Blog do Ailton Amélio

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27/09/2015

Dificuldade para sentir atração atrapalha inícios de relacionamentos

Sentir atração ou amar faz parte do caminho natural para iniciar um relacionamento amoroso: as pessoas geralmente tentam estabelecer uma relação amorosa com quem amam ou, pelo menos, por quem sentem atração amorosa. Só nos países ou nas épocas históricas onde o casamento é arranjado é que a atração e/ou o amor não são considerados requisitos essenciais para iniciar um relacionamento amoroso.

Várias pesquisas vêm mostrando que a atração tem várias funções que são muito importantes para iniciar e desenvolver um relacionamento  amoroso. Algumas destas funções são as seguintes:

(a) A atração é um bom critério para escolher um parceiro.

(b) A atração é um requisito para se envolver em um relacionamento  amoroso.

(c) A atração mobiliza recursos para atrair o parceiro amoroso.

(d) A expressão da atração dá esperança para o parceiro de que ele será bem-sucedido para iniciar  e desenvolver este relacionamento amoroso com quem a está expressando .

Nos próximos tópicos, vamos analisar cada uma destas funções da atração amorosa.


Sentir atração é um bom critério para escolher um parceiro

Como escolhemos um parceiro na vida? Certamente não levamos no bolso uma lista de atributos que consideramos importantes num parceiro amoroso e, com esta lista, avaliamos os possíveis pretendentes que encontramos no dia-a-dia.

Funcionamos de forma diferente: simplesmente sentimos atração por algumas pessoas e não sentimos por outras. A atração que sentimos por uma pessoa é um forte indicativo de que esta tem as características que queremos em um parceiro amoroso. Esta atração é um mecanismo natural que sintetiza tudo aquilo que a nossa biologia (“causas universais”), a nossa cultura (“causas culturais”) e as peculiaridades das nossas histórias de vida (“causas idiossincráticas”) implantaram em nós como sendo as características mais importantes e mais valiosas que devemos procurar num parceiro amoroso. A natureza, ao invés de implantar em nós um mecanismo consciente e racional que nos fizesse dizer “aquela pessoa tem as características que valorizo em um parceiro amoroso”, optou por implantar um mecanismo que nós dá uma sensação do tipo “olhe que pessoa atraente!!!”


Sentir atração é um requisito para iniciar relacionamentos amorosos

"Ele seria um ótimo parceiro para mim. Pena que não sinto atração por ele!" (Afirmação popular)

Como revela a afirmação popular acima, não basta encontrar uma pessoa que tenha ótimas qualidades para que aceitemos namorá-la, transar com ela, etc. Para a grande maioria das pessoas, sentir atração amorosa é um requisito indispensável para iniciar um relacionamento amoroso.


Atração mútua / amor: critério importante para escolher um cônjuge

David Buss e colaboradores (1990) realizaram uma pesquisa em 37 culturas, espalhadas por todos os continentes do nosso planeta (uma amostra  brasileira foi incluída nesta pesquisa), com o intuito de verificar qual a importância que cada uma delas atribuía a 18 características conhecidas como relevantes em um bom parceiro para casar. Nesta pesquisa, o requisito "sentir atração mútua / amor pelo parceiro" foi aquele que obteve a maior média de importância (este requisito também foi considerado o mais importante pelos homens e mulheres brasileiros que participaram desta pesquisa). Este requisito foi considerado muito importante por praticamente todos os países ocidentais, como França, Estados Unidos e Inglaterra. Em algumas culturas não-ocidentais este requisito não foi considerado como fazendo parte do grupo dos requisitos mais importantes


Amor pode ser um requisito para o casamento

Uma pesquisa realizada por Levine e colaboradores (1995) também mostrou que o amor é considerado um requisito muito importante para o casamento nas culturas ocidentais. Estes autores pediram para pessoas de onze países (inclusive o Brasil) respondessem à seguinte questão:

“Se um homem (mulher) tivesse todas as qualidades que você deseja, você se casaria com ele(a) mesmo se não o(a) amasse?”

Quem respondeu a esta pesquisa tinha três opções de resposta: Sim, Não e Indeciso.

Homens e mulheres responderam a esta questão de forma semelhante. Por isso, as percentagens abaixo dizem respeito aos escores unificados dos dois sexos.

Os países que participaram desta pesquisa podem ser classificados em dois grupos: aqueles onde o Sim foi a resposta mais frequente (Índia e Paquistão), e aqueles onde o Não foi a resposta mais frequente (todos os outros países pesquisados). Em nenhum destes países a resposta Indeciso foi a mais frequente.

Os EUA e o Brasil foram os países que mais rejeitaram o casamento sem amor. No Brasil apenas 4,3 % das pessoas disseram que se casariam sem amor, 10% ficaram indecisas e 85,7% disseram que não se casariam sem amor.

Nos países coletivistas e/ou mais atrasados economicamente são aqueles onde as percentagens de indecisos são muito grandes. Esta grande percentagem de indecisão parece indicar que estes países estão em uma fase de transição a este respeito: o casamento arranjado está sendo substituído pelo casamento onde os parceiros é que se escolhem e, por isso,  o amor tem maior importância.


A atração mobiliza recursos para atrair um parceiro amoroso

Quando uma pessoa A sente atração por uma pessoa B, esta atração aumenta a probabilidade de que a pessoa B passe a sentir atração pela pessoa A. Isto acontece porque a atração produz uma série de ações e transformações na pessoa A que são eficientes para atrair a pessoa B.

Buss e colaboradores (1988) realizaram uma pesquisa para verificar quais as principais ações que as pessoas realizam para atrair um parceiro. Algumas destas ações são as seguintes:

- Mostrar senso de humor.

- Arrumar-se bem.

- Ser simpática para os problemas dele/a.

- Mostrar boas maneiras.

- Tomar banho diariamente.

- Manter um bom preparo físico para criar uma aparência de saúde.

- Contar piadas para fazer homens / mulheres rirem.


 Atração, flerte e amor podem provocar o flerte

Os comportamentos de flerte também aparecem automaticamente quando sentimos atração por alguém. Estes comportamentos, por serem tão importantes para o início de um relacionamento amoroso, serão abordados num capítulo à parte.

NOTAS

Este artigo é uma adaptação de parte do primeiro capítulo do meu livro "O Mapa do Amor", Editora Gente.

Buss, D. M., Abbott, M., Angleitner, A., Biaggio, A., Blanco-Villasenor, A., Bruchon¬Schweitzer, M [& 45 additional authors]. (1990). International preferences in selecting mates: A study of 37 societies. Journal of Cross Cultural Psychology, 21, 5-47.

Hashimoto, T. Verma, J. (1955) Love and Marriage in eleven cultures. Journal of Cross-Cultural Psychology, v. 26, No. 5, p. 554-71.

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Por Ailton Amélio às 11h13

20/09/2015

Porque é bom estar apaixonado

Existem vários tipos de amor. Embora esses tipos compartilhem entre si diversos ingredientes (amizade, romance, sexo, compromisso, etc.), cada um deles tem uma base própria. Quem tem um estilo de amor bem definido (muita gente tem uma mistura de estilos de amor) talvez não imagine, e até menospreze, o mundo psicológico, as vivências, os prazeres, as vantagens e as desvantagens que são proporcionadas pelos outros tipos de amor, que são diferentes do seu. Por exemplo, quem experimenta altas doses de amor romântico e dá menos importância para a amizade como base do relacionamento amoroso, talvez não imagine o que é um amor que tem como base principal a amizade, e vice versa.

Quais são os ingredientes mais fortes de cada um dos estilos de amor?

John Alan Lee é o autor de uma das teorias científicas mais frutíferas sobre o amor. De acordo com a sua teoria, o estilo de amor Eros é baseado no amor romântico, no sexo, na qualidade do relacionamento e na beleza do parceiro; o estilo Estorge é baseado na amizade; o estilo Pragma é baseado em uma lista de atributos desejáveis; o estilo Mania é baseado no amor romântico, na necessidade de se fundir com o amado e na insegurança gerada pela dúvida sobre o amor do parceiro por si; o estilo Ludos é baseado no jogo da conquista, na novidade e na variação de parceiros e o estilo Ágape, nos significados e na satisfação de cuidar do parceiro.

Neste artigo, vamos nos concentrar nos tipos de amor que têm como base o amor romântico.

O amor romântico sempre existiu

Está na moda combater o amor romântico. Quem combate esse tipo de amor afirma, entre outras coisas, que ele foi inventado na época do amor cortês, na Baixa Idade Média, que ele é um tipo de amor irrealista e que não propicia um relacionamento saudável entre as pessoas. Existem registros deste tipo de amor antes da Era Cristã : basta ler algumas passagens do livro “Cântico dos Cânticos” de Salomão (escrito antes de Cristo) ou conferir poemas escritos a três mil anos, no Egito (veja a citação na Nota 1, no final desta página). Essas evidências indicam que esse tipo de amor sempre existiu e é inerente à nossa espécie.

Este tipo de amor tem, sim, algo de irrealista, mas isso não anula seus méritos. É perfeitamente possível desenvolver relacionamentos saudáveis baseados neste estilo de amor.

A paixão transforma a percepção e os sentimentos

Quem está amando romanticamente foi tocado pelos deuses. Não é atoa que um dos principais símbolos deste tipo de amor é o Cupido lançando suas flechas para provocar a paixão. Realmente, quem é tomado pelo amor romântico transcende o seu modo usual de ser e tem seus sentimentos, pensamentos e ações elevados para um plano superior. Dai a associação dos deuses com este tipo de amor.

Esse tipo de amor sempre é tratado como um acontecimento que se dá na região limítrofe entre o mundo dos homens e o mundo dos deuses e da magia. Muitos mitos (Tristão e Isolda, por exemplo), os romances históricos (Cleópatra e Marco Antônio, Helena de Troia, por exemplo) e muitos contos de fadas (Cinderela e a Bela Adormecida, por exemplo) tratam desse tipo de amor.

É um amor que produz consequências tremendas na vida daqueles que são tomadas por ele. Muitas vezes, uma das pessoas que se apaixonam entre si é humilde e a outra, poderosa. O amor entre elas faz que o poderoso conduza o humilde para o seu mundo.

Em outras histórias, o poderoso renuncia a tudo pelo amor da pessoa mais humilde (Rei Eduardo VIII renunciou ao trono inglês para se casar com Wallis Simpson, por exemplo). Esse tipo de amor também provocou guerras fictícias (Guerra de Troia) ou não e outras tragédias (assassinatos, perdições, etc.).

As músicas reverberam este tipo de amor: o êxtase experimentado quando quem está amando e é correspondido e a dor atroz daqueles que amam e não são correspondidos.

Sintomas do amor romântico

Vou chamar de “Amor romântico” um fenômeno que pode acontecer à primeira vista e que parece pouco permeável ou acessível ao racional. Esse amor não pode ser definido com precisão, mas quando enumeramos alguns dos seus sintomas, todos aqueles que já o experimentaram saberão, com certeza, do que estou falando.

Esse tipo de amor já foi comparado com o vício em certas drogas: mesmo quando sabemos que ela faz mal, que é destrutiva, mesmo assim é difícil deixar de sentir compulsão para tomá-la.

A presença do amor romântico apresenta os seguintes sintomas:

- Faz a pessoa amada se tornar mais importante que qualquer coisa;

- Faz o dia parecer mais bonito. As cores parecerem mais fortes;

- Coloca-nos no presente porque enfraquece as lembranças do passado e os temores do futuro;

- Faz que percamos o sono e o apetite;

- Produz pensamentos intrusivos: pensamentos que tomam conta da nossa consciência e que dificultam a concentração em outras coisas

- Controlam fortemente a direção da nossa atenção e de nossos olhares: “Não consigo tirar meus olhos de você”;

- Faz que desejemos eternizar um abraço, um leve rocar de lábios nos seus lábios

A paixão transforma os comportamentos

O flerte entre dois jovens universitários

Certa vez, observei a paquera entre dois jovens universitários (apresentado originalmente no meu livro “O Mapa do Amor”). Essa descrição mostra o que a atração e/ou a paixão podem fazer com os comportamentos.

Dois jovens estudantes universitários, um rapaz e uma moça, estão conversando animadamente. Eles parecem estar totalmente absortos um com o outro:

- Ambos estão em pé.

- Eles estão posicionados frente a frente.

- Eles só têm olhos um para o outro: quase não dão atenção ao que está acontecendo ao redor.

- Eles falam alto, suas vozes são vibrantes, quase não há momentos de silêncio, sempre um deles está falando.

- Eles riem e sorriem muito. As suas falas são entremeadas de sorrisos e risos. O som de suas vozes é o de pessoas que estão falando sorrindo.

- Cada um deles parece estar bastante envolvido com a própria fala: aquele que fala acompanha o que está dizendo com largos movimentos corporais.

- Eles parecem estar bastante envolvidos com o que o outro está falando (ouvem ativamente): enquanto ouvem, apresentam muitas expressões faciais em reação ao que o outro está dizendo (por exemplo, usam o riso de boca aberta), reagem com o corpo todo ao que está sendo dito (por exemplo, arqueiam e retorcem o corpo enquanto riem em reação ao que o outro disse; fazem sim com a cabeça etc.).

Existe paixão à primeira vista?

Nem sempre a paixão ou o amor romântico nascem à primeira vista. Esses dois fenômenos podem nascer após alguns encontros e até mesmo entre pessoas que já se conhecem. No entanto, eles também podem nascer muito rapidamente.

A paixão à primeira vista (ou amor à primeira vista) ou, pelo menos, aquele que surge muito rapidamente, às vezes em poucos minutos, é uma característica dos estilos de amor lastreados no romantismo e na idealização do parceiro. Sempre que estou fazendo uma palestra sobre o amor, costumo realizar a seguinte enquete: peço para os participantes que não acreditam na paixão à primeira vista levantarem uma mão. Uns trinta a quarenta por cento dos presentes levantam a mão. Em seguida, peço para aqueles que já tiveram pelo menos uma paixão à primeira vista que levantem a mão. Geralmente, uma percentagem maior de pessoas, em relação ao grupo dos que não acreditam no amor à primeira, vista levantam a mão. Ai eu brinco: “Aquelas pessoas do primeiro grupo que levantaram as mãos não acreditam em vocês, que já tiveram paixão à primeira vista! Rs, rs”.

Algumas das pessoas que não acreditam na paixão à primeira vista argumentam: “Não é amor. É atração!” e logo são rebatidas por alguém do segundo grupo: “Foi algo fortíssimo, disparado em poucos minutos. Depois que isso aconteceu, eu só tinha olhos para aquela pessoa. E ainda nem tinha falado com ela! Falamos, começamos a namorar e esse amor dura até hoje!”.

Função biológica da paixão à primeira vista

  Paixão à primeira vista é um artifício que a natureza inventou para unir rapidamente certos tipos de pessoas. Essa forte união acontece mesmo quando ainda não existem “bases mais sólidas”, entre elas, para permanecerem juntas de uma forma tão intensa, tomarem decisões tão importantes que poderão mudar muita coisa no presente e determinar tanta coisa no futuro (genética dos filhos, a metade do parentesco dos filhos e suas possíveis alianças, estilo e nível de vida, etc.). Esta ligação semi-instantânea de alta intensidade pode unir pessoas semidesconhecidas durante o tempo que é necessário para que o envolvimento entre elas se estabeleça em outras bases mais sólidas - através da intimidade e compromisso.

Nota: Leia essa poesia no blog: http://poesiaemtodaparte.blogspot.com.br/2009/03/poema-egipcio-extraido-de-um-papiro-de.html

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Por Ailton Amélio às 09h15

12/09/2015

Ninguém admira quem é bonzinho demais

Considere a seguinte história de João e avalie quanto você se identifica com ela.

João, o bonzinho

João foi passar o feriado no sítio da namorada. Era a primeira vez que ele ia conviver por tanto tempo com a família dela. Tinha muito medo de desagradar. Por isso, ao chegar lá, começou a fazer de tudo para agradar os parentes dela. Por exemplo, em todas as conversas, ouvia com muita atenção tudo que eles diziam, ria muito, fazia perguntas, concordava com tudo, apresentavas exemplos que confirmavam aquilo que ouvia e nunca apresentava os próprios assuntos, porque tinha medo que eles não fossem interessantes. Nunca tentava direcionar a conversa, omitia tudo que pudesse discrepar daquilo que o seu interlocutor do momento estava apresentando. À noite, os seus músculos faciais chegavam a doer de tanto sorrir falsamente. Era uma trabalheira insana.

Para sua infelicidade, logo ele se tornou o ouvinte ideal dos parentes mais rejeitados da família. Todos passaram a “alugá-lo” para as conversas mais desinteressantes. No terceiro dia, ele não queria sair do quarto para não ter que ouvir os casos intermináveis das velhas tias da namorada. Prometeu para si mesmo que nunca mais aceitaria outro convite para um evento como esse.


Você é bonzinho demais?

As questões abaixo ajudarão a avaliar se você é bonzinho.

Questões:

1- As suas conversas andam meio sem vida?

2- Após conversar, você sente-se cansado porque trabalhou muito para agradar o interlocutor?

3- Você está sempre fingindo que concorda com tudo que o seu interlocutor diz?

4- Nas suas conversas, você se sente como plateia e raramente como protagonista?

5- Quando o seu interlocutor diz algo, você raramente apresenta a sua verdadeira posição sobre o que acabou de ouvir porque tem medo de desagradá-lo?

6-Você raramente se sente a vontade para apresentar os seus próprios assuntos? Ou seja, você está sempre conversando sobre assuntos apresentados por outras pessoas?

8- Geralmente, a forma das conversas que você participa (pergunta e resposta, humorística x séria, íntima x impessoal, etc.) é determinada pelos seus interlocutores?

9- Você frequentemente adia a apresentação de algo que está pensando e sentindo e, por isso, perde o momento adequado para essas apresentações? (Você costuma “perder o bonde”?).

10- Você frequentemente sente-se “capturado” pelo seu interlocutor: não consegue mudar de assunto ou terminar a conversa, mesmo quando gostaria muito de fazer isso?

11- Você sente que o seu interlocutor nunca dá espaço para os seus assuntos e seus pontos de vista e, mesmo assim, você fica à sua disposição pelo tempo que ele quiser?

Caso tenha respondido afirmativamente a uma ou mais dessas perguntas, você parece ser do tipo “bonzinho”. Se você respondeu positivamente a várias delas, e as situações que elas descrevem acontecem frequentemente com vários dos seus interlocutores, você provavelmente é o tipo “bonzinho demais”.

Alguns sintomas apresentados por quem é bonzinho demais

- Exaustão após participar de encontros sociais

- Ressentir-se por ter sido anulado pelo grupo de amigos ou pelo namorado

- Remoer o que se passou durante os encontros sociais

- Evitar pessoas e grupos novos porque o fenômeno vai aparecer


Porque certas pessoas são boazinhas demais

As pessoas podem ser boazinhas por diferentes motivos ou, o que é mais frequente, por uma combinação desses motivos. Alguns dos principais desses motivos são os seguintes:

As pessoas são boazinhas:

- Para evitar consequências reais intoleráveis. Em certas ocasiões, não ser bonzinho pode ser perigoso. Por exemplo, durante um assalto é melhor ser bonzinho com o ladrão. Certas pessoas autoritárias impõem fortes consequências para quem não é bonzinho. Se elas têm muito poder que o interlocutor não pode desafiar na ocasião, é melhor ser boazinha com ela. Por exemplo, se a pessoa não pode perder o emprego, pode melhor ser boazinha com um chefe que é um tanto autoritário.

- Porque são inassertivas Elas foram educadas exaustivamente para tentar agradar seus interlocutores, mesmo que isso exija que elas omitam boa parte do que sentem e pensam.

- Porque são tímidas. O tímido tem muito medo da rejeição e do constrangimento. Por isso, ele tenta arduamente adivinhar como deve se comportar ao invés de expressar o que sentem e pensam.

- Porque têm baixa autoestima. Pessoas com baixa autoestima acham que não têm nada para oferecer de agradável para seus interlocutores e que não são atraentes. Por isso, elas estão mais preocupadas em agir como imaginam que os outros querem ouvir do que em manifestar o que sentem e pensam.

- Porque avaliam errado as consequências e as conveniências de se firmarem. O bonzinho acha que a autoafirmação vai magoar as pessoas e que elas o rejeitarão por isso.


O preço a pagar por ser bonzinho demais

O bonzinho demais é mal visto. Quem é bonzinho demais pode até agradar imediatamente ou em curto prazo aqueles interlocutores que são mais autocentrados e anuladores. No entanto, em médio ou longo prazo, o bonzinho será visto como alguém que “nem fede nem cheira” e que “não tem nada a acrescentar”.

- O bonzinho demais se anula. Ele omite o que pensa e sente e tenta agir de modo a agradar seus interlocutores.

- Os encontros sociais com bonzinhos são mornos ou chatos. O bonzinho simula e dissimula demais. Por isso, ele deixa de agir como realmente estaria motivado. O interlocutor de bonzinho perde energia quando percebe que este está simulando e dissimulando e, por isso, realmente não está presente.

Além disso, o prazer com os encontros sociais desse tipo de participante geralmente é reduzido. O bonzinho tem menos prazer no convívio social porque não se atrevem a expressar como realmente são.

- A vida dos bonzinhos é chata. Viver implica em correr certas doses de risco. Maximizar a segurança implica em minimizar os prazeres da vida.

- A autoestima do bonzinho quando ele não tem coragem de agir de acordo como realmente se sente e pensa.

- Expressar pode desagradar ou agradar o interlocutor. Mesmo quando o desagrada, ainda assim, você pode rever e evoluir na forma de pensar e sentir ou pode arranjar interlocutores que gostem da sua forma de pensar e agir. Provavelmente as duas coisas.

- Participando ativamente das conversas, você será mais valorizado socialmente e sentirá mais prazer nos seus encontros sociais e na sua vida.

Polidez e autenticidade

Posicionar-se frente ao que foi comunicado pelo interlocutor não significa ser rude e direto. Muita gente confunde essas formas de posicionamento. Quem faz esse tipo de confusão são aquelas pessoas transparentes, mas rudes. A polidez é um tipo de lubrificante social que torna as discordâncias mais palatáveis. Você pode dizer quase tudo, dependendo da forma como diz.

A pessoa que resolve aumentar o grau de autenticidade da sua participação na conversa tem que ser modesta. Ela não pode simplesmente mudar de lado e passar a tratar seus interlocutores como pessoas insignificantes que veem tudo errado.


Quando é necessário ser bonzinho

Não vamos exagerar: não é necessário ser assertivo em todas as circunstâncias e sair por ai encarando todas as paradas. Muitas vezes temos, e até queremos, fazer o papel de plateia simpática e passiva.

Temos que fazer esse papel quando as consequências para uma forma mais ativa de agir podem ser muito negativas. Exemplos:

- Caso você seja assaltado, é prudente não se contrapor ao ladrão.

- Se você não pode arcar imediatamente com as consequências de ser despedido de um emprego, é melhor tolerar provisoriamente aquele chefe autoritário, que trata você como um ser que está ali apenas para concordar, cooperar e não questionar as suas decisões.

- Quando o seu interlocutor está descontrolado emocionalmente, é melhor não reagir frontalmente ao que ele está dizendo. É melhor esperar até que ele volte a recuperar o seu controle emocional.

Você é bonzinho demais? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h20

06/09/2015

Entenda as causas e as consequências da dificuldade e da facilidade excessivas para se comprometer com o amor

O comprometimento é um fenômeno psicológico que está presente em quase todos os momentos de nossas vidas: esse fenômeno acontece toda vez que aceitamos uma meta para alcançar. O comprometimento está presente desde pequenos objetivos que assumimos (por exemplo, tomar a decisão de responder uma mensagem, ir ao toalete, ou almoçar) até grandes compromissos como aceitar um papel em um relacionamento ou aceitar obrigações materiais (por exemplo, tomar a decisão de assumir um namoro, assinar um contrato de trabalho).

Interromper algo que estamos tentando conseguir causa frustração e raiva.  Interromper compromissos firmados com outras pessoas ou instituições pode causar represálias sócias e legais. Por isso, pesamos as consequências antes de assumir compromissos.


Facilidade ou dificuldade excessiva para comprometer-se

Certas pessoas têm dificuldade para assumir vários tipos de compromisso.

Outras se comprometem fácil demais (tem gente que aceita namorar e até a se casar com facilidade excessiva).

Existem evidências de que as chances do casamento dar certo diminuem quando as pessoas namoram tempo demais ou muito pouco tempo antes de antes de se casaram. Essas chances diminuem, provavelmente, porque quem namora tempo demais está hesitando para se comprometer com aquele parceiro e quem namora tempo de menos está se casando sem conhecer direito o parceiro.

                    

Quais são os motivos da sua dificuldade para se comprometer com parceiros amorosos?

Você está com dificuldades para iniciar, desenvolver e manter relacionamentos amorosos, morar junto ou casar, embora existam pessoas atraentes querendo esses tipos de compromisso com você? Responda as seguintes perguntas. Elas vão ajudar você a entender os motivos dessa dificuldade.

1- Você quer “aproveitar a vida” amorosa e, por isso, evita bravamente se comprometer seriamente para “não acabar a festa?”.

2- Você acha que a vida sem compromissos amorosos sérios tem mais vantagens do que a vida daqueles que estão compromissados nesta área?

3- Você não confia nas pessoas o suficiente para desenvolver relacionamentos íntimos e compromissados com elas?

4- Você é muito exigente e, por isso, ainda não achou alguém que atenda suas exigências e que também queira iniciar um relacionamento amoroso com você?

5- Você tem facilidade para iniciar relacionamentos amorosos, mas logo eles perdem a graça e você sai deles?

6- Você acaba sendo anulado pelos seus parceiros amorosos e, por isso, acaba perdendo a vitalidade e motivação para permanecer neles?

7- Você sempre tem medo de estar se comprometendo com a pessoa errada e esse medo atrapalha o seu envolvimento e estraga seus relacionamentos?

8- Para você, existem vários assuntos importantes na vida e o relacionamento amoroso é apenas um deles?

10- Rarissimamente você se entusiasma, se apaixona ou ama alguém?

No restante desse artigo, vamos abordar esses tipos de dificuldades.


Principais causas das dificuldades para assumir compromissos nos inícios dos relacionamentos amorosos

As causas das dificuldades para assumir compromissos nos relacionamentos amorosos podem ser classificadas em três grupos:

1- Causas disposicionais.

São causas pessoais e duradouras. Algumas causas disposicionais das dificuldades para aceitar compromisso são os seguintes:

Estilo de apego evitativo: pessoas que tiveram cuidadores (geralmente mães) que eram emocionalmente distantes e que não lhes davam muito apoio têm boas chances de desenvolverem dificuldades para confiar em outras pessoas e para se apaixonar, amar e se entregar emocionalmente. Assumir compromissos amorosos implica em entregar-se a um relacionamento que, entre outras coisas, é afetivo, romântico e sexual.

Disposição para a solteirice. Certas pessoas vivem melhor solteiras do que comprometidas. A tendência para a solteirice envolve vários mecanismos: sentir-se bem sozinho, possuir habilidades para conseguir as vantagens do relacionamento a dois sem ter que comprometer-se (conseguir companhia, afeto, sexo, etc.), prezar muito as liberdades de quem tem poucos compromissos amorosos, etc. (Veja, neste blog, o meu artigo a esse respeito:

“Você é um solteirão convicto e não sabe disso?”. Postado em 15/05/2012).

Ter muita dificuldade para negociar suas necessidades quando está em um relacionamento compromissado (Acontece com pessoas inassertivas: acabam omitindo o que sentem e pensam e fingem concordar com o parceiro).

Ferimentos psicológicos em relacionamento anteriores. Quem foi severamente ferido em relacionamentos anteriores tem medo de se entregar a um novo relacionamento (Gato escaldado...).

2- Causas circunstanciais

São causas passageiras: atuam por um determinado tempo ou circunstância. Por exemplo:

Saindo de relacionamentos importantes. Pessoas que estão saindo ou que saíram a pouco tempo de relacionamento profundos e duradouros e ainda não se recompuseram psicologicamente geralmente não se sentem em condições de assumir novos compromissos amorosos.

Haver mais oferta do que procura de possíveis parceiros amorosos nos locais e eventos frequentados. Quando existe grande oferta de possíveis parceiros, o felizardo hesita em virar as costas para essa abundância e se comprometer só com um deles. Tem que valer muito a pena para agir assim.

Quando há muita abundância de oferta, o felizardo também pode sempre ficar achando que não vale a pena se comprometer com a atual pretendente porque pode aparecer outro mais atraente.

Idade inadequada para assumir compromisso. Até certa idade raramente as pessoas noivam, moram juntas ou se casam. Um dos critérios que são levados em conta para saber se está na idade certa de se compromissar é o que está acontecendo com o grupo de referência (parentes, amigos, colegas, etc.). Por exemplo, a decisão para namorar, morar junto ou casar depende, em parte, das percentagens de conhecidos que já fizeram isso.

Incompatibilidade do compromisso amoroso com outros objetivos. Certas pessoas querem “viver a vida antes de se amarrarem”. Outras pessoas querem vencer na vida profissional antes de se dedicarem à vida amorosa.

3- Incompatibilidades entre parceiros

Não assumimos compromissos amorosos com qualquer uma. Somos seletivos para escolher parceiros. Provavelmente esse é o principal motivo pelo qual os compromissos não são assumidos.

Geralmente, para que duas pessoas se aceitem como parceiras amorosas, elas devem ter graus médios de atração semelhantes: devem oferecer tanto quanto exigem. Certas pessoas exigem parceiros com qualificações bem acima daquelas que elas próprias oferecem. Neste caso, elas têm baixa chance de serem aceitas pelos parceiros.

 Muitas vezes, as qualificações de um parceiro só são suficientes para um tipo de relacionamento que o outro não quer. Por exemplo, um parceiro só aceita sexo casual com o outro. Este quer namorar.


O papel do comprometimento no relacionamento amoroso

No relacionamento amoroso, o comprometimento é um mecanismo que entra em ação desde o momento que decidimos começar a flertar com alguém e continua entra novamente em ação quando decidimos aceitar o primeiro encontro, aceitar as intimidades típicas de relacionamento amoroso, aceitar namorar, aceitar noivar, morar junto, casar, até o compromisso de agir de forma a manter o relacionamento, cuidando dele.

Vários estudos vêm mostrando que o comprometimento é dos ingredientes essenciais do relacionamento amoroso. Por exemplo, a teoria triangular de Robert J. Sternberg (leia, neste blog, o meu artigo sobre essa teoria: “Quanto de intimidade, paixão e compromisso existe entre você e seu parceiro amoroso?”, postado em 23/10/2014). O comprometimento estabelece metas em conjunto para o casal, motiva o casal para coordenar suas ações para promover a satisfação mútua e ajuda a proteger o relacionamento contra fatos que o enfraqueçam.


Dois tipos de comprometimento

É importante diferenciar a decisão de ficar em um relacionamento enquanto ele está bom, da decisão de ficar no relacionamento nos bons e nos maus momentos e cuidar para que ele fique cada vez melhor.

O primeiro tipo de comprometimento é superficial e óbvio: todos permanecemos facilmente em algo que traz satisfação, principalmente quando não há nada melhor para fazer.

O segundo tipo de comprometimento é o verdadeiro tipo de comprometimento que ajuda a construir o relacionamento. Esse tipo de compromisso faz parte da fórmula que é recitada durante a cerimonia de casamento na religião católica: “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”...

Você tem dificuldade para se comprometer no relacionamento amoroso? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 10h40

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

Histórico