação é a cola dos relacionamentos

A palavra composta “autorrevelar” é usada aqui para nomear as revelações de pensamentos e sentimentos do revelador. Por exemplo, ela é usada para nomear as revelações de sensações, opiniões, emoções, aspirações, frustrações e acontecimentos importantes que ocorreram ou estão ocorrendo com quem está fazendo autorrevelações.

Deixar de se abrir, não falar das tensões, dos acontecimentos do dia a dia que estão lhe afetando, dos seus desejos, temores, satisfações e insatisfações é alienar o parceiro daquilo que existe de mais profundo e verdadeiro em você .

É apresentar para o parceiro uma versão pasteurizada e superficial de si e do que se passa consigo.

Não acolher, não ficar motivado para ouvir e acolher as revelações do parceiro é ter perdido o interesse no que existe de mais vivo nele. É menosprezar a sua vida interna, é achar que já sabe tudo a seu respeito e que o que ele vai dizer são repetições daquilo que ele já vem dizendo.


Consequências da autorrevelação para a saúde física e psicológica

Os principais benefícios das autorrevelações para a saúde física e psicológica são os seguintes:


Melhora a saúde física e mental

            A autorrevelação tem efeitos na saúde física e mental. Pesquisas mostraram que quem autorrevela adequadamente é mais feliz, adaptado, competente, receptivo, extrovertido, confiável e positivo do que aquelas pessoas que autorrevelam insuficientemente. Pesquisas também mostraram que a autorrevelação previne a incidência de doenças orgânicas e, quando elas acontecem, a recuperação é mais rápida (por exemplo, as pessoas que autorrevelam ficam muito menos dias no hospital do que aquelas que não se autorrevelam).


Tem efeito catártico

Quando um acontecimento nos afeta profundamente, positiva ou negativamente, sentimos a necessidade de falar a seu respeito com um interlocutor adequado e receptivo. Quando conversamos a respeito de sentimentos ou pensamentos que nos atormentam e somos ouvidos com respeito e compreensão, sentimos um grande alívio.

Tudo que precisamos é alguém que tenha as qualificações para ouvir o que temos a dizer, que nos queira ouvir e que dê uma dica como, por exemplo: “O que se passa? Você parece ...... (preocupado, alegre, triste, etc.). Conte-me o que está acontecendo”.

No meu trabalho clínico já presenciei inúmeras vezes o alívio que os pacientes sentem quando expressam algo que estavam escondendo, se envergonhavam ou temiam a condenação do interlocutor.

Este alívio acontece principalmente quando peço para eles expressarem para uma almofada, ou para mim mesmo, que fazemos o papel da pessoa para quem eles gostariam de dizer alguma coisa, mas que, na vida real, sentem inibição para tal pessoa.


Aumenta o autoconhecimento

            Revelar aumenta o autoconhecimento à respeito da relação entre as ideias, emoções, opiniões que está sentindo com aquilo que as provocou e com as reações alheias. Ao autorrevelar a pessoa tem que observar-se para relatar. Quem relata também tem que organizar o que está relatando para apresentar uma versão compreensível para o interlocutor. 

O interlocutor também pode contribuir para o autoconhecimento de quem revela. Quando você se revela para um bom interlocutor, ele fará intervenções que ajudarão você a explorar mais detalhadamente aquilo que está sentindo e pensando. Ele poderá resumir, fazer perguntas e sugerir alguma hipóteses que a ajudarão quem se revela a ganhar conhecimento sobre o que está sentindo e pensando e sobre suas possíveis causas e ligações com outros fatos. 


Melhora a autoestima

A autorrevelação bem acolhida pelo interlocutor ajuda quem revela a gostar mais de si próprio.

Ser aceito do jeito que somos é uma grande satisfação, é um grande trunfo. Ter que simular para ser aceito ou, pelo menos, para não ofender/ser rejeitado pode ser danoso. Muito do que somos tem a ver com o que pensamos e sentimos e que revelamos através da comunicação.

Uma das coisas mais motivadoras ou desmotivadoras da comunicação é a reação do interlocutor. Esta reação é motivadora quando ele nos aprova, se envolver com a nossa conversa, apresenta sinais que está gostando, ri, mostra admiração, mostra empatia.


A autorrevelação produz consequências positivas para o relacionamento

A autorrevelação produz vários efeitos positivos para o relacionamento. Alguns desses efeitos são os seguintes:


A autorrevelação funciona como cola dos relacionamentos

A autorrevelação é uma das principais “colas” dos relacionamentos. Trocar autorrevelações aumenta as chances de aprofundar ou mudar o tipo de relacionamento (por exemplo, revelar o amor pelo interlocutor pode transformar uma amizade em namoro). Isso acontece principalmente com revelações especiais, que exigem um bom grau de confiança ou um tipo especial de relacionamento para que possam ser apresentadas.

Ao revelar-se, você cria a oportunidade para aperfeiçoar aquilo que está sentindo e pensando sobre seu interlocutor e dá a mesma oportunidade para que este também aperfeiçoe seus pensamentos e sentimentos à seu respeito. A autorrevelação dá a oportunidade para que você e seu interlocutor melhorem o relacionamento que existe entre vocês: cada um de vocês informa ao outro como é, como se sente, o que pensa e o que espera que aconteça.


A autorrevelação ajuda a estabelecer, aprofundar e manter a amizade.

Cada tipo de relacionamento dá direito a certos tipos de informação que devem ser fornecidas pelo parceiro. Por exemplo, quando deixamos de falar sobre algo importante que está acontecendo conosco para um amigo, ele pode ficar muito ressentido e até terminar a amizade – de certa forma, a relação de amizade pressupõe que os amigos fornecerão espontaneamente certos tipos de informação.

A autorrevelação é uma maneira de aprofundar os vínculos. Todo mundo sabe que quando alguém começa a falar mais de si, isto significa que o relacionamento está se tornando mais próximo, mais amigável, mais pessoal. É um sinal que a pessoa que está aumentando suas revelações está querendo um maior nível de proximidade.

Só é possível haver relacionamento intimo entre duas pessoas se elas  se conhecerem, confiarem uma na outra, se aceitarem mutuamente, gostarem uma da outra e  ajudarem uma à outra. O conhecimento mútuo é desenvolvido principalmente através da autorrevelação.


A autorrevelação estimula o amor

Faz com que o relacionamento aconteça em bases verdadeiras. Quando temos algo importante para falar com alguém, mas não o fazemos a conversa fica sem energia.

Compartilhar a intimidade é uma das três bases do amor e da amizade (Sternberg). Você tende a se ligar mais fortemente àquelas pessoas que lhe ajudam a sentir-se melhor com o que está sendo e pensando.


A autorrevelação estimula a conversa

Dois dos principais tipos de autorrevelações que estimulam as conversas são as informações gratuitas (informações apresentadas sem que fossem solicitadas pelo interlocutor) e os feedbacks para a comunicação do interlocutor (dizer o que sente e pensa sobre aquilo que o interlocutor comunicou).

Segundo Tucker-Ladd, um importante estudioso das autorrevelações:

- Se a sua conversa é superficial por hábito (não por medo), faça um esforço para encontrar experiências superficiais, opiniões e sentimentos para discutir

- Quando os interlocutores não revelam as suas opiniões pessoais sobre o que está sendo dito, a conversa fica técnica ou cheia de lugares comuns  (“em cima do muro”).

- Quando as pessoas que revelam suas posições ou, pelo menos, dão esta impressão, desenvolvem uma conversa personalizada.

- Revelar coisas positivas ajuda a aprofundar o relacionamento. Indica que a pessoa está confiando, querendo impressionar positivamente e ser conhecida.


A transparência total é desastrosa

A pretensão de ser totalmente transparente, do tipo “A minha vida é um livro aberto”, é ingênua e insustentável. Vários filmes já abordaram este tema. Por exemplo, há uns vinte anos atrás, fez muito sucesso o filme “Um Dia, um Gato”,do diretor tcheco-eslovaco Wojtech Jasny . Este filme conta uma história sobre a aparição em uma aldeia tcheca de um mágico e seu gato, que usava óculos. Quando o gato tirava os óculos, os olhos das pessoas que o viam ficavam de uma determinada cor que revelava aquilo que sentiam. É fácil imaginar as tremendas encrencas que isso causou na aldeia!

Outro filme mais recente, que também trata deste assunto, é “O Mentiroso”, estrelado pelo Jimmy Carrey. Este filme conta a história de um advogado que recebeu um encantamento que fez com que ele, durante um dia, não conseguisse mentir e só dissesse o que realmente estava sentindo e pensando.

Esses dois filmes apontam alguns dos desastres que aconteceriam caso as pessoas realmente revelassem tudo o que sentem e pensam.

Pessoas que revelam demais:

- São consideradas inadequadas

- Deixam o interlocutor desconfortável

- Correm mais riscos. Podem sofrer sanções.

Problemas para autorrevelar ou para acolher revelações? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h25

16/05/2015

Iniciativa de contato: uma maneira de melhorar a vida amorosa e social

“Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha.”

“Porque eu é que tenho que procurá-lo e não o contrário? A distância é a mesma.”

Os dois ditados populares acima sugerem duas atitudes opostas em relação à iniciativa de contato: o primeiro sugere que é bom tomá-la, e o segundo, que isso não é bom.  Neste artigo, vamos examinar evidências que indicam que iniciativas de contato positivamente motivadas e bem utilizadas são um ótimo recurso para iniciar, melhorar e transformar relacionamentos.

A iniciativa de contato consiste na tomada de medidas que mostrem o desejo de interagir com outra pessoa como, por exemplo, flertar de longe, caminhar na sua direção, mandar um e-mail e dirigir-lhe a palavra.


Uso cotidiano das iniciativas de contatos entre conhecidos

As pessoas estão sempre atentas para as origens das iniciativas: quantas vezes elas tomaram e quantas vezes os outros tomaram a iniciativa. Existem vários tipos de iniciativa como procurar, ligar, visitar, enviar mensagem e propor assuntos durante a conversa. Essas iniciativas funcionam como recheios, calibradores, conectores e alimentadores do interesse mútuo.

Considere as afirmações abaixo. Elas podem ser ouvidas muito frequentemente no dia a dia e indicam que as pessoas em geral têm um bom grau de consciência da importância e do significado das iniciativas de contato:

“Já liguei três vezes para ela, mas ela nunca toma a iniciativa de me ligar. No entanto, quando ligo, ela me recebe bem. Claro, pode ser só por educação. Por isso, estou ficando inseguro. Será que ela tem algum interesse em mim?”

“Só eu que a procuro. Se eu passar semanas sem ir até a sala dela, mesmo assim, ela nunca vai até a minha.”

“Só eu que a convido para almoçar. De vez em quando, ela vai almoçar com outros colegas e nem me avisa.”


Por que tomar iniciativas de contato

Nesse momento que você está lendo este artigo, existem muitas pessoas que gostariam de iniciar ou aprofundar um relacionamento com você. Muitos desses relacionamentos poderiam ser prazerosos, reconfortantes e proveitosos para ambas as partes. O início e o aprofundamento de relacionamentos podem acontecer na área pessoal, amorosa, social e profissional.

No entanto, muitas vezes, você e essas pessoas não tomam iniciativas para iniciar ou intensificar seus relacionamentos e, por isso, cada um de vocês fica dentro do seu mundinho. Esta falta de iniciativa ocorre porque não queremos passar pelo desconforto temporário de sair do nosso casulo e nos aventurarmos em um terreno mais inseguro, onde temos que nos adaptar a novas pessoas e novas situações e onde corremos o risco de sermos rejeitados.  O exemplo apresentado em seguida mostra como as pessoas podem tomar iniciativas de contato e os efeito benéficos que isso pode produzir.

Atendi um rapaz (“Eduardo”) que tinha muita dificuldade para iniciar contatos. Ele estava frequentando um cursinho preparatório para concursos públicos. Esse tipo de cursinho geralmente permite que os alunos optem pelas matérias que querem cursar e, por isso, os colegas de cada aula eram diferentes dos colegas de outras aulas. Ou seja, ele tinha muitas oportunidades de contato com pessoas diferentes.

Já fazia um bom tempo que Eduardo frequentava esse tipo de cursinho. Apesar disso, ele não tinha feito nenhum amigo e não tinha iniciado nenhum relacionamento amoroso. O principal motivo do seu isolamento é que ele nunca tomava nenhuma iniciativa de contato e também não facilitava a tomada desse tipo de iniciativa por parte de outras pessoas. Eu dizia para ele, em tom de brincadeira, que ele tinha o dom da invisibilidade social e que poderia vender os seus segredos para os serviços secretos de diversos países.

Trabalhamos para que ele tomasse a decisão de começar a intensificar as suas iniciativas de contato. Tempos depois, a sua vida social começou a mudar radicalmente quando ele adotou a seguinte regra: “A cada dia, vou fazer um pouco mais do que já vinha fazendo no setor das iniciativas de contatos. Por exemplo, se já cumprimento alguém com um aceno de cabeça, vou passar a lhe dizer “bom dia”. Se já cumprimento com um “Bom dia”, vou passar a dar mais ênfase na voz e a sorrir. Se já cumprimento alguém dessa forma, vou passar a cumprimentar com um aperto de mão, e assim por diante!”.

Ele também se comprometeu a chegar um pouco antes do início das aulas e a ficar na escola um pouco depois que elas terminassem. Ele também tomou a decisão de, nos intervalos das aulas, aproximar-se das pessoas e participar dos grupos de conversa.

Tempos depois, Eduardo fez alguns amigos, estava sempre conversando nos intervalos de aula e estava começando a sair com uma colega.


Ocasiões e motivos das iniciativas e intensificações de contato

As iniciativas de contato podem acontecer em três circunstâncias:

1- Iniciativa do primeiro contato entre desconhecidos

A iniciativa do primeiro contato indica o desejo, por parte de quem a tomou, de iniciar um relacionamento com a pessoa para quem ela foi dirigida.

A iniciativa de contato é muito agradável e motivadora para quem a recebe quando fica claro que a maior motivação é interagir com o outro e, não, interesse prático, a pressão para responder às iniciativas prévias do interlocutor ou a força hábito.

2- Iniciativa para começar um novo encontro com um conhecido

Após algum tempo sem contato, um dos interlocutores toma a iniciativa de reiniciá-los. Quem toma essa iniciativa mostra o seu desejo de rever o conhecido e indica que gosta dele, salvo se mostrar que tem algum outro objetivo para esse contato (por exemplo, pedir um favor ou reclamar de algo).

3- Iniciativa para intensificar o relacionamento com um conhecido

Este tipo de iniciativa pode ser tomado de diferentes formas:

Aumentar a frequência de iniciativas de contatos

Esse tipo de iniciativa pode ser tomado tanto pelo aumento da frequência do mesmo tipo de contato como pelo aumento na frequência de vários tipos de contato. Por exemplo, uma pessoa pode mandar vários e-mails para uma amiga ou pode mandar e-mails, telefonar e ir visitá-la. Tudo isso em uma frequência muito maior do que a usual.

            O oposto desse tipo de iniciativa, uma diminuição da frequência de iniciativas, é um sinal de esfriamento do relacionamento e pode ter sido causado por ressentimento, desejo de afastamento ou desejo de rebaixar o tipo de relacionamento (era amigo e agora vai tratar como um simples colega).

A proporção de iniciativas de contatos entre duas pessoas indica qual delas está mais interessada ou valoriza mais o relacionamento com a outra: geralmente aquela que toma mais iniciativas está mais interessada no relacionamento ou em fazê-lo progredir para um nível superior de intimidade e compromisso.

Iniciativa de melhorar a qualidade ou a intensidade dos contatos

A percepção da qualidade ou intensidade de um contato é influenciada pela forma e pelo conteúdo da comunicação apresentada na interação.

Existem várias formas de melhorar a qualidade e intensidade dos contatos: torná-lo mais amistoso, mais proveitoso para o interlocutor, mais íntimo, mais caloroso, mais demorado, etc.

Estou convencido que podemos transformar nossa vida amorosa, familiar e social tomando iniciativas de contato.

A iniciativa de aumentar a frequência ou de melhorar a qualidade dos contatos pode ser tão ou mais importante do que acontece durante a interação

Muita gente me pergunta o que deve falar ao abordar uma pessoa desconhecida, após um flerte à distância (na maioria das vezes esse tipo de pergunta é apresentado por homens tímidos). Eu sempre respondo que o mais importante já foi feito: a iniciativa de caminhar até a outra pessoa e dirigir-lhe a palavra. A paquera mútua, que aconteceu antes da abordagem, já deixou claro que essa iniciativa é de natureza amorosa. Neste contexto, o conteúdo daquilo que é dito pode não ser tão importante quanto a iniciativa de abordagem que foi tomada. Pelo contrário, o conteúdo da conversa que acontece após a abordagem deve ser ameno e delicado. É importante, apenas, não destoar do “normal”, como dizer coisas absurdas ou ofensivas.

A iniciativa de contato é importante por si mesma, independentemente do seu conteúdo, principalmente quando existem bons indícios que o seu motivo principal é o prazer de interagir com a pessoa para quem ela é dirigida.

Boas iniciativas desse tipo enviam mensagens claras para quem a recebeu do tipo:

“Você é importante para mim”

“Faço questão de me aproximar de você”

“Acho importante conversar com você” 

Você está com dificuldade para melhorar seus relacionamentos sociais e amorosos? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: Uma versão deste artigo foi publicada no meu livro "Relacionamento Amoroso", Publifolha

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Por Ailton Amélio às 11h35

10/05/2015

A defensividade impede o autoaperfeiçoamento e destrói os relacionamentos

Defensividade é o uso exagerado de defesas para lidar com críticas e reclamações. Essas defesas são apresentadas antes da consideração da pertinência das críticas e das reclamações. A defensividade é uma espécie de “não tolero críticas e reclamações”.

O ouvinte defensivo não quer tomar conhecimento, não tem paciência para ouvir críticas e quer descartar logo, invalidar ou apresentar justificativas que desculpem aquilo que fez e que está sendo criticado.

A defensividade prejudica o defensivo, o queixoso e o relacionamento entre eles. Esses prejuízos acontecem porque o defensivo, ao não examinar a pertinência da reclamação, deixa de corrigir seus comportamentos inapropriados. A defensividade prejudica o queixoso porque torna o defensivo insensível ao ponto de vista e necessidade de quem apresenta as queixas. Quando a defensividade é frequente, ela inviabiliza o relacionamento: não é possível relacionar-se com uma pessoa que se mostra impermeável aos pontos de vista do seu parceiro, que não admite a influência dessa pessoa e nem vai fazer ajustes para melhorar o relacionamento entre elas.

Segundo John Gottman, autor de vários livros e estudos científicos sobre o casamento, a defensividade é um dos "quatro  cavaleiros do apocalipse" do casamento: acontecimentos que indicam o fim desse tipo de  relacionamento (os outros três são o criticismo, o desrespeito e a indiferença).


Acusação cruzada: um tipo de defensividade

A acusação cruzada, nome adotado por John Gottman para este fenômeno, é um tipo de defensividade na qual o defensivo, ao invés de justificar o seu comportamento que está sendo criticado, contra-ataca o crítico: é o contra-ataque como forma de defesa.

Afirmações típicas de contra-ataques:

“Eu fiz isso, mas você também fez aquilo”.

“Eu sou assim, mas você é assado”.

“Eu cheguei atrasado, mas você nunca valoriza quando chego na hora”.

“Eu não sou carinhoso porque você nunca me dá atenção”.

Vejamos uma descrição de uma pessoa defensiva:


Carmem é muito defensiva

Carmem não admite nunca seus erros ou nenhuma falta que possa ter cometido. Ela nunca pede desculpas e, quando ouve alguma reclamação, parte logo para as justificativas e, frequentemente, apresenta alguma contra acusação.

Ela também se defende de qualquer comentário que aponte alguma diferença entre ela e seus interlocutores, mesmo que essa diferença não indique qualquer falha ou imperfeição da sua parte. Ela tem a mania de defender com unhas e dentes a sua maneira de ver e fazer as coisas. Ela se recusa a ver o outro lado das coisas. Qualquer objeção contra ela, suas ações ou afirmações são consideradas como um ataque pessoal e essa objeção é pronta e firmemente combatida.

Carmem não para, nem um segundo, para analisar se aquilo que o interlocutor está reclamando tem alguma chance de ser verdadeiro ou, pelo menos, se é outra forma de ver as coisas.

Seu marido está desistindo de apresentar qualquer reclamação ou crítica para ela. Cada vez mais, ele sente que tem que suportar calado e aceitar, sem qualquer objeção, tudo que ela diz, quer e faz. Qualquer objeção é inútil, frustrante e pode disparar brigas.

Ele está cada vez mais frustrado e desesperançoso. Só lhe resta se tornar indiferente a todos os comportamentos de Carmem que o afetam negativamente. Isolar-se e distanciar-se dela é uma maneira de não se irritar com a sua total incapacidade para aceitar críticas. Adotar essa atitude, no entanto, está fazendo que ele se distancie dela.

Problemas causados pela defensividade

A defensividade exagerada e contínua leva ao afastamento do parceiro e esfriamento do relacionamento.

Defensividade frustra o reclamante

Defensividade impede o defensivo de progredir na solução do problema

Defensividade compromete a imagem do defensivo para o reclamante. É uma pessoa menos admirável

Aceitar tudo também não resolve. São aceitações falsas!


Qualquer relacionamento precisa de correções

Qualquer relacionamento precisa de correções contínuas. Muitas coisas que fazemos afetam negativamente as pessoas com as quais nos relacionamos. Assim sendo, é inevitável que as pessoas que se relacionam entre si reclamem e tentem corrigir umas às outras. Quando elas aceitam críticas pertinentes, seus relacionamentos vão se tornando cada vez melhores.

Muitas vezes os comportamentos as pessoas tentam corrigir não são diretamente dirigidos a elas, mas sim a outras pessoas ou ao mundo material. Por exemplo, quem gosta de nós tenta nos dizer quando estamos agindo desnecessariamente de modo ofensivo com outras pessoas. Neste caso, as ações ofensivas não são dirigidas a quem tenta nos corrigir. No entanto, como o corretor quer nosso bem, ele tenta nos corrigir para que não soframos consequências negativas desnecessárias advindas do nosso modo inadequado de agir.


É desagradável ouvir críticas

É desagradável quando outras pessoas apontam nossos erros.

Errar significa que não somos suficientemente espertos para ver o que seria correto, que fomos displicentes ou que temos más intenções. Qualquer uma dessas possibilidades é desagradável.

Quando uma pessoa nos corrige, fica implícito que ela percebeu alguma imperfeição em nós e essa percepção pode diminuir sua consideração por nós.


Quando é difícil aceitar críticas

Alguns tipos de críticas ou de críticos são mais difíceis de aceitar.

Geralmente é mais difícil aceitar críticas quando:

- Acreditamos que o crítico não nos aceita como pessoa

- A crítica é voltada para a nossa forma de ser e não para nossos comportamentos

- A crítica é apresentada por pessoas que queremos muito que nos admirem.

- A crítica é apresentada por pessoas que podem impor grandes consequências para nossos erros e acertos

- É muito ameaçador para nós entrar em contato com nossos erros.


Conselhos como forma de crítica

Uma forma de criticar alguém é lhe dar conselhos para mudar sua maneira de agir.

 Um estudo recente encontrou evidências de que a melhor maneira de dar conselhos é fornecer informações ao invés de prescrever soluções. As informações abrem espaço para que o aconselhado participe da análise do seu problema. A prescrição de soluções exclui o aconselhado do processo de encontrar soluções e da decisão de coloca-las em prática. Quando uma solução é prescrita, o aconselhado pode simplesmente acatá-la ou rejeitá-la sem entender direito por que ela foi proposta. Para acatá-la, ele tem que confiar na percepção e capacidade de análise do aconselhador. Isso significa reconhecer que é inferior ao aconselhador para analisar o problema. Nestas circunstâncias, aceitar conselhos rebaixa a autoestima.

O conselho não ameaça a nossa autoestima quando não é depreciativo ser incapaz de tomar um determinado tipo de decisão. Por exemplo, se não somos médicos, não ameaça nossa autoestima não saber diagnosticar uma doença e tratá-la. Neste caso, podemos receber os conselhos médicos sem qualquer ameaça à nossa autoestima ou autoimagem.


Ouvir atenta e profundamente: maneira de agir contrária à defensividade

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário de ouvir defensivamente. O ouvinte defensivo rejeita o que reclamante falou assim que ele termina de falar ou, muitas vezes, até antes que ele termine de falar.

O defensivo não quer dar espaço para o reclamante. Não tem paciência para ouvir a reclamação, não quer entender a reclamação. Quer mesmo é se defender e contestar mais rapidamente possível a reclamação.

Ouvir atenta e interessadamente é o contrário da defensividade. O ouvinte receptivo mostra sinais que quer entender perfeitamente a reclamação do interlocutor. Esse tipo de ouvinte pede mais detalhes, estimula o reclamante para explorar detalhes da sua reclamação, apoia as emoções que o reclamante vai mostrando enquanto expõe a sua reclamação e vai mostrando receptividade para o que está sendo dito. O ouvinte receptivo quer entender o ponto de vista do reclamante, mesmo quando, depois que entendeu perfeitamente, discorde parcial ou totalmente da reclamação.

Mesmo quando o ouvinte receptivo discorda, após ouvir plenamente a reclamação, essa discordância não pode ser considerada defensiva porque não houve defesa antecipada nem sistemática da reclamação. Neste caso, não houve acolhimento da reclamação porque ela foi examinada com isenção e boa vontade, mas o reclamado não concordou com ela.

Além da irritação provocada pelo motivo da reclamação, a recusa do defensivo para ouvir a reclamação e o ponto de vista do reclamante causa irritação.

Saber que o reclamado está tentando ouvir, que ele está aberto para entender o que fez e para se corrigir tem um grande efeito calmante no reclamante.

Defender-se bloqueia o relacionamento. O reclamante passa a descrer que dá para diminuir as diferenças entre ele e o reclamado que atrapalham o relacionamento.

É irritante se relacionar com alguém que não dá importância para o que estamos dizendo, que não aceita e nem considera o nosso ponto de vista.

A defensividade está prejudicando o seu relacionamento? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h35

02/05/2015

Não é necessário ser perfeito para despertar o amor

Você acha que é necessário possuir várias características admiráveis para que alguém se apaixone por você?

Você procura cuidadosamente um parceiro que preencha os requisitos que você acha importante antes de iniciar um relacionamento amoroso com ele?

Atender essas expectativas ajuda, mas pode não ser necessário: o amor nasce de outras formas.

Este é o tema que vamos abordar neste artigo.

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Responda às seguintes perguntas:

1- A pessoa que com a qual você tem um relacionamento amoroso neste momento é aquela que você mais queria na época que o relacionamento começou?

2- Você amava essa pessoa na época que o relacionamento entre vocês foi iniciado?

2- Você ama essa pessoa agora?

A maioria das pessoas responde com um “Não” à primeira dessas perguntas; cerca de metade delas responde com um “Sim” à segunda delas e boa parte das pessoas responde com um “Sim” à terceira pergunta.

Este artigo vai ajudar a esclarecer melhor essas perguntas e suas respostas.

Vamos examinar dois mecanismos de envolvimento: (1) certo tipo de convívio pode despertar o amor e (2) amar o amor.


Certo tipo de convívio produz o amor


Cerca de metade das pessoas se apaixona durante o namoro

Perguntei para dezenas de estudantes que namoravam se eles amavam a/o namorada/o na época que o namoro começou. Cerca de metade deles respondeu que “Não”. Em seguida, perguntei se atualmente eles amavam a/o namorada/o. A grande maioria respondeu “Sim”.

Ou seja, dentre aqueles que namoram quando responderam essas perguntas, metade não amava o namorado na época que o namoro foi iniciado. No entanto quase todos que permaneceram namorando se apaixonaram pelo parceiro. O amor nasceu durante o namoro.


O cônjuge atual não era o preferido na época da escolha

Durante uma palestra que realizei, perguntei para os presentes se o marido ou a esposa era a pessoa que eles preferiam como parceiro amoroso na época anterior ao início do relacionamento. A grande maioria respondeu “Não”.

Isso faz todo o sentido. Em qualquer lugar, seja no trabalho, na sala de aula ou na vizinhança, sempre tem algumas pessoas que são admiradas e desejadas por quase todo mundo. Essas pessoas são poucas. Por exemplo, em uma sala de aula de faculdade com 30 homens e 30 mulheres existem duas ou três pessoas de cada sexo que seriam as preferidas de quase todos os colegas do outro sexo. Claro que poucos dentre eles conseguirão namorar e se casar com essas pessoas preferidas. Suponde que namorem entre si, só três dos trinta colegas namorarão os preferidos. Os outros namorarão e se casarão com parceiros menos desejados.

Será que as 27 pessoas que não conseguiram se relacionamento com seus parceiros preferidos têm que se conformar e se relacionar com parceiros menos desejados ou acabam se apaixonando por eles?

A paixão realmente acontece entre pessoas que não se escolheriam entre si como primeira opção. A natureza criou outros caminhos para o amor que não passam por aquela listinha dos parceiros mais desejados.


Casamento Arranjado

Em alguns países como a Índia, uma boa parte dos casamentos é arranjada: embora os noivos possam ter certa participação na escolha mútua, são os parentes que localizam e selecionam aqueles que vão se casar entre si.

A informação que interessa aqui é que a taxa de sucesso desses casamentos é pelo menos igual às das culturas como a nossa, nas quais as escolhas dos cônjuges são realizadas por eles próprios. Nestas culturas o amor mútuo é o principal critério de escolha.

Outras evidências indicam que boa parte dos cônjuges dos casamentos arranjados acaba desenvolvendo uma afetividade mútua tão intensa como aquela existente entre os cônjuges que se escolheram mutuamente. Ou seja, existem diversos caminhos para Roma, digo, para o amor!


Mães se vinculam à quase todos os tipos de filhos

Certa vez, um grupo de alunos de pós-graduação de um curso que eu ministrava pediu para mulheres grávidas que citassem as características que mais gostariam que o futuro filho tivesse. Em seguida, essas características foram tabuladas. Os resultados indicaram claramente que as mães imaginam muito bem as características de seus futuros filhos. A grande maioria dessas características eram as mesmas que todas elas queriam nos filhos: saudáveis, inteligentes, afetivos, bonitos, etc.

Embora as mães tenham preferências sobre as características de seus futuros filhos, sabemos que elas se apegam a quase todos eles, quase sem levar em conta as características que de fato eles terão quando nascerem.

Da mesma forma, para fins de um relacionamento amoroso, sabemos citar muito bem o que queremos no cônjuge. No entanto, o preenchimento dessas características não garante que o amor nasça e, vice-versa, o não preenchimento de várias dessas características não impede o nascimento do amor.

A lição que pode ser tirada desses estudos é a seguinte: existem vários caminhos para o amor.


Outras evidências sobre o desenvolvimento da afetividade entre aqueles que convivem

São inúmeras as evidências de que certo tipo de convívio pode disparar a afetividade e o amor. Por exemplo:

- Amizades são formadas em classes de aula e entre colegas de trabalho.

- Um estudo mostrou que é mais provável o nascimento da amizade entre pessoas que vivem no mesmo andar e compartilham as mesmas saídas de prédios de apartamentos ou que moram próximas em condomínios de casas!

- Afeiçoamo-nos aos animaizinhos que cuidamos por um tempo.

Neste artigo vamos examinar várias evidências que indicam que o amor pode nascer através do convívio entre pessoas que tenham um mínimo de compatibilidade e que mantenham o relacionamento dentro de uma perspectiva conjugal.


Amar o amor

Para muitas pessoas, as características do parceiro e do convívio não importam muito! Essas pessoas já estão propensas para o amor e se apaixonam facilmente por desconhecidos e por pessoas que futuramente poderão lhes trazer problemas. Vejamos uma história ilustrativa:

Marly se apaixonava muito facilmente. Frequentemente se apaixonava por pessoas que acabava de conhecer e logo se comprometia com elas.

Logo que a paixão inicial amainava, ela começava a descobrir quem realmente era o seu grande amor recente. Nem sempre o que ela descobria era uma surpresa agradável!

No entanto, quando essa descoberta acontecia, ela já estava muito envolvida e comprometida: já sentia muita coisa pelo parceiro, tinha feito muitos planos, havia apresentando-o para os amigos e familiares...

Geralmente, ela não desenvolvia intimidade psicológica com a pessoa antes de se entusiasmar por ela. O seu entusiasmo era mais baseado na chama da paixão do que nas afinidades e amizade com essa pessoa.

Ela era daquelas que conhecia pessoas em cruzeiros marítimos e se casava no navio, ou daquelas que se casavam em Las Vegas, com alguém que tinha acabado de conhecer.

Ela não precisava conhecer a outra pessoa para se apaixonar. Apaixonava-se após uma conversa na internet, após ter dançado algumas vezes com o parceiro ou após umas poucas ficadas.

Ela tinha muita facilidade para completar o desenho das figuras a partir de uns poucos pontos.

Ela já tinha na sua cabeça a maioria das condições que eram necessárias para se apaixonar. Bastava encontrar alguém que desse o empurrão inicial e que fosse um pouco ambíguo para que ela preenchesse todos os outros pontos da figura do amor!

Marly amava o amor. O parceiro era apenas um detalhe!

Problemas para amar e para despertar o amor? Procure a ajuda de um psicólogo!

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Por Ailton Amélio às 10h53

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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