Blog do Ailton Amélio

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28/06/2015

Quais mensagens você envia através da produção da sua aparência?

A palavra “produção” é usada aqui para nomear o conjunto de cuidados que alteram rapidamente a aparência: vestuário, adornos, tratamento da pilosidade, acessórios, maquilagem, tatuagem, etc.


Funções da Produção

Desmond Morris afirma no seu livro “Você” (veja a citação na Nota 1, no final desse artigo) que as principais funções da produção são as seguintes:

Comodidade

Esta função é fácil de ser constatada: basta observar como o vestuário da maioria das pessoas é diferente em um dia frio em relação a um dia quente.

Pudor

Ocultar partes do corpo que a cultura considera despudorado exibir em público. Esta função também é bastante óbvia. Na nossa cultura, as regras do recato são onipresentes: os seios e os genitais devem ser cobertos. A produção sensual consiste, em grande parte, em cobrir estas partes, mas, ao mesmo tempo, sugerir e estimular a imaginação sobre o que está por baixo da cobertura.

Exibição/camuflagem

O nosso corpo funciona como uma espécie de outdoor que é usado pelas pessoas para postar diferentes mensagens através da produção.

A “exibição” é a comunicação de mensagens para outras pessoas. Esta função é uma das principais responsáveis pela existência da moda e dos múltiplos tipos de mensagens que podem ser enviados através da produção (sinais de gênero, sinais expressivos (humor, emoção), sinais afiliativos, conformismo, status, poder, riqueza, traços de personalidade, conformidade com o grupo; camuflagem, para não ser notado, etc.).

As três funções acima são atendidas, em maior ou menor grau, por diferentes itens da produção. Por exemplo, a proteção contra variações na temperatura é mais bem atendida pelo vestuário. A proteção contra os excessos de luz solar pode ser obtida através do vestuário, loções protetoras contra raios solares e óculos de sol.

Um mesmo item da produção geralmente tem várias funções. Por exemplo, um mesmo vestuário funciona para fins de recato, comodidade e exibição.


Funções do vestuário

Mark Hickson e colaboradores (2004 – veja a Nota 2) apontaram as seguintes funções do vestuário: proteção, atração sexual, autoafirmação, autonegação, esconder partes do corpo, identificação com o grupo, indicador de status e papel, identificação e a auto apresentação. Dentre estas funções, segundo estes autores, as mais importantes seriam estas duas últimas. O manual sobre comunicação não verbal destes dois autores apresenta os seguintes tópicos que podem ser considerados como funções ou efeitos do vestuário: vestuário e status, vestuário e características do usuário, vestuário e seus efeitos sobre o comportamento interpessoalvestuário e sucesso.

William Thourlby (1980 – ver a Nota 3, no final desse artigo) apresentou evidências de que as pessoas tiram dez conclusões a respeito das outras pessoas a partir de suas roupas. Estas conclusões são as seguintes:

      1.    Background econômico
2.    Nível econômico
3.    Background educacional
4.    Nível educacional
5.    Nível de sofisticação
6.    Nível de sucesso
7.    Caráter moral
8.    Background social
9.    Posição social
10. Confiabilidade


Porque vale a pena se produzir?

A produção tanto serve para ressaltar atributos físicos (por exemplo, o decote ressalta os seios) como para melhorá-los (por exemplo, o sutiã pode empinar e aumentar o volume dos seios).

A produção também pode ajudar seu usuário a se apropriar e a exercer com mais eficácia certas funções sociais. Por exemplo, a toga de um juiz ou a farda de um militar ajuda seus usuários a investirem as autoridades desses cargos e se tornarem mais poderosos do que estariam se não estivem paramentados. Neste sentido, o hábito faz o monge e o monge faz o hábito. Ambas estas afirmações estão corretas.

Por este motivo, aqueles que ascendem socialmente ficam mais motivados para usar os símbolos da nova classe social à qual querem se integrar do que aqueles que já estão nesta classe há mais tempo. Por exemplo, os “emergentes”, são mais inseguros de suas novas posições sociais e, por isso, cuidam mais das produções que as representam ou as distanciam da classe social que ocupavam anteriormente. Este fenômeno foi constatado por um estudo que verificou que professores que estavam iniciando a carreira se vestiam de forma mais diferenciada do que aqueles que já estavam há muito tempo no cargo. Por exemplo, usam mais gravatas e paletós que estes. Os “emergentes” aqueles que ascenderam socialmente recentemente podem até mesmo exagerar no uso de símbolos do novo status. Querem, por tudo, se identificarem com os “quatrocentões” e acabam usando uma profusão de símbolos do novo status - um “over”.

“Banho de loja”, no entanto, só funciona até certo ponto. Outros fatores podem fornecer pistas sobre as origens sociais das pessoas (“berço”). Isto complica as coisas. Por exemplo, quem tem origem social menos valorizada do que a posição social que ocupa atualmente, mesmo que use a mesma produção daqueles desse novo meio social com o qual quer se identificar, pode deixar transparecer suas origens. Duas pessoas que estejam produzidas exatamente da mesma forma, ainda assim, podem transparecer suas diferentes origens sociais. Como isso é codificado? Talvez, pela forma de se portar: como seus comportamentos indicam como elas estão se sentindo com aquela produção, com os locais que frequentam e com as pessoas que se encontram nesses locais.

Estes estudos mostram, portanto, que o vestuário pode produzir diversas impressões e conclusões sobre os seus usuários.

A produção pode ampliar sinais secundários de gênero

Uma parte da produção tem a função de ampliar os sinais secundários de gênero. Os sinais secundários de gênero são aqueles que distinguem os homens das mulheres, como, por exemplo, a barba, os seios, a proporção entre a cintura e o quadril, etc. Muitas vezes a moda nada mais faz do que destacar certos sinais secundários de gênero. Por exemplo, em certas épocas, a moda destaca as nádegas (uso da crinolina e das anquinhas para ampliar o tamanho das nádegas). Em outras épocas destaca pés (ou chineses enfaixavam o pés para diminuir seus tamanhos), ou os lábios (em certas épocas, o uso de batom vira moda) ou as pernas (uso da minissaia).

Teoria eco genital.  Esta teoria afirma que, muitas vezes, a moda copia ou ressalta sinais de gênero que estão presentes em outras partes do corpo (por exemplo, os batons usados para acentuar o vermelho e aparência de umidade dos lábios contribuem para que estes se pareçam com os grandes lábios vaginais).

Ocultação de sinais indesejáveis

A produção também é útil para ampliar ou ocultar sinais corporais cujos efeitos são indesejáveis como sinais de idade ou sinais de infantilidade indesejáveis.

Você não usa a sua produção em seu próprio benefício? Procure a ajuda de um psicólogo.


NOTAS

1- Morris, D. (1977). Você: um Estudo Objetivo do Comportamento HumanoSão Paulo, Círculo  do Livro.

2- Hickson, M., Moore, N, and Stacks, D. W. (2004). Nonverbal Communication: Studies and Applications. Communication Books.

3- William, T. (1980). You Are What You Wear. New American Library.

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Por Ailton Amélio às 09h33

22/06/2015

As maravilhas e funções da paixão romântica

A paixão provoca transformações perceptuais, motivacionais e comportamentais no apaixonado: o dia fica mais lindo, as músicas românticas se tornam mais pungentes, o canto dos pássaros se torna mais belo, o entusiasmo pela vida aumenta, ficamos mais corajosos e mais dispostos a enfrentar os desafios da vida, conversamos por horas com a amada e nos tornamos mais atenciosos e gentis com ela. Essas transformações podem ser tão prazerosas que muita gente acaba se viciando em paixão: o que mais querem na vida é estar apaixonado. Esse prazer perdura, é claro, quando a paixão é correspondida!


            A paixão é uma espécie de artifício que a natureza inventou para unir romanticamente, rápida e fortemente, duas pessoas.

A paixão une fortemente duas pessoas, mesmo quando não existem bases sólidas para explicar tanta atração entre elas. Ou seja, a paixão é baseada na idealização do parceiro. Stendhal, proponente de uma das mais respeitadas teorias sobre o nascimento da paixão, observou gravetos que caíam em minas de sal. Depois de certo tempo, o sal aderia aos gravetos. O resultado dessa combinação, sal e gravetos, ficava parecendo uma joia cravejada de brilhantes. Stendhal propõe que algo semelhante acontece com a paixão: aos olhos do apaixonado, o parceiro parece uma joia cravejada de brilhantes, mas, de fato, pode não passar de um graveto coberto por cristais de sal.


Por que a natureza inventou a paixão?

Eu imagino que a paixão era muito útil nos primórdios da nossa história evolutiva, na época que a nossa espécie era constituída por bandos nômades de caçadores coletores. Esses bandos tinham entre 100 e 1000 membros, aproximadamente. Eles ficam um tempo caçando e coletando alimentos em um lugar. Quando esses tipos de comida escasseavam no local, eles se mudavam para outro. Mais ou menos o que acontece com as nossas tribos de índios.

Para evitar a endogamia, casamento entre cosanguíneos, que inevitavelmente ocorreria, caso os membros de cada grupo só se casassem com outros membros do mesmo grupo, a natureza inventou a paixão: quando dois grupos se encontravam, pessoas de um grupo poderiam se interessar, muito rápida e intensamente, por pessoas do outro grupo. Esse interesse teria que acontecer muito rapidamente porque o contato entre os grupos durava muito pouco tempo. Logo cada um deles seguia seu caminho.

Essa atração teria que ser muito intensa para motivar um dos apaixonados para largar tudo e ir embora com o novo parceiro. Teria que largar família, amigos, segurança, aliados, etc.

Ainda hoje, a paixão produz esse enorme efeito: pessoas fazem loucuras quando estão apaixonadas - largam tudo, movem céu e terra para se unirem ao amado que mal conhecem ("Viva Las Vegas!": casamentos instantâneos entre recém-conhecidos!).

Ainda hoje, a paixão é útil: muitas vezes nos envolvemos com alguém que mal conhecemos, que encontramos por acaso, e que provavelmente não veríamos de novo, se não sentíssemos algo muito forte que nos leva a tomar providências para encontrar tal pessoa outra vez. Isso acontece em várias situações: viagens, congressos, restaurantes e, principalmente, nas baladas. Os sites e aplicativos para encontrar parceiros também fazem uso dessa capacidade para nos envolvermos rápida e fortemente com alguém que praticamente não conhecemos: podemos ficar fortemente interessados em uma desconhecida que só vimos a foto e lemos algumas frases de apresentação!

            Esta ligação semi-instantânea de alta intensidade pode unir pessoas semidesconhecidas durante o tempo suficiente para que o envolvimento entre elas se estabeleça em outras bases mais sólidas - através da intimidade e compromisso (saber que pode confiar e contar com o outro; compartilhar preocupações, problemas e alegrias; receber e oferecer apoio; assumir compromissos externos e internos; unir forças; desenvolver e compartilhar experiências excitantes; depender mutuamente para atingir metas; divisão de encargos, etc.).

Claro, nem sempre a paixão deságua no amor. Muitas vezes, quando a idealização diminui, a princesa que víamos através da lente da paixão adquire a sua verdadeira aparência: uma sapa!

Outras vezes, a princesa adquire outro formato que também é atraente: uma plebeia cheia de atrativos que são mais do que suficientes para provocar e solidificar o nosso amor.

Em outros casos, ainda, a princesa é realmente uma princesa e, além disso, exibe outras qualidades que despertam o nosso amor. Neste caso, ganhamos na loteria do amor!


Princípios gerais que regem os apaixonamentos

            A teoria do apaixonamento mais aceita por aqueles que estudam o fenômeno do apaixonamento é a de Stendhal. Esta teoria afirma que são necessárias três condições para que ocorra o apaixonamento: admiração, esperança e certa dose de insegurança.

Admiração

A admiração por uma pessoa pode ser provocada tanto pelas suas qualidades gerais (inteligência, cultura, princípios morais, etc.) como pelas suas qualidades diretamente relevantes para o apaixonamento (beleza, comportamentos típicos de cada gênero, etc.). Geralmente as pessoas que estão tentando conquistar procuram uma forma sutil e socialmente aceita de exibir estes dois tipos de qualidades para quem querem conquistar. Por exemplo, contam casos que ressaltam sutilmente seus atributos admiráveis; cuidam da beleza física e da produção (principalmente as mulheres) e exibem recursos econômicos, como para pagar jantares em restaurantes da moda, desfilar em carros caríssimos (principalmente os homens).

Outra teoria que também afirma que a admiração é necessária para o apaixonamento é a Teoria da Expansão do Eu. Segundo esta teoria, as qualidades que admiramos em outra pessoa são aquelas que gostaríamos de ter. Esta teoria afirma também que a associação amorosa com uma pessoa que possua tais qualidades seria uma forma de nos apropriarmos delas e, desta forma, expandirmos o nosso eu.

Uma pesquisa encontrou resultados que confirmam esta teoria: casais que participaram de atividades desafiadoras de seus limites psicológicos (expansoras do eu) relataram um maior fortalecimento de suas ligações afetivas do que casais que participaram de atividades agradáveis, mas não desafiadoras. (Pense nisso quando estiver escolhendo um programa para fazer com alguém que você deseja conquistar).

Esperança

Existem dois tipos de esperança. A primeira é que tenhamos qualidades suficientes para atrair a pessoa que queremos conquistar. Quem não atende a este requisito incorre naquele ditado popular que afirma que o parceiro “é muita areia para o seu caminhãozinho”. Atendido este primeiro requisito, ainda é necessário que haja um segundo tipo de esperança: a  esperança da reciprocidade do interesse amoroso. Este tipo de esperança é alimentado por aqueles sinais que são apresentados, principalmente, através da paquera verbal e não verbal (“derreter-se na presença do outro”, “ficar rodeando a outra pessoa”, apresentar a “dança do acasalamento” – caras, bocas, posturas, vozes, etc.).

Insegurança

Segundo Stendhal, a insegurança é o catalisador do amor: certa dose de insegurança contribuiria para o nascimento deste sentimento. Quando algo é importante para nós, mas não estamos seguros da sua posse, tendemos a valorizá-lo mais e mantê-lo por mais tempo na nossa consciência (“Não consigo parar de pensar nela.”) do que quando há muita segurança prematura desta posse. A insegurança também faz que comemoremos mais intensamente cada sinal de que estamos conquistando a parceira desejada. Coerente com este princípio, uma técnica de conquista popular prescreve o uso do “tratamento quente-frio” para conquistar alguém. Segundo esta técnica, é bom alternar as “horas de dar bola" com horas de mostrar indiferença pela pessoa, com a finalidade de não dar segurança excessiva para ela. Este princípio também é aplicado por aquelas pessoas que “ficam subindo pelas paredes” após ter saído com alguém interessante, porque não querem tomar a iniciativa de telefonar  para não parecerem interessadas demais.


Nem todo mundo consegue se apaixonar

Algumas pessoas não conseguem se apaixonar e são bastante céticas sobre esse sentimento. Provavelmente essas pessoas são aquelas que têm, em alto grau, um ou uma combinação dos seguintes estilos de amor: Pragma, Ágape ou Estorge. Aqueles que conseguem se apaixonar são aqueles que têm um dos seguintes estilos de amor: Eros, Mania ou Ludos. (Estilos de amor definidos  por John Alan Lee – veja o meu artigo, neste blog, “Estilos de Amor”).

 

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VAMOS ESTUDAR A PAIXÃO E O AMOR?

TEMAS

Principais teorias e pesquisas científicas que tratam dos seguintes temas:

Estilos de amor

Amor e apego

Apaixonamento

Amor e intimidade

Amor e sexualidade

Amor e compromisso

Amor e relacionamento

Amor e desapaixonamento

Qual o seu estilo de amor?

Qual o seu estilo de apego?

Como são os ingredientes do seu amor 

(intimidade, paixão e comprometimento)?


Tratamento de problemas amorosos

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Montando um grupo de estudos no meu consultório para estudar os temas acima sobre paixão e amor!

Interessada(o)? Escreva para o email:

ailtonamelio@uol.com.br

ou ligue para o meu consultório: (11) 3021 5833

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Por Ailton Amélio às 10h12

13/06/2015

Confira se você é um matador de conversas

"Transar é fácil, difícil é achar alguém para conversar", diz Miley Cyrus1

A conversa e o assunto podem ser mortos de duas formas principais:

1- Morte passiva. Deixar de fazer aquilo que pode ser feito para manter e dar brilho para a conversa é uma maneira de matá-la por desnutrição: não alimentar a conversa, não se mostrar animado e não animar o interlocutor, não desempenhar bem o papel de ouvinte ou de falante, não respeitar as regras dos turnos e das mudanças de turnos são algumas das maneiras de desnutrir a conversa

2- Morte ativa: impossibilitar a conversa ou o assunto; indispor o interlocutor para conversar ou tratar daquele assunto (tapar os ouvidos): portar-se de tal forma que o interlocutor ficará zangado ou sentir-se-á desrespeitado e interromperá a conversa. Outra maneira e matar a conversa ativamente: fazer coisas para diminuir a motivação do interlocutor ou inviabilizar a conversa pela quebra de suas regras fundamentais ou estragar sua motivação para tratar de certos assuntos, para conversa conosco.

Um motivo externo, de força maior, também pode impor a morte justificada da conversa. Por exemplo, um compromisso sério e inadiável pode fazer a conversa ser encerrada.

Existem muitas publicações que trataram das medidas para animar ou alimentar a conversa. Para matar passivamente a conversa ou assunto basta não tomar essas medidas. Neste artigo, vamos tratar apenas das formas ativas de matar a conversa ou o assunto.


Maneiras ativas de matar a conversa

As principais maneiras ativas de matar a conversa são as seguintes:

1- Mostrar hostilidade generalizada contra o interlocutor

2- Roubar os holofotes

3- Agir impolidamente. Ameaçar a face do interlocutor: ser rude demais verbal e não verbalmente

4- Desenvolver temas chatos e desagradáveis

5- Assumir o papel de Dr. Sabe Tudo

6- Anular o interlocutor

7- Tomar todo o poder sobre os componentes da conversa para si

8- Contestar sistematicamente o interlocutor

9- Sair abruptamente do papel de ouvinte ou de falante: virar as costas, mudar de assunto

10- Não dar o tom certo para a conversa: brincar quando não deve, ironizar, etc.

11- Forçar conversas e temas

12- Monopolizar o papel de ouvinte ou de falante

13- Interromper demais

14- Dar conselhos não solicitados

15- Discordar de tudo

16- Interrogar

Agora, vamos abordar mais detalhadamente as ultimas seis maneiras de liquidar conversas mostradas na lista acima. Elas serão abordadas porque, acredito, que são as maneiras mais frequentes e graves de matar as conversas.


Principais maneiras ativas de matar conversas

Forçar conversas e temas

Nem sempre é possível conversar com uma determinada pessoa ou tratar de um determinado tema com ela em um dado momento. Existem vários motivos para esta impossibilidade: pelo menos uma das pessoas que poderiam conversar considera que outra não é uma interlocutora adequada (por exemplo, a outra pessoa é uma desconhecida que acabou de fazer uma abordagem na rua e quer falar de coisas íntimas); o momento não é adequado (por exemplo, uma delas está sem tempo); as circunstâncias não são adequadas (por exemplo, uma festa não é a ocasião adequada para conversar sobre negócios); existem dificuldades para identificar assuntos adequados e envolventes naquele momento (“Não ter nada para conversar naquele momento”), etc.

Quando não há condições para conversar, insistir na conversa é forçar a situação.

Quem faz uma ligação telefônica deve certificar se está interrompendo.

O telefonema em momentos inconvenientes é um caso frequente de conversas forçadas. Quando ligamos para uma pessoa não sabemos se ela está disponível naquele momento para falar ao telefone. Por isso, é prudente começar a conversa perguntando: “Estou interrompendo alguma coisa?” ou algo equivalente. Caso a pessoa chamada apresente algum sinal de desconforto com a ligação, quem ligou deve dizer: “Te ligo outra hora”, “Quando você puder, me ligue”. Também ajuda muito quando quem recebe uma ligação inconveniente diz, assim que atender ao telefone: “Olá, fulano. Tudo bem? É urgente? Posso te ligar daqui a pouco?” ou algo do gênero.


Monopolizar os papéis de falante ou de ouvinte

Para que uma conversa aconteça é necessário que haja alternância nos papéis de ouvinte e falante. Caso isto deixa de ocorrer, o acontecimento não é um diálogo. Pode ser um monólogo, uma palestra, uma declaração ou algo do gênero. A falha na alternância de papéis pode ocorrer porque um dos interlocutores não quer abrir mão do seu papel de falante ou de ouvinte. O primeiro caso (“pessoas que falam demais”) é mais do conhecimento público do que o segundo (pessoas que “ouvem demais” ou “pessoas que falam de menos”).

Falar demais. O falante compulsivo se dá ao direito de fazer todas as associações e desenvolver todos os assuntos que vão lhe passando pela cabeça. Ele só está interessado em se exibir, desabafar ou produzir determinadas reações no ouvinte. Não está interessado no que se passa com este. Falar demais anula o ouvinte e impõe-lhe um problema: ou suporta aquele falante desagradável ou age de uma forma rude para interrompê-lo. Uma boa medida para evitar falar demais é mencionar os temas e só desenvolvê-los á medida que o interlocutor manifeste interesse por eles.

Recusar a palavra. Algumas pessoas se recusam sistematicamente a ocupar o papel de falante. Quando são pressionadas a fazê-lo, falam o mínimo possível e da forma menos comprometedora possível. Isto cria uma conversa assimétrica e, geralmente, pouco interessante. A pessoa que fala pouco contribui menos, deixa de expor a sua posição, dá a impressão de pouco interesse na conversa ou no assunto e de falta de confiança em si mesmo e no interlocutor.


Interromper demais

Certa vez fiz a seguinte experiência com meus alunos: apresentei uma pergunta para um deles. Assim que esta pessoa começou a responder eu apresentei outra pergunta. Assim que ele começou a responder esta segunda pergunta eu apresentei uma terceira, e assim por diante. Geralmente três ou quatro perguntas e interrupções de respostas deste tipo eram suficientes para fazer o aluno ferver de raiva. Ela se mostrava perturbado, frustrado e agressivo comigo. Só se acalmava um pouco quando eu explicava para ele que este procedimento estranho e rude tinha o objetivo de demonstrar os efeitos da interrupção.

A interrupção pode acontecer em diversos contextos: no meio de uma palavra, no meio de uma frase, no meio de uma ideia ou de um tema. Uma quantidade moderada de certos tipos de interrupção de pode ser bem vinda. Por exemplo, as interrupções para fins esclarecimento (de um termo ou ideia), mostram o interesse e envolvimento do ouvinte no que está sendo dito. As interjeições ou comentários breves, que não exijam respostas elaboradas, podem indicar envolvimento do ouvinte com a conversa, o que é motivador para o falante.


Dar conselhos não solicitados

Muita gente confunde quando o interlocutor quer apenas relatar ou desabafar sobre um acontecimento com pedido de conselhos. Os homens, especialmente, cometem muito este tipo de erro. Por exemplo, as mulheres odeiam quando começam a relatar um fato aborrecido que ocorreu no trabalho e o marido logo começa a sugerir medidas que ela deveria tomar para resolver a situação. Este tipo de conselho na hora errada encerra o relato ou desabafo. Fica pior ainda quando o conselheiro espera que o aconselhado acate e ponha em prática seus conselhos e fica irritado quando este indica que não vai acatá-los.


Roubar os holofotes

O ladrão de holofotes sempre quer ser o foco das atenções na conversa. Naquelas ocasiões que o interlocutor teria as atenções, o ladrão dá um jeito de atrai-las para si.

O ladrão de holofotes segue as seguintes regras: “O que aconteceu comigo é mais importante do que o que aconteceu com você”. “A minha notícia é mais interessante do que a sua”. “O que tenho a dizer é mais importante do que você tem a dizer”.

Ladrão de temas: a pessoa que introduziu o tema não consegue obter o impacto que queria na conversa. Quando isso acontece, embora o tema continue na conversa, agora é o ladrão que trata dele e atraiu a atenção dos ouvintes para si.

O ladrão tem várias maneiras de se apossar do tema: ele discorre sobre um acontecimento similar ao que relatado com o interlocutor o afetou; como ele vê o acontecimento; como lidou com o acontecimento; como a sua relação com o tema é mais importante do que a relação daquele que o introduziu, etc. O ladrão se apropria do controle do tempo, do conteúdo e da forma de conduzir o tema da conversa.


Discordar de tudo

Ser do contra. Facilita muito a conversa quando existem demonstrações de boa vontade em relação ao que o interlocutor está dizendo. Quando alguém começa a discordar do seu interlocutor de uma forma muito frequente e sistemática, isto pode indicar uma atitude negativa de quem discorda em relação ao seu interlocutor. Neste caso, é natural que quem esteja sendo contradito perca o interesse ou se esquive de continuara a conversa ou brigue.


Interrogar

Certas pessoas se portam na conversa como se fossem interrogadores da polícia.

Essa forma de se portar é completamente autoritária: o interrogador escolhe a pergunta, a maneira de o interrogado participar da conversa, o conteúdo e a extensão da resposta.

Pior ainda, quando as perguntas são fechadas. Para este tipo de pergunta, as opões do interrogado ainda se tornam mais restritas: o conteúdo e a extensão da sua resposta são predeterminados pela pergunta.

Neste tipo de conversa, o interrogado perde rapidamente a motivação: ele não pode seguir suas próprias motivações para falar: a sua fala é determinada por quem pergunta. O seu papel na conversa também é muito restrito: ele deve se limitar a responder o que foi perguntado. O nível de intimidade daquilo que ele diz depende em boa parte daquilo que lhe foi perguntado.

Geralmente, quando uma pessoa não puxa assunto, responde só o que foi perguntado e não mostra entusiasmo na voz de nos gestos, esses sinais indicam que esta pessoa não está querendo conversar. 

As perguntas são poderosas para induzir respostas. Quem recebe perguntas, geralmente foi educado para respondê-las.

Este tipo de interrogatório acontece frequentemente quando o interrogador quer conversar e o interrogado não quer. Acontece também quando o interrogador quer abordar um determinado assunto e o interrogado não quer. Em ambos esses casos, as perguntas são usadas para pressionar a participação do interrogado.

Você é um matador de conversas? Procure a ajuda de um psicólogo.

NOTA: 1- http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/16/transar-e-facil-dificil-e-achar-alguem-para-conversar-diz-miley-cyrus.htm

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Por Ailton Amélio às 12h42

08/06/2015

Porque vale a pena comemorar o dia dos namorados

Os antropólogos encontraram muitas evidências que confirmam a importância dos ritos de passagem, dos ritos comemorativos de aniversários e dos ritos comemorativos de datas importantes. Esses ritos, por exemplo, fortalecem os vínculos, renovam os compromissos e dão conteúdo para a vida. Sem esses ritos, ficaríamos com a sensação que a nossa vida é vazia e que estamos fora dos acontecimentos sociais. O dia dos namorados é uma ocasião para a prática de um desses ritos e, por isso, merece ser comemorado.


Tipos de ritos

Em todas as sociedades existem ritos que marcam datas importantes como, por exemplo, as celebrações do nascimento, do início da adolescência, do início da idade adulta, do casamento e da morte. Essas celebrações são conhecidas genericamente como “ritos de passagem” (esse nome foi popularizado no início do século passado pelo antropólogo alemão Arnold van Gennep). Existem vários tipos de ritos. Três deles são os ritos de passagem, os ritos comemorativos de aniversários e os ritos comemorativos de fatos importantes.

Os ritos de passagem, como o próprio nome indica, marcam as datas das mudanças de papéis. Na nossa sociedade, o primeiro rito de passagem geralmente acontece quando a gravidez é confirmada: os parentes comemoram o início da nova vida. Mais frequentemente ainda são as comemorações de nascimento. Esta comemoração marca o início da vida do indivíduo como um ser independente do corpo da mãe. O último rito de passagem é o da morte.

Os ritos de aniversário marcam a passagem de tempo transcorrido a partir de um acontecimento importante: comemorações de aniversários de nascimento, aniversários de casamento, aniversários da independência do país, aniversários da canonização de santos.

Os ritos comemorativos de fatos importantes marcam fatos importantes para a sociedade como, por exemplo, “Dia da árvore”, “Dia da Mulher” e “Dia dos Namorados”.


Funções dos ritos

Algumas das principais funções dos ritos de passagem são as seguintes:

Facilitar a mudança de papéis sociais.

Os ritos facilitam o abandono dos papéis anteriores e a adoção dos novos papéis. Estes ritos geralmente envolvem a estipulação de uma data para mudança de papel, a presença de pessoas que investirão tempo e recurso para estarem presentes e testemunhar a passagem, uma cerimônia elaborada para marcar a passagem e a investidura no novo papel. Tudo isso contribui para que a mudança de papéis seja encarada mais seriamente do que o seria, caso essa mudança ocorresse sem o rito como, por exemplo, através de uma passagem privada, sem pompa, emoções e testemunhas.

Fortalecer vínculos entre os participantes do evento.

Por exemplo, participar de um rito com outros convidados fortalece a sensação de pertencimento ao mesmo grupo que eles.

- Proporcionar conteúdo e significado para a vida.

As comemorações marcam a vida. Uma vida sem ritos é uma vida vazia e linear. A vida pode ser marcada e relembrada através de acontecimentos importantes. Esses acontecimentos ficam mais marcados quando é necessário se preparar para eles, esperar por eles, participar deles, falar deles, pensar neles e sentir fortes emoções nessas ocasiões.

- Reforçar os status dos participantes

Durante os ritos, os participantes exibem, testam e confirmam as suas importâncias sociais e os seus vínculos: centralidade em relação aos anfitriões, vestuários especiais, cumprimentos, honrarias, etc.


Para comemorar bem o Dia dos Namorados

Para que essa comemoração produza efeitos benéficos, é importante comemorá-la devidamente. Algumas medidas que ajudam a marcar essa data são as seguintes:

Produza-se. Vista-se de forma elegante e especial, capriche no penteado, use maquilagem.

- Vá a um lugar apropriado para esse tipo de comemoração

Produza um clima especial para a ocasião: seja gentil, capriche no romantismo, destaque os bons momentos do relacionamento.

- Dê um presente que, embora não custe muito, seja do agrado da amada e mostre que você pensou nela ao escolhê-lo.

Apresente algum tipo de cerimônia para marcar a data. É importante haver um momento mais cerimonioso, onde algumas palavras afetivas e vinculadoras sejam apresentadas.

Dê flores. As flores não têm utilidade prática e, por isso mesmo, acentuam o aspecto comemorativo da data.

Namorar é mostrar-se romântico, carinhoso e atraente

Para comemorar o Dia dos Namorados, tão ou mais importante do que trocar presentes é a maneira carinhosa e romântica de tratar a amada. Essa maneira pode valorizar a data ou, pelo contrário, invalidá-la. Por exemplo, adianta muito pouco comprar um belo presente, levar a amada para jantar e tratá-la como uma simples amiga ou, pior ainda, de forma fria e distante.


O namoro deve estar presente em todas as fases do relacionamento amoroso

Na nossa língua, o substantivo “namoro” é usado em dois sentidos:

(1) Substantivo usado para nomear um dos estágios iniciais do relacionamento amoroso. Este estágio geralmente está situado depois do flerte ou, algumas vezes, depois de uma “ficada” ou de um “rolo”, e antes do noivado ou do “morar juntos”.

(2) Substantivo usado para nomear uma maneira de sentir, pensar e agir típicos das pessoas que têm uma relação romântica entre si. O namoro, neste segundo sentido, deve estar presente em todas as fases do relacionamento amoroso como, por exemplo, durante o “rolo”, o namoro (no sentido anterior), o noivado, a união consensual e o casamento.

O “namoro”, nesse segundo sentido, inclui olhares prolongados nos olhos da amada, declarações de amor, troca de carinhos românticos, abraços de tirar o fôlego, beijos na boca, etc. A presença desses comportamentos é um sinal de que há amor romântico entre o casal e que o relacionamento entre eles é positivo e está vivo.  

Quando um casal deixa de namorar, o relacionamento amoroso entre eles está em perigo. Ou ele está morrendo ou está se transformando, quando muito, em amizade e, quando pouco, em indiferença ou ódio. Infelizmente, muita gente que tem parceiro amoroso deixou de namorar. Essas pessoas podem estar casadas, podem transar, podem ser amigas entre si, podem ser fieis e comprometidas, mas deixaram de namorar. Muito triste!


Maneiras de namorar

Para namorar é necessário agir como duas pessoas apaixonados que estão no inicio do relacionamento amoroso. Algumas dessas formas de agir são as seguintes:

- Cuidar da aparência para impressionar a parceira, para fazê-la se interessar e se orgulhar de você.

- Tratá-la como a pessoa mais importante que está presente em qualquer lugar onde estejam.

- Ser atenciosíssimo com ela

- Durante o encontro, só ter olhos para ela

- Repercutir com entusiasmo o que ela diz 

- Beijá-la romanticamente

- Abraçá-la com ternura

- Andar de mãos dadas com ela

- Parar tudo que está fazendo para ouvi-la

- Ficar olhando prolongadamente nos seus olhos e entrar em êxtase

- Considerar o seu ponto de vista pelo menos tão importante quanto o seu


Vale a pena comemorar o Dia dos Namorados

O dia 12 de junho deveria ser considerado o Dia do Namoro e não, apenas, o Dia dos Namorados. Só não é o “Dia de Namoro” porque namorar deve acontecer 365 dias por ano!

Não invalide essa data só porque ela se tornou muito comercial: “Não jogue fora a criança junto com a água suja”. 

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Por Ailton Amélio às 10h32

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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