Blog do Ailton Amélio

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27/02/2016

Fui rejeitado: pérolas aos porcos?

A rejeição por uma parceira amorosa geralmente abaixa a autoestima: o rejeitado começa a procurar seus erros e defeitos. 

Claro, a rejeição pode ter acontecido por alguma falha da nossa parte ou porque deixamos de apresentar alguma qualidade desejável!
No entanto, muitas vezes, esse tipo de rejeição não acontece por falta de qualidades ou erros do rejeitado, mas sim porque a rejeitadora procura por parceiros amorosos que tenham outros tipos de características.
Em certos casos, trata-se apenas de preferências por parceiro que tenha características diferentes e não está em questão a superioridade ou inferioridade dessas características.  
Mais dramáticos e interessantes são aqueles casos onde o rejeitado tem qualidades que não são reconhecidas pela rejeitadora. Este fenômeno fica claro quando a rejeitadora aparece com outro parceiro muito menos qualificado, de certo ponto de vista, do que aquele que ela rejeitou. Por exemplo, certas pessoas dão mais importância para o físico do que para a cultura do parceiro. Outras gostam de cafajestes e não de pessoas corretas!
Neste caso, UFA!, o rejeitado pode pensar: “Se é gente assim que ela procura, então estou aliviado”! Fico contente por não ter sido o escolhido.


Rejeitadores: caçadores de esmeraldas?

Conta a lenda que o bandeirante Fernão Dias Paes saiu à procura de esmeraldas e, por isso, só tinha olhos para as pedrinhas verdes (acabou encontrando turmalinas e achou que havia encontrado as procuradas esmeraldas). Durante as suas expedições, devido à sua expectativa, acabou ignorando outras pedras tão ou mais valiosas que as esmeraldas, como os diamantes, que encontrou pelo caminho.

Isso também acontece com a escolha de parceiros amorosos: certas pessoas dão muito importância para determinadas características e, por isso, acabam ignorando parceiros que têm outras características mais valiosas do que aquelas que procuram.

Geralmente, procuramos parceiros que tenham características semelhantes às nossas características. Isso acontece porque queremos alguém que nos entenda, que seja solidário aos nossos sentimentos e aspirações e que compartilhe os nossos objetivos.

Também queremos parceiros que admiremos: pessoas que tenham características que gostaríamos de ter. Estabelecer um relacionamento amoroso com essa pessoa é uma forma de expandirmos nosso mundo e adquirirmos tais características.

(Para entender como acontece a escolha de parceiros amorosos leia o meu artigo, neste blog, postado em 22/02/2015: "Como escolhemos nossos parceiros amorosos" e assista o meu vídeo:

 www.facebook.com/UOLNoticias/videos/10150112711784522/  )

 

PS Comentário de um amigo do Face, José Antônio Soares: "Muitas vezes, caçadores de ilusões. Preferem vidro ao cristal....ou, como diria minha avó..... " Mal gosto não se discute, lamenta-se!" 

 

Foi rejeitado? Não se apresse em concluir que você não tem boas qualidades. Pode ser que o parceiro tenha outras preferências ou não saiba apreciar os seus méritos!


Está muito difícil superar a rejeição? Procure a ajuda de um psicólogo!


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Por Ailton Amélio às 09h55

20/02/2016

Você perde tempo na internet para fugir da monotonia?

Você gasta muito tempo no Facebook, assistindo televisão ou mantendo conversas vazias no WhatsApp e MSN?

Quando você não está fazendo nada há um bom tempo ou está fazendo algo desagradável aumenta a sua tentação para iniciar alguma atividade leve, fútil e pouco produtiva, como as enumeradas acima? Vamos tratar aqui do papel motivador indireto da fuga da monotonia e de outras atividades desagradáveis para desenvolver essas atividades vazias.

A monotonia - permanência em ambientes físicos e psicológicos repetitivos, sem novidades e ou desafios - é altamente desconfortável. Diversas sociedades punem os criminosos confinando-os em ambientes monótonos - as prisões. As infrações dentro das prisões são punidas através do confinamento em um ambiente mais monótono e restrito ainda - as solitárias.

O desconforto produzido pela execução de atividades desagradáveis pode ser reduzido ou cessar quando deixamos de executá-la e nos dedicamos a outra atividade menos desagradável, neutra ou agradável.

Todos nós executamos atividades desagradáveis ou passamos por momentos de monotonia no dia a dia. Grande parte das atividades pouco significativas que executamos, que consomem o nosso tempo, é motivada pela fuga da monotonia e fuga de atividades desagradáveis. Muitas dessas atividades usadas para tornar os nossos dias menos penosos são pouco motivadoras em si, mas se tornam muito motivadoras porque nos livram de algo desagradável.

A fuga da monotonia e de tarefas desagradáveis é um dos grandes motivos pelos quais lemos compulsivamente notícias pouco interessantes no Facebook, assistimos programas mornos de TV, mantemos conversas moles no WhatsApp, fazemos programas ocos e vazios.

Quando a atividade usada para fuga é agradável e estimulante, a tentação para a fuga ainda é maior. Por exemplo, se o fujão encontra coisas interessantes e úteis para ler no Facebook, além de estar fugindo do desconforto da monotonia, ainda está se envolvendo em outra atividade agradável e útil.

A nossa vida é naturalmente rica em novidades e desafios. O que cria a monotonia é a nossa forma medrosa de ver as coisas e de reagir a elas.

Você está perdendo tempo demais na internet e não consegue se conter? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h53

14/02/2016

Causas e tratamentos dos sofrimentos causados pelo término do relacionamento amoroso

Muita gente acha que o sofrimento causado pelo rompimento de um relacionamento amoroso tem a sua principal origem na perda do amor do parceiro. Embora este realmente seja um motivo importante desse tipo de sofrimento, muitas vezes ele não é o motivo principal.

Neste artigo, apresentarei as principais dores que são provocadas pelo término de um relacionamento e darei uma atenção especial para a baixa na autoestima.


Outras dores que podem ser confundidas com dores de amor

Uma parte destas dores é consequência direta do amor não realizado. Outra parte destas dores pode ocorrer por motivos relativamente independentes da perda da reciprocidade do amor e deve ser tratada através de medidas específicas adequadas.

A sensação de catástrofe e de vazio que são experimentadas por uma pessoa cujo parceiro a deixou de amar e terminou o relacionamento pode ser causada rebaixamento da autoestima, solidão provocada pela perda da companhia do parceiro, perda da identidade proporcionada pelo comprometimento, prejuízos nas ligações sociais, invalidação de planos de vida e perdas econômicas. Para aqueles que têm filhos pequenos, há também sofrimentos e culpa pelos possíveis danos causados a eles e a diminuição do convívio com eles.

O rompimento de todas essas áreas provoca sofrimentos mais intensos e prolongados quando ele aconteceu por “morte súbita” do relacionamento (rompimento repentino causado por fatos graves como a descoberta de traição, agressão física, etc.) do que quando o relacionamento foi se “esvaziando” (os parceiros vão deixando de serem interessantes um para o outro e cada um vai refazendo sua vida independentemente antes do rompimento formal).

Quando atendo pessoas que estão sendo rejeitadas pelos parceiros, procuro ajudá-las a amainar as suas dores de amor (criei um “programa de desapaixonamento” com esta finalidade – assista o meu vídeo: "Terapia do Desapaixonamento", postado neste blog em 11/04/2011), a resolver o mais rapidamente possível os problemas práticos e econômicos decorrentes da separação, a recuperar a autoestima, a refazer a vida social, a recuperar a sua identidade pessoal (deixar de ser “nós” e voltar a ser “eu”), a refazer seus planos para o futuro e a recomeçar a vida amorosa.

Geralmente, quanto maior a duração do relacionamento amoroso, mais áreas da vida dos parceiros são integradas.  Por isso, o término de um relacionamento que está começando geralmente causa menos problemas e sofrimentos do que o término de um relacionamento que já existe há muito tempo. No primeiro caso, os parceiros ainda têm vidas quase que completamente independentes (amigos, área econômica, moradia, lazer, etc.) e o amor entre eles ainda não está solidificado (a intimidade demora em ser desenvolvida). Depois de certo tempo, as suas vidas já se mesclaram e os parceiros já desenvolveram uma identidade pessoal e social que inclui o outro.


Medidas para atenuar e abreviar o sofrimento amoroso após a separação

No meu artigo “Kit para a sobrevivência após o fim do relacionamento amoroso”, publicado neste blog em 18/04/2011, apresentei várias medidas terapêuticas que são tomadas para aliviar e abreviar os sofrimentos causados por uma separação. Resumidamente, essas medidas são as seguintes:

- Facilitar e apressar o desapaixonamento

- Reprogramar o lado prático da vida

- Recuperar a autoestima

- Livrar-se da sensação de fracasso provocada pelo término relacionamento

- Projetar a vida futura

- Recompor o círculo de relações


Baixa na autoestima provocada pelo fora

Geralmente levar um “fora” produz um rebaixamento na autoestima. Os efeitos do fora, em si, ficam claros quando uma pessoa já ia terminar o relacionamento, mas a outra toma essa iniciativa primeiro. Quando a pessoa que já ia terminar o relacionamento leva o fora, a sua autoestima pode diminuir devido à rejeição explícita por parte da outra pessoa. Essa rejeição rebaixa a sua autoestima e indica que o parceiro que a tomou está autoconfiante e equilibrado ao ponto de ter tomado essa iniciativa.

Uma reação parecida acontece quando uma pessoa dá o fora na outra e esta o aceita “numa boa” ou não a aceita tão bem assim, mas logo encaminha a sua vida (começa a sair, troca de carro, muda o vestuário, etc.). Neste caso, quem deu o fora pode se surpreender com esta assimilação tão fácil por parte do parceiro e voltar a se interessar de novo por ele. Não raro o parceiro rejeitado não aceita este retorno e aquele que terminou o relacionamento percebe que cometeu um erro e que a ex-companheiro tinha mais méritos do que ele percebia. Pode acontecer, inclusive, uma retomada da paixão que já um dia já sentiu por ele.

Este rebaixamento na autoestima é mais intenso quando o fora é visto como uma espécie de atestado de falta de qualificações do rejeitado para continuar como parceiro amoroso do rejeitador ou quando o rejeitado foi trocado por outro parceiro.

A maneira correta de interpretar os significados e os motivos do fora contribui para que os danos à autoestima não sejam exagerados e possam ser recuperados mais rapidamente. Uma parte desta “maneira correta” é ver como natural e esperado que várias tentativas de inícios de relacionamentos sejam realizadas e que vários relacionamentos já iniciados não durem muito, antes que um relacionamento satisfatório e duradouro seja estabelecido. Aqueles que atribuem significados profundos ao fora e acreditam que ele foi motivado exclusivamente pelos seus deméritos geralmente sofrem mais do que aqueles que são mais realistas neste tipo de interpretação. Trata-se de uma distorção bastante pessimista atribuir todos os foras aos defeitos pessoais e esquecer os problemas de quem deu o fora (por exemplo, o parceiro pode ter dado o fora porque não consegue assumir compromissos, porque pode estar estressado ou porque está deprimido) e as circunstâncias que podem ter contribuído para este acontecimento (por exemplo, o parceiro pode estar dando mais uma oportunidade para uma pessoa de quem ele gosta menos do que de você simplesmente porque tem filho com ela e está pensando mais no interesse dele).

O sofrimento provocado pelo término do seu relacionamento está intenso demais ou se prolongando demais? Procure a ajuda de um psicólogo.

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Por Ailton Amélio às 12h06

07/02/2016

Você é escravo ou senhor dos seus estados psicológicos?

Responda às seguintes questões para ter uma ideia sobre as suas atitudes frente aos seus estados psicológicos.

Sou uma pessoa que:

1- Não sei o que fazer para mudar meus estados de espírito e, por isso, sou prisioneiro deles!

2- Sinto que meus estados de espírito são “realidades” sobre as quais não tenho controle e, por isso, sou aprisionado e dominado por eles.

3- Confundo os avisos que são fornecidos pelos meus sentimentos com aquilo que eles avisavam. Para mim, esses sinais de aviso se tornaram mais importante do que aquilo que eles avisam.

4- Sei que meus estados de espírito são apenas maneiras de me sentir frente a situações e que poderia haver outros estados de espírito frente às mesmas situações.

5- Sei dizer quais situações mudam os meus estados de espírito. Sei criar ou acessar essas situações para mudar o que está acontecendo comigo

6- Uso substâncias que mudam meus estados de espírito.

7- Procuro pensar em coisas que mudam meus estados de espírito.

Quantos estados psicológicos habitam em nós?

Experimentamos vários tipos de estados: emoções, poder, fraqueza, esperança, desilusão, amor, saudades, medo, raiva, etc.

Esses estados podem ter sido provocados por acontecimentos e outros nos tomam sem terem sido claramente provocados ou convidados.

Gostamos de alguns, rejeitamos outros... Hesitamos em nos entregarmos a todos eles.

Um psicólogo curioso deixa que eles venham, entrega-se a eles, deixa que eles fiquem e que vão embora.

Uma riqueza maravilhosa de estados.

Alguns foram experimentados pela primeira vez lá atrás. Estes, às vezes, trazem lembranças anexadas.

Outros são tão fortes que não deixam muito espaço para pensamentos.

Esses estados só se mostram com toda a força quando não são temidos ou desejados, quando podem aparecer e ir embora sem que sejam rejeitados ou tente-se detê-los.


Variações normais de humor e transtornos de humor

Neste artigo, vou abordar apenas as variações normais de humor. Estas variações, no entanto, podem ser anormais e serem sintomas de algum tipo de transtorno: depressão, distimia, hipomania, transtorno bipolar, mania. Neste caso, elas devem ser tratadas por profissionais habilitados desta área (geralmente os psiquiatras medicam e os psicólogos fazem terapia). Veja, por exemplo, uma descrição de uma disfunção, a ciclotimia, apresentada pela Wikepedia:

“Ciclotimia, Personalidade Ciclotímica ou Transtorno afetivo de personalidade.[1] é um transtorno do humor similar ao Transtorno Bipolar, porém mais leve e com mudanças de humor em poucos dias. Faz parte do espectro bipolar e consiste em recorrentes variações de humor, variando entre hipomania e distimia ou depressão. Um único episódio de hipomania é suficiente para diagnosticar a ciclotimia, entretanto, a maior parte dos afetados também sofrem com períodos de distimia. O diagnóstico da ciclotimia não é feito quando há um histórico de episódios de mania ou depressão profunda. A percentagem da população que sofre com a moléstia gira em torno de 0.4% a 1%. A frequência é igual para homens e mulheres, mas normalmente as mulheres procuram tratamento mais rapidamente.” [https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclotimia]

 

Autoconhecimento

Uma excelente maneira de se conhecer é tomar conhecimento dos estados psicológicos que estão presentes em cada momento.

Ao invés de tentar mudar esses estados quando são ruins ou de tentar retê-los quando são bons, é mais produtivo ficarmos interessados em conhecer como eles são.

Este estado é o que somos naquele momento: nossos valores, motivações, padrões de julgamento, temores, desejos, identificações, autorrejeições, etc.

Auto-observação sem censura

Dentro de certos limites:

- Não há um estado psicológico "mestre" que saiba classificar os outros e considerá-los "desejáveis" ou "indesejáveis". Podemos sim, constatar se eles são agradáveis ou desagradáveis, apaziguadores ou amedrontadores, etc.

- Não existem bons critérios para saber quais estados psicológicos são "corretos" ou "saudáveis". Cada estado psicológico que aparece é legítimo e tem as suas causas.

- Quem busca o autoconhecimento deve ter mais curiosidade e respeito por qualquer estado psicológico que apareça e menos desejo de alterá-los. Ficar com este estado, não ter pressa em se livrar dele ou desejar retê-lo. Deixar que ele mostre as suas dimensões...

- Qualquer estado que surja em reação ao estado inicial deve ser o novo estado a ser observado.

- Não é a tentativa de análise ou raciocínios, nem o uso de conhecimentos psicológicos que vão ajudar a entender esses estados. O que ajuda a entendê-los é simplesmente observá-los sem escolha ou julgamentos

- Por natureza, os nossos estados psicológicos são transitórios e fluidos. Podemos estar seguros em uma hora e, na hora seguinte, nos sentirmos inseguros. Podemos ser assaltados por uma paixão resistível por alguém na parte da manhã nem pensar na pessoa na parte da tarde.

- A vida fica bem interessante quando você permite que esses estados se alternem na sua mente e você não tenta lutar contra eles, mas sim entender a cada momento o estado que está presente!

Se souber fazer isso, você estará navegando pelos seus estados psicológicos e tomando conhecimento dos seus mecanismos, motivações, temores, afetos, expectativas, atitudes, etc. Parabéns, você estará se conhecendo.

Este autoconhecimento gera mudanças e aperfeiçoamentos automáticos.

Porque rejeitamos certos estados e buscamos outros

A religião, a cultura, pessoas crédulas, pessoas que querem nos controlar para que atendendamos determinadas finalidades classificam os nossos estados como desejáveis, indesejáveis.

Esses estados psicológicos podem trazer boas ou más sensações. Queremos nos livrar daqueles que trazem más sensações e prolongar aqueles que trazem boas sensações. Queremos reter aqueles que identificamos como compatíveis com os nossos objetivos e nossa boa autoimagem e nos livrar daqueles que são incompatíveis com nossos objetivos e boa autoimagem.

Você sabe carregar e descarregar estados psicológicos?

Muitas vezes temos que nos "preparar psicologicamente" para agir. Por exemplo, às vezes, quando decidimos lidar com alguém que está abusando da nossa boa vontade, procuramos ganhar coragem e segurança lembrando os vários motivos que temos para deixar de tolerar aqueles abusos.

Outras vezes, temos que fazer o contrário como, por exemplo, esperar a raiva passar antes de conversarmos com uma pessoa que nos irritou.

Boa parte dos efeitos da terapia também pode ser atribuída às mudanças nas motivações e nas percepções que são produzidas na sessão terapêutica. Essas mudanças, como todas as outras, vão perdendo parte de seus efeitos à medida que o tempo vai passando. Dai a necessidade de carregar ou recarregar de novo até, pelo menos, que velhas percepções sejam alteradas e novas atitudes passem a ser mantidas pelos seus efeitos na vida real!

Providências para alterar diretamente o estado psicológico ou providências para alterar suas causas?

Podemos tentar alterar diretamente o estado de espírito ou alterar suas causas. Para tentar combater diretamente o estado de espírito, podemos pensar ou dizer coisas encorajadoras para nós mesmos (“Sou uma pessoa bem sucedida socialmente”, “Não preciso do sucesso nesta situação”, etc.) ou lançar mão de substâncias que acalmem ou combatam o medo (álcool, calmantes, etc.).

Por exemplo, para diminuir o medo de enfrentar uma situação social, podemos adotar, por alguns minutos, uma postura corporal dominante (queixo para cima, costas eretas, barriga para dentro) ou tentar combater as causas desse medo: mudar a nossa percepção da situação ameaçadora; melhorar nossa autoestima, etc.

Atuar no corpo para alterar o estado psicológico

Os adeptos da ginástica, da corrida, da yoga, das massagens, do shiatsu, da acupuntura, da dessensibilização sistemática, das técnicas de relaxamento atuam no corpo para alterar estados de espírito.

A atuação no organismo para afetar o psicológico tem seus limites. Por exemplo, por mais que as técnicas de relaxamento ajudem a acalmar o tímido, essas técnicas não o ensinarão a conversar melhor, a não deixar o assunto morrer. Da mesma forma, medicação, yoga ou ginástica poderão acalmar um homem que está sendo abandonado pela esposa, mas essas medidas não vão lhe ensinar como melhorar o relacionamento.

O que você faz para alterar seus estados psicológicos?

(Algumas dessas ações são as mesmas usadas para sair de maus estados psicológicos).

1- Sabe procurar situações animadoras e motivadoras: viaja, vai a programas culturais, se encontra com os amigos, permite-se desfrutar de coisas boas da vida.

2- Tem autocontrole para começar atividades pouco motivadoras que se tornarão motivadoras (“pegar no tranco”): sai para correr sem vontade, começa a estudar sem vontade, começa a trabalhar sem vontade, levanta da cama sem vontade.

3- Vai fazer compras

4- Come coisas saborosas

5- Veste uma roupa que lhe cai muito bem

6- Posta no Facebook coisas que são bem recebidas pelos seus amigos

7- Procura sair com amigos

8- Tem um encontro romântico ou sexual

9- Assume posturas corporais que aumentam a autoconfiança

10- Pensa em coisas que melhoram a autoimagem

11- Ouve música que alteram o seu estado de espírito

12- Conversa com alguém que “põe você para cima”

Autocontrole para expor-se a situações motivadoras

Obrigar-se a desenvolver atividade que é insuficientemente motivada intrinsecamente. Ao desenvolver esse tipo de atividade cria-se a chance de envolver-se nela mais intensamente.

No dia a dia, o nosso cérebro possui mecanismos que podem nos levar ao envolvimento no que estamos fazendo e afastar o envolvimento em outras coisas. Esse mecanismo funciona dentro de certos limites: não conseguimos nos afastar de atividades que despertam emoções e / ou motivações muito fortes.

A urgência potencializa a força do envolvimento: por exemplo, uma prova para um concurso ou uma cirurgia que vai ocorrer em poucas horas não impede que a pessoa se concentre o suficiente para guiar até o local. Um tímido que está morrendo de medo de abordar uma linda mulher consegue se concentrar no caminho e na caminhada até onde ela se encontra. Só cabe uma coisa por vez na consciência.

Por Ailton Amélio às 15h43

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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