Blog do Ailton Amélio

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18/12/2016

Carência afetiva, privação afetiva ou confusão com outros tipos de carência?

As pessoas que sentem necessidades afetivas excessivas podem ser classificadas em três grupos: os (1) “carentes afetivos” (aqueles que são inseguros afetivamente e precisam de manifestações contínuas de afeto), os (2) “privados afetivos” (aqueles que têm necessidades saudáveis de afeto, mas não estão sendo atendidos neste setor) e os (3) “confusos afetivamente” (aqueles que confundem outros tipos de carência com carência afetiva). Claro, todo mundo tem um pouco de cada um desses três tipos de causa de necessidades afetivas.

Neste artigo vamos apresentar esses três tipos de causas das necessidades afetivas e apontar que para cada uma delas existem soluções específicas.

 

CARÊNCIA AFETIVA

Dizemos que uma pessoa é carente afetiva quando ela sente muita falta de afeto e esse sentimento pode ser facilmente disparado por pequenos acontecimentos (pequenas desatenções do parceiro, pequenos fatos enciumadores, ligeira frieza no tratamento, etc.). Pessoas carentes geralmente são classificadas como “pegajosas”, “grudes”, “asfixiantes”, “ciumentas” e “possessivas”.

Descrição de carência afetiva

A seguinte descrição capta bem as principais características da “carência afetiva”. Ela descreve o estilo de apego “ansioso ambivalente”, que mostra sinais fortes de carência afetiva. Essa descrição foi apresentada por Shaver, Hazan e Bradshaw em um teste os estilos de apego para identificar ansiosos ambivalentes (Veja a citação, na Nota, no final deste artigo). A escala abaixo da descrição foi acrescentada por mim.

“Carente afetivo” ou ansioso-ambivalente

Leia a seguinte descrição e use a escala abaixo para avaliar quanto você se identifica com ela. Se você responder à esquerda do zero, você se avalia como oposto ao que está descrito.

Eu acho que as outras pessoas se sentem relutantes em ficar tão íntimas comigo quanto eu gostaria. Eu frequentemente me preocupo porque acho que meu parceiro não me ama realmente ou não quer ficar comigo. Eu gostaria de me unir completamente com a outra pessoa e este desejo, às vezes, afugenta as pessoas.

 

Discordo                   |-----|-----|-----|-----|-----|-----|   Concordo

 

completamente     -3      -2       -1      0       1       2       3               completamente     

 

Quanto mais para a esquerda você respondeu, mais oposto a esta descrição você se avaliou e, portanto, mais oposto ao carente afetivo você é. Quanto mais para a direita do zero você respondeu, mais você se identificou com a descrição e, portanto, mais carente afetivo você é.

Causas da carência afetiva

Existem varias teorias que tentam explicar as variações na intensidade da carência afetiva. Uma das mais convincentes é a Teoria do Apego.

Segundo a teoria do apego, aquelas crianças cujos cuidadores (geralmente as suas mães) são inconstantes nos seus cuidados têm mais chances de desenvolverem o estilo de apego ansioso-ambivalente.

Esses cuidadores são presentes e afetivos em certas ocasiões e são frios e distantes em outras. Essa inconstância faz que a criança fique insegura sobre o que vai encontrar em cada momento: elas nunca sabem em que ocasião o cuidador estará lá para confortá-la e cuidar dela rapidamente ou, por outro lado, e em que ocasiões eles demorarão para agir assim e o farão com mais frieza e distanciamento.

No futuro, as crianças que tiveram cuidadores ansiosos-ambivalentes terão mais chance de mostrar essa insegurança sobre o que desperta nos outros e o que esperar dos outros tanto na amizade como no amor romântico.

 

PRIVAÇÃO AFETIVA

Os privados afetivos são aqueles cujas necessidades afetivas são normais, mas essas necessidades não estão sendo atendidas.

Causas da privação afetiva

Os principais motivos da privação afetiva são os seguintes:

 

(1) Solteirice prolongada. Faz tempo que você está sem parceiro amoroso. Portanto não abraça, beija e recebe consideração afetiva típica da parceria amorosa há bastante tempo. Esse tipo de carência não pode ser totalmente suprido pelos amigos, atividades interessantes, hobbies, etc.

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Por Ailton Amélio às 13h04

11/12/2016

Relacionamentos possíveis: a arte do bem viver

“Você não tem mais tempo para ficar escolhendo tanto (nunca teve): tem que pegar o que pode e o que a vida lhe oferece!”

“Solte o freio de mão! Sua vida não valerá a pena, se o freio de mão continuar puxado!”

Neste artigo vou apresentar reflexões sobre a sabedoria de abrir mão, pelo menos temporariamente, de parte daquilo que você quer para poder viver e aproveitar relacionamentos maravilhosos!

Relacionamento possível

Havia muita “química” entre Joel e Amanda: ela preenchia o seu modelo mental de “mulher” e ele, o dela, de “homem”. Cada um despertava no outro fortes sentimentos românticos e muita atração sexual.

No entanto, ela tinha impedimentos sérios que impossibilitavam que eles assumissem publicamente qualquer tipo de relacionamento amoroso. Por isso, seus encontros aconteciam às escondidas, e eles sabiam que sempre seriam assim.

No início, ele se revoltou contra a impossibilidade de viverem plenamente esse amor e interrompeu o relacionamento. Esse rompimento durou pouco: ele logo percebeu que se aceitasse o que ela podia oferecer, poderiam ter ótimos momentos. Além disso, eles se sentiam unidos o tempo todo: estavam psicologicamente presentes na mente do outro o tempo todo.

Renderam-se a essa realidade e resolveram topar a parada. Depois que tomaram essa decisão, ficaram contentes, sem revoltas, sem cobranças e sem ressentimentos. Era o que tinham para o momento.

Algum tipo de relacionamento entre duas pessoas quaisquer quase sempre é possível 

É só elas concordarem quanto aos direitos e deveres que estão dispostas a assumir, que o relacionamento se tornará possível.

Como só concebemos relacionamentos que podem ser enquadrados em certas classificações (namoro, casamento, amizade, colega, etc.) e atendem aos seus requisitos (exclusividade, direitos, deveres, restrições), descartamos aqueles relacionamentos que não se enquadram em nenhuma dessas classificações.

Se você descobrir o tipo de relacionamento que é possível com cada pessoa, será possível relacionar-se com quase todas elas.

Se você estiver disposto a modificar seu “contrato” de relacionamento, talvez não seja necessário terminar aqueles que você já tem e estão apresentando problemas.

Não importa as classificações. Vou viver o que é significativo para mim

Reconhecer que as classificações dos relacionamentos amorosos são baseadas em pontos de vista, conceitos morais e preconceitos libera quem faz esse reconhecimento para considerar o que está acontecendo sob outras óticas, perspectivas e referenciais. Liberar-se dessas classificações sociais e de suas conotações dá mais força para encarar o que está ocorrendo e diminui a importância daquilo que estão vivendo se enquadrar ou deixar de se enquadrar nas classificações vigentes.

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Por Ailton Amélio às 12h30

05/12/2016

O esforço temporário pode mudar suas motivações e seu estado de espírito

Ninguém gosta de fazer esforços e agir deliberadamente para iniciar novos relacionamentos. Nada melhor do que essas coisas acontecerem naturalmente, sem nenhum artificialismo. No entanto, quando as situações atuais não oferecem boas oportunidades para iniciar relacionamentos amorosos e não há motivação suficiente para expor-se a outras situações, é necessário fazer esforço para mudar as coisas.

Duas histórias ilustrativas

Considere as seguintes histórias de pessoas que fizeram esforço para mudar e foram bem sucedidas:

Josie se esforça e volta a namorar

Josie estava sem namorado há bastante tempo. Nos meios sociais e profissionais que ela frequentava, não havia ninguém disponível que a interessava. Ela não gostava de ir a baladas e também não gostava de aplicativos para iniciar relacionamentos.

Ou seja, ela estava sem namorado, não havia ninguém disponível que a interessasse nos meios que ela frequentava e ela não gostava de nenhuma das atividades que poderiam colocá-la em contato com novos possíveis parceiros.

Ela era razoavelmente atraente. Bastava expor-se a possíveis parceiros, em situações que facilitassem inciativas amorosas, que eles fariam contato.

Ela tinha boa capacidade para se ligar a novas pessoas quando tinha oportunidade de conversar com elas. Bastava conversar um pouco com pessoas receptivas para ela se envolver. Esse envolvimento gerava energia e interesse intrínsecos suficientes para manter os novos relacionamentos, sem necessidade de novos  esforços, portanto.

Assim, sendo, para sair da solteirice, o que ela tinha que fazer era passar temporariamente pelo desconforto de ir a locais que oferecessem oportunidades de contato com possíveis parceiros ou fazer usos de aplicativos para iniciar relacionamentos.

Cândido se esforça e consegue superar a tristeza do fim do namoro

Crer que existem situações e acontecimentos motivadores, crer que expor-se a elas da forma certa produz envolvimento e gera motivação, que há caminho eficiente para chegar lá e que consegue percorrer esse caminho possibilita e suscita a motivação.

A namorada de Cândido terminou o namoro com ele. Ele gostava dela, não queria terminar e, por isso, ficou muito abatido. Ele, no entanto, possuía um caminho muito eficiente para recuperar-se o mais rapidamente possível daquele pesar que estava sentindo: embora a dor que sentisse lhe tirasse a vontade para quase tudo, ele sabia que havia novas pessoas interessantes por ai, que podia atrai-las, e que elas se envolveriam com ele, e ele com elas, caso houvessem as oportunidades adequadas para fazer e ficar em contato com elas. Era só fazer o caminho de novo para essas novas relações.

No início, não teria vontade de começar atividades que facilitariam encontrar essas mulheres. Teria que esforçar-se para isso. Mas, logo que começava a se relacionar com alguém interessante e receptivo, a energia do relacionamento lhe emprestava motivação.

Quando o esforço vale a pena

1 – Você está precisando de ânimo ou motivação?

2- Você conhece alguma situação ou atividade que poderia contagiá-lo da forma que você precisa?

3- Você sabe o que fazer para criar ou se expor a essa situação ou atividade motivadora?

4- Você confia que esse caminho o levará a essa a essa situação ou atividade?

5- Você sabe como expor-se adequadamente a essa situação?

5- Você confia que se expondo adequadamente, há uma boa chance de ela contagiá-lo.

6- Você tem motivação suficiente para pegar o caminho até a situação e manter-se nela até que ela comece a envolvê-lo?

O esforço para expor-se a uma situação ou atividade potencialmente motivadora, seja ela amorosa ou não, com a finalidade de animar-se, funciona e vale a pena quando:

– Cremos firmemente que conhecemos o caminho para chegar essa situação motivadora. Conhecer o caminho e confiar nele é meio caminho andado (rs).

– Cremos que temos as habilidades necessárias para trilhar o caminho e para lidar com a situação da forma adequada para que ela nos envolva positivamente. A falta dessa crença é um dos principais motivos do desânimo.

– Temos motivação suficiente para trilhar o caminho até a situação e permanecer nela ou sabemos como recrutar motivação suplementar para essas tarefas. Muita gente decide no meio do caminho porque não tem motivação suficiente para persistir até obter resultados.

– O esforço para trilhar o caminho e expor-se suficiente e adequadamente à situação não é grande demais. Quando o esforço é grande demais, ele se torna muito aversivo e frustrante, o que aumentará muito as chances de desistirmos e impedirá que a nova situação se instale.

– O esforço é temporário. Ninguém quer permanecer por muito tempo em situações desagradáveis, onde há necessidade de comportar-se artificial e deliberadamente O esforço vale a pena, quando ele é temporário e produtivo. Em seguida, ele será substituído por motivações naturais geradas pela nova atividade, pessoa ou situação. As coisas boas da nova situação substituirão gradativamente a necessidade do esforço.

– A exposição na nova situação ou atividade promoverá restruturação cognitiva positiva: mudaremos favoravelmente aquilo que pensávamos sobre a situação e de nós mesmos. Por exemplo, perceberemos que lidar com esse tipo de situação é mais fácil do que imaginávamos e que temos, sim, habilidade para lidar com ela.

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Por Ailton Amélio às 14h50

Sobre o autor

Ailton
Amélio

é psicólogo
clínico,

doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da USP. Autor dos livros "Relacionamento amoroso" (Publifolha), "Para viver um grande amor" (Editora Gente) e "O mapa do amor" (Editora Gente).

Sobre o blog

Um blog sobre relacionamento amoroso e comunicação interpessoal.

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