Blog do Ailton Amélio

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26/09/2016

Porque a paixão e o amor duram pouco e o casamento arranjado pode dar certo

Levine e colabores realizaram uma pesquisa em onze culturas sobre o papel do amor para aceitar um parceiro para o casamento e para a separação (Veja a citação dessa pesquisa na Nota, no final deste artigo). Esses autores perguntaram para os participantes se eles se casariam sem amor com um parceiro que tivesse todas as qualidades desejadas em um esposo. A grande maioria das pessoas das culturas ocidentais (“individualistas”) afirmou que não se casaria (no Brasil, cerca de 86% das pessoas afirmaram que não se casariam sem amor). Em seguida, o autor perguntou se essas pessoas se separariam, caso o amor terminasse após algum tempo de casamento. A grande maioria afirmou que não se separaria. Ou seja, após o casamento ser estabelecido, outras motivações dificultam o seu término (filhos, razões econômicas, companhia, compartilhamento de amigos e familiares, estabelecimento da identidade psicológica de casado, planos etc.).
Portanto, a permanência no relacionamento amoroso é multimotivada e não depende apenas da existência do amor entre os cônjuges! Essa multimotivação é a regra geral e não a exceção para quase tudo o que fazemos.
O amor, portanto, têm um papel mais importante para viabilizar o início dos relacionamentos. Depois que esses relacionamentos são iniciados, seus desenvolvimentos e manutenções podem passar a depender de outros fatores: filhos, compartilhar amigos, vantagens e dependência econômica, desenvolvimento de identidade que inclui o parceiro, planos para o futuro, companhia, etc.

O poder da conquista

A compreensão deste este papel tão grande que a paixão e o amor exercem nos inícios dos relacionamentos ajuda a entender porque as pessoas investem tanto na conquista dos parceiros e menos na manutenção dos relacionamentos.
No início do relacionamento, as pessoas cuidam da aparência, ficam muito agradáveis com o parceiro, são sedutoras, gentis, positivas e energéticas. Tudo isso para despertar a paixão e o amor do parceiro. Depois que o relacionamento já foi estabelecido e passou a ser sustentado por outros fatores, as pessoas sentem-se mais seguras, a paixão já cumpriu o seu papel e pode arrefecer. Custa muito tempo e energia manter a paixão e o amor intensos depois que já cumpriram seus papéis!

Relacionamentos arranjados

Existem relatos que afirmam que nas culturas onde há casamentos arranjados, os cônjuges desenvolvem afeição mútua que é tão ou mais intensa do que a afeição entre os cônjuges que é desenvolvida nos casamentos formados com base na paixão e amor iniciais, como na nossa cultura.
Quando o casamento é arranjado, a paixão e o amor não são os fatores que regem a formação dos pares. Por outro lado, é claro que os encarregados das formações dos pares dos casamentos arranjados levam em conta as compatibilidades e aparências dos candidatos para proporem suas uniões (muitas vezes os futuros noivos são ouvidos e podem vetar a escolha). Sem esses requisitos mínimos, provavelmente não frutificaria a afeição entre eles.
Ou seja, dentro de certos limites, a forma como o relacionamento começa, seja através do amor ou do casamento arranjado, pode ser menos importante do que imaginamos. 

A paixão, o amor e o casamento arranjado criam condições para que outros laços se estabeleçam entre o casal

A paixão, o amor e a escolha por terceiros, adotada nos relacionamentos arranjados, são apenas maneiras de dar início ao relacionamento e motivar os casais para permanecerem juntos em um relacionamento de natureza conjugal (encarar o outro como parceiro afetivo, sexual, sócio e companheiro) durante o tempo necessário para permitir que outras forças passem a operar no relacionamento e promover vínculos entre os cônjuges.

Continue a ler no meu novo blog: http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/2016/09/25/porque-a-paixao-e-o-amor-duram-pouco-e-o-casamento-arranjado-pode-dar-certo/

Por Ailton Amélio às 09h21

12/09/2016

Isso não é dor de amor

Outras fontes de sofrimento confundidas com dores de amor!

Quando uma parceira amorosa nos deixa, podemos sofrer muito. Esse sofrimento pode ter muitas causas. A maioria delas não está relacionada com o amor por ela, mas sim, com outros fenômenos psicológicos e práticos que foram alterados para pior, devido à separação.

Sofrimento causado pela diminuição da autoestima

Elisa não gostava tanto de Kleber, mas sentia muito a sua falta! Como entender isso? O tamanho do amor que sentia por ele não explicava o grande tempo que pensava nele e nem o quanto ficava torcendo para que ele a convidasse para fazer alguma coisa!

O fato dele não ligar muito para ela afetava negativa e fortemente a sua autoimagem e autoestima. Para ela, era muito importante sentir-se atraente como parceira amorosa e sentir que podia estabelecer e manter um bom relacionamento amoroso quando quisesse. Qualquer coisa que desconfirmasse a sua autoimagem e capacidade para relacionar-se amorosamente fazia que ela se sentisse desqualificada e ameaçada.

Geralmente era ela que mostrava disponibilidade para se encontrar e fazer programas com Kleber: era mais ela que mostrava que queria a companhia dele e que tinha tempo para ele do que vice-versa.  Ele era muito ativo: tinha muitos amigos, era convidado para muitos eventos e tinha muitos interesses. Por isso, ele sempre tinha algum programa em vista.  A sensação de Elisa, por tudo isso, era que ela queria mais estar com ele do que vice-versa. Não sentir-se tão querida quanto o queria afetava muito a sua autoestima. Ela achava que ele não solicitava tanto a sua companhia é porque ele a avaliava como menos interessante do que as outras coisas que preferia fazer ao invés da sua companhia.

Para Elisa, sentir-se atraente e preferida era muito mais importante do que a intensidade do amor que sentia por Kleber.  Caso Elisa satisfizesse essa sua necessidade de sentir-se atraente e preferida, nem iria querer muito a companhia dele.

Elisa era uma mulher que poderia ser conquistada mais pela rejeição por parte do pretendente do que pela atração que sentia por ele.

É por esse mesmo motivo que muita gente clica em muitas fotos nos aplicativos de encontros e, quando são correspondidas, perdem o interesse de dar sequencia aos relacionamentos. Outras pessoas vão um pouquinho além: iniciam conversas ou até vão para o primeiro encontro. Quando o outro manifesta interesse elas, logo perdem o interesse por eles: já satisfizeram a necessidade de serem aceitas e de verificarem que são atraentes!

CONTINUE A LER NO MEU NOVO BLOG:

http://ailtonamelio.blogosfera.uol.com.br/2016/09/10/isso-nao-e-dor-de-amor/


Por Ailton Amélio às 11h00

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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