Blog do Ailton Amélio

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29/11/2015

Contatos físicos: motivos para tocar e ser tocado

O contato físico tem efeitos poderosos e fáceis de constatar. Ele é capaz de provocar fortes reações positivas e negativas. As interpretações e as reações ao contato físico são extremamente dependentes de outros fatores tais como: a natureza do toque, área do corpo tocada, duração do toque, frequência do toque, contexto do toque (circunstâncias onde o toque aconteceu), quem toca e quem é tocado (sexo de quem é tocado e de quem toca, natureza do relacionamento entre quem toca e quem é tocado, em tipo e estágio do desenvolvimento do relacionamento).

É provável que existam propensões inatas que ajudam a determinar os efeitos de boa dos contatos físicos. Por exemplo, os contatos físicos sexuais tem forte impacto em quase todas as culturas. Uma das coisas que distingue as culturas é a quantidade de toques. Em todas estranhas se tocam menos do que conhecidos, casais em início de relacionamento se tocam mais do que pessoas não relacionadas; todas as crianças precisam de contato físico para ter um desenvolvimento psicológico saudável.

O contato físico pode ter efeitos negativos muito fortes. Para lembrar-se disso, basta imaginar como você sentiria caso fosse tocado de uma forma íntima, sem nenhuma justificativa, por estranhos.  Caso você seja uma mulher e o estranho seja um homem, estes efeitos serão ainda mais poderosos. O contato físico pode ter um forte      impacto mesmo ele que tenha sido não intencional ou acidental.

FUNÇÕES DOS CONTATOS FÍSICOS

A classificação dos contatos físicos apresentada aqui é baseada no livro Comunicação Não-verbal na Interação Humana, de Mark L. Knapp e Judith A. Hall, Editora Jsn, 1999.

1- Contato físico expressivo

Quando as pessoas estão sentindo fortes emoções (alegria, tristeza, medo, etc.) ou afetos (pesar, amor, romantismo, ternura, comoção, etc.) é mais provável que elas toquem os seus interlocutores ou sejam tocadas por eles.

Exemplos:

- Abraçar o parceiro em um momento de grande alegria ou tristeza.

- Começar a tocar o parceiro em várias partes do corpo durante um envolvimento sexual

- Fazer um carinho no parceiro quando este se faz de criancinha ou de coitadinho.

- Tocar o parceiro quando este está passando por um momento difícil.

2- Contato físico como marcador da fala.

Este tipo de contato é usado pelo falante para pontuar, enfatizar/desenfatizar ou demonstrar o que está dizendo.

- Pontuar o que está dizendo. Por exemplo, o falante “batuca” com os dedos sobre uma mão do ouvinte, seguindo o ritmo do que está dizendo.  Outro exemplo: o falante toca a mão do ouvinte, de tal forma que estes toques ocorram naqueles momentos da sua da fala nos quais, na linguagem escrita, seriam utilizadas as vírgulas, os pontos finais ou as exclamações.

- Enfatizar/desenfatizar o que está sendo dito. Por exemplo, o falante segura um braço do ouvinte. A pressão da sua mão neste braço varia de acordo com a ênfase que ele dá ao que ele está dizendo: esta pressão é maior quando a fala se torna mais enfática e menor quando ela se torna menos enfática.

- Toque demonstrativo. Por exemplo, o falante diz “Ela me pegou assim no braço” e, ao mesmo tempo em que diz isso, pega no braço do ouvinte para demonstrar como foi pego.

3- Contato físico como regulador do fluxo da conversa

Este tipo de toque pode ser executado tanto pelo falante como pelo ouvinte. A sua função é solicitar a atenção ou negar a palavra, quando executado pelo falante, e solicitar palavra ou manter o falante falando, quando executado pelo ouvinte.

Exemplos

- Solicitar a atenção. Pedro queria que André prestasse toda a atenção no que ele ia dizer. Este, no entanto, estava olhando para uma moça bonita na mesa ao lado. Pedro pegou no braço de André e disse: “Presta atenção no que eu vou te dizer”. Este tipo de contato é muito eficiente para obter a atenção de alguém.

- Negar a palavra. Uma pessoa está com a palavra. Uma segunda pessoa começa a falar ao mesmo tempo que ela. A primeira pessoa não quer ceder a palavra. Para reforçar esta negação, segura no braço da segunda, a encara, e continua a falar. A segunda pessoa silencia e ouve o que está sendo dito.

- Manter a outra pessoa falando. Maria está falando algo muito difícil. André, seu marido, segura firmemente a sua mão para que ela se sinta apoiada e continue a falar. Este gesto funciona como se o marido dissesse firmemente: “Força, continue!! Você tem todo o meu apoio!! Estou com você!!”.

- Solicitar a palavra. Uma pessoa está falando. O ouvinte quer a palavra. Após sinalizar este desejo de várias formas (fazer menção de falar, levantar um dedo, começara a falar nas pausas do falante, etc.) este segura firmemente no braço de falante e diz: “Um momento, deixa-me falar uma coisa” e continua a falar. Este tipo de toque é usado, por exemplo, pelo apresentador de televisão Jo Soares. Este apresentador, quando quer tomar a palavra de um entrevistado, pega no seu braço do e diz, em tom de brincadeira: “Sem querer te interromper e já te interrompendo...”

4- Contato físico lúdico

O contato muitas vezes é usado nas brincadeiras. Este tipo de brincadeira acontece tanto entre seres humanos como também entre animais de outras espécies. Ele geralmente ocorre mais frequentemente na infância e na juventude. Por exemplo, brincadeiras cachorrinhos ou gatinhos que lembram a luta e a caça ocorrem mais frequentemente do que entre os adultos destas mesmas espécies que se tornam mais rabugentos.

Exemplos de toques lúdicos:

- Cutucar;

- Fazer cócegas;

- Simular agressões e combates físicos

5- Contato físico para persuadir

O contato físico pode ser usado como instrumento de influência. Aqueles que são tocados tendem a concordar mais com seus persuasores do que aqueles que não são tocados.

6- Ajuda física

A cena clássica onde aparece este tipo de contato físico é aquela que aparece em muitos filmes na qual o mocinho ajuda a mocinha a descer do cavalo (os seus corpos ficam juntinhos por um momento) ou a do mocinho que pega a mocinha no colo para ajudá-la a transpor um local alagado.

Exemplos de toques de ajuda:

- Dar a mão para ajudar alguém a descer ou a subir em um local.

- Dar a mão para ajudar alguém a se locomover em um terreno difícil.

- Segurar a mão ou o braço de uma criança em uma situação perigosa.

- Carregar uma pessoa que está impossibilitada de se locomover (uma criança cansada, um adulto doente, etc.).

7- Contato físico como ritual de cumprimento

Na época que observei esse cumprimento, Olmert, era primeiro ministro de Israel e estava recebendo a visita de Condoleezza Rice, secretária de estado dos Estados Unidos. Ele a cumprimenta com a mão direita. A esquerda segura o antebraço da mesma mão que ele está apertando. Em seguida ele a beija no rosto.

Foi um cumprimento bastante caloroso como demonstrado por esta profusão de contatos físicos. Israel é o maior aliado dos EUA no Oriente Médio. Este cumprimento fez jus a esta aliança.

Os contatos físicos deste tipo são formais, previstos pela etiqueta e são utilizados em circunstâncias bem determinadas, como nos cumprimentos. Neste caso, por exemplo, as pessoas apertam as mãos do interlocutor, se abraçam ou se beijam de uma forma estereotipada, tal como previsto pela etiqueta (nada pessoal, portanto).

Este tipo de contato pode adquirir um significado especial quando: (1) são utilizados em circunstâncias onde o seu uso é opcional e (2) são realizados de uma forma positivamente diferenciada ou especial e (3) quando deixam de ser realizados.

9- Contato físico como tarefa

Certas pessoas, com as quais não existe qualquer tipo de relação amorosa ou íntima, têm licença e até são pagas para tocar áreas extremamente íntimas do corpo de outras pessoas, tais como a cabeça, coxa, nádega, genitais e, até mesmo, introduzir o dedo ou instrumentos nas suas vaginas ou nos seus ânus. Estes licenciados são aqueles que exercem profissões do tipo cabeleireiro, massagista, ginecologista, urologista e proctologista. Os contatos físicos realizados por estes profissionais, no entanto, são esvaziados de conotações pessoais: os contatos físicos praticados por eles não devem ter sinais de interesse amoroso, ou pessoal em quem recebe o toque. O exercício destas profissões mostra a incrível capacidade do ser humano para esvaziar, desconectar ou re-atribuir significados às ações.

10- Contatos físicos que funcionam como sinais de vínculo.

            Existem vários sinais que indicam o tipo de vínculo que existem entre duas pessoas. Por exemplo, um dos sinais de vínculo mais utilizados é o anel de noivado ou de casamento.

Principais sinais de vínculo mostrados através do contato físico

- Mãos dadas. Na nossa cultura, segurar demoradamente a mão de um possível parceiro ou andar de mãos dadas com ele é um sinal de vínculo amoroso.

- Braços dados: os parceiros entrelaçam um de seus braços em um braço do outro. Geralmente este sinal é usado por casais que estão caminhados. Pode ser usado por duas amigas ou por uma pessoa mais velha e uma mais nova.

- Abraçar lateralmente os ombros do parceiro. Aparece quando uma pessoa gosta da outra. É usado por casais amorosos que estão caminhando. Também pode ser usado por amigos.

- Mão na cintura do parceiro. Geralmente é usado por casais que têm um relacionamento amoroso.

11- Contato físico como instrumento de cura

A principal forma deste tipo de contato é a imposição de mãos. Muitas vezes as mãos não chegam a tocar a outra pessoa, mas são coladas nas proximidades do corpo da outra pessoa. A cabeça é um dos principais locais que são tocados. Outras vezes o toque é dirigido para a região que necessita ser curada.

12- Contatos físicos esportivos e de lazer.

Diversos tipos de práticas esportivas e de lazer envolvem muitos contatos físicos bastante íntimos. Por exemplo:

- Lutas marciais (judô, jiu-jitsu)

- Ginásticas em duplas;

- Danças de salão, balé, etc.

13 - Contato físico acidental

Muitas vezes o contato físico acontece de forma acidental. Quando isso acontece, a primeira providência é pedir desculpas. Esta necessidade de desculpas revela, novamente, a importância deste tipo de contato. Não é algo que pode ser realizado sem justificativas. A ausência das desculpas e as evidências de que ele realmente aconteceu acidentalmente é, no mínimo, encarado como uma grande grosseria e no máximo como uma invasão muito grave da intimidade de quem o recebeu.

Por Ailton Amélio às 17h47

23/11/2015

Quando é melhor ser irrealista do que realista perante a vida

“Eu possa me dizer do amor (que tive): /Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure.” (Vinícius de Moraes, Soneto de Fidelidade).

“Que seja infinito enquanto dure.” Nesta frase, o Poeta afirma que vale a pena viver o amor como se ele fosse durar eternamente.

Os “realistas”, ao contrário do que o Poeta propõe, estragam o imenso prazer de viver plenamente tudo que o amor oferece no presente porque não conseguem esquecer que boa parte da magia que ele produz é causada pela idealização do parceiro e que tudo isso vai passar.

Vou defender neste artigo que vale a pena viver irrealisticamente em vários setores de nossas vidas.


Benefícios do irrealismo

Os ganhos do irrealismo são bem maiores do que seus custos em várias áreas de nossas vidas. Por exemplo, vale a pena viver acreditando que somos mais importantes para os outros do que realmente somos, que viveremos para sempre, que não teremos doenças graves, que as pessoas que gostamos são melhores do que as que não gostamos.

Outro exemplo: em certas áreas sociais, as avaliações dos méritos e deméritos pessoais são muito subjetivas e, por isso, as pessoas tendem a aceitar aquilo que cada uma das outras pessoas acha dela própria. Nessas áreas, as pessoas confiantes impressionam muito mais que as inseguras e conseguem melhores resultados.


Até que ponto vale a pena estragar o presente para prevenir problemas futuros?

Corre por ai, uma charge que mostra uma pessoa bastante depauperada (de pijama, doente, tomando oxigênio, etc.) dizendo algo assim: “Agora vou começar a aproveitar o dinheiro que economizei a vida toda para ter uma boa velhice”!


O realismo psicológico sobre o futuro pode desmotivar o presente

Uma pessoa “realista” sabe que, depois de certa idade, vai começar a perder, gradualmente, muitas capacidades orgânicas e psicológicas e que será acometida por doenças próprias da idade. Aquelas pessoas que mantêm isso em suas mentes se tornam menos otimistas e correm o risco de estragar aqueles anos nos quais ainda estão funcionando perfeitamente. Ou seja, problemas futuros estragam seus presentes.


Uma maneira de não estragar o presente é negar que o futuro será ruim

Um dos motivos que levam pessoa que têm sérios problemas de saúde a se comportar “irresponsavelmente” é que essa forma de agir garante alguma qualidade de vida no presente. Por exemplo, certas pessoas imediatamente depois do diagnóstico de um problema grave de saúde levam um susto e passam a agir de modo a reverter ou não agravar o problema. Pouco tempo depois, voltam aos maus hábitos e passam a agir como se não tivessem nada: voltam a comer errado, fumar, deixam de praticar exercícios. Ou seja, elas voltam a agir como se cressem, irrealisticamente, que não têm aquele problema.


Quando a autopercepção otimista é benéfica

Vejamos alguns exemplos que ilustram a afirmação acima.

Uma percepção otimista de nossa capacidade para um empreendimento incentiva para que tentemos um pouco mais do que faríamos se realistas ou pessimistas. Esse esforço adicional aumenta as chances de sucesso

Quem tem boa autoestima é ligeiramente otimista sobre os próprios méritos.

As pessoas com baixa autoestima são pessimistas ou realistas sobre os próprios méritos.

Quem tem boa autoestima se casa com parceiros mais qualificados.

Um estudo mostrou que pessoas com melhores autoestimas tinham parceiros amorosos mais qualificados do que pessoas assemelhadas que tinham piores autoestimas.

A visão otimista sobre a superioridade do relacionamento amoroso contribui para a sua manutenção

Um estudo verificou que casais que tinham melhores relacionamentos eram aqueles que achavam que seus relacionamentos e seus parceiros eram superiores aos de pessoas desconhecidas

Quem ama percebe o parceiro melhor do que ele é.

Um estudo verificou que pessoas que amam seus parceiros têm uma imagem melhor deles do que a imagem que os amigos têm deles. Os seja, quem ama superestima os méritos do amado ainda mais do que os próprios amigos o fazem!

Superestimamos a beleza das pessoas que gostamos.

“Quem gosta do feio, bonito lhe parece”. Um estudo mostrou que há muito mais acordo entre os avaliadores na avaliação de pessoas desconhecidas do que na avaliação de pessoas conhecidas. Neste caso, tendemos a achar mais bonitas aquelas que gostamos.


Quando o realismo é necessário e benéfico

Claro que certo grau de consciência realista sobre si próprio e sobre a própria vida é necessário para viver bem porque ajuda a sanar e evitar muitos problemas presentes e futuros. Por exemplo, cuidados razoáveis com a saúde ajudam a prevenir problemas imediatos, a garantir e prolongar a qualidade de vida física e psicológica.

Você é realista ou irrealista demais? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 08h29

16/11/2015

A importância do comprometimento para o sucesso do relacionamento amoroso

O pleno comprometimento com o parceiro é um dos pilares do relacionamento amoroso. Sem que esse pilar esteja sólido, o relacionamento fica instável, permanece superficial e tem alta chance de terminar.

Como podemos aprofundar e manter o relacionamento com uma pessoa quando não sabemos por quanto tempo ela estará conosco, quão extenso e profundo são os seus compromissos conosco e quanto ela vai cuidar para que esse relacionamento tenha boa qualidade?

Uma vez que nos comprometamos, as consequências desse compromisso nos motivam para que cuidemos do relacionamento: “Já que entramos na canoa, temos que fazer o possível para que ela não afunde e navegue bem”. A pessoa com quem nos comprometemos também fica mais segura e motivada para se comprometer conosco.


Dimensões do comprometimento

O comprometimento tem pelo menos duas dimensões importantes:

1- Comprometimento para permanecer no relacionamento e evitar situações que possam colocar em risco essa permanência. Por exemplo, evitar colocar-se em situações que aumentem a chance de traição.

2- Comprometimento para cuidar do relacionamento e do parceiro. Para que o relacionamento dure, é necessário que ele tenha boa qualidade: os parceiros devem cuidar dele no dia a dia. Essa dimensão é muito importante. Muitas pessoas acham, equivocadamente, que para se comprometer basta não trair e não tomar iniciativas de terminar o relacionamento.

Segundo Robert J. Sternberg, autor de a Teoria Triangular do Amor (veja o meu artigo, publicado neste blog em 23/10/2014, sobre essa teoria: “Quanto de intimidade, paixão e compromisso existe entre você e seu parceiro amoroso?”) a “decisão/comprometimento” pode ser identificada pelas seguintes questões:

1- Você espera que o compromisso com o parceiro dure pelo resto da vida?

2- Quão determinada você está em se esforçar para manter esse compromisso?

3- Quão certo você está do seu amor pelo parceiro?

4- Você não consegue se imaginar fora deste relacionamento?

5- Você evita situações que poderiam por em risco o compromisso com seu parceiro?

6- Você imagina que o seu compromisso com o seu parceiro é tão forte que resistiria a grandes provas?

 

Sinais de evitação do comprometimento

Você está evitando estabelecer ou aumentar o grau de compromisso com o parceiro quando:

1- Você evita apresentar o parceiro para seus colegas, conhecidos e parentes. Por exemplo, você não o convida para festas da sua escola ou para conhecer o seu local de trabalho.

2- Você evita fazer planos com ele sobre a evolução do relacionamento. Por exemplo, você evita fantasiar junto com o parceiro como será a vida quando morarem juntos, casarem ou tiverem filhos.

3- Você evita expandir o relacionamento. Por exemplo, você evita dormir na casa do parceiro ou vê-lo informalmente toda vez que surge uma oportunidade.

4- Frequentemente, você ameaça ou tenta terminar o relacionamento.

5- Você mantém o relacionamento restrito a certos setores. Por exemplo, evita compartilhar com o parceiro seus planos profissionais.

6- Nas redes sociais, você evita assumir o parceiro ou mostrar que está comprometido com ele. Por exemplo, não muda o seu status no Facebook e evita postar fotos onde vocês dois apareçam de forma comprometedora (de mãos dadas, abraçados ou beijando, por exemplo).


Motivos para não comprometer-se

Existem diversos tipos de motivos que dificultam o comprometimento com o parceiro amoroso. Os principais deles são os seguintes:

Parceiro não atraente na área amorosa. Quando a outra pessoa não atrai como parceira amorosa, geralmente não há motivos para comprometer-se com ela. Neste caso, o não comprometimento é esperado e saudável. Na nossa cultura, a atração mútua é um requisito para o comprometimento amoroso.

O parceiro é atraente na área amorosa, mas possui algum inconveniente sério que dificulta comprometer-se com ele. Por exemplo, o parceiro é fisicamente atraente, mas o seu nível econômico está muito aquém do outro parceiro.

Dificuldade psicológica para comprometer-se.  Certas pessoas têm dificuldades para comprometerem-se amorosamente mesmo quando as condições são muito favoráveis. Muitas dessas pessoas têm facilidade para iniciarem relacionamentos amorosos, mas se apressam em termina-los assim que começa a “ficar sérios demais”. Essas pessoas ficam em conflito: sentem muita atração pelo parceiro, mas, por outro lado, veem motivos para não se comprometer muito profundamente com ele.

O filme “Noivas em Fuga”, dirigido por Garry Marshall, relata o caso de uma moça (interpretada por Julia Roberts) que tem um histórico de várias fugas do casamento e como isso é vencido pelo “mocinho” (interpretado por Richard Gere).

Vamos ver mais alguns detalhes das dificuldades psicológicas para o comprometimento.


Causas psicológicas da dificuldade para comprometer-se

Algumas dessas causas são as seguintes:

1- Traumas provocados por decepções em relacionamentos amorosos anteriores. Medo de investir no relacionamento e sofrer quando ele não dá certo, tal como já ocorreu anteriormente.

2- Estilo de apego evitativo. Quem tomou conta na infância era frio e distante e atendia pouco as necessidades da criança. A pessoa que teve essa experiência na infância não espera coisas boas de outras pessoas e acha que provoca poucas coisas boas nos outros.

2- Medo de abrir mão de outras possibilidades: renunciar a outras opões já existentes ou perder opções futuras.

3- O parceiro tem características que impedem o comprometimento com ele. Apesar disso, ele tem outras características que produziram o envolvimento com ele. Por exemplo, ele ganha pouco demais. Por outro lado, ele sabe como produzir a intimidade, despertou o romantismo e é atraente sexualmente.

4- Perceber mais vantagens em permanecer descomprometido do que em comprometer-se. Os “solteirões convictos” (veja, neste blog, o meu artigo a esse “Você é um solteirão convicto e não sabe disso?” Postado em 15/05/2012).

Você tem dificuldade para se comprometer com o relacionamento amoroso? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 09h34

08/11/2015

Espaço pessoal: distâncias ao redor do corpo durante interações sociais

 Eduard E. Hall, autor do livro “Dimensão Oculta”, identificou quatro faixas de distâncias entre as pessoas que estão associadas a efeitos psicológicos diferenciados. Tais distâncias são assumidas em certos tipos de relacionamentos e atividades e assumi-las aumenta as probabilidades que tais tipos de relacionamentos e atividades aconteçam.

Estes quatro tipos de distâncias interpessoais formam quatro espécies de territórios portáteis. Quanto maior a distância entre duas pessoas, menores são os efeitos de suas presenças: menor o envolvimento emocional entre elas e mais os seus relacionamentos ficam parecidos com aqueles dispensados a um objeto. Por exemplo, já ouvi dizer que em um fuzilamento é menos penoso atirar naquele que vai ser fuzilado quando este se encontra bem longe do que quando ele está mais próximo dos fuziladores. Outro exemplo, uma declaração de amor apresentada a longa distância parece bem mais fria do que a curta distância. A afirmação: “Você está tão distante de mim” tanto pode se aplicar à distância física como a psicológica entre duas pessoas.


Formatos das distâncias interpessoais

A distância pessoal é uma espécie de bolha de formato irregular ao redor de nosso corpo. Esta bolha ocupa um espaço maior na frente do corpo do que nas suas laterais e nas costas. Também é maior na região próxima ao rosto do que na região próxima de nossos pés: quando estamos frente a frente com uma pessoa, nossos pés podem ficar mais próximos dos seus pés, do que os nossos olhos dos seus olhos. Geralmente nos incomoda mais quando um desconhecido fica a uma pequena distância a nossa frente, do que quando ele está ao nosso lado. Nos cinemas, por exemplo, não nos incomodamos muito em sentar ao lado de um desconhecido, principalmente quando o cinema está cheio. No entanto, esta mesma distância seria muito mais incômoda se estivéssemos frente a frente com este mesmo desconhecido.

Em seguida, apresentaremos medidas das distâncias entre duas pessoas que estão frente a frente 


Medidas das distâncias interpessoais

Hall mediu estas quatro distâncias em duplas de americanos brancos, de classe média, que estavam em pé e frente a frente entre si (orientações frontais). Cada uma destas distâncias foi subdividida por este autor em “longe” e “perto”. Estas variações dentro de cada um dos quatro tipos de distância podem ter profundos impactos no relacionamento. Por exemplo, um negócio conduzido a uma distância social próxima pode ter um caráter mais pessoal do que quando é conduzido à distância social longe. As distâncias médias observadas nestas circunstâncias foram as seguintes:


Distância íntima

Variava entre 0 e 50cm (fase próxima: 0 a 15 cm; fase afastada: 15 a 50cm).

Esta distância é utilizada durante os relacionamentos íntimos, sejam eles positivos (por exemplo, namorar ou confortar uma pessoa) ou negativos (por exemplo, briga física).


Distância pessoal

Variava entre 50 e 120cm (fase próxima: 50 a 80cm; fase afastada 80 a 120cm).

Na fase próxima desta distância uma pessoa pode segurar e agarrar a outra. A fase afastada vai de um ponto imediatamente além do qual uma pessoa pode tocar a outra com facilidade até um ponto onde as duas poderão tocar as extremidades dos dedos da outra, se ambas estenderem os seus braços.

Esta distância pode ser vista como uma espécie de bolha protetora, de formato irregular, que separa sistematicamente os animais não contato. Esta distância é usada para conversar informalmente.


Distância social consultiva

Variava entre 120 e 350 cm (fase próxima: 120 a 210 cm; fase afastada: 210 a 350 cm).

Esta distância é utilizada por pessoas que se conhecem e que estão trabalhando juntas ou por pessoas que estão tratando de negócios.


Distância pública

Variava entre (fase próxima: 350 e 750 cm;  fase afastada: 750 cm ou mais)

Esta é a distância que é mantida em torno de pessoas públicas importantes. Também é usada por palestrantes.


Podemos assumir vários tipos de distância dependendo da atividade

Tanto a natureza da tarefa que está sendo executada influencia a distância pessoal como, vice-versa, a distância pessoal influencia o desempenho da tarefa. É interessante notar que o tipo de atividade que vai ser desenvolvida em um dado momento faz com que as pessoas assumam automaticamente aquela distância mais apropriada para dentre estes quatro tipos de distância. Por exemplo, os membros de um casal amoroso aumentam a distância entre si quando tratam de negócios e a diminuem a distância quando conversam romanticamente. O inverso também é verdadeiro: quanto uma pessoa se coloca a certa distância em relação ao seu interlocutor, esta distância vai ajudar a determinar o tipo de interação que vai ser desenvolvida entre eles. Por exemplo, se uma mulher bonita ficar muito próxima de um homem isto aumenta as chances de que eles comecem a pensar em relacionamento amoroso e que este tema seja abordado nas suas conversas e ações.

Muitas vezes a distância interpessoal tem mais efeito que o conteúdo daquilo que está sendo dito. Por exemplo, quando um homem e uma mulher sentem atração mútua e estão conversando sobre um tema neutro como, por exemplo, sobre a chuva que está caindo, a distância entre seus corpos pode fazer com que a conversa que estão desenvolvendo adquira uma conotação romântica ou sexual (nesta distância uma pessoa sente o calor do corpo do outra, sente seu cheiro e suas vozes se tornam mais sussurradas).

 

A distância que uma pessoa fica da outra afeta o tipo de relacionamento que vai acontecer entre elas e vice-versa.

 

Influência recíproca entre a distância e tipo de intimidade

 

Vamos ver alguns exemplos que ilustram bem esta mão dupla de influências ente à distância e o tipo de atividade que está sendo desenvolvida.

 

Exemplo 1 - Como os tipos de atividade desempenhadas por dois personagens fictícios, Helena e André, influenciam as suas distâncias corporais.

Helena e André são namorados. Quando estão se beijando, obviamente não existe nenhuma distância entre os seus rostos. Quando estão namorando eles costumam ficar frente a frente, com as mãos dadas, e em vários momentos ficam olhando-se nos olhos com os seus rostos a aproximadamente 30 cm um do outro. Naqueles momentos que eles estão apenas conversando amistosamente, à distância os seus rostos varia entre 50 cm e 100 cm. Quando eles estão falando de negócios (eles são sócios de uma firma) a distância média entre os seus rostos geralmente é de cerca 120 cm (estas distâncias foram observadas quando eles estavam em pé e com o corpo e rosto diretamente orientados um na direção do outro).

Este caso fictício mostra como as pessoas ajustam as suas distâncias dependendo do tipo de atividade em que estão envolvidas. Os exemplos que vamos ver em seguida mostram como o fato de se colocar a certa distância do parceiro afeta o tipo de relacionamento que vai ser desenvolvido com ele.

Vamos analisar alguns detalhes deste exemplo


Diminuir a distância para provocar um relacionamento mais afetivo.

Helena e André estão falando sobre negócios. Em um dado momento, Helena chega mais perto de André. Esta aproximação faz com que os seus rostos fiquem a 20 cm um do outro. Pouco tempo depois, eles deixaram de fala de negócios, André abraçou Helena e eles começaram a namorar.

 

Aumento na distância torna um relacionamento mais profissional.

Helena e André estão namorando. Eles frequentemente passam momentos com os seus rostos próximos, olhando-se nos olhos, e de tempo em tempo se beijam. Após alguns minutos de namoro, André se afasta um pouco de Helena. O clima romântico que havia entre eles é interrompido. Eles começam a falar dos planos para trocar de carro (ele anda muito preocupado com os negócios!).

Nestes dois últimos exemplos, a alteração da distância de interação alterou o conteúdo do relacionamento.

 

Estes exemplos mostram como uma pessoa pode aumentar as chances de estabelecer um relacionamento íntimo, pessoal, social ou público com um interlocutor, ao assumir a distância apropriada para cada um destes tipos de relacionamentos entre eles.

Obviamente o interlocutor pode aceitar bem a distância que está sendo tomada ou alterá-la para que reflita melhor as suas necessidades naquele momento.

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As atividades que estão sendo desempenhadas afetam a distância entre as pessoas e vice-versa.

Por Ailton Amélio às 15h52

02/11/2015

A importância da beleza para a escolha do parceiro amoroso

A beleza tem mais importância nos inícios do que durante os relacionamentos amorosos. Ela, no entanto, é sempre importante.

Outros fatores, geralmente, são mais importantes do que a beleza para fins da escolha de um cônjuge.

A importância da beleza varia. Ela, por exemplo, é mais importante para aqueles que têm um estilo de amor erótico do que para aqueles que têm certos outros estilos de amor.

Este é o tema que vamos abordar neste artigo.


A beleza é muito importante para os eróticos

            A beleza sem dúvida é um atributo valioso. Em igualdade de condições, sempre preferimos o mais bonito dentre dois possíveis parceiros amorosos. No entanto, como tudo na vida, o grau de importância atribuído à beleza varia muito de uma pessoa para outra.

Quando se trata de um relacionamento amoroso, a beleza física é muito importante para um grande número de pessoas. Segundo John Alan Lee as pessoas que são do estilo de amor Eros dão grande importância para a aparência e sabem especificar uma enormidade de detalhes que esperam encontrar na pessoa que capaz de inspirar amor (cor de cabelos, tipo físico, cor de olhos, etc.).

Os eróticos (leia mais sobre este e outros estilos de amor no artigo “Estilo de Amor”, que publiquei neste blog em 20/08/2010) valorizam muito a aparência na hora de escolher um parceiro. Geralmente, os eróticos têm uma ideia muito precisa dos detalhes da aparência que apreciam em um parceiro.

Os eróticos têm um “mapa mental” muito bem delineado do parceiro ideal. Uma erótica que entrevistei fez as seguintes declarações:

Já me apaixonei duas vezes à primeira vista. Eu não conhecia estas duas pessoas antes do momento que me apaixonei por elas. Uma delas, eu nunca tinha visto antes. Em poucos segundos eu já estava apaixonada. Quando sabia saia para o pátio da escola onde a pessoa poderia estar, as minhas pernas tremiam, o meu estômago enjoava e doía e eu perdia a capacidade para me comportar inteligentemente. Quando vim a conhecê-la, constatei que ela era muito problemática, muito complicada. O nosso relacionamento amoroso durou pouco tempo. Mesmo depois que o relacionamento terminou, eu continuei apaixonada por ela durante quase um ano. Embora agora eu não pense nela todos os dias, os meus sentimentos por ela ainda são reativados quando a vejo.

Outro exemplo

Certa vez, durante um congresso de psicologia, eu estava com um amigo em uma mesa de um bar. Em outra mesa próxima estava um grupo de congressistas de outro estado. Neste grupo estava uma das moças mais bonitas do congresso. Só para fazer uma ideia da beleza desta moça, basta dizer que ela era facilmente relembrada por vários homens que participaram deste congresso. Bastava dizer “você notou uma loirinha linda do Rio Grande do Sul que participou do congresso?” Os homens imediatamente se punham a descrever detalhes a seu respeito que facilmente permitiam identificar que estávamos falando da mesma pessoa.

Pois bem, ao ver que meu amigo estava observando esta linda moça, iniciei com ele o seguinte diálogo:

- Pelo visto você já notou a loirinha ali da mesa

- Claro! Quem ainda não a notou?

- Interessante, não, o poder da beleza de uma mulher. No entanto, quem vê uma mulher tão bonita assim não consegue prever se ela é boa companheira, se é confiável, se é boa de cama, etc. etc.

O meu colega ficou um tempo pensativo e respondeu:

- Tudo o que você falou é verdade. Mas eu ficaria com esta loirinha mesmo sem nenhuma destas qualidades que você mencionou!

Para aqueles que têm outros estilos de amor, a aparência pesa bem menos do que para esse amigo que, provavelmente, era erótico. Os estórgicos, por exemplo, dão mais valor para a compatibilidade, capacidade de entrosamento e o sentimento de amizade com o parceiro do que para a sua aparência. Só após este sentimento de amizade ter se desenvolvido é que o amor pode nascer para aqueles que têm esse estilo. Os pragmáticos, por sua vez; dão mais importância para as características do parceiro que possam ter consequências práticas nas suas vidas, do que para a sua beleza.

Os eróticos geralmente afirmam que quando não sentem esta atração pelo parceiro logo de cara é muito improvável que venham a se apaixonar por ele posteriormente.

Os eróticos não são impressionados apenas pela beleza. Eles, de fato, são impressionados por um conjunto que envolve beleza física e um padrão de comportamentos. Um deles declarou que também adorou “um jeito de olhar”, a postura sonhadora, um jeito de sorrir, a atitude decidida, a maneira de falar com os amigos do parceiro por quem se apaixonou.


A beleza é mais importante nos primeiros encontros do que durante o relacionamento

A beleza é muito importante para chamar a atenção, principalmente nos primeiros encontros, quando ainda não são conhecidas muitas informações sobre a pessoa. A importância da beleza, em relação a outros tipos de informações, foi estudada por pesquisadores americanos através de uma pesquisa denominada "baile pelo computador". Tratava-se de um baile realizado em uma universidade no qual, segundo informações divulgadas para os possíveis participantes, os pares seriam formados por um computador programado para escolher parceiros com o maior grau de afinidade possível ente si. Antes do baile, os experimentadores obtiveram várias informações sobre os estudantes e avaliaram secretamente os seus graus de atratividades (observadores avaliaram secretamente a atratividade de cada estudante no momento da sua inscrição para o baile).

As informações pessoais fornecidas pelos estudantes não foram levadas em conta na hora de formar os pares. Os pares foram formados através de sorteios, com exceção da altura dos membros de cada par (os homens deviam ser mais altos do que as mulheres).

Durante o baile, os pesquisadores pediram as opiniões dos participantes sobre os seus pares e perguntavam se eles pretendiam se encontrar novamente com eles em outra ocasião.

Os resultados desta pesquisa mostraram que o determinante mais importante da satisfação com o par e da intenção de encontrar-se com ele novamente não era a sua personalidade, a sua inteligência ou as notas escolares, mas sim a sua atração física.

É claro que estes outros fatores vão adquirindo mais importância à medida que o par vai convivendo. No entanto, este conhecimento mais aprofundado, muitas vezes só é possível entre pessoas que se sentiram atraídas inicialmente e que, por isso, passaram a se encontrar.

A beleza é valiosa em qualquer época do relacionamento

Certas pessoas adquirem obras de arte apenas para poder tê-las ao alcance da vista. Muita gente adora ouvir música. Outros gostam de apreciar paisagens. Ora, existem aqueles que apreciam, acima de tudo, a beleza do parceiro. Estes, mais ainda do que os aficionados por outros tipos de atrações, estão dispostos a fazerem loucuras para terem acesso contínuo a beleza de um lindo parceiro (a).


Outros atributos podem ser mais importantes do que a beleza

A beleza pode pesar bastante na escolha de um parceiro quando outros requisitos mínimos já foram preenchidos. Quando esses requisitos mínimos foram preenchidos, a beleza pode despertar a admiração e atração, o que, para Stendhal, é um requisito para o nascimento do amor.

            Existem certos requisitos para que uma pessoa seja considerada elegível para um relacionamento amoroso (o grau de exigência varia de pessoa para pessoa e com o tipo de relacionamento amoroso). Entre estes requisitos, a beleza geralmente não é o mais importante. Por exemplo, ela geralmente é menos importante do que o grau de escolaridade, nível cultural, nível de inteligência, etc. nível econômico, etc. como mostra uma pesquisa americana sobre as pessoas que casam entre si (publicada no livro Sex in America).

Essa pesquisa mostrou que a grande maioria dos americanos se casa com pessoas de nível cultural, religião e raça semelhantes. A beleza não consegue alterar muito este quadro. No entanto vários outros fatores também funcionam como alavancas para elevar uma pessoa um pouco acima na escalada social (carisma, habilidades esportivas, etc.).


Beleza não é tudo

David Buss e associados fizeram uma pesquisa em 37 culturas para avaliar a importância de 18 atributos para a escolha de um cônjuge. Nesta lista, o atributo “requinte e a elegância” ficou em 11o lugar no Brasil, tanto para os homens como para as mulheres.  (esse atributo ficou em 10º lugar para os homens e 13º. para as mulheres, na média internacional). O atributo “boa aparência” foi colocado em décimo lugar pelos homens e em 13o pelas mulheres, tanto na pesquisa internacional como no Brasil.

Esta pesquisa apenas apresenta evidências sobre um fato facilmente observável na vida quotidiana: a beleza raramente pesa mais do que certos outros atributos como grau de escolaridade, inteligência e nível econômico na hora de escolher um parceiro amoroso. Por exemplo, é muito raro um universitário casar-se com um semianalfabeto só porque este é muito bonito.

Se por um lado, a aparência contribui menos do que se imagina para colocar uma pessoa dentro da faixa de elegíveis para um casamento, por outro lado, uma vez que a pessoa se encontre dentro da faixa de elegíveis, ai então, a beleza pesa bastante nas escolhas.

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Por Ailton Amélio às 11h28

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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