Blog do Ailton Amélio

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27/12/2015

Faltou assunto? Veja como proceder!

A conversa é a principal forma de relacionamento humano. Embora a conversa tenha essa importância, não recebemos nenhuma instrução formal sobre como conversar bem.

Um dos principais fatores que contribuem para uma boa conversa é a eficiência para encontrar e induzir assuntos motivadores para conversar. Não adianta muito ter uma lista fixa de bons assuntos ou estar informado sobre as últimas novidades. Os assuntos que interessam variam de um momento para outro. Se está acontecendo algo importante conosco, esse é o assunto que mais interessa naquele momento.

Também não adianta muito repetir assuntos que fizeram sucesso anteriormente (a não ser que este assunto seja um “assunto predileto” do interlocutor). Um assunto que fez sucesso ontem pode não ter a menor energia hoje.

Neste artigo vamos examinar alguns procedimentos que ajudam a identificar ou induzir bons assuntos para conversar.

 

ESTABELECER CONVERSA CONTATO

A conversa contato é uma conversa onde são abordados assuntos leves e convencionais. Ela geralmente aparece enquanto os interlocutores ainda não se envolveram em assuntos mais motivadores ou quando falta assunto, mas o silêncio é desconfortável.

A conversa contato bem conduzida cria condições favoráveis para a conversa propriamente dita (desliga interlocutores de assuntos anteriores, esquenta a conversa e assuntos, induz emoções, provoca autoexposições, apresenta assuntos isca, links, indutores, etc.) e serve como oportunidade para descobrir assuntos que já estão ativados para o interlocutor (já estão na sua cabeça), assuntos em andamento para o interlocutor (acontecimentos importantes para ele que ocorreram, estão ocorrendo ou vão ocorrer proximamente) e induz novos assuntos.

 

PROPOR DIRETAMENTE ASSUNTOS

A maneira mais simples de introduzir um assunto na conversa é começá-lo e verificar se o interlocutor se interessa por ele. Quando é o nosso interlocutor que propõe, ficamos mais tranquilos porque é mais provável que ele se interesse pelo assunto do que quando somos nós que o propomos!

Quando somos nós que propomos assuntos, temos que monitorar as reações do interlocutor para verificar se ele está envolvido com o tema que propusemos.

 

Maneiras espontâneas de propor assuntos

- Propor diretamente assuntos

- Apresentar informações gratuitas (informações não solicitadas pelo interlocutor) sobre assuntos que queremos abordar.

- Apresentar informações sintéticas sobre o assunto e esperar que o interlocutor peça para expandi-las.

- Apresentar perguntas retóricas para introduzir o que quer falar (Por exemplo, dizer: “Você não sabe o que me aconteceu!”).

- Apresentar assuntos preparatórios para o assunto de interesse. Por exemplo, perguntar: “E ai, como está o final de ano? Muitas festas? Para mim está feio....”

- Perguntar se o interlocutor se interessa pelo tema que você pretende introduzir (“Você gosta de política internacional?”).

 

PROPOR ASSUNTOS ISCA

- Mencionar vários assuntos de interesse de quem menciona para verificar se o interlocutor manifesta interesse por algum deles.

Por exemplo:

Dizer: “Fim de ano, tempo quente e chuvoso, crise financeira e muito trânsito. Tirando o que está mau, o resto está bom”, e esperar para ver se o interlocutor mostra interesse por algum desses temas.

- Mencionar várias novidades e verificar se o interlocutor se interessa por alguma delas.

- Mencionar assuntos abordados em conversas anteriores para ver se o interlocutor se interessa em continuar algum deles.

PERGUNTAR PELOS ASSUNTOS QUE ESTÃO AFETANDO O INTERLOCUTOR

Esse tipo de pergunta aciona quase todos os tipos de assuntos: ativados (já estão na cabeça do interlocutor), instrumentais (coisas práticas que ele quer entender ou resolver naquele momento), entorno (conversar sobre o que está presente no ambiente ou acabou de acontecer), prediletos (assuntos que o interlocutor sempre está motivado para abordar).

Perguntar diretamente por assuntos do interlocutor

A melhor maneira de saber se existem assuntos que o interlocutor quer trazer para a conversa é perguntar direta ou indiretamente e genericamente por eles

Por exemplo:

1- Perguntar de forma direta e genérica: “O que se passa na sua cabeça?” (Pergunta genérica, aberta e direta).

2- Perguntar de forma indireta: “O que você conta?”, “Quais são as novidades?”.

Esses dois tipos de pergunta aumentam a motivação do interlocutor para vasculhar os assuntos que estão na sua cabeça ou aqueles acontecimentos que ocorreram, estão ocorrendo ou vão ocorrer proximamente, para identificar aqueles que ele gostaria e acha adequado tratar na conversa.

No entanto, a pergunta direta por assuntos pode soar estranha para quem a recebe.

O Facebook apresenta uma pergunta direta por assuntos na primeira caixa de diálogo que aparece no topo da sua página de entrada:

“No que você está pensando?”

Essa pergunta é uma instigação para que o usuário compartilhe os seus pensamentos com os seus amigos virtuais.

No meu consultório, costumo usar perguntas para instigar os meus pacientes a apresentarem os assuntos que estão presentes em suas cabeças:

- “Que assuntos estão presentes agora na sua cabeça?”

- “Diga-me o que está na sua cabeça neste momento”

- “Quais assuntos estão pegando você agora?”

Na vida real, geralmente, não podemos ser tão diretos assim. Por isso, temos que lançar mão de perguntas indiretas ou de outras ferramentas para saber se o nosso interlocutor está com algum tema importante na cabeça, que ele quer e pode abordar na conversa.

 

Diferença entre perguntas que são apenas cumprimento daquelas que são manifestações de interesse real em saber as novidades

Uma das maneiras de tentar descobrir os assuntos que estão presentes na cabeça do nosso interlocutor, (assuntos ativados e semiativados) é perguntar como ele está. Quem recebe essa pergunta tende a pensar não apenas no como está no momento, mas também no que ocorreu com ele nos últimos tempos, naquilo que está ocorrendo e naquilo que está previsto para ocorrer.

No entanto, no início dos encontros, esse tipo de pergunta pode ser confundido com perguntas que fazem parte do ritual do cumprimento.

Por exemplo, quando um “Como vai?” é respondido com outro “Como vai?”, fica claro que a primeira pergunta foi encarada apenas como um cumprimento e não como um interesse real em saber como a outra está. Devido à interpretação da pergunta como cumprimento, a pessoa que ouve a pergunta inicial nem se dá ao trabalho de respondê-la e apresenta a mesma pergunta como forma de cumprimento recíproco.

 

INSISTIR NAS PERGUNTAS PARA MOSTRAR INTERESSE GENUÍNO

Insistir em saber o que se passa com o interlocutor indica um interesse real neste tipo de informação e esclarece que as perguntas não são apenas fórmulas usadas para cumprimentar.

Uma forma de insistir é reapresentar a pergunta. Outra forma, mais sutil, é apresentar várias perguntas que tenham o mesmo significado. No início do exemplo abaixo, “P” está insistindo em saber as novidades, e “R” está apresentando respostas típicas de cumprimento. Após alguma insistência por parte de P, R responde de verdade e revela uma informação sobre algo que lhe aconteceu:

P - Como estão as coisas?

R - Tudo bem. E com você?

P – Tudo. Quais são as novidades?

R - Tudo normal. Nada de novo.

P - O que você conta de novo?

R- Acabei de ser aprovado em um concurso!

P- Que legal! Parabéns! Qual concurso?

 

RESPOSTAS A CUMPRIMENTOS QUE DÃO PISTAS SOBRE ASSUNTOS ATIVADOS, EM ANDAMENTO E ATUALIDADES

Certas respostas para as perguntas apresentadas durante o cumprimento fornecem pistas sobre a existência de assuntos ativados. Por exemplo, quando uma pessoa pergunta “Como vai?” e recebe como resposta algo do tipo “Vamos indo” ou “Mais ou menos”, isso indica que algo negativo está acontecendo com quem responde assim. Indica também que essa pessoa provavelmente está interessada em falar do que está acontecendo, caso quem perguntou confirme seu interesse em saber. 

As respostas do tipo “Muito bem!”, “Legal!”, “Melhor estraga!”, quando apresentadas com uma ênfase maior do que o usual, indicam que existem assuntos ativados positivos que quem responde poderia abordar, caso quem perguntou confirme o seu interesse em saber.

ESQUENTAR A CONVERSA E OS ASSUNTOS

O termo “esquentamento” é usado aqui para nomear o aumento na motivação para realizar uma atividade (por exemplo, participar de uma conversa ou tratar de um assunto) que vai ocorrendo à medida que essa atividade vai acontecendo. Exemplo de referência ao esquentamento:

“No início da conversa, eu não estava interessado. Só respondia e fazia pequenos comentários por educação. Depois, comecei a me envolver e acabei me entusiasmando com o nosso papo”.

“Eu havia prometido a mim mesmo que não ia tocar naquele assunto. No entanto, ela ficou me perguntando coisas referentes a ele e fazendo insinuações. Eu não resisti: acabei falando tudo aquilo que havia prometido não falar”.

 

Porque o esquentamento ajuda a motivar a conversa

- Apresenta amostra de conversa motivada. Falar por alguns minutos sobre algum assunto que seja motivador para quem fala: mostrar-se envolvido em algum assunto e conversar de forma envolvida pode provocar envolvimento no interlocutor.

- Fornece licenças: essa amostra de conversa autoriza o outro a agir da mesma forma.

- Indica disponibilidade e disposição para conversar. Apresentar amostra de comportamentos de falante e ouvinte ativos indicam disponibilidade e disposição para conversar.

- Aciona lembranças e emoções no interlocutor, impele o interlocutor a se posicionar sobre o que está sendo dito, depois que o interlocutor fala alguma coisa, ele fala fica na obrigação de esclarecer, defender, verificar as impressões que causou etc. 

Por Ailton Amélio às 09h48

20/12/2015

Você é realmente um bom ouvinte? Confira!

Ouvir bem é muito mais do que ser capaz repetir o que o interlocutor disse, embora esta capacidade já seja um bom passo. Vamos examinar aqui as principais tarefas que um bom ouvinte desempenha na conversa.


Funções das ações de um bom ouvinte

Para funcionar como bom ouvinte é necessário:

1- Apresentar sinais que está disponível e disposto para conversar

São sinais que indicam que tem tempo e está motivado para conversar. Por exemplo:

- Dizer que tem tempo para conversar

- Convidar o interlocutor para conversar

- Acomodar-se para conversar por longo tempo: encostar-se a uma superfície, convidar para sentar, colocar a pasta ou a bolsa que está portando sobre a mesa.

- Interromper claramente o que estiver fazendo para dar atenção ao interlocutor (desligar a tevê, desligar o computador);

- Preparar o ambiente para garantir uma boa conversa: fechar a porta para evitar interrupções; pedir para secretária não interromper.

2- Posicionar-se corporalmente para conversar

Este tipo de posicionamento proporciona as condições físicas para que a conversa aconteça de forma eficiente.

Os principais posicionamentos corporais apropriados para conversar são os seguintes:

- Assumir distância propícia para conversar.

Não ficar nem muito longe nem muito perto do seu interlocutor. Quando ambos estão em pé, deixar o interlocutor estabelecer a distância entre vocês que ele prefere. Depois que ele fizer isso, caso você queira “esquentar” um pouco a conversa, se aproxime dele mais um pouquinho (puxe a sua cadeira para mais perto ou dê um passinho na sua direção, mas não exagere). Caso queira “esfriar” um pouco a conversa, se afaste um pouquinho dele.

- Evitar barreiras físicas ente si e o interlocutor.

Barreira física é a presença de um obstáculo físico entre os interlocutores.

Evitar barreiras físicas contribui para que a conversa fique mais pessoal e calorosa.

Existem dois tipos de barreiras:

(1) Corporal. Uma ou mais partes do corpo é interposta entre os interlocutores. Por exemplo, as pernas cruzadas de um interlocutor estão interpostas entre ele e o outro.

(2) Material: interposição de um objeto entre os interlocutores. Por exemplo, interpor uma mesa ou um balcão entre os interlocutores. É comum colocar uma pasta ou bolsa entre si e outra pessoa, quando ambas sentam-se em um mesmo sofá. Também é comum segurar uma pasta ou uma bolsa contra o peito, de modo que ela fique entre si e o interlocutor.

- Assumir posições semelhantes às do interlocutor.

Exemplos:

- Os dois interlocutores permanecem sentados ou os dois ficam em pé. Assumir posições diferentes daquela adotada pelo interlocutor contribui para quebrar o clima positivo da conversa. Por exemplo, quando um está sentado e o outro em pé, isso contribui para esfriar a conversa. É importante manter os olhos na mesma altura dos olhos do interlocutor.

- Ambos encostam-se a uma parede.

- Orientar a frente do corpo na direção do interlocutor

Voltar toda a frente do corpo (rosto, peito, púbis, joelhos e ponta dos pés) na direção do interlocutor.

A orientação totalmente frontal de todas as partes do corpo pode ser desconfortável devido ao excesso de intimidade que ela produz. Caso a orientação totalmente frontal fique desconfortável, mantenha um pequeno ângulo entre a frente das partes do seu corpo e o interlocutor.

- Olhar atentamente para o rosto do interlocutor. Por exemplo, olhar para seus olhos, testa ou boca enquanto ele fala ou para observar como ele está reagindo ao que você está falando. O ouvinte geralmente olha mais para o falante do que vice versa.

- Não dar muita atenção a outros acontecimentos que estão ocorrendo ao redor. Por exemplo, não ficar olhando demais para outras pessoas que estão passando próximo do local onde você está conversando. Quando a conversa absorve a nossa atenção, deixamos de prestar atenção ao que está acontecendo ao redor.

- Inclinar o tronco na direção do interlocutor

Quando os interlocutores estão sentados, o tronco do bom ouvinte deve ser ligeiramente inclinado na direção do interlocutor (inclinado para frente ou para a lateral, quando o interlocutor está ao lado ou à frente, respectivamente).

3- Ajudar a administrar o fluxo da fala

Apresentar sinais que contribuam para regular o fluxo da fala. Por exemplo:

- Apresentar sinais que indicam que está acompanhando a comunicação do interlocutor: anuir com a cabeça nas horas certas; emitir vocalizações que indicam que está acompanhando o que está sendo dito (hã!, hã!,)

- Apresentar sinais de compreensão/incompreensão daquilo que o interlocutor está dizendo: anuir com a cabeça, emitir vocalizações breves e condizentes com o que ele disse.

- Ajudar o falante a gerenciar a sua fala. Apresentar mensagens do tipo: fale mais, fale menos, apresente mais detalhe, explique melhor.

 Neste aspecto, muitas vezes, o ouvinte é mais ativo/dominante do que o falante. O ouvinte pode funcionar como uma espécie de regente de orquestra: o regente não toca nenhum instrumento enquanto rege, mas determina o que os músicos estão tocando. O ouvinte ativo influencia os comportamentos dos falantes.

- Indicar que quer continuar a ouvir ou que quer a palavra

4- Ajudar o falante a desenvolver os seus assuntos

Apresentar comportamentos que estimulem e auxiliem a comunicação do falante:

- Pedir exemplos

- Pedir esclarecimentos

- Resumir o que o falante disse para estimular novos desenvolvimentos dos tópicos que ele já apresentou

- Apresentar ganchos para ajudar o interlocutor a lembrar de novos tópicos que poderá abordar e para ajuda-lo a organizar a sua fala.

5- Mostrar que está motivado para conversar

Apresentar sinais que indicam que você está motivado para conversar. Por exemplo:

- Mostrar disponibilidade para conversar (também indica que está motivado)

- Mostrar animação para conversar: mostrar entusiasmo, energia na voz e gestos.

- Mostrar empenho em conversar: ir até a onde a pessoa está, puxar conversa, ligar, introduzir novos assuntos

- Mostrar interesse pelos assuntos do interlocutor

- Assumir posição espacial propícia para conversar

6- Motivar o falante

- Mostrar afetação pela comunicação do interlocutor. É motivador para o falante verificar que a sua comunicação está produzindo os efeitos que desejava no ouvinte. Alguns dos efeitos que geralmente são desejáveis para todas as pessoas são os seguintes: conseguir a atenção do interlocutor, conseguir que o interlocutor invista o seu tempo para conversar, verificar que sua comunicação está afetando o interlocutor, verificar que o interlocutor está sentindo prazer ou admiração pelo que está sendo comunicado.

- Contribuir para o sucesso da comunicação do interlocutor. Aqueles ouvintes que ajudam o falante a se apresentar da forma que ele pretende, que estimulam a sua criatividade e inteligência contribuem fortemente para ele se sinta bem. Ouvintes que confirmam a autoimagem positiva do falante são muito gratificantes.

- Ouvir ativamente motiva o falante.  Essa forma de ouvir mostra interesse pelo que o falante está dizendo e pela pessoa do falante. Ser ouvido ativamente é muito estimulante e prazeroso. O falante fica mais motivado quando o ouvinte mostra entusiasmo com a conversa, é alguém que o ele considera importante para ele e quer ouvi-lo. Isto é muito diferente do que falar para alguém que só está ali para bajular, para dizer o que o falante quer ouvir, que omite o que está pensando e tenta esconder a sua verdadeira atitude. Nada é mais desanimador do que ter um ouvinte que não reage ao está sendo dito.

7- Respeitar a si próprio e ao interlocutor

Ouvir ativamente é uma forma de respeitar a si próprio: é uma maneira de dizer “eu estou aqui”, “eu tenho sentimentos e pensamentos que vou compartilhar porque quero que sejam considerados”.

O ouvinte ativo não permite que o falante o ignore como pessoa ou que o trate desrespeitosamente. Por isso, esse ouvinte se manifesta.

- Manifestar-se no momento certo e da forma certa para não interromper o falante. Por exemplo, esperar ele fazer uma pausa ou terminar de expor uma ideia antes de posicionar-se a favor ou contra ela.

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Por Ailton Amélio às 09h27

13/12/2015

A polidez é um lubrificante das relações sociais

A palavra polidez geralmente é usada em dois sentidos: (1) etiqueta: modo “elegante” de se comportar em ocasiões sociais (por exemplo, exibir boas maneiras à mesa; enviar mensagens de cumprimentos). Muitas pessoas consideradas “polidas”, neste primeiro sentido, são extremamente grosseiras e sem tato nos seus relacionamentos sociais. (2) Tato: maneira delicada de lidar com outras pessoas.

A polidez, neste segundo sentido, tanto pode ser manifestada através de ações que não estão diretamente relacionadas com a conversa (segurar a porta do elevador para a outra pessoa entrar, levantar-se para cumprimentar, colocar uma tarefa de lado para dar atenção para uma visita) como através da forma de conversar. Vamos tratar aqui desse último caso.

A polidez na conversa é constituída por procedimentos que são adotados para torná-la mais agradável, para evitar que ela fique desagradável e para amenizar coisas desagradáveis que tenham de ser comunicadas.

A polidez é um “lubrificante social”

Já faz um bom tempo que os linguistas perceberam que as comunicações incluem mensagens que não estão muito relacionadas com as mensagens principais que as pessoas pretendem passar. Por exemplo, as comunicações geralmente incluem parênteses, anexos e inserções cujas funções não eram claras e, que, aparentemente, prejudicam a clareza das mensagens principais. Mais recentemente, eles descobriram que muitos desses anexos têm a importante função de “lubrificar” as comunicações sociais: são medidas de polidez.

As medidas de polidez não deve reduzir desnecessariamente a eficácia da mensagem. O emissor deve enviar, da forma mais nítida e clara possível, a mensagem principal e, ao mesmo tempo, mostrar consideração pelos seus interlocutores.

Os atos de polidez, ao invés de atrapalhar a comunicação, aumentam a eficácia das mensagens principais porque reduzem o atrito que essas mensagens poderiam produzir no interlocutor, caso fossem apresentadas sem os devidos cuidados com sua sensibilidade deste: a forma polida de comunicar evita desconfortos para o interlocutor, reduz ou desfoca os seus desconfortos e ressalta as boas características deste.

Respeitar a sensibilidade do interlocutor é uma medida de polidez

O ser humano é muito sensível ao tratamento que recebe dos seus interlocutores. Este tratamento pode ter efeitos que variam desde um extremo totalmente negativo até o outro, extremamente positivo. Esse tratamento pode, por um lado, provocar danos, angústia e inibições e, por outro lado, proporcionar benefícios e prazeres, confirmar a autoimagem, provocar bons sentimentos e motivar.

Uma das motivações mais poderosas das nossas ações são os efeitos que elas provocam em outras pessoas. Por exemplo, ficamos muito satisfeitos quando a nossa conversa envolve e provoca admiração em nossos interlocutores.

Os efeitos da polidez ou da impolidez apresentadas em uma conversa podem sobrepujar os efeitos do conteúdo daquilo que está sendo dito. Por exemplo, muitas brigas entre casais ocorrem porque eles usaram formas impolidas de tratamento e não porque apresentem discordâncias de opiniões ou discordâncias na maneira de conduzir suas vidas.

Ameaças à autoestima do interlocutor são inevitáveis e devem ser atenuadas

Toda comunicação, por definição, implica em algum grau de exercício de poder e, por isso, em algum grau de ameaça para si e para o interlocutor. Cada um dos interlocutores, em cada instante da conversa, corre riscos como desagradar, ser desautorizado e fazer uma intervenção depreciativa para o outro interlocutor. Para evitar ou diminuir estes tipos de ameaça, cada interlocutor pode tomar as seguintes medidas: abster-se de fazer tudo o que quer; policiar-se para não afetar, além da conta, seu interlocutor; acolher discordâncias; ouvir coisas que afetem razoavelmente a sua autoestima e corrigir a sua percepção sobre aquilo que afirmou e que não foi bem recebido pelo outro interlocutor.

O exercício do poder, as imposições, as invasões de intimidade, as exposições de fatos que o interlocutor estava tentando ocultar porque afetariam negativamente a sua autoimagem exigem o uso de amenizadores para que se tornem menos ofensivos.

Consequências da falta de polidez

O caso de Inês, relatado em seguida, ilustra as consequências da falta de polidez.

Inês: muitas qualidades e pouca polidez

Inês era linda, elegante e tinha uma boa condição financeira. Havia estudado nas melhores escolas e era muito viajada. Estava sempre em dia com as novidades. Aparentemente tinha tudo para fazer sucesso no campo amoroso. Logo na primeira sessão de terapia, ela revelou que realmente tinha muita facilidade para iniciar esse tipo de relacionamento, mas, acrescentou, tinha muita dificuldade para mantê-los. Os motivos desta dificuldade logo ficaram claros.  Conversar com ela era frustrante e ofensivo. Ela dizia tudo que lhe passava pela cabeça, sem se preocupar com a escolha das palavras e com a forma de se expressar. Por exemplo, não poupava o interlocutor. Impacientava-se quando ele não era direto. Gabava-se de ser “transparente” – leia-se “não tinha papas na língua”.  Em resumo, ela não era nada polida e tinha muitos problemas por isso.

Aquelas pessoas que rebaixam a autoestima dos seus interlocutores ou que não os respeitam estão cometendo um erro gravíssimo, uma vez que estas são duas necessidades básicas da nossa espécie.  Quem age desta forma causa um grave desconforto em seus interlocutores, o que gera dificuldades para iniciar, desenvolver e manter relacionamentos com eles.

A autoestima é muito afetável tanto pelo conteúdo como pela forma da conversa, principalmente pela polidez ou falta de polidez por parte do interlocutor.

A forma de conduzir a conversa pode ser tão ou mais importante do que o seu conteúdo

A forma de conduzir a conversa pode ser tão ou mais importante do que aquilo que é dito durante o seu transcurso. A forma de conversar é um dos principais critérios utilizado para avaliar se ela é agradável ou desagradável e pode contribuir muito para que o seu sucesso ou fracasso.

Uma pesquisa mostrou que as habilidades para conversar eram as melhores preditoras do sucesso profissional posterior. Neste estudo, diversos tipos de características dos estudantes foram avaliados durante a época que estavam cursando a faculdade (desempenho escolar, QI, traços de personalidade, habilidades verbais, etc.). Os graus de sucesso profissional desses estudantes foram avaliados diversos anos após suas formaturas.

Os graus de sucesso foram comparados com as avaliações das diversas características obtidas na época da faculdade. A única característica pessoal que mostrou relação com o sucesso profissional posterior foi a capacidade verbal dos estudantes: aqueles que tinham mais habilidades verbais também tinham mais chance de se saíram melhor na área profissional.


Manifestações da polidez

Existem muitas formas de ser polido ou impolido. A polidez pode ser manifestada: (1) através de ações que expressam respeito e contribuem para o bem estar da outra pessoa e (2) através da comunicação.


Polidez manifestada através de ações que expressam respeito e contribuem para o bem estar da outra pessoa.

Este tipo de polidez é constituído por vários pequenos cuidados com a outra pessoa. Exemplos:

- Abrir a porta para a outra pessoa e deixá-la passar primeiro. Ajeitar a cadeira para a outra pessoa sentar-se. Deixar a outra pessoa se servir primeiro do alimento. Em um ambiente superlotado, ceder o lugar para a outra pessoa sentar-se.

A maioria destas ações é mais esperada por parte do homem em relação a uma mulher. Quando ambos os parceiros são do mesmo sexo, este tipo de polidez é mais esperado por parte de quem tem menos poder dentre os dois.

- Ao telefonar para uma pessoa, verificar a disponibilidade para conversar e ajustar a duração da comunicação para esta informação.

- Recepcionar a outra pessoa condignamente. Exemplo: Quando estiver conversando com ela, cessar outras atividades para lhe dar toda a atenção.

- Apresentar reparações quando tiver que fazer algo que cause desconforto para o interlocutor. Por exemplo, levar flores ou apresentar uma justificativa para o que foi feito.


Polidez manifestada através comunicação

A polidez através da comunicação deve ser manifestada pelo ouvinte e pelo falante, através da comunicação não verbal e através da comunicação verbal, através da forma e através do conteúdo daquilo que está sendo comunicado.

Os seguintes cuidados devem ser tomados por todos os participantes de uma conversa:

Tornar a conversa agradável para o interlocutor

-  Contribuir para que o interlocutor seja bem sucedido na sua tentativa de projetar uma boa imagem de si. Por exemplo, se ele tentar se apresentar como uma pessoa engraçada, altruísta ou vítima, tentar cooperar, dentro do razoável, para que ele tenha sucesso nesta apresentação.

 Contribuir para que o interlocutor tenha um papel importante na conversa. Por exemplo, não reduzi-lo a mero espectador passivo e não forçá-lo a desempenhar um papel pseudoativo (por exemplo, fingir muito interesse no que está sendo dito).

Respeitar a dignidade do interlocutor. Por exemplo: quando tiver que falar algo que seja constrangedor para ele, procurar fazer isso em particular e não em público.

Polidez através do uso de amenizadores

Os amenizadores são usados para diminuir o impacto negativo daquilo que é dito.

“Amenizar” consiste em substituir uma formulação desagradável por outra mais amena.

Até pouco tempo atrás, a comunicação direta era muito valorizada. Os terapeutas e os comunicadores sugeriam que era desejável comunicar os pensamentos, sentimentos e desejos sem rodeios e sem subterfúgios. A prioridade, nesta época, era tornar a comunicação mais clara possível para evitar equívocos. Os modelos de engenharia da comunicação estavam em voga e os engenheiros deste setor estavam à busca da eficiência na transmissão de informações e na diminuição das interferências indesejadas. Atualmente, esta clareza continua desejável, mas, ao mesmo tempo, foi constatado que é desejável evitar ameaças e desconfortos para o interlocutor e, ao mesmo tempo, não comprometer a própria imagem e autoestima através da comunicação. A comunicação eficiente é vista como aquela que atende simultaneamente esses requisitos. A dose que cada um destes requisitos influencia as características da comunicação varia de acordo com as circunstâncias.

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Por Ailton Amélio às 08h42

06/12/2015

Por que as mulheres ainda se liberaram pouco para o sexo casual?

Cada vez mais, as mulheres estão praticando sexo casual ou, pelo menos, diminuíram muito os requisitos para começar a fazer sexo com um novo parceiro.

Os motivos mais óbvios para essa mudança que está ocorrendo são as mudanças culturais que estão levando à diminuição dos preconceitos contra as mulheres que se liberam nessa área.

No entanto, por mais que esses preconceitos sejam eliminados, ainda assim, creio, homens e mulheres não se tornarão iguais frente ao sexo casual porque existem diferenças genéticas entre eles.

Os fatores culturais e o combate aos preconceitos foram e continuam sendo objeto de inúmeras publicações. Por isso, nesse artigo, vou tratar apenas das influências genéticas que provavelmente contribuam para que homens e mulheres encarem de forma diferente o sexo.

Na história evolutiva da nossa espécie, o sexo teve mais consequências para as mulheres

            A teoria do investimento parental diferencial é uma das teorias mais modernas sobre a sexualidade humana. Segundo esta teoria, os padrões sexuais dos homens e mulheres são fortemente influenciados pela genética (os proponentes desta teoria não negam que as características da nossa sexualidade também são determinadas pelas experiências passadas durante a vida).

            As características genéticas do ser humano foram moldadas durante a evolução das espécies das quais originamos e da nossa própria espécie, em particular, durante milhões de anos.

Esta evolução aconteceu através de mudanças genéticas aleatórias e da seleção daquelas mudanças mais adaptativas ao meio em que nossos antepassados viveram (teoria darwiniana da evolução). Portanto, para entendermos as características do ser humano atual, temos que pensar nas condições nas quais nossos antepassados viveram, uma vez que foram essas condições que selecionaram as nossas características genéticas atuais.

            A teoria do investimento parental diferencial, apresentada aqui de uma forma simplificada, afirma que os padrões sexuais dos homens diferem dos padrões das mulheres em diversos aspectos. A principal razão dessas diferenças são as diferenças nas consequências das relações sexuais para os homens e mulheres. Essas diferenças acontecem por uma razão simples: as mulheres podem engravidar. (Antigamente, a associação entre relação sexual e gravidez era mais forte do que hoje. Antigamente não havia anticoncepcionais eficientes e, talvez, nem mesmo qualquer preocupação em evitar filhos).

As diferenças nos padrões sexuais de homens e a mulheres se devem, principalmente, à quantidade mínima de investimento que cada sexo pode fazer para procriar com sucesso (gerar e cuidar dos filhos até que esses também possam procriar). Quando se trata da quantidade de investimento médio que ambos os sexos investem na reprodução, essas diferenças podem ser menores.


Consequências da gravidez

            A gravidez produz uma grande quantidade de consequências. Algumas delas são as seguintes:

            - Uma gravidez implica em riscos para a saúde da mulher. A gravidez e o parto produzem podem apresentar complicações e até colocar em risco a vida da mulher. Estes riscos eram maiores na época que a medicina ainda não havia sido desenvolvida e, portanto, não havia cesarianas, medicamentos eficazes e hospitais.

            - A capacidade produtiva e defensiva da mulher diminui no final de gestação, durante e logo após o parto e durante a época da amamentação diminui, por razões óbvias.

            - Durante milhares de anos, as mulheres também ficaram mais sujeitas aos predadores no final da gravidez, durante e logo após o parto e durante toda a época que elas tinham que amamentar, transportar e cuidar da criança.

            - Uma gravidez implica no investimento de energia para gestar, amamentar e cuidar da criança até que ela atinja a sua independência. O ser humano é o animal que requer mais investimentos antes que se torne independente. Nós nascemos completamente desprotegidos e dependentes. Este estado de dependência é o mais prolongado de todos os animais, quando se leva em conta as durações de suas vidas (um ser humano não teria condições de sobreviver sozinho antes dos 11 ou 12 anos nas condições originais onde a nossa espécie evoluiu).

 

Decorrências da quantidade maior de investimentos na procriação por parte das mulheres

            Tendo como critério as diferentes consequências da gravidez para homens e mulheres, vamos examinar dois possíveis padrões que podem ser adotados para as relações sexuais: (1) aceitação de sexo sem compromisso e sem envolvimento emocional e (2) exigência de evidências de compromisso e envolvimento emocional como requisitos para que o sexo aconteça.

 

Aceitação de sexo sem compromisso e sem envolvimento emocional

O que aconteceria caso homens e mulheres aceitassem relacionamentos sexuais sem exigências de envolvimento emocional ou comprometimento por parte dos parceiros?

Para os homens, os custos seriam mínimos. Um autor graceja a este respeito afirmando que tudo que os homens teriam a perder seriam uns míseros espermatozoides. Mas, os homens poderiam ganhar muito adotando forma de proceder: eles ainda teriam uma boa chance de terem um filho e, por isso, passar seus genes para a geração posterior, naqueles casos onde as mulheres assumiriam sozinhas todos os custos e riscos da gravidez, parto e criação dos filhos.

As mulheres, por outro lado, correriam o risco de engravidar, ao aceitar parceiros para sexo casual. Neste caso, como não haveria qualquer envolvimento emocional ou compromisso por parte dos seus parceiros (em muitos casos, elas nem saberiam quem era o pai da criança, por que fizeram sexo com vários homens), elas teriam que arcar sozinha com todas as consequências da gravidez, o que diminuiria as chances de sobrevivência de seus filhos. Caso elas arcassem com esses custos e tivessem sucesso, o benefício seria grande para o pai ausente: a transmissão dos seus genes para a geração posterior.


Exigência de envolvimento emocional/compromisso para haver sexo

            Vamos examinar agora o segundo tipo de padrão sexual que pode ser adotado: a exigência de envolvimento emocional e/ou compromisso como pré-requisitos para a aceitação do sexo.

A probabilidade dos homens envolvidos emocionalmente com as mulheres ficarem com elas após o sexo e compartilharem os encargos dai resultantes é maior do que a dos homens não envolvidos emocionalmente ou não comprometidos com elas.

Alguns desses encargos são os seguintes: contribuição para a alimentação, proteção da mulher e da criança, contribuição para a educação, socialização e capacitação do seu filho.

Essas contribuições aumentam significativamente a chance de sobrevivência da criança até que esta também procrie. Por isso, essas contribuições também aumentam as chances dos genes que levam os homens a fazer esse tipo de contribuição e dos genes que levam a mulher a impor esse tipo de requisito para sexo. As mulheres que impõem essas exigências têm mais chances de deixar descendentes, uma vez que também têm mais chances de criar filhos que também irão procriar.


As mulheres têm que ser mais criteriosas porque têm menos capacidade reprodutiva do que os homens

            As mulheres têm uma capacidade reprodutiva bem mais limitada do que os homens. Elas ovulam só uma vez por mês e, segundo cálculos recentes, só podem ser fecundadas durante seis dias em cada um ou dois anos. O período procriativo das mulheres também é mais curto. A época em que elas realmente se tornam férteis começa mais tarde e termina mais cedo do que a dos homens. O máximo de filhos que uma mulher pode ter é bem menor do que o dos homens (a mulher que teve mais filhos, teve 69 filhos - diversos partos com muitos gêmeos). O homem, teoricamente, pode ter milhares de filhos (o recorde de filhos comprovados de um único homem, registrado pelo Guinness é de oitocentos e oitenta e oito). A mulher, portanto, tem bem menos chances para produzir a sua descendência. Os seus erros delas nesta área, têm um custo bem maior do que para os homens. Ela, portanto tem que ser bem mais cuidadosa nas ocasiões em que pode exercer a sua capacidade procriativa.

            Pelos motivos apresentados acima, homens e mulheres não poderiam agir da mesma forma porque o sexo casual apresenta pesadas consequências para as mulheres e pouquíssimas consequências para os homens.

 

        Os instintos desconhecem os anticoncepcionais modernos

            Atualmente existem os anticoncepcionais. No entanto, as tendências instintivas das mulheres atuais a este respeito ainda são basicamente as mesmas que daquelas que viveram há milhares de anos. Este tipo de tendência demora muito para mudar, ao contrário de certas normas culturais que podem mudar em poucas gerações ou mesmo em poucos anos. Por exemplo, se pudéssemos retornar a época de Cristo, usando uma máquina do tempo, e trouxéssemos um casal de recém-nascidos para a nossa época e os criássemos da mesma forma como as crianças de agora, provavelmente ninguém notaria nenhuma diferença entre estas crianças de dois mil anos atrás e as de agora. Em outras palavras, muito pouca coisa mudou na bagagem genética dos seres humanos nos últimos milhares de anos. 

Resumindo

            A adoção da estratégia do sexo casual por parte dos homens implica em pequenos custos e grandes ganhos. Embora cada filho tenha menor chance de sobreviver e procriar devido à falta de ajuda por parte do pai, os homens que a adotam apostam na grande quantidade de filhos gerados. A adoção dessa estratégia por parte das mulheres implica em grandes custos e menores chances de sucesso para deixar descendentes. As mulheres não conseguem apostar na geração de grande quantidade de filhos porque não conseguem gerar tantos filhos quanto os homens.

            A adoção da segunda estratégia por parte dos homens implica em dois tipos de custos: (1) investimentos na mulher e no filho e diminuição das oportunidades para fecundar outras mulheres, devido ao tempo despendido e a alocação de recursos limitados devido ao compromisso e envolvimento com a mulher e o filho. O seu maior benefício para o homem dessa segunda estratégia é a maior probabilidade de sobrevivência de cada filho e, por isso, a perpetuação dos seus genes. Para a mulher, a adoção dessa segunda estratégia é mais benéfica porque ela teria um companheiro para compartilhar os investimentos, quando acontece a gravidez.

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Por Ailton Amélio às 14h38

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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