Blog do Ailton Amélio

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30/01/2016

Vivendo pequeno em uma realidade imensa!

Vivemos formatados e limitados por inúmeras crenças, expectativas e, principalmente pela incapacidade de nos examinarmos.

Vivemos também, dentro de um sistema que nos controla através das consequências. Saiu da linha? Rejeição! Andou na linha? A débil aprovação reservada aos medíocres!

Vivemos, ainda, regidos pelo medo: medo de perder o mundinho que nós dá certo conforto e evita encrencas.

No futuro, se o mundo psicológico ficar mais compreensível, as pessoas ficarão estarrecidas quando examinarem muitas das concepções que regem nossas vidas nos dias de hoje.

Dançamos as músicas para receber a aceitação, evitar a rejeição e, com muita sorte, alguns aplausos débeis das pessoas que nos cercam.

Vivemos dentro de um mundo psicológico restrito e, muitas vezes, bobos, mas que, para os menos avisados, permite uma existência insípida e desvitalizada!

Melhor que desafiar aquilo que cremos e sentimos e desafiar o sistema de consequências internas e externas que nos controlam é entender tudo isso. O entendimento mostrará como transformar tudo isso sem incorrer em consequências atribuídas pelos guardiões dos parâmetros do reino das fantasias limitantes.

A fantasia e a ilusão fazem parte da natureza humana. Nada contra! Tudo a favor. Contra apenas aquelas que nos apequenam e cristalizam a beleza da mutação inteligente!

O entendimento vai mostrando que os nossos mecanismos têm seus motivos. Mas, que existem formas alternativas e mais inteligentes de lidar com o mundo externo e interno. Melhor que isso, vai mostrando que muitas coisas que condenamos são boas, que muitas coisas que aceitamos são irrazoáveis.

O conhecimento dá, acima de tudo, flexibilidade e propicia a mutação contínua. Tudo isso está ai e torna a vida fascinante pela sua complexidade e libera uma energia fantástica.

Esse conhecimento não está nos livros. Vem do autoconhecimento que floresce quando nos observamos e observamos as pessoas à nossa volta com muita curiosidade e sem rejeição de tudo que surgir.

 

Esse tipo de conhecimento vem da percepção desarmada do que está ocorrendo e não do raciocínio baseado em outros conhecimentos adquiridos anteriormente.

Por Ailton Amélio às 10h26

24/01/2016

Quando é sábio queimar pontes atrás de si

Júlio Cesar, quando desembarcou na costa britânica, mandou queimar todos os navios que haviam trazido seus soldados. Dessa forma, eles não poderiam recuar. Só podiam ir em frente!
De forma análoga, os alemães mandavam queimar pontes atrás de seus exércitos para que os soldados não pudessem recuar e, por isso, só lhes restavam lutar com todas as forças!

Na nossa vida, muitas vezes temos que queimar os nossos navios ou as pontes atrás de nós para que só possamos ir em frente!

Por exemplo, às vezes não conseguimos encerrar uma situação maléfica. Vamos e voltamos. Uma forma de liquidar definitivamente a fatura é fazer algo que elimine a possibilidade de permanecer ou voltar ao estado pernicioso.

Pouca gente tem coragem de queimar seus próprios navios ou de queimar pontes atrás de si. Mas, essa pode ser a melhor solução!

Neste artigo vamos examinar os motivos para queimar pontes atrás de si no relacionamento amoroso.


Queimar pontes para matar as esperanças e desapaixonar

Segundo Stendhal, para que o amor nasça e permaneça vivo é necessária a presença de três ingredientes: admiração, esperança de reciprocidade e certa dose de insegurança

Quando o amor não é correspondido ou não é possível, o sofrimento é grande! Por isso, desenvolvi um método para ajudar o desapaixonamento. Esse método envolve trabalhos terapêuticos em várias frentes: diminuir a admiração pelo parceiro; diminuir a esperança de reciprocidade, melhorar a autoestima, ajudar a preencher a vida com novas atividades, novas relações, novos papéis; criar as condições para dar chances para um novo amor, etc. (Veja o meu vídeo a esse respeito, postado neste blog em 11/04/2011).

O nosso interesse neste artigo é mostrar um pouco como a esperança de reciprocidade amorosa pode ser testada e, se não confirmada, destruída através de uma queima de pontes. O amor não sobrevive sem esperanças!


Queimar pontes para destruir a esperança de reciprocidade quando o amor é inviável

Para diminuir a esperança, em primeiro lugar, trabalho para que o paciente faça testes para verificar se há realmente chances do parceiro retribuir seu amor ou viabilizar o tipo de relacionamento desejado. Se o resultado do teste for positivo, o relacionamento com o amado é iniciado e o caso está resolvido! Quando o teste dá resultados negativos, aparece a frustração e o sofrimento. O resultado negativo, quando é claro e definitivo, já reduz a esperança e mata o amor.

Quando o resultado do teste é ambíguo (por exemplo, a outra pessoa faz questão de deixar ambíguo porque tem interesse apenas em sexo ou não quer magoar quem está pondo o teste em prática), quem ama continua com seu coração ocupado e a vida empatada, sem ir em frente na área amorosa.

A esperança sobrevive indefinidamente para aquelas pessoas que vivem de fantasias sobre suas chances com o amado. Elas passam a vida se iludindo. Um olhar diferente ali, uma palavra ambígua aqui, um contato que pode ser apenas amistoso acolá mantém as esperanças de reciprocidade. Geralmente as pessoas distorcem as pistas para continuarem a acreditar que os parceiros ainda as amam ou que poderá vir a amá-las ou amá-las de novo. Essas pessoas temem checar claramente as intenções do parceiro e se decepcionarem, serem rejeitadas e perderem o minguado relacionamento que existe no momento.

Um exemplo

Uma paciente que tratei mantinha as esperanças de que era correspondida por um rapaz que era ambíguo nas suas intenções sobre ela. Ele era ambíguo talvez porque queria apenas sexo com ela, não percebia o seu interesse ou não queria magoá-la.

Ela já tinha quarenta e poucos anos e já estava neste chove não molha com o rapaz durante dois anos. De vez em quando ela via sinais animadores e ficava muito feliz. Em outras ocasiões, os sinais eram desanimadores e ela ia para o fundo do poço.

Trabalhamos para que ela aumentasse a eficácia das checagens das intenções do rapaz sobre ela e sobre o relacionamento com ela. Depois de algumas sessões de terapia, ela se armou de coragem e abordou com ele o assunto relacionamento amoroso. Descobriu então, que ele ia se casar com outra dali a dois meses!

[Alguns dados foram alterado para não permitir identificações das pessoas]



Queimar pontes para sair de maus relacionamentos

Muitas vezes não há forças suficientes para terminar ou para deixar de retornar a um mau relacionamento. Neste caso, queimar pontes pode tornar definitiva a saída do relacionamento.

Por exemplo, quando o teste de realidade da esperança de reciprocidade do amor não é possível ou não traz resultados claros ou quando o amor é correspondido, o relacionamento acontece, mas é de péssima qualidade e mesmo assim, os parceiros não conseguem terminá-los, deve ser considerada a hipótese da queima de pontes.

Uma maneira de liquidar as esperanças é queimar pontes que possibilitam tais esperanças: fazer algo que inviabilize as chances de qualquer relacionamento futuro.

Exemplos de coisas que podem queimar pontes:

 - Contar segredos da parceira para terceiros que a prejudiquem seriamente

 - Contar para a parceira alguma coisa que você fez que fará que nunca mais ela olhe na sua cara, como revelar uma traição

 - Fazer algo que prejudique a vida social ou profissional da parceira

- Dizer para a parceira como o seu corpo é artificial: seios de silicone, nariz de plástica e altura aumentada pelos saltos altos

Esses atos deixarão a parceira tão magoada e destruirão a imagem de quem o pratica. Eles são incompatíveis com a natureza do relacionamento que a pessoa tem com ela, o que inviabilizará qualquer volta futura.


Critérios para decidir se vale a pena queimar pontes

A decisão de queimar pontes pode ser muito séria e ter grandes implicações. Alguns critérios que podem ser considerados para tomar a decisão de queimar pontes são os seguintes:

- Quando as chances de reciprocidade no amor e no relacionamento foram testadas, mas os resultados continuam ambíguos

- Quando a pessoa está convencida que o relacionamento é ruim e não pode ser melhorado, mas não consegue sair dele

- Quando o amor é correspondido e o relacionamento acontece, mas há muitas reincidências de períodos muito ruins ou reincidências de fatos graves

- Quando há uma quebra irreversível de confiança

- Quando o relacionamento esvaziou e não foi possível resgatar sua energia, por mais que se tentasse.

- Mas há barreiras internas ou externas fortes para deixar o relacionamento: razões econômicas, conveniências, compartilhamento de amizades, etc.

Queima parcial de pontes

No dia a dia tomamos inúmeras decisões que implicam na tomada de um caminho e exclusão de outros. A vida é assim mesmo.  Fazemos isso sem a consciência de que para cada opção que adotamos abrimos mãos de muitas outras.

Às vezes é possível retomar uma opção que antes foi deixada de lado.

Certas pessoas hesitam em tomar decisões sem volta. Acreditam que, agindo assim, estão mantendo todas as opções em aberto. Essa crença pode ser pura ilusão. Em muitos casos, não tomar as decisões na hora certa pode ser um tipo de decisão que também terá suas consequências que são também irreversíveis. É aquela história de deixar passar o cavalo selado....


Queima desnecessária e inadequada de pontes

Certas pessoas estão sempre queimando pontes. Tanto aquelas que já atravessaram, quanto aquelas que ainda não atravessaram, como aquelas que estão atravessando. Agir assim pode trazer sérios inconvenientes e dar margem para muitos arrependimentos.

Por exemplo, pessoas que têm pavio curto, correm o risco de queimar desnecessariamente pontes úteis: brigam com pessoas significativas sem necessidade.

Também correm o risco de se meter em encrencas por brigar com pessoas perigosas como em uma briga de trânsito, por exemplo.

 

Quando necessário e razoável, você é capaz de queimar pontes? Não? Procure a ajuda de um psicólogo!

Use as ferramentas abaixo para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br


VAMOS COMEÇAR O PSICOTEATRO?

- Desenvolvimento de papéis para você se tornar como gostaria de ser.

- Treinamento teatral para desenvolver e treinar esses papéis

- Análise psicológica de obstáculos para interiorizar esses papéis e uso de técnicas psicológicas para superar esses obstáculos

(A cooperação de um diretor teatral será bem vinda!)

COMEÇANDO A FORMAR UM GRUPO EXPERIMENTAL DE INTERESSADOS

DATA DA PRIMEIRA REUNIÃO: 18/02/2016 (quinta feira)
LOCAL: Rua Realengo, 214, Alto de Pinheiros, tel (11) 3021 5833 (Consultório)
Horário: 20h15min - 22h15min
Valor simbólico para cobertura de despesas: R$ 150,00 por més.

INTERESSADOS: ligue para o meu consultório (11 3021 5833) ou mande mensagem para meu e-mail: 
ailtonamelio@uol.com.br

PARA SABER MAIS SOBRE O PSICOTEATRO, LEIA, NESTE BLOG, O MEU ARTIGO, PUBLICADO EM 28/09/2014:

"Psicoteatro: método para o desenvolvimento de papéis e características pessoais, sociais e profissionais

Por Ailton Amélio às 12h19

17/01/2016

Você adotou o estilo aguado?

Politicamente correto
Despersonalizado

 

Medo de desagradar
Pânico de mal impressionar

Jogo para a plateia
O que você quer que eu pense?

Jamais decepcionarei você

 

Sou uma pessoa legal

Sou do bem

Nunca baixo astral

Isso só pode fazer mal

 

Já esqueci o que quero, o que gosto

O que agrada você está bom para mim

 

Adoro frases feitas

Não faço um exame para ver se realmente concordo com elas.

Aliás, nem sei como fazer isso

 

Difícil imaginar que pensamentos divergentes

possam ser inteligentes

Muito medo de ser diferente

Peculiar e gente!

 

Sou aguado, despersonalizado

Pau mandado

Um pobre coitado!

Por Ailton Amélio às 10h30

07/01/2016

Quando a raiva é boa e quando é ruim

A raiva, como as outras emoções, têm funções extremamente úteis para a nossa espécie e para outras espécies.
Ela é tão importante que já nascemos com seus mecanismos fisiológicos, perceptuais e expressionais prontos. O recém-nascido já mostra tudo isso. Por exemplo, recém-nascidos que nascem cegos e surdos mostram as expressões faciais e vocais típicas de raiva. Não tiveram tempo nem a visão e audição para aprender tais expressões! Já estavam prontas ao nascer!

É BOA porque faz parte dos mecanismos de regulação social. Por exemplo, impede abusos devido às possíveis represálias.
Ela tem propriedades motivacionais: aumenta as chances de certos tipos de ação como, por exemplo, a agressão verbal e física e o esfriamento do relacionamento com quem a provocou.

É BOA, também, quando dá energia adicional para por em prática decisões amadurecidas já tomadas, que não eram colocadas em prática devido à motivação insuficiente e às inibições. Na hora da raiva, você faz aquilo que já sabia que devia fazer.

É RUIM quando você age no impulso e comete atos graves. Por exemplo, agride alguém que deu uma batidinha no seu carro. Vai se arrepender por um bom tempo.

A nossa cultura reprime os sentimentos e expressões de raiva. Por exemplo, criou mecanismos para que sintamos culpa ou vergonha quando sentimos e expressamos raiva! Isso é considerado "de mau tom"! As culturas pregam muitas bobagens! Dá raiva....(rs).

Sentir raiva proporcional e adequada aos fatos é legítimo. Dar vazão à raiva pode ser bom ou ruim.
Expressar raiva proporcional aos fatos e às consequências é uma sabedoria!


EXPRESSÃO FACIAL DE RAIVA

Foto de Ailton Amélio mostrando um dos tipos de expressões de raiva.


Descrição deste tipo de expressão facial de raiva.

Existem diversos tipos de expressões faciais de raiva. Em uma delas, a que aparece acima, na foto deste autor, são mostrados os seguintes sinais: rugas verticais entre as sobrancelhas; as sobrancelhas são abaixadas e aproximadas (por isso as rugas verticais na testa) ; as pálpebras são tensionadas e semicerradas; o olhar fica fixo ("olhar fuzilante"); os lábios ficam tensos e comprimidos um contra o outro.

Este tipo de expressão é mostrado e reconhecido em todas as culturas, o que é uma evidência em favor dos seus determinantes genéticos (esta e outras evidências indicam que a capacidade para mostrar e reconhecer essas expressões são, em boa parte, inatas).

Uma parte deste artigo foi publicada originalmente no meu Facebook: Ailton Amelio: https://www.facebook.com/ailton.amelio.1?fref=ts

NOTA

A descrição dessa expressão facial mostrada na foto foi baseada nos estudos de Paul Ekman.

Use as ferramentas abaixo para comentar e compartilhar esse artigo. Caso você não queira que seus comentários sejam publicados, escreva para o meu e-mail: ailtonamelio@uol.com.br

 

Por Ailton Amélio às 10h37

04/01/2016

Para o ano novo, livre-se dos maus relacionamentos

(Para não ficar repetivo e por uma questão de estilo, vou me referir aqui apenas a "ela", "namorada", "daquelas" e assemelhados. Claro que tudo que vou dizer se aplica também, ou principalmente, aos homens).

- Livre-se dos "amigos" e "namoradas" que não integram você às suas vidas. Só são amigos no trabalho ou só namoram nos fins de semana! Essas pessoas não querem um relacionamento de verdade com você!

- Daquelas que escondem informações básicas de você. Esconde de você e de outros amigos uma mudança de emprego ou o endereço da nova casa, por exemplo. Essas pessoas não confiam em você e em ninguém! Paranoia!

- Daquelas que nunca assumem você espontaneamente . Só assumem a conta gotas e sob pressão. Comprometer-se é a base de um bom relacionamento! Não se comprometem porque querem deixar um bom espaço para manobras escusas!

- Daquelas que nunca foram capazes de desenvolver um bom relacionamento amoroso. São pessoas psicologicamente limitadas.

Daquelas que namoram você, mas mantêm relacionamentos secretos suspeitos ou continuam no msn com pessoas que conheceram em sites de relacionamentos e só querem sexo. São namoradas desonestas!

- Daquelas que persistem em seus erros e continuam com suas percepções distorcidas. Não aprendem nada com os revezes da vida! Nunca terão um relacionamento de verdade! Melhor ser amigo ou namorar uma walking dead.

- Daquelas que quase nunca mostram afetividade espontânea. Rarissimamente enviarão uma mensagem afetiva, por exemplo. Nada têm a oferecer. Melhor ser amigo ou namorar uma walking dead!

NÃO PERCA TEMPO. LIVRE-SE DELES. SÓ BANHO DE SAL GROSSO NÃO ADIANTA! RS.


Publicado originalmente no meu Facebook:

 

  1. www.facebook.com/ailton.amelio.1?fref=tsi

 

Por Ailton Amélio às 10h18

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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